Fragmentos do Multiverso — Capítulo 6: Volume 1 – Capítulo 6 – Capítulo 6: Decisão

Fragmentos do Multiverso
Cap. 6
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Fragmentos do Multiverso

Volume 1 – Capítulo 6 – Capítulo 6: Decisão

Capítulo 6

3.118 palavras~14 min de leitura

Quando a noite caiu, Anuk já estava em casa, junto de seu novo parceiro.

— Anuk, esse lugar é incrível! Eu nunca vi nada assim antes! A gente tem literalmente de tudo! O lugar é gigante e ainda podemos decorar do jeito que quisermos! — Aki diz, correndo pelas escadas do segundo andar, empolgado.

Anuk sorri ao ver o amigo daquele jeito.

Era difícil imaginar aquele mesmo garoto feliz pois, quando se conheceram, não esboçava reação alguma além de tristeza.

— Eu disse que ia valer a pena, mas você me criticou! — Anuk diz, debochando do amigo.

— Você não parece tomar muitas decisões boas e normais, então é óbvio que eu ia criticar! Não faz sentido pegar uma casa pra duas pessoas! — Aki explica.

— É, eu sei. E talvez você tenha razão!

— Tenho? — Aki pergunta, confuso.

Não era comum Aki ver Anuk concordando com ele. Normalmente, os dois sempre discordavam.

Além disso, havia algo estranho no garoto.

Anuk parecia mais distante que o normal, como se estivesse com a cabeça em outro lugar.

— Você tá legal, cara?

— Hm? Ah, sim. Relaxa. Só tô com muitos pensamentos na cabeça!

— Bem… se você não quiser me contar, não vou invadir sua privacidade.

Anuk encara o companheiro por alguns segundos antes de soltar uma leve suspirada.

— Eu disse que tá tudo bem. Não precisa se preocupar, tá bom? — Anuk responde, acompanhado de um sorriso. — E aí, quer comer o quê?

— Você realmente sabe cozinhar?

— Por que todo mundo me questiona isso?

— Talvez pela sua idade e pelo seu jeito?

— Ei, o que você quer dizer com isso?

— N-Nada! — Aki responde rapidamente, desviando o olhar.

Logo em seguida, Anuk começa a rir ao ver a expressão de Aki, que aparentemente achou que ele havia levado aquilo a sério.

— Fica tranquilo, eu tô brincando. Não tem problema nenhum as pessoas acharem que eu não sei cozinhar. Mas eu também vou calar a sua boca agora com o melhor repolho que você vai comer na vida.

— Repolho… tem certeza? — Aki pergunta sem muito ânimo diante do prato escolhido, claramente desconfiado.

— Sim! — Anuk responde com um rosto decidido e confiante.

Algum tempo passa até que o prato finalmente fique pronto.

Aki encara a comida com certa desconfiança. Não era muito do estilo dele comer vegetais e, principalmente, repolho.

— Anda, experimenta! — Anuk diz, aparecendo da cozinha usando um chapéu de chef.

Aki suspira e dá a primeira garfada.

Era um prato simples. Arroz, feijão, repolho e carne. Nada de especial à primeira vista.

Mas, assim que sente o sabor, seus olhos se arregalam.

Ele mastiga lentamente por alguns segundos, como se tentasse entender o que acabara de provar.

— Isso… tá bom demais! Mas como?! Tipo, só tem arroz, feijão, repolho e carne, mas o sabor é inexplicável! Não parece nenhum desses alimentos! — Enquanto fala, Aki continua levando garfadas à boca. — E a cada mordida é como se eu me sentisse mais revigorado!

— Eu disse! — Anuk responde com um sorriso orgulhoso.

— Eu nunca mais te critico!

Aki continua comendo cada vez mais, como se não houvesse amanhã e ele precisasse garantir que nem um único grão daquele prato fosse desperdiçado.

— Mas me conta: como você aprendeu a cozinhar tão bem?

— Ah, o velhote da cafeteria normalmente saía pra resolver assuntos que eu e a Max não podíamos saber do que se tratava. Aí, quem tinha que cuidar de nós dois era eu.

— Sério? E a Max não te ajudava?

— Ela até tentava, mas, na primeira vez que disse “Deixa que eu cuido disso”, acabou quase botando fogo na cafeteria inteira. — Anuk explica, soltando pequenas risadas.

— O quê?! — Aki olha horrorizado.

— Relaxa! A gente era apenas criança e ninguém se feriu. Eu só me queimei um pouco pra tirar ela de perto do fogão em segurança. Depois nós dois rimos muito da cara do velho surtando. Essa foi a primeira vez que ele deixou a gente sozinho. Depois disso, ele decidiu que ia nos ensinar a cozinhar, mas eu comecei a aprender sozinho pra evitar que aquilo voltasse a acontecer. No fim, acabei pegando gosto pela coisa.

— Que bom que deu tudo certo então… — Aki respira aliviado.

— É. Agora o velho só tem traumas toda vez que a Max vai cozinhar, então eu sempre tenho que assumir! — Anuk explica, lembrando dos momentos de sua infância.

— Enfim, se me dá licença, preciso ajeitar umas coisas! — diz Anuk, retirando a roupa de cozinheiro e indo em direção à porta.

— Aonde você vai? — Aki pergunta de boca cheia.

— Não se preocupa. Não devo demorar… eu acho. Mas não me espera acordado, hein!

— Beleza!

Anuk então sai pela porta.

Do lado de fora, uma bela paisagem se revelava diante dele.

Era o campus escolar durante o anoitecer. Os postes iluminavam os caminhos de concreto que cortavam os campos de flores e plantas, enquanto as luzes dos próprios prédios se espalhavam pelo ambiente.

Era uma mistura peculiar entre o urbano e o rural.

“Quem fuma cigarro tem muita sorte, né? Além de conseguir desestressar, ainda fica estiloso… Mas acho que isso é só coisa de filme.”

Anuk continua caminhando pelo campus, observando as estrelas.

Seus pensamentos estavam a milhão.

Ele havia perdido a oportunidade de se aproximar de outra pessoa e, no mesmo dia, descobrira que ainda não era capaz de ajudar ninguém.

De vez em quando, um suspiro pesado escapava de seus lábios.

“Talvez eu deva ir na cafeteria ver como tá o velhote. Isso pode me distrair um pouco.”

Anuk então sai do campus em direção à cafeteria onde antes morava junto de Max.

Como qualquer outra noite, aquela era muito silenciosa.

O vento batia forte, trazendo consigo um frio intenso, enquanto a cidade era iluminada pelos mais diversos prédios, cada um com suas próprias cores.

— A grande Arcadia, cidade do impossível, hein… Será mesmo que eu posso fazer o impossível, Sebastian? — Anuk sussurra enquanto caminha, observando os prédios.

Mas seu momento de reflexão é interrompido.

Um barulho alto rasga o ar e invade sua mente.

Anuk para imediatamente.

— Isso foi… um grito?

Ele começa a seguir o som, como se aquele barulho fosse uma seta apontando o caminho.

Entre alguns becos, finalmente chega ao lugar de onde o som havia vindo.

Seus olhos se arregalam ao perceber o que estava acontecendo.

— Calem ela! Tá fazendo barulho demais. Alguém pode ouvir! — diz um homem de jaqueta.

À frente de Anuk, alguns homens vestindo jaquetas semelhantes seguravam uma garota que se debatia desesperadamente, tentando se soltar dos braços daqueles brutamontes.

Sem sucesso.

Sua boca estava amordaçada e seus braços, presos por cordas.

— Gangues?! Mas… por que estão sequestrando uma garota? — Anuk sussurra, escondido atrás de uma parede, inclinando apenas parte do corpo para conseguir observar a situação.

— Não é mais fácil apagar ela? — Um dos sequestradores questiona.

— O chefe quer ela sem arranhões, então nada de ferir a garota! — outro responde.

Anuk observa enquanto eles colocam a menina dentro do porta-malas de um carro e o fecham.

Seu corpo dá um passo para frente.

Mas sua mente o puxa para trás.

“Só veja pra não fazer nada imprudente!”

As palavras de Ethan ecoam em sua cabeça.

— Merda… — Anuk resmunga.

Mas aquela não era a única coisa que o segurava.

Ele olha para as próprias mãos.

Elas estão tremendo novamente.

Exatamente como quando viu o assalto.

Anuk fecha os olhos por um instante e respira fundo.

Uma vez.

Duas.

Aos poucos, a tremedeira diminui.

Ele abre os olhos novamente.

Os sequestradores já estavam entrando no carro.

O motor ronca.

— E lá vão eles… — Anuk murmura, acompanhando o veículo com os olhos enquanto ele desaparece pela estrada.

Ele decide se aproximar do lugar onde os sequestradores estavam, na esperança de encontrar alguma coisa que pudesse ajudá-lo.

— Beleza… Eu já vi muitos filmes na minha vida. Tem que ter uma pista nesse lugar. Sempre tem!

Anuk começa a investigar a cena, procurando qualquer tipo de rastro que os sequestradores pudessem ter deixado para trás.

O lugar não era muito grande, então não havia muito o que procurar.

Parecia um velho estacionamento cercado por grades de arame, próximo ao que provavelmente era uma oficina abandonada.

— Vamos, Anuk. Tá na hora de bancar o detetive.

Depois de olhar algumas lixeiras e caixas jogadas pelo lugar, Anuk chega até onde o carro estava.

Ele se abaixa para observar as marcas dos pneus mesmo não fazendo a menor ideia do que aquilo significava.

Mas nos filmes faziam isso, então provavelmente devia servir para alguma coisa.

Ele se levanta e continua procurando.

Por sorte, seus olhos conseguem encontrar, em meio à escuridão mal iluminada por um poste, um pedaço de papel.

Anuk pega o objeto.

— Armazém Cristal, Rua da Esperança, 330… Bingo! — diz, feliz com o achado.

— Agora, o que eu deveria fazer é ligar pra polícia e…

O garoto para no meio da frase.

Ligar para a polícia seria o certo.

Anuk sabia disso.

Os profissionais cuidariam daquela situação muito melhor do que ele.

Porém…

“Se for uma pista falsa? Ou se a polícia não chegar a tempo?”

Ele aperta o papel entre os dedos.

“Droga… É uma situação de emergência. Não dá pra simplesmente ficar parado esperando!”

Anuk encara o endereço.

Depois, olha para o celular.

Volta a olhar para o papel.

Por alguns segundos, permanece parado, dividido entre as duas opções.

Então toma sua decisão.

— Acho que não tenho outra opção…

Ele liga o celular e começa a discar o número.

— Alô? Preciso de uma ajudinha.

O garoto sai correndo do lugar.

Alguns minutos depois, finalmente chega a um lugar que lhe era familiar.

— Anuk! Aqui! — diz um homem em frente a um portão.

Quando Anuk se aproxima, reconhece o pai de Emma, que estava do lado de fora de sua casa segurando uma moto.

— Perdão por ligar tão tarde, mas, como eu sabia que vocês moravam aqui perto, não tinha mais ninguém a quem recorrer!

— Sem problemas, garoto! Eu fico muito feliz em poder ajudar o salvador da minha filha! Mas, se não se importa, por que você precisa de uma moto? — O pai de Emma pergunta, com uma singela felicidade estampada no rosto.

— A-Ah, eu preciso porque… preciso encontrar uma conhecida!

— Conhecida? Aaaaaah, garotão, entendi! É um encontro! — O pai de Emma responde, com total certeza e felicidade.

— O-O quê? Não! Que isso! Eu não disse isso!

— Não precisa se preocupar e nem me contar os detalhes! É sua! — O homem responde, dando várias risadas.

— O-Ok, obrigado!

Anuk sobe na moto e a liga.

O motor ronca.

Ele engole em seco.

— Olha, você é meio jovem… Tem certeza de que sabe pilotar? — O pai de Emma pergunta, olhando para o adolescente sobre a moto.

— C-Claro! Você já viu um adolescente da minha geração não sabendo dirigir? — Anuk responde com um olhar nervoso.

O homem o encara por alguns segundos.

— Bem… então tudo bem. Só toma cuidado, hein!

Ele se despede do garoto e entra novamente em casa.

Anuk olha para os controles da moto.

“Não deve ser tão difícil. Tipo… eu sei andar de bicicleta, né? Quão diferente pode ser?”

Ele respira fundo.

Então dá a partida.

A moto dispara em alta velocidade.

— TÁ! ESQUECE O QUE EU DISSE! É MUITO DIFERENTE, SIM! COMO CONTROLA ISSO?!

Anuk grita desesperado, tentando manter o equilíbrio enquanto a moto avança.

Na cabeça do garoto, seria mais fácil pilotar uma moto do que dirigir um carro pela primeira vez.

Ele se arrepende dessa ideia mais rápido do que a própria moto estava indo.

— OK, ANUK! EQUILÍBRIO! EQUILÍBRIO!

A moto balança para a esquerda e para a direita, quase tombando completamente.

— PELO MENOS É UM BOM COMEÇO, PORQUE EU NÃO CAÍ LOGO DE CARA!

Enquanto grita, o garoto se esforça para desviar dos carros, principalmente dos que estão parados.

A moto segue em zigue-zague.

E ele ainda está longe de ter controle total.

“Ok, Anuk. Foco. Armazém Cristal. Eu sei um caminho mais rápido pra chegar lá e sem pegar trânsito. Vou ganhar um pouco do tempo que perdi indo buscar a moto e provavelmente vou chegar mais rápido que a polícia.”

Seus pensamentos são interrompidos quando um carro surge em sua direção.

Anuk arregala os olhos.

Só então percebe que estava na mão errada.

— DESCULPA!

Ele desvia por um triz.

— TÁ BOM! FOCO DOIS! TENTAR NÃO MORRER NO CAMINHO!

Com o tempo, Anuk vai se acostumando a pilotar a moto.

Demora um pouco, mas finalmente começa a pegar o jeito.

E ainda bem.

Seu destino já estava a poucos metros.

— Beleza, Armazém Cristal! Espero que não tenha uma organização inteira aqui! — Ele diz enquanto desce da moto.

“Agora… como eu vou entrar?”

O garoto observa o grande portão de arame.

“Seria muito óbvio entrar pela porta da frente. Além disso, não sei se tem caras aqui de guarda. É perigoso.”

Enquanto pensa, começa a rodear a área do armazém.

Até encontrar uma pequena fresta arrebentada.

Anuk encara o buraco por alguns segundos.

— Coincidente demais…

Ele passa por baixo da fresta, olhando para todos os lados para ter certeza de que não havia ninguém.

Parecia estar entrando em um daqueles grandes depósitos abandonados onde não existia uma única alma viva por perto.

Ao redor, apenas prédios e o enorme galpão.

“Ok, infiltração feita, agor—”

Antes que pudesse terminar o pensamento, ele ouve murmúrios e passos se aproximando.

Rapidamente, o garoto se esconde atrás de algumas caixas de madeira espalhadas pela área.

— O chefe mandou a gente ficar de olho.

— Como se alguém fosse chegar aqui. Nem a polícia teria como nos encontrar nesse lugar.

“Sério? Eu não achei muito difícil.”

Anuk observa os dois capangas caminharem em direção ao portão principal.

— Mas o que a gente vai fazer com aquela garota?

— E isso importa? Nós queremos o dinheiro, e isso é tudo!

“Gangues fazendo sequestro? Que decadência, hein…”

Anuk volta a olhar ao redor.

Então percebe algo.

Câmeras de segurança.

Em cima dos postes.

Ele olha novamente.

Uma.

Duas.

Três.

A cada nova olhada, aquele lugar parecia ter uma nova surpresa.

“Lugarzinho bem protegido pra um armazém abandonado… Tá. E agora?”

De repente, um grande barulho de algo se quebrando corta o silêncio.

— O que foi isso? — Um dos guardas pergunta.

Enquanto pensava, Anuk havia empurrado acidentalmente uma das caixas.

Pelo quanto ela havia sido empurrada, não deveria cair.

O problema era que ele não havia percebido a outra caixa logo à frente.

Ela tomba.

E então—

CRASH!

— Eu vou checar. Fica de olho no portão!

— Pode deixar.

“Merda. Merda. Merda.”

Anuk ouve os passos se aproximando.

Rapidamente, se deita no chão, permanecendo escondido atrás da pilha de caixas.

Não havia tempo para correr até outra cobertura sem ser visto.

Tudo o que podia fazer era torcer para que o homem não o encontrasse.

— Quem está aí? — Indaga o homem.

Os passos ficam cada vez mais próximos.

A respiração de Anuk pesa.

Seu corpo inteiro fica tenso.

Qualquer movimento poderia denunciá-lo.

Anuk ouve o homem do outro lado da pilha de caixas.

Ele está investigando.

E está cada vez mais perto.

— Achou alguma coisa?

— Uma das caixas caiu no chão e se quebrou!

“Por favor, não me acha… Por favor, não me acha…”

O homem se aproxima ainda mais.

Ele tenta olhar atrás da pilha.

Anuk prende a respiração.

Por um instante, parece que os dois estão separados apenas pelas caixas.

O garoto sente o próprio coração batendo contra o peito.

Ele sabe que o homem está ali.

Sabe que está perto.

E, mais uma vez, congela.

Milhões de pensamentos passam pela sua cabeça enquanto ele luta para permanecer imóvel.

— Não vi nada por aqui!

— Pode ter sido um texugo ou algum outro animal que passou rápido e derrubou.

— É… pode ser. Mas me parece estranho.

Os passos começam a se afastar.

Anuk permanece imóvel por mais alguns segundos.

Então solta o ar de uma vez.

— Haaa…

Uma onda de alívio percorre seu corpo.

Ele olha para o chão.

Foi então que percebe algo onde a caixa havia caído.

Um pé de cabra.

“Mas… o quê?”

Anuk olha para o homem que se afastava pouco a pouco, investigando outra área.

Ele estende a mão e pega o objeto.

“Se funciona nos filmes… eu só preciso tomar cuidado pra não matar ele.”

O garoto começa a se esgueirar atrás do homem.

Cada passo é calculado.

Ele anda abaixado, tentando fazer o menor barulho possível.

Então, em um movimento rápido, concentra toda a força e segura o pé de cabra com as duas mãos.

Ele gira o corpo.

E desfere um golpe contra o homem usando a parte não cortante do objeto.

Uma pancada da esquerda para a direita.

O homem não cai.

Permanece parado diante de Anuk.

“Fudeu.”

O pensamento surge instantaneamente.

Então o homem desaba.

Anuk arregala os olhos.

— Ufa…

Ele respira aliviado.

— Ok, agora…

Anuk começa a vasculhar o corpo.

— Cara… nenhuma arma de choque? Sério? Vocês só andam armados pra matar? Meu Deus.

Ele encara a pistola com uma expressão de reprovação e desgosto.

Mesmo assim, a guarda na cintura.

— Só pra uso extremo…

— Pera aí o outro disse texugo? Sério? Bem... não importa vai!

Anuk então arrasta o corpo do homem desacordado até uma pilha de caixas afastada do parceiro, evitando ao máximo entrar no campo de visão das câmeras.

— Beleza. Não vai demorar muito pro parceiro notar que esse aqui sumiu. Preciso dar um jeito de sair daqui.

Os olhos de Anuk percorrem o lugar em busca de alguma coisa que pudesse ajudá-lo.

Até que ele encontra uma pequena porta no galpão.

— Beleza. Espero que aquilo não esteja conectado a nenhuma área principal daquele lugar. Mas antes…

Anuk desfere um golpe contra uma das caixas de madeira, destruindo-a e revelando seu conteúdo.

Ele encara o interior.

— Armas, correntes, pé de cabra… Por que isso tudo tá aqui?

Anuk pega a corrente que estava dentro da caixa.

Ele começa a se esgueirar o mais rápido possível, olhando para todos os lados.

O lugar continuava vazio.

Apenas caixas.

Câmeras.

E aquele silêncio estranho.

“Eu deveria ligar o quanto antes pra polícia. Eles precisam saber de tudo que tá acontecendo aqui! Não sei pra que tanto armamento, mas definitivamente não é algo bom.”

O garoto para diante da porta que havia encontrado.

Mas, novamente, seu corpo trava.

— De novo não…

Seus músculos se enrijecem.

A mesma sensação.

Aquela barreira invisível que parecia surgir toda vez que o perigo estava diante dele.

Anuk fecha os olhos.

— Todos temos nosso propósito e nosso momento de agir…

Ele respira fundo.

— Então vamos lá, corpo. Eu preciso de você agora!

Mais uma respiração.

Então, lentamente, seu corpo volta a obedecê-lo.

Anuk abre os olhos.

Aperta o pé de cabra com força.

E começa a forçar a porta.

CRACK!

A fechadura cede.

A porta se abre.

Anuk respira fundo uma última vez antes de entrar no armazém.

Fim da leitura

Capítulo 6 concluído

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