Guardiões — Capítulo 2: Livro 1 – Capítulo 2 - Primeiro Encontro

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Cap. 2
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Livro 1 – Capítulo 2 - Primeiro Encontro

Capítulo 2

1.503 palavras~7 min de leitura

“Quanto tempo tem que a gente tá andando?”, Garand perguntou.

“Eu não sei ler o céu”, Saiga respondeu, suspirando.

Já estavam seguindo uma trilha invisível há certo tempo, com Saiga pulando de tempos em tempos para ver o quão perto estavam das montanhas antes vistas. Garand queria correr, mas Saiga queria evitar chamar tanta atenção ou gastar energia à toa, então concordaram em apenas caminhar.

Certamente se sentia diferente durante aquele percurso. Saiga naturalmente era um homem reclamão, sempre reclamando da fome e da dor nos seus tornozelos, mas dessa vez ele apenas ficou em silêncio. O que impressionou Garand. No fim, apenas consideraram a teoria de que, se eram fortes da forma que era, então tinham mais energia e mais resistência às adversidades naturais, pelo menos daquele mundo.

Até certo ponto da sua caminhada chegaram a ouvir a corrente de um rio, ou pelo menos algo parecido com isso. No fim, era água corrente.

“A gente tá quase lá, já consigo até sentir a água tocando na minha cara”, Garand comentou empurrando um arbusto com força, irritado de tanto raspar o braço nas plantas daquela mata densa.

“Será que tem alguma pessoa morando por perto desse rio? Eu queria encontrar uma construção ou, sei lá, uma vila”, Saiga resmungou para o ar. “Eu quero entender desse lugar, mas eu dou um passo e fico mais confuso.”

“Cara—”, Garand recebeu uma galhada no rosto com muita força, mas sentiu mais irritação do que dor. “Eu acho esse lugar até que bem comum, tirando a magia e a força que a gente tem.”

“Sei lá, se a gente for o tal do escolhido mesmo acho que não vamos morrer pra uma gripe de outro mundo, certo? Mas ainda tenho certo medo”, Saiga demonstrou preocupação, fechando os olhos com pavor.

“Bom, então você tem que se decidir logo, porque achamos o rio e eu vou beber a água dele”, Garand, puxando cipós para o lado e mostrando uma longa faixa de aguá cristalina que descia para o oeste.

Saiga riu, passando na frente e empurrando o rosto do amigo. “Tá, tá. Vamos ver isso.”

A divisão era concreta: um rio com uma largura de 6 metros com 3 metros de cascalho espalhados ao seu redor até voltar ao solo de terra com uma densa mata dos dois lados. Do ponto em que os dois estavam era possível ver agora a um ponto da montanha que Saiga falou.

Mesmo que não estivesse suando, Garand esfregou a testa com as costas da mão, sorrindo como se tivesse feito um ótimo trabalho enquanto encarava o monte em que estavam indo. Ele soltou um suspiro pesado, ponderando no que aquela aventura estava levando eles. “O que vai acontecer com a gente?”, era o que ele pensava, mas não conseguia pôr em palavras. Se falasse em voz alta, Saiga teria ainda menos resposta. Nem ele, nem seu amigo. Ambos com a mínima ideia do que o destino ou até mesmo ‘Deus’ queria com eles, mas seguir um plano inconcreto era sua única opção.

“Você vai tentar beber?”, ele perguntou para o amigo de aparência feminina.

“Vou te contar uma coisa, cara: eu acho que sim”, Saiga olhou para os dois lados. “Parece água limpa — ou pelo menos limpa o suficiente para mim.”

“De que lado a gente vai, então?”, Garand se aproximou e pôs a mão dentro do rio, a puxando e bebendo a água, sendo imitado por Saiga, que se mostrou satisfeito com a sensação da água gelada na boca. “Tipo, continuamos indo em direção a essa fumaceira que você falou?”

“Pra onde mais iríamos?”, Saiga questionou ainda sobre cócoras apoiando as mãos nos joelhos.

“Sei lá, e se esse negócio aí de fumaça for um incêndio? Pode ser, sei lá, uma guerra ou algo do tipo”, os movimentos de braço de Garand gesticulando eram exagerados. “Eu não lembro bem pra que lado é, mas as pessoas não fazem casas em alguma direção na beirada de um rio?”

“Cara, eu nunca ouvi falar disso”, Saiga encarou Garand como se ele fosse um idiota.

“Ah, qual é!”, ele se levantou rápido. “Não me tira pra otário não!”

Saiga nem mesmo abriu a boca, ele apenas cerrou os olhos e mostrou a língua bem devagar, como se estivesse simulando uma câmera lenta.

E como se uma raiva extrema tomasse conta do seu corpo, Garand fechou os punhos e suas veias começaram a dominar toda a sua pele, mas ele sorriu.

“Ah, sério? Vai ser assim?”

Saiga soltou uma risadinha, como se tivesse a total certeza de que o amigo não teria coragem de o bater naquele momento, seja pela forte irmandade entre os dois ou seja por sua aparência extremamente fofa. “Quem bateria em uma garotinha como eu, né?”, era o que ele pensava.

Mas o que ele não esperava era um enorme jato d'água sendo jogado contra seu corpo, o empurrando a uma curta distância de onde estava.

Ele sufocou. Bastante da agua tinha entrado no seu nariz, ouvidos, na boca. Sentiu como se estivesse afogando. E de joelhos tossiu com força, botando para fora toda a água do rio que tinha invadido seu corpo.

Quando ele pôde finalmente recuperar o ar que tinha perdido, puxando com força a respiração, ele encarou seu amigo. Não foi uma simples encarada, ele viu o fundo da alma de Garand. E no fundo de sua alma estava escrito: tenta brincar de novo.

“Eu vou te matar”, disse Saiga.

Garand apenas sorriu, cruzando os braços e fechando os olhos como se não tivesse nenhum envolvimento com aquilo. “Hum, e por que, querido amigo? Eu sou apenas um—”, e quando menos percebeu, algo já estava no seu pescoço. Algo fofo, mas extremamente apertado — tão apertado que a parte do ‘fofo’ pode ser ignorada.

“Eu quase me afoguei no seco, seu imbecil”, Saiga, tomado pela raiva e gritando fervorosamente, se lançou contra Garand, o derrubando no cascalho e o enforcando com toda a força que tinha no momento.

“Calma!”, Garand gritou, tentando se livrar, mas era mais fraco do que Saiga.

Porém, mesmo que pedisse liberdade e socorro, o sorriso presunçoso no seu rosto fazia com que Saiga ficasse ainda mais irritado, balançando a cabeça do amigo com força enquanto o enforcava. “Para de sorrir, desgraçado!”

Pedidos inúteis, uma garotinha fofa com menos de um metro e meio se jogando contra você e gritando desesperada era extremamente ridículo na visão de Garand, mesmo que o ar não chegasse nos seus pulmões.

“Eu vou morrer”, ele disse isso com um sorriso agradecido no rosto. “De novo.”

Mas aquilo não duraria muito, ou melhor: não durou.

Porque do outro lado do rio eles ouviram duas coisas que, juntas, não eram boas de forma alguma.

“Ouviu isso?”, Garand perguntou ainda sendo sufocado.

Passos. Passos pesados que tremiam o chão.

“Ouvi o quê?!”, Saiga começou a soltar o pescoço do parceiro, lentamente olhando para o outro lado do rio.

“Socorro, por favor!”, gritos de socorro, gritos femininos, gritos de súplica, coisa que não combinava nem um pouco com o forte estrondo que o seguia.

E como se nunca tivessem iniciado aquela discussão antes, Garand e Saiga se lançaram para trás, entrando em posição.

“[Bola de fogo]!”, Garand gritou erguendo os braços.

Saiga acompanhou, mas sem magia, apenas levantando a guarda como um boxeador experiente.

E quando se deram por si, veio da outra mata uma garotinha. Uma menina jovem, possivelmente uma adolescente, foi o que pensaram na hora. Ela era loira e tinha uma vestimenta esperada de uma jovem camponesa em uma história de fantasia, mas o seu vestido branco era totalmente tomado por cinzas e sangue.

E atrás dela estava o real perigo, verde e gigante, próximo dos três metros de altura. Desacelerando o passo quando notaram os dois rapazes do outro lado do rio, dois ogros enormes apareceram. Eles carregavam porretes que pareciam mais árvores pequenas que foram arrancadas do solo sem a mínima preocupação. Não usavam roupas, do contrário: seus corpos verdes eram cobertos principalmente com sangue.

Eles pararam antes de chegar no cascalho, diferente da garota que continuou correndo até chegar na metade do rio, onde escorregou e ali ficou, apertando com força seu joelho que bateu com força contra as pequenas pedras no chão. Ela gemia de dor, alternando entre olhar com infelicidade para os dois homens desconhecidos e mostrar puro terror para as duas feras que a perseguiam. Mas, dando lugar aos gritos, ela usou algo diferente dessa vez. “Me salvem, eu imploro”, uma voz baixa, fraca, como a de alguém que já cansou de lutar.

E o silêncio tomou conta, estando consigo apenas o barulho da água correndo. Mas isso não durou muito, por que…

“[Bolas de fogo]”, e como seu corpo que queimava naquele momento, dezenas de esferas giratórias tomadas pelo calor escaldante das chamas formaram um anel em volta de Garand. “[Lançar!]”

E, frente às bolas de fogo, Saiga saltou como um caçador salta contra a presa desavisada, indo direto para o peito da criatura à esquerda. “Eu vou te matar!”

Fim da leitura

Capítulo 2 concluído

Livro 1 – Capítulo 2 - Primeiro Encontro