GuardiõesLivro 1 – Capítulo 3 - Primeiro Confronto
Capítulo 3Geralmente ondas gigantes são encontradas no mar, porém, naquele momento, uma enorme onda se formou com o impacto do soco de Saiga ao acertar o peito do grande ogro que atacou. Ao redor de ambos toda a água subiu e se afastou numa grande área. A força daquele golpe foi o suficiente para fazer a criatura, que mostrava beirar os 400 quilos de pura gordura e músculos, voar de volta para as árvores. E quando Saiga nem mesmo alcançou o chão passaram por ele vários feixes de luz que com nenhuma dificuldade perfuraram a pele do ogro caído, o queimando por dentro enquanto ele agonizava sentindo seu sangue queimar. Os gritos. Aqueles gritos de dor. Por um momento os rapazes hesitaram ao ouvir aquilo, mas a luta não tinha acabado.
“Matar!”, o parceiro dele gritou, girando o tronco de árvore como uma criança brinca com um graveto fingindo ser uma espada.
E agindo puramente por reflexo, sentindo sua vida na corda bamba, Saiga cobriu seu corpo usando os braços, recebendo o golpe e sendo lançado assim como havia feito com o outro monstro, mas com mais peso, voando e quicando na água que voltava a correr no rio.
“Saiga!”, Garand gritou pelo amigo, se distraindo e mal notando que a mesma arma que foi usada contra Saiga agora era usada contra ele, mas de forma diferente: sendo usada como taco.
O ogro, com um movimento grotesco e mal executado, usou a árvore para bater com força contra o chão e arrastando ela para lançar centenas de granitos contra o mago.
Mas aquilo não era o pior que poderia acontecer, pois logo ele lembrou do real motivo daqueles ogros estarem ali.
“Não”, Garand falou com a voz falha olhando diretamente para a jovem moça caída no meio do rio.
Se não fizesse nada rápido, ela seria a vítima ali. Saiga e ele eram fortes, eles já botaram isso à prova, mas a menina não mostrava nenhum tipo de atributo e nem mesmo a mínima chance de que aguentaria a força de tantas pequenas pedras sendo lançadas rapidamente contra seu corpo. “Pensa, pensa”, era o que passava na cabeça de Garand naquele curto espaço de tempo. Ele tinha que descobrir, e rápido, o que fazer para salvar aquela que implorava por socorro. E ele, naquele curto espaço de tempo, descobriu, mesmo sem ter noção de que seu plano daria certo.
“[Barreira]!”, foi o que ele gritou erguendo os braços enquanto se lançava para perto da menina, implorando para que se aquele ‘Deus’ que Saiga falou antes fosse real o desse a chance de conseguir fazer a coisa certa.
E, mesmo que não da forma que ele desejava, ao alcançar a menina algo aconteceu, e mesmo que pareça redundante, foi mágico: uma enorme parede de água se formou dividindo o lado do rio em que eles estavam e o lado em que o ogro se encontrava. A parede tinha, aproximadamente, 10 metros de altura e cinco metros de largura, e ela puxava da água do próprio rio para se formar, dividindo a água que se levantava e a água que continuava a correr por trás.
No fim, o dano total foi reduzido, logo que as pedras atingiram a parede elas foram lançadas para cima graças a força da correnteza, indo para o mais alto que podiam, mas lentamente dando a volta e atingindo altas velocidades ao cair novamente. Garand cobriu o corpo da garota e gritou “[Barreira]!” novamente, mas ao invés de se formar um teto de água para os proteger dos projéteis que caíram, a parede de água levantou ainda mais. Uma falha infeliz, fazendo com que Garand fosse atingido nas costas. Ele sentiu a dor — mesmo que o dano não tenha sido maior que os danos às suas roupas, sendo comparado a beliscões de crianças —, mas resistiu, rangendo os dentes quase ao ponto de quebrar enquanto cobria a garota.
A defesa foi feita, embora falha, mas foi feita, e olhando para a garota tremendo debaixo do seu corpo, Garand se sentiu aliviado — claro, ela tremia de pavor por sua vida, mas ainda estava viva.
Quando olhou para a frente ele se sentiu um pouco maravilhado, dando chance até para um sorriso surgir. Um enorme paredão de água continuava de pé na sua frente. O barulho era como o de uma cachoeira, mesmo que reversa. Aquilo saiu das suas mãos, ou da sua mana, para ele tanto faz como tanto fez, pois ainda era uma magia feita por ele mesmo.
Do outro lado da enorme barreira ele ouviu urros. Urros fortes e pesados seguidos de barulhentas batidas no chão. O ogro se irritava cada vez mais, uma vez perdendo seu semelhante e seguindo com suas investidas sendo frustradas.
Mas os grunhidos de raiva e frustração não duraram muito, sendo interrompidos com uma pancada tão forte que seus ossos foram destruídos. Tanto Garand quanto a jovem ouviram e, logo, viram uma sombra de três metros se aproximando, mas assim como o granito antes usado como munição, o corpo do ogro entrou em contato com a barreira mágica de Garand e foi lançado para cima rapidamente. A sombra do gigante se formou cobrindo os dois, que viram aterrorizados aquele corpo pesado caindo em sua direção.
“Droga, corre!”, Garand segurou o braço da garota com força, a puxando até seus corpos estarem colados e saltou para trás rapidamente, mas calculando errado a força necessária e parando apenas quando suas costas se chocaram contra as árvores da mata. “Puh!”
Mas a pancada não o enfureceu ou o impediu de se sentir grato, pois quando o ogro caiu contra o rio a água se espalhou com força ao redor, deturpando nem que minimamente a sua parede mágica. Sangue se espalhou junto. O ogro nem mesmo reagiu. A pancada foi tão forte que ele nem mesmo reagiu, nem som nem movimento. Apenas seu corpo fraco e imovel.
“Ele morreu?”, Garand se perguntou ainda apertando a garota.
Em um momento, ela teve coragem de abrir seus olhos. Garand mantinha uma expressão séria e assustada, mostrando sua zero noção em combate. Ainda assim, ele ainda estava se esforçando para proteger ela. Porém, “Ele”? era o que se passava em sua mente. “Não tinham dois?”
E atravessando a muralha de água como se não houvesse a mínima pressão que o empurrasse para cima, Saiga surgiu com seu corpo completamente ensanguentado. Ele tinha raiva, espumando pela sua boca e com os dentes completamente cerrados. “Desgraçado!”, ele gritava como um animal que falhou em várias lutas contra sua presa. Seu único desejo naquele momento era de simplesmente destruir por completo o ser que era aquele ogro. Nem mesmo Garand, um amigo de longa data que sempre o acompanhou, o viu com aquele tipo de fúria em seus olhos. “Saiga…”, ele se espantou, deixando sua voz sair.
E então o rapaz de aparência feminina tomado pela raiva caiu no corpo do inimigo com uma vontade jamais vista. A queda foi tão brusca que a força dos pés de Saiga foi o suficiente para destruir a coluna do monstro, o fazendo finalmente reagir com grunhidos de dor e movendo seus braços e pernas de forma desgovernada. “Ele ainda consegue se mover? Depois daquilo?!”, Garand se perguntou.
“Por que você não morreu ainda?!”, Saiga gritou desferindo diversos socos contra a nuca do ogro, mas a cada golpe a criatura se mostrava mais e mais irritada, não diminuindo a velocidade dos movimentos desordenados dos seus braços e pernas. “Garand!”
Garand, ouvindo o grito do amigo, rapidamente ergueu seu braço direito e gritou, ainda carregando aquela que lutavam para salvar. “[Bola de fogo]!”, ele gritou, a garota olhando confusa para ele. “[Lançar]!”
E assim como antes, uma pequena bola de fogo surgiu em sua palma e foi atirada rapidamente em direção aos lutadores, mas de maneira falha ela voou diretamente para cabeça de Saiga que, se não tivesse reagido de imediato, seria atingido, mas com um rápido movimento para o lado sentiu apenas a queimação tomando conta da sua bochecha enquanto a magia continuava seguindo, atravessando a barreira de água e se perdendo de vista. “Garand?!”, Saiga gritou, indignado ainda socando o monstro verde.
“Me perdoa!”, Garand tremeu pela vida do seu amigo. “Droga, eu vou de novo!”
“Espera!”, a menina que antes não falava agora segurava com força a gola da camisa de Garand, puxando sua atenção para ela. “Corte a cabeça dele! Golpes comuns não vão matar rápido!”
Garand hesitou por 1 segundo, o que fez a garota gritar com ele novamente junto a Saiga, que implorava por ajuda. “Cala a boca, eu não sei usar magia!”
“Eh…?”, a garota mostrou confusão, tombando a cabeça. “E como você tá fazendo isso com os símbolos fora de conexão, seu mágico imbecil?!”, ela gritava puxando e empurrando a cabeça do seu salvador com toda a raiva e pânico que seu fraco corpo tinha naquele momento.
“E o que eu deveria fazer então?!”, Garand gritava entre uma puxada e um empurrão.
“Me ajuda a matar esse cara!”, Saiga se agitou ao receber um golpe do punho sem controle do ogro. “Garand!”
A jovem, em súbito, puxou o rosto de Garand e seus olhos foram de encontro como se fossem feitos para aquele exato momento. “Use os símbolos de corte, cabeça e ogro! Você tem mana o suficiente para isso, então faz!”
“Símbolos? Eu só preciso mandar cortar a cabeça dele?!”
“Faz agora!”
“Droga!”, e com sua atenção agora voltada para o monstro, erguendo sua mão — “Ele só sabe fazer isso erguendo o braço?”, a garota se questionava — ele se concentrou como nunca antes. Puxou um suspiro para não errar novamente. E com seu corpo completamente estabilizado e respiração presa, ele gritou: “[Cortar cabeça do ogro]!”
…
Mas nada aconteceu. Saiga encarou ele com raiva enquanto recebia outro golpe. “Por quê?!”
“Você não devia ter colocado o ‘do’!”, a garota se desesperou.
Mas, quando todos menos esperavam, em uma fração de segundos a cabeça da criatura já estava no chão.
“...”
“...”
“...”
Não teve som, ação, movimento. Nada. O pescoçoo do gigante esverdeado simplesmente deixou de existir, dando um grande espaço entre a o corpo e a cabeça que caía no rio, colorindo a corrente do rio com ainda mais do seu sangue quase negro.
Agora, lentamente, Garand começava a tremer. A menina ainda em seus braços imaginava que ele, dado a personalidade despreparada para a batalha do rapaz, comemoraria como um louco por ter vencido a luta, e ela não estava errada. “Isso aí!”, ele gritou tão alto que os pássaros que ainda estavam minimamente próximos soltaram voo. Saiga, ainda por cima do corpo morto, gritou de braços erguidos alegre pela vitória. Mas a comemoração não durou muito.
“Ei, você tá bem?”, a menina notava algo que a assustava, agora apoiando seus pés no chão e segurando os ombros de Garand.
“Eu só… cansei um pouco…”, e sem nem dar tempo de resposta, ele caiu por cima da garota, a derrubando e a fazendo lutar para tirar ele de cima.
Sua vista escurecia quando, ainda sorrindo, via Saiga desesperado indo em sua direção. Até que, enfim, apagou.
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