Haikyuu: De Ninguém a Lenda NovelCAPÍTULO 63 - Não é um mangá shoujo
Capítulo 63— Au-au.
O latido suave do filhote quebrou o silêncio tenso entre os dois garotos. A atenção de Shigeru Yahaba foi imediatamente atraída para uma caixa de papelão não muito distante.
— Aquele cachorro é... de rua? — ele perguntou.
Kentarō Kyōtani franziu a testa e assentiu secamente, usando o pé para afastar o pequeno filhote curioso dele.
A expressão de Shigeru mudou de forma imprevisível. Ele não conseguia conciliar essa cena com o Kyōtani geralmente esquentado. A ideia de ele ser sentimental parecia absurda.
— ...Não me diga que você está planejando pegar esse cachorro de rua! Que isso, algum clichê de shoujo manga [1]? — Shigeru levantou a voz, soando como se estivesse tentando convencer a si mesmo. — Sério, para com isso. Não tem como eu começar a pensar que você é secretamente uma boa pessoa por causa disso!
— Eu não peguei ele! Ele me seguiu até aqui sozinho! — Kyōtani retrucou, claramente irritado. Entre os colegas de classe, parecia que Shigeru era o único que ousava desafiá-lo abertamente.
Shigeru zombou, parecendo totalmente desinteressado. — Ah, então agora você está se gabando de ser popular com os animais, hein?
A têmpora de Kyōtani se contraiu. — Do que diabos você está falando?!
Enquanto os dois discutiam, suas trocas de palavras cortando o ar como uma esgrima verbal, o filhote se enroscou ao lado dos tênis de Kyōtani e adormeceu prontamente.
— Ei — Shigeru disse de repente, seu tom mais baixo do que antes. — Nem pense em jogar o cachorro em algum lugar só porque é inconveniente.
— Hã? — Kyōtani ergueu uma sobrancelha para ele.
— Não me encare assim. Como se eu fosse confiar em alguém tão imprudente quanto você. Honestamente, se você me dissesse que estava planejando comer o cachorro cru, eu nem ficaria surpreso! — Shigeru gracejou com desprezo exagerado.
Antes que Kyōtani pudesse responder, Shigeru se abaixou, pegando gentilmente o filhote adormecido de onde ele estava encostado no sapato de Kyōtani. Ele o colocou de volta na caixa de papelão e então ergueu a caixa em seus braços.
— Vamos, vamos lá.
— Hã? Ir para onde? — Kyōtani perguntou, um lampejo de incerteza rompendo sua bravata usual.
— Você disse que não vai levá-lo para casa, certo? Então, teremos que encontrar outra pessoa que o faça — Shigeru respondeu como se fosse a coisa mais óbvia do mundo. Embora sua confiança vacilasse um pouco, ele continuou avançando.
— Ah.
Com Kyōtani finalmente em silêncio, Shigeru não se preocupou em forçar a conversa. Abraçando a caixa com força, ele abriu caminho em direção a uma loja de conveniência próxima.
— Vamos pegar algo para ele comer primeiro.
Dentro da loja, Shigeru pegou um pequeno pacote de salsichas enquanto Kyōtani, por alguma razão, escolheu frango frito.
— Você realmente ama frango frito, não é...? — Shigeru murmurou, lembrando que Kyōtani raramente era visto comendo qualquer outra coisa.
— Isso não é para o cachorro? — Kyōtani retrucou, ignorando o comentário.
Com suas compras em mãos, os dois encontraram uma pequena mesa ao ar livre perto da loja e se sentaram. Shigeru observou enquanto Kyōtani arrancava um pedaço de frango frito e o deixava cair na frente do filhote.
— ...Eu nem sei por onde começar a te repreender — Shigeru murmurou baixinho.
Talvez sentindo o cheiro da comida, o filhote acordou, abanando o rabo enquanto farejava ansiosamente as ofertas. Sem surpresa, mostrou uma clara preferência pelo frango frito em vez das salsichas.
Shigeru franziu a testa. — Esse cachorro tem um gosto estranho.
Depois de comer até se fartar, o filhote rapidamente cochilou novamente, seu pequeno corpo subindo e descendo com respirações rápidas e rítmicas. Ambos os garotos o observaram em silêncio, cativados apesar de si mesmos.
Seus olhares se encontraram acidentalmente e, em um instante, eles viraram suas cabeças, igualmente irritados.
— De qualquer forma, vamos perguntar ao Iwaizumi-senpai o que fazer. — Ter um veterano confiável para consultar sempre trazia uma sensação de alívio.
— Sim. — Até Kentarō Kyōtani pareceu concordar quando se tratava de Iwaizumi Hajime.
Bip... bip... bip...
— Alô~?
Inesperadamente, a voz do outro lado da ligação era leve e provocadora, quase brincalhona.
— Oikawa-senpai? Não era para este ser o telefone do Iwaizumi-senpai? — Shigeru Yahaba perguntou, confuso.
— Estou na casa do Iwa-chan assistindo a filmagens de jogos. Por quê? O que foi?
Mesmo no dia de folga do clube, aqueles dois estavam juntos. Shigeru suspirou interiormente antes de explicar a situação para Oikawa Tōru.
— Hã? Por que você ligou para o Iwa-chan primeiro em vez de para mim? Eu sou o capitão, não sou?
Não é esse o ponto aqui! Além disso, é exatamente por isso que não ligamos para você primeiro, Oikawa-senpai!
Shigeru gritou interiormente, seus lábios se contraindo enquanto ele lutava por uma resposta.
— Me dá o telefone, seu Gomikawa... [2]
O som de uma breve briga veio pela linha e, logo, a voz de Iwaizumi substituiu a de Oikawa.
— Nem a casa do Oikawa nem a minha são adequadas para manter um animal de estimação. Aqui está o que vamos fazer — pergunte aos alunos do segundo ano se alguém pode pegá-lo. Oikawa e eu vamos verificar com os alunos do primeiro e terceiro anos para ver se alguém está interessado.
— "Oikawa" está bom, mas qual é a desse apelido? Não me chame de lixo, Iwa-chan—! — O protesto de Oikawa foi interrompido, seguido por um baque suspeito.
— Se ninguém concordar, entre em contato com alguém da escola amanhã ou verifique com a polícia sobre o que fazer — Iwaizumi continuou calmamente, como se nada tivesse acontecido.
Shigeru assentiu repetidamente enquanto ouvia, impressionado. Como esperado de Iwaizumi-senpai, tudo foi rapidamente planejado e organizado. Até Kyōtani, que se irritou com o som da voz de Oikawa mais cedo, pareceu se acalmar depois de ouvir a proposta de Iwaizumi.
Shigeru diligentemente ligou para os companheiros de equipe do segundo ano um por um, mas todos recusaram educadamente. Assim como ele esperava, qualquer pessoa disposta a ter um animal de estimação provavelmente já tinha um.
Não muito depois, Iwaizumi ligou de volta com resultados semelhantes — nenhum dos outros membros do clube estava disposto a adotar o filhote também.
Desanimado, Shigeru desabou sobre a mesa, sua frustração misturada com uma leve sensação de decepção.
— Hã? Isso é um filhote? Ohmeudeus, que fofo! Olha, olha!
Um grupo de meninas do ensino médio em uniformes apareceu de repente em sua mesa, suas vozes borbulhando de excitação.
— O que é isso? Está vivo? Por que está em uma caixa? Espera, vocês estão filmando alguma coisa?
— Que raça é essa? É tão fofinho!
— Poderia ser um Shiba Inu? Parece um, não é? Estou certa? Kawaii~ — Sua conversa alegre e energia juvenil encheram o ar.
Shigeru rapidamente passou a mão pelo cabelo, alisando-o para trás. Exibindo um sorriso charmoso que raramente mostrava, ele disse com entusiasmo: — Oi! Então, o que vocês acham? Gostariam de brincar com o filhote? Vocês podem até adotá-lo!
— Sério? Você está falando sério? — Uma das garotas pareceu genuinamente interessada, seus olhos se iluminando.
— ...Eek! — Outra garota de repente gritou, seu rosto empalidecendo enquanto ela congelava. Seu olhar estava fixo em algo ao lado de Shigeru.
Confuso, Shigeru virou a cabeça e viu Kyōtani olhando para as garotas, sua expressão cheia de hostilidade.
— Que por—?! O que você está fazendo?!
Mas já era tarde demais. As garotas gritaram e dispararam, suas vozes estridentes ecoando enquanto fugiam da cena.
Shigeru olhou atrás delas em choque, sua boca boquiaberta, antes que sua confusão se transformasse em fúria.
— Por que você estava olhando para elas?! Uma delas poderia ter realmente adotado o filhote!
Kyōtani arrancou a caixa — filhote e tudo — direto das mãos de Shigeru e retrucou: — Você está louco? Como você poderia confiar em estranhos aleatórios que acabamos de conhecer?
— ...!
— E você acabou de conhecer o filhote também! — Shigeru gritou, sua frustração fervendo. — Ótimo! Faça o que quiser!
O rosto de Kyōtani escureceu. Sem dizer mais uma palavra, ele enfiou a cabeça do filhote curioso de volta na caixa, pegou-a bruscamente e saiu pisando duro sem olhar para trás.
[1] - Shoujo manga: Mangá direcionado ao público feminino jovem, geralmente com foco em romance e relacionamentos interpessoais.
[2] - Gomikawa: Termo pejorativo usado para se referir a alguém como lixo.
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