Haikyuu: De Ninguém a Lenda Novel — Capítulo 63: CAPÍTULO 63 - Não é um mangá shoujo

Haikyuu: De Ninguém a Lenda Novel
Cap. 63
0%
Haikyuu: De Ninguém a Lenda Novel

CAPÍTULO 63 - Não é um mangá shoujo

Capítulo 63

1.339 palavras~6 min de leitura

— Au-au.

O latido suave do filhote quebrou o silêncio tenso entre os dois garotos. A atenção de Shigeru Yahaba foi imediatamente atraída para uma caixa de papelão não muito distante.

— Aquele cachorro é... de rua? — ele perguntou.

Kentarō Kyōtani franziu a testa e assentiu secamente, usando o pé para afastar o pequeno filhote curioso dele.

A expressão de Shigeru mudou de forma imprevisível. Ele não conseguia conciliar essa cena com o Kyōtani geralmente esquentado. A ideia de ele ser sentimental parecia absurda.

— ...Não me diga que você está planejando pegar esse cachorro de rua! Que isso, algum clichê de shoujo manga [1]? — Shigeru levantou a voz, soando como se estivesse tentando convencer a si mesmo. — Sério, para com isso. Não tem como eu começar a pensar que você é secretamente uma boa pessoa por causa disso!

— Eu não peguei ele! Ele me seguiu até aqui sozinho! — Kyōtani retrucou, claramente irritado. Entre os colegas de classe, parecia que Shigeru era o único que ousava desafiá-lo abertamente.

Shigeru zombou, parecendo totalmente desinteressado. — Ah, então agora você está se gabando de ser popular com os animais, hein?

A têmpora de Kyōtani se contraiu. — Do que diabos você está falando?!

Enquanto os dois discutiam, suas trocas de palavras cortando o ar como uma esgrima verbal, o filhote se enroscou ao lado dos tênis de Kyōtani e adormeceu prontamente.

— Ei — Shigeru disse de repente, seu tom mais baixo do que antes. — Nem pense em jogar o cachorro em algum lugar só porque é inconveniente.

— Hã? — Kyōtani ergueu uma sobrancelha para ele.

— Não me encare assim. Como se eu fosse confiar em alguém tão imprudente quanto você. Honestamente, se você me dissesse que estava planejando comer o cachorro cru, eu nem ficaria surpreso! — Shigeru gracejou com desprezo exagerado.

Antes que Kyōtani pudesse responder, Shigeru se abaixou, pegando gentilmente o filhote adormecido de onde ele estava encostado no sapato de Kyōtani. Ele o colocou de volta na caixa de papelão e então ergueu a caixa em seus braços.

— Vamos, vamos lá.

— Hã? Ir para onde? — Kyōtani perguntou, um lampejo de incerteza rompendo sua bravata usual.

— Você disse que não vai levá-lo para casa, certo? Então, teremos que encontrar outra pessoa que o faça — Shigeru respondeu como se fosse a coisa mais óbvia do mundo. Embora sua confiança vacilasse um pouco, ele continuou avançando.

— Ah.

Com Kyōtani finalmente em silêncio, Shigeru não se preocupou em forçar a conversa. Abraçando a caixa com força, ele abriu caminho em direção a uma loja de conveniência próxima.

— Vamos pegar algo para ele comer primeiro.

Dentro da loja, Shigeru pegou um pequeno pacote de salsichas enquanto Kyōtani, por alguma razão, escolheu frango frito.

— Você realmente ama frango frito, não é...? — Shigeru murmurou, lembrando que Kyōtani raramente era visto comendo qualquer outra coisa.

— Isso não é para o cachorro? — Kyōtani retrucou, ignorando o comentário.

Com suas compras em mãos, os dois encontraram uma pequena mesa ao ar livre perto da loja e se sentaram. Shigeru observou enquanto Kyōtani arrancava um pedaço de frango frito e o deixava cair na frente do filhote.

— ...Eu nem sei por onde começar a te repreender — Shigeru murmurou baixinho.

Talvez sentindo o cheiro da comida, o filhote acordou, abanando o rabo enquanto farejava ansiosamente as ofertas. Sem surpresa, mostrou uma clara preferência pelo frango frito em vez das salsichas.

Shigeru franziu a testa. — Esse cachorro tem um gosto estranho.

Depois de comer até se fartar, o filhote rapidamente cochilou novamente, seu pequeno corpo subindo e descendo com respirações rápidas e rítmicas. Ambos os garotos o observaram em silêncio, cativados apesar de si mesmos.

Seus olhares se encontraram acidentalmente e, em um instante, eles viraram suas cabeças, igualmente irritados.

— De qualquer forma, vamos perguntar ao Iwaizumi-senpai o que fazer. — Ter um veterano confiável para consultar sempre trazia uma sensação de alívio.

— Sim. — Até Kentarō Kyōtani pareceu concordar quando se tratava de Iwaizumi Hajime.

Bip... bip... bip...

— Alô~?

Inesperadamente, a voz do outro lado da ligação era leve e provocadora, quase brincalhona.

— Oikawa-senpai? Não era para este ser o telefone do Iwaizumi-senpai? — Shigeru Yahaba perguntou, confuso.

— Estou na casa do Iwa-chan assistindo a filmagens de jogos. Por quê? O que foi?

Mesmo no dia de folga do clube, aqueles dois estavam juntos. Shigeru suspirou interiormente antes de explicar a situação para Oikawa Tōru.

— Hã? Por que você ligou para o Iwa-chan primeiro em vez de para mim? Eu sou o capitão, não sou?

Não é esse o ponto aqui! Além disso, é exatamente por isso que não ligamos para você primeiro, Oikawa-senpai!

Shigeru gritou interiormente, seus lábios se contraindo enquanto ele lutava por uma resposta.

— Me dá o telefone, seu Gomikawa... [2]

O som de uma breve briga veio pela linha e, logo, a voz de Iwaizumi substituiu a de Oikawa.

— Nem a casa do Oikawa nem a minha são adequadas para manter um animal de estimação. Aqui está o que vamos fazer — pergunte aos alunos do segundo ano se alguém pode pegá-lo. Oikawa e eu vamos verificar com os alunos do primeiro e terceiro anos para ver se alguém está interessado.

— "Oikawa" está bom, mas qual é a desse apelido? Não me chame de lixo, Iwa-chan—! — O protesto de Oikawa foi interrompido, seguido por um baque suspeito.

— Se ninguém concordar, entre em contato com alguém da escola amanhã ou verifique com a polícia sobre o que fazer — Iwaizumi continuou calmamente, como se nada tivesse acontecido.

Shigeru assentiu repetidamente enquanto ouvia, impressionado. Como esperado de Iwaizumi-senpai, tudo foi rapidamente planejado e organizado. Até Kyōtani, que se irritou com o som da voz de Oikawa mais cedo, pareceu se acalmar depois de ouvir a proposta de Iwaizumi.

Shigeru diligentemente ligou para os companheiros de equipe do segundo ano um por um, mas todos recusaram educadamente. Assim como ele esperava, qualquer pessoa disposta a ter um animal de estimação provavelmente já tinha um.

Não muito depois, Iwaizumi ligou de volta com resultados semelhantes — nenhum dos outros membros do clube estava disposto a adotar o filhote também.

Desanimado, Shigeru desabou sobre a mesa, sua frustração misturada com uma leve sensação de decepção.

— Hã? Isso é um filhote? Ohmeudeus, que fofo! Olha, olha!

Um grupo de meninas do ensino médio em uniformes apareceu de repente em sua mesa, suas vozes borbulhando de excitação.

— O que é isso? Está vivo? Por que está em uma caixa? Espera, vocês estão filmando alguma coisa?

— Que raça é essa? É tão fofinho!

— Poderia ser um Shiba Inu? Parece um, não é? Estou certa? Kawaii~ — Sua conversa alegre e energia juvenil encheram o ar.

Shigeru rapidamente passou a mão pelo cabelo, alisando-o para trás. Exibindo um sorriso charmoso que raramente mostrava, ele disse com entusiasmo: — Oi! Então, o que vocês acham? Gostariam de brincar com o filhote? Vocês podem até adotá-lo!

— Sério? Você está falando sério? — Uma das garotas pareceu genuinamente interessada, seus olhos se iluminando.

— ...Eek! — Outra garota de repente gritou, seu rosto empalidecendo enquanto ela congelava. Seu olhar estava fixo em algo ao lado de Shigeru.

Confuso, Shigeru virou a cabeça e viu Kyōtani olhando para as garotas, sua expressão cheia de hostilidade.

— Que por—?! O que você está fazendo?!

Mas já era tarde demais. As garotas gritaram e dispararam, suas vozes estridentes ecoando enquanto fugiam da cena.

Shigeru olhou atrás delas em choque, sua boca boquiaberta, antes que sua confusão se transformasse em fúria.

— Por que você estava olhando para elas?! Uma delas poderia ter realmente adotado o filhote!

Kyōtani arrancou a caixa — filhote e tudo — direto das mãos de Shigeru e retrucou: — Você está louco? Como você poderia confiar em estranhos aleatórios que acabamos de conhecer?

— ...!

— E você acabou de conhecer o filhote também! — Shigeru gritou, sua frustração fervendo. — Ótimo! Faça o que quiser!

O rosto de Kyōtani escureceu. Sem dizer mais uma palavra, ele enfiou a cabeça do filhote curioso de volta na caixa, pegou-a bruscamente e saiu pisando duro sem olhar para trás.

[1] - Shoujo manga: Mangá direcionado ao público feminino jovem, geralmente com foco em romance e relacionamentos interpessoais.

[2] - Gomikawa: Termo pejorativo usado para se referir a alguém como lixo.

Fim da leitura

Capítulo 63 concluído

CAPÍTULO 63 - Não é um mangá shoujo