Mago de Força Bruta Novel — Capítulo 2: CAPÍTULO 2 - Bem-vindo ao fim do mundo como você o conhece

Mago de Força Bruta Novel
Cap. 2
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CAPÍTULO 2 - Bem-vindo ao fim do mundo como você o conhece

Capítulo 2

3.622 palavras~16 min de leitura

Capítulo 1

Bem-vindo ao Fim do Mundo (Como Você o Conhece)

Encaro a porta do refrigerador do posto de gasolina, meu reflexo distorcido e esticado no vidro gelado. Meu rosto parece o mesmo de sempre: pálido, cansado e um pouco puto com tudo. Meus olhos verdes — ah, esses contam a verdadeira história. Há um vazio neles, um olhar oco como se alguém tivesse arrancado o que os fazia brilhar e esquecido de preenchê-los novamente. Passo a mão pelos meus curtos cabelos negros, mais por hábito do que qualquer outra coisa, e penso pela milionésima vez: Que merda de vida.

Com um suspiro, abro a porta da geladeira e pego um shake de proteína de baunilha. O rótulo promete vinte e cinco gramas de proteína e "sabores naturais". Nada de natural nisso. Essa parada tem gosto de giz e desespero misturados, mas os macros? Cento e poucas calorias, sem adição de açúcares, baixo em carboidratos e aquela quantidade de proteína? Imbatível. Fecho a porta e me arrasto até a estação de café.

O café cheira a borracha queimada e terra velha, mas é forte, e é tudo o que preciso agora. Sirvo-me de uma pequena xícara de lama preta e dou uma olhada no cara atrás do balcão. Ele deve ter uns dezoito anos, cheio de cicatrizes de acne e grudado no celular. Provavelmente rolando o TikTok ou algo assim.

“Shake de proteína, café, dez no bico dois”, digo, jogando uma nota de vinte amassada no balcão.

O moleque resmunga, aperta alguns botões e me devolve o troco. “Tenha um bom dia”, ele murmura sem olhar para cima.

Quase dou risada disso. Bom dia. Claro, camarada. Em vez disso, apenas suspiro enquanto pego meu troco do balcão e coloco no bolso do meu casaco de inverno.

Lá fora, o vento me soca na cara, e me encolho ainda mais no meu casaco de plumas, puxando o capuz com mais força ao redor do meu rosto. O Honda Civic detonado estacionado no bico dois é tecnicamente meu, mas só porque minha irmã está na faculdade e não pode me impedir de pegá-lo emprestado. Eu realmente preciso comprar meu próprio carro. Lá em Nova York, eu não precisava de um. Nada superava a conveniência do transporte público. Não que eu sentisse falta das pessoas interessantes que eu ocasionalmente via no metrô de ida e volta para o escritório. Cristo, de tudo acontece no metrô de Nova York.

Abro a tampa do tanque, empurro o bico e me encosto no carro enquanto os números sobem. Bebo um gole cuidadoso da minha xícara de lama cafeinada. Meu shake de proteína está enfiado debaixo do meu braço esquerdo. Dez dólares não te dão muita coisa hoje em dia, mas não é como se eu estivesse indo para algum lugar glamoroso. Apenas mais um dia no paraíso.

Quando o tanque está cheio — bem, não cheio, mas não vazio —, deslizo para o banco do motorista, jogando minha garrafa de proteína em um porta-copos e o copo de café para viagem no outro. O carro ganha vida com um gemido, e o aquecedor cospe um sopro de ar morno. A neve cobre tudo, as ruas são uma colcha de retalhos de gelo liso e buracos do tamanho de crateras. Eu navego ao redor deles como um esquiador de slalom bêbado, o carro rangendo a cada solavanco.

O Save-Some-Bucks [1] entra em vista, sua grande placa de néon vermelha piscando como se estivesse prestes a desistir da vida, o que parece apropriado. Dou uma olhada no meu celular. A tela mostra 16 de janeiro, 4h57 da manhã. Na hora certa.

Um segundo carro para ao lado do meu, um sedã velho amassado que já viu dias melhores — provavelmente nos anos 90. Dave sai, o gerente da loja, sua respiração soprando branco no frio. Ele é um homem baixo na casa dos cinquenta, com calvície e um cavanhaque loiro. Ele acena, parecendo animado demais para esta hora profana. Suspiro novamente antes de terminar meu café. Eu deveria ser legal com Dave. Ele é um cara gente boa.

“Manhã, Joe!” ele grita.

Pego meu shake de proteína, desligo o motor e saio para o frio. “Manhã, Dave”, murmuro, já temendo as próximas oito horas.

Era cedo demais para uma manhã de sexta-feira. Meu chefe no meu antigo emprego tinha um ditado: S.E.X.T.O.U. — “Sofrimento Extra Xinga Todo Mundo O Universo”. Seu babaca. Coloco um sorriso no meu rosto, o que dói pra caralho no ar frio.

Dave sorri como se fosse a melhor manhã da vida dele, suas mãos enluvadas tateando as chaves. “Frio hoje, hein, Joe?”

“Sim”, respondo, enfiando minhas mãos profundamente nos meus bolsos. Porque é exatamente sobre isso que eu quero falar, a maldita previsão do tempo.

A fechadura faz clique, e Dave abre a porta. Uma lufada de ar viciado nos recebe quando entramos. As luzes fluorescentes zumbem enquanto Dave aciona o interruptor principal. Uma por uma, as fileiras de lâmpadas suspensas se acendem, lançando um brilho pálido e sugador de alma pelos corredores da loja. É o tipo de luz que faz até os produtos mais frescos parecerem tristes.

“Mais um belo dia”, diz Dave com entusiasmo demais. Algumas manhãs, quero perguntar ao gerente da loja o que o torna tão constantemente positivo. Mas então percebo que prefiro não abrir essa caixa de Pandora. Vou apenas presumir que são algum tipo de antidepressivos prescritos, ou o cara tem uma esposa gostosa em casa, e seguir com o meu dia.

Grunho em concordância e sigo para o fundo. A sala de descanso é tão deprimente quanto sempre — armários cinzentos, uma mesa dobrável com cadeiras descombinadas e uma máquina de café que parece estar preparando arrependimentos desde o governo Reagan. Vou ficar com a minha lama de posto de gasolina, muito obrigado, brinco silenciosamente comigo mesmo.

Penduro meu casaco de inverno e moletom, revelando a camisa polo amarela horrível que o Save-Some-Bucks força em todos os funcionários. Ela está enfiada em um par de calças de trabalho Dickies pretas que estão um pouco apertadas na cintura. Já sinto falta dos moletons.

Bato o ponto e pego uma vassoura, começando minha varredura habitual da loja. Os pisos não estão terríveis, mas Dave tem essa coisa sobre “primeiras impressões”. Então, eu o agrado. O caminhão de entrega não chega por mais trinta minutos de qualquer maneira. Empurro a vassoura por um corredor após o outro, fazendo de conta o suficiente para parecer ocupado. Então, é a vez das prateleiras, limpando a poeira e empurrando os itens para a frente, limpando caixas vazias e movendo os produtos para a frente para que as prateleiras pareçam cheias. É um trabalho sem sentido, mas esse é meio que o ponto.

Quando o caminhão chega às 5h30 da manhã, já desmontei uma dúzia de caixas de papelão e reorganizei uma prateleira de latas de sopa que provavelmente ninguém vai comprar. Caminho para o fundo da loja, destravo a grande porta de metal deslizante e a empurro para cima com um chiado estrondoso. Na hora certa, o caminhão está lá. O entregador sai, prancheta na mão, e assino doze paletes de mantimentos, produtos, congelados e laticínios. Outro cara os traz para os fundos da loja, que rapidamente se torna apertada para espaço aberto. Agradeço aos dois caras, que voltam para o caminhão e partem para sua próxima entrega.

Me viro e examino os vários paletes, cada um empilhado acima da minha cabeça e embrulhado firmemente em plástico.

Hora de repor o estoque.

Movo os paletes o melhor que posso com a ajuda de um paleteira antes de começar a desmontá-los. Coloco um par de fones de ouvido sem fio nas minhas orelhas, apertando o play no meu celular para continuar o podcast que tenho ouvido. É uma reprodução ao vivo do popular jogo de RPG de mesa Swords & Sorcerers. Este podcast em particular, High Rollers Club, está mais focado em travessuras ridículas e comédia. Isso me lembra dos jogos que eu costumava jogar no ensino médio e na faculdade.

Primeiro, uso um estilete para rasgar o plástico em vários dos paletes. Então, começo a empilhar caixas em carrinhos e organizar tudo em pequenas categorias organizadas. No podcast, um dos apresentadores, interpretando um bárbaro, está gritando sobre honra como parte de alguma piada enquanto eu estou lutando com uma caixa de ervilhas congeladas.

Às 7h00 da manhã, a loja abre oficialmente. O som das portas automáticas se abrindo é como um dobre de finados. Eu sei que deveria tirar meus fones de ouvido — política da empresa e tudo —, mas que se dane. Não é como se eu estivesse trabalhando no caixa hoje. Se os clientes me deixarem em paz, eu os deixarei em paz. Que se foda a política da empresa.

A manhã se arrasta como de costume até que uma voz corta a batalha épica acontecendo nos meus ouvidos. Interrompendo uma rolagem crítica do dado de vinte lados.

“Joey Sullivan?”

Puxo um fone de ouvido e olho para cima. Parado a alguns metros de distância está um cara da minha idade, uns vinte e sete anos, vestindo jeans e uma jaqueta de inverno acolchoada. Seu cabelo castanho está um pouco mais comprido do que eu me lembro, mas aquele rosto... Ah, não.

“Ah, sim”, digo, já sentindo meu estômago revirar.

O cara sorri. “É o Matt! Matt Carter? . . . Do ensino médio?”

Claro. Por que essa manhã não pioraria?

“Ah, ei, Matt”, digo, forçando um sorriso. Eu totalmente me lembro quem você é! “Sim, desculpe, só surpreso de ver alguém do ensino médio aqui.”

Ele ri. “De jeito nenhum, cara! Faz tanto tempo. O que você está fazendo aqui? Você voltou para Cleveland?”

“Sim, por volta das férias”, respondo, coçando a nuca. “Só trabalhando aqui um pouco, como um favor ao meu pai. Fazendo alguns turnos enquanto eu estou, uh, me candidatando a empregos na área.”

Tento soar casual, mas as palavras têm um gosto amargo. Isso é humilhante.

Matt acena com a cabeça. “Que legal, cara. Eu pensei que você ainda estava em Nova York. O que aconteceu? Você não estava fazendo algo grande lá?”

“Sim, eu estava”, digo rapidamente. “Apenas, você sabe, hora de uma mudança.” Por favor, pare de fazer perguntas.

Matt não parece notar meu desconforto. Seu olhar pisca para meus braços, que estão apertando contra as mangas justas da camisa polo do Save-Some-Bucks. “Uau! . . . Eu não sabia o quão sarado você ficou depois do ensino médio. Olha esses bíceps!” Ele estende a mão brincando e aperta meu bíceps. Por favor, não me toque.

“Sim”, digo sem graça.

Matt ri. “Bem, é bom te ver, cara. Nós deveríamos nos encontrar algum dia.”

“Sim, claro”, minto.

Ele acena e se afasta, empurrando um carrinho cheio de pizzas congeladas e outras porcarias. Coloco meu fone de ouvido de volta e aumento o volume, deixando o podcast abafar o constrangimento zumbindo na minha cabeça. Um dos apresentadores acabou de tirar um 1 — uma falha crítica. Eu te entendo, camarada.

Apenas mais algumas horas.

Quando meu turno termina, meu corpo parece ter passado por um triturador de madeira. Meus ombros doem, minhas costas estão rígidas e minhas mãos estão vermelhas de arrastar paletes e desmontar caixas de produtos. Não é à toa que meu pai está sempre reclamando das costas dele. O ar congelante lá fora é quase um alívio quando entro no estacionamento e sigo para o Civic.

A viagem para casa é silenciosa. A neve cobre as ruas, transformando tudo em um cinza sem vida. Pego o caminho mais longo, serpenteando pelo Lago Erie. A água está escura, agitada e sem fim. Quando eu era criança, eu adorava essa vista — havia algo inspirador na vastidão do lago. Agora é apenas... ali. Ainda assim, algo sobre dirigir pela rodovia ao longo da orla do lago era reconfortante.

Entro na garagem da casa da minha infância, uma pequena casa de um andar no lado leste de Cleveland. Vida suburbana no seu melhor! O lugar parece exatamente o mesmo de quando saí para a faculdade — tapume azul desbotado, uma varanda da frente caída e os mesmos arbustos que minha mãe insiste em podar toda primavera.

A porta da frente range quando a abro.

“Joe, é você?” minha mãe chama da cozinha.

“Sim, sou eu”, respondo, chutando minhas botas perto da porta.

Ela aparece no corredor, enxugando as mãos em um pano de prato. Seu cabelo grisalho está amarrado em um rabo de cavalo solto, e ela está vestindo um suéter oversized que provavelmente pertencia ao meu pai há vinte anos. Seu rosto se ilumina quando ela me vê. “Como foi o trabalho?”

“Bem”, minto.

Ela parece que está prestes a insistir por detalhes, mas eu deslizo por ela. “Pai ainda está no trabalho?”

“Sim, ele tem uma reunião tarde”, ela diz, seguindo-me para a cozinha. “Você está com fome?”

“Estou bem, obrigado. Vou para a academia primeiro.”

Ela franze a testa, mas não diz nada. Em vez disso, ela observa enquanto eu desço para o porão.

O quarto de hóspedes onde estou hospedado é tão desanimador quanto o resto da casa — paredes nuas, uma cômoda velha, uma pequena escrivaninha e uma cama de solteiro que range se eu sequer olhar para ela errado. Meu antigo quarto lá em cima há muito tempo foi transformado no escritório do meu pai/sala de artesanato da minha mãe. Ele construiu uma escrivaninha onde minha cama costumava estar, completa com gavetas rotuladas com coisas como Lã e Bastões de Cola para minha mãe.

Tiro minha camisa polo amarela e a jogo na cama, substituindo-a por uma camiseta cinza lisa e um par de shorts de ginástica pretos. Meu laptop está no canto da escrivaninha, sua tela ainda acesa. Meu currículo me encara de volta, as palavras “Sócio Sênior, Summit Lake Capital” zombando de mim.

Vou até lá e rolo até o espaço em branco sob Histórico de Emprego.

Quase digito “Atendente: Save-Some-Bucks”, só para rir, mas meu estômago se revira ao pensar nisso. Em vez disso, fecho o laptop, cortando o brilho. Longe da vista, longe da mente.

De volta lá em cima, pego o frasco do liquidificador do escorredor e misturo meu pré-treino — um pó vermelho irritado que tem gosto de ponche de frutas artificial e queima ao descer. E caramba, como eu adoro! O segundo frasco recebe minha proteína e BCAAs (aminoácidos de cadeia ramificada), um pó com sabor de “cookie” que misturo com água e um pouco de manteiga de amendoim em pó.

Dou uma olhada no relógio. Ainda há tempo suficiente para ir à academia antes que a multidão do pós-trabalho apareça.

“Estou saindo, mãe”, chamo, enfiando ambos os frascos na minha sacola de ginástica que está no chão perto da porta. “Não me espere acordada. Eu volto para o jantar.”

“Ok”, ela diz da cozinha. “Dirija com cuidado. Está escorregadio lá fora.”

“Sempre!”

Saio, o frio mordendo minha pele, e carrego o Civic. Um dia de merda merece uns pesos pesados pra caralho, e eu tenho muito estresse para queimar.

A placa de néon Diesel Athletic Club zune fracamente enquanto entro no estacionamento meio vazio. O lugar é um lixo — asfalto rachado, postes de luz enferrujados e uma porta da frente que parece estar mal pendurada. Mas é o meu tipo de lixo.

Sem serviço de toalhas chique. Sem fileiras infinitas de bicicletas Peloton. Apenas suor, ferro e o som ocasional de alguém grunhindo como se estivesse lutando contra um animal selvagem. Velha guarda e sem remorso.

Quando entro, o cheiro familiar de tapetes de borracha, giz e mofo fraco me atinge. Está quieto. Ninguém mais à vista, nem mesmo Steve, o dono/mecânico da academia, que geralmente está por perto consertando as esteiras quebradas. Perfeito. Nada supera uma academia vazia.

Jogo minha sacola em um canto, amarro meus tênis de levantamento — um par velho de Converses de cano alto — e começo a me alongar. Meu corpo geme em protesto enquanto eu trabalho em alguns alongamentos dinâmicos — estocadas, toques nos dedos dos pés, alguns balanços de braço feitos pela metade. Então, é a vez do rolo de espuma, que dói pra caralho, mas resolve as dores.

Dia de perna. Hora de sofrer.

Quando terminei alguns sets de aquecimento com pesos leves, meu pré-treino está em pleno efeito. Meu rosto formiga, meu coração parece estar fazendo um teste para uma linha de bateria, e cada músculo do meu corpo está gritando, Vamos lá.

Começo com flexões de perna deitado. O acolchoamento da máquina está desgastado até a espuma, e o cabo chia a cada repetição. Faço quatro sets de dez a doze, focando no aperto no topo. Meus isquiotibiais queimam, mas é o tipo bom de queima — o tipo que me diz que estou fazendo algo certo.

Próximo: agachamentos hack.

Carrego o trenó com um par de anilhas e entro, certificando-me de que meus pés estão na distância certa. Ao me abaixar, foco na profundidade, mantendo o peso leve e minha forma firme. Por anos, fui construído como um cone de sorvete humano — hilariamente redondo em cima com pernas que mal preenchiam meus jeans. Não mais.

Agora, eu amo a maneira como minhas pernas se sentem fortes, poderosas, capazes de empurrar o tipo de peso que costumava me intimidar. Quatro sets de oito a dez repetições. No último set, meus quadríceps estão pegando fogo, e o suor está escorrendo de mim como se eu tivesse acabado de passar por um lava-jato.

Quando eu coloco o trenó de volta e saio, minhas pernas tremem embaixo de mim, e não posso deixar de sorrir.

É por isso que eu venho aqui. Para empurrar, para queimar, para lutar contra a voz na minha cabeça que me diz que eu não consigo. Porque aqui, nesta academiazinha de merda, com suas máquinas quebradas e tinta descascando, posso me lembrar de que ainda sou capaz de mais.

E dia de perna? Dia de perna é apenas um lembrete de que, às vezes, você tem que carregar o peso.

Finalmente: agachamentos com barra. O rei de todos os exercícios do dia de perna e a razão pela qual eu vou estar mancando amanhã. Carrego a barra — duas anilhas, depois três, depois quatro. É mais pesado do que eu tenho empurrado em meses, mas eu preciso disso.

O primeiro set me pega desprevenido. O peso parece uma montanha pressionando meus ombros. Minhas pernas protestam a cada repetição, e minha forma não está tão firme quanto eu gostaria que estivesse. Coloco a barra de volta, ofegante.

“Se recompõe”, murmuro em voz baixa.

Segundo set. Desta vez, imagino tudo o que odeio.

Estar de volta neste terreno baldio congelante de uma cidade. Morar no porão dos meus pais, cercado por todos os remanescentes de uma vida que eu pensei ter superado.

Abaixo no agachamento, coxas queimando, então explodo de volta para cima.

A raiva me alimenta. Eu derramo tudo no movimento — cada grama de frustração, cada ressentimento fervente. Quando eu coloco a barra de volta, minhas mãos estão tremendo, e o suor escorre para meus olhos.

O terceiro e último set.

Desta vez, penso nas pessoas que tenho evitado. Colegas de classe do ensino médio, me encontrando no supermercado, sorrindo educadamente enquanto me julgam silenciosamente.

Ah, Joe está de volta à cidade. Ele não tinha se mudado para Nova York? Imagino o que aconteceu lá.

E então tem as redes sociais. Eles devem ter notado — fotos dela desaparecendo uma por uma. Namorada, depois noiva. Então apagadas, sumidas como se ela nunca tivesse existido.

Meus dentes se fecham enquanto eu desço para o agachamento. A barra parece impossivelmente pesada, mas eu não me importo. Eu dirijo pelos meus calcanhares, pernas gritando em protesto, e disparo da posição inferior.

“Porra!” Rosno, batendo a barra no rack com um estrondo ensurdecedor.

O peso se acomoda, mas eu não. Meu peito sobe e desce, minha camisa gruda na minha pele, e o suor se acumula aos meus pés. Por um momento, eu apenas fico ali, olhando para a barra, completamente exausto.

Hora de recolocar os pesos e passar para uma hora de caminhada na esteira inclinada. Não é glamoroso, mas faz parte da rotina.

Agarro a primeira anilha para retirá-la, mas antes que eu possa, a sala inteira treme.

No começo, é sutil — como as vibrações de um trem que passa. Mas aumenta, os tremores ficam mais fortes, o chão cedendo sob mim.

“Que porra é essa?” sussurro. Minha cabeça se enche de um ruído branco estranho e ensurdecedor, como estática aumentada ao máximo.

Terremoto? De jeito nenhum. Cleveland é tão sismicamente ativa quanto uma rocha.

Um derrame? Talvez, mas ainda estou de pé, coração batendo forte, suor escorrendo.

A tremedeira para abruptamente, deixando uma quietude estranha em seu rastro. É aí que eu vejo.

Uma tela.

Não está na minha frente, não exatamente. É como se estivesse gravada na minha visão — um vidro translúcido com tonalidade azul pairando bem na frente dos meus olhos. Um texto branco e organizado começa a rolar por ele, perfeitamente legível, mas totalmente estranho. O texto é acompanhado por uma voz na minha cabeça — suavemente feminina, mas estranhamente mecânica.

Planeta Estágio 2, Designação: Terra, foi selecionado como o local para o próximo Jogo de Deus.

“Que diabos...” murmuro, minha voz sumindo.

A tela não se importa. Ela continua:

Você foi selecionado como um Participante. Todos os Participantes serão inscritos no Jogo. Se você optar por aceitar, você será um dos primeiros habitantes integrados ao Sistema Uniforme Interdimensional. Para aceitar sua seleção como Participante, você deve entrar e concluir o Processo de Criação de Perfil.

As palavras se confundem enquanto meu cérebro luta para acompanhar. Jogo de Deus? Sistema Interdimensional?

Você tem um minuto para aceitar. Um portal aparecerá após esta mensagem.

E então, a linha final, entregue com precisão arrepiante.

Bem-vindo ao Fim do Mundo.

[1] - Nome fictício de um supermercado.

Fim da leitura

Capítulo 2 concluído

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