Mestre Espadachim das EstrelasSessão 6 – Capítulo 62 – Capítulo 62: Em Direção ao Céu
Capítulo 62Justia caminhou para dentro da névoa densa.
O garoto, parado como se estivesse pregado no lugar enquanto observava suas costas, pensou:
Meu desejo de sair do beco não era apenas sobreviver. O motivo pelo qual eu admirava a espada do velho ferreiro não era apenas admiração. Era para seguir em frente.
"Você certamente se tornará um cavaleiro."
Ele não podia se contentar apenas em viver.
Para encontrar um significado para sua vida, precisava carregar algo dentro do coração.
"Então você precisa entender. Nossa espada precisa de justificativa e responsabilidade."
Gregory puxou pela gola o jovem que queria correr atrás dela e falou com um olhar sério.
"De agora em diante, faça exatamente o que eu mandar."
"O que eu devo fazer?"
Gregory hesitou por um instante diante da pergunta.
Talvez ainda fosse cedo demais. Mas talvez justamente por ser cedo demais, fosse ainda mais necessário.
"Esta é a única causa na qual podemos confiar neste momento."
Enquanto ouviam os sussurros das crianças e ouviam o som dos pais chorando.
Na pequena praça coberta pela névoa, um cavaleiro de barba espessa recitou uma antiga regra.
Era uma regra criada pelo maior espadachim e cavaleiro de todos.
A antiga e poderosa disciplina estava erguendo mais um pilar dentro do mundo do garoto.
Uma igreja construída com pedras cinzentas.
Os olhos verdes de Justia observavam o campanário que se erguia acima da igreja.
Os suspiros das crianças estavam sendo conduzidos ao ponto mais alto do edifício.
"Abram a porta! Este não é um lugar onde vocês deveriam viver!"
Apesar do chamado, a porta da igreja permaneceu firmemente fechada.
Mas isso não importava.
Mesmo envolta por energia sombria, a igreja diante dela havia sido construída sobre a terra criada por Deus.
Assim como alguém dentro da própria casa, ela tinha o direito de ter confiança naquele lugar.
Kwah—!
Um golpe carregado com a vontade de Deus destruiu a porta de madeira que se recusava a responder.
Dentro da igreja escura.
Quando Justia entrou, tudo o que viu foram padrões vermelhos pintados por toda parte.
"..."
Eram vestígios de uma terrível blasfêmia.
"Você chegou mais rápido do que eu imaginava."
Na parte mais profunda do local, diante do altar que deveria estar mais próximo de Deus, encontrava-se um sacerdote segurando uma pesada Bíblia.
Ao ver o homem repugnante vestido com vestes sacerdotais enquanto sugava o fôlego das crianças, Justia ergueu sua espada.
"Por que veio sozinha? Não podemos rezar pelas pessoas daqui apenas eu, você e aquele cavaleiro?"
"..."
Diante do riso zombeteiro do sacerdote, Justia rapidamente observou o interior da igreja.
Não havia ninguém. Nenhuma presença podia ser sentida. Mas o homem diante dela afirmara que havia pessoas ali.
Quando Justia estreitou os olhos no estranho ambiente que preenchia a igreja—
Kwaaaa—!
Gemidos profundos começaram a ecoar debaixo do chão onde ela estava.
Não era apenas um. Eram muitos. Todos derramavam lágrimas negras de miséria.
Dang— Dang— Dang—
Os sinos da igreja começaram a tocar. Era o sino anunciando o horário da missa.
"Então estavam escondidas no subterrâneo."
Mesmo diante da urgência da situação, Justia respondeu calmamente.
Ela já esperava algo assim. O único problema era que não tivera alguns dias para descansar.
Ainda assim, Justia sabia que a vontade de Deus era um caminho estreito, e que atravessá-lo exigia sofrimento e paciência.
"Por favor... escute minha oração."
Justia iluminou rapidamente a igreja escura com sua espada e concentrou-se nos sons.
Não era apenas uma pessoa. Eram muitas. Não eram passos pesados, mas leves. Como alguém correndo descalço sobre o piso frio de pedra.
Tang!
Por fim, a porta escondendo o porão se abriu. E mãos negras começaram a emergir de lá.
"Filho... meu filho."
"Está escuro demais..."
"Eu não consigo enxergar!"
Mulheres derramando lágrimas negras.
Nos lugares onde deveriam existir olhos, havia apenas um vazio sombrio. Elas tateavam desesperadamente na escuridão.
"...!"
Tornou-se difícil para Justia manter a compostura ao testemunhar uma cena tão cruel.
Mas algo era ainda pior do que o choro delas.
Seus ventres manchados de sangue.
"Como... como puderam fazer algo assim...?"
Dizem que o mundo é cruel com os fracos. Mas aquilo já havia ultrapassado essa linha há muito tempo.
Ninguém chega a esse ponto porque algo deu errado. Somente aqueles que ultrapassam deliberadamente os limites conseguem criar algo assim.
"Você não teme a Deus?"
"Eu temo a Deus..."
O homem que sorria diante da raiva de Justia começou lentamente a perder a expressão.
Era uma mudança tão natural que parecia sempre ter sido assim.
"Ele é realmente assustador. Mas não é alguém com quem eu precise me preocupar."
Como se não houvesse mais motivo para esconder nada, ele soltou a Bíblia que segurava.
"Porque eu não preciso mais retornar aos seus braços."
"...!"
Os olhos de Justia tremeram.
Ao ver alguém insultando o próprio mundo em que acreditava, ela libertou sua fúria.
"Venerável comandante do exército celestial! São Rogino, que permanece ao lado de Deus!"
Justia clamou o nome do santo que brilhava na história da Igreja.
A luz começou a irradiar de sua espada.
"Venha salvar estas almas miseráveis da opressão do mal!"
As mulheres estenderam as mãos manchadas na escuridão. Procuravam algo. Eram mulheres sacrificadas e roubadas de suas vidas.
Sem conseguir segurar todas aquelas mãos, Justia tentou abrir um caminho de luz em meio à escuridão.
"Eu pagarei o preço!"
A única tocha brilhando na escuridão tornou-se mais intensa. Mais brilhante.
Era uma luz que podia ser vista sem olhos. Uma luz que podia ser encontrada mesmo nas trevas.
Um milagre que apenas uma paladina capaz de receber a vontade sagrada podia realizar foi lançado sobre aquela igreja profanada.
"Você é mais impressionante do que eu esperava."
O falso sacerdote desviou o rosto por um instante diante da luz que o queimava.
Não possuía poder físico. Mas a coluna de luz criada pela firme vontade de Justia estava sacudindo violentamente toda a igreja.
Ahhh—!
A luz calorosa e gloriosa que descia dos céus apagava a tristeza e o ressentimento das mulheres que choravam lágrimas negras. Elas estavam retornando ao lugar ao qual pertenciam.
"Hehehehe!"
Mas o falso sacerdote apenas riu.
"Não importa o quão brilhante seja uma tocha. Sozinha, ela tem seus limites."
Embora seus dedos estivessem sendo queimados pela coluna de luz que continuava crescendo, ele sabia que aquilo teria um fim. Por isso podia rir.
Realizar um exorcismo tão solene sem preparação era admirável. Mas ela estava sozinha.
Seriam necessárias mais tochas para iluminar completamente aquela escuridão.
"..."
Como o falso sacerdote havia dito, uma gota de suor surgiu na testa de Justia enquanto ela mantinha os olhos fechados em oração.
Era um milagre que exigia sua própria vida como pagamento.
Este mundo estava repleto da vontade de Deus. Mas Deus permanecia distante, nos céus.
À medida que os gritos das mulheres diminuíam, a luz majestosa de Justia também começou a enfraquecer.
Observando isso, o falso sacerdote puxou de sua sombra uma espada negra. Uma espada tão escura que parecia capaz de engolir quem a contemplasse.
"..."
Ao vê-lo avançar lentamente com a espada em mãos, Justia fortaleceu sua determinação.
Como paladina, ela sempre precisava estar preparada para o pior cenário. E havia preparado um último recurso para derrotar aquele homem.
Era para isso que os paladinos existiam.
"Desejo que Sua Igreja derrote todos os inimigos."
Desta vez, Justia começou a entoar uma oração usando o próprio corpo como catalisador, em vez de sua espada.
Cada vez que seus lábios se moviam, seus olhos verdes tremiam violentamente.
E justamente quando se preparava para sua resistência final—
BOOM!
Um estrondo ensurdecedor veio de trás.
A porta da igreja, já destruída por Justia, foi arremessada para dentro mais uma vez.
"Empurrem!"
"Goethe! Está na hora de você sair daí!"
Homens avançaram aos gritos. Empurrando uma carroça envolta por chamas vermelhas.
"...!"
Num instante, todos os olhares se voltaram para eles. Até mesmo as mulheres cegas.
Uma nova tocha havia surgido dentro da igreja que estava sendo engolida pela escuridão.
"Agora! Saiam da frente!"
Quando Gregory deu o sinal, os dois homens que empurravam a carroça se afastaram.
"Hup!"
Após confirmar que Justia havia saído rapidamente do caminho, Gregory lançou a carroça para frente.
"O que diabos—?!"
Ao testemunhar aquela cena absurda, o falso sacerdote golpeou a carroça por impulso. Sem pensar nas consequências.
BOOM!
A carroça explodiu. Faíscas voaram em todas as direções.
O fogo se espalhou por toda a igreja.
As chamas que Gregory pretendia acender começaram a consumir o espaço mergulhado na escuridão.
Havia luz ali.
"Agora!"
Entre os destroços em chamas, um garoto caminhou em direção ao sacerdote.
[Suprima o impulso!]
"Aaaaah!"
Uma entrada impressionante. Uma das veneráveis tradições dos cavaleiros.
Vlad surgiu com um dos olhos fechados, revelando seu próprio mundo.
A ponta de sua espada brilhava mais intensamente do que nunca.
Kwaaaaang!
As duas espadas colidiram com um estrondo tão alto quanto a explosão.
Entre as chamas espalhadas, dois homens se encararam com espadas em mãos.
"Mexer com crianças é ultrapassar todos os limites, seu desgraçado!"
"...É mesmo."
Ao ver os olhos ferozes de Vlad, o falso sacerdote mostrou uma expressão estranha.
"Nós nos encontramos novamente. Agora eu reconheço você."
"Pare de falar bobagem e morra logo!"
Os olhos azuis de Vlad queimavam de raiva enquanto encarava o falso sacerdote, enquanto Gregory e Cade rapidamente cercavam Justia e formavam uma formação defensiva.
"Você está bem?!"
"Se vocês vieram até aqui... não vão acabar se metendo em problemas?"
Ela olhou para Gregory com uma expressão triste.
A espada de um cavaleiro deve ser tão pesada quanto afiada.
Violência sem motivo é apenas violência, e os cavaleiros a empunham apenas quando podem assumir a responsabilidade por ela.
"Não havia outra escolha."
Gregory sorriu amargamente enquanto ajudava Justia a se levantar.
"As crianças estão morrendo."
"...Obrigada."
Gregory assumiu a responsabilidade com seu próprio julgamento e desembainhou a espada.
Agora, todo o peso dessa decisão recairia sobre ele.
Ao observar aquele sacrifício, uma das virtudes que um cavaleiro deveria possuir, Justia se lembrou do motivo pelo qual viera até ali.
"Precisamos ir até o campanário. É lá que está a origem da maldição."
"...Entendido."
Gregory fechou o olho esquerdo enquanto observava as figuras cambaleantes se aproximando pela escuridão.
Thud!
Quando bateu fortemente o pé no chão, uma sólida luz marrom começou a envolver todo o seu corpo.
"Não há tempo."
As palavras de Justia eram verdadeiras. Mesmo naquele exato momento, crianças podiam estar morrendo sem conseguir respirar.
"Primeiro, preciso separar aquele desgraçado do resto."
Numa situação tão urgente, não havia como avançar de forma cuidadosa e organizada.
Em momentos assim, era preciso dividir o grupo, mesmo que à força.
Felizmente, havia alguém ali na frente cheio de energia.
"Huuup!"
Gregory inflou o peito e puxou uma grande quantidade de ar.
"EU ESTOU AQUI!"
Com um rugido explosivo, seu corpo disparou em direção ao falso sacerdote.
Com uma velocidade incompatível com seu porte robusto, Gregory atropelou o homem de identidade desconhecida e avançou.
Ao ver Gregory investindo como um touro enfurecido, Vlad lançou-lhe um rápido olhar de surpresa.
Kwaaaaang!
Junto com o falso sacerdote, Gregory foi arremessado contra o fim da parede, fazendo pilhas de pedra desabarem sobre ambos.
"...Sir Gregory!"
"Tem alguma coisa no campanário!"
Enquanto mantinha o falso sacerdote ocupado, Gregory gritou o mais alto que podia.
"Não sei o que é, mas vá e destrua!"
"...Entendido."
Recebendo a autorização, Vlad assentiu.
Embora, no fundo do coração, quisesse despedaçar e matar o homem que fingia ser um sacerdote, sua prioridade era salvar as crianças.
Mesmo consumido pela raiva, Vlad não perdeu a capacidade de julgamento.
Rapidamente virou a cabeça e começou a procurar um caminho na escuridão.
'Ali!'
Através da escuridão da nave da igreja, encontrou uma escadaria em espiral.
Embora parecesse perigosamente instável, era a única escada que levava para cima. Provavelmente era o caminho correto.
"Aonde você pensa que está... indo?"
Naquele instante, uma língua estranha, impossível de ser compreendida por seres humanos, começou a sair da boca do falso sacerdote.
Era uma maldição. E também um sinal.
Ali está! Meu filho está ali!
As mulheres que ainda não haviam ascendido começaram a correr em direção a Vlad.
"Maldição!"
Cada passo que davam fazia com que mais do fôlego das crianças escapasse.
Sabendo perfeitamente que o tempo estava acabando, Vlad concentrou toda a sua atenção em avançar em vez de lutar.
O rosto do garoto foi arranhado por unhas afiadas, enquanto a proteção da Serpente Branca brilhava para bloquear as intenções malignas que o atacavam incessantemente.
'Tem muitas!'
Porém, os movimentos das pobres mulheres tentando detê-lo ficavam cada vez mais agressivos.
Boom!
Vlad virou a cabeça ao ver a cabeça de uma mulher explodir diante de seus olhos.
Um cavaleiro segurando um arco com uma flecha abençoada por Justia. Era Cade.
"Continue avançando!"
Transmitindo sua intenção com um simples aceno de cabeça, ele voltou a puxar a corda e disparou outra flecha contra uma mulher que corria em direção a Vlad.
Era uma flecha luminosa que atravessava a escuridão.
"Huaap!"
Graças às flechas de Cade, Vlad conseguiu pisar sobre as cabeças das mulheres e correr pela escadaria.
Enquanto afastava as mãos negras que surgiam de todos os lados, a maldição do falso sacerdote continuava ecoando incessantemente atrás dele.
A criança encontrou apenas um único caminho para o céu.
[Depressa!]
Olhos azul-brilhantes emergiram da capela mergulhada na escuridão e seguiram em direção ao céu coberto pela névoa.
A criança que empunhava constantemente sua espada carregava uma estrela dentro do coração.
E precisava alcançar os céus para fazê-la brilhar.
Até o lugar onde o fôlego das crianças estava sendo reunido.
No dedo que segurava o corrimão coberto de poeira havia um anel de flores sem flores.
"Saiam da minha frente!"
A escuridão preenchia a igreja.
E, dentro daquela escuridão, ecoava o grito de uma criança tentando alcançar os céus.
Este mundo está cheio de coisas preciosas. Mas nem todos conseguem se proteger sozinhos.
No entanto, vocês são aqueles que juraram proteger.
Por isso, se estiverem onde deveriam estar. Se chegarem ao momento em que precisam agir. Não hesitem.
Sejam tochas que se acendem para iluminar a escuridão.
Essa é a minha Segunda Disciplina.
Traduzido por Moonlight Valley
Link para o servidor no Discord
Entre no nosso servidor para receber as novidades da obra o quanto antes e para poder interagir com nossa comunidade.
Comentários do capítulo 62
Converse sobre este capítulo. Marque spoilers para proteger outros leitores.