Mestre Espadachim das EstrelasSessão 6 – Capítulo 63 – Capítulo 63: Em Direção ao Céu 2
Capítulo 63Deixando Justia exausta para trás, Cade retornou novamente a corda do arco.
Pshhh!
Junto com a flecha que voou, seus dedos se abriram em feridas.
Embora gotas de sangue já escorressem do arco, Cade não parou de puxar a corda.
Porque precisava dar algum espaço para Gregory.
As mulheres que haviam perdido de vista o garoto loiro mudaram de direção e correram em direção a Gregory.
Justia, que estava do lado de fora da barreira erguida com todas as suas forças, precisava enfrentar sozinha todo o mal que cercava a igreja.
"Se ao menos eu fosse tão popular com as mulheres o tempo todo!"
No entanto, Gregory era o mais resistente entre os cavaleiros da família Bayezid e, por mais intensa que fosse a situação, avançou sem vacilar.
As mãos escuras das mulheres não conseguiam sequer arranhar o couro marrom que o cobria.
"Vi coisas nojentas demais hoje. Para ser mais preciso, incluindo o seu rosto."
Apesar da interferência das mulheres, Gregory ergueu a espada abençoada por Justia bem alto.
Afinal, se ele a baixasse, tudo acabaria.
Ele esperava que o garoto loiro que enviara trouxesse as crianças de volta.
"Você continua lutando até o fim."
"Faça isso."
O falso sacerdote, caído no chão, respondeu com um sorriso fraco ao golpe de Gregory, que avançava como um bisão em carga.
"Porque sou alguém que não pode ser derrotado pela morte."
"Vamos ver se você continua dizendo isso quando sua cabeça estiver separada do corpo."
As palavras de Gregory pareceram tão engraçadas que o falso sacerdote caiu na gargalhada.
Os gritos das mulheres e o riso do homem ecoaram juntos.
"Isso! Continue rindo até o fim!"
A espada de Gregory, brilhando com bênçãos, desceu violentamente.
Com um golpe poderoso.
Shing!
O pescoço do homem foi cortado.
Sua cabeça rolou para debaixo do altar.
Quando o homem que servia como núcleo da maldição caiu em silêncio, os movimentos das mulheres que choravam também cessaram ao mesmo tempo.
Para destruir um exército, é preciso destruir seu comandante.
A decisão de Gregory, que parecia uma aposta, deu resultado.
Ao ver a cabeça cair, Gregory soltou um longo suspiro e desabou nos degraus do altar como se estivesse se desfazendo.
"Minha agenda está cheia demais hoje..."
Tendo consumido todas as suas forças naquele golpe, Gregory retirou com mãos trêmulas a garrafa de álcool que carregava consigo.
Hoje ele pretendia beber até cair.
Porque havia assumido responsabilidades demais para conquistar aquela vitória.
Enquanto pensava em tudo o que teria de carregar ao retornar para Soara, Gregory tomou um gole da garrafa.
Com o golpe de instantes atrás, os cavaleiros haviam vencido e mereciam desfrutar daquele momento.
Pelo menos até o homem morto abrir a boca.
"Agora que penso nisso, parece que faltou vinho na missa de hoje."
"...O quê?"
Os companheiros, que trocavam sorrisos cansados, congelaram ao ouvir aquela voz repentina.
"Se não for pedir demais, poderia me dar um gole também?"
Todos ficaram imóveis, como se não conseguissem compreender de onde vinha aquela voz.
A cabeça do sacerdote que acabara de ser decepada.
A voz saía de sua boca enquanto ela rolava sob o altar.
"Lord Gregory."
No meio daquela situação absurda, onde ninguém conseguia abrir a boca, Cade se levantou com os olhos arregalados.
Porque viu algo se erguer lentamente atrás de Gregory.
Ele procurou às pressas flechas em sua aljava.
Mas ela já estava vazia.
A figura que se levantava atrás de Gregory.
Não possuía cabeça.
"Dullahan..."
Justia observou com espanto o homem que a encarava com órbitas vazias.
Enquanto a cabeça sem corpo sorria para ela, o corpo sem cabeça permanecia de pé.
"Acabei me afeiçoando a esse rosto depois de usá-lo por vários anos."
Um cadáver em pé sem cabeça.
Uma cabeça falando sem corpo.
Os olhos de Justia tremeram diante daquela cena grotesca.
O Cavaleiro Sem Cabeça, Dullahan.
Um cavaleiro livre da morte.
"Parece que agora todos estamos reunidos."
A cabeça sem corpo ergueu o olhar para o céu.
O corpo decapitado abriu os braços.
Quando perceberam, já estava chovendo lá fora.
Kwagagang—!
A chuva caía violentamente, acompanhada pelo estrondo dos trovões.
Embora fumaça espessa se espalhasse sob seus pés e nuvens escuras cobrissem o céu, o garoto continuava subindo em direção aos céus, agarrado à decoração escorregadia da torre do sino.
Precisava arrancar o padrão que continha os resquícios de vida das crianças.
"Eugh!"
Por um instante, seus pés perderam o equilíbrio.
Mas Vlad cerrou os dentes e suportou.
Deu mais um passo.
Estendeu a mão.
Mesmo enfrentando a chuva e o vento que golpeavam seu corpo, continuou avançando.
Embora não fosse alguém qualificado.
Ainda assim, estava escalando os céus para fazer aquilo que precisava ser feito.
Se ninguém mais fizer, então eu farei.
Se ninguém mais puder fazer, então eu farei.
Porque eu quero fazer isso.
"Só mais um pouco..."
Finalmente alcançando a base do padrão, Vlad estendeu a mão com todas as suas forças.
Estava tão perto.
Bastava um tropeço para alcançá-lo.
Mas o mundo não permitiu que o garoto tocasse as estrelas que flutuavam no céu.
Era difícil demais agarrar aquela única coisa.
[Desvie!]
"...!"
Mesmo sem o aviso da voz, ele já sentia uma presença ameaçadora.
Vlad saltou para trás enquanto girava no ar.
Então viu a cena diante de seus olhos.
Crash!
Como se uma linha tivesse sido traçada, a parte superior da torre foi cortada de forma limpa.
E começou a despencar.
Kwagagang!
O topo da igreja desmoronou como um raio caindo dos céus.
"Maldição!"
Ao aterrissar para escapar da queda da torre, Vlad rapidamente desviou dos escombros.
Embora a queda de tal altura normalmente fosse perigosa, a proteção da Serpente Branca o manteve seguro.
Mal saindo da zona de perigo, ele sacou sua espada.
Não havia como uma construção inteira desabar sozinha.
"Impressionante. Até para mim, foi uma aterrissagem elegante."
Em meio à poeira levantada pelos escombros, alguém começou a aplaudir.
Ao ouvir aquela voz familiar, Vlad cerrou os dentes.
"Seu desgraçado."
Segurando o padrão sinistro que estava no topo da torre, o homem surgiu diante dele.
"Eu sabia que você não era humano."
Um homem sem cabeça o aplaudia em tom zombeteiro.
Mas Vlad não ficou surpreso.
Apenas ergueu sua espada.
Havia coisas que precisava fazer.
E coisas que não podia deixar de fazer.
"Me devolva isso."
O homem sem cabeça ignorou suas palavras.
Apenas caminhou até o cavalo que emitia uma luz azulada.
Um homem sem cabeça.
Um cavalo reduzido apenas a ossos.
Sua aparência era a própria morte.
"Me devolva isso!"
Mesmo assim, Vlad avançou sem hesitar.
Disparou numa velocidade impressionante e golpeou o cavaleiro sem cabeça.
Clang!
Era um ataque veloz como um relâmpago.
Mas o homem simplesmente ergueu a espada e bloqueou o golpe como se não fosse nada.
Era absurdo.
Incompreensível.
E esmagador.
"...!"
[Ele torce as articulações de forma estranha. Não tente prever seus movimentos!]
O homem sem cabeça golpeava usando movimentos impossíveis para um ser vivo.
Tum! Tum! Tum!
Mesmo assim, Vlad bloqueava os golpes com todas as forças.
Não conseguia prever.
Mas conseguia enxergar.
Sua visão excepcional tornava isso possível.
O contra-ataque que aprendera com Jager estava em pleno funcionamento.
"Aaaah!"
Se você está onde é necessário, então faça.
Se você é capaz de fazer, então faça.
O grande Cavaleiro Mestre Espadachim havia deixado esse ensinamento.
"..."
Ao ver o garoto que antes recuava agora avançando sem medo, o Cavaleiro Sem Cabeça segurou a espada com ambas as mãos.
Porque percebeu que precisaria lutar seriamente.
"Não se esforce demais. Não sei quando minha boa vontade para com meus semelhantes pode desaparecer."
"Por que eu seria da sua espécie?"
"...Não estou falando com você."
As palavras do cavaleiro eram incompreensíveis.
Mas Vlad continuou avançando.
"Não está lento demais?"
"...!"
Por mais que balançasse a espada continuamente, os movimentos do homem sem cabeça já haviam ultrapassado em muito a velocidade do garoto.
Quando um golpe veio rápido demais para ser repelido, Vlad instintivamente virou o ombro.
[Vlad...!]
Até a voz gritou em choque diante daquela decisão.
Mas o que veio em seguida a silenciou.
Clang!
Faíscas explodiram quando espada e armadura colidiram.
A lâmina do cavaleiro e a armadura do garoto se chocaram, alterando sutilmente o ângulo do golpe.
Era o encantamento de armadura que ele havia visto na mulher de olhos verdes.
"Ugh!"
Era uma técnica normalmente possível apenas com uma armadura de placas robusta.
Mas a bênção da Serpente Branca tornava isso possível.
A armadura de couro dos Bayezid rangeu diante daquele impacto impossível.
"...!"
Até o Cavaleiro Sem Cabeça ficou momentaneamente surpreso com a ferocidade do garoto.
O domínio de um golpe mortal nasce do inesperado.
O talento de Vlad para aprender apenas observando era mais do que suficiente para perturbar um campo de batalha estabelecido.
"Aaaah!"
Uma luz branca pura começou a fluir de seu olho esquerdo fechado.
No horizonte onde você e eu nos encontramos, nós nos tornamos um.
O mundo do garoto, que continuava se expandindo, precisava ser preenchido.
E começou a absorver diretamente o mundo da voz.
A voz permitiu.
O mundo da voz era um mundo de cores profundas.
Um mundo repleto de tempestades e trovões.
Um relâmpago ainda mais denso que os trovões que rugiam no céu começou a surgir da espada.
"Deixe as crianças em paz!"
Ele não tinha conseguido fazê-lo no topo da torre.
Mas agora podia dar o passo que desejava há tanto tempo.
Com o som de uma casca se rompendo.
Kwagagang!
A essência do golpe mortal ensinada pela voz foi reproduzida perfeitamente pelas mãos do garoto.
Um relâmpago branco desceu da espada de Vlad.
Diante da igreja, onde só se ouvia o som da chuva.
"Kkuuuuu..."
Depois de liberar todo o seu poder naquele ataque, Vlad estava tão exausto que não conseguia sequer limpar o sangue que escorria de sua boca.
Eu fiz o meu melhor.
Mas não consegui.
O golpe semelhante a um relâmpago, lançado com intenção mortal, parou diante da espada do Cavaleiro Sem Cabeça.
Vlad estava avançando.
Mas, para aqueles que estavam à sua frente, aquilo não passava de um passo insignificante.
O mundo era cruel com aqueles que tentavam seguir adiante.
"Estava observando você porque pensei que fôssemos do mesmo tipo."
Uma névoa negra começou a se erguer da espada do cavaleiro.
Talvez Vlad nem tivesse percebido que havia conseguido.
Porque criara uma rachadura chamada ira no mundo daquele homem sempre calmo e sorridente.
"Kkaak!"
Movido pela raiva, o Cavaleiro Sem Cabeça golpeou o corpo do garoto com sua espada amaldiçoada.
Vlad, que já havia gasto todas as forças, foi lançado para longe como uma pipa que perdeu a linha.
Crash! Kwaaang!
Ele continuou rolando pelo chão, derrubando uma parede próxima.
Embora a proteção da Serpente Branca brilhasse e o protegesse, aquilo era o limite.
A chuva continuava caindo.
O garoto havia escalado os céus para alcançar uma estrela.
Mas acabou caindo.
Nem todas as tentativas produzem resultados.
"Devo cuidar de você antes de partir."
O Cavaleiro Sem Cabeça interrompeu o movimento de montar seu cavalo e caminhou até Vlad com a espada em mãos.
Era um garoto de potencial extraordinário.
E a presença em seus olhos parecia diferente do que imaginava.
Deixar possibilidades imprevisíveis vivas sempre causava desconforto.
O Cavaleiro da Luz Azul da Lua havia poupado o garoto.
Mas o Cavaleiro Sem Cabeça pretendia cortar o problema pela raiz.
Dois mundos.
Um luminoso.
Outro sombrio.
E atitudes opostas diante da luz.
"...Então você estava se segurando?"
O jovem encharcado pela chuva jazia impotente no chão.
Mas justamente a visão dele ainda segurando a espada convenceu o cavaleiro de que precisava matá-lo.
Não importa quantos sejam semelhantes a você.
As gotas de chuva escorreram pela espada amaldiçoada e molharam o rosto de Vlad.
Enquanto a chuva caía sem parar, a espada avançou em direção ao coração do garoto.
Kkikiguk—!
"...!"
Naquele instante, a mão inconsciente de Vlad se moveu.
E desviou a espada do Cavaleiro Sem Cabeça.
"Isto é..."
Um último esforço?
Mesmo claramente inconsciente, sua mão se movia sozinha.
Ao testemunhar aquilo, o Cavaleiro Sem Cabeça ficou surpreso.
[O garoto disse que não devíamos mexer com as crianças.]
Um jovem balançava de pé segurando uma espada.
Não.
Não era o garoto.
Com um dos olhos fechados, outra presença estava ali.
[Então agora vamos nos encontrar como adultos.]
Uma luz branca semelhante a um relâmpago brilhou em seu olho esquerdo.
Traduzido por Moonlight Valley
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