Nossos 28 Dias Com Vontade de MorrerOne Shot – Capítulo 5 – Capítulo 5: 25-30 de Outubro
Capítulo 5Na quarta-feira seguinte.
Ao que parece, haveria uma reunião pedagógica naquele dia, então as aulas foram realizadas apenas até o quinto período.
Como as atividades dos clubes também foram canceladas, a sala de aula estava barulhenta desde cedo, com todo mundo conversando sobre onde iriam para passar o tempo.
Normalmente, eu não me importaria — e provavelmente nem teria notado —, mas hoje foi diferente; passei o dia me sentindo tão inquieta quanto todos ao meu redor.
“Ei, vou te falar, Ema, você está agindo de um jeito estranho hoje. Aconteceu alguma coisa?”
Depois que o quinto período terminou, enquanto eu me preparava para ir embora, Honami me fez essa mesma pergunta — o que parecia ser a centésima vez desde a manhã.
“Não é nada.”
Dei a ela a mesma resposta que já havia repetido incontáveis vezes.
“Sério?”
Embora ela parecesse desconfiada, não insistiu no assunto, o que eu considerava uma das melhores qualidades da Honami.
Ela nunca ultrapassava limites que eu não queria que fossem cruzados, por isso era fácil conviver com ela.
“Bom, se não é nada, tudo bem. Mas escuta, eu estava com o Keita e os outros na aula de disciplinas eletivas mais cedo, e começamos a falar sobre todo mundo sair depois da escola. O que você acha, Ema?”
Pensando bem, Honami fazia a aula de música com Keita-kun e Shintani-kun.
Só para constar, eu fazia artes, e Rui-kun fazia caligrafia.
“Quem é ‘todo mundo’?”
“A Kiho-chan, o Shintani-kun... e estávamos pensando em convidar o Rui-kun também.”
Quando ela apontou para a mesa do professor, Keita-kun estava olhando na nossa direção e acenando.
Resumindo, o plano era que os membros do grupo da viagem escolar saíssem juntos.
Eu ficava feliz por todos terem se tornado amigos e, naturalmente, queria que Rui-kun estivesse lá também.
Mas hoje...
Enquanto eu sofria para decidir como responder, Rui-kun caminhou até as nossas carteiras, como se tivesse acabado de ouvir nossa conversa por acaso.
“Desculpe, mas a Ema já tem planos comigo hoje.”
“Hã...?”
“O quê?!” Honami alternava o olhar entre Rui-kun e eu, cobrindo a boca enquanto deixava escapar um som que misturava choque e empolgação.
E, como se para abafar o som dela, a voz de Keita-kun ecoou.
“Por que vocês dois combinaram de sair? Ei, do que se trata isso?”
“Como assim, ‘do que se trata’? Não é nada. Eu apenas a convidei antes.”
“Apenas...?”
O olhar de Keita-kun se voltou para mim.
Não, não era só Keita-kun. Honami também me encarava, com os olhos cheios de curiosidade.
Sem saber como lidar com aquilo, olhei para Rui-kun, mas ele estava parado ali com uma expressão inocente.
“Ei, ei, o que está acontecendo?”
“Eu também quero saber! Ei, Ema. Do que se trata isso?”
Keita-kun e Honami se aproximaram, bombardeando-me com perguntas, uma atrás da outra.
Como diabos eu deveria...
“Certo, vamos nessa?”
“Eh, ah, espera...”
Antes que eu percebesse, Rui-kun havia segurado meu braço e estava me levando para fora da sala de aula.
“Rui, espera!”
“Ema, você também! Dá uma explicação decente pra gente!”
Mesmo com eles gritando, Rui-kun não parou de me puxar.
A essa altura, vários colegas já haviam notado o alvoroço e se virado para olhar para nós.
Havia todo tipo de reação, desde provocações descaradas até lamentos de desespero.
Ficar ali só nos tornaria ainda mais alvo de fofocas.
“D-Desculpa! Até amanhã!”
Dizendo apenas isso, saí da sala de aula com Rui-kun.
“Amanhã! Você vai ter que contar tudo pra gente!”
Essa voz veio lá da sala de aula, mas fingi não ouvir.
Segui Rui-kun enquanto ele continuava andando a passos largos.
O lugar onde ele me segurava pulsava de calor.
“Rui-kun! Já pode soltar meu braço.”
“Eh, ah... desculpa!” Parece que minha voz finalmente o lembrou de que ele estava segurando meu braço, e Rui-kun o soltou às pressas.
Assim que ele soltou, aquele calor de antes começou a desaparecer.
Eu não sabia se aquele calor era meu ou de Rui-kun.
Mas só restou a solidão de perder um calor que eu não me importava de sentir.
“Eu só achei que precisávamos ir logo... Foi mal.”
“Não é como se você tivesse feito algo de errado... Mas para onde estamos indo?”
Rui-kun ficou em silêncio diante da minha pergunta.
Pelo visto, ele ainda estava fazendo mistério sobre isso.
“Bom, tudo bem. Mas, se você fala coisas assim, as pessoas podem acabar entendendo errado.”
“Entendendo errado?”
“Quer dizer, você sabe... vão achar que somos o tipo de casal que sai junto, só nós dois.”
Não tive coragem de dizer diretamente, então usei palavras vagas.
Mas parece que Rui-kun entendeu perfeitamente, pois deu de ombros ao meu lado.
“Ah, isso? Tanto faz. Se as pessoas quiserem falar, que falem.”
A total falta de preocupação dele só me deixou ainda mais preocupada.
“Mas...”
Será que não vai dar problema se as garotas que gostam do Rui-kun tiverem a impressão errada?
Essas palavras estavam na ponta da língua, mas, por algum motivo, não consegui dizê-las.
“Além disso...”
Enquanto eu ficava em silêncio, Rui-kun olhou para a frente e falou:
“Não importa o que digam depois que estivermos mortos, né?”
“Quer dizer... acho que é verdade.”
Colocado dessa forma, realmente fazia sentido.
Ainda assim, um de nós vai sobreviver, então senti que esse não era bem o ponto principal.
“Bom, está tudo bem. Certo?”
Percebendo que eu estava prestes a dizer outra coisa, Rui-kun encerrou a conversa, checou o celular e soltou uma pequena exclamação.
“Droga, o trem vai sair.”
“Hm?”
“Se não pegarmos este, não chegaremos a tempo para o que planejei. Vamos correr.”
Enquanto eu corria desesperadamente atrás de Rui-kun, minha respiração foi ficando ofegante.
Normalmente, eu acharia correr um saco, mas, por algum motivo, não me importava quando corria com Rui-kun.
Chegamos à estação bem quando um trem entrava na plataforma, e embarcamos naquele que seguia para a Estação de Osaka.
“Não está na hora de me contar para onde estamos indo?”
“Hmm, talvez daqui a pouco.”
Com o destino ainda em segredo, chegamos à Estação de Osaka e fizemos a baldeação para a Linha Loop.
“Ah, vamos descer na próxima.”
Enquanto ele falava, as portas se abriram e descemos na Estação Fukushima.
“Acho que é a primeira vez que desço em Fukushima.” Ao passar pela catraca e olhar em volta, Rui-kun disse: “Por aqui”, e começou a andar na frente.
“Tenho quase certeza de que é por aqui...”
“Você já veio aqui antes, Rui-kun?”
“Vim numa excursão escolar quando estava no primário, mas fomos de ônibus naquela época.”
Espiei a tela do celular de Rui-kun enquanto ele procurava o local.
“O Museu Municipal de Ciências?”
“Oh.”
“Você quer ir ao museu de ciências?”
“É, quero. Por que está olhando?”
“Porque imaginei que seria mais rápido se nós dois procurássemos. Ah, olha, tem uma placa ali!”
Apontei para uma placa um pouco mais à frente que indicava “90 metros” até o Museu Municipal de Ciências.
Rui-kun também olhou para ela, e uma leve expressão de alívio surgiu em seu rosto.
“Estamos quase chegando. Parece que vamos conseguir chegar a tempo.” Não perguntei a tempo para quê exatamente.
Eu sabia que, mesmo se perguntasse, ele provavelmente não me diria.
E, de alguma forma, senti que aquilo provavelmente era por minha causa.
Assim que chegamos ao museu de ciências, Rui-kun seguiu direto para o primeiro subsolo, sem hesitar.
O que nos esperava lá era o planetário.
“Ouvi dizer que este é um dos maiores do mundo.”
Rui-kun disse isso enquanto comprava os ingressos no guichê.
“É mesmo? ...Espera, calma aí. Eu pago o meu.”
“Não precisa. Fui eu que te arrastei para cá.”
“Mas...”
“Está tudo bem, sério.”
Aceitei o ingresso, sem ter como recusar.
Eu gostava de estrelas, mas não de planetários; por isso, só tinha ido a um pouquíssimas vezes.
Não dava para negar a sensação artificial que eles passavam, e a narração sempre quebrava o encanto para mim.
Eu só gostava de contemplar as estrelas brilhando no vasto céu noturno. Mas ele se deu ao trabalho de me trazer aqui e até pagou a minha entrada. Seria indelicado não aproveitar.
O espaço interno era amplo e, talvez por ser uma tarde de dia útil, estava praticamente vazio.
“É como se tivéssemos o lugar só para nós.”
“Você tem razão. Que bom que não encontramos nenhuma excursão escolar. Onde você quer se sentar?”
“Hmm, talvez no meio, então.”
Decidindo que o melhor seria ficar onde a vista fosse mais privilegiada, sentamo-nos lado a lado, bem no centro.
Logo a apresentação começou, e tudo foi engolido pela escuridão. E então...
“Ah...”
Fiquei sem palavras ao ver as estrelas projetadas.
“Não são as de verdade, mas...”
Rui-kun disse isso, mas as estrelas que se estendiam diante de mim — tão vastas que eu sentia como se pudesse ser puxada para dentro delas — eram tão deslumbrantes quanto as reais.
Eu não conseguia desviar o olhar daquelas estrelas que pareciam estar tão perto, a ponto de poder tocá-las.
Eu sempre achei que planetários fossem imitações que jamais se comparariam ao céu noturno de verdade.
Eu tinha me convencido disso.
Mas, na verdade, era tão lindo... Fiquei hipnotizada.
“Lindo...”
“Fico feliz.”
Às palavras que escaparam da minha boca sem que eu pensasse, Rui-kun respondeu com um claro alívio na voz.
Estava escuro demais para ver com clareza, mas eu tinha certeza de que ele estava sorrindo.
“Obrigada. Você me trouxe aqui porque eu disse que gostava do céu estrelado, não foi?”
Eu jamais teria imaginado que ele me levaria a um planetário.
Quando agradeci, Rui-kun murmurou: “Não é só por isso.”
Havia mais alguma coisa? Bem quando eu ia perguntar, a voz do narrador ecoou.
“Este céu noturno mostra as estrelas acima de um lugar em Hokkaido conhecido como a ‘Vila das Estrelas Cadentes’.”
“Não pode ser...”
Eu não conseguia acreditar no que ouvia.
O que acabaram de dizer? Não pode ser...?
Não era possível.
Instintivamente, cobri a boca.
Se não o fizesse, sentia que minhas emoções transbordariam em forma de choro.
“Eu realmente queria trazer você para a sessão de hoje, exatamente neste horário.”
“...!”
Pensei que nunca mais conseguiria ver aquilo.
Pensei que teria de guardar tudo trancado nas minhas memórias para sempre.
E, no entanto, o céu estrelado que vi naquele dia agora se estendia diante dos meus olhos.
Lembrei-me dos dias em que ria com meus pais e minha irmã mais nova.
Naquela época, até as coisas mais simples eram divertidas e cheias de felicidade.
Eu tomava como certo que o amanhã chegaria.
Acreditava que era natural que todos os dias brilhassem.
Fico imaginando quando tudo começou.
Quando tudo começou a parecer desbotado e as coisas que eu via deixaram de parecer reais.
Quando comecei a sentir como se fossem apenas paisagens de algum lugar distante.
Mesmo quando ria com amigos, sentia um vazio profundo, como se um buraco enorme tivesse se aberto em meu coração.
Mesmo quando estava com minha família, sentia-me como algo estranho.
Aos poucos, perdi a noção de quem eu era. O contorno do meu próprio reflexo no espelho foi ficando cada vez mais tênue; embora eu devesse estar ali, embora eu devesse estar olhando para mim mesma, meu rosto parecia borrado.
Mas o céu estrelado que se estendia diante de mim agora brilhava com tanta vivacidade.
Será que era porque se parecia tanto com o céu estrelado que vi uma vez, há muito tempo?
Ou será que era porque Rui-kun estava ali, observando-o ao meu lado?
“Ema...?”
Algo quente escorreu pelas minhas bochechas.
Não importava quantas vezes eu as enxugasse, as lágrimas não paravam de cair.
Rui-kun, sentado ao meu lado, pareceu perceber e levantou-se rapidamente.
“Você está bem?”
“Estou... bem.”
“Está doendo...? Você está sentindo dor...? Desculpe, eu...”
“Não. Não é isso. Não é nada disso.”
Rui-kun falou comigo, preocupado, depois que comecei a chorar de repente, mas eu não estava sentindo dor.
Era apenas que o céu estrelado estava tão lindo, e parecia que tudo o que eu havia esquecido, tudo o que eu havia perdido, estava ali, estendido diante de mim.
Aquilo me trazia tanta felicidade, um sentimento tão acolhedor, que as lágrimas simplesmente não paravam.
“O-obrigada.”
Graças a Rui-kun, pude ver aquele céu estrelado mais uma vez.
“Obrigada, de verdade.”
Enquanto eu falava entre soluços, o calor de Rui-kun tocou gentilmente a minha mão.
Aquele calor era tão gentil que eu não pude deixar de achá-lo incrivelmente valioso.
As luzes do prédio se acenderam e a projeção terminou.
Fiquei pensando se era aquilo que as pessoas queriam dizer quando falavam em ficar atordoada ou em transe.
Continuei olhando para o teto, incapaz de me mover por um tempo.
“Ema? Você está bem...?”
Assenti para Rui-kun enquanto ele falava comigo, preocupado, e finalmente me levantei.
“Rui-kun, obrigada. Foi... foi tão, tão incrível.”
“Entendo. Se isso te fez feliz, então eu também fico feliz.”
Com um sorriso tímido, Rui-kun disse: “Vamos?”, e levantou-se. Segui atrás dele.
Fiquei imaginando se eu tinha realmente conseguido transmitir isso a Rui-kun.
O quanto aquele céu estrelado que ele me mostrara havia ressoado profundamente em meu coração.
Não, talvez nem um décimo do que eu sentia tivesse chegado até ele.
Mas, ainda assim, eu sentia que estava tudo bem.
Porque o brilho das minhas memórias pertencia apenas a mim.
“Mas foi realmente maravilhoso, não foi?”
Rui-kun falou de repente.
“Eu não imaginava que seria tão belo. Aposto que, ao vivo, é ainda mais excepcional.”
“É, você tem razão. É muito, muito mais lindo.”
“Entendo...”
Nenhum de nós conseguia dizer mais nada além disso.
‘Quero ir ver isso um dia.’
‘Quero ver isso junto com você.’
‘Quero que vejamos isso juntos, só nós dois.’
Nós dois sabíamos que essas coisas jamais se realizariam.
Entendíamos que não adiantava colocá-las em palavras.
Restavam apenas três dias até que a vida de um de nós chegasse ao fim.
Tínhamos apenas três dias para ficar juntos assim.
“...Vamos para casa?”
“...Vamos.”
Saímos do museu de ciências e começamos a caminhar lado a lado.
Enquanto caminhava ao meu lado, a mão de Rui-kun roçou na minha.
Não foi como se um de nós tivesse estendido a mão primeiro.
Naturalmente, sem que nenhum de nós fizesse uma escolha consciente, nossas mãos se encontraram.
Eu me perguntava como as pessoas chamavam esse sentimento.
Palavras como “gostar” não eram suficientes para descrevê-lo.
Que sentimento era esse — esse desejo profundo pela felicidade do outro, essa prece desesperada para que ele continuasse vivendo?
Seria isso... amor?
Ou seria isso o que as pessoas chamam de “amor verdadeiro”?
Seria amor — essa emoção que fazia as lágrimas brotarem sempre que eu pensava em Rui-kun?
Não, o nome não importava.
Eu só sabia que, por enquanto, não queria que o calor da mão dele desaparecesse.
Talvez fosse egoísmo da minha parte querer que Rui-kun vivesse quando ele desejava morrer. Talvez fosse apenas egoísmo.
Mas, ainda assim, eu queria que Rui-kun vivesse. Mais do que o meu próprio desejo de morrer, mais do que a minha vontade de parar de viver, eu simplesmente, desesperadamente, queria que Rui-kun vivesse.
Eu não queria que aquele calor fosse arrancado da minha mão.
Mas a verdade é que... eu apertei a mão dele.
Eu queria segurar aquela mão para sempre.
Eu queria estar ao lado de Rui-kun, rindo com ele.
Eu queria ficar com ele para sempre.
Mas, se isso não pudesse se realizar...
No dia seguinte à nossa ida ao planetário, Rui-kun estava totalmente sozinho.
Enquanto eu o observava, perguntando-me se algo estava errado, vi-o apoiando o queixo na mão com uma expressão pensativa, encarando fixamente a sua carteira.
Ao ver o ar perturbado dele, percebi que todos estavam mantendo distância.
“...Rui-kun, bom dia.”
Quando falei com ele, seus ombros deram um sobressalto.
“Ah, Ema. Bom dia.”
“Aconteceu alguma coisa? Você estava distraído.”
“É... eu só estava pensando em algumas coisas.”
Notei que o tom de voz dele caiu um pouco quando disse “algumas coisas”.
Será que...?
“...É sobre o Haku?”
Rui-kun prendeu a respiração.
Com aquela reação, tive certeza de que era sobre Haku — e sobre se ele iria morrer ou não.
“Bem, é. Mais ou menos isso. Acabei pensando demais.”
“Entendo. Quer dizer, é depois de amanhã. Faz sentido você estar pensando nisso.”
“É...”
A resposta desanimada dele o fez parecer diferente do Rui-kun que eu conhecia.
Eu tinha certeza: Rui-kun estava hesitante.
Hesitante entre escolher a morte ou continuar vivendo daquele jeito.
Não, talvez ele estivesse começando a querer viver.
“Temos que garantir que não vamos acabar com arrependimentos.”
“É verdade...”
“Ah, pensando bem, a Honami trouxe uma revista sobre Hokkaido. Quer dar uma olhada com a gente, Rui-kun?”
“Ah, é mesmo? ...É, acho que vou querer.”
Rui-kun se levantou e foi até Honami comigo.
Eu tinha certeza de que havia muitas coisas prendendo Rui-kun aqui agora.
Eu torcia para que elas se tornassem seus motivos para querer viver — seus motivos para não querer morrer. Eu torcia para que ele parasse de vez de querer morrer.
Na sexta-feira, enquanto a empolgação pela viagem escolar tomava conta da sala de aula, distribuíram papéis que fizeram todo mundo se endireitar na cadeira.
Eram formulários sobre planos de carreira.
O papel entregue durante o horário de orientação — um formulário onde devíamos listar três universidades de preferência — parecia estranhamente pesado, apesar de ser tão pequeno e leve.
“Vamos usar isso nas reuniões com os pais, então preencham corretamente. Se eu pegar alguém de brincadeira, vou levar direto para a sala de orientação.” Suspiros e vaias ecoaram por toda a sala com as palavras do professor.
Dito isso, nada daquilo importava para mim, porque eu planejava morrer.
Mesmo que eu preenchesse aquilo, não iria para a universidade; eu nem chegaria ao terceiro ano do ensino médio.
Ainda assim, seria um incômodo ser chamada a atenção por não preencher corretamente.
“Bom, acho que isso serve.”
Escrevi os nomes de três universidades com níveis de dificuldade variados.
Uma era uma opção ambiciosa, difícil para mim sem um esforço extra; outra era uma universidade em que eu provavelmente passaria se me dedicasse razoavelmente; e a última era uma opção segura, na qual eu entraria facilmente.
Era uma lista que, imaginei, satisfaria o professor responsável pela turma. Quando terminei e olhei em volta, vi Rui-kun encarando o formulário de planos para o futuro com uma expressão preocupada.
A mão que segurava a lapiseira estava imóvel, e dava para perceber que ele estava sofrendo com aquilo.
Mesmo depois que o horário de orientação da tarde terminou e os alunos dos clubes começaram a sair da sala, Rui-kun não saiu do lugar.
“O que houve?”
Quando me aproximei da carteira dele e falei, vi que o formulário ainda estava totalmente em branco.
“Ah, Ema. É que estou meio travado.”
Por que você está se estressando com isso se planeja morrer?
Eu não diria algo tão cruel.
Na verdade, eu queria que Rui-kun sofresse mesmo com essa decisão.
Porque essa era uma das escolhas que moldariam as décadas de vida que ele tinha pela frente.
“Você só precisa entregar na semana que vem, então não precisa se preocupar com isso agora, né?”
“É verdade”, ele disse, concordando com a cabeça, embora ainda parecesse hesitante.
“Com o que você está preocupado?”
Aquela não era a primeira vez que recebíamos um formulário sobre planos para o futuro.
Na transição do primeiro para o segundo ano, tivemos que escolher entre as áreas de humanas e exatas, então recebemos o mesmo papel naquela época também.
Dito isso, eu sentia que todo mundo tinha preenchido aquilo de forma muito mais despreocupada no primeiro ano.
O professor também não tinha sido nem de longe tão rigoroso naquela época.
Eu até tinha ouvido histórias de alguém que escreveu “Todai” e acabou sendo chamado para conversar na sala dos professores.
Mas, já na segunda metade do segundo ano, tanto o professor quanto nós mesmos começamos a entender o peso que aquele papel carregava. Sabíamos que era aquele papel que decidiria nosso futuro.
Supondo, é claro, que tivéssemos um futuro que conseguíssemos imaginar.
Por isso, depois que os formulários foram distribuídos, Rui-kun não foi o único a ficar encarando a folha em branco com um ar preocupado, como se estivesse travando uma batalha de olhares com ela.
“Estou hesitante em relação a tudo.” Mesmo assim, fiquei surpresa por Rui-kun não ter conseguido escrever absolutamente nada.
Principalmente quando ele disse que não conseguia decidir nada.
“O que você escreveu da última vez?”
Eu não achava que ele teria colocado algo bobo, mas perguntei só por precaução.
Quando ele respondeu, as universidades que listou ficavam todas a uma distância que permitia ir e voltar de casa diariamente.
“Você não está considerando escolas fora de Osaka?”
“Eh... Não, não posso.”
Um lampejo de surpresa passou pelo rosto dele por um momento, mas logo deu lugar a um sorriso discreto enquanto ele balançava a cabeça negativamente.
“Quando penso no meu irmão mais velho, não tem como eu simplesmente sair de casa. Então, qualquer lugar que não desse para ir e voltar diariamente nunca foi sequer uma opção.”
“Por quê?”
“Como assim, ‘por quê’? Eu acabei de te contar...”
“Por que você tem que limitar o seu futuro por causa do seu irmão? A vida é sua, Rui-kun; você não precisa sacrificá-la por ninguém.”
Olhei fixamente para ele.
Os olhos de Rui-kun se arregalaram, revelando um choque evidente enquanto ele olhava para mim, com o olhar levemente trêmulo.
“A minha vida é... minha...”
“Exatamente. Não é óbvio? Se você desistir e culpar outra pessoa por isso, com certeza vai se arrepender. Você tem que decidir o seu próprio futuro.”
“Entendo... É, você tem razão.”
Rui-kun murmurou algo baixinho e baixou o olhar.
Será que eu falei demais?
Mas eu não queria que Rui-kun desistisse da própria vida.
Eu queria que ele soubesse que um futuro mais brilhante o aguardava.
“Fora da província, hein?”
“Acho que seria bom tentar encarar isso de forma mais positiva. Se você sair de casa, vai conseguir colocar uma certa distância entre você, seus pais e seu irmão. Se isso acontecer, acho que você vai conseguir viver para si mesmo, em vez de viver para outra pessoa.”
Coloquei tudo o que sentia naquelas palavras.
Não porque ele fosse meu parceiro em um pacto de morte, mas porque ele era um amigo querido — não, porque ele era alguém com quem eu me importava profundamente.
“Claro, como são sua família, pode ser difícil cortar os laços de verdade ou deixá-los para trás completamente. Como ainda somos crianças, acho que há coisas para as quais precisamos depender dos nossos pais. Mas a vida é sua, Rui-kun; por isso, acredito que você tem o direito de escolher a sua própria felicidade.”
“...Nunca tinha pensado nisso dessa forma”, disse Rui-kun com um sorriso triste.
“Quem dera eu tivesse te conhecido antes, Ema. Não desse jeito, mas apenas como colegas de turma comuns, muito, muito mais cedo.” Eu sentia o mesmo.
Se tivéssemos nos conhecido em circunstâncias diferentes, talvez nossa relação também fosse diferente.
Mas talvez tenha sido justamente por termos compartilhado nossos pensamentos sobre a morte naquele momento que conseguimos abrir nossos corações um para o outro desta maneira.
Se foi assim, então aquela era a única forma de nos tornarmos próximos.
Aquela foi a melhor maneira de nos conhecermos.
Foi por isso.
“Fico feliz por ter conhecido você naquela época, naquele dia, Rui-kun.”
Porque só ao conhecê-lo naquele momento é que eu pude tirar a morte dele.
Porque pude dar um futuro a Rui-kun.
“Ei, vamos para casa.”
Quando falei, Rui-kun assentiu e guardou o formulário de planos para o futuro na mochila.
Fiquei imaginando o que ele escreveria naquele papel em branco.
Talvez nunca saber disso permanecesse como um dos meus arrependimentos.
Mas eu acreditava que ele encontraria um lugar onde pudesse ser feliz.
Estava um pouco frio lá fora.
O vento de outono começava, aos poucos, a trazer o cheiro do inverno.
Sem dizer uma palavra, demos as mãos.
“Está quentinho.”
“Esfriou de repente.”
“O inverno está chegando.”
Pouco a pouco, as folhas começavam a mudar de cor.
Fiquei imaginando se elas estariam ainda mais bonitas na semana seguinte.
“.........Eu não quero morrer.” Rui-kun soltou as palavras de uma vez.
Meu peito apertou ao ouvir aquilo.
Haku disse que levaria a minha alma ou a de Rui-kun.
Ele também disse que teria de ser um de nós.
Se eu dissesse que queria viver, Haku, é claro, levaria a alma de Rui-kun, exatamente como havia planejado desde o início.
Segundo Haku, eu era uma “irregular”.
Por outro lado, se Rui-kun dissesse que não queria morrer, Haku — que só se importava com a contagem — provavelmente levaria a minha alma. Eu tinha que fazer Rui-kun dizer ‘Eu não quero morrer’ na frente de Haku.
Apertei a mão de Rui-kun.
“......Eu também não quero morrer.”
Essas palavras eram uma mistura de mentiras e dos meus sentimentos verdadeiros.
“Ei, o que você acha que aconteceria se nós dois disséssemos ao Haku que não queremos morrer?”
Eu sabia que estava sendo covarde.
Rui-kun certamente queria que nós dois vivêssemos.
Por isso, eu já sabia qual seria a resposta dele se eu perguntasse.
Rui-kun ficou em silêncio diante da minha pergunta.
“Então, talvez ele não leve nenhum de nós? Quer dizer, ele disse que só queria as almas de pessoas que queriam morrer.”
Ele definitivamente tinha dito isso.
Mas eu sabia que não seria bem assim.
No segundo “aquele dia”, antes de o Rui-kun chegar, eu tinha ouvido isso do Haku.
“Com certeza levarei uma das suas almas. Mesmo que ambos decidam que não querem morrer.”
Então, um de nós certamente morreria.
Mas Rui-kun não sabia disso.
Sabendo que não funcionaria daquela forma, forcei um tom alegre na minha voz. “Você tem razão!”
“Ele disse mesmo que queria levar quem quisesse morrer.”
“Então...”
Rui-kun parou e olhou fixamente para mim.
“E se nós dois dissermos ao Haku que não queremos morrer?”
“...Parece uma boa ideia.”
“...Você entende o que isso significa?” perguntou Rui-kun, como se quisesse ter certeza.
“Estou dizendo que quero viver — com você, Ema.”
O olhar dele era tão dolorosamente direto que quase desviei o rosto.
Mas eu não podia desviar o olhar agora.
Porque eu só precisava de um último empurrãozinho.
“Eu sei.”
É claro que eu sabia.
Eu sentia o mesmo. Eu queria viver com Rui-kun.
Voltar para casa assim, juntos, fazer alguns desvios de vez em quando, ir à viagem da escola, escolher lembrancinhas juntos e, então, e então...
Segurei desesperadamente as lágrimas que insistiam em surgir.
Eu não podia chorar ainda. Eu não podia, de jeito nenhum, chorar na frente de Rui-kun.
“Eu sinto o mesmo que você, Rui-kun.”
Um ar de alívio passou pelo rosto de Rui-kun, e então ele me deu um sorriso tímido e feliz.
“Acho que... estou apaixonado por você, Ema.”
“...!” A pessoa que eu amava estava me dizendo que também me amava.
Eu nunca soube que algo poderia trazer tanta alegria e tanta dor ao mesmo tempo.
“...Eu também.”
Forcei as palavras a saírem do fundo da garganta.
“Eu também te amo, Rui-kun.”
Aquele sentimento era real. Não era mentira.
Soltei a mão dele, apenas para entrelaçar nossos dedos e segurá-la novamente.
Com um pedido de desculpas silencioso pela mentira que eu acabara de contar.
E assim, eu jamais esqueceria o calor da pessoa que eu mais prezava.
[Del: Hahh, chegou a hora, o último capítulo está adiante. | Sol: Ah Del não me lembra disso não, esses dois são tão bonitinhos juntos. Não quero que acabe tão cedo!]
Traduzido por Moonlight Valley
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