O Cuidador da Ojou-sama — Capítulo 68: Volume 10 – Capítulo 3 – Capítulo 3: Para Além da Eleição

O Cuidador da Ojou-sama
Cap. 68
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O Cuidador da Ojou-sama

Volume 10 – Capítulo 3 – Capítulo 3: Para Além da Eleição

Capítulo 68

8.793 palavras~38 min de leitura

ERA O DÉCIMO SEGUNDO dia do período eleitoral.

Ao chegar à escola, peguei o boletim da eleição e conferi as mudanças nos índices de aprovação.

Como esperado, a aprovação de Joutou estava se afastando da nossa. Com 45% de apoio, Joutou praticamente já havia conquistado quase metade do corpo estudantil.

Mas—

…Não havia motivo para hesitar.

O que precisava ser feito já estava decidido.

Além disso, o fato de os índices de aprovação ainda estarem mudando tanto nesta reta final era a prova de que o coração dos alunos continuava oscilando. Mesmo que muitos votos tivessem migrado para Joutou depois do debate de ontem, provavelmente ainda não havia tantos estudantes torcendo por ele de coração. Uma diferença criada em um único dia também podia ser fechada em um único dia.

Enquanto eu preparava os panfletos de hoje e seguia para o pátio da escola, encontrei Asahi-san, que estava chegando para a aula.

— Tomonari-kun, bom dia~!

— Bom dia, Asahi-san.

— Hoje é o último dia de distribuição dos panfletos, né? Posso pegar a minha parte?

— Claro, fique à vontade.

No fim das contas, desde que o problema com Rintarou foi resolvido, Asahi-san vinha nos ajudando todos os dias. Taishou provavelmente também apareceria mais tarde para ajudar.

Que tipo de panfleto havíamos preparado para o último dia? Asahi-san olhou em silêncio para o panfleto que recebeu e então—

— Isso está incrível! Estou tão ansiosa para depois da aula!

— Obrigado.

A reação dela era exatamente o que eu esperava, e aquilo me deixou satisfeito.

Mas, então, um pensamento me atingiu: será que isso bastava? Ela nos ajudara até o fim, e eu simplesmente agradeceria de forma tão breve antes de nos separarmos? Aquilo parecia… insuficiente.

Achei que tinha sido um pouco seco demais e voltei a olhar para Asahi-san.

— Asahi-san, muito obrigado por ter nos ajudado até hoje. Durante todo este período eleitoral, sua alegria me salvou inúmeras vezes.

— Haha… ser agradecida assim, de forma tão direta, é meio constrangedor — Asahi-san coçou a bochecha, envergonhada. — Mas quem me animou foi você, Tomonari-kun, não foi?

— Minha contribuição foi, no máximo, metade disso.

Eu ficava feliz por ela se sentir grata, mas…

— No caso do Rintarou, quem mais sofreu foi você, Asahi-san. E quem mais se esforçou também foi você.

Não era o tipo de problema que alguém de fora poderia resolver apenas estendendo a mão.

Como Asahi-san havia lutado tão desesperadamente, tudo o que eu precisei fazer foi lhe dar um pequeno empurrão. E as coisas deram certo.

— A eleição está quase acabando, mas a sua batalha vai continuar, Asahi-san. Então, desta vez, é a minha vez de ajudar.

Asahi-san havia decidido levar adiante, no mundo real, seu negócio de venda de eletrônicos portáteis. Mesmo depois da eleição, com certeza enfrentaria todo tipo de desafio. E eu tinha a responsabilidade de apoiá-la, já que fui eu quem lhe dera aquele empurrão. Se algum dia Asahi-san enfrentasse dificuldades no futuro, eu teria de ser aquele que a ajudaria.

…Senti como se já tivesse tido uma conversa parecida antes.

Foi no dia seguinte à resolução do problema com Rintarou. Naquela ocasião, nossas posições estavam invertidas: Asahi-san havia prometido me ajudar. Parecia até que tínhamos caído em um ciclo de ajuda mútua, mas, se fosse um ciclo assim, eu o receberia de bom grado.

O que mesmo Asahi-san tinha me dito naquela época?

…Eu me lembrei.

— Pode me chamar para qualquer coisa. Da próxima vez, eu serei seus braços e pernas, Asahi-san.

— Ah.

De repente, as bochechas de Asahi-san ficaram vermelhas, e ela as cobriu com as duas mãos, como se tentasse escondê-las.

— Ughhh… isso é perigoso.

— Hã?

— E-Espera um pouco. Só… dá um passinho para trás, tá?

Parecendo incrivelmente atrapalhada, Asahi-san recuou, colocando distância entre nós.

— Ehe… mais do que isso e, hum, pareceria injusto com Tennouji-san e as outras…

Com as orelhas completamente vermelhas, Asahi-san me encarou com os olhos marejados. Por que o nome de Tennouji-san tinha surgido ali? Comecei a me preocupar com Asahi-san, que gaguejava como se estivesse febril.

— Asahi-san, você está se sentindo bem—?

— Wahhh!?

Quando dei um passo à frente para verificar sua aparência, ela recuou a uma velocidade impressionante.

Hã…?

— T-Tomonari-kun!!

— Sim!?

A voz repentinamente alta dela me assustou, e eu respondi no mesmo volume por reflexo.

— Guarde esse tipo de coisa para Tennouji-san e as outras!!

— Sim!! …Espera, hã?

Depois de responder por reflexo, inclinei a cabeça, sem entender o que ela queria dizer.

— Hum, o que você quer dizer com "esse tipo de coisa"…?

— Descubra sozinho!!

Asahi-san apontou para mim enquanto falava. Enquanto eu permanecia ali, confuso, um estudante se aproximou de nós.

— O que vocês dois estão fazendo, causando esse escândalo em público? — Rintarou se aproximou, parecendo exasperado. — Bom dia, Tomonari-senpai.

— Bom dia, Rintarou. …Hum, desculpe por ter desconfiado de você ontem.

— Tudo bem. A culpa foi minha por ter feito algo que me deixou suspeito em primeiro lugar.

Mesmo que eu não estivesse calmo naquele momento, não deveria ter me deixado levar por tamanha paranoia desde o início. Eu sabia que Rintarou se arrependia de seu envolvimento na campanha negativa, e ainda assim havia suspeitado dele.

Mas Rintarou afastou meu pedido de desculpas sem dar muita importância. Então, olhou de relance para Asahi-san, que ainda estava com o rosto vermelho.

— Ane-san, se for com o Tomonari-senpai, você tem todo o meu apoio, sabia?

— Quê!?

— Se vocês dois acabarem tendo esse tipo de relação, vai ficar mais fácil para mim recrutar o Tomonari-senpai para a empresa. Então vai lá, tome a iniciativa. Você é esperta, Ane-san. Deve ter vários truques na manga. Só, sabe… nada de usar sedução.

— R-Rintarou~~~!!

Rintarou saiu correndo, e Asahi-san disparou atrás dele. Eu não saberia dizer se a relação dos dois era boa ou ruim, mas, aos olhos de alguém de fora, eles pareciam bastante próximos.

Por ora, decidi começar a distribuir os panfletos… mas, assim que pensei nisso, Rintarou deu uma volta completa e retornou até mim.

— Posso pegar um panfleto?

— Ah, claro.

Ele poderia simplesmente ter pegado um com Asahi-san… Ao olhar para o lado, vi Asahi-san ao longe, com as mãos apoiadas nos joelhos, tentando recuperar o fôlego. Parecia que Rintarou levava vantagem naquele teste de resistência.

Entreguei-lhe um panfleto, e Rintarou o leu com uma expressão séria.

— Eu realmente gostaria que o senhor tivesse ficado do nosso lado, Tomonari-senpai.

Rintarou abriu um sorriso levemente solitário.

◆

Depois da aula. Parado diante da sala de estudos que havíamos usado antes, respirei fundo.

Com exceção do discurso final, aquele momento seria a última batalha para nós, candidatos aos cargos do conselho.

Recordei as disputas até então. Desde o início do período eleitoral, vínhamos trocando discursos por algum tempo. A distribuição de panfletos, os cartazes e, depois, o quadro "O Cotidiano dos Candidatos", criado por Minato-senpai. No começo, esses elementos influenciavam os índices de aprovação.

Então veio a campanha negativa de Rintarou. Depois de conversar com Asahi-san, conseguimos resolver o problema, mas aquilo acabou dando origem a duas novas questões. A primeira foi que nossas atividades eleitorais ficaram estagnadas enquanto nos esforçávamos para dissipar os rumores.

A segunda foi que Joutou começou a levar a disputa a sério.

A primeira coisa que Joutou fez depois de decidir agir de verdade foi recrutar Minato-senpai para o lado deles. Nós respondemos garantindo o apoio de Asahi-san, Taishou, Suminoe-san, Kita e Hinako. A batalha pelos reforços terminou em um impasse de avanços e recuos.

Depois disso, lançamos uma campanha de marketing de guerrilha.

O marketing de guerrilha foi, em grande parte, um sucesso, mas não conseguimos abrir uma grande vantagem sobre Joutou. Olhando em retrospecto, eu esperava resolver tudo ali e passar os dias restantes com atividades eleitorais mais seguras. Mas Joutou não permitiu que isso acontecesse.

No debate seguinte, fomos encurralados por Minato-senpai e acabamos em desvantagem.

E assim chegamos ao dia de hoje, ainda em uma posição inferior.

Pensando bem, a partir do marketing de guerrilha, vínhamos chamando atenção por meio de eventos, e não apenas de discursos. A essa altura, depender somente de discursos não provocaria mudanças expressivas nos índices de aprovação. Havíamos discutido isso com Tennouji-san e as outras na noite anterior.

Então, o que havíamos decidido fazer como nossa jogada final—?

— Hum…

Enquanto eu respirava fundo mais uma vez, uma aluna falou comigo.

— É aqui que vai acontecer o evento da Tennouji-san…?

— Sim, é esta sala mesmo. Por favor, entre.

Guiei a aluna para dentro da sala de estudos. A sala havia se transformado completamente desde a última vez que a usamos. Antes, havia fileiras de mesas com computadores, mas agora todo aquele equipamento tinha sido levado para outra sala.

No lugar, o centro do ambiente estava ocupado por vários estandes. A mente por trás daquela montagem era Tennouji-san.

— Bem-vindos à Feira de Experiência das Políticas.

Feira de Experiência das Políticas. Essa foi a jogada final que escolhemos.

Como o nome sugeria, tratava-se de um evento em que os alunos poderiam experimentar um futuro no qual nossas propostas já tivessem sido realizadas. No caso da feira de Tennouji-san, por exemplo, havia vários estandes: um em que os estudantes podiam se consultar individualmente com uma instrutora de etiqueta, outro voltado a aulas em formato de palestra sobre boas maneiras, e ainda um estande para prática de etiqueta à mesa.

O conceito de cada estande fora meticulosamente planejado por Tennouji-san, do começo ao fim. E o que a própria Tennouji-san estava fazendo? Atuava como instrutora, ensinando etiqueta aos alunos.

— Ao tomar sopa, movam a colher de frente para trás.

A voz de Tennouji-san vinha do estande de etiqueta à mesa, perto da janela. Quatro cadeiras cercavam uma mesa redonda, cada uma ocupada por um estudante. Sobre a mesa havia vários talheres, e cada aluno tinha um prato de sopa diante de si.

— O que fazemos quando a sopa começa a ficar pouca?

— Assim. Inclinem o prato para recolhê-la em silêncio.

Tennouji-san demonstrou, inclinando o prato para longe de si enquanto recolhia a sopa com a colher.

…Que nostalgia.

Mover a colher de frente para trás era, se eu me lembrava bem, etiqueta ao estilo britânico.

Quando me tornei cuidador pela primeira vez, Shizune-san me ensinou boas maneiras de forma rigorosa. Mais tarde, Tennouji-san também passou a me instruir, e minha etiqueta à mesa foi aperfeiçoada. A etiqueta que eu dominava carregava a influência tanto de Shizune-san quanto de Tennouji-san.

— Se a gente se preocupa demais com boas maneiras, não acaba parecendo rígido demais?

— Depende da situação. Ao jantar com superiores, não é prudente ser o primeiro a quebrar a formalidade. Se for uma relação de negócios, provavelmente haverá uma segunda ou terceira refeição juntos, então não há necessidade de se apressar para diminuir a distância.

Aquele tipo de experiência prática talvez fosse a informação mais valiosa.

Conhecimento e prática eram coisas diferentes. Alguém podia se sair perfeitamente em uma prova e ainda assim tropeçar na vida real. Quando se tratava de etiqueta, Tennouji-san, uma veterana experiente, cativava os alunos com suas histórias.

Em seguida, foram servidos pratos com macarrão. Um aluno sentado de frente para Tennouji-san sugou o macarrão fazendo barulho.

— Essa é uma forma muito apetitosa de comer, mas fazer barulho ao sugar o macarrão é uma quebra de etiqueta.

— O quê? Mesmo na China?

— Sim. Sugar o macarrão dessa forma é algo próprio do Japão.

— Eu não fazia ideia. A maior parte das pessoas com quem jantei no passado vinha de países mediterrâneos.

Aquilo também era novidade para mim. Pensando bem, eu havia aprendido etiqueta britânica e francesa à mesa, mas quase nada sobre a etiqueta asiática. Talvez fosse melhor pedir a Tennouji-san ou a Shizune-san que me ensinasse mais tarde.

Alguns alunos saboreavam a comida com prazer. Até mesmo os paladares refinados dos estudantes da Academia Kiou se renderam à culinária de alto nível necessária para a prática de etiqueta à mesa.

Todos os pratos servidos haviam sido preparados por chefs de primeira classe. Tennouji-san e eu tínhamos discutido isso por bastante tempo. Chegamos a considerar usar pratos cenográficos para reduzir custos, mas no fim rejeitamos a ideia, porque somos tradicionalistas.

Enquanto Joutou buscava reformular as tradições da Academia Kiou por meio de uma abordagem de destruição e reconstrução, o que nós valorizávamos era a essência da Academia Kiou… em outras palavras, sua autenticidade.

Então, qual era a essência da Academia Kiou?

Ser genuína.

Economizar esforços aqui significaria perder aquilo que nos era mais precioso. Por isso, decidimos usar apenas pratos autênticos, nada de amostras.

Não havia problema em gastar dinheiro. Não havia problema em recorrer a contatos. Até mesmo tomar emprestada a influência da família era aceitável.

Educar indivíduos de elite no melhor ambiente possível — isso era a Academia Kiou.

Ao desviar o olhar, vi a aluna que eu havia guiado antes entrando no estande de consulta individual com uma instrutora de etiqueta.

— Tenho um jantar importante na semana que vem, mas não estou muito confiante com etiqueta à mesa…

— Vamos revisar isso juntas. Você sabe qual é o restaurante?

— Ouvi dizer que é um ristorante.

— Entendo. Nesse caso, vamos abordar também o código de vestimenta.

Ristorante se refere a um restaurante italiano de alto padrão, geralmente com código de vestimenta e pedidos servidos em formato de curso. Embora hoje em dia alguns estabelecimentos mais casuais também se chamem ristorantes, o melhor é verificar previamente o ambiente do restaurante para escolher a roupa adequada.

Ao olhar de volta para o estande de etiqueta à mesa, vi que a aula havia acabado de terminar, e os alunos estavam saindo. Mas novos estudantes logo ocuparam seus lugares. Tennouji-san não tinha tempo para descansar, ainda assim parecia plenamente realizada.

Ao notar a entrada de uma nova aluna, Tennouji-san a chamou.

— Oh, faz tempo, não é?

— A senhorita se lembrou de mim! Eu estive na sua aula no ano passado…

— É claro que me lembro. Venha, sente-se aqui.

A aluna abriu um sorriso radiante e se sentou diante de Tennouji-san. Provavelmente era o carisma dela. O estande de Tennouji-san era o mais animado.

Eu também deveria verificar como estão as coisas do lado da Narika. Queria ver como estava indo a outra Feira de Experiência das Propostas.

Ao sair da sala de estudos para ir até lá, encontrei Fukushima-sensei.

— Fukushima-sensei.

— Tomonari-kun, bom trabalho.

— Bom trabalho para a senhora também. …Obrigado por aprovar este evento.

— Não precisa agradecer. O uso de salas vazias para atividades eleitorais já havia sido discutido durante a fase do marketing de guerrilha, então aprovar isto foi simples.

Assim como no marketing de guerrilha, havíamos consultado vários professores para realizar esta Feira de Experiência das Propostas. Eu não conseguiria agradecer o suficiente por eles terem encontrado tempo, apesar de suas agendas ocupadas.

— Deixando isso de lado… vocês planejaram um evento e tanto.

Fukushima-sensei disse isso enquanto espiava a sala de estudos pelo corredor. Ouvir aquilo da perspectiva de uma professora aumentou minha confiança.

— Esta não é uma cena que se conseguiria criar sem a visão de uma CEO.

Como esperado. Ela havia compreendido nossa intenção em um instante. Não era professora da Academia Kiou à toa.

— Sim, foi exatamente por isso que planejamos tudo assim.

Por um momento, trocamos sorrisos. Nem é preciso dizer, mas essa Feira de Experiência das Propostas não era apenas diversão. Eu — nós — víamos duas grandes vantagens nesse evento.

Fukushima-sensei talvez tivesse percebido ambas.

— Durante este período eleitoral, vários candidatos a cargos do conselho visitaram a sala dos professores.

Fukushima-sensei trouxe o assunto de repente. Outros alunos, assim como eu, deviam ter ido consultar os professores.

— Entre eles, quem mais visitou a sala dos professores… foi você, Tomonari-kun.

Eu tinha uma vaga noção disso.

— Desculpe por ter causado tanto trabalho.

— Não, não. Estou elogiando você.

Inclinei a cabeça. Aquilo não soava exatamente como um elogio… mas a expressão gentil de Fukushima-sensei indicava que ela estava sendo sincera.

— Na verdade, todos os anos, quando o período eleitoral começa, circula um boato entre os professores. Dizem que o aluno que vence a eleição é aquele que mais visita a sala dos professores.

Um boato desses…

— E é verdade. No ano passado e no anterior, foi exatamente assim que aconteceu. Mas faz sentido, não acha? Visitar a sala dos professores com frequência significa que a pessoa está enfrentando desafios únicos. Acho que é essa iniciativa que conquista o coração dos alunos.

Fukushima-sensei explicou por que aquele boato tantas vezes acabava se tornando realidade.

— A eleição do conselho estudantil deste ano está mais animada do que o normal. Pela minha posição, não posso favorecer nenhum aluno em específico, mas… acredito que o motivo dessa empolgação seja você, Tomonari-kun.

— Obrigado.

Considerando a posição dela, provavelmente estava me elogiando de forma indireta. Ouvir aquilo de alguém que havia acompanhado as eleições do ano passado e do ano anterior… era uma verdadeira honra.

— Talvez seja melhor você se preparar mentalmente. Se tudo correr bem, acho que você se tornará vice-presidente.

— Se tudo correr bem, hein…

Quando deixei escapar aquele murmúrio ansioso, Fukushima-sensei inclinou a cabeça com curiosidade.

Eu entendia o que ela queria dizer. Desde o incidente da campanha negativa, Rintarou vinha se mantendo discreto — provavelmente era a forma dele de refletir. Então, não era estranho pensar que eu venceria se tudo corresse sem problemas…

— Algo está preocupando você?

— Bem… talvez eu não acabe me tornando vice-presidente.

Os olhos de Fukushima-sensei se arregalaram.

— Por quê?

— Hum… desculpe, levaria um tempo para explicar, então vou deixar para outra hora. Tennouji-san ou Narika provavelmente tocarão nesse assunto durante o discurso final.

Eu queria verificar a feira de Narika, então teria de deixar a explicação para depois.

— Mas, mesmo que eu não seja escolhido, não terei arrependimentos. Então, por favor, não se preocupe, sensei.

— Está bem.

Fukushima-sensei desviou o olhar, parecendo um pouco relutante.

Eu a fiz se preocupar… Pedi desculpas a ela em pensamento antes de seguir para a Feira de Experiência das Propostas de Narika.

◆

O evento da promessa de campanha de Tennouji-san se concretizou com a realização de um seminário de etiqueta na sala de estudos.

Já o evento da promessa de campanha de Narika se concretizou com a abertura de um salão no auditório.

No começo, considerei usar o café da escola, mas isso incomodaria aqueles que originalmente quisessem utilizá-lo. Por isso, assim como Tennouji-san, decidimos usar uma instalação que não teria usuários depois da aula.

O auditório só é usado em assembleias gerais da escola, o que o torna, assim como a sala de estudos, um espaço que normalmente fica vazio. Por ora, estamos apenas tomando o local emprestado temporariamente, mas, se Narika se tornar presidente, talvez possamos continuar usando o auditório.

Só de sugerir essa possibilidade, os alunos já sentiriam que a promessa de Narika era realista.

O salão, que fazia uso completo do auditório, lembrava um café de grande escala. No entanto, embora houvesse mesas redondas, não disponibilizamos cadeiras.

Transformamos deliberadamente esse salão em um evento sem assentos fixos. Quando os alunos se sentam, suas posições ficam definidas, o que limita as interações que são justamente o objetivo do salão. O formato em pé cria uma atmosfera em que as pessoas podem se mover livremente. Cadeiras restringiriam o número de pessoas reunidas ao redor de uma mesa, mas, numa conversa em pé, qualquer um pode se juntar ao grupo.

Dito isso, ficar em pé por muito tempo pode ser cansativo, então colocamos cadeiras ao longo das paredes. Quem se cansasse poderia descansar um pouco perto da parede e depois voltar às mesas centrais para retomar a conversa… esse era o fluxo que esperávamos criar.

Narika e eu discutimos isso e chegamos a um acordo. Pelo que eu podia ver, aquele plano havia sido realizado perfeitamente. No centro do salão, havia uma multidão especialmente grande. Uma aluna, um pouco hesitante, dirigiu-se a Narika, que estava no meio do grupo.

— Na verdade, eu sou péssima em artes marciais, e meus pais vivem me repreendendo por isso…

— Então eu vou te ensinar.

— S-Sério?

— Sim. Em troca, você é boa nos estudos, não é? Ouvi dizer que aquele rapaz ali está tendo dificuldades para acompanhar as aulas de história. Você poderia ajudá-lo?

Narika conectava os alunos com habilidade. O aluno, que admitira ter dificuldades nos estudos, fez uma leve reverência para a aluna que não se dava bem com artes marciais.

— Por favor, conto com você.

— Deixe comigo. História é a minha especialidade.

Eu poderia fazer uma provocação dizendo que Narika também precisava se juntar a eles para receber ajuda nos estudos, mas deixei passar.

Aquele evento de campanha também parecia estar correndo bem.

Diferente do seminário de etiqueta de Tennouji-san, a promessa de Narika de criar um salão permitia que todos os estudantes assumissem casualmente o papel de professores. De certo modo, todos eram professores e alunos ao mesmo tempo. Como resultado, conversas semelhantes aconteciam em outras mesas, mesmo sem a presença de Narika.

— Meus pais querem que eu assuma os negócios da família, mas estou pensando em abrir uma empresa no exterior…

— Oh, que coincidência! Eu também estou considerando atuar fora do país e conversei sobre isso com meus pais outro dia.

— Como você convenceu seus pais?

— Bem, no meu caso, comecei por—

Os alunos participavam ativamente das conversas. Conversas para mudar a si mesmos…

Ao observar a cena diante de mim, lembrei-me do Management Game. Cada participante interagia ativamente com os outros para desenvolver sua própria empresa. Talvez a Academia Kiou que Narika imaginava fosse um lugar capaz de manter aquela atmosfera indefinidamente.

…Está indo bem.

A promessa de Narika de criar um salão podia soar simples em palavras, mas, ao ser colocada em prática, revelava resultados extremamente significativos.

Eu tinha Shizune-san como mentora. Tinha Asahi-san e Taishou, que conversavam comigo com tanta franqueza. Mas isso era apenas sorte. A maioria dos estudantes provavelmente não tinha alguém como Shizune-san, Asahi-san ou Taishou. Eu fui ajudado, em parte, por causa da minha posição incomum como cuidador.

No papel, eu era o herdeiro de uma empresa de TI de médio porte.

Se essa fosse realmente a minha situação, será que eu teria aspirado me tornar consultor? Eu não tinha certeza. Por isso, acreditava profundamente na importância dos encontros. Para mudar a si mesmo, importa quem você encontra.

— Você está aprontando algo grande de novo, hein?

Enquanto eu observava calmamente o salão, alguém falou comigo. Ao me virar, vi Joutou, o adversário que precisávamos derrotar, aproximando-se. Ele parou ao meu lado e contemplou a atmosfera do salão, assim como eu.

— Graças a você, estamos sendo empurrados contra a parede.

Diante das minhas palavras, Joutou fez uma expressão de quem havia sido pego completamente desprevenido.

— Eu estava preparado para uma reclamação ou duas, mas você não vai dizer nada?

— Ah, tenho muita coisa a dizer. Seu covarde, você não aprendeu nada com o incidente do Rintarou?

— Haha, agradeço por guardar isso para si.

Sim, sim, aposto que agradece. Afinal, eu sou um cavalheiro.

Não havia como dizer isso em voz alta.

— Vocês planejaram algo impressionante no último instante. Isso não é algo que um político conseguiria realizar.

Joutou disse isso enquanto observava os estudantes conversando de forma amigável.

— Políticos apelam para ideais. CEOs prometem resolver problemas. Aqueles que conseguem cumprir a própria palavra são, sem dúvida, os últimos. Dê os materiais certos a CEOs, e eles farão acontecer imediatamente.

Exatamente. Essa era a vantagem decisiva que Fukushima-sensei havia enxergado em nós.

Enquanto Joutou apelava ao ideal de democratizar a Academia Kiou, nós apresentávamos soluções que, embora variassem em escala ou intenção, não eram difíceis de implementar.

Éramos conservadores. E, justamente por isso, também éramos pragmáticos. Nossa capacidade de transformar ideais em realidade era o que nos dava vantagem.

— Mesmo assim…

Joutou deixou a frase morrer, sem encontrar palavras.

Mesmo assim… eu sabia o que viria a seguir. Mesmo assim… está animado demais.

A compreensão de Joutou sobre nossa vantagem decisiva estava, em grande parte, correta. Ainda assim, ele parecia não estar totalmente convencido, e um traço de dúvida permanecia em seu rosto. De fato, aquela era uma cena que apenas alguém com mentalidade empresarial poderia criar. E, no entanto, mesmo levando isso em conta, a cena diante de nós transbordava encanto.

Algo lhe escapava. Mas ele não sabia o quê. Percebendo o estado de espírito de Joutou, perguntei:

— Você já descobriu qual é o nosso outro objetivo?

— Outro objetivo?

Parecia que Joutou ainda não havia percebido. Muito bem, era hora da resposta.

— Olhe para esta cena.

Esta era nossa segunda vantagem decisiva—

— Não parece divertido, como um festival cultural?

Devo ter parecido cheio de confiança ao dizer aquilo. Joutou congelou, atônito, e então soltou uma risada vacilante.

— Ah, entendi… Fui pego.

Joutou finalmente compreendeu. Nossa segunda vantagem decisiva.

— Tradicionalmente, a primeira tarefa do conselho estudantil é organizar o festival cultural. Então, durante o período eleitoral, os alunos já estão olhando para o futuro, alimentando esperanças em segredo. Eles se perguntam que tipo de festival cultural este candidato criará caso se torne presidente.

Todos os eventos promovidos pela Academia Kiou eram luxuosos e extravagantes. O festival cultural não era exceção: uma grande celebração que atraía uma multidão, apesar de ser restrita a convidados.

Sem dúvida, muitos alunos aguardavam ansiosamente pelo festival cultural. Era exatamente por isso que—

— Ao verem este evento, eles devem ter pensado: "Quero que essa pessoa fique responsável pelo festival cultural."

Essa era a vitória que buscávamos. Para fazer com que eles quisessem nos confiar o festival cultural, este evento de campanha fora deliberadamente planejado para evocar a atmosfera de um festival cultural.

Não era apenas um evento divertido por diversão. O evento de campanha era uma etapa perfeitamente calculada para conduzir ao próximo festival cultural — ao próximo grande projeto.

— A eleição e o que vem depois dela, hein… Eu tinha uma visão de longo prazo, mas deixei passar o festival cultural bem debaixo do meu nariz.

Eu entendia como ele se sentia. Quanto mais acirrada se tornava a disputa eleitoral, mais éramos forçados a nos concentrar apenas no inimigo à nossa frente. Quase não havia espaço para olhar adiante.

— Eu percebi isso depois de analisar os questionários coletados. Os alunos da Academia Kiou são todos sérios e, justamente por isso, anseiam pelas raras oportunidades de descanso. …Fiquei surpreso, mas, quando contabilizamos as respostas, havia mais pessoas falando sobre os eventos depois da eleição do que sobre a eleição em si.

— Isso… eu não percebi.

Um feliz erro de cálculo foi a baixa barreira proporcionada pelos questionários anônimos. Ninguém diria com ousadia, cara a cara a um candidato à presidência, que estava mais interessado nos eventos pós-eleição do que na eleição em si. O formato anônimo do questionário provavelmente incentivou esse tipo de opinião a aparecer em grande quantidade.

— Ao contrário de você, eu não uso táticas desleais.

Diante de Joutou, que exibia uma expressão aflita, declarei a resolução que havia formado na noite anterior.

— Mas percebi um pouco da minha própria fraqueza. …Acho que eu vinha respeitando demais vocês, nossos inimigos. Provavelmente porque estava com medo. Se você alcançasse resultados melhores que os meus, eu queria respeitá-lo em vez de sentir arrependimento. Assim, doeria menos. É mais fácil se recuperar do respeito do que do arrependimento.

Não era exatamente a mesma coisa que acreditar na bondade das pessoas. Eu respeitava todos porque tinha medo de ser esmagado. Ao me colocar em uma posição inferior, podia respeitar sinceramente alguém que me superasse e seguir em frente. Podia aceitar a derrota e continuar antes mesmo de me ferir.

Mas não havia orgulho nisso. Era como fingir ser fraco todos os dias para conseguir manter a calma mesmo diante da derrota.

Esse era o verdadeiro covarde.

Essa tendência de respeitar os outros com tanta facilidade provavelmente criou raízes quando me transferi para a Academia Kiou. Em um ambiente onde todos pareciam mais talentosos do que eu, desenvolvi essa tática de sobrevivência enquanto tentava desesperadamente acompanhá-los.

Essa característica me salvou muitas vezes. Na verdade, Kagen-san chegou até a me elogiar por isso. Ele disse que, por eu conseguir olhar para qualquer pessoa com respeito, eu aprendia e crescia mais do que a maioria.

Mas, enquanto me deixava embalar por aquelas palavras, comecei a abrir mão de pensar por conta própria. Minha tática de sobrevivência, que consistia em começar pelo respeito, acabou se tornando apenas um hábito.

O respeito gera complacência. E, desta vez, paguei o preço por isso. E esse preço não foi pago apenas por mim — acabei arrastando Tennouji-san e Narika junto.

Eu não cometeria o mesmo erro de novo.

— Se eu me tornar vice-presidente, preciso corrigir meu hábito de me submeter aos outros. Respeitar todos indiscriminadamente só prejudica a pessoa que se tornar presidente.

Eu não queria envolver mais ninguém nisso como fiz desta vez. Não queria manchar o rosto de alguém que eu realmente respeitava.

— Então, vou ficar mais forte. …E, um dia, também vou mudar este meu jeito de falar.

A sobrancelha de Joutou se contraiu. Ele provavelmente ficou surpreso com a mudança repentina no meu tom. Desculpe se o confundi. Mas este era o meu verdadeiro eu. O verdadeiro eu que eu precisava revelar aos poucos.

— Até aqui, é onde eu consigo chegar. O resto ficará nas mãos de Tennouji-san e Narika.

A única atividade eleitoral restante era o discurso final da semana seguinte. Quem derrotaria Joutou ali não seria eu — seria Tennouji-san ou Narika.

Mas ainda havia tempo até o discurso final. Eu usaria os dias restantes para fazer tudo o que pudesse por aquelas duas.

— Joutou, venha com tudo. Nós definitivamente criaremos uma academia melhor que a sua.

Eu respeitava Joutou e sentia que havia coisas nele que eu jamais conseguiria alcançar. Mesmo assim, declarei com clareza que ele era meu inimigo.

Para derrotá-lo.

Foi a primeira vez na vida que direcionei uma vontade tão forte a alguém, e ainda assim me senti estranhamente revigorado.

◆

Depois de me separar de Joutou, voltei a observar o evento de campanha de Narika.

Mas minhas emoções não mudavam de direção com tanta facilidade.

Para esfriar a leve excitação que ainda sentia, peguei um copo sobre a mesa e bebi um gole para acalmar a garganta. A água tinha um leve sabor cítrico. Até as bebidas… como podiam ser tão deliciosas? Minhas sensibilidades de plebeu lavaram a empolgação de antes.

— Miyakojima-san!

Um aluno que eu não conhecia chamou Narika com entusiasmo.

— Obrigado por organizar um evento tão maravilhoso! Vir a este salão e ouvir tantas pessoas me ajudou a resolver uma preocupação antiga!

— Fico feliz em ouvir isso. Agora, espero que você ajude outra pessoa a resolver as próprias preocupações.

— Sim!

O aluno abriu um sorriso radiante.

— Por favor, torne-se presidente! Estou torcendo por você!

Palavras tão gentis. Narika devia estar radiante. Foi o que pensei, mas…

— Sim…. Obrigada.

Narika deu um sorriso um tanto desajeitado. O garoto que a havia incentivado pareceu não perceber e foi embora. Mas eu senti algo estranho na atitude de Narika.

…Narika?

O que havia de errado?

Por que ela parecia culpada quando alguém torcia para que se tornasse presidente?

A antiga Narika teria aberto um sorriso puro de alegria.

O que a havia mudado…?

…Ah.

Havia uma coisa que me vinha à mente. Aquele sorriso puro que ela deveria ter mostrado agora. Quando foi a última vez que vi Narika com essa expressão…?

Eu me lembrei. Foi no dia anterior à execução do marketing de guerrilha.

Quando eu estava indo para a sala dos professores, Narika também tinha algo a tratar lá, e caminhamos juntos por um tempo.

Foi então que vi o sorriso puro de Narika.

…Entendo.

Pensando bem, Narika provavelmente já estava lutando consigo mesma naquela época. Durante a derrota no debate, enquanto planejávamos este evento de campanha, Narika provavelmente enfrentava algo que nós desconhecíamos.

E agora, uma conclusão havia se formado dentro dela. Era por isso que ela não conseguia se alegrar sinceramente, apesar do apoio que recebia.

— Narika.

Aproximei-me e a chamei.

— Itsuki…

Ao se virar para mim, Narika me encarou com uma expressão frágil. Mas, logo em seguida, abriu a boca com determinação.

— Itsuki, na verdade…

— Eu sei. Mas sou só eu com quem você precisa conversar?

Interrompendo-a, lancei um olhar para trás. Havia uma aluna do primeiro ano hesitando sobre em qual mesa deveria entrar.

— Ela chegou bem na hora.

Aquela conversa também deveria envolvê-la. Compreendendo minha intenção, Narika assentiu com uma expressão tensa e seguiu na direção da garota.

— Nishi-san.

— Oh, Miyakojima-senpai. Bom trabalho hoje.

Chamada por Narika, Nishi-san fez uma reverência com um ar amigável. Como elas vinham conversando várias vezes nos últimos dias, pareciam próximas como amigas.

— Acabei de chegar, mas está bem animado, não é? …Acho que todo mundo estava querendo uma oportunidade assim. Miyakojima-senpai, você definitivamente é adequada para ser presidente do conselho estudantil.

Nishi-san dirigiu a Narika um respeito sincero.

Pensando bem, Narika sempre teve um lado genial, até mesmo durante o Management Game. Ela encontrava instintivamente aquilo que as pessoas desejavam no subconsciente e lhes oferecia exatamente isso. …Talvez esse fosse o talento dela.

Mas, mesmo recebendo tamanho respeito de uma caloura, o rosto de Narika não se iluminou. Com uma expressão um tanto rígida, ela falou:

— Há algo que eu gostaria de discutir com você, Nishi-san. Poderia vir até aquela mesa ali?

— ? Claro, sem problema.

Nishi-san inclinou a cabeça diante do tom incomumente formal de Narika, mas a seguiu. Nós três — eu, Narika e Nishi-san — nos reunimos ao redor de uma mesa vazia.

— Hum, sobre o que é…?

Nishi-san deve ter percebido que não se tratava de uma conversa casual. Sem tocar no copo sobre a mesa, foi direto ao ponto.

— Originalmente, eu queria me tornar presidente do conselho estudantil para mudar a mim mesma.

Narika começou, falando devagar.

— Mais especificamente, eu queria conquistar a coragem de me conectar com os outros. Por isso, mirei na presidência, achando que ela me daria muitas oportunidades para fazer isso, mas…

Talvez por se lembrar dos dias que a haviam levado até ali, Narika vacilou por um instante.

— Conforme continuei a campanha eleitoral, comecei a duvidar se esse era mesmo o caminho certo.

— O que você quer dizer?

— Comecei a pensar que o cargo com mais oportunidades de se conectar com os outros talvez não fosse o de presidente.

Depois de lutar consigo mesma e hesitar, Narika chegou a uma conclusão e a compartilhou.

— Conversar com você, Nishi-san, com Abeno-san e com Yodogawa-kun transformou minhas dúvidas em certeza. O presidente do conselho estudantil fala ativamente nas reuniões com os outros membros, mas muitas vezes delega a outras pessoas as interações com os alunos comuns. …O presidente fica a certa distância dos demais estudantes. Essa posição não é tão diferente da antiga eu, que era temida por todos.

Narika, que desejava ter coragem para se conectar com os outros, dava importância à proximidade física com cada aluno.

Para ela, apenas a proximidade emocional não bastava. E isso era compreensível. A distância emocional nas relações se resume, no fim, a coisas como impressões e imagens. Narika já havia sofrido por ser julgada como assustadora até mesmo por pessoas com quem nunca havia conversado.

Essa experiência se tornou uma lição para ela. A distância emocional é frágil quando comparada à distância física. Pode ser manchada por impressões unilaterais e injustas.

Tornar-se presidente provavelmente lhe renderia uma imagem positiva diante de todos os alunos. Mas Narika não buscava uma imagem. Ela queria os laços fortes formados por meio de conversas diretas, cara a cara. Era isso que ela realmente desejava.

— Mesmo que eu me torne presidente, nada vai mudar. Foi isso que percebi.

Olhando para a mesa, Narika continuou:

— Então, pensei em qual cargo ofereceria mais oportunidades de me conectar com os outros.

Com isso, Narika olhou para Nishi-san. O cargo do conselho estudantil com mais oportunidades de se conectar com as pessoas. Isso seria…

— Provavelmente… o de responsável por assuntos gerais.

Nishi-san, encarando o olhar de Narika de frente, assentiu de leve.

— Você tem razão. Acho que está correto. Na Academia Kiou, o responsável por assuntos gerais também cuida das relações externas, então é um cargo que interage com várias pessoas, tanto dentro quanto fora da escola.

Enquanto falava, Nishi-san pareceu compreender o que Narika estava prestes a dizer. Seu rosto demonstrava uma mistura de surpresa, mas o fato de ela ainda manter certa compostura me impressionou.

O que Narika estava prestes a dizer era um pedido sem precedentes. Sem dúvida, confundiria muitas pessoas, começando por Nishi-san.

Mas Narika não iria parar. Narika, que desejava tão intensamente mudar a si mesma, jamais interromperia seus passos.

— Nishi-san. Sei que é pedir muito, mas tenho um pedido a fazer.

Narika encarou Nishi-san diretamente.

— Você poderia, talvez, ceder o cargo de assuntos gerais para mim?

Narika abaixou profundamente a cabeça.

Seu gesto era de uma beleza capaz de tirar o fôlego. Era um ato simples — inclinar a cabeça em linha reta —, mas justamente por sua simplicidade parecia revelar a essência de seu caráter. A postura que ela demonstrava era nada menos que um modelo de cortesia, um refinamento que apenas alguém que dedicara anos às artes marciais poderia alcançar.

Mesmo sendo ela quem se curvava, não pude deixar de sentir como se eu fosse aquele prestes a se render. No entanto, Nishi-san não concederia o pedido de Narika com tanta facilidade. Nishi-san carregava a mesma determinação que Narika.

— Por favor, levante a cabeça.

Narika ergueu a cabeça devagar.

— Minha irmã mais velha deixou inúmeras conquistas como responsável por assuntos gerais.

Nishi-san começou a falar sobre sua própria determinação.

— Por exemplo, ela convidou baristas e sifonistas renomados para o café da academia, elevando a qualidade do que oferecemos. Quando os jardins foram reformados, ela trouxe um paisagista famoso e transformou completamente o cenário. Também foi durante o mandato dela que começamos a convidar ministros em exercício para a cerimônia de abertura do Management Game.

— Isso é… incrível.

— Sim. Ela é meu orgulho.

Nishi-san sorriu com evidente orgulho.

— Como mencionei antes, eu mirei o cargo de assuntos gerais porque queria seguir os passos da minha irmã. Mas, diferente dela, sou bastante comum. Por isso, pensei que ao menos deveria começar a agir desde o primeiro ano.

Então era por isso que, mesmo sendo caloura, ela estava mirando um cargo no conselho estudantil…

Como estudante transferido, eu conseguia entender. Para alguém novo na Academia Kiou, apenas a dificuldade das aulas já podia ser esmagadora. Já era um período desafiador, e ainda assim ela havia escolhido seguir um caminho ainda mais difícil por causa de seu objetivo. Aquele nível de determinação merecia respeito.

— Você está preparada para carregar o peso de todas as minhas aspirações?

Nishi-san olhou para Narika ao fazer a pergunta.

Ela estava deliberadamente pressionando Narika. Seu objetivo — ou talvez até seu sonho — poderia realmente ser assumido por Narika por completo?

Narika soltou um discreto "bem…" antes de falar.

— Eu vou dar o meu melhor.

Com uma expressão firme e determinada, Narika declarou aquilo.

…Hmmm.

Ela não deveria ter sido um pouco mais definitiva…?

— Você não vai fazer uma promessa firme, vai?

Como esperado, Nishi-san lançou um olhar frio para Narika.

— D-Desculpe. Mas, pelo que ouvi, sua irmã parece ser alguém extraordinário. Sinceramente, não posso prometer com confiança que vou igualar as conquistas dela agora.

As palavras de Narika soaram hesitantes, mas a expressão de Nishi-san suavizou um pouco. Parecia que ela ficara satisfeita por ver as realizações de sua irmã sendo reconhecidas.

— Então, quando eu estiver com dificuldades, poderia vir pedir conselhos a você, como estou fazendo agora?

Diante das palavras de Narika, os olhos de Nishi-san se arregalaram.

— Hã?

— Hã? I-Isso não pode?

Por algum motivo, Narika foi quem pareceu ficar atrapalhada. Observando as duas, não consegui evitar e acabei soltando uma risada.

Ah, é mesmo. Narika sempre foi assim.

As notas de Narika na academia ficavam um pouco atrás das de Tennouji-san e Joutou. Ela se destacava nos esportes, mas, em quase todas as outras áreas, para ser franco, ficava abaixo deles.

Ainda assim, nesta eleição, os índices de aprovação de Narika competiam ferozmente com os deles.

O motivo? Seu potencial.

Narika, que desejava desesperadamente mudar a si mesma, sem dúvida continuaria crescendo. Talvez agora ela não estivesse à altura da irmã de Nishi-san, mas sua vontade indomável garantia que um dia poderia alcançar esse nível.

Mas isso não era algo que ela precisava realizar sozinha.

Desde o dia em que Narika percebeu que precisava mudar, ela quebrou a própria casca. Ao entender que não conseguiria se transformar sozinha, passou a depender ativamente dos outros.

Narika crescia por meio da colaboração com as pessoas.

Os laços que formava, as conexões que cultivava — ela transformava tudo isso em combustível para a própria evolução.

Esse era um talento que Tennouji-san não possuía. A disposição de Narika para se apoiar nos outros sem hesitar era, à sua maneira, revigorante e pura, algo que atraía as pessoas para ela. E, justamente por ela ser movida pela ambição de um dia conseguir realizar as coisas por conta própria, era impossível não querer ver até onde sua jornada a levaria.

— Hehehe… Sinceramente, isso é tão a sua cara, Miyakojima-senpai.

Nishi-san, percebendo um pouco tarde, começou a rir também. Narika foi a única que permaneceu confusa, sem entender por que estávamos rindo dela.

Não precisava se preocupar. Não era como se estivéssemos exasperados ou algo assim. Estávamos aliviados.

Narika era alguém capaz de carregar o peso dos sonhos de outras pessoas. À sua própria maneira…

Depois de rir bastante, Nishi-san fez uma leve reverência.

— Vou ceder o cargo de assuntos gerais. …Eu sempre admirei as costas da minha irmã, mas acho que também pode ser divertido correr atrás das suas, Miyakojima-senpai.

— Obrigada.

Narika ofereceu uma breve palavra de agradecimento. Nishi-san abriu um sorriso gentil antes de se virar para mim.

— Tomonari-senpai.

Pego de surpresa por Nishi-san ter chamado meu nome, eu, que até então estava parado ali como decoração, reagi com certo atraso.

— Tomonari-senpai, você é absolutamente essencial para Miyakojima-senpai, não é?

— Hã?

— Quando Miyakojima-senpai está com você, ela fica ainda mais direta e incrível do que o normal.

Para Nishi-san, a Narika daquele momento devia parecer excepcionalmente franca e admirável. Ela tinha bons olhos. Eu também achava isso… embora não tivesse certeza se era por minha influência.

— Por favor, cuide bem dela.

Nishi-san também se curvou para mim.

Cuide bem dela… Ela se referia a Narika? Ou ao conselho estudantil?

De qualquer forma—

— Sim.

Assenti com confiança. Quando Nishi-san ergueu o rosto, tinha uma expressão satisfeita, mas deixou a mesa sem dizer mais nada. Embora tivesse prometido ceder o cargo de assuntos gerais, provavelmente ainda havia sentimentos complexos que ela precisava organizar. Ela precisaria de tempo para processá-los.

Pelas regras, Narika ainda podia mirar o cargo de assuntos gerais àquela altura. Quando Joutou pediu que Hinako concorresse à presidência anteriormente, eu verifiquei se aquilo era permitido e confirmei que este caso também não apresentava problemas.

— Isso foi mesmo certo?

No instante em que Nishi-san saiu de vista, Narika murmurou.

— Acho que sim.

Virei-me para Narika e falei:

— Originalmente, você mirou a presidência do conselho estudantil para mudar a si mesma, certo?

— Sim.

Então não havia problema.

— Você já mudou bastante, Narika. Eu estive ao seu lado esse tempo todo, então posso garantir. …Daqui em diante, acho que você pode viver de um jeito um pouco mais livre.

Havia coisas que só poderiam ser obtidas ao se tornar presidente do conselho estudantil. Mas isso não significava que aquele fosse o único caminho correto.

— Se você encontrou algo que quer fazer mais do que ser presidente… e se as pessoas ao seu redor estão de acordo com isso, não há motivo para se conter.

No dia anterior à execução do marketing de guerrilha, Narika me disse, com um sorriso genuíno, que o cargo de assuntos gerais parecia muito interessante. O desejo dela de assumir aquela função era real.

Ela devia estar ciente de que havia feito uma mudança repentina de rumo pouco antes do discurso final. Mas Narika não desperdiçou um único momento nesta eleição. Ela se lançou naquela disputa feroz com tudo o que tinha.

Foi justamente por ter lutado tão intensamente que percebeu que havia outro caminho. Se tivesse se contido, jamais teria chegado a essa conclusão.

Naquele momento, lágrimas começaram a escorrer dos olhos de Narika.

— Estas lágrimas… o que são…?

Sem entender por que estava chorando, Narika falou:

— Eu não estou triste… mas, por algum motivo, elas não param de cair…!

As lágrimas logo ficaram maiores, e, por mais que ela enxugasse os olhos, continuavam caindo no chão. Os alunos por perto perceberam o estado de Narika e começaram a se aproximar, preocupados, mas eu balancei a cabeça para detê-los.

Está tudo bem, não precisam se preocupar. Ela não estava chorando porque estava triste.

— Talvez seja porque você deu tudo de si.

Enquanto Narika continuava chorando, falei, observando a atmosfera do salão.

— Você foi incrível por chegar até aqui. A Narika que antes ficava nervosa só de conversar com desconhecidos, que sequer pensava em ficar diante dos outros, agora está encantando tantas pessoas. …Não existe uma única pessoa que interpretaria mal a você de agora como fizeram naquela época.

Quem poderia ter previsto esse resultado? Pensar que ela enfrentaria Tennouji-san de igual para igual em uma disputa tão equilibrada. Pensar que ficaria firme diante de um rival formidável como Joutou, que surgira do nada.

— Bom trabalho. Descanse. Você merece.

— Uwaaah… Itsukiii…!

Narika se jogou em meus braços, soluçando.

Eu estava prestes a dizer que todos estavam olhando, mas percebi que os braços dela tremiam levemente enquanto me abraçava, e soltei um pequeno suspiro.

Acariciando sua cabeça com gentileza, senti Narika pressionar o rosto contra mim com ainda mais força.

Bom trabalho.

Em meu coração, ofereci mais uma vez aquelas palavras de conforto a Narika.

◆

O evento de experiência das propostas terminou sem nenhum contratempo. Enquanto eu ajudava a limpar o auditório, percebi passos se aproximando por trás.

Ao me virar, vi três figuras. Joutou, Rintarou e, por último…

— Ei, Tomonari-kun.

— Minato-senpai.

Ao ver Minato-senpai me cumprimentar de forma tão casual, franzi a testa.

Achei que já tivesse superado aquilo. Sinceramente, eu já não sentia tanta raiva de Joutou. Mas, em relação a Minato-senpai, parecia que algumas emoções persistentes ainda permaneciam.

— Não me olhe com essa cara. Estou reunindo os candidatos à presidência para explicar os procedimentos do discurso final. Quer vir?

— Eu vou.

Depois de assentir, meus olhos encontraram os de Joutou, que estava ao lado de Minato-senpai. Eu já havia feito uma declaração ousada mais cedo. Não havia palavras a trocar agora. Percebendo isso, Joutou assentiu levemente e desviou o olhar.

— Como Miyakojima-san vai se retirar, começaremos assim que encontrarmos Tennouji-san.

Dizendo isso, Minato-senpai se preparou para deixar o auditório sem se aproximar de Narika.

— Como você sabe que Narika vai se retirar?

— Quando alguém faz um espetáculo daqueles, a notícia se espalha, quer você queira ou não.

Um espetáculo…?

— Vocês dois fizeram uma cena e tanto, abraçados na frente de todo mundo. Já estão planejando um futuro juntos?

— Não é isso… mas desculpe por causar alvoroço…

Ah, não. Comecei a ficar ansioso com o que viria depois da eleição.

Não, eu não deveria pensar nisso agora. Balançando a cabeça para afastar a inquietação, disse a eles que Tennouji-san provavelmente estava na sala de estudos.

Seguimos para lá, passando por uma multidão de alunos que deixavam a academia, pois seus eventos de experiência das propostas também haviam acabado de terminar.

Ao ver os sorrisos alegres dos estudantes que passavam, Joutou baixou discretamente o olhar.

O que ele estava pensando… eu não sabia dizer.

— Com licença, Tennouji-san está aqui?

Minato-senpai chamou ao atravessarmos a porta da sala de estudos, que já estava aberta.

O evento de experiência das propostas deles também parecia ter terminado sem problemas, e a limpeza já estava em andamento. As divisórias usadas para separar os estandes estavam sendo carregadas para fora pela porta oposta.

— Oh, o que traz todos vocês aqui juntos?

Ao nos notar, Tennouji-san se aproximou.

— Gostaria de explicar os procedimentos do discurso final. Você poderia vir agora à sala do conselho estudantil…?

— Minato-senpai — Interrompendo Minato-senpai, falei: — Já que estamos aqui, poderia explicar na sala de estudos?

— Tudo bem, mas eles estão no meio da limpeza, não estão? Não vai atrapalhar…?

— Quero ouvir isso onde haja pessoas por perto.

Se alguém tentasse nos passar instruções falsas, a presença de outras pessoas garantiria testemunhas, caso fosse necessário.

Havia quase dez pessoas na sala de estudos, incluindo a instrutora de etiqueta que Tennouji-san havia convidado e os voluntários que ajudavam na limpeza. Aquilo deveria ser suficiente como testemunhas.

Percebendo minha intenção, os lábios de Minato-senpai se curvaram em um leve sorriso.

— Essa é uma boa mudança.

Não era boa. Eu não queria ter de pensar assim.

— Então vamos usar este espaço.

Um dos estandes da sala de estudos ainda não havia sido desmontado, então o utilizamos. As cadeiras foram rapidamente arrumadas, e todos nos reunimos ao redor de uma única mesa.

— A propósito, onde está Miyakojima-san…?

Tennouji-san perguntou, olhando ao redor. Eu deveria ser aquele a explicar.

— Narika…

Contei a ela que Narika havia se retirado da disputa pela presidência. Os olhos de Tennouji-san se arregalaram. Mas, conforme expliquei a situação, ela começou a demonstrar compreensão.

— Foi por um motivo positivo, não foi? — Depois de ouvir toda a explicação, Tennouji-san murmurou. — Então não há nada com que eu precise me preocupar. Miyakojima-san tem o próprio caminho a seguir.

Por acreditar em Narika, Tennouji-san não estava preocupada.

Ainda assim, ela deve ter sentido alguma solidão. Talvez por uma leve sensação de insegurança, Tennouji-san baixou um pouco os olhos.

Eu ainda estou aqui — eu estava prestes a dizer, mas não foi necessário.

Tennouji-san fechou os olhos por cerca de três segundos. Quando os abriu novamente, seu olhar estava firme. Não era bravata. Era o ato de superar as próprias fraquezas e se manter de pé. Era isso que as pessoas chamavam de nobreza.

Deixe o resto comigo.

Senti como se pudesse ouvir a voz interior de Tennouji-san.

— Vamos revisar os procedimentos.

Minato-senpai explicou o processo do discurso final.

No dia, depois da primeira aula, os alunos receberiam as cédulas de votação dos professores e se reuniriam no auditório. Os candidatos à presidência fariam seus discursos diante de todo o corpo estudantil, e, logo em seguida, ocorreriam a votação e a apuração. Todos os professores ficariam responsáveis pela contagem.

Após a votação, os alunos retornariam às salas, e os resultados seriam anunciados por transmissão interna. Como mandava a tradição, o anúncio seria feito em até vinte minutos. Os membros recém-eleitos do conselho estudantil seguiriam então para a sala do conselho, onde participariam de uma reunião.

Assim que os membros do conselho retornassem às suas salas, a terceira aula começaria.

— Esse é o cronograma do dia. Alguma pergunta?

Ninguém levantou a mão. Minato-senpai assentiu, satisfeito.

— Então, vamos decidir a ordem dos discursos.

A ordem dos discursos… Considerando a escala do evento, era um fator importante.

Pessoalmente, eu sentia que o segundo lugar era mais vantajoso que o primeiro. Durante o primeiro discurso, o público ainda não estava completamente acomodado. Já o segundo orador se beneficiava do fato de os alunos já terem uma noção do formato e do tom.

— Eu irei primeiro.

Sem o menor sinal de hesitação, Tennouji-san declarou. Meus olhos se arregalaram involuntariamente.

— Tem certeza?

— Sim. Eu sempre adorei ser a número um.

Tennouji-san disse isso com um sorriso orgulhoso. No instante em que vi seu rosto, todas as ansiedades que eu vinha guardando desapareceram. Enquanto Tennouji-san pudesse ser ela mesma, a ordem não importava.

— Que coisa banal.

Joutou cuspiu aquelas palavras, com o tom carregado de desprezo.

Quando todos os olhares se voltaram para ele, Joutou encarou Tennouji-san e continuou:

— Vocês vivem soltando palavras bonitas. Isso agora? Para mim, não passa de abandono do pensamento. Mas as palavras grandiosas dos "escolhidos" influenciam tanta gente. Elas começam a pensar que também deveriam ser assim. …Mesmo que a maioria jamais consiga imitá-los.

Diante do lamento de Joutou, apertamos os lábios.

Ele estava furioso com a irresponsabilidade dos "escolhidos", cujas ações acabavam desviando os outros.

— Há algo que venho querendo dizer — Tennouji-san falou, encarando o olhar de Joutou. — Joutou-san, há alguma verdade em sua opinião.

— O quê?

Joutou olhou para Tennouji-san, pego de surpresa. Naquele contexto, ele não esperava que ela concordasse com ele. …E eu também não.

— No entanto, falta-lhe frescor — Tennouji-san continuou: — Falta-lhe clareza, uma postura luminosa e aberta, uma presença capaz de comandar os outros.

— E o que acontece se isso me falta?

— Você não é adequado para ser presidente.

Tennouji-san afirmou com firmeza.

— Como alguém que se coloca no ápice desta nobre academia, acredito que devo mostrar aos alunos uma luz que os guie.

— Luz…?

Joutou franziu a testa, formando uma ruga entre as sobrancelhas. Era uma expressão abstrata. E, no entanto, por algum motivo, aquilo se encaixou em mim, assentando-se com uma certeza silenciosa.

Eu tinha uma vaga noção do que Tennouji-san estava tentando transmitir.

— Observe atentamente meu discurso final. Grave em seus olhos a minha imagem carregando essa luz.

Fim da leitura

Capítulo 68 concluído

Volume 10 – Capítulo 3 – Capítulo 3: Para Além da Eleição