Parece que a Takane-san Gosta de Você — Capítulo 5: Volume 1 – Capítulo 4 – Capítulo 4: Confissões Deveriam Ser Feitas Ao “Crepúsculo”

Parece que a Takane-san Gosta de Você
Cap. 5
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Parece que a Takane-san Gosta de Você

Volume 1 – Capítulo 4 – Capítulo 4: Confissões Deveriam Ser Feitas Ao “Crepúsculo”

Capítulo 5

5.251 palavras~23 min de leitura

■ Takane Saki ■

... Ouvi o som de algo batendo de forma irregular na escuridão.

Não, pelo visto eu já vinha ouvindo esse som há muito tempo, e minha consciência está começando a despertar aos poucos.

A sensação de maciez no lado direito do meu corpo... couro? Quente…

Parece que estou deitada no sofá, coberta por um cobertor.

Além disso, o que é isso? Há um cheiro peculiar no ar. Acho que já senti esse cheiro em algum lugar... Karaokê?

Sim, acho que senti esse cheiro em um karaokê onde fui uma vez com a Yuka.

“...?”

Abri lentamente minhas pálpebras pesadas.

Na sombra de uma mesa, a penumbra dominou meu campo de visão.

Levantei-me devagar, rastejei para fora da escuridão sob a mesa e…

Vi uma mulher sentada à minha frente.

“Ela... tem dez letras... dez?”

Ela parece bem jovem, mas eu diria que está na casa dos 30 anos...?

Para ser sincera, fiquei bastante intimidada quando vi a sua aparência pela primeira vez.

Seu cabelo loiro, com a raiz escura, apresentava aquele visual bicolor que costumam chamar de "pudim".

Seus olhos penetrantes, espiando por baixo do cabelo, transmitiam tanta força que me faziam encolher, mesmo que não estivessem voltados para mim. Se ela passasse por mim do outro lado da rua, eu abaixaria a cabeça e seguiria meu caminho o mais rápido possível. Esse é o tipo de mulher que ela é.

Felizmente, ela nem sequer olha para mim, embora ela esteja encarando algum tipo de texto enquanto bate na mesa com a extremidade de sua caneta esferográfica, produzindo um som seco e desajeitado…

“Ei, garota do ensino médio.”

“Iiih!?”

Não esperava ser abordada, e minha voz acabou falhando. A garota do cabelo "pudim" — cujo nome eu nem sabia — continuou em voz baixa.

“Como você acha que se chama um sanduíche de carne entre dois pães...?”

“Hã...?”

“A palavra tem dez letras.”

Do que se trata isso? Não entendo nada da situação... mas sei a

resposta para a pergunta.

“Acho que é ‘hambúrguer’...?”

“Isso mesmo! Que pergunta capciosa, ela me deu um trabalhinho...”

No que diabos será que ela tinha travado...?

Apesar das minhas dúvidas, ela escreve as letras da palavra “hambúrguer” no espaço indicado.

... Parecia ser uma daquelas palavras cruzadas que dão prêmios.

“Pronto, resolvi dois quebra-cabeças, chega por hoje, treino cerebral concluído...”

Ela fechou o livro de exercícios, que estava cheio de espaços em branco, e se espreguiçou.

... Pelo visto, ela não é tão assustadora quanto eu pensava, mas, pelo amor de Deus, eu quero saber quem ela é.

“Você é...?”

“Kaoru Mashima; pode me chamar como quiser.”

“Ah, Kaoru-san...”

... Hã? Mashima?

Espere um pouco, então…

“Por acaso você é a Mashima... tia do Kengo-kun?”

“Bom, o Kengo me chama de irmã, mas...”

“Olá, prazer em conhecê-la! Eu sou a Saki Takane!”

Minha mente mudou instantaneamente para o “Modo Cumprimentos da Saki”.

Tentei me endireitar às pressas, e então tudo que estava em cima do cobertor veio abaixo como uma avalanche.

“Ah, o que é isso!?”

“Hahaha, bolsa térmica, é uma bolsa térmica, é uma bolsa térmica descartável.”

“Uma bolsa térmica descartável...?”

Já está quase chegando o verão, então por que uma quantidade tão grande deles...?

Ao me ver confusa, Kaoru-san riu. Ao contrário do Mashima-kun, ela ri bastante.

“Você não lembra? Quando aquela garota do ensino médio teve dor de barriga, aquele idiota começou a juntar bolsas térmicas descartáveis pela casa toda e a enfiá-las num cobertor. Foi engraçado, então fiquei quieta só observando.”

“Mashima-kun...?”

“O Kengo, que é sempre tão sério com o trabalho, voltou para casa com o rosto todo ensanguentado. E estava carregando uma garota nas costas! Ouvi dizer que ela desmaiou de repente. Sorte que moramos tão perto.”

“Ah...”

É, eu desmaiei na frente da estação de trem e… O Mashima-kun me trouxe para cá…

“Aliás, este é um bar que eu administro; chama-se ‘Leo’, em homenagem a um gato que eu tinha.”

“Não sei bem o que é um bar, mas é um lugar para adultos, não é?”

Claro, nunca entrei em um, mas, se me perguntassem, eu imaginaria um balcão comprido com lindas garrafas de bebida alinhadas como joias nas prateleiras.

“Eu sei que não é um lugar para estudantes do ensino médio, mas ainda não abrimos, então é uma ocasião especial... Ah, não conte para a Senko nem para mais ninguém, tá? Posso me meter em encrenca.”

“Senko...?”

A Kaoru é... uma mulher meio misteriosa.

Mas, mais do que isso, agora me lembro do que fiz com o Mashima-kun e sinto um profundo desprezo por mim mesma.

“...Hum, o Mashima-kun...?”

“Ele disse que ia terminar as compras que me pediu para fazer. Acho que já deve estar de volta.”

“Entendo...”

“O que houve?”

“Fiz coisas terríveis com... o Mashima-kun. Até causei problemas para a Kaoru-san... Não tenho nem coragem de olhar para vocês..."

“Relaxa, eu não me importo com isso, e ele também não é o tipo de pessoa que se preocupa com esse tipo de coisa.”

“...Ainda assim, eu sinto muito.”

Eu mesma sei muito bem que o Mashima-kun é esse tipo de pessoa.

É por isso que não posso me permitir tirar proveito da gentileza dele.

“Acho que você não deveria se preocupar muito com isso. Aqui está.”

“Isso é...?”

“Meus analgésicos, e isto é água em temperatura ambiente.”

“Sinto muito por tudo...”

“Eu só estou fazendo exercícios de estimulação cerebral aqui. Foi o Kengo quem cuidou de você.”

No começo, não pude deixar de me surpreender ao saber que essa mulher era quem havia criado o Mashima-kun… Mas agora eu entendo.

“Vou agradecer pessoalmente ao Mashima-kun quando ele voltar.”

“Sorria como eu! A Saki é tão linda, mas com o Kengo ela fica inexpressiva demais... Espere um pouco, Takane... Saki?”

“Sim? O que foi...?”

Kaoru-san inclinou-se sobre a mesa e fixou o olhar em mim. Então, ela franziu a testa.

“Takane Saki... seria você a Saki Takane?”

“...Ah.”

Quando você para e pensa, acho que era natural. Afinal, foi ela quem criou o Mashima-kun.

Então, é claro que ela sabe sobre o incidente que aconteceu.

O incidente que fez o Mashima-kun ser suspenso da escola…

“Ah, sinto muito mesmo por aquilo!!”

“Hahaha, você vai acabar pedindo desculpas de novo daqui a pouco... ou melhor, por que está pedindo desculpas? Saki, você não fez nada de errado.”

“Por minha causa, o Mashima-kun está...!”

“O Kengo não é criança; ninguém o obrigou a fazer aquilo. Ele assumiu a responsabilidade pelo que fez, e é só isso que importa.”

“Mas...”

“Mas, Saki! Ouvi dizer que você estuda na Kamimura High School, mas você é uma garota tão linda! Sua pele é tão macia, você parece uma boneca! Você é tão fofa!”

“O quê? Uau, ei...!”

“Droga, aquele idiota nunca fala sobre esse tipo de coisa!” Meus ombros deram um sobressalto.

“... Bem, Mashima-kun, ele disse alguma coisa sobre o que aconteceu na escola?”

“Ele não diz nada a menos que perguntem. Ele fala coisas como: ‘Troquei o mural hoje’, ‘Fiz a limpeza da sala’ ou ‘Tive uma prova’. Essa falta de interesse é, sem dúvida, um reflexo do pai dele.”

“...Entendo... haha...”

“Sério? Hum, desculpe! De que outra forma o Mashima-kun...”

“Voltei, irmã.”

“Bem-vindo de volta, Kengo.”

“Hyaaaaaaaaaaaaa!?!?”

Gritei involuntariamente e escondi imediatamente o analgésico que Kaoru-san havia me dado. Tive muita sorte de o Mashima-kun não ter percebido. Quando ele me viu, seus olhos se arregalaram.

“Você acordou!? Sua aparência... você parece melhor, mas e o seu corpo? Algum problema!?”

“Ah, é, foi só... anemia!”

“Ahhhhh, é só anemia; ela acabou de acordar, então não fale tão alto. A voz do Kengo é tão grave que ecoa.”

“Entendo, que bom...”

Mashima-kun expressou seu alívio.

Havia, sem dúvida, um sentimento de alívio em sua expressão ao ver que eu estava bem. Mashima-kun é o tipo de pessoa que realmente se preocupa com os outros e sabe tranquilizá-los…

“Você está com apetite?”

“Sim. Claro.”

“Imagino que esteja com fome. Já está bem tarde, mas vou preparar o almoço. Posso usar sua cozinha, irmã?”

“Pode usar à vontade; estou com sono.”

“Certo, então, Saki, espere bem aqui.”

“Ah! Eu te ajudo, Mashima-kun.”

“Sente-se e relaxe.”

Eu estava prestes a seguir Mashima-kun, que desaparecera atrás do balcão com uma sacola de compras na mão, quando Kaoru me impediu.

“Nossa cozinha é pequena demais para duas pessoas. Você está doente, então, por favor, pegue leve consigo mesma.”

“Mas não vou deixar você cuidar de mim e cozinhar para mim...”

“...O que você gosta no Kengo?”

Tudo escapou sem querer .

“O-O quê? Não, p-por quê?”

“Não precisa se preocupar, meu exaustor é velho e faz um barulho absurdamente alto, então ele não vai conseguir te ouvir na cozinha, mesmo se você gritar.”

“Como você sabia? Como você sabia disso? Ninguém nunca… descobriu, nem uma pessoa sequer...!”

“Eu percebi logo de cara, não foi? O que foi? Quem é uma velha agora, hein?”

Além da pergunta retórica da Kaoru-san, fico pensando se sou alguém fácil de se decifrar.

Agora, se houvesse um buraco aqui, eu gostaria de me enfiar nele...! Enfim, não tem como escapar já que cheguei a esse ponto.

“É... aquele jeito direto... de mente aberta...”

“Hou-hou-hou!”

Kaoru-san me provocou e senti meu rosto esquentar na hora. Faz só alguns minutos que a conheci, mas o que é que ela está me fazendo dizer?

“Por favor, cuide bem dele! Ele é meu filho, meu orgulho; Ele nunca gostaria de uma mulher estranha, e não tem como a Saki-chan — que gosta do Kengo — ser uma mulher estranha! Então, não se preocupe! Namore com ele logo!”

“Não sei, será? Ehehe...”

A ideia de ter a “aprovação da mãe” me veio à mente e minhas bochechas relaxaram involuntariamente.

... Hmm?

Será que a Kaoru-san acabou de dizer algo estranho no meio de tudo isso...?

“Quer dizer, é a coisa mais fácil do mundo conquistá-lo. Facinho, facinho.”

“Ah, é mesmo? ... Haha.”

Para mim, ele é como uma fortaleza difícil de atacar e difícil de superar.

Acho incrível, sob vários aspectos, que a Kaoru-san consiga dizer algo assim sobre o Mashima-kun, que é como um filho para ela…

“Bom, Saki-chan, tenho certeza de que você vai se sair bem, mas, como alguém com mais experiência de vida, deixe-me te dar uma estratégia para lidar com aquele garoto.”

“Uma e-estratégia!?”

Involuntariamente, inclinei-me para a frente.

Mesmo com o guia de amor mais poderoso e infalível, o “Imamote”, que tipo de estratégia eu poderia usar com o Mashima-kun, alguém que ainda não faço ideia de como conquistar!?

“É fácil. Olhe nos olhos dele e diga o que quer dizer. Ele é do tipo ‘oito ou oitenta’; o que você não colocar em palavras, ele não vai entender de jeito nenhum. Mas, se você disser claramente, ele vai aceitar tudo o que você falar.”

“Ah...”

...A Kaoru-san parece ter um dom de prever as coisas; na verdade, talvez ela já soubesse de tudo desde o começo…

“... De verdade, obrigada por tudo.”

“Imagina, não tem de quê.”

A Kaoru-san disse isso em tom de brincadeira e levantou-se da cadeira, com uma caneta esferográfica encaixada atrás da orelha.

...Parando para pensar, talvez a Kaoru-san sempre tenha se preocupado comigo, mesmo me tratando de um jeito tão descontraído.

“Bom, estou realmente com sono agora, então vou dormir um pouco até a hora do trabalho...”

“...? O que houve?”

“Você quer uma... camisinha? Tenho uma que meu ex-namorado deixou aqui... Ah, não, você não precisa disso.”

“...Como assim?!”

Pela primeira vez na vida, perdi a paciência com alguém.

Ao me ver irritada, Kaoru-san riu como uma diabinha, "Heeheehee..." e saiu do barzinho como um vulto.

...Retiro o que disse antes. Eu sabia. No fundo, tenho a impressão de que ela está sempre nesse tipo de humor…

"... Você conheceu bem a minha irmã em tão pouco tempo."

"Ai!?"

Ouvi a voz do Mashima-kun vindo bem de trás de mim, embora ele devesse estar na cozinha, e soltei um grito.

Acho que gritei o suficiente para uma vida inteira só hoje!

"Ma...ma... Mashima-kun, você ouviu sobre o que estávamos conversando...?"

"? Não, acabei de voltar da cozinha."

"Ah, entendo..."

Meu coração ainda bate forte no peito... Isso não é bom…

"Enfim, o almoço está pronto; algo simples."

Dizendo isso, Mashima-kun trouxe uma tigela fumegante para a mesa.

O aroma do vapor, um cheiro relaxante e apetitoso…

"...É Ochazuke?"

"Ochazuke de salmão. Desculpe pelo improviso, mas aqui, pegue isto."

Mashima-kun me estendeu uma colher. Como ele consegue ser tão gentil com as pessoas, aconteça o que acontecer? Eu nem sequer consegui cumprir a promessa que fiz à pessoa que amo… Eu sou patética…

A gentileza dele me toca e, mais uma vez, um ódio incontrolável de mim mesma cresce dentro de mim.

"Vou aproveitar para almoçar também. Vou sentar aqui."

"Desculpe..."

"O que houve?"

"Sinto muito... mesmo... pelo dia de hoje."

Quando disse isso novamente, meus olhos começaram a arder na hora.

Ah, minhas emoções... de novo, não estão nada bem.

Estou especialmente mal hoje. Eu não queria que o Mashima-kun me visse assim. “Eu te fiz uma promessa e... eu disse em voz alta e não a cumpri... Eu menti e menti de novo. Sinto muito, de verdade, eu...”

O Mashima-kun nunca mente. E eu menti para alguém como o Mashima-kun.

Traí a confiança que ele depositou em mim…

E ainda assim... ainda assim, ele continuou…

“...O que poderia ser mais importante do que a sua saúde física?”

Olhando diretamente nos meus olhos, como se aquela fosse a única verdade do mundo.

“Já ouvi desculpas mais do que suficientes; não estou nem um pouco bravo. As compras terminaram e o assunto está encerrado.” Ele disse isso de uma vez por todas.

“Está esfriando.”

“...Obrigada.”

... Ah, eu ainda não sou páreo para ele.

Murmurei um baixinho “Itadakimasu”, peguei uma porção e a levei lentamente à boca.

O aroma do arroz integral despertou meu apetite, e o salmão, suculento e salgadinho, derreteu na minha boca. Era algo quente e reconfortante; um sabor que me fez sentir relaxada de dentro para fora.

“... Comi meu primeiro Ochazuke* que não era instantâneo.”

“O arroz era, é claro, Koshihikari de Niigata; então, como poderia não ser bom?”

“É o melhor do mundo.”

“Não está exagerando um pouco?”

... Não, não, não. É o melhor do mundo.

“Você deve gostar muito de cozinhar.”

“Não sei se dá para chamar de cozinhar, mas minha irmã… Minha tia adora cozinhar, e foi ela quem me ensinou quase tudo.”

“Entendo.”

“Falando nisso, preparei um chá Kamimura; como ele é servido morno, o sabor adocicado fica mais intenso e fica delicioso.”

“... Você também gosta de chá?”

“Não tenho muito orgulho disso, mas possuo o primeiro nível de proficiência em chá japonês. Meu objetivo, futuramente, é me tornar um instrutor de chá japonês.”

“Não entendo muito bem do assunto, mas parece impressionante.”

“Ainda não cheguei lá.”

Ele parecia um tanto orgulhoso ao dizer isso.

“...”

Peguei a xícara e tomei um gole do chá verde límpido. Como folhas jovens brotando no início do verão, um aroma fresco, viçoso e adocicado chegou ao meu olfato, e de repente pensei: “Ainda não sei nada sobre o Mashima-kun.”

“... Mashima-kun.”

“Sim?”

“... Quero conversar com o Mashima-kun.”

“Nós sempre fazemos isso na escola, não é?”

“Não quero falar sobre isso. Quero conhecer você.”

“Eu?”

Mashima-kun parecia incomumente confuso.

“A história da minha vida não é interessante.”

“Qualquer coisa sobre a qual você queira falar, do que você goste, ou de que se lembre do passado.”

“Mas eu não sou muito bom em falar sobre mim mesmo, para começar...”

Mashima-kun ficou sem palavras. Ele olhou nos meus olhos e pareceu hesitar sobre algo, mas, após um momento de reflexão…

“... Não, não é nada. Sim, seria útil se você pudesse fazer perguntas.”

“Então, primeira pergunta: qual é a sua comida favorita?”

“Gosto de um doce chamado Bandai Taiko, uma especialidade famosa de Niigata feita pela Osakaya. Sabores novos, como morango, pêra, limão e manga só estão disponíveis em determinadas épocas do ano, mas nunca comi nada além do sabor tradicional. Acho que o padrão clássico é insuperável em tudo.”

“Qual é o seu programa de TV favorito?”

“Assisto principalmente à NHK e gosto de documentários sobre animais. Gosto da maneira impessoal com que eles apresentam apenas os fatos, de forma mecânica e sem qualquer subjetividade moralista. Pelo mesmo motivo, também gosto de ler livros ilustrados. Quando eu era criança, passava muito tempo na biblioteca lendo todos eles.”

“... Você fica bem de roupa casual.”

“Isto? Ontem, o Tatsuki Iwasawa e o Kawariku Arakawa me acompanharam para escolher. Camisa, calça e tênis: design o mais simples possível e feitos com os melhores materiais. São confortáveis.”

“A que temperatura você toma banho?”

“40 graus... Ei, isso é realmente divertido?”

“É divertido.”

“Mas...”

“É interessante, sim.”

Olhei diretamente para ele e disse com ênfase. Mashima-kun cruzou o olhar com o meu por um momento e, então, como se estivesse derrotado…

“... Certo, qual é a próxima?”

“Certo... então.”

Conversamos sobre muitas coisas. Para onde você gostaria de viajar? Qual é a sua estação favorita? Qual foi o primeiro livro que você leu? Bem, basicamente eu fazia as perguntas e Mashima-kun apenas respondia…

Mesmo assim, eu estava gostando daquele momento.

Rumores na escola, o olhar dos outros, a psicologia do amor e por aí vai…

Eu realmente gostava do tempo que passava conversando com Mashima-kun naquele pequeno espaço a sós com ele, longe de todas essas coisas.

Cheguei a desejar que aquele momento durasse para sempre.

“Qual é a sua música favorita?”

E, quando lhe fiz uma pergunta, pelo que parecia ser a milionésima vez…

“... Música favorita.”

Pela primeira vez, Mashima-kun não soube o que responder.

Ele havia conseguido responder a qualquer pergunta sem hesitação, mas, de repente, ficou em silêncio.

“O que houve?”

“... Por favor, espere aqui um instante.”

Mashima-kun levantou-se abruptamente do assento e caminhou direto para o balcão. Então, usando uma caneta touch no que parecia ser um tablet grosso apoiado ali…

“Você conhece esta música?”

Como se fosse um sinal combinado, a tela da TV, instalada bem no alto, mudou para outra imagem. O título de uma música apareceu na tela.

“Eu conheço...!”

Faz muito, muito tempo; provavelmente, eu ainda estava no jardim de infância. É uma música que tocava em um programa infantil... uma atração de cinco minutos com animação e música para m crianças, exibida à noite…

Fez tanto sucesso que se tornou um fenômeno social na época, quando foi apresentada nesse programa…

“Uau!!! Que saudade daquela época!”

A animação na TV estava exatamente como antigamente, e eu fiquei tão empolgada!

“Sinceramente, não sei... quais são as músicas que fazem sucesso hoje em dia, mas essa aqui me marcou muito.”

Dizendo isso, Mashima-kun tirou algo debaixo da TV.

Eram dois microfones.

“Antigamente, minha irmã costumava cantar para mim aqui. Para mim, que vivia chorando, repetidas vezes.”

“Você chorava...? Mashima-kun?”

“Houve uma época em que eu era assim, sabe.”

Mashima-kun estendeu um dos microfones para mim. Finalmente, percebi que aquilo era um “karaokê”.

“Ãh, o quê...?”

“Liguei o microfone; você lembra da letra?”

“De alguma forma... não! A gente pode cantar sem permissão!?”

Talvez, mas aqui é um barzinho! Não sei se precisa pagar ou algo assim…

“Desde que ninguém descubra, tudo bem.”

“Ãh...”

Eu não conseguia acreditar no que ouvia quando Mashima-kun respondeu de uma maneira tão incomum para ele. Não conseguia compreender o sentido das palavras dele e fiquei paralisada,

como uma estátua.

“Olha, a introdução está quase acabando.”

“Bom, Mashima-kun...?”

“Ai, meu Deus.”

E então olhei para ele.

Pude notar o Mashima-kun olhando de volta para mim;

Ele olhava para mim com um sorriso brincalhão e travesso, um sorriso tímido no rosto. Pude notar o seu olhar.

“Até eu fico com vergonha de cantar cantigas de roda sozinho.”

“Ah...”

Foi a primeira vez que vi esse lado da pessoa por quem eu tinha uma paixão secreta.

Fiquei tão chocada que fiquei atordoada por um tempo, e comecei o dueto com Mashima-kun a partir da segunda estrofe.

Tenho certeza de que Mashima-kun tem muitos outros lados que eu ainda não conheço. E, a cada vez que o vejo, gosto mais e mais dele.

...Aliás, abrindo um parêntese, parece que nem o Mashima-kun nem eu somos muito bons cantores…

Acabei conversando com o Mashima-kun até as 18h, horário de abertura do "Leo".

Não tinha percebido isso enquanto estava dentro do bar, que não tinha janelas, mas, ao sair, vi que o céu sobre Kamimura estava tingido de um tom de roxo claro.

Era o crepúsculo, a hora mágica, a chamada "hora do lusco-fusco".

"Muito obrigada pelo seu tempo hoje, Mashima-kun."

"Não precisa agradecer."

Foi o que respondeu Mashima-kun, caminhando ao meu lado pela rua, banhada pelas cores do pôr do sol, enquanto voltávamos para casa.

A princípio, eu havia recusado, dizendo: "Consigo sair do bar sozinha", mas Mashima-kun insistiu: "Fico preocupado com você, já que não está bem; vou acompanhá-la até em casa" — então aceitei a oferta dele.

"Eu agradeceria se você pudesse transmitir meus agradecimentos à Kaoru-san também."

"Certo, vou avisá-la."

"Eu realmente me diverti hoje..."

Não tenho como agradecer o suficiente ao Mashima-kun. Afinal, o pior dia da minha vida acabou se tornando o melhor dia da minha vida.

...Foi realmente um sonho realizado.

“A gente só conversou um pouco e cantou uma música, mas fico feliz que você tenha gostado. Falando nisso, e as compras?”

“Ah, é... tudo bem, de repente eu não preciso mais... de nada.”

A verdade é que não havia nada que eu realmente quisesse; e, embora eu fosse comprar um hidratante labial que vi por acaso outro dia, caso saísse para fazer compras com o Mashima-kun hoje, eu jamais poderia dizer isso.

“Ah, entendi. Tudo bem, então.”

“É...”

... Olho para o rosto do Mashima, tentando não ser notada.

Olhos estreitos e um olhar determinado. O vinco entre as sobrancelhas.

A expressão séria no rosto dele.

A testa lisa aparecendo por entre a franja repartida ao meio.

E, de perto, os cílios são surpreendentemente longos.

Eu poderia listá-los um por um, mas acabei perdendo a conta de novo.

Hoje, eu tive certeza. Eu gosto do Mashima-kun.

Mais do que de qualquer outra pessoa no mundo, tenho certeza disso.

“Os dias estão ficando bem mais longos.”

“É... verdade.”

Eu estava tão nervosa; estava meio aérea.

Porque as palavras “efeito crepúsculo” vinham rondando minha cabeça há muito tempo.

O efeito crepúsculo... o pensamento e o julgamento humanos ficam mais lentos por volta das 18h… Ou seja, agora é a hora em que as declarações têm mais chances de dar certo…

“...”

Engoli em seco.

Será que eu me declaro...!? Será...!?

Não, mas o Imamote disse que a melhor hora para fazer isso é no jantar do terceiro encontro! Hoje é só o nosso primeiro encontro! Duvido até que isso possa ser chamado de encontro, para começo de conversa!

... Mas acho que nunca mais terei um momento melhor do que este... Sinto que me aproximei do Mashima-kun ao longo do dia de hoje, e até cumprimentei a tia dele antes do previsto…

E agora... as coisas estão indo muito bem!

Eu caminhava ao lado do Mashima-kun e tenho certeza de que, por fora, eu parecia a mesma pessoa antissocial de sempre, mas, por dentro, eu era uma tempestade. Minha cabeça fervilhava, meu coração batia acelerado e meus joelhos tremiam descontroladamente!

Meu coração parecia que ia saltar pela boca no instante em que eu dissesse uma única palavra — que dirá uma confissão!

“...”

Enquanto caminhava calmamente, tentando não chamar a atenção, notei a mão esquerda do Mashima-kun balançando como um pêndulo.

Era uma mão masculina, com ossos e veias aparentes.

“...”

...Mesmo eu, tão tímida e retraída, não conseguia dizer uma palavra sequer.

...Mas se fosse uma ação...Talvez eu conseguisse...?

“...!”

Fechei os punhos por um instante e, então, estendi a mão lentamente.

O som das batidas do meu coração ficou tão alto que eu conseguia ouvi-lo bem ali, ao meu lado.

Como o Mashima-kun reagiria se eu segurasse a mão dele?

Estou morrendo de medo. Se ele se soltasse bruscamente, tenho certeza de que jamais me recuperaria. Mas, mesmo sabendo disso, reuni coragem para tentar; decidi ignorar os ensinamentos do Imamote por uma vez...

Estendi a mão…

“Ah, olha, aquele de agasalho esportivo é um dos nossos alunos.”

“Iiih!?”

Escondi-me por reflexo atrás do Mashima-kun quando ouvi isso, bem no momento em que nossos dedos estavam prestes a se tocar. Felizmente, eles caminhavam pela calçada do outro lado da rua e não nos notaram, passando por nós enquanto conversavam e riam…

Que péssima hora! E eu tinha reunido toda a coragem que possuía!

“E-eu levei um susto...”

As palavras, ditas com um suspiro de resignação, não significavam nada além daquilo.

Mas, por algum motivo… O Mashima-kun lançou-me um olhar que parecia um tanto triste…

Logo em seguida, voltou o olhar para o caminho que seguia e disse algumas palavras. “... Afinal, você não quer ser vista comigo, não é?”

“......... O quê?”

“Vamos nos encontrar e conversar uma última vez.”

Eu não conseguia entender, não conseguia acompanhar. Minha mente simplesmente ficou em branco e eu parei ali mesmo.

As únicas palavras que saíram foram:

“... Por quê?”

Foi só isso.

Mashima-kun também parou.

“... Fiquei pensando nisso o dia todo.”

Mas ele não olhava para mim.

“... Fiquei preocupado com você até você aparecer no ponto de encontro; por isso, entrei em contato com várias pessoas, principalmente alunos da Escola Kamimura, para ver se sabiam alguma coisa sobre Saki Takane. Não só isso, mas corri da estação carregando você nas costas.”

Isso é algo que eu realmente... agradeço do fundo do meu coração.

Por que você parece tão triste, Mashima-kun?

“Kamimura é pequena... e, na verdade, vários alunos da Escola Kamimura nos viram enquanto eu carregava você para dentro do Leo. Até o fim da semana, você pode acabar sendo assunto de boatos na escola.”

Bem, é claro, isso pode ser constrangedor.

Se Mashima-kun disser que não quer que esses boatos se espalhem, eu pedirei desculpas a ele quantas vezes for preciso e corrigirei os boatos que circularam, conversando pessoalmente com cada uma daquelas pessoas.

Mas então, por quê?

Mashima-kun está tão… Triste…

“Você está apaixonada por outra pessoa. Não quer que surjam boatos sobre nós.”

...

......

.........?

“Bem, não sei quem é, mas tenho certeza de que vai dar tudo certo. Você tem uma aparência linda, notas excelentes, bom caráter, calor humano e delicadeza, além de um forte senso de cumprimento das normas... Tenho certeza de que seu charme chegará à outra pessoa.”

Silêncio.

Silêncio.

“E tenho vergonha de admitir que nunca estive em um relacionamento antes. Deve haver alguém mais qualificado para conversar com você.”

Silêncio.

Silêncio.

“Se você ainda quiser falar comigo, por favor, entre em contato... Sim, pelo MINE. Sabe, posso conversar com você agora, se quiser. Mas eu não acho que não tenho muitos conselhos a dar...”

Silêncio.

Silêncio.

“Sim, seria bom. Só para referência, gostaria de lhe perguntar...”

“Que tipo de pessoa é aquela por quem a Saki Takane nutre sentimentos?”

...Naquele momento.

Em um mundo que parecia infinito e vazio, algo violentamente colorido, algo explodiu...

Eu.

“...16 anos de idade.”

“A mesma idade que a gente, então?”

“1,75 metro de altura, pesando 62 quilos.”

“? Esse é um número bem específico.”

“Tipo sanguíneo A. Aniversário em 3 de maio, Dia da Constituição.”

“...É mesmo?”

“Ele tem a franja repartida ao meio, sem cobrir os olhos, cílios longos, sobrancelhas retas e bem cuidadas, vincos profundos entre as sobrancelhas, nariz reto e lábios finos.”

” ... Saki Takane? O que você está...”

“...Ele carrega a caderneta escolar consigo o tempo todo e sabe recitar de cor as regras e o hino da escola. Ele também tem a capacidade de memorizar nomes e datas de aniversário de pessoas de uma só vez.”

“...”

“De personalidade conservadora, valoriza a disciplina e a tradição; não é fã de novidades e reluta em mudar. No entanto, não é uma pessoa negativa e tem flexibilidade suficiente para aceitar mudanças se as considerar benéficas.”

“...”

“No que diz respeito ao chá japonês, ele possui a certificação de primeiro nível da cerimônia do chá. Seu sonho é tornar-se instrutor de chá japonês no futuro.”

“...”

“Sua comida favorita são os famosos doces de Niigata, Bandai Taiko, e ele só come pratos simples. Não coloca acompanhamentos extras na sua tigela de carne ( gyudon ) e toma banho a exatos 40 graus Celsius. Não é do tipo aventureiro.”

“...”

“Só assiste à NHK e gosta de documentários sobre animais.”

“Ele pune os outros severamente por seus erros, mas nunca menospreza o caráter deles. Todos sabem disso, mas ele tem um lado distorcido que o faz acreditar que é uma pessoa antipática.”

“Durante o intervalo do almoço, ele costuma comer sozinho na escadaria em frente à saída para o terraço.”

“Você é alguém que percebe muito bem as outras pessoas, mas, quando se trata de si mesmo, é terrivelmente sem graça.”

“...Se eu não chegasse a dizer isso... você não entenderia?”

“......Você.”

“... É você.”

“Você, você, você, você, você, você, você.”

“...Como poderia ser outra pessoa além de você!?!?”

Minha voz ecoou pelo intervalo entre o dia e a noite em Kamimura.

Não havia mais ninguém no mundo além de mim e do Mashima-kun.

“O motivo de eu ter me atrasado hoje foi que fiquei tão feliz por poder conversar com o Mashima-kun no MINE que não consegui dormir!”

“Fiz questão de procurar o Mashima-kun porque queria almoçar com você!”

“Chorei na frente do Mashima-kun porque estava preocupada que você pudesse achar que eu era estranha!”

“Resumindo.”

“Resumindo...”

Depois de despejar tudo o que eu guardava no coração, um silêncio profundo pairou sobre nós.

“Hah... hah...!”

Deixei meus ombros subirem e descerem, transformando em um sopro quente a fumaça que parecia nublar minha mente, e expirei em direção ao asfalto.

E, depois de repetir isso algumas vezes…

De repente, voltei a mim.

“......?!”

Levantei o olhar e vi.

Nunca tinha visto aquela expressão no rosto do Mashima-kun antes…

“... Desculpe...”

Não sei qual era a intenção dele ao dizer aquelas palavras.

Mas, assim que as ouvi, gotas quentes escorreram dos meus olhos e caíram no asfalto.

“Ah!!”

...Depois disso, não me lembro de mais nada. Corri para casa numa agonia só, sem me importar se alguém me via…

Dei por mim chorando sob as cobertas.

E, como uma tola, continuei chorando até o amanhecer.

O vestido de peça única, na cor de folhas novas, que eu tanto me dera ao trabalho de comprar, ficou todo amassado em apenas um dia.

Moon: O QUÊ, O QUÊ, O QUÊ, O QUÊ… GENTE, QUANDO EU PEGUEI ESSE CAP, E VI A IMAGEM, PQP AAA, SURTOS…!!! E tudo na visão delaaaaa, seloko, amei!

Enfim, nosso Kengo finalmente abriu os olhos, mas que coisa viu… Tadinho porque ele também gosta dela e ficou preocupado, mas compreensivo e no final ela corre… Próximo cap que eu to ansiosa papo 10!! Enfim parte 2, imagem original não editada (flwssss):

Imagem: “Anata ga Suki nan desu yo”

Sol: A Moon nem me deixou espaço para comentar, senhorita gente boa. Mas sério de tantas palavras, tantos jeitos de ele se expressar ele escolhe “ ... Desculpe...” eu to quase puxando a coalizão do Sasakin pra ele também, pô não é possível, mas a Saki se esforçou tanto, criou coragem principalmente depois de desmaiar por não dormir nem comer direito e ser cuidado em um BAR da “irmã // Tia” dele, isso é loucura. Vou trucidar esse mlk! Bom vamos ver se ele vira gente, por enquanto vejo vocês no proximo.

Traduzido por Moonlight Valley

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Fim da leitura

Capítulo 5 concluído

Volume 1 – Capítulo 4 – Capítulo 4: Confissões Deveriam Ser Feitas Ao “Crepúsculo”