Parece que a Takane-san Gosta de Você — Capítulo 6: Volume 1 – Capítulo 5 – Capítulo 5: 90% Dos Fatores Para Um Amor Pleno São Coragem E Perseverança

Parece que a Takane-san Gosta de Você
Cap. 6
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Parece que a Takane-san Gosta de Você

Volume 1 – Capítulo 5 – Capítulo 5: 90% Dos Fatores Para Um Amor Pleno São Coragem E Perseverança

Capítulo 6

9.399 palavras~41 min de leitura

■ Kengo Mashima ■

Há uma superstição entre os cidadãos de Kamimura de que o Grande Festival de Kamimura sempre acaba sendo um festival chuvoso.

Primeiro, deixe-me explicar sobre o Grande Festival de Kamimura.

O Grande Festival de Kamimura é um festival tradicional que existe há quase 400 anos, desde a era Kan'ei, quando Kamimura era uma cidade-castelo.

O festival dura três dias, de 6 a 8 de julho.

Inúmeras barracas se alinham pelas ruas, e a visão dos muitos carros "Oshagiri" desfilando pela cidade é verdadeiramente um espetáculo para se ver.

Hoje é 7 de julho, o dia principal do festival.

Este é o dia mais animado do ano na cidade rural de Kamimura.

... No entanto, nesta época do ano, Kamimura está no meio da estação chuvosa.

O Grande Festival de Kamimura geralmente é realizado em meio à umidade e às longas chuvas, e é por isso que é chamado de "Festival da Chuva"...

Hoje, porém, o tempo estava limpo e ensolarado, o que era realmente incomum.

Tão incomum que os cidadãos de Kamimura mencionaram o clima de hoje como se fosse uma tempestade de poeira, e até mesmo o assunto principal dos estudantes era "O Clima de Hoje".

No entanto, apesar do céu azul agradável, eu estava...

"Ah ──────, Kengo ────!"

Eu estava sentado à minha mesa com o rosto apoiado na mão quando fui surpreendido pela voz de Arakawa chegando perto dos meus ouvidos. Olhei e vi o Iwasawa ao lado dele.

"Ah... vocês, o que há com as aulas? Por que estão aqui?"

"O quê?"

"O que você está dizendo, Mashima-kun? A aula já acabou."

Fiquei surpreso e olhei ao redor.

Havia apenas algumas... pessoas por perto. Os ponteiros do relógio marcavam 15:30.

"Ah, entendo, já é depois da escola..."

Eu disse, e Arakawa e Iwasawa se entreolharam desconfiados.

"...O Kengo está meio distraído no último mês."

"É desde o dia que ele foi fazer compras com a Takane-san e tal... não é? Até no festival de ginástica, eu senti que sua mente não estava no lugar certo, então o que está acontecendo?"

Quando ele mencionou o nome de Takane Saki, senti como se meu coração tivesse sido tocado diretamente.

"Não é... nada."

"Bem, essa é a quinta vez que você diz isso."

"Hoje temos a grande tarefa de fazer a ronda no festival principal."

...O festival principal do Grande Festival de Kamimura geralmente atrai um grande número de pessoas todos os anos. O evento atrai não apenas estudantes da Escola Kamimura, mas também de outras escolas de ensino médio da província e além, como a Escola Nakayama e a Escola Shimokawa...

Como um evento de grande escala, sempre há algum tipo de problema todos os anos.

Também era importante a tarefa dos membros do Comitê de Disciplina Pública garantir que nossos alunos da Escola Kamimura não se envolvessem em nenhum problema.

"É um dia bonito e há muitas pessoas aqui, e não gosto do seu jeito de agir."

"Você vai ter que desistir e conversar conosco, ok?"

"Não, mas..."

Não havia como eu estar disposto a falar sobre esse tipo de coisa para os outros, pela própria reputação dela.

Além disso, este é um assunto que eu tenho que resolver sozinho...

"Eu sei o que o Kengo está pensando."

"Como você sabe!?"

"O Kengo é muito fácil de entender."

"...Quer dizer, você não consegue resolver seus problemas sozinho, e é por isso que está nessa situação agora, certo?"

"Ugh..."

Foi doloroso ouvir ele dizer isso.

"Há uma diferença entre contar para todo mundo e pedir ajuda, então confie em nós e peça ajuda."

"Oh, sim, confie em nós, não contaremos a ninguém."

"Se o Tatsuki contar isso a alguém, eu bato nele por você, ok?"

"...Hahaha."

"Vocês..."

Confiança e consulta, hein?

Desculpe, Saki Takane, eu peço desculpas por qualquer coisa.

"...Vamos para outro lugar."

Então deixe-me pedir ajuda a eles desta vez...

No lugar mais escuro do estacionamento de bicicletas.

Enquanto um coro de cigarras e as nuvens nos observavam, terminei de contar a eles o mais precisamente possível como cheguei a almoçar com a Takane Saki na escada em frente ao terraço, o que aconteceu no 'Leo' há um mês e o que aconteceu no caminho de volta de lá.

"Sério...?"

"Você está falando sério...?"

As primeiras palavras de Iwasawa e Arakawa foram exatamente as mesmas.

Eles estavam segurando a cabeça com as mãos, começando a dizer algo e depois parando, e soltando um suspiro.

"Uau──Sério…── está ficando realmente complicado..."

"A Saki é incrível... como ela conseguiu fazer tudo isso contra o Kengo?"

"...Só para ter certeza de que não estou enganado, isso é tudo culpa minha, certo?"

"U...h... O que você acha... Arakawa?"

"Pessoalmente, eu daria o benefício da dúvida para a Saki-chan, mas... o Kengo é o Kengo, você sabe."

Não sei o que ele quis dizer com isso, e isso não respondeu à minha pergunta, mas Iwasawa parecia convencido.

"Bem, seja como for, no final foi culpa do Kengo por fazer uma garota chorar."

"...É verdade."

Até eu sabia disso.

"Então? Você respondeu à confissão dela?"

"... Não."

"Eh!? Já faz quase um mês se não me engano! Você não falou com ela desde então!?"

"Eu... também sei que tenho que dizer algo a ela. ... Mas desde aquele dia, ela tem me evitado. Saki Takane foge só de ver o meu rosto."

"Bem, eu entendo como a Saki-chan se sente."

"...E mesmo se eu conseguisse falar com ela, eu não saberia o que dizer a ela."

Não acho que isso seja típico de mim.

"... Sou mais imaturo do que qualquer um, então só consigo permanecer no caminho reto e estreito."

Mas assim que começo a falar, o eu fraco que tenho suprimido no peito inevitavelmente aparece.

"Sou um ser humano imperfeito que não consegue tomar nenhuma decisão sem se dividir entre esquerda e direita, branco e preto, bem e mal. ...Por isso pensei que tinha escolhido fazer apenas o que era certo."

Mas a verdade é que eu sabia.

Este não é um mundo digital de 0s e 1s, mas um mundo mais analógico de ambiguidade e imprecisão.

Há uma abundância excessiva do meio-termo, do quase-preto, do cinza e do hipócrita.

Eu sabia que havia mais deles do que qualquer outra coisa.

Eu sabia disso, e pensei que seria um ato de arrogância para mim, uma pessoa inexperiente, julgar por mim mesmo.

Mas ainda assim...

"...Parece que cometi um erro novamente, magoei profundamente a Takane Saki."

"..."

"..."

Arakawa e Iwasawa se entreolharam.

E... Arakawa olhou para mim e disse:

"... Bem, vamos deixar esse negócio complicado de lado, ok?"

"Deixar de lado!?"

Não pude deixar de levantar a voz.

Pensei que estava falando sério, mas não estava.

"Vamos deixar isso de lado."

"O que é importante agora é o que o Kengo quer fazer, não o que é certo ou errado, ok?"

Os dois soltaram um suspiro ao mesmo tempo e continuaram de maneira muito teatral.

"Hmm? Se não me engano, o Mashima-kun também gosta da Takane-san... Oh, meu Deus, Arakawa, acho que sei a solução para esse problema."

"Que coincidência, acho que sei a solução também..."

"Ah... eu não tinha ideia de que havia uma frase mágica que poderia reparar seu relacionamento com a Takane-san com apenas isso..."

"O que devemos fazer? Tatsuki, posso dizer? Posso dizer?"

"...Desculpe, mas não podemos ajudá-lo."

"Desculpe, não posso fazer nada a respeito. Por favor, me diga."

Depois que levantei a bandeira branca e houve uma pequena peça em que Iwasawa desistiu do direito de responder para Arakawa, Arakawa apontou o dedo indicador para mim e disse:

"Kengo ainda não disse nada para a Saki-chan, ainda nem começou."

Eu ainda não disse nada para Saki Takane...?

"... Realmente."

Essas foram exatamente as palavras, as palavras mágicas.

"... Bem, isso é certamente verdade..."

Repito várias vezes, como se estivesse mastigando.

...Sim, é isso mesmo.

O que eu deveria dizer a ela?

Saki Takane havia se expressado tão claramente e com tantas palavras.

Eu não transmiti uma única palavra minha para Saki Takane.

"Deveria ter dito a ela... como me sinto?"

Se eu fosse me preocupar, teria que começar primeiro.

Foi como se um raio de luz tivesse brilhado na escuridão sem saída.

O Arakawa e o Iwasawa estão sorrindo com satisfação para mim.

... Bem, confiança e consulta são boas!

"Arakawa! Iwasawa! Obrigado! Quando terminar a ronda hoje, farei o que for preciso para que Takane Saki saiba como me sinto!"

"Ah... ainda bem, o Mashima-kun finalmente voltou ao seu eu normal."

"Tudo bem, vamos fazer uma ronda rápida hoje, e depois vamos às barracas e pensar em como podemos criar um lugar para o Kengo e a Saki conversarem."

"Arakawa, você está certo. Vou comer uma maçã do amor."

"Bananas de chocolate."

Enquanto Arakawa e Iwasawa se divertiam planejando suas comidas de rua favoritas, eu ainda tremia com a emoção remanescente do evento.

...Foi tão simples.

Eu só preciso dizer a ela como me sinto, sem nenhum rodeio.

"Uma coisa tão simples..., não acredito que gostei de alguém por três anos e não percebi..."

"Baby castella... hmm?"

"Hmm?"

"Hmm?"

Ambos responderam ao meu murmúrio casual.

O que foi?

"... 3 Anos? Você está falando da Saki-chan?"

"Sim?"

"... Não! Tenho muitas perguntas que quero fazer! Primeiro, vocês dois se conhecem há tanto tempo?"

"Hã?"

Não pude deixar de franzir as sobrancelhas.

"Mas do que vocês estão falando? Eu, Arakawa, Iwasawa e Saki Takane éramos todos alunos da mesma escola de ensino fundamental."

"O quê?"

"O quê?"

"Vocês realmente não se lembram... não é? Ficamos juntos por três anos e vocês são um bando de pessoas sem coração, lembram do verão do nosso terceiro ano quando fui suspenso da escola, aquela garota era a Saki Takane."

"..."

"...?"

Os dois, cujos rostos pareciam pombos que foram atingidos por um estilingue, congelaram em silêncio por um momento.

Então...

""Ah ──────────!?!?!?""

Ambos gritaram em uníssono.

"A Takane-san era aquela garota!? Não acredito!? Eu não sei, mas se você me perguntar, ela certamente tinha um nome assim...!?"

"Eu não sei, a impressão que tive era tão diferente! Pensei que ela vinha de outra escola de ensino fundamental..."

"... Vocês realmente são um bando de pessoas sem coração, vocês deveriam pelo menos lembrar dos alunos da mesma escola, mesmo que estejam em classes diferentes."

"Não, mas nós estávamos... naquela época, hein?"

"Naquela época, não nos importávamos com..., você sabe, não nos importávamos com a escola...? Nós éramos meio que uns valentões...?"

"Qual é o problema com vocês? Não ajam como se fossem legais."

"Não, mas...! Quando ouvi essa história, tudo fez sentido para mim! As razões pelas quais a Takane-san gosta do Mashima-kun e todo o resto...!"

"Seja como for, é hora de fazer a ronda, então vamos parar com essa conversa fiada e ir para o evento."

""Você é sério demais───!""

Iwasawa e Arakawa pareciam estar prestes a ter um ataque cardíaco.

Como acho que já mencionei antes, eles são uma dupla desproporcional, mas estão sempre em sintonia um com o outro em momentos como este.

■ Takane Saki ■

Depois da escola, em minha sala de aula vazia de sempre, eu estava apoiada na mesa como uma lesma deixada ao sol escaldante.

Deixe-me dizer antecipadamente que isso não foi causado pelo verão de Kamimura.

"Hoje faz exatamente três meses."

"..."

Yuka-chan disse, olhando para o peito aberto de sua blusa, com o segundo botão desabotoado, e a parte de baixo achatada.

Era a última coisa que eu queria ouvir no mundo naquele momento, o que me fez ficar ainda mais como uma lesma.

"...Ele me odeia."

Eu disse em voz abafada, enquanto me inclinava sobre a mesa.

"Com certeza, sou odiada... deixei minhas emoções temporárias falarem mais alto... e contei ao Mashima-kun, algo tão..."

Totalmente hilário, não é?

Eu ia confessar a ele dentro de 3 meses, mas nunca esperei que ele me odiasse dentro de 3 meses.

Ah, mas talvez houvesse a possibilidade de que Mashima-kun não gostasse de mim desde o começo, e que ele, sendo gentil, tivesse me dispensado de forma indireta o tempo todo, certo? Haha.

...Seja como for, foi tudo por causa daquele "Desculpe".

"Não tenho mais cara para encontrá-lo..."

Na verdade, não vejo Mashima-kun desde o incidente.

Não consigo nem ler as mensagens do MINE dele.

Também tenho medo disso.

...Tenho medo da reação de Mashima-kun.

Tenho medo de ser claramente rejeitada.

Mas ser tratada com palavras gentis ── tenho ainda mais medo.

"Sh..s...s..."

Comecei a soluçar baixinho, mas Yuka, talvez por preocupação, não disse nada.

Porque eu, uma iniciante na arte do romance, fui tão arrogante a ponto de ignorar os ensinamentos do Imamote, e acabei na ira da Grande Deusa Mori.

Quando percebi isso, já era tarde demais para mudar as coisas.

Mesmo no Imamote, como esperado, não havia instruções sobre como abordar uma pessoa que não gosta de você.

Mesmo Mori-sensei, com toda a sua sabedoria, não seria capaz de lidar com uma situação como esta.

"Ugh, ugh..., quero voltar a 3 meses atrás..."

Quero voltar àqueles dias em que ainda podia conversar normalmente com o Mashima-kun e recomeçar tudo de novo. Então, pelo menos, as coisas não estariam piores do que estão agora...

Eu estava mentalmente exausta a ponto de pensar em tal fuga da realidade.

— Foi quando aconteceu.

"Com licença~."

De repente, a porta deslizante da sala de aula vazia foi aberta.

Essa voz...

Enxuguei as lágrimas com a manga da blusa e levantei a cabeça.

"...Hirabayashi-san?"

"Oh, aqui está você afinal. Estou procurando você há algum tempo."

Minha companheira de Imamote que conheci na enfermaria – Keiko Hirabayashi-san da Classe 2A, entrou na sala parecendo mais animada do que antes.

"Ah, faz um tempo, há algum problema...?"

"Vim ver a Takane-san, está tudo bem agora?"

"Ah──...Keiko, certo? Estamos na mesma classe..., mas agora é um pouco..."

Yuka-chan disse isso e olhou para mim.

O que posso dizer, Yuka-chan é gentil comigo, então gosto dela.

"...Não, tudo bem, Hirabayashi-san é minha amiga de Imamote."

"Imamote..., sim Imamote, somos amigas de Imamote, não somos? ...Tenho um presente para você hoje, minha amiga de Imamote, Takane-san...!"

Yuka-chan inclinou a cabeça, "Amigas de Imamote...?" Mas Hirabayashi-san não deu atenção e puxou dois livros de uma bolsa que carregava na mão.

"Bem então...! Aqui, estes são para você, e já que estamos embaladas, aqui está um para você também."

Hirabayashi-san oferece os livros para mim e para Yuka-chan, um de cada vez.

O que é...?

Olhei para a capa do livro que recebi.

"O quê!?"

Fiquei surpresa.

"I-Imamote!"

E não apenas um Imamote qualquer.

Este é... o trabalho mais recente da Mori-sensei!

"'Fique popular agora! Curso Super de Psicologia do Amor 2'!?!?"

"C-como..."

Sou uma verificadora constante das redes sociais da Mori-sensei.

É claro que eu sabia sobre a sequência do Imamote, ... mas isso não deveria ter sido lançado ainda!

"Como Hirabayashi-san conseguiu isso!?"

Quando perguntei com voz trêmula, Hirabayashi-san respondeu com naturalidade.

"As cópias de amostra acabaram de ser impressas e estou distribuindo para todos que conheço! Chama-se oferta de livro! Estou tão feliz que vocês duas estavam tão entusiasmadas em ler meu livro, então estou fazendo um sorteio especial para leitores!"

"Eh?"

"Hah?"

"Hã?"

Uma atmosfera estranha fluiu entre nós três. Ou melhor, essa forma de falar da Hirabayashi-san, eu nunca pensei...

"Oh, isso...? Eu não te contei? Sou a Mori, a autora de romances... Veja, meu nome é Keiko, certo? Se você quer esconder o 'Ki', você tem... Mori."

......

............

...................... Eh?

""O quêêêê!?!?""

Gritamos.

Yuka-chan e eu não tivemos escolha a não ser gritar diante da revelação chocante.

"Hirabayashi-san é a Mori-sensei!?"

"Isso significa que você escreveu este livro!?"

"Sim, isso mesmo, mas...?"

Sim, mas...!

Autora de romances!?

Uma grande defensora. O que é a pessoa mais forte, invencível e popular, que é bem versada em todos os estudos, antigos e modernos, orientais e ocidentais!?

Quem é a Grande Deusa Mori!?

"Ah!? Será que a Hirabayashi-san é na verdade a garota mais poderosa e popular com os garotos, com as técnicas que cultivou!?"

"Um grande atleta não é um grande treinador, e vice-versa, é claro. Por Mori── Lamento dizer que nunca segurei a mão de um garoto. Estou na internet há algum tempo, e tenho dado conselhos a muitas pessoas sobre relacionamentos, você não viu o aviso de abertura...?"

"...!?"

Neste exato momento, tudo em que acreditei desabou com um estrondo, e eu desabei novamente.

Isso é exatamente o que significa ficar de boca aberta...

"Oh não..., não me diga que... Mori-sensei não sabe nada... sobre Psicologia do Amor?"

"Aaaahhhh! A Saki Saki vai quebrar!"

Yuka-chan balançou meu ombro em pânico, mas talvez eu não consiga mais me levantar...

"O que há de errado?"

"É sua culpa! ... Oh, não, espera um minuto! Saki Saki! Ei! Volte para mim, rápido!"

"...Hã?"

"───Pense ao contrário! Agora mesmo, você tem sua professora dos sonhos, Mori, bem na sua frente! Se é assim, por que não pede conselho diretamente a ela sobre sua vida amorosa? Talvez ela tenha algumas técnicas secretas!?"

"...Ah!"

Voltei à realidade num instante.

Sim… Yuka-chan tem toda a razão!

Mesmo que a verdadeira identidade de Mori-sensei seja Hirabayashi-san, isso não muda o fato de que a pessoa que está na minha frente agora é a Mori, a autora de romances que admiro há tanto tempo!

"Eu imploro, Grande Deusa Mori! Por favor, ajude-me, uma pessoa tão humilde como eu, com conselhos amorosos e ensine-me como fazer o romance funcionar para mim!!"

"Uau, a Saki Saki está de joelhos..."

"Não me importo."

"E aqui está um pouco de luz."

"Só para que eu possa lhe dar conselhos precisos, por favor, conte-me tudo desde o seu primeiro encontro com Mashima-kun."

"Meu primeiro encontro com Mashima-kun..."

A época em que Mashima-kun e eu nos conhecemos.

Então, inevitavelmente, tenho que falar sobre meu passado, do qual queria me afastar.

"..."

Só de lembrar daqueles dias, meu coração se sente esmagado.

Eu não queria lembrar se pudesse.

Mas...

"Vou falar, por favor."

Isso é muito melhor do que terminar meu relacionamento com Mashima-kun assim.

Comecei a falar lentamente.

Aqueles eram os dias, naquela época, quando eu ainda estava em Tóquio.

■■■■

Saki Takane, 15 anos, no terceiro ano do ensino fundamental.

Não nasci e cresci em uma família particularmente rica, e a única razão pela qual comecei a frequentar a Escola Kamimura Higashi, na cidade de Kamimura, foi porque era convenientemente perto de casa.

No entanto, este lugar tinha uma reputação um pouco... ok, talvez mais do que um pouco, ruim em termos de segurança.

"Que droga, aquele careca! Agindo todo importante só porque pode comer fora!"

"Iih!?"

Um dia, enquanto eu andava pelo corredor, ouvi uma voz furiosa e o som de algo sendo chutado vindo de trás.

Imediatamente me escondi atrás de algo.

"..."

Espiando do meu esconderijo, vi dois estudantes do sexo masculino com uniformes desalinhados saindo da sala dos professores. O mais alto era o Kawariku Arakawa, e o mais baixo era o Tatsuki Iwasawa.

Eles eram famosos por todas as razões erradas até mesmo na Escola Kamimura Higashi, e hoje pareciam estar particularmente irritados.

Aquele barulho anterior deve ter sido o som do Iwasawa chutando a porta da sala dos professores.

"Ei, Tatsuki, para com isso! Não quero que meus pais sejam contatados de novo."

"Que droga! Deveria denunciar aquele careca ao PTA pelo que ele fez com a estagiária de verão no ano passado?"

"...Hã!? Sério!? Aquele cara de óculos? A estudante universitária peituda?"

"Sim, sério! Não subestime minha rede de contatos... Oh, estou tão irritado que vou contar tudo agora! A sala dos professores...! O professor da Classe B, Nuno-san, está tendo um caso com a estagiária!"

"Uau, seu idiota!"

"Hahaha...!"

Antes que a porta da sala dos professores se abrisse com Nuno-san com o rosto vermelho de raiva, os dois caíram na gargalhada e saíram correndo pelo corredor. Eu assisti às suas palhaçadas das sombras na esquina do corredor.

...Bem, esse é o tamanho do problema de segurança aqui.

Outros incidentes incluíam janelas quebradas, cadeiras caindo dos andares superiores e estudantes circulando livremente pelos corredores durante a aula, entre outros.

Este era o dia a dia em nossa Escola Higashi da cidade de Kamimura.

Devo esclarecer desde o início que era apenas uma proporção um pouco maior desse tipo de pessoa, não todos na Escola Higashi.

Como esperado, eu era uma das estudantes que não se encaixava nessa descrição.

E para aqueles que não se encaixavam, havia uma missão importante: ── descobrir como sobreviver a esses três anos.

Era maio, depois da escola.

"Saki, você está atrasada..."

Fui chamada de repente pelos meus colegas de classe e corri para trás do prédio da escola. Tentando recuperar o fôlego.

"D-Desculpe... fui parada por um professor."

Eu forcei um sorriso, não um genuíno, não um natural, não um sorriso de amizade. Era apenas um sorriso forçado e patético.

"Ignore o professor~, Saki. Nossa amizade é mais importante, certo~? E eu sempre te digo para sair quando eu chamo, certo?"

"Vamos lá, Ai-chan, isso é assédio!"

"Saki, você deveria se desculpar de novo. Ai-chan fica com raiva tão facilmente!"

Elas estavam me provocando, e eu fui na onda.

"Ehehe...Ai-chan, me desculpe."

Entre as muitas estratégias de sobrevivência, eu escolhi este "sorriso".

Era como uma bandeira de rendição total, onde eu não afirmava nada, não me destacava e simplesmente transmitia que não tinha intenções hostis com este sorriso.

Era minha maneira de navegar como uma garota de ensino médio discreta, nem um ativo nem um passivo.

Elas também não eram monstros. Se eu levantasse esta bandeira branca, elas...

...Claro, eu poderia ser provocada um pouco, mas não seria tão ruim.

Elas até me deixariam entrar no grupo delas.

Hoje, Ai-chan me convidou para os fundos do prédio da escola, dizendo: "Vamos fazer algo divertido." Mas o que poderia ser tão divertido?

"–Oh, a Saki-chan está aqui?"

Uma voz masculina muito familiar veio de trás, me fazendo estremecer.

Não percebi até agora, mas ele é definitivamente...

"...Você, o da Classe A, Haruto Miyanoshita, certo?"

Eu mal conhecia os garotos, ou melhor, não conhecia nenhum.

No entanto, eu o conhecia.

Haruto Miyanoshita, 3º ano, Classe A.

Provavelmente porque ele estava consistentemente no topo das provas regulares, era o craque do time de futebol e, sem mencionar, tinha boa aparência.

Ele tinha sido um tópico frequente de conversa entre as garotas.

"Oh? Saki-chan me conhece? Estou emocionado! Vamos tirar uma foto comemorativa."

Haruto de repente apontou a câmera do seu smartphone para o meu rosto e tirou uma foto.

"Ah, uh...foto...?"

“Não é demais? Esse celular tem câmera dupla de qualidade absurda, carrega sem fio... e ainda vem nesse dourado champanhe chiquérrimo!”

Na verdade, eu queria que ele deletasse a foto...

Mas essa não era a minha personalidade. Simplesmente coloquei aquele "sorriso" de novo para parecer legal.

"Ei, Haruto, chega de exibir o smartphone, ok? Eu trouxe aquilo como você pediu."

Talvez Ai-chan não tenha gostado da situação em que Haruto estava prestando atenção em mim.

Ela disse isso com uma voz doce.

Agora que penso nisso, acho que ouvi em algum lugar que Ai-chan gostava do Miyanoshita-kun.

"Oh, foi mal, foi mal. Vamos começar então. Seria um problema se um professor aparecesse."

"Sério, toma cuidado! Roubei do meu irmão. Hum..."

Dizendo isso, Ai-chan mexeu em sua bolsa de esmalte.

...Na verdade, eu já tinha sentido isso vagamente há algum tempo.

Neste canto abandonado do prédio da escola, longe do olhar do professor, eles iam fazer algo "divertido".

Eu tinha sentido, mas não tive coragem de fugir.

"Cada um pega um, não mais, ou seremos pegos."

Ai-chan tirou uma pequena caixa de papel do tamanho de uma palma da mão.

Até eu podia dizer que não era uma caixa de lanches.

"Saki, segure isso. Vou procurar o isqueiro."

"Hum, mas isso é, bem..."

"Rápido."

As palavras enérgicas de Ai-chan não me deixaram escolha.

Sentindo-me patética, submissa e covarde, respondi relutantemente,

"...Está bem."

Mesmo que o que a Ai-chan me entregou fosse apenas uma caixa de papelão, tocá-la me fez sentir como se tivesse me tornado uma criminosa num instante.

Tremedeira por todo o corpo, querendo desesperadamente soltá-la e escapar de volta para minha vida cotidiana habitual.

Mas meu corpo não se movia.

"Oh, encontrei!... Sim, acende. Saki, dê um para cada um."

"..."

Eu sabia muito bem que isso era uma coisa ruim de se fazer, mas...

Eu estava com medo, terrivelmente com medo.

Se eu ousasse me opor a Ai-chan, minha posição seria...

"O que você está fazendo? Depressa."

Com o isqueiro na mão, Ai-chan me apressou.

Forcei meu sorriso submisso habitual...

"Hum... Não podemos parar com isso?"

──Pela primeira vez, me rebelei contra Ai-chan.

"... Hã?"

A voz de Ai-chan ficou baixa e ameaçadora.

Tremendo de medo, meu sorriso já tenso ficou ainda mais forçado, mas continuei.

"Hum...haha, tenho tendência a ter falta de ar e, uh, além disso, ouvi dizer que coisas assim fazem mal à saúde... e à beleza... e, você sabe, é só prejuízo, sem benefício. E, se, por acaso, um professor descobrir isso em um lugar assim..."

"Hã? Ei Ai-chan? Isso é diferente do que ouvi, não é?"

"Mi... Miyanoshita-kun, mesmo que você tenha boas notas... fazer algo assim pode prejudicar suas recomendações, não é?"

"...Saki, dê logo."

"D-devíamos parar...? Certo...? Eu..."

"──Saki!"

A voz furiosa de Ai-chan me deixou paralisada de medo.

—E então, aconteceu.

"Eh?"

De fora do meu campo de visão, algo grande e parecido com uma barra voou em nossa direção.

Girou violentamente enquanto passava entre mim e Ai-chan.

Gshaaaaaaaa.

Com um estrondo ensurdecedor, quebrou uma das janelas do prédio da escola.

"Mas o que...!"

Todos ficaram de repente sem palavras e congelados por este evento inesperado.

Olhando além do vidro quebrado estava uma garota de uniforme de ginástica, aquela que havia jogado a raquete de tênis.

"Ah, meu Deus, escapou da minha mão."

Ela disse isso com um tom casual enquanto Ai-chan foi a primeira a recuperar a compostura.

"Você...! Mas o que você está fazendo, você quase..."

"─Professor! Me desculpe! Eu estava praticando bater na parede com minha raquete, e ela simplesmente escorregou e quebrou a janela!"

"Mas o que...! Sua idiota!?"

Embora Ai-chan estivesse visivelmente irritada, a voz inesperadamente alta da garota surpreendeu até ela.

O rosto de Ai-chan se contorceu de frustração, mas ela acabou arrancando a caixa de papel da minha mão.

"Tsk... Vamos embora, pessoal!"

Ela liderou o grupo de garotas, incluindo Miyanoshita-kun, enquanto fugiam apressadamente do local.

E assim, eu e os vidros quebrados da janela...

E apenas a garota baixinha, cujo nome eu nem sabia, foram deixados para trás.

"Você não vai fugir?"

"Mi...Minhas pernas cederam."

"Isso é engraçado."

Ela riu inocentemente, sua risada contrastando com o recente incidente de quebrar a janela.

"Oh, você é a Saki Takane, certo? Você está sempre andando com aquela garota."

"Aquela... garota?"

Nunca tinha ouvido ninguém se referir a Ai-chan dessa forma.

Não conseguia imaginar dizer algo assim sobre a Ai-chan, mesmo quando ela não estava por perto.

"Em vez de ficar sempre rindo que nem uma boba, você deveria expressar suas próprias opiniões às vezes. Não posso ficar quebrando vidros o tempo todo, sabe?"

"Você... me ajudou?"

"Na verdade não. Estava procurando uma bola que acertei acidentalmente para fora da quadra, e minha raquete simplesmente escorregou."

"Simplesmente escorregou, hein?"

"Ei."

Ela se inclinou para mais perto e espiou meu rosto.

"O-que é...?"

"...Você é bem bonita quando sorri normalmente."

"Hã...?"

"De qualquer forma, eu precisava de um cúmplice."

Ela disse, apontando para a janela quebrada, sua expressão maliciosa.

"—Sou Yuka Senami do Clube de Tênis Suave. Vamos pedir desculpas ao professor juntas, Hehehe."

E foi assim que Yuka-chan e eu nos tornamos amigas no curto espaço de tempo que levou para o professor chegar correndo, com o rosto vermelho.

Desde que me tornei próxima de Yuka-chan, por alguma razão, o grupo de Ai-chan nunca mais me incomodou.

Talvez tenha sido porque Ai-chan foi pega roubando a propriedade do irmão logo depois, ou talvez porque Yuka-chan e eu tínhamos ganhado um certo nível de respeito entre os encrenqueiros.

Várias razões passaram pela minha mente, mas uma coisa era certa: este foi o período mais pacífico que tive durante meus três anos no ensino fundamental.

...Até aquele dia.

"......"

Estava no meio da estação chuvosa em Kamimura, onde a garoa constante fazia minha blusa de manga curta grudar desconfortavelmente na pele.

Lembro-me vividamente deste momento específico depois da escola.

Congelei em frente ao meu armário de sapatos quando Yuka-chan se aproximou.

"──Oh, Saki Saki ainda não foi para casa?"

"Hã!?"

Escondi apressadamente o que estava segurando atrás das costas quando ela se aproximou.

Era Yuka-chan que me chamava.

"? O que é isso?"

"Uh? Oh, hum, Yuka-chan, o que você está fazendo aqui!? Não é hora das suas atividades do clube?"

"Atividades de clube~? Saki Saki, você é tão engraçada. Em que mês você acha que estamos?"

"Uh... É julho."

"O último julho da nossa vida de ensino fundamental, certo? Nosso pequeno e fraco clube de tênis já foi eliminado há muito tempo das eliminatórias distritais. Os alunos do terceiro ano todos se aposentaram."

"Oh, é verdade."

"É o mesmo para a maioria dos clubes. Não há muitos clubes com potencial, exceto talvez o clube de karatê. Eles vão para o torneio nacional no mês que vem... De qualquer forma, falando em rumores, olha quem está chegando."

"Uau."

Yuka-chan se inclinou em minha direção e apontou para um dos estudantes do sexo masculino que vinha do outro lado do corredor.

...Ele parecia uma pessoa bastante intimidadora.

Ele estava de mau humor, talvez? Ele franziu a testa e olhou para frente enquanto passava.

Aquele era...?

"...Quem é aquele?"

"Hã!? Você não sabe, Saki Saki!? Ele é o Kengo Mashima, o capitão do clube de karatê!"

"...?"

Vendo minha reação, Yuka-chan soltou um suspiro.

"Kengo Mashima, ele é um cara famoso por aqui. Para simplificar, ele é um pouco excêntrico, mas é incrivelmente habilidoso no karatê. Foi ele quem levou nosso fraco clube de karatê ao nível nacional pela primeira vez."

"Uau, ele é uma pessoa tão incrível, não é?"

"Saki Saki, você deveria tentar se interessar mais por outras pessoas... e talvez fazer alguns amigos além de mim. Sério, o que você vai fazer no ensino médio?"

"Vou para a mesma escola que você, Yuka-chan, então vai ficar tudo bem! Ehehe."

"Ehehe não vai resolver."

Ehehe... De fato.

Se Yuka-chan estivesse comigo, uma vida divertida no ensino médio estava praticamente garantida.

"Bem, vamos indo, então? Dizem que a chuva vai ficar mais forte à noite..."

"Ah... desculpe, mas acabei de lembrar que tenho algo para fazer para um professor. Preciso ir à sala dos professores."

"Oh, sério? Tem certeza de que vai ficar bem? Quer que eu vá com você?"

"Não, não, tudo bem! Por favor, vá sem mim, Yuka-chan!"

"Tudo bem então, boa sorte!"

"Obrigada! Tchau!"

Depois de me despedir de Yuka-chan, não fui para a sala dos professores como havia dito.

...Desculpe, Yuka-chan. Esta foi a primeira mentira que contei.

Em vez disso, fui para o terceiro andar, para a sala de aula da Classe A.

Como esperado, a essa hora do dia, não havia mais ninguém na sala.

...Exceto ele.

"──Oh, Saki-chan, você está aqui! Vamos tirar uma foto comemorativa."

Uma sala de aula vazia.

Ele era o único sentado em uma mesa. Ele imediatamente tirou uma foto com seu smartphone quando me viu.

"...Miyanoshita, é você."

"Você se lembrou de mim? Estou tão feliz~."

Haruto Miyanoshita.

Desde o incidente com a Ai-chan, não tínhamos tido a chance de trocar palavras, mas ele falou como se fôssemos velhos amigos.

...Para ser honesta, eu não tinha uma boa impressão dele.

Eu realmente não queria ver o rosto dele. Mas... forcei um sorriso humilde.

"O quê... havia uma carta no meu armário de sapatos... Qual era esse assunto importante?"

──Depois da escola, sobre um assunto importante na Classe 3A, venha sozinha – Haruto Miyanoshita.

Era o que dizia a carta simples, apenas uma folha de papel dobrada.

"Sim, era um assunto importante, um assunto importante."

Haruto Miyanoshita pulou da mesa e se aproximou de mim.

Coloquei um sorriso tenso e me preparei.

Se necessário, estava pronta para levantar a voz.

"──Desculpe pelo outro dia. Queria me desculpar com você diretamente, Saki-chan."

......Eh?

Fiquei completamente desconcertada com a reviravolta, que era completamente diferente do que eu esperava.

Miyanoshita-san estava curvando a cabeça para mim.

"Eu realmente me arrependo do que aconteceu no outro dia. Acho que te assustei muito, Saki-chan."

"Eh, b-bem..."

"Na verdade, nunca tinha feito nada parecido antes. Só fiz uma besteira porque queria muito conhecer a Takane-san."

"...!?"

Não consegui nem falar em resposta a esta reviravolta inesperada.

E-Espera aí!

Pedido de desculpas tudo bem, mas me conhecer?

Será que...

"──Saki Takamine, gosto de você há muito tempo. Você namoraria comigo?"

"...!?"

Uma...

...Confissão?

Senti um choque como se um raio tivesse atingido meu cérebro.

Confissão, confissão, confissão!

Sempre pensei que nunca vivenciaria tal evento, mas estava acontecendo aqui e agora!

"Hum, e-espera um minuto. Quer dizer, é tão repentino..."

"Saki-chan, eu falei sério."

"...!"

Fiquei surpresa com o olhar sério de Miyanoshita.

O-que eu faço!?

Parecia que Miyanoshita estava genuinamente arrependido pelo que havia acontecido antes.

■■■■

Ele acabou de me pedir em namoro...!

"B-Bem, eu..."

...Claro, estou feliz com os sentimentos dele.

Ele confessou com tanta sinceridade, e sinto a tentação de responder da mesma forma.

Mas...

Parei de forçar um sorriso e olhei diretamente nos olhos dele.

"...Desculpe."

Transmiti minhas palavras.

"...Hã?"

"Não sei o que significa gostar de alguém assim ainda. Sinto muito por recusar sua confissão, mesmo que você tenha sido tão sincero... mas não posso fazer isso agora. Desculpe."

Miyanoshita-kun também expressou seus sentimentos com sinceridade.

Então, eu deveria responder com palavras honestas, livres de mentiras.

"...Entendo, haa."

Miyanoshita-kun baixou a cabeça.

...Nunca passei por um coração partido, mas ouvi dizer que é doloroso.

Hesitei sobre o que dizer, enquanto vários pensamentos giravam em minha mente. Só conseguia encará-lo com uma expressão séria.

"Hã──── entendo, sim..."

Miyanoshita-kun pareceu reconhecer algo através de vários acenos de cabeça, e então murmurou,

"...Provavelmente pareci arrogante porque tomei a iniciativa, mesmo sendo introvertido. Tentando alcançar a flor inalcançável, hein?"

"...Eh?"

O que está acontecendo agora...?

Antes que eu pudesse confirmar, Miyanoshita-kun operou seu smartphone e o mostrou para mim.

Quando olhei para a tela, meus olhos se arregalaram de choque.

──Por quê? A foto na tela era daquela vez em que segurei a "caixa" e apelei para todos.

"I-Isso...!?"

"──Tirei naquela época. Com uma câmera dupla, a qualidade da imagem é muito boa, não é?"

E naquele momento, finalmente percebi.

Miyanoshita-kun não estava abaixando a cabeça por causa do choque. Ele estava escondendo sua própria raiva.

"Haaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaah, seu rosto é fofo, e é mais conveniente assim. Fui gentil no começo, pensando que funcionaria, mas nunca esperei ser rejeitado. Nunca fui rejeitado por uma garota antes, droga."

"Essa foto... o que você pretende fazer com ela?"

"Hmm? É uma boa foto, então acho que devo mostrá-la para todo mundo."

"E-Eu-mas..."

"O que você acha? Quem eles vão acreditar quando virem esta foto?"

"Isso é...!?"

"A Escola Kamimura provavelmente estará fora de alcance para você. Seus pais também ficarão tristes."

Com suas palavras, minhas veias se congelaram por todo o corpo.

Minha mente foi dominada pelo medo, e senti que estava prestes a chorar.

"Bem, contanto que você continue me ouvindo, não farei nada. Entendeu?"

Miyanoshita-kun bateu no meu ombro trêmulo.

Sua mão, cheia de ossos e veias salientes, era aterrorizante para mim, e não consegui conter as lágrimas que escorriam pelo meu rosto.

Miyanoshita-kun, me vendo assim, sorriu genuinamente de prazer.

"O que há de errado? Não há necessidade de chorar. Bem, vamos tirar uma foto comemorativa por enquanto, uma selfie. Vamos fazer uma foto juntos."

Ele sussurrou em tom sádico, e minha mente ficou completamente em branco.

Eu queria dizer algo, mas tudo o que saía eram soluços.

Em meio aos meus pensamentos confusos, uma ideia tomou forma dentro de mim.

──Alguém… Me ajude...

"Não se preocupe; vou tirar uma foto com um aplicativo que pode te deixar melhor. Vamos lá, Saki-chan, preste atenção no seu melhor ângulo. Estou tirando agora."

Miyanoshita-kun disse isso e então... de repente, tudo ficou em silêncio.

O som habitual do obturador da câmera não veio, não importa quanto tempo passasse.

"...?"

Levantei meu rosto manchado de lágrimas e olhei para o Miyanoshita-kun.

Não havia smartphone em sua mão, e sua expressão estava cheia de surpresa.

"...Antes do treino, minha lente de contato caiu..."

A voz que falou não era de Miyanoshita-kun nem minha.

"Voltei para a sala de aula para pegar uma reserva, mas não consegui encontrar nem isso."

Quando me virei na direção da voz, um estudante do sexo masculino estava bem atrás de nós.

Ele tinha rugas profundas entre as sobrancelhas e, por alguma razão, aparentemente havia pegado o smartphone de Miyanoshita-kun e estava olhando para ele com atenção.

"...A propósito, Saki Takane, o que há neste smartphone?"

──Kengo Mashima estava ali.

Sol: Lock in geracional.

"Hã? Esse é meu smartphone de última geração..."

Miyanoshita-kun, que tinha congelado quando seu smartphone foi roubado de repente, começou a compreender a situação.

Por que ele está aqui? Como ele sabe meu nome?

Perguntas tão inconsequentes pareciam desaparecer no ar...

Eu gritei.

"──Por favor, me ajude!!"

"Entendido."

Sem perguntar os motivos, ele disse apenas isso e abriu a janela da sala de aula. Com a casualidade de quem brinca com um frisbee, ele jogou o smartphone de última geração de Miyanoshita-kun para fora da janela do terceiro andar.

"Aaaaahhhhhh ─────!!!?"

O som do smartphone de última geração de Miyanoshita-kun se espatifando ao atingir o canteiro de flores na varanda do primeiro andar foi abafado pela chuva, e não chegou até nós...

No entanto, o grito penetrante do dono atravessou até o som da chuva pesada, ecoando por todo o prédio da escola.

Só pude ficar ali, completamente atordoada.

"O quê... Mas o que você está fazendo?! Por que jogou o telefone pela janela!?"

"Fiz isso de propósito, peço desculpas."

"Peço desculpas o caralh-! Essa coisa nem tem impermeabilização!"

"Que tal trocarmos pelo meu telefone?"

"Você só pode estar brincando! Nem é um smartphone, é um telefone flip!"

Furioso, Miyanoshita-kun jogou o telefone flip de Mashima-kun no chão, mas ele apenas deu de ombros.

Miyanoshita-kun então desferiu uma enxurrada de insultos, ocasionalmente recorrendo a ameaças violentas, mas Mashima-kun, de todos, permaneceu imperturbável, mantendo uma compostura estóica.

Sua atitude, como Yuka-chan havia dito, era de fato bastante peculiar.

E por alguma razão, agarrou meu coração e não o soltou.

"──Uau! Quem é o idiota que jogou o telefone pela janela!?"

Enquanto eles faziam isso, devem ter ouvido o alvoroço.

Aparentemente tendo ouvido o alvoroço, meu professor da Classe B, Nuno-san, entrou na sala de aula com sua cabeça perfeitamente enrolada, veias saltando por toda parte.

Talvez ele estivesse no meio de seu sermão habitual porque Arakawa-kun e Iwasawa-kun também estavam lá.

"Ei, Careca, já podemos ir para casa?"

"Você sabia que ser repreendido demais durante a puberdade pode levar à calvície?"

"Vocês são uns casos perdidos! Esperem aí! Vou repreendê-los depois!"

"Eh...?"

"Infidelidade careca..."

"Mais repreensão!! Não ousem se mexer daí!"

Nuno-san estava se aproximando de nós com uma atitude um tanto raivosa (sem segundas intenções), veias saltando em sua cabeça.

Até Miyanoshita-kun, que geralmente era composto, parecia incapaz de esconder sua agitação. No entanto, para minha surpresa, mesmo neste momento, Mashima-kun permanecia imperturbável!

"Conte-me resumidamente o que aconteceu."

"Joguei intencionalmente o smartphone de Haruto Miyanoshita pela janela."

"Eh...?"

Você está confessando com tanta confiança!?

Até Miyanoshita-kun e eu congelamos com sua resposta excessivamente honesta, mas acho que ele imediatamente pensou que era conveniente.

A boca de Miyanoshita-kun se curvou num sorriso enquanto ele concordava com Mashima-kun.

"Isso mesmo! Foi ele! De repente, ele pegou meu telefone e o jogou pela janela! E ele pretendia quebrá-lo desde o começo!"

"O quê!? Sério, Mashima!"

"...Sim, peço desculpas. Preciso corrigir minha declaração anterior. Apreendi intencionalmente o smartphone de Haruto Miyanoshita e o joguei pela janela com a clara intenção de destruí-lo."

"Eh..."

Bem, tão honesto que até Nuno-san está confuso!?

Deveria haver algumas falas ou algo para encurralar o culpado na história, mas agora, Mashima-kun estava confessando tudo e o Sensei não sabia o que fazer!?

"Entendo... Hum, o que devemos fazer? Devemos contatar seus pais por enquanto?"

"Sen-Sensei. Controle-se! Esse cara ainda tem algo que está escondendo!"

"Oh, sério? O que é?"

"Esse cara, mesmo que eu e Saki-chan estivéssemos apenas conversando na sala de aula, de repente começou a brigar comigo..."

"Espera, isso é falso."

"Hã?"

"A afirmação de Haruto Miyanoshita de que ele estava apenas conversando com ela não é apropriada. Ele estava tentando chantageá-la usando uma foto artificialmente cortada. Ele usou deliberadamente uma foto manipulada e a ameaçou. Embora possa estar ultrapassando meus limites, isso poderia ser classificado como extorsão ou coerção. Há uma alta possibilidade de que seja um crime."

"...Hã?"

Desta vez, Nuno-sensei encarou Miyanoshita-kun com ferocidade.

Miyanoshita-kun, por outro lado, de repente entrou em pânico.

"I-Isso é um absurdo! Ele está inventando coisas! Não havia razão para ele quebrar meu telefone..."

"Falsidade. Embora eu admita que tomei uma decisão precipitada ao tomar essas medidas para impedi-lo depois de testemunhar um ato criminoso, as razões são as que mencionei anteriormente."

"...Hã?"

Nuno-sensei recuperou sua compostura habitual e começou a mostrar pequenas veias azuis em sua testa.

Aquele olhar aguçado, destinado a punir os infratores, estava de fato direcionado a Miyanoshita-kun.

"P-Por que você acredita em tudo o que ele diz?"

"Sensei, Mashima-kun não parece estar mentindo..."

"Mas isso não é subjetivo? Eh! O que ele está dizendo é uma acusação falsa!"

Assim que sentiu que estava em uma posição desvantajosa, Miyanoshita-kun ficou agitado.

"Por um lado, não há evidências que apoiem o que ele está dizendo, há? Afinal, foi ele quem quebrou meu telefone!"

"Bem, isso certamente..."

"Esse é um ponto válido."

Por que Mashima-kun também está concordando com ele...? Esta não era a hora de perguntar, mas Nuno-sensei havia parado sua lança.

Na realidade, o que Miyanoshita-kun estava dizendo estava correto, e Nuno-sensei parecia incerto sobre sua decisão...

"...Então, o que você diz, Takane? O que Mashima está dizendo é verdade?"

"Ah..."

Nuno-sensei me perguntou.

Meu coração disparou de ansiedade.

"Bem, o que é?"

"Eu, hum, bem..."

O que Mashima-kun disse é verdade.

Fui ameaçada por Miyanoshita-kun.

Mashima-kun me ajudou.

Era tudo o que eu tinha que dizer.

"...Mashima...kun..."

Minha garganta apertou e não consegui as palavras saírem.

Eu sabia isso na minha cabeça, mas meu corpo estava com muito medo para me ouvir.

E com Miyanoshita-kun me encarando com um olhar aterrorizante bem ali...

"Ei, Takane, acalme-se e diga devagar."

"...Eu, isso..."

Sou... patética. Não sou digna.

Meu coração continuava apertando com esses sentimentos.

Por que não consegui ajudar Mashima-kun imediatamente, quando ele me ajudou?

Mashima-kun falou com tanta ousadia, mas por que não consegui proferir uma única palavra de verdade?

Mashima-kun tinha tanta coragem, mas por que não consegui encontrá-la em mim?

Se eu fosse Mashima-kun, isso nunca teria acontecido.

"Mashima-kun...me ajudou──!"

"É tudo mentira!"

Apesar da minha determinação, minhas palavras foram abafadas pela voz elevada de Miyanoshita-kun.

"Ei, Miyanoshita, o sensei está tentando falar com a Takane..."

"É inútil! Tudo o que eles estão dizendo é mentira do começo ao fim!"

"Falsidade."

"Não, não é verdade! Vocês é que mentem! É isso! É suspeito que vocês estejam tão desesperados!"

"Por que você não para, Miyanoshita?"

Nuno-sensei avisou Miyanoshita-kun, mas a sua raiva era imparável. Sua raiva estava direcionada a mim.

"Talvez ela também esteja escondendo algo, e é por isso que está tentando encobrir, certo!?"

"Isso não é verdade!"

Diante de tais circunstâncias irracionais e medo, minha garganta apertou novamente, e não encontrei palavras para falar.

Apesar disso, as lágrimas continuavam a escorrer livremente.

“Viu! Ela está tentando chorar e nos enganar! As mulheres são tão astutas!"

"Miyanoshita!"

Por que, oh por que as coisas acabaram assim?

Foi porque me tornei amiga de Ai-chan?

Foi porque não expressei minhas opiniões?

Foi porque me faltou coragem?

Em qualquer caso, foi sem dúvida minha culpa.

Não conseguindo mais conter minhas emoções, as lágrimas escorriam pelo meu rosto sem controle, e...

"E você sempre sorri! É tão irritante! Você..."

Antes que Miyanoshita-kun pudesse terminar seu insulto, algo inesperado aconteceu. Tanto Nuno-sensei quanto os alunos observando do canto da sala de aula, Arakawa e Iwasawa, arregalaram os olhos.

Por quê? Porque Mashima-kun deu um soco no rosto de Miyanoshita-kun…

Com toda a sua força.

Miyanoshita-kun, que havia sido atingido, não fez nenhum som.

Voando em um padrão circular...

Envolvendo duas ou três de suas mesas...

Ele fez um barulho tão alto que parecia que ia quebrar a sala de aula.

"..." "..."

"..." "..."

Nenhum de nós conseguia proferir uma palavra. Era como se o tempo tivesse parado, e todos esquecemos de respirar.

Simplesmente encaramos Miyanoshita-kun, que havia desabado no chão.

Nossos olhares gradualmente convergiram para o Mashima-kun, que se recompôs e...

"...Foi intencional. É altamente provável que se enquadre na categoria de agressão."

Ele disse isso com confiança.

Arakawa-kun e Iwasawa-kun murmuraram em uníssono, "Tão legal..."

"...Obrigado pelos últimos três anos."

Eu podia ouvir a voz de Mashima-kun vindo de dentro da sala dos professores.

...Parecia que a discussão havia terminado.

Suprimindo minhas emoções tímidas, apertei a barra da minha saia, e de repente, a porta da sala dos professores se abriu.

"Mashima-kun."

"? Ah, Saki Takane."

Mashima-kun me notou parada do lado de fora da sala dos professores, e se aproximou como se nada tivesse acontecido.

"O que foi? Precisa de alguma coisa comigo?"

Honestamente, não seria surpresa se ele guardasse algum ressentimento contra mim depois de tudo isso. Mas ele parecia surpreendentemente composto.

"...Ouvi dizer que você foi suspenso por um tempo, e foi forçado a sair do clube..."

"Não é apropriado dizer que fui forçado a sair."

"Eh...?"

"Na verdade, o diretor tentou me persuadir a ficar. O clube de karatê do Ensino Fundamental está ganhando atenção, até mesmo do prefeito da cidade de Kamimura. Então eles queriam lidar com isso discretamente. Mas entreguei minha carta de retirada há algum tempo."

"P-por que!?"

"Por quê? Porque alguém que aspira às artes marciais recorreu à violência. Nesse ponto, perdi as minhas qualificações."

Por quê... É estranho como ele é...

Uma coisa tão incrível, você pode dizer como se fosse natural?

Naqueles olhos e palavras sinceros, não há engano.

Na presença dele, me sinto incrivelmente pequena e insignificante.

"...Sinto muito."

"Por que você está se desculpando? Fui eu quem cometeu um erro."

"Mas..., você me ajudou, Mashima-kun..."

"Não, meu julgamento estava errado. Mas naquela época, não consegui pensar em outra maneira de calar o Miyanoshita. É minha própria imaturidade; decepcionei a todos, o conselheiro do clube, nossos colegas, os membros do clube, minha irmã, e você..."

"Você não fez nada de errado, não é como se..."

"Até o Haruto Miyanoshita."

"...Eh?"

Por quê.

"Talvez ele não fosse tão mau se eu tivesse falado com ele direito, mas recorri à violência. É porque sou imaturo. Devia ter havido uma maneira melhor."

Por quê...?

Por que você...

"Por que você está defendendo alguém como ele?"

"──Se você viver o suficiente, todo mundo tem momentos em que se torna desagradável."

...Aquelas palavras.

Mais do que qualquer palavra que eu já tenha ouvido, foram gentis.

E...

"Eu também devo mudar, para evitar cometer tais erros novamente."

...Acima de tudo, aquelas palavras eram autopunitivas.

"Por que você é tão duro consigo mesmo?"

Antes que eu pudesse pensar, as palavras saíram da minha boca.

"O que você fez... pode ter sido errado aos olhos do mundo, mas pelo menos você me salvou."

"Eu também vou mudar, vou mudar da pessoa tímida que sou agora, então não está tudo bem, pelo menos por enquanto?"

"──Por favor, me permita dizer 'Obrigada' a você agora!!"

...Pela primeira vez na minha vida, senti que tinha colocado meus sentimentos em palavras.

"..."

Mashima-kun olhou para mim por um breve momento, seus olhos arregalados de surpresa, ... mas então falou com uma voz um tanto triste.

"...Se, por acaso, você está grata a mim, por favor, esqueça de mim agora. ...Se nos encontrarmos de novo, se eu me tornar uma pessoa melhor, então conversaremos novamente."

Com essas palavras de despedida, ele, que era mais gentil com os outros do que nunca e mais rigoroso consigo mesmo do que qualquer um, desapareceu da minha vista.

...Deve ter havido outras palavras que eu poderia ter dito a ele.

Ou melhor, eu deveria ter sido capaz de repreender a Ai-chan com força, assim como Mashima-kun fez. Eu deveria ter sido capaz de enfrentar Miyanoshita-kun claramente, assim como Mashima-kun, e impedido Miyanoshita-kun de fazer aquela cara.

—Eu tenho que mudar.

...Palavras podem ser confusas quando há muitas delas.

Eu era uma pessoa tímida, então quando havia muitas palavras, eu as usava para me proteger, para machucar, para me tornar submissa, para me curvar, para obscurecer, para enganar.

Quanto mais palavras você acumula, mais você se afasta de seus verdadeiros sentimentos.

Se ao menos eu pudesse expressar meus sentimentos com tanta ousadia quanto Mashima-kun.

Usando palavras concisas, transmitindo apenas o que realmente quero dizer...

A partir de então, parei de fazer sorrisos que não eram verdadeiros, parei de dizer palavras que não eram verdadeiras.

Decidi falar apenas o que realmente pensava.

"Ei, é verdade que a Takane-san está fazendo um namoro de aluguel?"

"Não estou."

Então, tentei imitar Mashima-kun, expressando claramente meus sentimentos.

"Qual é, está tudo bem! Estamos apenas genuinamente interessados nisso!"

"Se você está com vergonha, pode amenizar um pouco, certo? Certo?"

...Parecia que minhas palavras estavam permeadas de insegurança.

Eu não conseguia fazer tão bem quanto Mashima-kun.

"...Não estou fazendo isso."

No final, minha fraqueza foi exposta, e espiei por trás da minha fachada.

"Disciplina!!"

...Ele era diferente.

Mashima-kun tinha se tornado ainda mais forte, mais justo, e irradiava mais do que naquela época.

Sendo exposta à sua brilhância,

"Nada tem precedência sobre as palavras da própria pessoa."

Eu me apaixonei por ele.

■ Takane Saki ■

A história de como conheci Mashima-kun durante nosso tempo no ensino fundamental, e tudo o que levou à confissão recente, compartilhei tudo com Hirabayashi-san sem esconder nada.

Hirabayashi-san ouviu em silêncio, ocasionalmente balançando a cabeça.

"Mashima-kun... ele é incrível. Ele nunca recua do que diz. Assim como prometeu, ele se tornou uma pessoa ainda mais incrível do que quando nos conhecemos."

Kamimura é uma cidade pequena. A notícia de como "Mashima-kun deu um soco em um colega na frente de um professor e foi suspenso" se espalhou como fogo.

Tenho certeza de que ele passou por muitos momentos difíceis e teve que suportar palavras dolorosas.

Mas apesar de tal incidente, ele alcançou algo notável. Mashima-kun se tornou o primeiro aluno do segundo ano na história da Escola Kamimura a ser selecionado como presidente do Comitê de Disciplina.

Mashima-kun é verdadeiramente uma pessoa incrível.

"...Eu queria me tornar esse tipo de pessoa."

Minha autodepreciação aumentou ainda mais, quase como se pudesse me esmagar.

"...No final, acabei dependendo do Imamote. Não consigo nem expressar meus sentimentos adequadamente sem recorrer às complexidades da psicologia do amor. Como prova, não consigo fazer nada que não esteja escrito no Imamote."

Sou a pessoa mais lamentável da Terra, e cheguei a um ponto em que não tenho escolha a não ser depender de outra pessoa.

"Por favor, Hirabayashi-san... quer dizer, Mori-san! O que você acha que devo fazer a partir de agora!?"

"..."

Hirabayashi-san, que havia cruzado os braços, ficou em silêncio com uma expressão severa.

Houve um longo, longo silêncio cheio de um turbilhão de ansiedade e esperança.

E depois deste silêncio,

"...Hah."

Hirabayashi-san suspirou e disse uma coisa.

"...Takane-san, você leu meu livro direito?"

"...Eh?"

Fui pega de surpresa pelas palavras inesperadas, e congelei por um momento.

Vendo minha reação, Hirabayashi-san deu de ombros de maneira um tanto exasperada...

"A psicologia do amor é claramente uma bobagem."

As palavras de Hirabayashi-san paralisaram o tempo.

Tanto Yuka-chan quanto eu não conseguíamos compreender o significado das palavras de Hirabayashi-san e só podíamos ficar de boca aberta como peixinhos dourados.

"...O que foi isso?"

Foi uma frase que mal consegui articular.

"Então, estou dizendo, é tudo falso, é tudo uma farsa. Não posso falar pelos outros, mas pelo menos pelos livros que escrevi, eles são, ou melhor, se realmente funcionassem, eu teria um harém agora."

...As escrituras sagradas em que acreditei até agora.

Eu as tinha feito minha âncora, algo em que podia confiar.

De repente, Deus havia aparecido diante de mim e refutado tudo com um "É tudo falso".

"──!?"

Meus pés desabaram sob mim, e senti-me caindo de cabeça num abismo sem fundo.

Isso está realmente acontecendo?

No que acreditei todo esse tempo...?

"M...Mentira..."

Protestei com voz trêmula. Foi o máximo de resistência que pude reunir.

Poderia haver algo tão absurdo?

Diante de tanta miséria, senti que poderia começar a chorar alto a qualquer momento.

Mas Hirabayashi-san apenas disse...

"Você sabe, para começar, está errado desde o início. A própria premissa da psicologia do amor está errada, e tudo bem mentir sobre isso."

"Hã...?"

Psicologia do amor está tudo bem, mesmo que seja mentira?

Meu cérebro estava prestes a superaquecer devido ao enigma desconcertante.

"Tudo bem? A partir daqui, é o conselho da Criadora do Amor, Mori. Normalmente, eu cobraria por isso, então ouça com atenção."

"S-sim...?"

"Primeiro de tudo, sei que pode parecer clichê, mas neste mundo, não há ninguém exatamente como você. Você já encontrou alguém que é completamente igual a outra pessoa entre todas as pessoas com quem Saki Takane interagiu?"

"Isso é... verdade."

Claro que não. Hirabayashi-san, eu, Yuka-chan, Mashima-kun, Arakawa-kun, Iwasawa-kun, e até Miyanoshita-kun, todos temos personalidades e valores diferentes, e agimos de acordo.

"Então... ao contrário de um jogo de computador, não há uma estratégia perfeita que sirva para todos para influenciar o coração de alguém, há? E é presunçoso pensar que você pode manipular os corações de outras pessoas com algumas técnicas superficiais ou sabedoria! Afinal, mover o coração de alguém é tudo sobre o coração em si."

"Então ainda é falso..."

"Ouça até o fim! A psicologia do amor é apenas um catalisador; tudo bem se for mentira!"

"Um catalisador...?"

“Exatamente!"

Hirabayashi-san se levantou, uma ação que eu não poderia ter imaginado de sua atitude habitual, e se inclinou em minha direção com um ar imponente.

"O que você fez quando descobriu sobre o 'Efeito Windsor' no Imamote?"

Respondi, perplexa com o questionamento repentino.

"Uh, uh...Yuka-chan me disse que Saki Takane parece gostar de Mashima-kun..."

"E o 'Efeito Espelho'?"

"...Tentei imitar Mashima-kun e conversei com ele..."

"E a 'Técnica do Almoço' com o 'Efeito Stinzer'?"

"...Almocei ao lado de Mashima-kun."

"Então e a técnica 'Porta-na-Cara'?"

"...Convidei Mashima-kun para um encontro e troquei contatos..."

"E a 'Regra dos 3 Meses para Confissões'?"

Regra dos três meses para confissões.

O padrão em que confessar dentro de três meses do primeiro encontro tinha a maior taxa de sucesso.

Ao ouvir isso, percebi...

"Eu queria confessar a Mashima-kun..."

"Isso significa que tudo isso não foi apenas seus esforços!"

Ofeguei.

Foi como se um emaranhado de emoções conflitantes dentro de mim tivesse se desfeito de repente.

"Escrevi apenas mentiras no Imamote, mas também escrevi a verdade. Você entende?"

"... '90% dos Fatores para um Amor Realizado são Coragem e Persistência'."

"É isso. A psicologia do amor são apenas os 10%, estão lá para te impulsionar. Takane-san já tem coragem e paciência suficientes. Então, esqueça o Imamote e faça apenas o que você quer."

"...!!"

...Ah, poderia haver um momento mais feliz do que este?

Mori-san, a Criadora do Amor, era verdadeiramente uma pessoa incrivelmente fantástica, e descobri que eu não estava errada de forma alguma.

"Muito obrigada, Hirabayashi-san! Vou falar com Mashima-kun de novo!"

"Ótimo, esse é o espírito."

"Todos os anos, o comitê de disciplina estudantil faz rondas durante o Grande Festival de Kamimura, então talvez Mashima-kun esteja lá."

Yuka-chan disse e me deu um joinha.

Eu estava verdadeiramente... abençoada com amigos!

"Muito obrigada!! Então vou!"

Não tinha mais dúvidas.

Saí correndo da sala de aula vazia e fui em direção ao terreno do Grande Festival de Kamimura.

"...Sabe, eu percebi o quão maravilhoso é o amor. Talvez eu devesse confessar ao Iwasawa-kun..."

"A propósito, Srta. Farsante."

"Sou Mori, uma popular criadora de romances na internet."

"Quantas cópias do Imamote você vendeu?"

"Hehehe, entrou em uma segunda impressão imediata após o lançamento, e atualmente estamos na sétima edição."

"Quanto você honestamente ganhou com este livro falso?"

"...O Amor é Inestimável por Mori."

"Ei."

Traduzido por Moonlight Valley

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Fim da leitura

Capítulo 6 concluído

Volume 1 – Capítulo 5 – Capítulo 5: 90% Dos Fatores Para Um Amor Pleno São Coragem E Perseverança