Posso ser Recepcionista da Guilda, Mas Vou Solar Qualquer Chefe Para Bater o Ponto!Vol 3 – Capítulo 36 – Capítulo 36: A Sala do Chefe
Capítulo 122Jade seguiu pelo corredor escuro. O caminho continuava sem se bifurcar, eventualmente levando a uma porta de ferro que estava entreaberta. Depois de atravessá-la, chegaram a um espaço amplo e aberto, com nada dentro.
“A sala do chefe...?”, Alina murmurou com dúvida.
Lowe aumentou a luz mágica de seu cajado, tornando-a um pouco mais brilhante. Enquanto isso, Jade parou e deu uma rápida olhada ao redor com o Sigurth Beast.
A sala era como uma prisão gigante, quadrada e sem decoração, com marcas de danos aqui e ali. Parecia que uma batalha feroz deixara partes das paredes de pedra desmoronadas e erguera pedras do chão, expondo a terra nua por baixo.
“Originalmente, esta era a sala do chefe, sim.” Uma voz veio do silêncio.
Era Glen.
Ele estava parado no centro da sala, de costas para eles, em um ponto onde a luz das velas mal o alcançava.
“E também é o lugar onde a Espada de Prata de duas gerações atrás... onde meu grupo morreu”, disse ele, virando-se lentamente para encará-los.
O local onde ele estava era a área mais intensamente danificada da sala. Deve ter sido o centro da luta; as pedras ao redor estavam completamente destruídas. A área estava carbonizada em preto, e algumas das pedras quebradas haviam derretido em alguns pontos. Nem uma única folha de grama crescia na terra exposta — algo a tornara estéril.
E atrás de Glen, eles podiam ver um pequeno túmulo.
Não havia muito nele — apenas um pequeno monte de terra amontoado em um ponto onde as pedras faltavam, com três armas antigas fincadas no chão como marcadores de sepultura.
Havia uma espada com a lâmina quebrada, um cajado com uma gema estilhaçada e um cajado de curandeira derretido que não conseguia mais manter sua forma original. Todos estavam fuliginosos e danificados, falando vividamente sobre o tipo de luta que outrora ocorrera naquela sala.
Parecia um local de descanso triste demais para três heróis celebrados.
“Desculpem por fazê-los esperar tanto tempo e com nada além desses túmulos rústicos.” Glen soltou uma risada seca. “Os outros podem relaxar. Não há mais chefe aqui. Nós o derrotamos. Esta camada foi limpa.”
“...Qual é o significado disso?”, perguntou Jade, franzindo a testa. Ele ainda não conseguia acreditar que o homem à sua frente fosse Glen. Mas, mesmo assim, sentia em seus ossos que o homem possuía a aura intimidadora de um aventureiro experiente. “Eu pensei que a Espada de Prata tivesse morrido no andar superior da Fortaleza das Cinzas... Você está dizendo que eles chegaram a esta camada oculta?”
“Calma aí, Jade. Eu sempre planejei contar tudo a vocês, quando chegasse a hora.”
“...”
“Eu menti quando disse que a Espada de Prata morreu no andar superior. Depois que limpamos a camada mais alta, encontramos esta área oculta, e então morremos ali, em batalha.”
A sala ficou em completo silêncio.
Jade não conseguia acreditar que aquela sala solitária que ninguém notara era onde os membros da Espada de Prata haviam encontrado seu fim valente.
“Estávamos a um único golpe de derrotar o chefe... Aconteceu num instante. No espaço de uma batida de coração, todos foram queimados até virar cinzas. Só sou grato que tenham conseguido morrer sem sofrer.”
“...Então ele se autodestruiu.”
Jade olhou para o chão. Às vezes, os monstros escolhiam se autodestruir quando percebiam que não durariam muito neste mundo, usando sua força vital restante para um ataque final enorme, na esperança de levar o inimigo com eles na morte. No entanto, era muito raro que um monstro com potencial para se tornar um chefe — um que fosse poderoso e possuísse alguma inteligência — tentasse tal movimento.
“Por sorte, escapei do ataque. E foi quando aprendi algo.”
“O quê?”
“Uma maneira de reviver pessoas.”
“Reviver pessoas...?!”
Uma chama escura se acendeu nos olhos de Glen. Jade vislumbrou a determinação fria do homem e engoliu em seco.
Glen ignorou a pergunta implícita, continuando com voz monótona. “Quando voltei da Fortaleza das Cinzas, escondi a existência desta camada subterrânea e transformei a antiga masmorra em sede da guilda. Tudo isso foi para proteger este lugar. Eu tinha que evitar que esta camada mudasse o máximo possível.”
“Impedi-la... de mudar...?” Alina franziu a testa, confusa.
Glen riu dela. “Você sabia, mocinha? Quanto mais um lugar muda, mais poder você precisa para voltar no tempo lá.”
De repente, ele havia trazido o assunto aparentemente não relacionado do tempo.
“Por exemplo, pense em cidades ou nas casas onde as pessoas vivem... Quando um lugar está constantemente em estado de fluxo, seu ‘tempo’ acumula uma maior quantidade de informação. Por outro lado, terras devastadas, campos e ruínas vazias — tais locais acumulam muito pouca informação. Você não precisa de tanto poder para lugares assim. Pode voltar ainda mais no tempo.”
“...Você está tentando voltar no tempo aqui, nesta sala do chefe?”
Jade finalmente percebera o que Glen estava procurando.
Ele preservara esta camada subterrânea exatamente como era, sem contar a ninguém. Ele usara deliberadamente a Fortaleza das Cinzas como sede da guilda, selando a entrada para o nível subterrâneo para evitar que alguém entrasse, mesmo por acaso. Tudo isso fora para voltar o relógio nesta camada subterrânea ainda mais.
“Você é muito perspicaz. Exatamente.”
“Mas com seus poderes, mesmo se você conseguir, tudo o que pode fazer é observar. Qual é o sentido de—?”
“É verdade que com uma habilidade Sigurth, o máximo que você pode fazer é observar. Mas ir além e modificar o passado não é apenas um voo da imaginação. E é a única maneira de reviver pessoas.”
Glen falou em voz baixa, cheia de certeza. “É simples. Eu só tenho que voltar o tempo nesta sala para antes de meu grupo morrer e fazer as coisas de forma diferente. Com o poder de um núcleo de deus, isso será possível.”
“Um núcleo de deus...?”
“Tornei-me líder da guilda para despertar os deuses sombrios e recuperar seus núcleos. O líder da Guilda dos Aventureiros gerencia todas as missões e todas as masmorras — era a posição perfeita para encontrar as missões secretas que me levariam aos deuses sombrios.”
“...”
“E ainda assim, apesar de procurar por mais de dez anos, nunca encontrei, nem mesmo os núcleos de deus, um único aventureiro capaz de descobrir uma missão secreta, muito menos de lutar contra os deuses sombrios. É por isso que quando tropecei em você, mocinha, agradeci aos deuses pela primeira vez em minha vida.”
Glen desviou o olhar para Alina, e um sorriso cruzou seu rosto enquanto ele recordava. “Quando lutei contra você pela primeira vez, você rompeu minha habilidade Sigurth, Sigurth Chronos. Embora eu tivesse que manter os deuses sombrios em segredo, não pude deixar de soltar... que você poderia derrotar um demônio. Eu estava certo de que você seria páreo até mesmo para os deuses sombrios.”
De repente, Jade percebeu algo.
“Quando você lutou contra Alina pela primeira vez... Então você a abordou com a intenção de usá-la, desde o começo...?” Enquanto falava, pela primeira vez, Jade sentiu algo negro e desagradável girando profundamente em seu peito. Era como se seu coração estivesse sendo espancado. Num instante, seu cérebro esfriou, seus pensamentos se embaralharam e sua voz começou a tremer. “Você estava planejando fazer Alina lutar contra os deuses sombrios desde o começo?” Sua raiva era clara e intensa.
Glen deve ter percebido sua fúria, mas sua expressão não mudou.
“...Ei, Jade?” Alina soou inquieta ao chamar seu nome — ela devia ter percebido que algo estava errado.
Mas a cabeça de Jade estava vazia, e até a voz dela não conseguia alcançá-lo.
A voz de Glen permaneceu monótona. “Isso mesmo. E não foi só ela. Mesmo que fossem pessoas más, usei vidas humanas para o bem de meu objetivo. Mirei em Rufus e Heitz... o tipo de pessoa cuja morte não causaria muito alvoroço. Eu sabia que eles queriam Habilidades Dia.”
“Não foi isso que perguntei!”
A resposta de Glen só aumentou a irritação de Jade.
Na Torre Branca e durante o Festival Centenário, Alina fora forçada a lutar contra os deuses sombrios. Ela fora encurralada e não tivera escolha. E lutara, mesmo que isso significasse abandonar as coisas que esperava ansiosamente, as coisas que queria manter em segredo, a vida pacífica que prezava acima de tudo.
O sorriso que Alina lhe mostrara durante o Festival Centenário passou por sua mente. Ela estava sempre trabalhando tanto para alcançar a vida pacífica com que sonhava. Embora reclamasse e amaldiçoasse, trabalhava mais duro e mais seriamente do que qualquer outra pessoa — e Jade sabia disso melhor do que ninguém.
Ele entendia que decisão dolorosa fora para ela desistir daquilo.
Se tudo aquilo fora instigado por Glen—
“...Bem, suponho que houve uma coisa que não considerei. Eu nunca esperei que a lutadora poderosa que encontraria fosse uma recepcionista. As coisas teriam sido muito mais rápidas se ela fosse uma aventureira. Tive muita dificuldade para arrastar esta mocinha para onde eu precisava que ela lutasse contra os deuses sombrios.” Ignorando a raiva de Jade, Glen continuou. “É por isso que fiz você lutar contra eles, Jade. Imaginei que ela não seria capaz de abandoná-lo quando você estivesse prestes a ser morto. Ela é tão bondosa, tinha certeza de que teria pena de você e lutaria em seu nome—”
No momento em que Jade ouviu aquelas palavras, a raiva finalmente limpou sua mente. “Como ousa!” Sem pensar, ele saltou sobre Glen, agarrou-o pela gola e deu-lhe um soco com toda a força no lado do rosto.
“E-ei! Líder!”
Lowe interveio apressadamente para detê-lo, mas Jade ainda não conseguia se acalmar. Quando Glen não resistiu e silenciosamente recebeu o soco, Jade o puxou novamente pela gola e mostrou os dentes.
“Você, seu bastardo...! Você entende como Alina se sentiu enquanto lutava...?!” Ele não estava mais pensando em como o homem à sua frente estivera tentando reviver os deuses sombrios. Jade cerrou o punho, entregando-se à raiva.
“Você acha que ela lutou por pena?! Tente dizer isso de novo!”
Alina lutara contra os deuses sombrios porque se apegara aos membros da Espada de Prata e não conseguira abandoná-los. Isso era certamente parte disso. Mas Alina carregava uma tristeza mais profunda também.
“Não morra, ok, Jade?”
Ela murmurara aquelas palavras para ele. Seu maior medo era perder as pessoas próximas a ela. Ela nunca mais queria experimentar a dor de perder alguém de quem gostava.
E Glen explorara sua dor para seus próprios propósitos.
“Vá em frente, me bata o quanto quiser. Abandonei minha humanidade há muito tempo.”
Sua declaração fria só deixou Jade mais irritado. “O que você—?” Ele ergueu o punho, mas alguém agarrou seu braço por trás, e ele se recuperou.
“Jade. Já chega.”
Era Alina. Com seus olhos verde-jade fixos nele, sua raiva rapidamente se esfriou. Alina puxou Jade para trás, colocando alguma distância entre ele e Glen.
“Essa era a hora em que eu deveria ficar com raiva”, disse ela.
“...Desculpe...” Enquanto se desculpava fracamente, Jade finalmente conseguiu se acalmar.
Alina encarou Glen no lugar de Jade e disse com voz monótona: “Em outras palavras, eu ter sido pega em uma confusão atrás da outra fazia parte do seu plano.”
“...Sim, é verdade. Eu me sinto mal por isso. Você encontrou as missões secretas, derrotou os deuses sombrios e me trouxe um núcleo de deus — ficarei em dívida com você pelo resto da minha vida.”
“Se é assim que se sente, gostaria que você desistisse de tudo isso.”
“Desculpe... mas não posso fazer isso.” O olhar de Glen voltou para os marcadores de sepultura. “Eu tomei minha decisão que faria isso. Não importa o que tivesse que sacrificar.”
Com a cabeça agora fria, Jade começou a pensar novamente.
Glen devia estar dizendo tudo aquilo para provocar Jade. Não — talvez ele quisesse provocar não apenas Jade, mas também Alina.
Ele estava agindo friamente com eles deliberadamente — porque em sua mente, já estava preparado.
Ele pretendia lutar contra eles.
“...Glen. Se você estava atrás de um núcleo de deus, então por que não terminou as coisas assim que conseguimos o primeiro de Silha?”, Jade fez a pergunta que estava em sua mente. “Por que você precisou reviver outro?”
Se adquirir um núcleo de deus era o objetivo de Glen, então deveria ter sido concluído no momento em que derrotaram Silha. E ainda assim, Glen mais uma vez se tornara o homem de preto e fizera contato com Heitz, incentivando os aventureiros a procurar a próxima missão secreta. Jade não conseguia entender.
“...”
Glen instantaneamente fechou a boca e desviou o olhar. Então, após alguns segundos de silêncio, disse baixinho: “Foi porque eles finalmente me permitiram usar um dos núcleos de deus.”
“...Eles?”
Jade franziu a testa com a resposta inesperada.
Despreocupado, Glen continuou. “Aquele que me ensinou sobre os deuses sombrios — e que me mostrou uma maneira de reviver pessoas. Eles me deram uma razão para viver quando eu estava perdido no desespero. Minha determinação em refazer o passado é a única coisa que me manteve vivo todo esse tempo...”, disse ele, com um tom solitário em sua voz.
O único sobrevivente, deixado para trás por seu grupo, colocou uma mão amorosa sobre os marcadores de sepultura de seus amigos. “Aceitei a morte deles, à minha maneira. Eles deram suas vidas pela vitória e estão brindando uns aos outros no céu. Na época, a Fortaleza das Cinzas era chamada de a masmorra mais difícil de todas, e tenho certeza de que é o tipo de lugar onde eles gostariam de ter morrido... Mas a morte de minha filha... a morte de Lynn foi a única coisa que não consegui aceitar”, disse Glen baixinho, arrancando cada palavra de entre os dentes cerrados.
“Para obter o poder de um deus sombrio e reviver minha filha — é isso que eu busco. É por isso que tenho andado por aí como o homem de preto.”
“...”
Os olhos de Glen brilharam silenciosamente. Fixado com aquele olhar, Jade não conseguiu dizer uma palavra. No fundo daquelas chamas, ele vislumbrou a obsessão selvagem do homem.
A Espada de Prata de Glen morrera há quinze anos. Desde então, Glen desempenhara o papel de líder amigável da guilda à perfeição, sem que ninguém desconfiasse. Imediatamente após perder sua filha querida, ele guardara sua tristeza e dor, selara a camada oculta e fizera da Fortaleza das Cinzas, um monumento a suas memórias dolorosas, a sede da guilda. E durante todo esse tempo, vinha implementando friamente seus esquemas e usando vidas humanas como ferramentas como o homem de preto. Tudo fora para este dia, em que reviveria sua filha.
Ele estava obcecado — não havia outra maneira de dizer. Ele reprimira suas emoções e recorrera a um comportamento selvagem e aberrante. Ou talvez se apegar àquele desejo distorcido fosse a única coisa que o mantinha mentalmente equilibrado.
Em sua confusão, Jade de repente se lembrou do que Fili quase lhe dissera mais cedo naquele dia.
Se fosse por sua filha, ele poderia estar disposto a fazer algo tolo.
Jade não sabia o quanto do comportamento de Glen Fili havia notado, mas talvez ela tivesse sentido que algo estava errado com ele, à sua maneira.
“Tenho orgulho dela.”
As palavras que Glen lhe dissera naquela tarde em frente às estátuas e o sorriso que Jade nunca vira antes — nem o de um aventureiro nem o de um líder da guilda — teriam vindo do coração? Ou até aquilo fora uma farsa para realizar seu objetivo...?
“...Ainda assim, de que adiantaria um núcleo de deus se você tivesse um...?”, Jade sentiu-se esmagado pela terrível força de vontade de Glen, mas continuou a mover os lábios desesperadamente. “Não passa de um coração de deus sombrio, feito pelos antigos!”
“Jade, você entendeu mal uma coisa. Um núcleo de deus não é o coração de um deus sombrio — é o que os faz. Ao enterrar um núcleo de deus no corpo de alguém, você transforma um humano em um deus sombrio.”
Com isso, Glen ergueu a manga de sua túnica.
Debaixo dela estava o braço musculoso de um aventureiro. Ele tinha várias cicatrizes profundas, uma história de batalha impressionante esculpida nele.
E ali, enterrado no dorso de sua mão esquerda, estava uma pedra preta que não tinha lugar em um corpo humano. Seu brilho liso continha uma grande rachadura, mas a luz branca ocasionalmente passava por ela, como se dissesse que não havia problema. A pequena pedra estranha tinha um efeito desproporcional na sala.
O ar ao redor de Alina e dos outros pareceu congelar.
“Um... um núcleo de deus...”, Jade murmurou, sua voz falhando.
Por que — como um núcleo de deus foi parar ali? Por que estava na mão esquerda de Glen? Jade estava tão confuso que não conseguia aceitar o que via.
Um núcleo de deus concedia a um deus sombrio seu poder.
Cada núcleo continha um número incrível de Habilidades Dia e se alimentava de almas humanas. Podia conceder um número de Habilidades Dia igual ao número de almas que o deus sombrio havia devorado. Estava além de qualquer coisa conhecida ou imaginada na era moderna.
“Você transforma um humano em um deus sombrio.”
As palavras de Glen bateram forte no cérebro de Jade.
Os deuses sombrios de natureza cruel contra os quais lutaram até agora, com sua carne distorcida — eles haviam sido “relíquias vivas” que apenas se assemelhavam a pessoas. Era por isso que tinham sido tão difíceis de derrotar.
Mas não pode ser... Não pode—
“Os deuses sombrios... eram humanos...?!”
“Exatamente. Você tem lutado contra pessoas que abandonaram sua humanidade e implantaram um núcleo de deus em seus corpos. Assim como eu fiz agora...!”
Glen apertou o pulso esquerdo e respirou lentamente. Então, com a luz firme da determinação em seus olhos, disse: “Depois que perdi meu grupo e minha filha, um certo indivíduo me contou sobre os núcleos de deus — sobre as relíquias negras que podem transformar uma pessoa em um deus, dando-lhe poder incrível em troca de sua própria alma...!”
A voz de Glen gradualmente se tornou mais forte e adquiriu uma espécie de raiva fervente. “Já faz mais de dez anos desde que vim aqui. Quando fiz esses túmulos rústicos, cheguei a uma decisão — que a próxima vez que os visitasse seria quando realizasse meu objetivo. Vou recuperar minha filha, Lynn. Não importa quais sacrifícios tenham que ser feitos—”
“Os mortos não voltam!” Alina o interrompeu com força, como se não pudesse mais suportar. “Eu sei que você entende isso, certo?”
“...Alina.”
Ela olhou diretamente para Glen com seus olhos verde-jade. Ouvindo suas palavras, calmas e sem raiva ou qualquer outra coisa, Jade sentiu seu peito se contrair.
Alina já havia perdido um aventureiro que conhecia, chamado Shroud. Ela devia entender os sentimentos de Glen — sua disposição em abandonar sua humanidade e se tornar um deus sombrio para reviver sua filha amada — melhor do que qualquer um ali.
Jade ouvira dor em sua voz.
“...Há algo que tenho que dizer a ela”, respondeu Glen à pergunta dela. Mas seus olhos não estavam em Alina enquanto ele dava sua resposta. Estavam suavemente estreitados, como se estivesse contemplando uma memória querida.
“Eu costumava ser um homem implacável. Por causa do meu orgulho estúpido, há coisas que nunca consegui dizer a ela. Mesmo que seja só isso que eu possa fazer, tenho que dizer a ela...”, Glen murmurou fracamente.
Baixando a cabeça, ele começou a falar em tons murmurados sobre o passado.
Traduzido por Moonlight Valley
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