Sinph Star — Capítulo 34: Volume I – Capítulo 33 – Capítulo 33: Lua e Sol

Sinph Star
Cap. 34
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Sinph Star

Volume I – Capítulo 33 – Capítulo 33: Lua e Sol

Capítulo 34

3.340 palavras~15 min de leitura

— Sempre que quiser algo, tome, não peça, meu filho.

— Você não é me...

— Não sou seu pai? Seu pai te jogou fora, garoto. Sei que pode ser difícil, mas deveria me agradecer, ao menos uma vez na vida. — o homem assobiou, levando os dedos à boca. — Bax, traga os cavalos. Vamos partir.

O homem assentiu com a cabeça. Bax era um indivíduo muito... singular. Faltava-lhe uma mão e um olho, mas, ironicamente, nunca antes o Império havia visto batedor melhor. Os cavalos foram trazidos sem demora. O do homem era de uma cor única por essas bandas, um branco quase azulado, com diversas listras vermelhas pelo corpo; cavalo nenhum se compararia com aquele, nem mesmo um preço fora posto nele. O do garoto, um Barra-Larga cinza, mais novo, mais enérgico.

— O que digo às tropas? — Bax curvou-se de forma bem leve, evitando encontrar os olhos do líder.

— Diga que podem saquear o que quiserem e depois vamos partir para casa. Lembre-os de que os escravos são meus.

— Como desejar, meu senhor.

O homem montou o cavalo, seguido do garoto. Não se mexeram por alguns segundos; o homem tinha um ritual depois de uma batalha. Nada de especial, ele gostava de ver o campo de batalha. Ver seus homens, o possível lucro, tudo o que fosse.

— Vamos, garoto. Vamos para casa.

A viagem até a parte central do continente, no coração do Império, durou pouco mais de três dias. O garoto nem viu o tempo passar; nesse ponto, essas coisas já eram mundanas. Sair para invadir um território, batalhar e voltar para casa.

— Jin. Lembra-se do que eu disse? Você já pensou a respeito?

— Não, senhor.

— Se não for me chamar de pai, ao menos me chame de Aspher. Você não é um soldado.

— Tudo bem, Aspher. Não quero sua vida, de modo algum.

— Quero argumentos.

Jin não gostava de argumentar com Aspher. Desde que Aspher o colocara em aulas de diplomacia e conduta, o garoto nunca ganhou um argumento sequer contra o homem.

— Por mais que o senhor tente impor seu estilo de vida a mim, nada neste mundo me faria mais triste do que fazer o que o senhor faz. Não sei como consegue dormir depois de uma cena daquelas, no campo de batalha.

— Diga-me, Jin. Você acha que eu amo matar pessoas? Acha que fico feliz quando tenho que matar alguém?

— Aí está, o senhor disse "tenho". Ninguém tem que matar ninguém, isso é uma decisão própria, ninguém merece morrer por um líder burro como aquele.

— Quando se jura lealdade a um líder burro como aquele, geralmente é isso que se ganha. Escute, Jin, esta vida se resume a duas coisas. Para quem você levanta a sua espada. Seja ela apontada para cima ou para o peito de alguém. Você pode não entender agora, mas algum dia vai me agradecer.

— Novamente chegamos a este assunto, e novamente repito: nunca, em mil anos, vou sequer admirar ou achar nobre o que o senhor faz, Aspher. — o homem não esboçou reação alguma ao ouvir a frase. — Agora, se me permite, gostaria de ir para o meu quarto, se é que posso reivindicá-lo, talvez o senhor queira anexá-lo também.

— Faça como quiser. Apenas pense no que eu lhe disse. Sei que não gostou das espadas e eu aceitei isso, mas sua magia é única, meu filho.

Aspher não o deixaria ir até que afirmasse que pensaria a respeito, e Jin sabia disso.

— Está bem, pensarei em sua oferta.

— Magnânimo. Ah, e Jin, não me faça ter que me livrar daquela garota. Se eu souber que matou aula para ficar com ela mais uma vez, você sabe o que vou fazer.

Um arrepio percorreu a espinha de Jin.

— Entendido.

Uma coisa que o garoto aprendera enquanto lidava com Aspher era que, de maneira alguma, você deveria parecer fraco na presença do general.

A gigantesca mansão dos Harutos, localizada na parte rural da capital do Império, continha tantos quartos quanto salas inúteis. Os únicos atualmente ocupados eram os de Aspher, Jin e um gigantesco usado por todos os funcionários da propriedade. O do garoto, inesperadamente, era o maior e mais luxuoso da mansão. Aspher dormia no menor dos quartos. "Fica mais fácil de me defender de um ataque", o homem dissera.

Na porta de seu quarto, a mesma empregada de sempre já esperava o garoto. Jin achava que Aspher a colocara ali de propósito, para ficar de olho nele.

— Meu senhor, gostaria de algo?

— Não. Também não deixe ninguém entrar, quero ficar sozinho. Se Aspher me chamar, diga que não estou disponível para a diplomacia arcaica deste reino.

A empregada torceu a cara quando ouviu o garoto chamar o pai de Aspher, mas não demonstrou mais nada.

— Como quiser, meu senhor.

A porta foi trancada por dentro e o garoto se jogou na confortável cama. Não sabia dizer por quanto tempo ficara ali, parado, olhando para si e para nada ao mesmo tempo. O pedido de Aspher era frustrante, para dizer o mínimo. O homem achava que contratar professores era uma boa ideia para fazer a magia do filho evoluir, o que não estava errado. O problema era que Aspher não sabia do real potencial do garoto. E, uma vez que ficasse sabendo, seus esforços se tornariam incessantes, e em pouco tempo Jin viraria um trunfo na guerra, valioso demais no Império, que era voraz por magos.

A ameaça de Aspher fez a cabeça de Jin balançar. Fazia quanto tempo que fora descoberto? Quanto o homem sabia? Annabelle não merecia ser envolvida nisso. Não por motivos tão fúteis. Algo certo sobre Aspher era que, independentemente de tudo, o homem não ameaçava de forma infundada.

Um núcleo prata nesta idade. Céus, o que mais alguém poderia pedir? Os diversos professores que Jin tivera sempre deixavam claro o quanto o garoto era único. Mesmo fazendo o máximo esforço para esconder suas capacidades, limitar-se a dois elementos era o máximo que conseguia, enquanto, ao mesmo tempo, suprimia sua mana.

O dia começou de maneira lenta. Nada de muito interessante aconteceu pela parte da manhã. Algumas aulas, algum professor novo, o cansaço de limitar seus poderes; o de sempre. Não era de todo ruim, Aspher não poupava esforços na evolução do filho e isso significava que até mesmo um tempo livre lhe era dado todos os dias. E esse tempo livre fazia com que o garoto não enlouquecesse.

— Mestre Jin, seu pai demanda sua presença imediata no salão de reuniões.

Bom, nem sempre lhe era dado todo o tempo prometido.

— Que bom que veio, Jin. Sente-se.

Não foi um pedido.

O salão era decorado de maneira bem... exótica. Isso se dava porque Aspher gostava muito de seus troféus de guerra, por isso não era incomum ver diversos tipos de arquitetura em lados diferentes da sala. Algo memorável sobre a sala era uma estátua élfica pendurada, posta ao meio da mesa circular que a rodeava, bem no centro do salão. Jin aprendera que aquilo fora um saque, depois de uma exaustiva guerra contra a nação dos elfos. Sinceramente, o garoto agradecia que a estátua tivesse sido mantida em tão bom estado de conservação.

— Vamos partir para o leste hoje. Quero sua presença.

Novamente, não foi um pedido. Geralmente, Jin tentaria barganhar com o homem para que pudesse ficar em casa, mas achou que não valia o esforço.

— Como quiser.

— Sério? Nenhum argumento contrário ou a necessidade incessante de me dizer que sou o vilão? — Aspher raramente sorria, e as únicas vezes em que o fazia envolviam seu filho. — Você não perguntou, mas estamos indo resolver uma questão territorial em nome de Palor. Já deixo avisado que, com quase absoluta certeza, mancharemos nossas espadas. Entendido?

— Sempre é assim com vocês. — o garoto deu de ombros.

— Aí está o Jin que conheço. Tem meia hora para se preparar.

Mais um pouco de caminhada pela propriedade serviu para organizar os pensamentos de Jin. Estranhamente, para o garoto, a ideia de invadir e matar pessoas estava cada vez menos parecendo absurda. Céus, Aspher fazia isso com tanta frequência que um convite desses não passava de algo... mundano.

— Ei, bruxo. — o garoto escutou uma voz vinda por trás.

Somente uma pessoa neste mundo chamava Jin assim.

— Ana? O que é que cê tá fazendo aqui?

— Ué, terminei meu serviço e mamãe me liberou para brincar. O que você tava fazendo? Andando e olhando para o nada. Você se lembra da nossa promessa?

— Olha, Belle. Acho que não poderemos mais nos ver.

— Me diz, Bruxo, qual foi a nossa promessa?

— Você não entende. Aspher sabe de você, não posso deixar que ele tenha uma fraque...

— Eu sou uma fraqueza sua? Tem medo de que ele me use contra você?

— Se algo te acontecesse, eu não me perdoaria.

— Você tem um pai muito estranho, Jin.

— Ele não é...

Uma pressão assustadora envolveu o peito do garoto. Suas pernas começaram a tremer.

— Eu não sou seu pai.

Aspher caminhava muito lentamente em direção aos dois. Se alguma coisa pudesse se mexer com a pressão da aura do homem, certamente não estava presente. Jin olhou para Annabelle e conseguiu ver que ela estava em choque; um medo genuíno corria nos olhos da garota.

— Creio que não fomos apresentados, garota. Sou Aspher Har...

— O senhor é Aspher Haruto, lendário general de guerra, supremo conquistador do Império. Uma honra, senhor. — a garota curvou-se de maneira exagerada.

As sobrancelhas de Aspher se levantaram de maneira breve.

— Gostei dessa aqui. Por que você não é assim, Jin? Diga-me seu nome, criança.

— Sou Annabelle Star. Sou filha de Iszabel Star, sua cozinheira recém-contratada.

Se o homem tinha alguma emoção preparada, fez o trabalho de escondê-la com perfeição. Nem mesmo um piscar de olhos escapou.

— Posso imaginar que seja minha propriedade, assim como sua mãe?

— Aspher! Não diga coisas como essas para as pessoas!

Qualquer outra pessoa que falasse assim com o homem seria no mínimo açoitada, mas Jin não.

— Tudo bem. Creio que a conversa estava muito calorosa, mas estamos de saída. Vamos.

Jin não teve tempo de se despedir de Annabelle, sendo-lhe permitida somente uma troca de olhares um tanto preocupados. Aspher nem olhou para trás. Os dois andaram até o portão principal da propriedade; seus cavalos já os aguardavam lá.

— O senhor não conhece nenhum mago de teletransporte?

— Palor pega todos que capturamos. Espero mudar isso em breve. Confesso que até eu estou me cansando disso.

Jin não disse mais nada, somente seguiu o homem por toda a viagem. Geralmente, as tropas de Aspher eram as primeiras a chegar, esperando que quaisquer ordens chegassem. Aspher não concentrava todo o poder em suas tropas; alguns líderes de batalhão foram agraciados com essa honra.

Chegaram ao seu destino não muito mais que cinco horas depois. Um vilarejo de um reino vizinho, até que bem de vida. Aspher enviou um homem de confiança para negociar a rendição do minúsculo "exército" rival. Assim como sempre fazia desde que Jin chegara à sua vida. O garoto fizera o homem prometer que sempre tentaria negociar primeiro, antes de atacar. Assim como na maior parte das vezes, os inimigos não se renderam e o caos começou na pacata vila. Jin nunca se envolvia nas batalhas de Aspher, o que deixava o homem furioso, pois, não importava o que dissesse, o garoto nunca entoava um feitiço sequer. Com o tempo, ele parou de pedir.

Não demorou mais do que meia hora para a força inimiga ser derrotada e a vila cair nas graças dos homens de Aspher. Ao contrário do que se poderia esperar do homem, o estupro estava completamente banido de seu exército. Aspher matava todos os homens que sequer pensassem em danificar sua "mercadoria". — Um escravo que foi estuprado não vale metade do preço. Aquele que tocar na minha mercadoria somente uma vez o fará.

— Jin. Creio que os homens terminaram. Quero que dê uma olhada por aí, para ver se não deixamos nada passar. Bax! Acompanhe o garoto.

— Não há necessidade, deixe que Bax descanse. Voltarei em breve.

O general e Bax trocaram um breve olhar, mas nada foi dito.

Honestamente, o vilarejo estava muito menos danificado que os outros. Mas isso se devia a que as ordens superiores especificaram explicitamente para não queimarem nada, algo como uma posição estratégica. Jin andou por algum tempo pela vila, parando ocasionalmente para entrar em alguma casa. Em meio aos seus pensamentos, um choro veio ao seu ouvido esquerdo. Um choro de criança, com toda a certeza. Quanto mais perto Jin chegava, mais alto ficava. Jin colocou a cabeça para dentro de uma fresta em uma porta. Dentro, um garoto. Um garoto sentado, e em seu colo, uma mulher. As lágrimas pingavam sem um ritmo, sem um sinal de parar. Lágrimas caíam e molhavam as roupas da mulher agora sem vida. Bom, Jin já vira essa cena algumas vezes nessas buscas habituais. Geralmente, esse garoto seria capturado como escravo e vendido, mas... havia algo de diferente no garoto. Jin entrou na casa, de maneira bem lenta.

O interior era bem simples, assim como todas as outras. Jin caminhava silenciosamente, usando magia de vento para abafar ainda mais o barulho de seus passos. Infelizmente, uma tábua o pegou desprevenido, fazendo um rangido alto demais para que o garoto não escutasse.

Foi muito rápido. O garoto levou a mão esquerda a uma adaga surrada que estava escondida embaixo de sua coxa e virou-se para Jin. Antes mesmo que qualquer um dos dois pudesse dizer algo, o garoto se levantou e partiu para cima de Jin. Sinceramente, não aconteceu bem uma luta; o garoto foi erguido para cima pela magia de vento de Jin e ficou pendurado, sem muito o que fazer.

— Vocês vieram terminar o que começaram? Hein?! Vieram estuprar e matar minha mãe de novo? — lágrimas de ódio escorriam pelos olhos do garoto indefeso no ar. — Eu vou te matar, seu filho da puta, eu juro que vou matar cada um de vocês!

Como é? Esta mulher foi...

— Quem fez isso? Você se lembra do rosto de quem fez isso? — Jin examinou brevemente o corpo da mulher.

— É claro que lembro, porra! Como eu ia esquecer?! O filho da puta entrou aqui em casa logo depois de a mamãe me esconder no porão. — a garganta do garoto vacilou. Mais choro e lágrimas o engolfaram. — Não... tinha... uma mão.

Foram as últimas palavras que Jin escutou. Seu sangue fervia mais e mais. Uma veia pulsava em sua têmpora.

— Me escuta! Se eu te colocasse na frente desse homem, você conseguiria reconhecê-lo?

— Sim. — o garoto não largou a pobre adaga em nenhum momento.

— Está bem. Espera lá fora um momento. — Jin carregou, com a magia de vento, o garoto para fora da casa e voltou para dentro.

Tinha que ter certeza do que estaria fazendo. Levantando a saia da mulher, Jin quase vomitou. Depois de alguns segundos, recuperou-se e enxergou as marcas de lâmina no peito da mulher. Fora estuprada e morta para não se ter como provar. Jin saiu da casa e o garoto estava lá, flutuando debilmente, com a adaga na mão.

— Você... merece uma vingança, garoto. Se eu pudesse te dar isso, você teria coragem?

Os olhos do garoto brilharam como lâminas gêmeas ao ouvir a palavra "vingança".

Jin levou aquilo como um sim.

— Eu quero que você se controle. Vamos para perto de muitos dos... homens que fizeram isso com seu vilarejo, mas somente um deles fez isso com aquela mulher. Entendeu? — o garoto fez que sim com a cabeça. — Se você conseguir se controlar e me deixar falar, juro que terá sua vingança. Posso confiar em você?

— Eu não confio em você.

— Justo. Não o julgo, mas, se quiser tirar esse sentimento do seu peito, vai ter que confiar no único cara desse exército que não te matou mesmo quando você tentou me furar com esse pedaço de ferro aí.

O garoto soltou a adaga. Ela caiu num baque sonoro. Jin soltou a magia e o garoto fez o mesmo barulho, caindo no chão. Jin reparou na aparência dele. Cabelo prateado, era alto e muito magro. Seus olhos de cor castanho eram muito... julgadores.

O garoto nada mais disse, esperando que Jin liderasse o caminho. Andaram por alguns minutos, atraindo olhares dos homens que descansavam, mas nenhum deles falou nada. Quando estavam quase chegando onde Aspher estava, um homem chamado Cobre quebrou o silêncio.

— Aí, Jin! Finalmente pegou seu primeiro escravo!

O garoto que seguia Jin sentiu seu sangue ferver, mas levou um pontapé do mago, sendo trazido de volta.

— Onde está o general?

— Na barraca central, esperando os mensageiros da capital.

Os dois continuaram andando. A barraca era menor que a casa na qual a mulher jazia morta. Dentro, Aspher estava sentado numa cadeira mal feita, bebendo algo numa taça de cristal.

Jin bateu na porta. — Aspher, posso entrar? Sou eu, Jin. — um sonoro "sim" foi ouvido.

— Então, achou algo?

— Quero que mande chamar Bax de imediato. Entre! — o garoto entrou na tenda.

— Quem é o fedelho? Escravo?

— Bax estuprou e matou a mãe deste garoto, Aspher.

A taça de água caiu da mão de Aspher, espatifando-se no chão.

— Você...

— Eu tenho certeza, vi com meus próprios olhos. Agora, descreva-me o homem que você viu fazendo aquilo com sua mãe, garoto.

— Ele era careca, e o filho da puta não tinha um olho nem uma mão! Eu juro que vou arrancar cada pedaço de tripa dele ainda vivo e vou...

— Chega! Jin, você viu o corpo? Essa é uma acusação muito forte para se...

— Eu vi o corpo. Eu levantei a saia e... — o garoto quase gorfou. — Acredite em mim, ele a estuprou e depois a matou a fim de ocultar provas. Aspher, eu quero que faça justiça.

O homem encarou o garoto de aparência surrada por algum tempo. Um ódio mortal crescia naqueles olhos.

— Certo, Jin. Regras são regras. Mande chamar Bax, eu pessoalmente vou arrancar a cabeça del...

— Não. O garoto quer vingança, ele merece. Deixe que se enfrentem em um duelo.

As sobrancelhas de Aspher se ergueram de novo.

— Uma vingança, hein? Certo. Punhos, sem lâminas. Acha que dá conta, garoto?

— Mande chamar esse tal de Bax. — o órfão cuspiu no chão.

Não demorou muito até que todo o acampamento ficasse sabendo do duelo. Bax tentou fugir uma vez, quando Aspher o confrontou, mas acabou confessando. Por mais que parecesse uma luta desleal, ninguém se atreveu a intervir.

Um chiqueiro de porcos foi usado como ringue. Bax não tinha uma mão nem um olho, mas ainda era um adulto e bem mais nutrido que o garoto. Quando a luta começou, já estava tudo decidido. O garoto lutava com o ódio servindo de combustível, com aquela luta sendo a única coisa que importava, a única coisa que pudesse amenizar a covardia feita com sua mãe. Bax, no entanto, lutou como um soldado que sabia estar sendo enviado para a morte. Aspher não deixaria que ficasse vivo, não mesmo. Tinha tocado em uma de suas mercadorias, pagaria por aquilo. Vinte minutos de luta foram o suficiente para que o garoto derrubasse Bax e montasse em cima, desferindo uma fúria de socos nas partes mais sensíveis do homem. Aquilo durou bem mais que cinco minutos de socos ininterruptos. Mesmo que alguns homens tentassem arrancar o garoto de cima do já morto Bax, ele continuava a socar e socar, transformando a carne do cadáver em uma massa na parte de cima. Jin teve que levantar o garoto com magia de vento, para que pudessem pegar o cadáver.

Aspher parabenizou o garoto pela performance, mas não demonstrou muito mais interesse que isso. Fora Jin, no entanto, que tomou gosto pelo garoto, levando-o para se banhar.

— E aí? Aquela dor melhorou? Sente-se completo agora?

— Por que você não vai se foder? Minha razão de viver morreu, você sabe o que é isso, seu nobrezinho de merda? Claro que não sabe. Cresceu a vida toda tendo tudo o que sempre quis.

Jin soltou a primeira risada sincera em muitos meses. Quer dizer, olhando de fora, realmente era essa a impressão que causava.

— Qual o nome que te deram?

— Bjorn.

Fim da leitura

Capítulo 34 concluído

Volume I – Capítulo 33 – Capítulo 33: Lua e Sol