Sinph Star — Capítulo 36: Volume I – Capítulo 35 – Capítulo 35: Iminência

Sinph Star
Cap. 36
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Sinph Star

Volume I – Capítulo 35 – Capítulo 35: Iminência

Capítulo 36

1.495 palavras~7 min de leitura

— Isso... é chuva? Em que época estamos?

— Estamos entrando no verão, meu senhor.

Eu sinto que algo está... fora de lugar. Geralmente eu me sinto tão mal assim com a chuva?

— Me diga, Torn. Você também sente esta pressão crescente?

— De modo algum, meu amo. — o garoto me olhou de modo confuso. — O senhor tem certeza de que não quer que eu prepare seu banho quente?

— Me escute, garoto! Algo de ruim está para acontecer. Sempre que meu peito fica assim, algo... grande acontece.

Embora eu não arredo o pé, sei que estou sendo julgado por ele. Fazer o quê? Torn é filho de minha falecida criada. Embora eu não goste de contratar crianças, o garoto não teria para onde ir. A mãe morreu precocemente há alguns meses. Cerca de uma semana depois de sua morte, o garoto bateu aqui em casa. Não saiu desde então. Esperto, devo admitir.

— Vamos dar uma volta, Torn. Preciso tirar isso da cabeça. Pegue o porrete.

Torn me olhou com certo receio. O porrete serviria para nossa proteção, mas o garoto tinha um medo incomum da coisa. Se pudesse arriscar um palpite, diria que sua vida não tem sido a mais fácil até agora.

— Como desejar, senhor Icharo.

Nossa propriedade ficava no segundo melhor bairro da cidade. Talvez até o melhor, se você não gostar do bairro onde o Rei mora. Pelo menos não somos como aqueles pobretões de baixo, no bairro plebeu. Ah, se papai estivesse vivo, com certeza nos mudaríamos para o bairro de cima. Se não fosse pela guerra...

— O senhor está pensativo, meu amo. — a voz de Torn estava mais aguda. O garoto nunca gostou muito de andar por Qudu de noite.

— Estou. Tem reparado muito em mim, não?

— Bom, meu amo. Minha vida é basicamente lhe entender. Às vezes, é bem fácil.

— Obrigado pelo alerta, vou tentar blindar minhas emoções.

Qudu é uma cidade muito bonita de noite. Sempre foi. A praça central fica sempre movimentada; guerreiros e comerciantes fazem dali seu ponto de encontro. Papai me levava até lá. Ele gostava muito do lugar. Eu não. Minha mãe nunca me deixou chegar perto de uma espada. Aventureiros são tão... estúpidos.

— O que será que se passa pela cabeça de Allastor? Permitindo que a gentalha ande livremente por aqui... — Joana da casa Volger diz de modo bem alto.

— Vejo que não muito bem, levando em consideração que a casa Volger ainda é considerada uma das "grandes". Me diga, Joana. Quantos primogênitos vocês perderam, mesmo? — começo a contar lentamente com os dedos das mãos. — Um, seu filho. Dois, seu sobrinho. Quatro com seus dois netos. Esqueço de mais algum?

Devo ter passado do ponto aceitável de provocações, mas que se dane. Nossa casa perdeu um de seus homens na guerra e foi reduzida a uma reles casa de imundos. Torn me olha de maneira feia e sei que preciso me desculpar.

— Me perdoe, Joana. Passei do ponto. Sinto muito por suas perdas em uma guerra sem motivo. — a mulher me olha com relativa surpresa. Vejo que algumas lágrimas já tinham se formado em seus grandes olhos com cor de grama. Ela me olha por algum tempo, creio que para avaliar se estou sendo verdadeiro.

— Eu... sinto muito por seu pai, Icharo. Éramos bons amigos, eu e ele. Passar bem. — quando foi que comecei a odiar todo mundo? Bom, não todos, pelo menos.

Andamos pela noite, com passos bem leves. O humor de Torn melhorou depois da interação; carregar o porrete não parecia mais um fardo.

— Quero comprar um bolo. Um de glacê bem gelado.

— Meu amo, creio que os preços tenham subido com o começo da guerra e... enfim. Não creio que seja uma decisão sensata.

— Nós realmente viramos um daqueles imundos, céus. Estamos tendo que considerar comprar um bolo?

— O senhor me disse estritamente que menos de uma moeda de ouro por semana.

Fico bravo com o garoto, pois sei que estou errado.

— Uma fatia, então?

— Vamos fazer uma pesquisa de campo. Nada de irmos na Olhos de Alfajor.

Infelizmente não podemos mais comprar na doceria que papai me levava. Os preços aumentaram muito. Andamos um bocado de maneira apressada para pegarmos alguma loja aberta no setor comercial. Achamos uma, apenas uma. Quase fechando. A vitrine está triste. O cheiro de pão é bom, pão bem quente. Mas não viemos aqui por pão.

— Boa noite, tem tempo para mais uma venda? Buscamos uma fatia de bolo. — Torn decide fazer as negociações.

— Olha, rapazinho, estamos fechando. Mas não é como se a porta estivesse trancada, então, o que desejam? Que tipo de bolo buscam? — Eu encarei o rapaz detrás do balcão. Quer dizer, não é como se ele tivesse muitas opções. — Qual é? Tô brincando. Nós só temos esse de abacaxi. — o homem deu uma risada cansada.

— Este bolo... está inteiro. Qual o motivo? — quem falou fui eu.

— Bom... digamos que abacaxi não seja a fruta mais apreciada na cidade, e também, nosso cliente fiel não apareceu hoje; fazemos esse para ele todo dia. Elfo legal, o garoto. Bonito até.

— Quanto quer no bolo?

— Sinceramente? Me dê dez moedas de prata e ele é seu. Geralmente o garoto nos paga trinta por ele.

Olhei com animação para Torn, mas fui repreendido com um olhar afiado.

— Bom, este bolo não vai ser vendido amanhã; cinco moedas me parecem justas por um bolo de abacaxi. — o vendedor olhou para Torn com certa curiosidade.

— Hmm. Seis moedas e vocês têm um acordo. Pegar ou largar. — o vendedor cruzou os braços.

— Fechado. Levaremos o bolo.

— Perfeito!

O bolo foi embalado em uma caixa básica e nos foi entregue depois que Torn pagou o homem.

— Uma dica. Não esperem muito para comer o bolo, creio que ele azeda amanhã de manhã.

— Entendido.

Caminhamos em direção à praça central e nos sentamos em um banco de madeira. O bolo, fortemente protegido em meus braços. A brisa da noite nos agracia enquanto olhamos de longe os últimos comerciantes se preparando para fechar.

— Sinceramente, acho que fizemos um favor ao homem. Ele não venderia este bolo de maneira alguma se não fosse por nós.

— Mas ele vendeu. No fim de tudo, o que importa é concluir o negócio. Ele fica feliz de não jogar trabalho no lixo e nós pagamos um terço no bolo inteiro. — Torn me olhou como se discordasse, mas vi seus olhos entendendo o que eu disse. O garoto apenas acenou com a cabeça. — Veja, até nos deu guardanapos. Estenda a mão.

Nós comemos todo o bolo. Quer dizer, eu comi quase todo o bolo. Torn não é o maior fã de doces; comeu só dois pedaços. Embora eu não goste de admitir, o garoto é boa companhia.

— Me diga, Torn. Qual seu sonho?

— Ser um mago bem forte. Um daqueles que pega missões muito difíceis sozinho.

— Que inesperado. Então, você tem alguma aptidão mágica?

— Bom, não que eu saiba.

Quase ri.

— Bom, você ainda tem um ano para o seu núcleo se formar. Talvez tenha como. Se pudesse escolher, que tipo de magia você teria?

O garoto me olhou por algum tempo. Devo admitir que ele lembra muito a mãe.

— Com certeza seria vento. Queria fazer aquelas coisas que o herói das histórias podia fazer. Mamãe sempre me contava que o herói podia voar. — Torn largou o porrete e ficou balançando a mão no ar. — E o senhor? Que tipo de magia escolheria?

Que tipo seria? Nunca me perguntaram isso antes. Quando completei quinze anos e não tinha desenvolvido um núcleo, todas as conversas sobre isso acabaram. Bom, se me lembro bem, tinha um tipo.

— Acho que magia do tipo natureza. Papai tinha um jardim muito bem cuidado lá em casa; se eu pudesse restaurá-lo, creio que faria bem à alma dele. Uma pena que eu não seja um elfo.

— O senhor queria ser um elfo?

— Quê? Não, eu só... — Às vezes me esqueço que sou um adulto que tem um adolescente como melhor amigo. — Esquece. É que a maioria dos magos com afinidade de natureza são elfos.

— Entendi. Bom, uma pena, então. Eu não gostaria de ser um elfo. Elfos são... muito diretos.

Eu não vou perguntar. Não parece um assunto agradável.

— Bom, se algum dia o seu núcleo se formar, pode ter certeza que vou te ajudar, Torn. Pelo menos um de nós dois tem que ser um mago "fodão".

— Espero que seja logo. Os garotos da Dropfang todos despertam antes dos catorze. Será que poderíamos pagar?

Enquanto eu observava o garoto perdido em pensamentos, aquela sensação, aquela de mais cedo, voltou para me agoniar. Agora, no entanto, ela estava mais forte. Foi quando vi algo de estranho. Uma garota. Uma garota bem determinada, de cabelos castanhos e pele pálida. Carregava consigo um gato muito gordo. Até então, nada de estranho; o gato parecia brincar com a garota. O que me chamou a atenção foi a pressa da garota. Parecia meio agoniada. Algo tomou conta do meu corpo e me fez agir.

— Torn, pegue o porrete. Vamos.

Fim da leitura

Capítulo 36 concluído

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