Todas Essas Heroínas Perdedoras!Histórias Curtas Vol 4 – SS Nukumizu – SS Nukumizu: Nós Dois Temos a Aprovação da Família
Capítulo 46ERA O PERÍODO DAS FÉRIAS de inverno, e o fim do ano se aproximava rapidamente. Eu estava na filial de Toyokawa da Livraria Sanyodo logo depois de sua abertura.
Havíamos parado naquela livraria, próxima ao trevo rodoviário de Toyokawa, enquanto seguíamos para fora da província em uma viagem de família.
Uma regra da família Nukumizu determinava que eu podia comprar um livro sempre que fazíamos uma viagem com pernoite. Naquele dia, porém, eu estava parado diante da seção de papelaria. Afinal, aquela loja também tinha uma ótima variedade de materiais.
Peguei uma caneta esferográfica exposta em uma caixa especial.
— Uma caneta um pouco mais cara... Não é uma má ideia.
Gastar dinheiro com um material de papelaria que eu normalmente não usaria parecia, de algum modo, algo bem sofisticado.
Enquanto observava a caneta amarela, um leve cheiro de terra e sol fez cócegas no meu nariz.
— Ora, é o Nukkun. O que você está fazendo num lugar destes?
Alguém esbarrou com força em mim enquanto falava com uma voz conhecida.
Virei-me, apreensivo, e encontrei Lemon Yakishio parada ali. Ela era integrante tanto do Clube de Literatura quanto do Clube de Atletismo.
— Eu só estava olhando as canetas. E você, Yakishio? Por que está aqui?
— Esqueci que o treino de atletismo tinha sido cancelado e fui até a escola. Como fiquei sem nada para fazer, resolvi visitar o Toyokawa Inari. Pensei em passar por aqui no caminho, então vim correndo.
Veio correndo...
Da escola até ali eram facilmente uns dez quilômetros.
— Mesmo assim, o Toyokawa Inari fica longe demais. Você podia ter ido ao Santuário Yoshida.
— Eu ainda não tinha feito minha visita de agradecimento por ter passado no exame de admissão do ensino médio. Achei melhor ir antes da primeira visita do Ano-Novo.
— Você deixou mesmo para a última hora. Então está voltando do santuário?
Yakishio pegou a caneta da minha mão e desenhou uma flor com facilidade no papel de teste.
— Não, ainda não fui. Percebi que meu grafite de lapiseira tinha acabado. Aí vi a Sanyodo e pensei que vir aqui já estava bom.
— Mas isto não é nem templo nem santuário.
— Esta loja fica perto do Toyokawa Inari, não fica? Se eu fizer compras aqui, não dá na mesma que visitar o Toyokawa Inari?
Acho que não.
— Você devia fazer sua visita de agradecimento direito. Não seria constrangedor aparecer para a visita de Ano-Novo sem ter agradecido antes?
— Constrangedor...? É, acho que dá para pensar assim.
Yakishio assentiu, admirada, e então bateu com força nas minhas costas.
Doeu.
— Então vamos fazer a visita juntos, Nukkun. Você está livre mesmo, não está?
— Agora vou participar de uma cerimônia memorial com a minha família, então não posso.
— Sua família está aqui!? Por acaso é aquele senhor ali? Olááá!
— Espere, aquele é só um desconhecido. Não, também não é aquela pessoa ali, então pare de acenar.
Aquilo era ruim.
Yakishio parecia prestes a abordar todos os clientes da loja. Ser visto pelos pais na companhia de uma colega de classe era uma situação que qualquer garoto adolescente desejaria evitar a todo custo.
Enquanto tentava desesperadamente impedir Yakishio, percebi Kaju e meus pais saindo apressados da loja.
...Certo, estou salvo.
Agora só precisava me encontrar com eles sem que Yakishio percebesse.
Peguei o celular para entrar em contato com Kaju, mas fui recebido por uma enxurrada de mensagens.
"Você consegue, onii-sama."
"Mostre a ela do que você é capaz como homem."
"Prepare-se."
...Eu achava que aquilo era coisa apenas da Kaju, mas o que os meus pais estavam fazendo? Espere, isso queria dizer que...
Com um mau pressentimento, olhei para fora da loja bem a tempo de ver um carro conhecido deixando o estacionamento.
Hã!?
Eles me deixaram para trás? Sério?
Espiando a tela do meu celular por cima do meu ombro, Yakishio abriu um sorriso radiante.
— Sua família deixou você para trás, Nukkun. Que momento perfeito! Vamos juntos.
— Isso não tem nada de perfeito! Não, mais importante, eu vou embora agora!
Quando tentei sair dali, a mão forte de Yakishio agarrou meu braço.
— Ah, qual é? Não tem problema. Vamos ao santuário e depois corremos juntos até em casa. Nossa, dizerem para você "mostrar do que é capaz como homem"... É tão bom ter uma família compreensiva. Minha mãe vive mandando eu parar de correr para todo lado...
— Pare de me puxar. Como eu disse, preciso ir atrás da minha família.
— Use o bom senso. Você não vai conseguir alcançar um carro correndo. Agora, prepare-se!
Ahh...
Pensar que eu seria repreendido pela Yakishio por não usar o bom senso...
Dominado por uma indescritível sensação de derrota, deixei que ela me arrastasse para fora da loja…
(N/SLAG: Localizada próxima ao Toyokawa Inari, corre o boato, no universo de Makeine, de que fazer compras ali traz bênçãos divinas. A loja também fica perto do trevo rodoviário de Toyokawa, o que a torna o lugar perfeito para escolher um livro que o acompanhe durante a viagem.)
📖✨ Este capítulo foi traduzido por Slag e revisado por Shisui
💬 Quer acompanhar os próximos lançamentos, dar sugestões e trocar ideia com a gente?
Entre no nosso servidor do Discord e faça parte da comunidade! 🚀
Comentários do capítulo 46
Converse sobre este capítulo. Marque spoilers para proteger outros leitores.