Todas Essas Heroínas Perdedoras! — Capítulo 47: Histórias Curtas Vol 4 – SS Nukumizu – SS Nukumizu: A Idade dos Arredondamentos

Todas Essas Heroínas Perdedoras!
Cap. 47
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Todas Essas Heroínas Perdedoras!

Histórias Curtas Vol 4 – SS Nukumizu – SS Nukumizu: A Idade dos Arredondamentos

Capítulo 47

2.624 palavras~11 min de leitura

FINAL DE NOVEMBRO, pouco depois do meio-dia de um domingo.

Na entrada de casa, Kaju ergueu os olhos para mim, com lágrimas acumuladas nos cantos.

— Onii-sama... a Kaju já está indo.

— Certo. Tome cuidado e não volte muito tarde.

Uma irmã mais nova saindo de casa no dia de folga e o irmão mais velho se despedindo dela. Apesar de ser uma cena completamente comum, uma lágrima acabou escorrendo pelo rosto de Kaju.

— Você não vai ficar sozinho e com saudade, Onii-sama? Vai ficar bem sem ninguém sentado no seu colo?

Eu não precisava de ninguém sentado no meu colo. Na verdade, se possível, preferia ficar sozinho.

Afaguei delicadamente a cabeça de Kaju.

— Vou ficar bem. Vá se divertir, Kaju. Anda, você vai se atrasar para encontrar suas amigas.

Isso mesmo. Kaju só ia fazer compras com as amigas.

— Mas, mas... o papai e a mamãe também saíram de repente, então o momento deslumbrante e açucarado só entre o Onii-sama e a Kaju vai...

— Estou diminuindo o consumo de doces ultimamente. Agora, vá logo.

— Miaaau...

Depois de empurrar Kaju para fora à força, tranquei a porta.

...Muito bem. Agora eu tinha a casa inteira só para mim.

Espreguicei-me com vontade enquanto repassava mentalmente meus planos para assistir anime.

Como era de se esperar, eu deveria aproveitar a oportunidade para maratonar "Os Bombeiros da Floresta dos Elfos", atual primeiro colocado provisório do ranking de "Animes que Não Posso Mostrar para Minha Família", na televisão grande da sala...

Ding-dong.

A campainha tocou, como se tivesse sido acionada especificamente para apagar toda a minha empolgação.

Será que Kaju tinha esquecido alguma coisa?

Abri a porta sem pensar muito e encontrei diante de mim a pessoa que menos esperava ver.

— Ah, você me salvou. Nukumizu-kun, deixa eu entrar...

Bati a porta na cara dela.

...Por que a Yanami estava aqui?

Isso mesmo. Quem estava parada do lado de fora, vestindo um agasalho esportivo e completamente encharcada de suor, era Yanami.

Ah, agora que pensei nisso, precisava trancar a porta.

No instante em que estendi a mão para a fechadura, a porta foi puxada com força.

— Ei, Nukumizu-kun! Você fechou a porta assim que viu a minha cara, não foi!?

— Bem, é que você está completamente ensopada de suor.

Minha explicação extremamente convincente não surtiu efeito. Yanami se aproximou, soltando fumaça pelas ventas.

— Eu não vim aqui para brincar nem nada disso! Tenho um motivo inevitável para...

— Ei, você poderia tirar o pé da porta?

— Que tal você parar de tentar fechá-la!?

Mas era ela quem estava tentando invadir a minha casa à força.

Yanami enfiou o braço pela abertura. Isso era ruim. Eu precisava impedi-la de avançar ainda mais.

Nossa, ela era forte demais...

E assim, a batalha preliminar travada na entrada terminou com a minha derrota completa.

*

Yanami desabou sobre uma cadeira na sala e virou um copo de chá oolong de uma só vez.

— Ufa, voltei à vida. Saí para caminhar sem a carteira, achando que o celular seria suficiente.

— E então a bateria acabou. Foi isso?

— Não consegui falar com ninguém e nem sequer comprar uma bebida. Ah, pode me dar mais um copo?

Assim que servi novamente, Yanami esvaziou o copo em um único gole.

— A sua casa não fica bem longe daqui, Yanami-san? Você andou bastante.

— Minha mãe me deixou de carro na entrada do Parque Toyohashi, então não era tão longe. Mas percebi na mesma hora que a bateria tinha acabado. Apostar tudo e vir até a sua casa foi a escolha certa, Nukumizu-kun.

Do Parque Toyohashi até a minha casa eram cerca de dez minutos a pé.

Ela estava suada demais para alguém que tinha andado só aquilo... Por quê?

Yanami abanou o rosto com a mão enquanto observava a sala.

— Não venho à sua casa desde as férias de verão, não é? A Imouto-chan saiu?

— Foi fazer compras com as amigas. Então, quando você pretende ir embora, Yanami-san?

Yanami lançou um olhar descontente para mim.

— Nukumizu-kun, você não está sempre tentando me mandar embora cedo demais?

Era verdade, mas hoje não era apenas por isso. Enquanto eu hesitava sobre contar ou não, Yanami apertou o botão de ligar no controle remoto da televisão.

— Não posso voltar para casa até o celular terminar de carregar. Ah, está passando um programa sobre pesca de atum. É aquele que perdi no Ano-Novo.

Ela apoiou os cotovelos sobre a mesa, deixando toda a sua atenção ser absorvida pela tela.

...Isso era um problema. Ela realmente estava começando a se sentir em casa.

Olhei de soslaio para o calendário na parede, cruzando e descruzando as pernas, inquieto. Eu realmente não esperava encontrá-la hoje, então não estava mentalmente preparado...

— Eu fico aqui cuidando da casa. Por que você não dá uma volta enquanto o celular carrega?

— Descansar também é importante, Nukumizu-kun. Olha a televisão! Está dizendo que esse é o maior atum-rabilho da temporada!

Contagiado pela empolgação dela, acompanhei seu olhar e vi um atum grande e roliço sendo içado.

— Diz que pesa mais de cem quilos. Incrível. É mais do que duas de mim.

Hã? Mais do que duas Yanamis...

— Espera. Você não está manipulando um pouco esses números?

— Não estou manipulando nada! Nukumizu-kun, você sabe o que é arredondamento!?

Furiosa, Yanami empurrou o copo na minha direção. Em silêncio, servi mais chá oolong.

— Só para você saber, todas as minhas dietas são um sucesso. Sou conhecida como o demônio da manutenção do peso ideal.

Entendi. Era como o meu tio, que parava de fumar todos os dias.

— Então você também estava caminhando hoje por causa da dieta.

— Não é como se eu tivesse engordado. Mas, por algum motivo, a roupa que comprei outro dia não serviu. Por isso achei melhor caminhar um pouco.

— Isso significa que você engordou…

Um olhar afiado de Yanami me fez engolir as palavras.

— É, isso não quer dizer que você engordou...

— Eu não engordei. Provavelmente mudaram os padrões. O sistema métrico ou alguma coisa assim.

Isso seria um acontecimento e tanto.

— Não, isso não mudaria. Estamos falando de metros, sabe?

— Mas a roupa serviu perfeitamente quando experimentei no mês passado!

— Mesmo que o padrão mudasse, o tamanho real da roupa continuaria o mesmo. Então você definitivamente engordou...

Yanami voltou a me encarar.

— O sistema métrico mudou, não é? É, com certeza.

— Fico feliz que tenha entendido.

Assentindo solenemente, Yanami pousou o copo sobre a mesa com um pequeno estalo.

— Na verdade, hoje eu pretendia ficar com fome para me preparar para a noite. Afinal, vou comer yakiniku no jantar. Do tipo caro, não rodízio.

Yakiniku caro no jantar...?

Certo. Com esse assunto, eu conseguiria mencionar aquilo.

— Ah, pensando bem, hoje é...

— Exatamente!

Interrompendo-me, Yanami sorriu e ergueu o polegar.

— Hoje é 29 de novembro, o Dia da Boa Carne! Só hoje ninguém vai reclamar se eu usar bibimbap na pedra como acompanhamento para o arroz.

(N/SLAG: Em japonês, a data 29/11 pode ser lida como "ii niku", expressão que significa "boa carne")

Onde a carne tinha entrado nessa história?

— Bem, mais importante do que isso, hoje é o seu...

— Eu até pulei o almoço, então hoje estou falando sério. Vou pedir todos os cortes de carne bovina. Talvez eu comece conquistando as vísceras.

Com um sorriso radiante, Yanami começou a simular que grelhava carne no ar. Seria simplesmente deselegante estragar aquele sorriso.

— Ah, você ia dizer alguma coisa, Nukumizu-kun?

— Não, não era nada. Mais importante, ouvi dizer que comer um pouco antes ajuda a ativar o estômago e permite que você coma mais depois.

Yanami inclinou levemente a cabeça.

— É mesmo? Então talvez eu devesse comer uma tigela de arroz com carne e queijo antes.

Eu não tinha dito um pouco?

— Um bolinho de arroz já seria suficiente, não é? É só para ativar o estômago.

— Nukumizu-kun, um bolinho de arroz é... praticamente uma margem de erro, não acha?

Uma margem de erro. Então tudo o que ela tinha comido até agora também era apenas uma margem de erro?

— Além disso, comer só carboidratos engorda, não é? É preciso comer junto com verduras ou alguma coisa assim.

Espera. Yanami tinha começado a falar coisas sensatas de repente. Será que estava passando mal por estar com fome demais...?

— Yanami-san, quer que eu prepare alguma coisa leve? Temos verduras na geladeira.

Yanami pareceu surpresa ao ouvir minha oferta preocupada.

— Nukumizu-kun, você sabe cozinhar? Normalmente é a Imouto-chan que faz isso, não é?

— Não diria que sei cozinhar, mas consigo fazer coisas simples, como donburi ou curry.

— Entendi. A chamada culinária masculina.

Ela cruzou os braços e assentiu repetidas vezes.

— Mas comida feita por homens é basicamente toda marrom, não é? É como uma inimiga natural das dietas.

— Yanami-san, você gosta de comidas marrons, não gosta?

— Gosto! Eu amo!

...Ela confessou.

Bem, se ela tinha confessado, não havia o que fazer. Levantei-me enquanto tentava lembrar o que havia na geladeira.

— Então vou tentar preparar alguma coisa com bastante verdura e poucas calorias.

— Vamos ver do que você é capaz, Nukumizu-kun.

Yanami disse isso apoiando um dos cotovelos sobre a mesa. Por que ela estava agindo de maneira tão arrogante...?

*

Cerca de vinte minutos depois, coloquei um prato fumegante diante de Yanami.

— Obrigado por esperar. Coma antes que esfrie.

Culinária masculina ao estilo Nukumizu: yakisoba com molho espesso e uma grande quantidade de vegetais.

Também conhecido como Especial Geral das Sobras da Geladeira.

Depois de soltar um discreto "oh", Yanami pegou os hashis... e parou.

— Espera, isso parece bem autêntico. E as calorias?

— Usei metade da quantidade normal de macarrão e aumentei o volume com o molho de vegetais. Vejamos... acho que deve ter menos de trezentas.

— Trezentas?

As sobrancelhas de Yanami se ergueram.

— Até um simples macarrão instantâneo de copo tem quatrocentas quilocalorias. Poderia explicar que tipo de cálculo você fez?

...Ela era tão tolerante consigo mesma e tão rigorosa com os outros.

— Bem, preparei o molho principalmente com acelga, além de usar orelha-de-judas, cogumelos shimeji e minimilho, que têm poucas calorias. Para acrescentar proteína, coloquei peito de frango desfiado bem fino e ovos de codorna. Também usei ervilha-torta e cenoura para dar cor. Ah, e cozinhei os ingredientes no vapor usando o micro-ondas, então não precisei usar óleo.

Depois da explicação, coloquei uma tigela de sopa de algas ao lado do prato.

— Caso esteja preocupada com a quantidade, não precisa comer tudo.

Yanami ficou algum tempo observando atentamente o prato.

— O que importa é o sabor…..

Ela murmurou em voz baixa.

— O quê?

— Na culinária, tudo se resume ao sabor. Não saberemos quem venceu até eu experimentar.

Desde quando aquilo tinha virado uma competição?

Yanami levou o yakisoba à boca.

Mastiga, mastiga, mastiga.

Depois de esvaziar aproximadamente metade do prato, Yanami pousou os hashis de repente, produzindo um estalo.

— Aconteceu alguma coisa, Yanami-san?

— Você não acha que foi um pouco cruel comigo?

— Hã? Por quê?

Yanami ergueu os olhos e me encarou sem expressão.

— A marmita que preparei no primeiro semestre. Nukumizu-kun, se você sabia cozinhar tão bem, provavelmente olhou para a minha marmita e pensou que ela era uma daquelas coisas, não foi?

...Sim, eu tinha pensado. Mas eu também era um adulto. Balancei a cabeça com firmeza.

— Claro que não. Marmitas exigem muitos cuidados, como garantir a conservação e fazer com que a comida continue gostosa mesmo fria. Também é necessário pensar na apresentação.

Deixando de lado a aparência da marmita dela, é claro. Talvez minha desculpa desesperada tivesse funcionado. Com uma expressão triunfante, Yanami pegou os hashis novamente.

— Desde que você entenda, tudo bem. Afinal, preparar uma marmita dá muito trabalho.

Diante de uma Yanami satisfeita, a metade restante do yakisoba foi exterminada em um instante.

Depois de limpar completamente o prato, sem deixar nem mesmo o molho, ela juntou as mãos.

— Obrigada pela comida! Estava delicioso!

— Não foi nada. Aqui, vou deixar um pouco de chá para você. Está quente, então tome cuidado.

Enquanto recolhia o prato e seguia para a pia, ouvi uma voz atrás de mim.

— Quente!

...Eu literalmente tinha acabado de avisá-la.

*

Quando terminei de guardar a louça e voltei, Yanami estava lendo o jornal enquanto bebia o chá.

Por algum motivo, uma atmosfera da Era Showa parecia pairar exclusivamente ao redor dela...

— Hum... parece que o iene está fazendo alguma coisa em relação ao dólar. Que situação complicada.

— É, muito complicada.

Tirei o avental, sentei-me em uma cadeira e verifiquei inquieto o calendário no celular.

Como Yanami havia dito, hoje era o Dia da Boa Carne. No entanto, acima disso, também era um dia um pouco mais especial.

Porque hoje era… Lancei-lhe um olhar rápido. Yanami cantarolava enquanto virava as páginas do jornal.

— Bem... hoje é dia vinte e nove, certo?

Quando fiz a pergunta de propósito, Yanami assentiu sem tirar os olhos do jornal.

— Sim. Eu acabei de dizer isso, não foi?

— Então... sabe como é. É... aquilo. Então... aqui.

Desviando o olhar, estendi um pacote de papel que continha um livro.

— Hã? O que é isso?

— Bem, hoje é... o seu aniversário, então...

Surpresa, Yanami piscou algumas vezes enquanto recebia o pacote.

— Quer dizer que é um presente? Nukumizu-kun, você sabia a data do meu aniversário?

Eu estava tão envergonhado que apenas abaixei a cabeça e assenti repetidas vezes. Então Yanami soltou uma exclamação ao abrir o pacote.

— Não acredito! Eu estava procurando este livro! Estava esgotado em todos os lugares!

O título do livro que Yanami ergueu com os olhos brilhando era "A Enciclopédia da Carne".

De animais de criação a animais selvagens, era uma obra-prima irresistível para os amantes de carne, cobrindo todos os tipos comercializados no país.

— Eu o encontrei por acaso. Então pensei que poderia aproveitar e...

Nem sequer sabia se ela estava me ouvindo. Com os olhos cintilantes, Yanami apontou para uma página do livro.

— Olha, Nukumizu-kun! Tem uma explicação sobre os estômagos das vacas! Agora não vou mais confundir o abomaso com o rúmen!

— Ah, entendi. Você realmente encontra tantas oportunidades para confundi-los?

— Oportunidades são coisas que nós mesmos criamos, Nukumizu-kun. O omaso não tem uma aparência nojenta demais?

— Não aproxime tanto o livro de mim se você também acha isso.

Um garoto e uma garota do ensino médio sozinhos dentro de uma casa, olhando para fotografias de carne crua...

O que estávamos fazendo?

...Depois de algum tempo, aparentemente satisfeita, Yanami fechou o livro e o apertou com força contra o peito.

— Muito obrigada, Nukumizu-kun. Estou muito feliz.

— Hã...? Não foi nada demais.

Era desconcertante vê-la demonstrar uma felicidade tão genuína...

— Então, Nukumizu-kun... tenho uma coisa para conversar com você. Ou melhor, um favor para pedir.

Conversar?

Diante daquele momento, fiquei me perguntando o que ela pretendia dizer. Enquanto eu permanecia confuso, Yanami começou a falar timidamente, brincando com a franja.

— Sobre aquele yakisoba de antes. Você usou apenas metade do macarrão, não foi?

— Hã? Sim, usei.

— Isso significa que a outra metade ainda está sobrando. Em outras palavras, pensei que talvez fosse inconveniente para você ficar com ingredientes restantes sem saber o que fazer...

Ela continuava mexendo no cabelo, inquieta. A visão de Yanami brincando com os fios era exatamente como a de uma donzela apaixonada.

Peguei novamente o avental dobrado e me levantei.

— Yanami-san, você quer repetir?

— Quero!

O sorriso radiante dela floresceu mais uma vez. Não consegui impedir que um sorriso também surgisse em meus lábios.

Uma estudante do ensino médio apaixonada não por um garoto, mas por yakisoba com molho espesso.

Vinte e nove de novembro, o Dia da Boa Carne.

Hoje era o aniversário de dezesseis anos de Anna Yanami.

Pelo visto, ainda levaria um bom tempo até o dia em que ela conseguiria um namorado...

📖✨ Este capítulo foi traduzido por Slag e revisado por Shisui

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Fim da leitura

Capítulo 47 concluído

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