Todas Essas Heroínas Perdedoras! — Capítulo 81: Volume 7 – Capítulo 1 – Capítulo 1: Kazuhiko Nukumizu, Turma 2-C

Todas Essas Heroínas Perdedoras!
Cap. 81
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Todas Essas Heroínas Perdedoras!

Volume 7 – Capítulo 1 – Capítulo 1: Kazuhiko Nukumizu, Turma 2-C

Capítulo 81

6.614 palavras~29 min de leitura

JÁ HAVIA SE PASSADO UMA SEMANA desde o pesadelo da orientação dos alunos do primeiro ano. Todas as aulas do dia já haviam terminado, e agora só restava esperar pelo início da reunião de encerramento.

...Bem, depois da aula eu ainda precisava ir para a sala do clube.

O período de recrutamento de novos membros estava chegando ao fim. E, sim, já estávamos na reta final.

— Estamos ferrados...

Murmurei para mim mesmo enquanto encarava o teto que já havia se tornado familiar.

Até aquele momento, o Clube de Literatura não havia recebido uma única visita. E aquele era o último dia do período de experiência das atividades dos clubes.

— O que foi? Você não parece muito animado.

— O recrutamento do clube não está indo nada bem.

Quem havia falado comigo era Mitsuki Ayano. Ele tinha uma história complicada com a Yakishio, mas, no fim das contas, nada aconteceu porque ele era lerdo demais para perceber certas coisas.

— Bem, aquele incidente na orientação acabou virando assunto.

Ao lado de Ayano estava um garoto baixinho e de aparência adorável, Hiroto Sakurai, o tesoureiro do conselho estudantil. Os dois haviam se tornado meus colegas de classe depois de passarmos para o segundo ano.

— O que você quer dizer com "virando assunto"...?

— Quis dizer de um jeito positivo. Não se preocupe.

Uma mentira gentil caía muito bem quando se estava para baixo. Sakurai-kun era um cara legal, mas isso não mudava a realidade de que ainda tínhamos zero visitantes.

— Mas precisamos de cinco membros para evitar que o clube seja dissolvido. Temos que fazer alguma coisa.

— O clube não chegou a ter só quatro membros por um tempo no ano passado?

Ayano perguntou, curioso, e Sakurai-kun respondeu por mim.

— Se houver pelo menos um aluno do primeiro ano, o clube ganha um período de carência. Seria uma pena alguém entrar e o clube acabar sendo dissolvido por falta de membros.

Ainda assim, continuava sendo verdade que o Clube de Literatura precisava de novos integrantes para não ser dissolvido.

Numa situação tão desesperadora, parte da culpa também tinha que recair sobre aquelas garotas—

Lancei um olhar para o outro lado da sala de aula, onde estavam Yanami e Komari. Yanami estava praticamente largada sobre Komari, que permanecia sentada, como se fosse um cachecol humano, enquanto conversava alegremente com nossa colega de classe, Karen Himemiya.

Espremida entre as duas, Komari não parecia exatamente feliz. Ainda assim, a fúria que antes transbordava dela havia começado a diminuir desde o início do novo período letivo.

Eu tinha ouvido dizer que era preciso aclimatar os peixes-dourados à água de um aquário, e parecia que Komari finalmente estava começando a se acostumar àquele ambiente.

E, no fim, a Yakishio e eu acabamos em turmas diferentes.

Mesmo que eu quase não conversasse com ela durante as aulas, não podia negar que parecia faltar alguma coisa.

No fim do nosso primeiro ano, havíamos disputado uma corrida de cem metros para decidir quem sairia do clube. Eu não sabia até que ponto era capaz de compreender os sentimentos da Yakishio, mas, depois daquele dia, percebi que a hesitação em seus olhos havia desaparecido.

Enquanto ouvia distraidamente a conversa do Ayano e dos outros por cima da minha cabeça, a porta da sala se abriu.

Era nossa professora responsável pela Turma 2-C, Konami Amanatsu, que também lecionava estudos sociais. Para falar a verdade, eu já estava ficando um pouco cansado de vê-la.

Ao subir no estrado, Amanatsu-sensei bateu palmas.

— Ei, pessoal, sentem-se logo. Vamos acabar com isso de uma vez~.

A turma, que a essa altura já estava acostumada com ela, voltou lentamente para seus lugares.

Porém, por algum motivo, Amanatsu-sensei não começou a passar sermão na gente com aquela expressão irritada de sempre. Ultimamente, ela andava de bom humor.

Depois de escrever os avisos no quadro-negro, voltou-se para a mesa do professor.

— Muita coisa tem acontecido ultimamente. Tenho ficado superocupada, tanto na vida pessoal quanto no trabalho.

Ela fez uma pausa dramática e então olhou ao redor com um sorriso malicioso.

— Bem, parece que eu ainda sou muito popular. Tenho recebido... muita atenção. Só existe uma de mim, então estou bastante requisitada. O que será que eu faço?

Incapaz de conter a alegria, Amanatsu-sensei deu alguns tapas na mesa. Pelos fragmentos de informação que havíamos reunido nos últimos dias, parecia que ela estava passando por uma fase de grande popularidade.

— Mesmo sem eu pedir, tenho recebido uma enxurrada de "curtidas". Mas eu não sou tão fácil assim, entenderam? Não vão tirar conclusões erradas———

...Isso não era algum aplicativo de namoro?

Ela estava bem? Será que Konami Amanatsu realmente dava conta de mexer numa coisa dessas?

Sem que eu soubesse se ela havia percebido nossos olhares preocupados, Amanatsu-sensei continuou sorrindo enquanto batia o livro de chamada sobre a mesa.

— Certo, é só isso por hoje! Cuidado no caminho para casa!

*

Depois das aulas, a sala do clube estava envolta por uma atmosfera de apatia.

Komari encarava a estante com o olhar vazio, enquanto Yanami assistia sem parar, no celular, a vídeos de manteiga derretendo. A ansiedade provocada pela falta de novos membros havia dado uma volta completa e nos deixado num estado de tédio resignado.

...Assim não dava.

Endureci a expressão e me levantei da cadeira.

— Pessoal, vamos nos animar. Acredito que hoje alguém vai aparecer para conhecer o clube.

Ao ouvir minhas palavras, Yanami ergueu os olhos e soltou um suspiro.

— Você fala isso, mas hoje é o último dia do período de experiência, não é? Até agora não apareceu ninguém. Não tem como alguém vir justo hoje.

— Não, é justamente o contrário. Hoje é a nossa última chance.

— C-Chance...?

Komari me lançou um olhar desconfiado.

— Os alunos interessados no Clube de Literatura com certeza são introvertidos e tímidos, não é? Para calouros desse tipo, seria perfeitamente normal hesitar em vir aqui depois de ver aquela orientação.

Dizer aquilo em voz alta fez meu coração doer. As lembranças daquele dia ainda assombravam meus sonhos.

— Mas, se estiverem realmente decididos a entrar, vão reunir coragem e aparecer no último dia. Não podemos perder essa oportunidade.

— Mas eles podem entrar quando quiserem, mesmo depois do período de experiência, não podem? Por que viriam especificamente no último dia?

Ora, ora. Yanami realmente não entendia nada. Komari e eu trocamos olhares e demos de ombros, resignados.

— Escuta, para introvertidos tímidos como eu e a Komari, perder o período oficial de experiência significaria nunca mais ter coragem de pôr os pés na sala do clube. O mundo inteiro parece território inimigo para gente como nós.

— O mundo não é tão cruel assim...

Será mesmo? Ele parecia bastante cruel sempre que eu olhava para você, Yanami.

— N-Nukumizu, será que a gente devia t-tirar "aquilo"...?

— Boa ideia. Agora é a hora perfeita.

Peguei a caixa de papelão que estava em cima da estante e tirei de dentro dela outra caixa, que estava escondida.

— Kame Monaka da Okamedo! Isso aqui é delicioso! 💭

— Sim. Os veteranos deixaram para usarmos no recrutamento. Não comam. São para os visitantes.

— Espera. Por que esses monaka estavam escondidos lá em cima?

Eu realmente precisava explicar? Achava que não.

Em silêncio, entreguei a caixa para Komari. Ela olhou para a embalagem com uma expressão preocupada.

— E-Estão vencidos.

O quê? Então não podíamos servir aquilo aos visitantes. Enquanto eu mergulhava no desespero, Yanami arrancou a caixa das mãos de Komari.

— Yanami-san, isso está vencido.

— Nukumizu-kun, você ainda acredita em datas de validade?

...Lá vinha ela de novo, falando besteira.

— Isso sequer é uma questão de acreditar ou não em data de validade?

— Aqui está escrito "melhor consumir antes de", não está? Então a data não importa, desde que ainda esteja gostoso.

Com uma expressão triunfante, Yanami deu uma mordida no Kame Monaka.

— Uhum, está delicioso. Vamos, pessoal, comam também.

Aquela altura, resistir era inútil. Enquanto nós três comíamos os monaka, a icônica música-tema de um antigo filme de tubarão começou a tocar no meu celular.

Aquele toque pertencia à orientadora do Clube de Literatura, Sayo Konuki. Olhei para a tela, e a notificação dizia:

"Por favor, venha até a enfermaria, presidente♡"

...Eu preferia não ir.

— O-O que foi?

Komari espiou a tela do meu celular enquanto eu pensava em uma forma de ignorar a mensagem.

— Konuki-sensei está me chamando. Ah... eu meio que estou ocupado. Você poderia ir no meu lugar?

— Ué!? S-Sai fora.

Pois é. Eu também não queria. Yanami inclinou a cabeça enquanto abria o quarto monaka.

— Será que é um aviso de que o clube vai ser dissolvido?

— O quê!? — Komari e eu gritamos ao mesmo tempo.

Nós dois nos levantamos de um salto. Yanami tomou um gole de chá e soltou um suspiro satisfeito.

— Nosso clube está ferrado se não conseguirmos novos membros, afinal. Hoje é o último dia do período oficial de recrutamento, então não seria estranho se a sensei tivesse alguma coisa para falar sobre isso.

Pela primeira vez em muito tempo, a lógica de Yanami fazia sentido. Ao ver Komari andando de um lado para o outro, inquieta, desisti e deixei os ombros caírem.

Eu tinha que ir até a enfermaria. Mas não queria nem um pouco...

*

Aqui ia uma lição para todos os alunos do primeiro ano. Era essencial aprender as regras de etiqueta para visitar a enfermaria do Colégio Tsuwabuki.

A primeira coisa a fazer ao entrar era acender as luzes e abrir as cortinas.

Fogo era perigoso, portanto era importante apagar qualquer vela e desligar aquela iluminação ambiente suspeitamente intimista. Também era recomendável procurar por câmeras escondidas enquanto fazia isso.

Ao conversar com Konuki-sensei, era melhor ter uma terceira pessoa presente. Caso isso não fosse possível, o ideal era sentar-se perto da saída e colocar uma mesa ou algum outro obstáculo entre vocês.

Só depois de tomar todas essas precauções seria possível encarar a sensei com alguma tranquilidade—

— Tome um pouco de chá de ervas antes que esfrie.

Lançando-lhe um olhar cauteloso, sentei-me, e Konuki-sensei colocou uma xícara de chá diante de mim.

— Ah, obrigado. Então, para que a senhora me chamou?

— Ora, eu não posso chamar você sem ter um motivo?

— Ah, bem... é que eu estou bem ocupado.

Tomei um gole do chá.

— Continua tão frio assim, hein? Você tomou o chá de ervas direito? Já disseram que você é muito resistente a medicamentos?

— A senhora não colocou nada neste chá, colocou?

Konuki-sensei apenas sorriu em silêncio para mim. Certo, eu estava indo embora. Quando me levantei, ela apontou para mim com seu longo dedo indicador.

— Vamos falar sobre o recrutamento de novos membros.

Finalmente havia chegado o momento. Sentei-me devagar outra vez e estabilizei a respiração. Ao ver minha expressão séria, Konuki-sensei falou em voz baixa.

— Bem, sobre isso...

Justo quando eu tentava encontrar as palavras certas, ela disse algo inesperado.

— Se você não se importar, eu gostaria de apresentar uma possível nova integrante.

Espera, uma possível nova integrante!? A notícia era tão perfeita que me levantei de um salto.

— Seria ótimo! Desde que entre para o clube, qualquer pessoa é bem-vinda!

— Sério? Fico muito mais tranquila ouvindo isso.

— Desculpe, posso pensar um pouco melhor?

Talvez aquilo não fosse um cenário tão perfeito assim. Apesar de não estarmos em posição de escolher muito, tomar uma decisão precipitada poderia ser perigoso.

— Ah... por que a senhora está recomendando essa pessoa para o Clube de Literatura? Pelo que disse, sensei, não parece que ela tenha algum interesse especial no nosso clube.

— Essa aluna está tendo dificuldades para se enturmar com a turma. O ideal seria eu mesma cuidar dela, mas existem... certas circunstâncias.

— Circunstâncias?

Konuki-sensei fechou a boca, que estava entreaberta, e hesitou antes de continuar.

— Ela é a irmã mais nova de uma amiga minha, e eu a conheço há algum tempo. Essa amiga também é professora do ensino médio, então não pode dar tratamento especial à própria irmã. Eu agradeceria se vocês pudessem cuidar dela.

...Então era essa a situação.

Como enfermeira da escola, era natural que Konuki-sensei quisesse apoiar uma aluna que estava enfrentando problemas. Porém, como elas se conheciam pessoalmente, as coisas poderiam ficar complicadas, e aquilo talvez até gerasse boatos prejudiciais à aluna.

Mas estávamos falando de uma amiga de Konuki-sensei. Amiga, hein...?

— Sensei, isso quer dizer que... talvez...?

— Não se preocupe. Eu não tenho nenhum amigo homem. Quer saber por quê?

— Não, muito obrigado.

De acordo com as informações que ela me passou, essa amiga havia se formado na mesma universidade que ela. Embora fosse mais nova, costumava sair com frequência com a Konuki-sensei e a Amanatsu-sensei.

A possível nova integrante era a irmã mais nova dela, uma aluna do primeiro ano chamada Riko Shiratama.

Aparentemente, a garota estava isolada em sua turma desde que havia entrado no Colégio, e a Konuki-sensei queria apresentá-la ao Clube de Literatura porque estava preocupada com ela.

— Tem certeza? Os membros do nosso clube não são exatamente... convencionais.

— Ora, eu confio em todos vocês, sabia? Além disso, ela tem algo em comum com você, Nukumizu-kun.

Comigo?

Konuki-sensei pegou a xícara e inalou o aroma do chá.

— Riko-chan é bastante siscon. Ultimamente, isso tem causado alguns problemas.

— Mas eu não sou siscon.

Konuki-sensei ignorou meu comentário com um sorriso.

— Ouvi dizer que sua irmã gosta muito de você. Acho que talvez consiga entender os sentimentos da Riko-chan.

— Bem, se for sobre minha irmãzinha, acho que consigo entender um pouco.

Eu não compreendia muito bem a relação entre uma coisa e outra, mas supunha que houvesse vários motivos para irmãs mais novas se apegarem aos irmãos mais velhos.

Provavelmente.

— Certo. Então vou encontrá-la amanhã na sala do clube.

Enquanto eu aceitava o bilhete com as informações de contato dela, Konuki-sensei balançou lentamente a cabeça.

— Ela está suspensa no momento, então não está vindo ao Colégio. Você poderia ir encontrá-la pessoalmente?

— Posso reconsiderar?

Tentei devolver o bilhete. Konuki-sensei segurou gentilmente minha mão entre as dela e balançou a cabeça com firmeza.

*

No dia seguinte, depois das aulas, Yanami e eu pedalamos por cerca de vinte minutos desde o Colégio Tsuwabuki até a praça de alimentação do AEON South Toyohashi, também conhecido como Minami JAS. 💭

Havíamos ido até lá, no lado oposto à Estação de Toyohashi, para encontrar Shiratama-san, que estava suspensa.

E, só para constar, Komari havia nos abandonado.

Yanami, com o cotovelo apoiado na mesa, ergueu os olhos do celular.

— Ei, Nukumizu-kun, o que significa o "JAS" de Minami JAS?

— Este lugar se chamava JUSCO antes de termos idade suficiente para lembrar. O nome é um vestígio daquela época.

— Ah, é tipo como a minha avó chama o ApiTA de "UNY", né? 💭

— O que é isso?

— Não sei, mas aparentemente existia.

Devia ser alguma coisa do século XX ou da era Showa, daqueles tempos antigos.

Continuamos com nossa conversa sem importância enquanto observávamos os arredores. Havia muitos estudantes passando o fim da tarde na praça de alimentação, mas nenhum deles parecia ser do Colégio Tsuwabuki.

— Shiratama-chan vem de uniforme, né? Será que tipo de garota ela é?

— Bem, é uma aluna do primeiro ano que foi suspensa logo depois de entrar na escola. Provavelmente é do tipo brigona.

Yanami cruzou os braços e assentiu como se eu tivesse acertado em cheio.

— É, com certeza é uma delinquente. Daquelas que ficam girando correntes por aí.

— Ainda existe gente assim hoje em dia?

Aquilo estava começando a ficar assustador. Se a situação piorasse, eu precisava estar preparado para fugir dali sozinho...

Justo quando eu revisava mentalmente minhas rotas de fuga—

Bip, bip, bip, bip, bip.

Um aviso eletrônico soou de repente.

— Espera aqui um pouquinho, Nukumizu-kun!

Yanami se levantou segurando um pager branco. Hã? Quando ela havia feito um pedido? Com uma expressão triunfante, voltou carregando duas bandejas e colocou uma delas na minha frente.

Dentro da tigela branca, de onde subia vapor, havia um caldo tonkotsu ao estilo japonês. Era um lámen da Sugakiya. Yanami voltou a se sentar e, com habilidade, usou o peculiar garfo de lámen — uma combinação de garfo com colher — para sorver o macarrão.

— Ah... por que você pediu lámen para mim também?

— Nukumizu-kun, é crime sentar numa praça de alimentação sem pedir nada. Além disso, Konuki-sensei nos deu dinheiro e mandou tomarmos um chá juntos.

— A sensei falou chá, não falou? Isto aqui é lámen.

— Bom, tem caldo, então é quase a mesma coisa.

Talvez aquilo fosse chá para Yanami, mas, para mim, continuava sendo lámen. Contrariado, peguei meus hashis, e Yanami tocou meu ombro.

— Não é ela? Está usando o uniforme do Colégio Tsuwabuki.

Depois de dizer aquilo, ela voltou a sorver o macarrão.

Seguindo seu olhar, avistei uma garota baixinha usando o uniforme do Colégio Tsuwabuki, olhando nervosamente ao redor do lado de fora da praça de alimentação.

Ela tinha mais ou menos a mesma altura da Yanami, mas possuía uma constituição esbelta e pernas finas. Seu cabelo, um pouco abaixo dos ombros, era liso e sedoso, fazendo com que, vista de longe, parecesse uma boneca.

Ela não era bonitinha? Não. Ela era muito bonitinha.

Será que aquela garota realmente era a encrenqueira que havia sido suspensa...?

Ela tentou atravessar o grupo de estudantes de outras escolas que saía da praça de alimentação, mas acabou sendo empurrada pelo fluxo e se afastou cada vez mais de nós.

— Nukumizu-kun, será que ela vai ficar bem?

Claramente não. Ela estava sendo carregada para longe junto com um grupo de estudantes que não tinha absolutamente nada a ver conosco.

Provavelmente não estava nada bem. No fim, Yanami foi até ela, segurou sua mão e a trouxe para cá. Shiratama-san despencou numa cadeira, com os olhos girando. Aquela garota definitivamente não sobreviveria em Tóquio.

— Ah... você está bem?

— S-Sim. Desculpe fazer vocês virem até aqui.

Shiratama-san abaixou a cabeça.

— Sou Riko Shiratama, da Turma 1-E.

— Sou Nukumizu, o presidente do clube, e esta é—

— Yanami-senpai, certo? Obrigada pelo que fez antes.

Shiratama-san tornou a se curvar. Yanami fez um sinal de positivo enquanto mastigava alguns menma. 💭

...Observei discretamente nossa visitante. Ela tinha um jeitinho delicado e extremamente feminino e, vista de perto, era inegavelmente adorável. É claro que havia muitas garotas bonitas por aí, mas ninguém conseguia superar aquela aura de "preciso ser protegida" que ela emanava.

O que uma garota tão inofensiva poderia ter feito?

Eu precisava protegê-la.

— Ah... ouvi algumas coisas da Konuki-sensei...

— Ah, sim. Ela me disse para passar algum tempo no Clube de Literatura.

Ela disse aquilo enquanto olhava para mim com grandes olhos suplicantes, como os de um filhote.

— Eu não entendo muito de romances e essas coisas. Será que vou atrapalhar vocês?

— Não precisa se preocupar com———

— Bem, talvez seja um pouco difícil no começo. Eu também tive dificuldades, mas é só uma questão de se acostumar.

Yanami ativou de repente seu modo senpai e girou o garfo de lámen com uma expressão convencida.

Bip, bip, bip, bip, bip.

O aviso eletrônico tocou novamente. Yanami se levantou erguendo o pager.

— Certo, hora da sobremesa... Quer dizer, vamos começar a festa de boas-vindas da Shiratama-chan!

*

— As flores de dame’s rocket na margem do rio estão lindas nesta época do ano.

— Hã, é mesmo? Parece adorável.

— Sim. Da próxima vez, por favor, vá com todo mundo.

Depois de comer a última colherada de anmitsu, Shiratama juntou as mãos. 💭

— Obrigada pela comida.

Observei-a enquanto organizava mentalmente tudo o que ela havia contado.

Seu hobby era costurar, algo que havia começado por influência da irmã, e ela adorava doces. Não gostava de lugares cheios, então seu passatempo atual era fazer caminhadas bem cedo pela manhã, quando tudo ainda estava tranquilo.

De tudo aquilo, a principal conclusão a que eu havia chegado era que Shiratama-san era incrivelmente fofa. Enquanto anotava mentalmente essa informação, Shiratama-san ergueu os olhos para mim com seus grandes olhos úmidos.

— Desculpe, eu fiquei falando só sobre mim esse tempo todo. Você deve estar entediado, não é?

— Não, nem um pouco. Na verdade, fico até aliviado por você falar bastante.

— Talvez seja porque é muito fácil conversar com você, presidente.

Ela mostrou a língua de maneira brincalhona. Ardilosa e fofa ao mesmo tempo.

— Nukumizu-kun, seu cream zenzai está derretendo. 💭

Eu quase havia me esquecido dessa garota. Ela já tinha terminado sua segunda tigela de lámen.

Yanami virou o copo de água de uma só vez e o colocou sobre a bandeja com um toque seco.

— Shiratama-chan, tem certeza de que não quer terminar com um lámen? Também tem arroz gomoku. 💭

— Não, estou satisfeita. Além disso, eu já deveria estar voltando para casa. Preciso estar lá para a ligação de rotina do professor.

...Verdade. Ela ainda estava suspensa.

Shiratama-san se levantou com a bandeja nas mãos, fez uma reverência educada e seguiu em direção à área de devolução.

Ela estava tentando devolver a bandeja no balcão da loja errada e ficou toda atrapalhada quando a corrigiram...

Depois que ela desapareceu de vista, falei devagar.

— Eu estava um pouco preocupado, mas ela acabou sendo uma boa garota. Você não acha também, Yanami-san?

Yanami, que estava encarando fixamente o fundo de sua tigela, lançou-me um olhar afiado.

— Você não passou esse tempo inteiro conversando com a Shiratama-chan?

— Nós viemos aqui para conhecê-la, não viemos? Você também deveria tratá-la melhor, Yanami-san.

— Hmph. Então o Nukumizu-kun gosta desse tipo de garota, é?

Yanami apontou o garfo de lámen para mim com uma expressão irritada.

— Hã? O que você quer dizer com isso?

— Exatamente o que parece. Aff, homens gostam mesmo é de garotas novinhas, não é?

...Sério? Uma aluna do segundo ano sentindo ciúmes da juventude de uma do primeiro? Que pobreza de espírito. Coloquei a tigela de cream zenzai diante de Yanami.

— Ainda não toquei nisso. Quer?

— Quero…

Yanami assentiu secamente. Eu havia lido recentemente em um livro que, ao trazer um cachorro novo para casa, era preciso dar atenção extra ao cachorro antigo. Aquela situação parecia bastante semelhante

Apesar de tudo aquilo ser um incômodo, bebi o resto da água do meu copo.

*

Quando Yanami e eu saímos do Minami JAS, já começava a escurecer.

— Olha, eu só acho que não pega muito bem você ficar todo meloso só porque entrou uma caloura bonitinha.

— Eu não fiquei meloso. Yanami-san, você não está sendo um pouco dura demais com a Shiratama-san?

Duas tigelas grandes de lámen, um cream zenzai e ainda o resto do meu lámen. Era uma quantidade absurda de calorias e, mesmo assim, o humor de Yanami não havia melhorado nem um pouco.

Yanami olhou para o relógio e acelerou o passo, deixando-me para trás.

— Mas aquela garota está suspensa, não está? Deve ter alguma coisa por trás disso.

— Tenho certeza de que foi só algum mal-entendido. Olha, não tem como uma garota tão quieta e bonitinha quanto ela fazer alguma coisa ruim.

— O que ser bonitinha tem a ver com isso?

Yanami lançou-me um olhar fulminante.

...Ai. Eu precisava ser mais atencioso com o cachorrinho antigo.

Limpei a garganta e tentei mudar o rumo da conversa.

— Ah... não é especificamente por causa dela. Yanami-san, eu ainda acreditaria em você mesmo se você fosse suspensa.

— Mas eu não seria suspensa!

Será? Eu frequentemente me preocupava com a possibilidade de ela acabar fazendo alguma besteira impulsiva um dia.

Foi então que, enquanto seguíamos em direção ao estacionamento de bicicletas, Yanami puxou de repente a minha jaqueta.

— Nukumizu-kun, aquela ali naquele carro não é a Shiratama-chan...?

— Hã?

Segui o olhar de Yanami e vi a porta do passageiro de um carro estacionado se abrir. Shiratama-san saiu do veículo, aparentemente discutindo com alguém que estava no banco do motorista.

Parecia que alguma coisa havia dado errado. Ela se afastou rapidamente do carro, e um homem de terno saiu do banco do motorista. Havia algo vagamente familiar nele.

— Aquele não é o Tanaka-sensei?

— Hã? O professor de literatura japonesa?

Encarei o homem de terno. Os ombros caídos e aquele jeito levemente abatido... sim, sem dúvida era Tanaka-sensei. Ele costumava demonstrar interesse pelo Clube de Literatura e até nos entregava panfletos de eventos literários.

Mas por que a Shiratama-san havia saído do carro do Tanaka-sensei?

Tanaka-sensei foi atrás dela, mas Shiratama-san pareceu rejeitá-lo. Sem alternativa, ele voltou para o carro. Quando o carro do Tanaka-sensei deixou o estacionamento, Yanami, que permanecera em silêncio até então, finalmente falou.

— Por que aqueles dois estavam juntos?

— Ah... talvez ele seja o professor responsável pela turma dela ou algo assim...

— Mas o Tanaka-sensei é o professor responsável pela Turma 2-F.

Tanaka-sensei era conhecido por ser sério e atencioso com os alunos. Suas aulas também tinham boa reputação por serem fáceis de entender. Ainda assim, vê-lo no que parecia ser uma discussão com Shiratama-san havia sido bastante chocante.

— Acho que vimos algo que não deveríamos ter visto.

Yanami murmurou baixinho.

Tentei encontrar palavras para negar aquilo, mas tudo o que consegui foi dar um sorriso constrangido.

*

Dois dias haviam se passado desde que presenciamos a discussão entre a Shiratama-san e o Tanaka-sensei. Depois das aulas, caminhei pelo corredor do prédio antigo tentando não ser visto.

Depois de me certificar de que ninguém estava olhando, deslizei para o espaço escuro embaixo da escada.

— Pontual como sempre, Nukumizu-san.

Quem me esperava ali era uma aluna, Tiara Basori, vice-presidente do conselho estudantil e integrante da Turma 2-F. Já fazia algum tempo desde a última vez que nos encontrávamos.

Ela examinou cuidadosamente os arredores e então avançou um pouco mais para dentro das sombras.

— Desculpe por pedir que fizesse uma coisa estranha dessas.

— Tudo bem. Você sempre me ajuda nos estudos.

Não que fosse exatamente "sempre", mas apontar isso seria mesquinho da minha parte. Tiara-san me entregou algumas folhas de papel.

— Aqui está o relatório da investigação que você pediu. Por favor, cuide bem dele.

Na capa estava escrito: "Relatório de Investigação sobre Yuuji Tanaka, Professor do Colégio Tsuwabuki".

Assenti, aceitei o documento e abri lentamente a capa.

Tanaka-sensei era professor de língua japonesa e estava em seu terceiro ano no Colégio Tsuwabuki. Ele dava aulas para nossa turma desde o ano anterior. Parecia ser um pouco mais velho do que Amanatsu-sensei e a Konuki-sensei.

— Hm... então ele era professor do Colégio Mikoshi antes de vir para cá.

— Sim. Parece que também tinha uma boa reputação por lá. E não há nenhuma reclamação sobre ele na nossa turma.

Eu havia pedido informações a Tiara-san porque ficara curioso com o incidente envolvendo Shiratama-san, mas talvez estivesse pensando demais.

Mesmo assim, a cena daquele dia não parecia um simples encontro casual entre professor e aluna...

Minhas mãos pararam enquanto eu folheava o relatório.

— Tanaka-sensei era o orientador do Clube de Literatura?

— Sim. Até certa altura do ano anterior à nossa entrada na escola.

Agora que eu pensava nisso, Tamaki-senpai havia mencionado que existiram "vários problemas" relacionados à falta de um orientador… Tiara-san deu um passo para mais perto e sussurrou:

— Isso é apenas um boato, mas houve suspeitas de algumas interações inadequadas com uma aluna.

Hã? Aquele professor com cara tão séria?

Era difícil acreditar, mas o incidente recente com a Shiratama-san tornava igualmente difícil descartar a possibilidade.

— Tanaka-sensei é realmente tão popular assim?

— Não tenho certeza. Mas existe uma fase em que garotas acabam admirando professores jovens.

— Sério? Você também teve uma fase dessas, Basori-san—

— Não tive.

Tiara-san me interrompeu de maneira categórica.

— Professores com um jeito gentil costumam ter admiradoras secretas. É claro que isso não se aplica a mim.

Entendi.

Eu sempre havia imaginado que professores animados e alegres fossem os que mais chamavam atenção, mas aparentemente até alguém com um ar de quem já havia sido derrotado pela vida podia ter suas admiradoras.

Gostos realmente variavam de pessoa para pessoa.

Mas, espere.

Se o boato sobre Tanaka-sensei ter tido problemas com uma aluna fosse verdade, talvez isso explicasse por que ele havia deixado o cargo de orientador do Clube de Literatura.

Será que também tinha alguma relação com a suspensão de Shiratama-san?

Tiara-san ficou encarando meu rosto enquanto eu refletia sobre aquilo.

— Hã? O que foi, Basori-san?

— Nukumizu-san, aconteceu alguma coisa entre você e o Tanaka-sensei?

— Da minha parte, não aconteceu nada—

Eu não podia simplesmente mencionar a situação de Shiratama-san.

— Só fiquei curioso sobre ele. Só isso.

— C-Curioso!?

Por algum motivo, Tiara-san se encolheu diante da minha explicação aparentemente inocente.

— B-Bem, eu me considero uma pessoa bastante compreensiva, mas...

— Aham?

Tiara-san começou a se remexer, desenhando um "の" no chão com a ponta do pé.

— Mas, mesmo que seja entre pessoas do mesmo sexo, eu não posso aprovar nenhum relacionamento inadequado entre um professor e um aluno...

— Do que você está falando?

— Nukumizu-san, você não está interessado no Tanaka-sensei?

— Não, não estou!

— Não se preocupe, eu não vou contar para ninguém! Dependendo do momento e da situação, eu também não vou interferir———

— Esse tipo de situação nunca vai acontecer!

Droga. Eu definitivamente havia escolhido a pessoa errada para conversar. Precisava esclarecer aquilo de algum jeito.

— Olha, eu estava pensando que talvez pudéssemos trocar o orientador do Clube de Literatura. Tanaka-sensei parecia uma opção possível.

— Existe algum problema com Konuki-sensei———

Tiara-san franziu as sobrancelhas enquanto refletia.

— Entendo. Compreendo os seus sentimentos.

Ela havia entendido, apesar de aquilo ser mentira. Bom, meus sentimentos também não eram completamente falsos.

— Desculpe pelo mal-entendido. Como você veio falar comigo em vez de procurar o Sakurai-kun, eu pensei que...

— Bem, Sakurai-kun ocupa um cargo no conselho estudantil. Se fosse alguma coisa séria, ele não poderia simplesmente manter em segredo.

— Eu também faço parte do conselho estudantil, sabia?

Sério? Ah, verdade. Acho que era mesmo. Acrescentei mais uma mentira enquanto tentava escapar do olhar acusador da Tiara-san.

— Bem, Tiara-san... achei que você fosse boa em guardar segredos porque... está na Turma F...

— Bem, eu realmente sei manter a boca fechada———

Tiara-san, que estivera pensativa, de repente sorriu, como se tivesse ficado de bom humor.

— Certo. Pode vir falar comigo sempre que precisar daqui para a frente.

— Hã? Tem certeza?

Tiara-san saiu da penumbra sob a escada.

— Você disse que talvez surgisse alguma coisa séria, não disse?

Sim, eu realmente havia dito aquilo. Assenti com toda a seriedade. Ao se virar, fazendo a saia balançar, Tiara-san levou um dedo aos lábios.

— Compartilhar um segredo assim não é tão ruim, não acha?

*

Fui direto para a sala do clube depois do meu encontro secreto com a Tiara-san. Assim que abri a porta, Yanami e Komari me lançaram olhares de reprovação.

— Você está atrasado, Nukumizu-kun.

— O-Onde você estava?

— Desculpem, eu tinha uma coisa para resolver.

Sentei-me e estava prestes a tirar o relatório de investigação da bolsa quando hesitei.

...Será que eu devia mesmo mostrar aquilo para elas? Enquanto eu pensava, Yanami colocou um caderno sobre a mesa.

— O que é isso?

— Nós investigamos Riko Shiratama. Fomos até a Turma 1-F e perguntamos por aí.

— Espera, a Komari também foi?

Komari assentiu com uma expressão convencida.

— E-Eu decorei o horário da Turma 1-F.

Não era exatamente uma informação útil… Estendi a mão para pegar o caderno, mas Yanami rapidamente o pressionou contra a mesa.

— Eu não posso ver?

— Este caderno contém a verdadeira natureza da Shiratama-chan. Você consegue encarar a verdade, Nukumizu-kun, depois de ficar todo caidinho por ela?

— S-Se mata.

— Ah, sim. Acho que consigo.

Afinal, eu já havia conhecido garotas muito piores. Mas, se Yanami estava fazendo tanto alarde, devia haver alguma revelação sombria ali dentro. Preparando-me mentalmente, abri o caderno.

Vejamos... primeiro vinham as impressões dos garotos da turma de Shiratama-san—

"Ela falou comigo."

"Ela pegou minha borracha pra mim."

"Ela tem um cheiro bom, tipo xampu."

...Parecia que os garotos tinham problemas mais sombrios.

Eu me recompus e continuei lendo.

"Ela provavelmente tem uma queda por mim."

"Não, é de mim que ela gosta."

"Mas ela pegou minha borracha pra mim."

"Ela pegou a minha três vezes, mano."

...É, acho que era mais ou menos isso. Um pouco decepcionado, ergui a cabeça.

— Shiratama-san parece ser uma boa pessoa. Afinal, ela pega borrachas do chão.

— Sim, mas ela não está pegando borrachas demais!? Ainda é abril, sabia? Elas caem tanto assim?

— Surpreendentemente, sim. E normalmente ninguém se dá ao trabalho de pegar.

Komari assentiu com toda a seriedade. A sombria realidade das borrachas caídas era mais profunda do que eu imaginava.

— Então, basicamente, Shiratama-san é uma fada que recolhe borrachas.

— Espera, lê também as opiniões das garotas! Depois não diga que eu não avisei, está bem?

Tinha mais? Voltei minha atenção para o caderno.

"Ela é fofa."

"Parece uma boneca."

"Tem um cheiro bom."

"Quero dar uma lição nela… em outro sentido."

...Certo, aquilo era um pouco preocupante, mas parecia que as garotas também tinham uma boa impressão dela.

Talvez Yanami estivesse apenas com ciúmes da juventude dela. Shiratama-san realmente parecia ser uma boa pessoa.

"Fica dando em cima dos garotos."

"Íntima demais dos meninos."

...Espera aí, por que o tom havia mudado de repente?

Virei a página.

"Os garotos ficam mimando ela."

"Levou um fora do namorado."

"O que isso tem a ver?"

"Meu namorado me pediu para apresentar ela pra ele."

"Ele é mesmo seu namorado?"

"Ela também pegou minha borracha pra mim."

As garotas do primeiro ano eram impiedosas nos comentários. E Shiratama-san continuava pegando borrachas até ali. Li todo o caderno outra vez com cuidado antes de fechá-lo.

— Talvez a Shiratama-san seja apenas popular, e as pessoas estejam com ciúmes por causa disso?

— Eu também sou até que popular, sabia!?

Sim, mas não estávamos falando de você, Yanami. Komari entrou na conversa cautelosamente enquanto folheava as páginas.

— M-Mas ela não parece ser uma g-garota ruim...

— Não se deixe enganar, Komari-chan! Ele sempre diz que não é nada demais e, quando você percebe, já está completamente apaixonado por ele. É vergonhoso!

O ressentimento pessoal de Yanami estava ficando cada vez mais evidente, e a conversa também começava a sair dos trilhos.

— Yanami-san, nosso objetivo é fazer ela entrar no clube, certo? E, considerando que ela foi suspensa, está claro que tem algum tipo de problema.

— Isso é verdade, mas...

O ímpeto de Yanami diminuiu. Certo, era hora de aproveitar a vantagem.

— Konuki-sensei confiou ela a nós, problemas e tudo. Esta é nossa chance de retribuir os favores que recebemos———

...Retribuir os favores da Konuki-sensei? Aquilo soava um pouco hipócrita vindo de mim. Hesitei, e Yanami assentiu com uma expressão complicada.

— Bem, é difícil discutir com isso. Konuki-sensei já nos ajudou bastante.

— Hã, Yanami-san, você realmente pensa assim?

— Você acha que eu sou uma pessoa ingrata!?

Sim, um pouco.

Komari e eu, que não éramos exatamente modelos de gratidão, trocamos olhares surpresos. Então Yanami se levantou e arrancou a página do mês anterior do calendário que estava pendurado na parede havia algum tempo.

— Certo. Por enquanto, vamos apenas ficar de olho na situação.

No dia seguinte, 16 de abril, Shiratama-san voltaria à escola depois de cumprir sua suspensão.

*

Um aroma doce me recebeu assim que abri a porta de casa.

— Bem-vindo de volta, onii-sama!

Minha irmãzinha, Kaju, correu animadamente na minha direção. Olhei por cima do ombro dela, em direção à cozinha.

— Você está fazendo pasta doce de feijão-vermelho?

— Acertou! Seu prêmio é um suprimento vitalício da Kaju!

— Ohh, que prêmio luxuoso.

Ignorei a brincadeira da Kaju e espiei a panela no fogão. Dentro havia uma mistura de pasta de feijão-vermelho e pequenos bolinhos brancos.

— Hã? Você está fazendo zenzai? Mas está usando dango no lugar de mochi?

— Sim, são shiratama dango. Por favor, experimente.

Ela me entregou uma tigelinha com uma porção da pasta de feijão-vermelho cozida e um único shiratama dango redondo. Ao olhar para o zenzai com shiratama dango, não pude evitar me lembrar do encontro no Minami JAS.

...Qual seria a relação entre a Shiratama-san e o Tanaka-sensei?

Enquanto pegava distraidamente a colher de madeira, Kaju falou com uma expressão séria.

— Tome cuidado, onii-sama. Dango pode ficar preso na garganta com facilidade.

— Não se preocupe. Eu vou ficar bem.

Respondi despreocupadamente e estava prestes a dar uma mordida quando Kaju segurou minha mão.

— Kaju?

— Shiratama dango tem a superfície lisa e desce facilmente pela garganta, o que aumenta o risco de engasgo.

Ainda segurando minha mão, Kaju pegou um shiratama dango com a colher e o levou até minha boca. A pasta de feijão-vermelho estava muito menos doce do que eu esperava. Na verdade, tinha um gosto salgado bem mais forte, que se espalhou pela minha língua.

— O melhor é mastigar bem o shiratama dango até reduzi-lo a pedacinhos. Essa é a maneira recomendada de comer.

O gosto salgado na minha boca e o sorriso claramente falso da Kaju, visto tão de perto, me deixaram inquieto.

— Onii-sama, por favor, tome cuidado, está bem?

Assenti em silêncio e mastiguei lentamente o shiratama dango.

*

No dia seguinte, depois das aulas. Yanami e a Komari se remexiam inquietas na sala do clube.

— Nukumizu-kun, Shiratama-chan vai mesmo vir, não vai?

— Sim, não se preocupe. Konuki-sensei confirmou.

Shiratama-san finalmente iria visitar nosso clube depois da sua suspensão ter sido encerrada. Komari estava tão nervosa que não parava de se levantar e sentar repetidamente.

— Komari, se acalme. Você também vai ser senpai agora. Mantenha a compostura.

— S-Senpai...!?

Komari ficou paralisada, de olhos arregalados, enquanto Yanami assentia.

— Isso mesmo. Komari-chan, por que você não pratica ser senpai com o Nukumizu-kun?

O que era aquilo?

Ainda assim, fiquei curioso para ver como a Komari imaginava que um senpai deveria agir.

— Certo, eu vou servir de cobaia. Komari, pode agir como uma senpai.

— A-Ah... o que eu devo fazer?

Yanami cruzou os braços com confiança.

— É só mandar o Nukumizu-kun fazer alguma coisa que você queira. Pode mandar ele massagear seus ombros ou ir comprar suco.

— Yanami-san, não faça a Shiratama-san fazer esse tipo de coisa, está bem?

— E-Então, Nukumizu...

Komari olhou para mim e continuou:

— F-Faça carinho... na minha cabeça.

...Hã?

O pedido inesperado fez a sala inteira ficar em silêncio.

— Espera, Komari, você é quem deveria ser a senpai. Não faz sentido a senpai ser mimada.

— M-Mas você disse para eu p-pedir o que eu quisesse...

— Komari-chan?

Por algum motivo, a expressão de Yanami ficou bastante séria. Ah, eu não entendia muito bem, mas aquilo significava que a Komari estava interpretando uma senpai que gostava de ser mimada pelo kouhai?

Que gosto sofisticado…

Enquanto eu refletia sobre aquilo, percebi que a porta da sala do clube estava ligeiramente aberta.

— Ei, o que está acontecendo aqui?

— Quanto tempo, Lemon-chan!

— Faz tempo, Yana-chan! Ouvi dizer que uma nova integrante vai aparecer hoje?

Yakishio entrou na sala com suas roupas de treino e se jogou no assento ao lado de Yanami.

— Você já terminou o treino?

— Sim. O treinador mandou eu pegar leve porque tenho me esforçado demais. Me pegaram correndo a manhã inteira.

O fato de ela segurar a coqueteleira com a mão oposta à de Yanami era resultado de experiências passadas.

— Então as coisas estão indo bem, hein?

— Sim. Pode esperar grandes coisas.

Ela sacudiu a coqueteleira de proteína com um sorriso confiante, como um girassol depois de uma tempestade.

Aquele sorriso radiante me fez perceber que eu não precisava mais me preocupar com ela. Ela já havia ido muito além de onde eu poderia alcançá-la. Mesmo assim, eu ainda sentia uma pontada de solidão.

Devia ser apenas egoísmo da minha parte.

Enquanto observava a conversa animada entre as três garotas, a porta voltou a se abrir lentamente.

— Ah... esta é a sala do Clube de Literatura...?

Quem espiou timidamente para dentro foi Riko Shiratama. Ela parecia apreensiva, mas sorriu aliviada quando nossos olhares se encontraram.

— Você é a Tama-chan? Pode entrar!

Incentivada por Yakishio, Shiratama-san entrou timidamente, com a cabeça baixa.

Ela pareceu ficar intimidada com todos os nossos olhares e permaneceu em silêncio por alguns instantes antes de se curvar profundamente.

— Ah... eu sou Riko Shiratama, do primeiro ano. Por enquanto, vou entrar como membro provisória. Espero poder contar com vocês…

📖✨ Este capítulo foi traduzido por Slag e revisado por Shisui

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Fim da leitura

Capítulo 81 concluído

Volume 7 – Capítulo 1 – Capítulo 1: Kazuhiko Nukumizu, Turma 2-C