Todas Essas Heroínas Perdedoras! — Capítulo 82: Volume 7 – Capítulo 2 – Capítulo 2: Na verdade, somos…

Todas Essas Heroínas Perdedoras!
Cap. 82
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Todas Essas Heroínas Perdedoras!

Volume 7 – Capítulo 2 – Capítulo 2: Na verdade, somos…

Capítulo 82

13.447 palavras~58 min de leitura

SENTADA DO OUTRO LADO da mesa, Konuki-sensei tomou um gole de café da caneca e sorriu de maneira tranquilizadora.

— Como a Riko-san tem passado ultimamente?

— Ela tem estado bem animada na sala do clube. Ontem, estava lendo algumas revistas antigas do clube.

Tomei um gole do chá verde torrado que levava na garrafa térmica.

...Já fazia uma semana desde então. Shiratama-san vinha à sala do clube todos os dias depois das aulas.

Nós conversávamos sobre coisas triviais, e ela ia embora pontualmente depois de uma hora, mas ainda havia uma pequena barreira entre ela, Yanami e Komari. Ela também havia me ajudado a pegar minha borracha no chão. Duas vezes.

— É bom que ela tenha um lugar na escola onde se sinta à vontade. Continue de olho nela por enquanto.

— Mas será que o Clube de Literatura é mesmo o lugar certo para ela? Não seria melhor se ela se desse bem com os colegas de classe?

— Ara, você e a Komari-san não eram assim até pouco tempo atrás?

...É, bem, ainda somos meio assim.

O olhar de Konuki-sensei vagou pelo ambiente, como se ela estivesse se lembrando de alguma coisa.

— Quando somos crianças, temos a tendência de achar que a escola é tudo o que existe, mas isso só acontece porque os outros mundos parecem distantes demais.

— Outros mundos?

Ela assentiu gentilmente diante da minha pergunta repetida e explicou:

— É por isso que as crianças acabam se rebelando ou desistindo. Acredite ou não, eu também tive minha cota de problemas no ensino médio.

— Era para eu comentar alguma coisa sobre isso?

Em vez de responder, Konuki-sensei soltou uma risada alegre. Na mente dela, as lembranças e emoções da adolescência provavelmente ainda permaneciam vívidas e coloridas.

O que será que ela vê na Shiratama-san? Ou, talvez, o que será que ela não vê?

De qualquer maneira, sua preocupação com Shiratama-san era genuína. Bem, então havia mais uma coisa...

Depois de conversarmos por algum tempo, toquei casualmente no assunto.

— A propósito, eu queria perguntar sobre o Tanaka-sensei, do departamento de Literatura Japonesa.

— Ara? O que tem ele? Pode perguntar o que quiser.

— Ah, eu queria saber sobre o caráter dele... ou a personalidade...

— O caráter do Tanaka-sensei...?

Os olhos de Konuki-sensei se estreitaram ligeiramente. Será que acabei de fazer uma pergunta perigosa?

— Não, bem... outro dia ele apresentou alguns eventos relacionados ao Clube de Literatura, e isso me deixou curioso...

Parecendo compreender minha explicação, Konuki-sensei assentiu.

— Bem, ele costumava ser o orientador do Clube de Literatura, então talvez ainda se sinta ligado ao clube. Quanto à personalidade dele… — Konuki-sensei ergueu os olhos para o teto, como se vasculhasse a própria memória. — Ele é uma pessoa muito íntegra. Para ser mais específica, é tão fiel à parceira que consegue recusar com elegância até mesmo as investidas de outras colegas.

— Desculpa, podemos fingir que eu não ouvi isso?

— Claro. É uma decisão sábia. Tome.

A colega de Tanaka-sensei soltou uma risadinha e me ofereceu uma pastilha de menta de um estojo. Por reflexo, estendi a mão... mas logo a puxei de volta.

— Não, obrigado.

Konuki-sensei ficou imóvel por um instante e então deu de ombros, decepcionada.

— Sábio mesmo.

*

Enquanto caminhava depressa em direção à sala do clube, repassei a conversa na cabeça.

Será que foi impressão minha ou Konuki-sensei pareceu um pouco estranha quando mencionei o Tanaka-sensei?

Pelo menos descobri que ele não é do tipo que teria um caso de uma noite com uma colega, e sua integridade parece digna de confiança. Mesmo que, por uma chance absurdamente remota, Shiratama-san e Tanaka-sensei estivessem envolvidos em alguma coisa imprópria, não cabia a mim me intrometer...

Certo, preciso chegar à sala do clube o mais rápido possível. O clima lá dentro provavelmente está meio constrangedor agora. Atravessei às pressas o corredor que levava ao prédio oeste... e então parei.

É mesmo. Konuki-sensei disse que Tanaka-sensei tem uma parceira...

............

...Bem, não devo me meter nisso. É.

Arquivei mentalmente o assunto e voltei a andar.

Assim que entrei, percebi que o clima na sala do clube não estava nada constrangedor. Estava muito pior.

O rosto de Yanami estava pálido como um monte de cinzas. Ela parecia completamente consumida e permanecia largada na cadeira.

Komari estava parada, rígida, de frente para a parede e a poucos centímetros dela, ouvindo música pelos fones de ouvido. Ela estava no modo "suas palavras não chegam até mim", algo que acontecia mais ou menos uma vez a cada dois meses.

— Ah, Presidente!

Shiratama-san colocou as mãos sobre o peito e correu nervosamente até mim.

— Ah... o que aconteceu aqui?

— Eu também não sei direito. A gente só estava conversando normalmente, e então...

Entendi. Então ninguém sabe de verdade. Reprimindo a vontade de simplesmente ir embora, aproximei-me de Yanami.

— Ah... Yanami-san, você está bem? Quer água com açúcar?

— Estou bem. Só sofri um pequeno dano emocional.

Yanami afastou o cabelo do rosto e balançou fracamente a cabeça. Pensar que ela conseguiu incapacitar alguém tão resistente quanto Yanami… O que diabos você fez, Riko Shiratama?

— Bem, que tal eu preparar um chá por enquanto?

Sim. Na dúvida, faça chá.

Enquanto comecei a ferver a água, Shiratama-san passou a colocar as xícaras ao meu lado.

— Desculpe por não ter sido mais atenciosa. Como sou a caloura, eu deveria ter preparado o chá primeiro.

— Ahh, não tem problema. Não temos regras rígidas desse tipo por aqui.

Todos são iguais no Clube de Literatura. Mas então por que sou sempre eu quem prepara o chá...?

— Presidente, você é tão maduro.

— Hã?

— Você é calmo e fácil de conversar. Eu achava que os alunos do segundo ano seriam mais assustadores, mas fiquei aliviada por você ser tão acessível.

É a primeira vez que alguém diz isso para mim. Espero que as outras duas tenham ouvido.

Continuei de olho em Yanami e Komari enquanto servia o chá verde nas xícaras.

— Você vai perceber que as pessoas são surpreendentemente gentis quando conversa com elas. Então... talvez pudesse tentar conversar mais com suas colegas de classe?

— Bem, as meninas não gostam muito de mim, então acabo conversando mais com os meninos. Talvez eu tenha um lado meio moleca, né?

Shiratama-san colocou a língua para fora de maneira brincalhona. Entendo. É fácil perceber por que as outras garotas talvez não gostem dela. Ela é adoravelmente manipuladora e desperta em você uma vontade de protegê-la.

— O chá está pronto, pessoal.

Shiratama-san anunciou enquanto começava a distribuir as xícaras, mas nem Yanami, completamente esgotada, nem Komari, ainda encarando a parede, reagiram.

Peguei minha xícara, e então Shiratama-san se sentou ao meu lado.

— Você demorou hoje, Presidente.

— Ah, sim. Fui falar com Konuki-sensei. Ela é a orientadora do nosso clube.

— Sayo-san é tão linda. Eu meio que admiro ela.

Eu não recomendaria isso. Confie em mim. É melhor assim.

— A propósito, Shiratama-san, você já conhecia a sensei antes, não é?

— Sim. Sayo-san é amiga da minha irmã mais velha, e elas são próximas há muito tempo. Ela costumava me ajudar com os estudos e às vezes me levava para passear.

...Hã. Então ela costumava sair com Konuki-sensei. Para onde será que ela a levava?

Enquanto ponderava se deveria investigar mais a fundo, Shiratama-san sorriu calorosamente. Essa garota é simplesmente tão delicada e fofinha. Ela é naturalmente encantadora...

Sorri de volta e, de repente, senti uma espécie de formigamento na bochecha. Quando olhei para o lado, Yanami me encarava de baixo para cima.

— Parece que você está se divertindo, Nukumizu-kun.

Sim. Até você estragar tudo, mulher.

— Ah... Yanami-san, já que parece ter voltado ao normal, posso sugerir uma coisa?

— Sugerir?

Yanami levantou os olhos enquanto coçava a cabeça, alheia a tudo. Não quero explicar o motivo, mas a distância entre ela e Shiratama-san definitivamente estava aumentando.

— Sim. É sobre este fim de semana...

Olhei para Komari, que continuava grudada à parede com os fones de ouvido. Falar com ela agora não vai adiantar nada...

Liguei para o celular dela.

— Una!?

Komari se atrapalhou com o telefone antes de atender. Coloquei o meu no viva-voz e o deixei sobre a mesa. Agora ela deve conseguir nos ouvir.

— Certo, vamos tentar de novo. Que tal todos nós sairmos juntos neste domingo?

Por um instante, a sala do clube mergulhou em um silêncio atônito. Depois de algum tempo, Yanami falou, parecendo confusa.

— Sair? Vamos para algum tipo de acampamento de treinamento?

— Talvez não chegue a ser um acampamento de verdade, mas pense nisso como uma excursão tranquila. Podemos usar a experiência para ter ideias durante uma reunião do clube.

No verão passado, os membros do clube haviam se aproximado por causa de um acampamento de treinamento... ou pelo menos era essa a sensação.

Apesar dos acontecimentos inesperados, uma pessoa levou um fora enquanto outras duas encontraram parceiros, então, no saldo geral, o resultado havia sido positivo. Seguindo essa lógica, sair juntos poderia fortalecer a união do nosso clube.

Shiratama-san foi a primeira a levantar a mão.

— Parece maravilhoso! Eu adoraria ir!

Depois de lançar um olhar para a animada Shiratama-san, Yanami baixou os olhos para o celular com uma expressão contrariada.

— Isso é muito de repente. Eu também tenho compromissos, sabia? É. Tenho coisas para fazer.

Komari, ainda de frente para a parede, assentiu em concordância.

...Ora, ora.

Essas garotas são tão pouco cooperativas. Bem, suponho que tenha sido realmente repentino demais.

— Tudo bem. Talvez possamos deixar para outra———

Shiratama-san me interrompeu antes que eu terminasse.

— Então seremos apenas você e eu, Presidente.

...Hã? É impressão minha ou Yanami e Komari começaram a tremer um pouco depois de ouvir isso?

— Isso é meio vergonhoso. O que será que eu deveria vestir? Ah, primeiro precisamos decidir aonde vamos — acrescentou Shiratama-san.

— Ah... só nós dois?

Shiratama-san pareceu subitamente surpresa e baixou os olhos com uma expressão melancólica.

— Seria um incômodo para você, não seria? Desculpe. Fiquei um pouco empolgada pensando que poderia sair com você.

— Não, eu não me importo...

Comparada com alguém que comeria sem parar o dia inteiro ou com outra pessoa que me faria esperar duas horas porque queria ficar lendo, você parece perfeitamente aceitável, desde que não cometa nenhum crime.

Os olhos de Shiratama-san brilharam quando ela levantou o rosto para mim.

— Sério? Então tem um lugar aonde eu gostaria de ir...

— Eu também vou.

Yanami resmungou, mal-humorada.

— Hã? Mas você não tinha compromissos, Yanami-san?

— Tinha? Não me lembro de ter dito isso.

Hã? Será que eu entendi errado? Ultimamente, venho ignorando automaticamente boa parte das coisas que Yanami diz. Parece que eu deveria prestar mais atenção...

— Então seremos nós três no domingo.

— B-Bem, eu t-também estou livre, então e-eu vou.

Do nada, Komari apareceu ao lado da mesa e levantou timidamente a mão.

— Mas, Komari, achei que você tinha alguma coisa para fazer.

— E-Eu já terminei.

Quando ela conseguiu fazer isso? Fiquei impressionado com a eficiência de Komari enquanto Yanami cruzava os braços, mergulhada em pensamentos.

— Nós vamos para algum lugar, certo? O que vamos comer no almoço?

Existem outras coisas que precisamos decidir primeiro. Como o destino, por exemplo.

— É mesmo, Shiratama-san. Você não disse antes que tinha um lugar aonde queria ir?

Ao ouvir minha pergunta, Shiratama-san olhou para todos nós antes de responder:

— Quero ir ao AEON Mall de Toyokawa.

— Aquele lugar, é...?

Era um grande shopping center na cidade vizinha. Era relativamente novo, e eu ainda não havia ido lá.

Da Estação Toyohashi até a estação mais próxima do shopping, a viagem de trem levava cerca de vinte minutos, o que tornava a distância bastante conveniente.

Bem, e o que as duas veteranas achavam disso? Yanami assentiu e fez sinal de positivo com o polegar.

— Boa escolha, Shiratama-chan. Lá tem um monte de opções para o almoço.

Yanami parece bastante empolgada e absolutamente determinada a almoçar.

— E-Eu quero dar uma olhada na l-livraria de lá.

Komari acrescentou, contando animadamente o dinheiro na carteira, mas logo deixou a cabeça pender em decepção.

— Certo, então, pessoal. Deixem a agenda livre. Depois mando os detalhes no grupo do LINE.

Espera. Eu tenho o número de telefone da Shiratama-san, mas ela ainda não está no nosso grupo. Enquanto eu pensava no que fazer, Shiratama-san estendeu o celular para mim.

— Tudo bem se a gente trocar contato no LINE, Presidente?

— Hã? Ah, sim, claro que——

Senti hostilidade. Por algum motivo, Yanami e Komari estavam me lançando olhares assassinos.

...Esse olhar.

É o olhar protetor de garotas prontas para defender uma nova integrante de um veterano que talvez esteja passando dos limites.

Provavelmente não estou muito longe da verdade.

— Ah, é mesmo! Ainda preciso te convidar para o grupo do Clube de Literatura! Pronto, mandei o convite! Pode entrar!

Fiz uma demonstração exageradamente entusiasmada da minha inocência. Esse tipo de habilidade é necessário para a autopreservação no mundo de hoje. Assim que entrou no grupo, Shiratama-san abraçou o celular com alegria.

— É a primeira vez que troco contato no LINE desde que entrei na escola. Você foi o meu primeiro, Presidente!

A sede de sangue de Yanami e Komari se intensificou. Vocês sabem que isso não é culpa minha, não sabem...? Desviei nervosamente os olhos das veteranas e acabei encarando os olhos redondos e grandes da Shiratama-san, parecidos com os de um cachorrinho.

— Ainda sou inexperiente, mas espero que possamos passar bons momentos juntos, Presidente.

— Ah... claro. Igualmente.

Forcei um sorriso rígido, sentindo-me um pouco inquieto.

...Será que essa garota fala essas coisas de propósito?

*

Em um domingo ensolarado, os quatro membros do clube, novos e antigos, estavam no AEON Mall Toyokawa. Eu me encontrava no meio do corredor central, olhando para cima, para aquele espaço imenso. Todo o corredor formava um átrio de três andares, com lojas alinhadas dos dois lados. Era basicamente uma galeria comercial de três pisos.

Era a primeira vez que eu ia a um lugar daquele tipo e...

...É enorme.

Ao meu lado, Komari também olhava para o átrio, com a boca ligeiramente aberta.

— Ueh, é-é grande.

É. É grande. Diante de algo tão impressionante, isso é basicamente tudo o que conseguimos dizer. Enquanto eu e Komari permanecíamos ali, boquiabertos, Yanami estufou o peito com uma expressão convencida.

— Muito bem. Como alguém que já veio aqui antes, vou ensinar vocês a aproveitar este shopping.

— Você? — Perguntei por reflexo, e Yanami me lançou um olhar afiado.

— Algum problema, senhor "quase peguei a Linha Iida em vez da Meitetsu"?

Os portões ficam no mesmo lugar, garota.

Bem quando eu estava prestes a retrucar...

— Eu adoraria ouvir as dicas da Yanami-senpai!

Shiratama-san, usando um vestido floral de dois tons, rapidamente interveio em apoio a Yanami. Yanami assentiu, satisfeita.

— Shiratama-chan, você tem potencial. Para aproveitar este shopping ao máximo...

— Sim! Como devemos aproveitar?

Com nós três prestando bastante atenção, Yanami respondeu com confiança:

— Primeiro, devemos sentar e tomar alguma coisa.

— Não está um pouco cedo para isso?

Não consegui evitar a interrupção, e Yanami deu de ombros com um suspiro.

— Escuta. Só andar por um shopping desse tamanho já leva um tempão. Além disso, quando você termina uma volta, já esqueceu o que tinha no começo, então acaba iniciando uma segunda volta sem nem perceber. É uma armadilha.

— Ah... mas não é bom conseguir passar duas vezes pelos lugares com uma perspectiva renovada?

— Não, não. E se você comer alguma coisa logo no começo e depois encontrar algo ainda melhor na segunda metade? Tanto a mesada quanto o estômago têm limites. Por isso precisamos sentar, tomar alguma coisa e planejar nossa estratégia.

A mesada pode até ser uma preocupação, mas o apetite de Yanami certamente não é. Posso garantir isso.

— Certo, entendi. Então vamos procurar um café ou algo assim?

— Tem uma área ali que vende bebidas e doces. Vamos.

Guiados por Yanami, chegamos a uma seção com várias opções de doces para viagem e cafés. Havia quiosques vendendo limonada, sorvete, bombas de creme e chocolates. Os olhos de Yanami brilhavam de empolgação.

Muito bem, quartel-general...

*

Depois de garantir uma mesa no canto, recostei-me na cadeira.

— Por que escolher uma bebida é tão cansativo?

Resumindo a história, vir com Yanami havia sido um erro. O fato de até Komari e Shiratama-san terem desaparecido para o fundo da cena mostra que elas já entenderam como Yanami funciona...

Yanami se sentou à minha frente enquanto eu bebia meu chá verde torrado gelado.

— Ei, você conseguiu um lugar legal.

— Eu fiquei guardando essa mesa por um tempão, sabia?

— Então merece elogios. Muito bem.

Yanami colocou uma bebida verde sobre a mesa. O fundo do copo estava cheio de pequenos pedaços de warabi mochi, cobertos por uma base doce de matcha e finalizados com uma porção de sorvete soft de matcha.

— Você escolheu uma coisa bem pesada.

— Sim. É um smoothie cremoso de matcha com warabi mochi. Estou de dieta, então peguei só uma bebida.

Ela disse isso enquanto sugava os pedaços de warabi mochi com um canudo grosso.

— Mas isso não tem bastante caloria?

— Nukumizu-kun, isso é feito com matcha de Nishio. E é um smoothie.

— Aham.

Slurp, slurp.

Yanami sugou mais warabi mochi.

...........?

— Hã? Espera. É só isso? Essa é a sua explicação?

Yanami me lançou um olhar triunfante.

— Nukumizu-kun, você sequer sabe qual é o significado original da palavra "dieta"?

— Hã? Perder peso, não é?

— Errado. Originalmente, significava "alimentação diária". Então parei de me preocupar com flutuações temporárias de números.

— Então você simplesmente desistiu?

— Eu não desisti!

Entendo. Não há nada de errado em ser persistente.

— Mas "alimentação diária" não significa justamente prestar atenção no que você come todos os dias?

— Bem, dieta é mais uma coisa conceitual, sabe? É uma questão de mentalidade.

— Sei...

Ela começou a falar besteira de novo. Coloquei meu cérebro no modo "não perturbe".

— No fim das contas, fazer dieta depende da imagem mental. Segundo as teorias mais recentes de dieta, a vontade de emagrecer reduz as calorias. Smoothie de matcha... olha só, é cheio de elementos que parecem saudáveis, não é? Então não existe motivo para isso não me ajudar a emagrecer.

É a isso que as dietas chegaram hoje em dia? Uma batalha de superpoderes?

— Então, se acrescentar um biscoito de arroz sabor salada, fica perfeito.

— Ah, está começando a entender, Nukumizu-kun!

Yanami sorriu presunçosamente enquanto tomava seu sorvete de matcha.

A propósito, o "salada" dos biscoitos de arroz sabor salada se refere ao óleo de salada usado na preparação. Depois de aprender a verdade sobre as dietas, eu realmente esperava que alguém assumisse logo a responsabilidade de lidar com Yanami.

Olhei ao redor e não demorou muito até eu encontrar Komari e Shiratama-san. As duas pareciam ter sido engolidas pela crescente multidão de compradores e vagavam em círculos sem rumo.

Pelo visto, Komari também não sobreviveria em Tóquio. Anotado.

— Desculpem fazer vocês esperarem!

Shiratama-san e Komari voltaram depois de serem resgatadas por Yanami. Cada uma segurava um sorvete soft de matcha. O de Shiratama-san ainda tinha shiratama por cima.

Intencional ou mera coincidência?

(N/SLAG: Shiratama são pequenas bolinhas de mochi.)

— No fim, escolhemos a mesma loja que vocês dois. Ficamos presas numa fila e depois nos perdemos quando terminamos de comprar.

Com seu gesto fofo de sempre, Shiratama-san sorriu e se sentou à minha frente. Komari se sentou ao lado dela, e eu abri o mapa do shopping sobre a mesa.

— Então, por onde começamos?

Yanami examinou o mapa com uma expressão séria.

— Ei, eu vi uns sanduíches de frutas antes. Também podemos fazer uma degustação de ramen na praça de alimentação, e aquele espaguete na chapa do Ciao parece tentador. Mas ainda é antes do almoço, então...

(N/SLAG: Ciao é uma rede de restaurantes de espaguete encontrada apenas em Toyohashi.)

— Você está planejando comer tudo isso além do almoço?

Komari colocou o cérebro no modo "não perturbe" e continuou comendo seu sorvete de matcha enquanto assentia roboticamente. Shiratama-san, por outro lado, mantinha um sorriso entre educado e confuso, sem saber se Yanami estava brincando ou falando sério.

Desculpe, mas essa mulher está falando muito sério.

Percebendo que eu era o único capaz de conduzir aquela situação, terminei rapidamente meu chá verde torrado gelado.

— Ah... que tal começarmos olhando as vitrines? Já que estamos aqui, podemos procurar inspiração para histórias, andar um pouco e conversar.

Afinal, o principal objetivo daquele passeio era aproximar os membros do clube, especialmente para que a integrante nova e as antigas pudessem se conhecer melhor.

Yanami assentiu com entusiasmo diante da minha sugestão.

— Nesse caso, tem um açougue que eu recomendo. A vitrine cheia de cortes de carne é um espetáculo.

Não acho que seja isso que "olhar vitrines" significa. Shiratama-san juntou as mãos diante do peito.

— Que tal vermos algumas roupas primeiro? Yanami-senpai, sua blusa é muito bonita, e eu adoraria que você me ajudasse a escolher algumas roupas.

— Hã? Sério? Eu gastei um pouco mais do que devia nela. É bom saber que algumas pessoas sabem apreciar!

Por algum motivo, Yanami me lançou um olhar de lado. Komari também acabou atingida indiretamente, aliás.

Parece que não temos escolha senão acompanhar. Levantei-me depressa.

— Certo, então vamos!

Komari ergueu os olhos para mim com um olhar afiado.

— D-Deixa eu terminar de c-comer primeiro.

— Desculpe, eu não sou muito boa em andar enquanto como — acrescentou Shiratama-san.

...Certo.

Claro.

Assenti em silêncio e voltei a me sentar.

*

Olhar as vitrines do shopping: apreciar as vitrines das lojas sem comprar nada.

Embora a palavra "shopping" pareça um pouco estranha quando ninguém faz compra alguma, as três garotas do Colégio Tsuwabuki não pareciam se importar. Elas estavam cheias de animação enquanto admiravam as roupas elegantes.

— Komari-chan, isso ficaria ótimo em você! Por que não experimenta?

— Vai ficar superfofo em você, senpai!

— Ueh!? A-Ah...

Correção. Komari está transbordando de desconforto. Ela se livrou às pressas das duas pouco antes que conseguissem arrastá-la até o provador.

— E-Eu já estou usando r-roupa! N-Não preciso e-experimentar outras!

Seguindo essa lógica, você teria que estar nua para comprar roupas.

...Mas, ainda assim, é até divertido observar garotas conversando e rindo a uma distância segura. Talvez eu devesse considerar participar do Clube de Literatura remotamente daqui para frente.

Enquanto eu estava perdido nesses pensamentos, Yanami se afastou das outras duas e veio até mim.

— Nukumizu-kun, está se divertindo?

— Sim, surpreendentemente. Aquelas duas vão ficar bem?

— Ela é bem sociável, então não precisa se preocupar. Shiratama-chan é uma boa garota.

Shiratama-san estava ocupada segurando roupas na frente de Komari, que parecia procurar uma oportunidade para fugir.

Talvez aquelas duas realmente formem uma boa dupla. Embora o olhar sem vida de Komari seja um pouco preocupante.

— Yanami-san, achei que você não gostasse da Shiratama-san.

— Eu tenho cara de garota que maltrata as calouras?

Sem comentários.

— Ah, bem, ela elogiou suas roupas. Talvez vocês duas tenham gostos parecidos?

Yanami deu levemente de ombros diante da minha tentativa de mudar de assunto.

— É isso que chamamos de lubrificante social. Você também deveria tentar, Nukumizu-kun.

— Hã? Você quer que eu elogie suas roupas?

Yanami assentiu e deu uma voltinha na minha frente. Ela estava usando uma blusa marrom-clara, leve e esvoaçante… e algum tipo de... calça branca? Ou seria uma saia...? Enfim, a parte de baixo era bem larga.

— Suas roupas parecem bem coloridas, mas, ao mesmo tempo...

— Ah, vai começar pela cor?

Sim, vou. Continuei observando Yanami.

— No geral, acho que está estiloso, mas as mangas dessa blusa não estão um pouco curtas?

— São mangas três quartos...

...Três quartos? Que número estranho é esse?

— Ah, sim, claro. Essas existem. Mas, olhando assim, parece um pouco frio.

Yanami soltou um suspiro profundo, claramente exasperada.

— Olha, se você vai ficar reclamando de calor ou frio, então é melhor desistir da moda. É o que dizem os especialistas, então deve estar certo. Guarde isso na cabeça.

— Sim, sim, entendido.

Assenti obedientemente e arquivei aquela pérola de sabedoria na pasta mental dedicada a Yanami. É bom manter tudo organizado para facilitar a limpeza futura.

Pouco depois, Komari e Shiratama-san voltaram a caminhar, e nós as acompanhamos.

— A propósito, você não disse que deveríamos convidar a Yakishio também?

— Ela disse que tem uma competição chegando e precisa treinar. Por quê? Está preocupado com ela?

— Bem, ela é minha amiga, afinal. Falando nisso, Yanami-san, você não comeu muito hoje.

Tentei mudar de assunto, e Yanami me lançou um olhar um tanto melancólico.

— Nukumizu-kun, talvez isso seja uma surpresa para você, mas...

Será que um médico mandou ela diminuir a comida? Fiquei tenso, e Yanami se virou para mim com uma expressão madura.

— Percebi uma coisa depois da sua reação de antes. Talvez eu tenha... comido um pouquinho demais ultimamente.

— Espera, você estava esperando a minha reação?

— Não, não estava. Olha, agora somos alunos do segundo ano, certo? Pensei que deveria tentar me comportar como uma mulher adulta pelo bem dos calouros que me admiram.

Entendo. É uma ótima mentalidade. Agora só falta aparecer algum aluno do primeiro ano que realmente admire Yanami. Talvez percebendo meus pensamentos, Yanami me lançou um olhar de lado.

— É por isso que hoje eu só tomei chá. Nukumizu-kun, você está subestimando a minha feminilidade?

Aquela sobremesa lotada de calorias conta como chá para ela?

Acho que, de certa forma, eu realmente a subestimei.

— E-Ei, o que vocês dois estão fazendo aí, seus p-preguiçosos?

Komari, que havia conseguido escapar de Shiratama-san, veio cambaleando em nossa direção.

— Estávamos discutindo as últimas tendências da moda e o poder feminino. Komari, terminou de comprar roupas?

Komari balançou vigorosamente a cabeça, e Shiratama-san espiou por trás dela.

— Komari-senpai, você não se interessa por roupas? Se tiver alguma outra coisa que gostaria de ver, por favor, diga para a gente.

— Ueh, ah, bem...

Komari começou a mexer desajeitadamente no celular. Ela chegou ao limite.

— Ei, Komari, você não disse que tinha algum lugar onde queria ir?

Os olhos de Komari se iluminaram diante da minha dica.

— S-Sim! E-Eu quero livros!

Komari tirou um cartão. Era um vale-presente de cinco mil ienes para livrarias.

— Ah, então você veio preparada para comprar livros de verdade, hein?

Komari assentiu alegremente e levantou dois dedos.

— Eu rompi o s-selo do meu cartão s-secreto. Vou comprar d-dois livros.

Ela não vai gastar tudo de uma vez. Muito prática e sensata. Vai dar uma ótima esposa algum dia.

Assim que começou a nos guiar, um grupo de jovens veio em nossa direção, e Komari imediatamente se escondeu atrás de mim, assustada.

...Algumas coisas nunca mudam, mesmo no nosso segundo ano.

Sentindo-me estranhamente aliviado, comecei a caminhar em direção à escada rolante.

*

Bem-vindos à Livraria Toyokawado AEON Mall Toyokawa.

O nome é enorme, embora a loja principal fique, na verdade, em Toyohashi. Era a maior livraria da região, e o café de lá utilizava ingredientes locais. Não é de se admirar que Yanami esteja agindo de maneira estranha.

— Ei, Yanami-san, ainda não está na hora do almoço.

— Eu sei. Uma dama sofisticada não fica babando, sabia?

Ela disse isso enquanto limpava a boca com um lenço. Você está babando, sim.

Bem, eu também estava bastante empolgado. Komari já havia desaparecido, e a Shiratama-san examinava a seção de lançamentos.

Certo, por onde devo começar...?

— Mas, falando sério, por que vir até aqui só para comprar livros? Dá para comprar em qualquer lugar, não dá?

Dei de ombros diante do comentário dela. Haa... amadora, Yanami.

— Yanami-san, livrarias não são todas iguais. Cada uma organiza os livros de uma maneira diferente.

— Então o cardápio do café também é diferente?

Você não ouviu a parte em que eu disse "livros"?

— Escuta. Uma livraria é um lugar onde encontramos livros. O conceito da loja, a disposição das estantes e a seleção dos títulos são maneiras de interagirmos com os funcionários.

— Entendi! É como ser amigo por correspondência dos funcionários da livraria, certo?

Você não entendeu absolutamente nada. Como é que eu explico isso...?

— Certo, pense assim. Mesmo que você ouça a mesma peça em diferentes concertos de música clássica, a experiência muda dependendo do maestro e da orquestra. Da mesma forma, a experiência de leitura oferecida por cada livraria é única.

— Mas você só compra mangá e light novel.

...Bem, isso é verdade. Mas a seleção varia bastante de uma loja para outra.

Parecia que o cérebro esponjoso de Yanami havia absorvido pelo menos uma parte da informação. Ao vê-la pegar uma revista de gastronomia com interesse, decidi explorar a loja por conta própria.

Inicialmente, eu planejava ir direto para a seção de mangás e light novels, mas, depois de tudo que havia acabado de dizer para Yanami, resolvi conferir primeiro as outras áreas...

Na seção de ficção, encontrei Shiratama-san sozinha, encarando atentamente as prateleiras de livros de bolso. Aproximei-me em silêncio e percebi que ela estava concentrada nos romances históricos. Isso não é exatamente a minha especialidade, mas me fez lembrar daqueles dramas de época.

Ao notar minha presença, ela rapidamente recolheu a mão que estava prestes a pegar um livro.

— Presidente? Há quanto tempo você está aí?

— Ah, acabei de chegar.

Parei ao lado dela e olhei para as prateleiras.

— Estou surpreso. Não sabia que você lia romances históricos.

— Comecei por causa do meu avô, mas ultimamente fiquei realmente interessada neles.

Ela pegou um livro chamado "O Cavalheiro Aposentado do Cortiço com Goteiras", leu a sinopse na contracapa e depois o devolveu à prateleira.

— Presidente, você fez o convite para sair hoje por consideração a mim, não foi?

— Ah, bem, eu só achei que seria bom se todo mundo pudesse se conhecer melhor.

Hesitante, Shiratama-san continuou:

— Yanami-senpai parece não gostar de mim. E Komari-senpai tem medo de mim.

— Bem, não acho que seja isso.

Yanami só está com inveja da sua juventude e fofura, e Komari se assusta com qualquer pessoa. Talvez interpretando minhas palavras como uma tentativa de consolá-la, Shiratama-san abriu um sorriso.

— Desculpe por tocar nesse assunto. Vou me esforçar para me dar bem com elas hoje.

— Sim, mas não precisa se forçar demais.

Deixei Shiratama-san para trás e me afastei, repreendendo-me mentalmente. Parecia que as coisas estavam indo bem, mas relacionamentos são complicados.

Isso talvez seja mais difícil do que pensei.

Bom, acho que consigo conquistar a Yanami com comida e Komari com algum doujinshi...

...Hã?

Isso não é surpreendentemente simples? A solução está bem na minha frente. É só dar alguns lanches para Yanami.

"Nukumizu-kun! A Shiratama-chan é muito legal! Eu estava completamente enganada sobre ela!"

O diálogo imaginário na minha cabeça está perfeito. Nem preciso ouvi-lo na vida real. Agora, e quanto à Komari? Encontrei-a na seção de livros práticos. Komari permanecia imóvel, segurando um grosso livro de capa dura.

— Que livro é esse?

Ainda olhando para o livro, Komari virou apenas os olhos na minha direção.

— A-Ah, é um livro sobre vestidos e roupas o-ocidentais antigas. Eu a-adoraria ter como r-referência, mas...

Ela me mostrou a parte de trás do livro, onde havia um preço claramente acima do valor que seu cartão-presente poderia cobrir. Soltando um suspiro, Komari devolveu o livro à prateleira e levantou os olhos para mim com desconfiança.

— O-O que você quer?

— Você está completamente viciada em "Fora do horário de expediente", que passou nesta primavera, não é?

— A-Ah, sim. É o á-ápice.

Um sorriso malicioso e perverso surgiu no rosto de Komari.

— Então me diga qual é o seu casal favorito. Aposto que você prefere Takaya-san como o passivo...

— Una!?

Paf. O cotovelo de Komari acertou em cheio meu plexo solar.

— N-Não fique adivinhando os meus c-casais!

Por que ela ficou brava porque eu acertei? Não entendo. Bem, pelo menos descobri o gosto dela.

Hora de comprar algum tributo na loja de anime...

*

Depois da livraria, surpreendentemente, foi a Yanami quem sugeriu irmos ao fliperama. Acabamos jogando um jogo de tiro em realidade virtual contra zumbis. Eu já conhecia o jogo, mas nunca imaginei que acabaria jogando pessoalmente, muito menos com quatro pessoas.

Depois de uma partida, Yanami se espreguiçou enquanto conversava com Komari.

— Komari-chan, você é muito boa em jogos de tiro. Tem alguma dica?

— C-Concentre-se na sua i-intenção de matar.

Komari afastou a franja para trás com uma expressão convencida.

— Entendi. Intenção de matar, hein?

— S-Sim. Intenção de matar.

...Por que vocês duas estão olhando para mim?

Sentindo-me desconfortável, desviei o olhar e encontrei os olhos de Shiratama-san.

— Minhas pernas estão bambas. Foi tão intenso.

Ela disse isso enquanto encostava os dedos indicadores nas têmporas e sorria. Tão calculista… E, ainda assim, tão fofa.

— Komari-chan, vi uma mesa de air hockey ali. Quer jogar uma partida? — sugeriu Yanami.

— E-Eu sou mais forte do que você i-imagina, tá?

Sério? Eu adoraria ver Komari se destacando no air hockey… Quando comecei a segui-las, Shiratama-san puxou delicadamente a manga da minha roupa.

— Ei, estou ficando um pouco cansada. Você poderia vir comigo descansar um pouco?

— Claro, sem problema. Só vou avisar a Yanami-san e a Komari...

Olhei na direção delas e vi que a Yanami e a Komari já estavam desaparecendo no meio da multidão.

Enquanto hesitava entre ir atrás das duas ou não, Shiratama-san puxou minha manga outra vez, agora com um pouco mais de insistência.

— Acho que eu deveria ter sido mais clara.

— Hã?

Quando me virei para encará-la, encontrei aqueles olhos grandes muito mais perto do que esperava. As palavras que ela sussurrou em seguida fizeram o barulho do fliperama desaparecer ao nosso redor.

— Vamos fugir um pouquinho... só nós dois.

*

Diante de nós, várias joias luxuosas estavam dispostas dentro de vitrines de vidro. Enquanto as observávamos juntos, Shiratama-san soltou baixinho uma exclamação de admiração.

— Uau, são lindas. Será que aquele colar é de ametista...?

— Ah, sim. Pode ser.

Ela havia me levado até uma joalheria no mesmo shopping. Um pouco intimidado pela atmosfera sofisticada do lugar, percebi que Shiratama-san parecia ligeiramente constrangida.

— Desculpe por trazer você aqui tão de repente. Você não está muito interessado nisso, está?

— Não, não é isso. Eu nunca entraria aqui sozinho, então, na verdade, estou achando interessante.

— Sério? Você é tão gentil, Presidente.

Dizendo isso, ela sorriu calorosamente para mim.

Só para deixar claro, eu não aceitei a sugestão de Shiratama-san por nenhum motivo oculto. Eu só queria ajudá-la com as dificuldades que estava tendo com Yanami e Komari. Sério.

Enquanto repetia isso para mim mesmo, lancei discretamente um olhar para Shiratama-san. Ela sorria suavemente enquanto contemplava as joias através do vidro. Seu rosto pequeno, que misturava inocência juvenil com uma beleza mais madura, era emoldurado pelos cabelos que chegavam até os ombros.

Ela tinha mais ou menos a mesma altura da Yanami, mas seu corpo esguio parecia delicado, como se pudesse se quebrar com um simples toque. Era magra, mas, ao contrário de Komari, possuía uma silhueta sutilmente feminina, perceptível mesmo por baixo das roupas.

O rosto e os membros longos me faziam lembrar Yakishio, enquanto a pele clara e delicada trazia Shikiya-san à mente.

...É. Essa garota é adorável. Não é de se admirar que a Yanami sinta ciúmes. Mesmo que aquela garota também seja bonita, existem certas partes dela que impedem qualquer admiração irrestrita.

— Qual é a sua pedra do mês de nascimento, Presidente?

— Hã? Eu nasci em dezembro, então——

Olhei para a tabela de pedras de nascimento pela quarta vez ou algo assim, e então meu celular vibrou dentro do bolso.

...Aposto que é Yanami. Levei a mão até o bolso, mas Shiratama-san colocou a dela sobre a minha.

— Hã!?

— Posso monopolizar o seu tempo por mais um pouquinho, Presidente?

— Bem, se você não se importar de ficar comigo, pode ser...

— Então, por favor, fique comigo só mais um pouco.

Ela encostou suavemente o ombro no meu e me conduziu para o interior da loja.

— Sua pedra é a tanzanita. Ela representa inteligência e serenidade. Combina muito com você.

— Ah, sim. As pessoas costumam dizer isso.

Respondi enquanto engolia em seco, nervoso. Eu estou vivendo um evento romântico? Será que finalmente começou a minha tão aguardada fase popular?

...Nem fudendo.

Se controla, Nukumizu.

Não existe a menor chance de uma caloura tão bonita assim se aproximar de alguém tão sem graça quanto eu. Esse tipo de situação é reservado para caras extrovertidos e bonitos. Então, esta situação deve fazer parte da própria história da Shiratama-san...

— Deixa eu ver. Qual será a minha pedra do mês de nascimento?

— Shiratama-san, tem alguma coisa que você quer conversar comigo?

O sorriso dela vacilou ligeiramente. Mas, no instante seguinte, aquela rachadura foi escondida por um sorriso ainda mais encantador e calculado.

— Está tudo bem. Eu já conversei sobre isso com você antes, Presidente.

— Se não é sobre isso... você está esperando alguém?

Dessa vez, a máscara sorridente dela desmoronou por completo. A cor desapareceu do rosto de Shiratama-san, deixando-a cada vez mais inquieta.

— Ah, bem...

— Você ficou olhando ao redor várias vezes enquanto observava as joias, como se estivesse esperando alguém aparecer. Está esperando alguém vir até aqui?

— Isso———

Seus lábios se abriram como se procurassem pelas palavras certas, mas logo se fecharam novamente. Suas pernas tremiam levemente, como se ela estivesse tentando conter a vontade de fugir.

— Desculpe, não estou acusando você de nada. Só quero ajudar. Se me contar o que está acontecendo, talvez eu consiga fazer alguma coisa.

............

Ela apertou o peito com as duas mãos e abaixou a cabeça, permanecendo em silêncio. Quando eu estava prestes a falar novamente para quebrar aquele silêncio desconfortável———

— Riko, é você?

Uma voz clara ecoou. A cabeça de Riko Shiratama se ergueu de repente, como se alguém tivesse acionado um interruptor. Diante de nós estava uma mulher na casa dos vinte e poucos anos.

Apesar dos traços bem definidos, a primeira palavra que me veio à cabeça foi "fofa". Era uma mulher encantadora. A semelhança entre as duas era inconfundível. A voz de Riko Shiratama saiu como um leve sussurro.

— Onee-chan...

Ela é a irmã mais velha da Riko Shiratama. Mas o que me surpreendeu não foi apenas o aparecimento da irmã de Shiratama-san. Ao lado dela, em uma postura quase protetora, estava——

— Você é o Nukumizu-kun, da Turma C, certo? Por que está com a Riko-chan?

Era Tanaka-sensei, o professor de Literatura Japonesa do Colégio Tsuwabuki. As irmãs Shiratama, o Tanaka-sensei e... eu, por algum motivo.

O silêncio constrangedor logo foi quebrado por ninguém menos que a própria Riko Shiratama. Ela agarrou meu braço com força, puxou o próprio corpo para perto e se prendeu a mim.

— Eu estou namorando essa pessoa!

Hã!? Nós estamos namorando!? Desde quando?

Eu não tenho absolutamente nenhuma lembrança desse suposto relacionamento, mas, se for verdade, tudo começa a fazer sentido... Shiratama-san me afastando dos outros, aquele momento estranhamente relaxante que passamos juntos...

É.

O melhor é simplesmente seguir o fluxo. A irmã mais velha da Shiratama, que havia ficado paralisada de choque com a revelação, finalmente recuperou a voz.

— Riko, você tem namorado? É a primeira vez que estou ouvindo falar disso...

— Desculpa. Você e o Tanaka-sensei estão tão ocupados com os preparativos para o casamento que eu não tive oportunidade de contar.

Ela disse isso com um sorriso radiante e alegre. Aquele sorriso tão luminoso provavelmente dificultou que sua irmã insistisse no assunto. Ainda visivelmente confusa, a irmã mais velha de Shiratama voltou o olhar para mim.

— E você... há quanto tempo está... namorando a Riko?

— Ah, bem, não é exatamente uma questão de há quanto tempo. É mais uma situação tipo gato de Schrödinger...

— Onee-chan, não faça perguntas estranhas para o meu namorado.

Shiratama-san fez bico e apertou meu braço ainda mais forte.

— Desculpa, Riko. Foi tudo um pouco de repente, então eu fiquei surpresa. Mas...

— Eu já estou no ensino médio, sabia? E você gostava do Tanaka-sensei quando tinha a minha idade.

— Riko!?

O rosto da onee-san ficou vermelho na mesma hora. ...É, ela também é fofa. Tanaka-sensei pousou uma mão tranquilizadora sobre o ombro dela e sorriu gentilmente.

— Minori-san, vamos embora por enquanto.

— Mas, Yuji-san...

— Desculpem por interromper. Nós já vamos.

Como se acalmasse uma criança, Tanaka-sensei conduziu a irmã Shiratama para longe dali. Mesmo depois que os dois desapareceram de vista, continuei parado, atordoado com a rapidez daquela sequência de acontecimentos.

Então, a sensação no meu braço me trouxe de volta à realidade. Macio e com um cheiro agradável...

— Ah, então aquela era a sua...

Shiratama-san assentiu lentamente.

— Sim. Minha irmã mais velha.

— E o fato do Tanaka-sensei estar com ela significa que...

— Sim. Eles estão noivos.

...Então é assim que a Shiratama-san conhece Tanaka-sensei. Será que a discussão deles no estacionamento do shopping tinha sido só por causa disso? Enquanto tentava encaixar as peças que faltavam naquele quebra-cabeça, Shiratama-san apertou ainda mais meu braço.

Ela se agarrou a mim e sussurrou em uma voz quase inaudível:

— Podemos ir para algum lugar... onde possamos ficar sozinhos?

*

Tap, tap...

Um gato marrom de pelo comprido passou correndo diante de nós, mantendo o corpo rente ao chão. Shiratama-san e eu estávamos em um café de gatos dentro do shopping. Sentados lado a lado em um banco de madeira, aquecíamos as mãos em copos de latte.

Então este é o lugar onde podemos ficar sozinhos...

— Desculpe por contar uma mentira tão estranha.

— Hã? Não, bem, gatos não são pessoas, então dizer que estamos sozinhos não é exatamente——

— Não. Estou falando da parte sobre nós estarmos namorando.

Nosso relacionamento era uma mentira.

Como devo dizer? Eu realmente não esperava muita coisa e sabia que havia algum motivo para ela ter falado aquilo. Então isso não me afetou nem um pouquinho. Nem um pouco mesmo.

Mas ela poderia ter mantido a mentira por mais algum tempo.

...Droga.

Pensar assim está me fazendo sentir pior. Tomei outro gole do latte, tentando organizar meus pensamentos antes de perguntar novamente:

— Então, por que você mentiu daquele jeito?

— Eu queria mostrar que tinha um namorado e surpreender os dois. Sabia que eles viriam buscar as alianças de casamento naquela loja.

Ela voltou a ficar em silêncio.

— Por que você faria isso?

— Porque eles sempre me tratam como criança. Eu queria me exibir um pouquinho.

Assenti, compreendendo. Então foi por isso que ela me tirou do fliperama. Claro, eu já imaginava que fosse algo assim.

É.

Eu sabia...

Desde o começo.

É...

— Acho que consigo entender um pouco o que sua irmã sente.

— Eu pareço tão infantil assim?

Ela fez bico de propósito. Soltei uma risadinha e balancei a cabeça.

— Não nesse sentido. Eu também tenho uma irmã mais nova e, mesmo que a diferença entre nós seja de apenas dois anos, ainda enxergo nela a garotinha que ela era antes.

— Mas eu sou dez anos mais nova que eles.

Shiratama-san tomou cuidadosamente um gole do café au lait e soltou o ar devagar.

— Minha irmã mais velha é gentil e sempre cuidou muito de mim. Eu amo muito ela.

— Parece ser uma ótima irmã.

Shiratama-san assentiu, exibindo um sorriso mais sincero do que qualquer outro que eu havia visto nela até então.

— Sim. Quando eu era pequena, chegava a pensar que tinha duas mães. Crianças pensam umas coisas engraçadas às vezes.

Ela riu com nostalgia. No entanto, a risada desapareceu rapidamente. Ela baixou os olhos, e sua voz se reduziu a um murmúrio.

— É por isso que eu preciso apoiar minha irmã mais velha se ela escolheu o Tanaka-sensei...

Soava mais como se ela estivesse tentando convencer a si mesma do que qualquer outra coisa.

— Aconteceu alguma coisa entre você e o Tanaka-sensei?

— Sim. Aconteceu... muita coisa.

— Hã!?

Será que estou prestes a ouvir alguma coisa absurda? Segurei com força a caneca de café entre as mãos trêmulas. Shiratama-san rapidamente balançou a cabeça.

— Não de um jeito estranho. Tanaka-sensei é nosso vizinho desde que eu era pequena. Ele me ajudava com os estudos e sempre cuidou de mim.

...Entendo. Então é isso. Ainda bem. Não existe nenhuma relação complicada aqui. A pessoa diante de mim é apenas uma garota comum que se dá bem com a irmã.

— Então o Tanaka-sensei vai se tornar seu cunhado, hein?

Os ombros de Shiratama-san tremeram levemente.

— S-Sim. Já que ele vai se casar com a minha irmã mais velha.

Ela disse isso em voz baixa e voltou a ficar em silêncio. Hã? Eu falei alguma coisa estranha?

— Ah, Shiratama-san, você se dá bem com o Tanaka-sensei, certo?

Ao ouvir minhas palavras, Shiratama-san ergueu lentamente a cabeça.

— Você poderia me ouvir por um tempo?

Quando assenti, ela começou a falar com uma expressão um pouco mais madura que o habitual.

— Tanaka-sensei é nosso vizinho e sempre cuidava da gente quando nossos pais chegavam tarde em casa.

— Então isso inclui sua irmã também, certo? Existe uma diferença grande de idade entre eles?

— Sensei é cinco anos mais velho que a minha irmã. Ele fez trinta anos este ano, então já é um tiozinho.

Ela disse isso com um sorriso que não parecia nem um pouco divertido.

— Desde que comecei a me entender por gente, os dois sempre passavam tempo comigo. Muitas vezes iam juntos me buscar no jardim de infância.

Como se recordasse alguma coisa, ela sorriu com nostalgia.

— Naquela época, eles eram um universitário e uma estudante do ensino fundamental II, então surgiram alguns boatos estranhos. Mas eles ainda não estavam namorando naquela época.

— Então isso significa que eles são próximos desde então.

— Eu sentia ciúmes de como os dois eram próximos e sempre tentava ficar no meio deles. Fazia birra e dizia para onee-chan não chegar perto dele e tal…

Com um sorriso gentil, ela parecia reviver aquelas lembranças preciosas.

— Você realmente ama os dois, não é?

— Sim. Amo muito minha irmã.

Entendo. Que alívio. Shiratama-san é apenas uma garota de coração puro que ama a irmã, e não alguém com segundas intenções, como a Yanami e as outras suspeitavam. Continuei falando, tentando afastar a vaga inquietação que ainda permanecia.

— E você também é próxima do Tanaka-sensei, certo?

— Eu odeio ele. Homens daquele tipo são os piores.

— Hã...?

Um silêncio constrangedor caiu entre nós. Olhei para o relógio. Já estava quase na hora do almoço.

Quando imaginei o rosto da Yanami ao ouvir a palavra "almoço"... Plop. Um gato rajado marrom pulou no colo da Shiratama-san e se enroscou ali, completamente indiferente ao clima pesado.

— Aquele homem realmente acha que eu sou a irmãzinha dele.

Com uma expressão rígida, Shiratama-san acariciou o pelo do gato.

— Enquanto eu continuei sendo a garotinha da casa ao lado, minha irmã começou a chamar ele de Yuji-san em algum momento.

O gato rajado mexeu uma das orelhas, aprovando o carinho da Shiratama-san, e começou a ronronar.

— Desde então, eu comecei a chamar ele de "sensei".

Ela continuou acariciando delicadamente as costas do gato enquanto falava. Hmm. Então o Tanaka-sensei já era professor quando eles começaram a namorar. Em outras palavras...

— Eles começaram a namorar bem tarde, não foi?

— Sim. Eles começaram a namorar oficialmente depois que minha irmã terminou o ensino médio. Eu sei que ele sempre foi muito gentil com ela.

Shiratama-san exibiu um sorriso autodepreciativo.

— Durante um tempo, quando eu ainda estava no ensino fundamental, pensei que talvez ele estivesse esperando eu crescer mais um pouco. É muito idiota, não é?

Ela tentou rir, mas não conseguiu. Apenas abaixou a cabeça e forçou uma voz fraca.

— Eu me pergunto como teria chamado Tanaka-sensei se tivesse nascido primeiro.

Permaneci em silêncio, incapaz de encontrar as palavras certas. Seja no amor ou nos sonhos, é normal existirem coisas que nunca conseguimos alcançar. Quando finalmente conseguimos obter algo precioso, inúmeras outras coisas já escaparam por entre nossos dedos...

Enquanto a respiração do gato se tornava profunda e regular, Shiratama-san voltou a falar.

— O casamento deles vai ser no sábado depois do próximo. É um lugar lindo, com um jardim.

— Hã? Ahh, entendi.

— Algum tempo atrás eu entrei escondida no local tarde da noite.

Espera. Do que ela está falando?

— Desculpe, acho que perdi alguma parte. O que aconteceu no local?

— Eu disse que entrei escondida no local à noite e a polícia acabou se envolvendo.

Então eu não perdi nada. O que eu achava ser a história de amor não correspondido da minha caloura acabou se transformando na confissão de um delito.

— Ah... por que você faria uma coisa dessas?

— Porque minha irmã sempre pega tudo que eu quero antes de mim. Eu queria deixar minha marca em alguma coisa... queria criar um segredo. Queria encerrar tudo com aquilo.

Se você ouvir apenas essa parte, parece uma comovente história sobre o primeiro amor de uma garota. Mas existe ruído demais no meio dessa história.

— Sim, mas por que invadir um lugar?

— Eu queria vestir o vestido de noiva da minha irmã e tirar fotos na capela. Antes dela.

— Mesmo que quisesse criar um segredo, você não poderia ter escolhido algo menos ilegal? Alguma coisa um pouco mais pacífica.

— Sim. Eu tinha umas cinco opções e escolhi a mais pacífica.

Bem… Se aquilo era a opção mais pacífica, acho que só me resta aceitar. Tomei meu latte em silêncio.

Shiratama-san parecia normal à primeira vista, mas será que garotas de verdade são assim...?

É. Acho que vou comprar uma light novel na volta para casa. Enquanto minha lealdade ao mundo bidimensional se aprofundava, Shiratama-san me deu um sorriso fraco.

— Desculpe por contar uma história tão estranha. Acho que me sinto um pouco melhor depois de falar sobre isso.

Foi definitivamente uma história estranha.

— Ah, não se preocupe. Claro que não vou contar para ninguém.

— Se for necessário, você pode contar. Eu causei muitos problemas para você e para as outras senpais.

Shiratama-san começou a brincar com o pescoço do gato usando as pontas dos dedos. Enquanto observava o gato se contorcer de prazer, comecei a organizar mentalmente a história que tinha acabado de ouvir.

...Tenho certeza de que Tanaka-sensei e a irmã dela nutrem sentimentos um pelo outro há muito tempo. Shiratama-san, sendo muito mais nova, provavelmente cresceu ao lado dos dois sentindo uma mistura de admiração e solidão.

— Você gosta do Tanaka-sensei há muito tempo, não é?

Os dedos da Shiratama-san pararam diante do meu comentário insensível.

— Eu disse que odiava homens como ele, não disse?

— Desculpe. Foi insensível da minha parte———

— Eu só acho engraçado! — Interrompendo meu pedido de desculpas, ela respirou fundo e começou a despejar as palavras: — Aquele homem sempre olhou para mim com os mesmos olhos do meu pai. Mas, quando olhava para minha irmã, a expressão dele era sempre diferente, e ele nunca mostrou aquele rosto para mim. Minha irmã sempre foi maravilhosa e popular, e ele não é bom o bastante para ela. Ele era meu "onii-chan", mas então, de repente, virou "Tanaka-sensei"...

Ela respirou fundo mais uma vez e, dessa vez, sussurrou baixinho:

— Em breve, vou ter que chamar ele de cunhado…………

Os ombros finos de Shiratama-san começaram a tremer.

— Ah, você está bem? Não precisa continuar falando se estiver doendo demais.

Ela balançou a cabeça. Lágrimas começaram a escorrer de seus grandes olhos.

— Sabe... Yuji-onii-chan sempre diz que está feliz porque Riko-chan vai finalmente se tornar a irmãzinha dele de verdade... porque ele sempre olhou apenas para minha irmã mais velha.

...A pessoa por quem ela sempre ansiou vai se tornar seu cunhado. Ela nunca poderá deixar que ele perceba seus verdadeiros sentimentos. Tudo o que sentiu até agora terá que permanecer escondido, enterrado sob a aparência de afeto entre irmãos.

As lágrimas que ela não conseguia mais conter começaram a cair uma após a outra.

— E eu... eu me esforcei tanto para ficar bonita. Estudei as revistas da minha irmã e os produtos de maquiagem dela. Olhava mais para o espelho do que para os livros da escola, tentando ficar bonita para que... algum dia... onii-chan... olhasse mais... para mim...

As costas dela tremiam cada vez mais enquanto abaixava a cabeça, tentando conter o choro.

— Eu odeio ele. Odeio mesmo... ele. Odeio tanto... tanto...

— Ei! Não enxugue as lágrimas no gato!

— Então me empresta seu ombro.

— Hã!?

Sem esperar resposta, Shiratama-san se inclinou contra mim e enterrou o rosto no meu ombro. Senti o leve peso pressionando meu ombro. Shiratama-san agarrou-se a mim e começou a chorar sem conseguir se controlar.

...Não tem jeito. Só posso deixar ela chorar até colocar tudo para fora. Enquanto sentia o calor dela contra meu ombro, olhei distraidamente ao redor.

Foi um erro sentar aqui. A parede voltada para o corredor do shopping era uma enorme janela de vidro, o que nos deixava completamente visíveis para quem passasse do lado de fora. Não é como se estivéssemos fazendo alguma coisa suspeita, mas, se alguém conhecido nos vir...

Ergui a cabeça e mal consegui conter um grito. Duas garotas com olhos assassinos estavam grudadas no vidro, encarando a gente. Anna Yanami e Chika Komari. Elas parecem um pouco com lagartixas grudadas na janela...

Pensando nisso, baixei o olhar para a garota que chorava contra meu ombro. Riko Shiratama, a heroína absolutamente condenada de um amor não correspondido. E ela também é a única esperança capaz de salvar o Clube de Literatura de ser dissolvido...

*

No dia seguinte a toda aquela confusão no AEON Mall Toyokawa (?). Depois das aulas, fui direto para casa sem passar pela sala do clube. A confissão chorosa de Shiratama-san. Os sentimentos dela por Tanaka-sensei e seu segredo. Eu ainda preciso de um pouco mais de tempo para processar tudo isso.

— Bem-vindo de volta, onii-sama.

O som de chinelos batendo rapidamente contra o chão anunciou a chegada de Kaju.

— Cheguei. Kaju, você voltou cedo hoje.

— Sim. O trabalho do conselho estudantil se acalmou por enquanto.

— Entendi. Você tem estado ocupada.

Quando eu estava prestes a entrar na sala, Kaju bloqueou meu caminho.

— Onii-sama, você não vai se trocar no seu quarto?

— Quero assistir ao anime que deixei gravado... Por que você não está me deixando entrar na sala?

— Vou preparar um chá quente, então por que você não vai se trocar primeiro? Também temos biscoitos de arroz.

— Espera, calma aí——

Kaju bloqueou meu avanço como uma defensora de basquete e foi me empurrando em direção às escadas. Deve haver algum motivo para Kaju estar indo tão longe.

Obedientemente, fui até meu quarto, mas parei com a mão sobre a maçaneta. Tem alguma coisa na sala. Pelas atitudes da Kaju, foi isso que presumi, mas então outra possibilidade me ocorreu.

Ela quer que eu vá para o meu quarto. Tem alguma coisa no meu quarto?

Ou… Será que ela encontrou alguma coisa no meu quarto? Ah, não. Espero que aquilo debaixo do tapete esteja seguro.

Abri a porta em pânico.

— Até que enfim você voltou, Nukumizu-kun.

— V-Você tem muita c-coragem de aparecer a-aqui.

As últimas pessoas que eu queria ver estavam bem ali. Anna Yanami e Chika Komari. E as duas estavam vasculhando minha estante de livros. Sério, por favor, parem.

— O que vocês duas estão fazendo aqui?

Entrei no quarto tentando manter a calma, e as duas me lançaram olhares inexpressivos.

— Não é óbvio? Você sumiu ontem sem explicar nada. O que aconteceu com a Shiratama-chan?

— I-Inimigo das garotas.

Dessa vez eu não tenho como argumentar. ...Mas, pensando bem, eu não fiz nada de errado. É. Nada de errado.

— Esperem aí, vocês duas. É verdade que saí com Shiratama-san sem explicar muita coisa, mas havia um bom motivo.

— Ah, é? Então também existe um bom motivo para o que aconteceu no café de gatos?

Assenti enfaticamente para Yanami.

— Sim. Existe um motivo para ela ter se agarrado ao meu ombro enquanto chorava.

— Kaju também gostaria de saber esse motivo.

— Eek!

Assustado com a voz atrás de mim, virei e encontrei Kaju sorrindo enquanto segurava uma bandeja com chá e biscoitos de arroz.

— Kaju, há quanto tempo você está aí?

— Acabei de chegar. Trouxe chá quente para você, onii-sama.

Kaju começou a colocar as xícaras sobre a mesa baixa.

— Obrigado. Mas estamos tendo uma conversa de adultos, então poderia nos dar um pouco de privacidade?

— Pode ficar tranquilo. Kaju já é adulta.

Kaju colocou a quarta xícara de chá sobre a mesa e se sentou com um baque. Yanami e Komari também se acomodaram ao redor da mesa antes mesmo que eu dissesse qualquer coisa.

— Vamos, Nukumizu-kun. Senta.

— D-Desiste.

— Onii-sama, seu chá vai esfriar.

Komari e Kaju deram tapinhas nas almofadas, enquanto Yanami mastigava um biscoito de arroz e assentia silenciosamente para mim.

...Sinceramente, eu não quero sentar no meio delas.

Até Kaju, que eu achei que poderia me ajudar, entrou nesse círculo impiedoso. Resignado, sentei, e Yanami engoliu o resto do biscoito de arroz. Mastiga direito, por favor.

— Certo. Nukumizu-kun levou um minuto para se sentar.

Yanami começou a falar como se fosse uma diretora de escola.

— Hã? O que você quer dizer...?

— Você roubou três minutos do nosso tempo. Três minutos é o tempo que leva para preparar um ramen instantâneo. Por que não pensa um pouco sobre isso?

Não vejo por que eu deveria, e sei muito bem que você começa a comer depois de dois minutos. Sentindo-me um pouco mais à vontade com as palhaçadas habituais da Yanami, tomei lentamente um gole do chá quente.

— Então, por onde querem que eu comece? Podem perguntar o que quiserem.

Yanami pegou o segundo biscoito de arroz e começou a falar.

— Primeiro: o que vocês dois estavam fazendo quando fugiram escondidos no domingo?

— Bem, isso é assunto privado. Próxima pergunta?

...........

Croc.

O biscoito de arroz de Yanami fez um som satisfatório quando ela o mordeu. Depois de lançar um rápido olhar para a silenciosa Yanami, Komari se inclinou para a frente.

— E-Então, por que v-você fez ela c-chorar?

Hmm. Boa observação, Komari.

— Isso é um assunto entre a Shiratama-san e eu. É algo que eu gostaria de guardar nas profundezas do meu coração. Próxima pergunta, por favor.

Quando estendi a mão para pegar um biscoito de arroz, Kaju afastou a tigela de mim.

— Estou tão triste, onii-sama.

— Hã? O que foi?

Com uma expressão sombria, Kaju entregou a tigela a Yanami.

— Onii-sama, sua frieza me entristece. Você sempre disse que os membros do Clube de Literatura são como uma família...

— Eu disse uma coisa dessas!?

Assustada, Yanami engoliu o terceiro biscoito de arroz sem mastigar direito.

— Nem pensar que eu disse isso.

— Não disse, mas seus olhos dizem a verdade, onii-sama.

Entendo. Meus olhos não são confiáveis. E agora três pares de olhos que confiam ainda menos em mim estavam me encarando.

— Não é como se eu tivesse feito alguma coisa ruim com a Shiratama-san...

Comecei a tropeçar nas desculpas, mas a expressão delas não mudou. Yanami suspirou e tirou um pequeno cartão preto da bolsa da Komari.

— Se é assim que você quer jogar, Nukumizu-kun, não temos escolha.

— ? O que é isso?

— Um cartão SD. Estava preso com fita adesiva debaixo do tapete deste quarto.

Certo. Me dá isso. Quando estendi a mão, percebi o olhar da Kaju e desviei os olhos com naturalidade.

— São só dados para controlar minhas notas. Tem senha.

Sem mudar de expressão, Yanami entregou o cartão SD para Kaju.

— Imouto-chan, alguma ideia de qual seja a senha?

— As senhas do onii-sama costumam ser as datas de aniversário das dubladoras favoritas dele, então me dê um tempinho.

— Hã!?

Droga. Não é só por causa das imagens que colecionei. Os nomes das pastas em que organizei tudo também são... problemáticos. Pensando bem, Shiratama-san disse no café de gatos que eu poderia contar os detalhes caso fosse necessário.

Então não deve haver problema em contar. É. Nenhum problema. Provavelmente.

— Certo, vamos conversar. Vou contar tudo o que aconteceu naquele dia.

Assumi uma expressão séria e olhei para os três rostos ao meu redor. As chantagistas engoliram em seco. E eu não estou entregando minha caloura porque estou sendo chantageado.

Definitivamente não.

*

— P-Pule da ponte.

Essa foi a primeira coisa que ouvi depois de terminar a explicação. Komari me olhava como se eu fosse um pedaço de lixo enquanto mastigava um biscoito de arroz.

— Você sequer ouviu minha história? Está claro que eu não tenho culpa nenhuma aqui. Eu sou o senpai gentil que consolou uma caloura corajosa.

Essas pessoas não entendem nada. Suspirando, estendi a mão para pegar um biscoito de arroz, mas Kaju rapidamente pegou o último.

— Onii-sama, aquela pessoa não serve para você. Ainda é cedo demais.

— Mas eu——

— Eu disse que não, e é não.

Fazendo bico, Kaju virou o rosto, com as bochechas infladas de irritação. Por que até Kaju está assim? Ora, ora. Se isso continuar, Yanami também vai ficar chateada.

Preparando-me para o pior, voltei o olhar para Yanami… E ela estava enxugando os olhos com um lenço.

— Ugh, então foi isso que... aconteceu.

Para minha surpresa, Yanami estava chorando de verdade. Tipo, lágrimas de verdade mesmo.

— Hã? O que foi, Yanami-san?

Yanami se inclinou para a frente e bateu com a mão na mesa baixa.

— Você não sente nada, Nukumizu-kun!? Eu estou morrendo de pena da Shiratama-chan! Não podemos deixar uma destruidora de lares roubar o amigo de infância dela assim! Vamos transformar isso em lei!

— A irmã da Shiratama-san também é amiga de infância dele. Se formos pensar por esse lado, a Shiratama-san é que seria a destruidora de lares que deveria ser regulamentada por lei.

— Hã? Mas não é estranho punir uma amiga de infância...?

Amigas de infância não são tão apelonas assim, sabia?

Yanami fungou, inclinando a cabeça com uma expressão pensativa e confusa. Certo. Se eu quiser encerrar isso, agora é minha única chance.

— Isso é tudo o que tenho para dizer. Vamos encerrar por hoje.

Tentei me levantar, mas Komari e Kaju agarraram minhas roupas, uma de cada lado.

— Onii-sama, Kaju ainda não ouviu tudo.

— Hã? Mas eu já contei tudo o que aconteceu naquele dia.

— V-Você sabe por que ela foi s-suspensa, não sabe?

Komari me encarou por entre a franja.

— Ah, eu disse que contaria o que aconteceu, mas não quis dizer a conversa inteira... Tá bom, eu conto tudo.

É melhor ceder logo. Expliquei todo o incidente envolvendo a Shiratama-san entrando escondida no local do casamento e, em seguida, bebi o chá que já havia esfriado.

— Isso é tudo. Não tenho mais nenhum segredo. É tudo o que sei.

— Sim. Muito bem, onii-sama.

Kaju acariciou minha cabeça. Minha irmãzinha é tão gentil. Yanami, que havia ouvido tudo com uma expressão incrédula, assoou o nariz ruidosamente e jogou o lenço de papel amassado em direção à lixeira.

— É impressionante que ela tenha levado só uma suspensão. Isso é crime, sabia?

Surpreendentemente, Yanami disse algo sensato. Aliás, ela errou a lixeira. Por favor, assuma a responsabilidade e pegue depois.

— Ela só queria vestir o vestido de noiva da irmã e tirar fotos na capela antes dela. É um desejo fofo, bem coisa de garota.

— Mesmo assim, definitivamente não é normal entrar escondida em um local de casamento.

É. Não é normal. Parece que Yanami está gastando toda a cota anual de comentários sensatos de uma vez. Shiratama-san realmente é fofa, mas não é normal. E isso vem de um cara cercado por garotas estranhas, diga-se de passagem. Não posso negar que ignorei as peculiaridades da Shiratama-san porque queria mais membros para o clube.

— Bem, acho que as preocupações da Yanami-san fazem sentido — eu disse.

— Certo. Forçar ela a entrar talvez não seja bom para nenhum dos lados——

— M-Mas!

A voz aguda de Komari interrompeu Yanami. Todos nos viramos para ela, surpresos, e Komari abaixou o olhar, mexendo-se nervosamente.

— A-A suspensão dela j-já terminou, então t-talvez não seja bom ficar focando tanto no p-passado dela...

Apesar da postura tímida, o tom de sua voz era firme. Assenti em concordância.

— Sim, era exatamente isso que eu queria dizer.

Yanami me lançou um olhar que dizia: "Você está mentindo, não está?" Claro que estou mentindo. Mesmo assim, mantive uma postura confiante enquanto olhava para as três.

— Não estamos em posição de julgar ninguém. Somos todos alunos da mesma escola, e a Shiratama-san é uma caloura de quem estamos cuidando a pedido da Konuki-sensei. Devemos tentar apoiá-la o máximo possível.

O quarto mergulhou em silêncio. Será que eu não deveria ter dito isso...? Sentindo-me inquieto, observei Yanami trocar um olhar com Komari antes de falar.

— Dito isso, agora sabemos da situação. O casamento ainda não aconteceu, certo? O Clube de Literatura pode acabar sendo responsabilizado se ela fizer alguma coisa.

— Isso talvez seja verdade, mas...

Enquanto hesitava, Yanami deu de ombros como quem dizia "fazer o quê".

— Então nós mesmas vamos conversar direito com ela.

— Hã? Tem certeza?

— Sim. Às vezes, garotas se entendem melhor. Tudo bem para você?

Assenti vigorosamente, e Yanami se espreguiçou com vontade.

— Certo! Chega de conversa complicada por enquanto. Estou começando a ficar com fome!

Ao ouvir isso, Kaju se levantou.

— Kaju vai buscar mais chá e trazer alguns lanches.

— Desculpa, imouto-chan. Do jeito que falei, parece até que estou apressando você.

Yanami abanou a mão despreocupadamente. O que quer dizer com "parece"? Você está literalmente apressando ela… Depois que a Kaju saiu do quarto, virei para Yanami com uma expressão séria.

— Além disso, Yanami-san, sobre aquele cartão SD...

— Ah.

Yanami engatinhou até o lenço de papel amassado no chão e o pegou.

— Eu embrulhei ele no lenço que usei para assoar o nariz. Ainda quer de volta?

Yanami me lançou uma expressão cheia de inocência enquanto eu reprimia sentimentos extremamente intensos e balançava a cabeça.

Ainda com aquela expressão inocente, Yanami jogou o lenço na lixeira.

*

Registro da Entrevista com Riko Shiratama

Entrevistadora: Anna Yanami

A entrevistada, Riko Shiratama — doravante denominada Shiratama-chan — estava sentada nervosamente à minha frente.

A tensão dela acabou me deixando um pouco nervosa também. Ofereci um pacote de gomas sortidas, e Shiratama-chan pegou uma quadrada.

As mãos dela são pequenas e delicadas, e sua pele é clara e bonita... combinando perfeitamente com seu nome. Mas eu também era tão bonita quanto ela no meu primeiro ano. Acreditem em mim.

— Obrigada, senpai. Essas são aquelas com a cobertura de papel comestível, não são? Eu gosto dessas.

Shiratama-chan sorriu alegremente enquanto abria a embalagem da goma. De fato, eu já comi muitas, e as gomas com papel comestível são melhores do que aquelas cobertas apenas com açúcar. Elas grudam na parte de dentro da boca, então dá para aproveitar por bastante tempo.

— Essas são populares em Toyohashi, não são? Fiquei surpresa quando descobri que, em outros lugares, as cobertas com açúcar são mais comuns.

...Hã?

As cobertas de açúcar não são doces sofisticados que só se comem em ocasiões especiais? Meu pai sempre me dava dessas de presente no meu aniversário quando eu era pequena. Quando mencionei isso, Shiratama-chan soltou uma risadinha.

— É a primeira vez que ouço isso. Seu pai parece divertido.

Shiratama-chan sorriu e colocou a goma na boca. Definitivamente preciso convocar uma reunião de família em breve. Enfim, primeiro vamos voltar ao assunto.

— Ei, Shiratama-chan. Sobre o domingo passado...

Shiratama-chan parou completamente de se mexer. Quando comecei a falar novamente, ela rapidamente abaixou a cabeça.

— Sim. Desculpe por ter monopolizado o Presidente. Eu me arrependo do que fiz.

— Não, pode fazer o que quiser com Nukumizu-kun, tá?

— Tudo bem mesmo? Achei que talvez eu tivesse passado dos limites, já que o Presidente é uma pessoa tão maravilhosa. Eu vim preparada para levar uma bronca sua hoje, Yanami-senpai.

...Hã? Do que ela está falando? Chamando Nukumizu-kun de maravilhoso?

Ela deve ter sido obrigada a dizer isso. Como senpai, é meu dever orientar minhas calouras. Endireitei as costas com uma expressão séria.

— Shiratama-chan, se acalme e escute com atenção. Estamos falando do Nukumizu-kun, sabia? Tem certeza de que não está confundindo ele com outra pessoa? Ele é um siscon antissocial e genuinamente perverso, além de ser ainda mais pesado do que eu... Não, esquece essa última parte.

Shiratama-chan inclinou fofamente a cabeça, parecendo confusa.

— Ah, eu acho que ele é uma pessoa legal. Então, Yanami-senpai, você está namorando o Presidente?

O quê!? O que ela está dizendo!? Levantei por reflexo.

— Não estamos! Por que você pensaria uma coisa dessas!? Eu fiz alguma coisa errada!?

...Ops. Perdi a compostura por um instante. Minha explosão acabou assustando Shiratama-chan. Embora isso também seja fofo, eu mesma era uma coisa impressionante naquela idade. Sentei novamente e mordi uma goma para me acalmar.

— Ah, veja bem, o Clube de Literatura tem uma política de proibição de namoro, então não existe nada disso. Além do mais, Nukumizu-kun é um indecisozinho tão... Espera, do que estávamos falando mesmo?

— Bem... o que era mesmo...?

Shiratama-chan encostou o dedo indicador na têmpora, parecendo preocupada. Ela é fofa. Muito fofa. Mas eu também era tão adorável quanto ela quando entrei no ensino médio.

Acreditem em mim.

*

Sala de Audiovisual, depois das aulas. Afastei lentamente o olhar do monitor depois de terminar de ler o relatório de Yanami. O que diabos é esse relatório?

— Yanami-san, eu fiz alguma coisa errada?

— Sua existência inteira está errada, Nukumizu-kun.

— I-Inimigo das garotas.

Por algum motivo, Yanami e Komari começaram a me repreender. Elas não deveriam ter uma conversa a sós com a Shiratama-san para tentar entendê-la melhor...?

— Ah, Komari, o que você acha? Ela disse que eu sou maravilhoso, então acho que tem um olhar bastante apurado para a verdade.

— O-Os olhos dela são só d-dois buracos.

Komari virou o rosto, claramente descontente. Yanami voltou a se sentar diante do teclado e retomou a escrita.

— Não precisa colocar suas histórias de popularidade no relatório, Yanami-san. Estamos tentando entender melhor quem é a Shiratama-san como pessoa. Existem coisas mais importantes para escrever primeiro, não existem?

Yanami parou de digitar e me encarou.

— Isso tudo é culpa sua, Nukumizu-kun. Você ficou tão derretido por ela que acabou fazendo Shiratama-chan entender errado e achar que você é maravilhoso.

É tão errado assim eu ter, uma única vez na vida, um mal-entendido tão maravilhoso a meu respeito? Enquanto eu e Yanami discutíamos, Komari se levantou com determinação.

— E-Então eu vou falar com ela.

...Komari? Ela olhou para nós com uma expressão presunçosa, nos pegando de surpresa.

— A-Afinal, garotas c-conseguem se entender melhor.

— Tenho a impressão de que ouvi essa frase em algum lugar ontem.

Mesmo assim, se ela está motivada, devemos deixar por conta dela. Vai com tudo, vice-presidente.

*

Registro da Entrevista com Riko Shiratama

Entrevistadora: Chika Komari

Ela estava fazendo a lição de casa quando entrei na sala do clube. Sentei na cadeira à frente dela, mas ela não pareceu perceber minha presença.

...Não tem jeito. Comecei a ler um livro no celular.

— Ah, Komari-senpai, você está aí. Devia ter falado alguma coisa.

Devem ter se passado apenas alguns minutos. Ao perceber minha presença, ela sorriu timidamente e guardou os materiais dentro do estojo.

— O que está acontecendo com todo mundo hoje? Cada um entrando na sala do clube sozinho, um depois do outro... Parece até que estou sendo entrevistada.

Por trás do sorriso dela havia um olhar investigativo. Ela percebeu alguma coisa. Decidi continuar olhando para o smartphone com uma expressão indiferente.

— Senpai, você quer falar sobre domingo, certo? Pode perguntar o que quiser.

Talvez por impaciência, ela mesma trouxe o assunto à tona. Normalmente, o melhor seria começar a conversa ali mesmo.

No entanto, como membro do Clube de Literatura, eu precisava encarar constantemente a infalibilidade das palavras. Justamente quando estava prestes a optar por me comunicar pelo smartphone em vez de conversar verbalmente, surgiu uma situação inesperada.

— Ah, a bateria do seu celular está acabando? Quer usar meu cabo?

De fato, minha bateria estava prestes a morrer. Não tenho escolha a não ser sair da sala...

*

De novo, que relatório é esse?

Depois que terminei de ler o relatório da Komari, troquei olhares com a Yanami, que parecia ter algo a dizer.

— Komari, não me diga que você ficou sentada em silêncio esse tempo todo?

Komari estremeceu e murmurou, quase chorando.

— E-Eu fiz... o meu melhor...

— Sim, você fez o seu melhor. Nukumizu-kun, você não está sendo duro demais com ela?

Yanami acariciou gentilmente a cabeça de Komari. Sério, Yanami? Dá para ver que você estava pensando exatamente a mesma coisa que eu. Recuperei a compostura e me virei para as duas.

— Bem, pedi para vocês entrevistarem Shiratama-san, mas, infelizmente, parece que não alcançamos nosso objetivo inicial.

— Objetivo inicial? Ninguém falou nada sobre objetivo inicial.

Yanami cruzou as pernas e me lançou um olhar provocador.

— Não é óbvio? O objetivo é fazer com que ela se abra e entenda que estamos do lado dela. Manter a conexão dela com a sociedade vai ajudar a evitar uma reincidência.

— Espera, nossa missão é tão séria assim?

É. Preciso que essas duas levem isso um pouco mais a sério.

— Bem, isso é isso. Shiratama-san está esperando na sala do clube, então todos nós deveríamos...

Ao perceber os olhares das duas, parei no meio da frase.

— O que foi agora?

Elas apenas me encararam em silêncio, sem responder.

— Ei, já que está falando tudo isso, e você, Nukumizu-kun?

— Hã? O que quer dizer?

— A-Agora é a sua vez.

...Minha vez? Quer dizer que eu tenho que entrevistar a Shiratama-san? Balancei as mãos diante do rosto.

— Nem pensar. Eu sempre digo isso, mas não sou bom com garotas. Naquela hora eu não tive escolha por causa das circunstâncias, mas conversar a sós com ela é impossível... Ah, o que foi com vocês duas...?

Yanami e Komari se levantaram lentamente e olharam para mim com expressões ameaçadoras.

— Hã? Hããã? Para alguém que não é bom com garotas, vocês dois estavam bem íntimos, não estavam!?

— P-Pede desculpas para o gato.

Calma aí. Por que elas estão se virando contra mim...?

— Mas a Shiratama-san não vai se abrir com um cara como eu, certo?

— Segundo ela, você é um presidente de clube maravilhoso, não é? Combinação perfeita.

— I-Inimigo das g-garotas.

...Essas duas estão ficando cada vez mais atrevidas ultimamente.

*

Toc, toc.

Bati na porta da sala do clube, e a voz de Shiratama-san veio de dentro.

— Entre.

Abri a porta lentamente, e a Shiratama-san me recebeu com um sorriso formal.

— Por favor, sente-se ali.

— Ah, sim.

Sentei à frente dela, conforme indicou.

— Agora, por favor, diga seu nome e o motivo da candidatura em até um minuto.

Hã? Enquanto eu a encarava, confuso, Shiratama-san cobriu a boca e deu uma risadinha.

— Desculpe. Essa cena me fez lembrar da entrevista do meu exame de admissão, então não consegui evitar a brincadeira.

Entendo. Garotas fofas também fazem piadas fofas. ...Ora, ora. Agora não é hora de ficar admirando isso.

— Eu deveria me desculpar. Desculpe por deixar as coisas estranhas.

— Não, é natural que as senpais estejam preocupadas. Você contou para elas, não contou?

Shiratama-san ficou séria de repente. Sentindo um pouco de pressão, dei um sorriso evasivo.

— Bem, sim. Eu precisava avisar...

— Não se preocupe. Até eu acho que alguém como eu é assustadora.

Ela deu uma risada autodepreciativa enquanto eu hesitava. ...Isso não está indo bem. Endureci a expressão e encarei Shiratama-san com mais seriedade.

— Não entenda errado. Não estamos aqui para culpar você, Shiratama-san. Só queremos conhecer você melhor e fazer do Clube de Literatura um lugar onde se sinta à vontade. Ah...

Procurei pelas palavras certas, mas nada conveniente me veio à mente. Com uma sensação parecida com resignação, continuei.

— Nem a Komari nem eu tínhamos um lugar na nossa sala durante o primeiro ano.

Diante daquela revelação repentina, Shiratama-san pareceu prestes a dizer alguma coisa, mas fechou a boca.

— Não estou dizendo que isso seja algo ruim. Mas o Clube de Literatura nos deu um lugar, e através dele fizemos amigos. Olhando para trás agora, não foi tão ruim.

Depois de dizer aquilo, cocei a bochecha, constrangido. Após um breve silêncio, Shiratama-san murmurou baixinho.

— Vocês todos são muito gentis.

— Bem, não é exatamente gentileza. Estamos só retribuindo o que recebemos...

Shiratama-san tentou sorrir, mas logo desistiu.

— Mas eu não consigo desistir dos meus sentimentos.

— Ah, isso quer dizer...

— Não estou tentando tirar o onii-chan da minha irmã nem nada assim. ...Eu sei que é impossível.

Sua voz voltou a carregar um tom autodepreciativo.

— Mas eu não quero me arrepender de nada. Quero dar tudo de mim, deixar uma marca e então aceitar meus sentimentos.

Sua voz baixa não transmitia emoção. Enquanto aquele monólogo silencioso preenchia a sala do clube, falei:

— Então, o que exatamente você está planejando fazer...?

Eu precisava perguntar, mesmo que parecesse insensível. Afinal, essa garota já tem uma infração nas costas. Não posso simplesmente ficar parado se ela estiver planejando cometer outra.

— Bem, da última vez, eu pretendia vestir o vestido da minha irmã e tirar fotos na capela. Mas houve dois erros de cálculo.

— Erros de cálculo?

Shiratama-san piscou seus grandes olhos e voltou ao sorriso indecifrável de sempre.

— O primeiro foi que o vestido só é levado ao local pouco antes da cerimônia. A viagem foi completamente inútil.

Ah, é? Bom saber… Desliguei o cérebro e assenti.

— O segundo foi que eu achei que entrar escondida à noite evitaria chamar atenção, mas assim que entrei, a empresa de segurança apareceu. Profissionais são incríveis, não são? Quando percebi, eu já estava cercada, e a polícia também estava lá...

— Espera! Como você entrou no prédio para começo de conversa? As portas estavam trancadas, certo?

Mudei rapidamente de assunto, e os olhos de Shiratama-san brilharam.

— Sim, usei uma ferramenta caseira para arrombar a fechadura...

Estou parado no meio de um campo minado.

— Certo, vamos mudar de assunto! Não é bom causar problemas para os outros, certo?

— Sim, aprendi a lição da última vez. Da próxima vez, vou tentar algo mais pacífico.

Ela bateu levemente na própria cabeça com um "tehe". Tenho sentimentos contraditórios: não parece que ela esteja realmente refletindo sobre o que fez, mas, ao mesmo tempo, é fofa. No entanto, o mais importante é que ela não infrinja a lei. Sério. Por favor.

— Não se preocupe. Eu não vou causar problemas para o Clube de Literatura... Vou manter distância.

— Hã?

Alguma coisa escapou por entre meus dedos. Uma sensação de inquietação me envolveu.

— Espera...

— Não posso causar problemas para o Clube de Literatura com o que estou planejando fazer. Daqui para frente, vou cuidar disso sozinha.

Ela se levantou em silêncio, segurando a bolsa.

— Não, espera...

— Se tudo der certo e eu conseguir continuar no Colégio Tsuwabuki, posso voltar aqui depois?

Se conseguir continuar…. Em outras palavras, ela está preparada para fazer alguma coisa que talvez resulte em expulsão. Levantei-me, fazendo a cadeira balançar.

— Espera, Shiratama-san. Você não pode... fazer isso sozinha.

— Então... você vai fazer coisas ruins comigo, Presidente?

— Ah, isso...

Eu também era assim antes. Mantinha distância das outras pessoas. Tentava ficar sozinho.

Os membros do Clube de Literatura eram iguais. Sempre decidindo tudo sozinhos. Tentando carregar tudo sem ajuda. Mas foram justamente aquelas pessoas problemáticas que estenderam a mão para mim… Atravessei rapidamente os poucos passos que nos separavam e segurei o braço dela.

— Não, Shiratama-san.

Ao ouvir minhas palavras, o corpo de Shiratama-san ficou tenso.

— Eu não quero causar problemas para todo mundo — ela murmurou em voz baixa, olhando para baixo.

— Pode nos causar quantos problemas quiser.

Yanami, Yakishio, Komari, até os senpais e, claro, eu também. Nós já causamos problemas uns para os outros inúmeras vezes. E, mesmo assim, continuamos juntos. E eu nunca achei isso... Bem, talvez tenha achado irritante umas cinco ou seis vezes, mas nunca odiei de verdade.

— É justamente quando tudo parece demais que você não deveria ficar sozinha. Eu vou estar aqui, e o Clube de Literatura também vai estar aqui com você. Então...

A tensão desapareceu do braço de Shiratama-san.

— Comigo...? Tudo bem mesmo...?

— Sim, claro.

Shiratama-san se virou rapidamente. Lágrimas se acumularam em seus olhos, prestes a cair.

— Então isso quer dizer que vocês vão me ajudar, certo!?

Sim, claro que——espera, eu realmente disse isso? O que eu quis dizer foi que ela não deveria ficar sozinha e que o Clube de Literatura estaria ao lado dela.

Espera. Eu realmente prometi ajudar...?

— Ah, bem, sim, eu disse que ficaríamos juntos. Mas, ah...

— Obrigada. Eu estava tão ansiosa. Nunca imaginei que alguém diria uma coisa dessas para mim. Ai, ai. Se eu chorar aqui, vou parecer uma garota manipuladora, não vou?

Shiratama-san soltou uma risadinha enquanto enxugava as lágrimas. Ela é fofa, mas espera. Não foi isso que eu quis dizer——BAM!

A porta da sala do clube se abriu com violência, e as duas senpais invadiram o lugar.

— Shiratama-chan, vamos pegar isso emprestado um pouquinho!

— V-Vem aqui, você!

Eu, aparentemente denominado "isso", fui arrastado à força para o corredor.

— Nukumizu-kun, você está falando sério!? Vai mesmo ajudar ela a cometer um crime!?

— É-É isso que você está t-tentando fazer!?

Yanami cutucava meu peito com o dedo, enquanto o cabelo preso de Komari balançava vigorosamente.

— Bem, não era a minha intenção, mas vocês sabem como às vezes as coisas simplesmente vão acontecendo, não sabem? Tipo, tinha aquele... c-clima.

— Você nunca se dá ao trabalho de ler o clima, então por que justo agora!? É exatamente nessas horas que você precisa ler o clima, Nukumizu-kun!

— P-Pense no que você fez!

Garotas, por favor, parem com as críticas.

Enquanto eu pensava em como sair daquela situação, a porta da sala do clube se abriu lentamente, e Shiratama-san espiou para fora.

— Uh, eu estou causando problemas para vocês?

A preocupação estava estampada no rosto da Shiratama-san. Trocamos olhares em silêncio e, relutantes, balançamos a cabeça em negativa.

📖✨ Este capítulo foi traduzido por Slag e revisado por Shisui

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Fim da leitura

Capítulo 82 concluído

Volume 7 – Capítulo 2 – Capítulo 2: Na verdade, somos…