Vejo Você Quando a Neve Cair — Capítulo 30: VOLUME ÚNICO – Capítulo 30

Vejo Você Quando a Neve Cair
Cap. 30
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Vejo Você Quando a Neve Cair

VOLUME ÚNICO – Capítulo 30

Capítulo 30

616 palavras~3 min de leitura

No segundo dia de aula da Ayaka, não conversei muito com ela. A garota estava cercada de garotos e garotas, todos curiosos e animados. Ayaka reinava na sala, respondendo algumas perguntas, desviando de outras, sempre com um sorriso treinado nos lábios.

Quando a última aula terminou, ela arrumou a mochila e me perguntou se eu queria ir embora junto. Eu tinha combinado de sair com o Kota, mas tanto faz. Ele entenderia.

Então saí da escola com ela mais uma vez.

Por mais distraído que eu fosse, conseguia sentir algo. Ela começou a andar mais perto de mim. Seus ombros quase tocando os meus, seu sorriso preenchendo minha visão. O longo cabelo preto balançava suavemente com o vento e a brisa suave carregava o cheiro dela. Eu não era arrogante o suficiente para achar que ela estava interessada em mim, então não fiz nada.

Dessa vez, Ayaka pediu para descermos uma estação antes. Havia uma loja de crepes que ela queria conhecer. Como eu não tinha nada para fazer, não reclamei. Ela me levou até uma galeria comercial coberta por um teto de vidro. Fomos à loja de crepes e matamos a vontade de doce.

Eu pedi um crepe de cheesecake com morango. Os morangos estavam frescos, o cheesecake era bom e o creme estava mais ou menos. Ayaka pediu uma daquelas abominações criativas que a loja inventou para atrair clientes, mas ela comeu tudo e até lambeu a ponta dos dedos.

No caminho de volta para a estação, passamos em frente a uma loja tradicional de quimonos.

Eu parei.

Na vitrine havia um quimono branco com obi vermelho, decorado com suaves padrões de flores rosadas, acompanhado de uma wagasa vermelha.

— Hmm, Satoshi-kun, você gosta desse tipo de quimono? — perguntou Ayaka.

— Mhh…

Será que ela ainda está na floresta?

Seu espírito vagando por aí, seu assassino ainda solto na vila. A mesma pessoa que levou os jornais. A pessoa que me seguiu até a entrada da floresta.

— Você acha que eu ficaria bonita com esse? — perguntou Ayaka.

— Hmm...

Yuki tinha me dito para ficar longe da floresta e eu obedeci. Seu sorriso triste piscou na minha mente. O brilho nos olhos dela ao segurar uma bebida nova. A última luz do dia atravessando seu corpo etéreo.

Urgh…

Levei a mão à testa. Minhas pernas ficaram fracas.

— Satoshi-kun, você está bem?

— S-sim… acho que sim. Só preciso descansar um pouco.

Ayaka segurou minha mão e me levou até um parque próximo, onde nos sentamos.

— Você está com febre? — perguntou.

— Acho que estou bem. Talvez só não tenha dormido o suficiente.

— Você é do tipo que estuda até tarde da noite? Não me parece o tipo estudioso.

— Então que tipo eu pareço?

— O tipo que tira notas altas sem nem se esforçar.

— Não sou tão inteligente assim. Só um pouco acima da média.

Yuki.

Eu não entendia quem ela era, nem mesmo o que ela era, mas entendia que ela estava presa neste mundo. Talvez ela não precisasse da minha ajuda. Talvez estivesse feliz do jeito que estava.

Ayaka puxou minha manga.

— Satoshi-kun? Você está com uma cara meio assustadora…

— Hmm… ah, desculpa. Só estava pensando em uma coisa.

Ayaka me olhou, pensativa. Como se tentasse ler meus pensamentos.

— Pensando em quê?

— É uma história longa. Te conto outra hora.

Ela continuou me olhando. Fez um biquinho leve. Mas pareceu aceitar que eu não ia contar mais.

Pelo menos não agora.

Chegou a hora de irmos para casa. No caminho de volta para a estação, ela continuou segurando minha mão.

— Só por precaução, caso você fique tonto de novo.

Ela desceu na estação seguinte e acenou. Acenei de volta. As portas se fecharam e o trem seguiu viagem.

Fim da leitura

Capítulo 30 concluído

VOLUME ÚNICO – Capítulo 30