Vejo Você Quando a Neve Cair — Capítulo 32: VOLUME ÚNICO – Capítulo 32

Vejo Você Quando a Neve Cair
Cap. 32
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Vejo Você Quando a Neve Cair

VOLUME ÚNICO – Capítulo 32

Capítulo 32

743 palavras~3 min de leitura

A pequena seção de 2003 até o presente dos jornais do distrito de Kimiyama, na província de Nagano, estava vazia.

Vasculhei a prateleira da esquerda: os jornais anteriores a 2003 ainda estavam lá. Mas eles não me serviam para nada. Eu já tinha lido os jornais dos anos 1980 até o início de 2004 na biblioteca da vila.

Um calafrio desceu pelo meu braço. Olhei para a esquerda e para a direita.

Será que alguém está me observando?

Desci até o térreo e avisei no balcão de informações que alguns jornais do distrito de Kimiyama estavam faltando. Perguntei onde eles poderiam estar. A funcionária verificou no computador e disse que devia ser algum erro. De acordo com o sistema, os jornais ainda estavam lá. Havia outras pessoas esperando atrás de mim. Agradeci a atendente pela ajuda e subi novamente. Sentei-me em uma das mesas.

Preciso pensar.

Alguém me viu entrando na biblioteca da vila. Alguém me observou enquanto eu folheava a pilha de jornais. Depois, essa pessoa (ou grupo de pessoas) entrou na biblioteca, usou sua influência e removeu os jornais. Devem ter visto o que eu já tinha lido. Devem ter percebido que eu havia chegado até o início de 2004.

Era bem provável que essa pessoa tivesse vindo até esta biblioteca, pegado a seção que eu precisava e escondido em outro lugar ou jogado no lixo do banheiro. Das duas opções, esconder os jornais dentro da própria biblioteca era a mais provável. Havia câmeras de segurança por toda parte e elas teriam registrado alguém entrando no banheiro com uma pilha de jornais da biblioteca.

Olhei para a esquerda, direita, para cima e para baixo. Eram oito andares no total. Os jornais poderiam estar em qualquer lugar. Enfiados entre livros, entre outros jornais, embaixo das prateleiras, entre as prateleiras. Agulhas no palheiro. Escondidos à vista de todos.

Segundo: isso confirmava que o assassinato de Yuki havia acontecido em algum momento entre 2004 e agora, e que a notícia tinha ficado restrita ao distrito de Kimiyama.

Caso contrário, por que deixariam os jornais anteriores a 2004 nas prateleiras?

Se o assassinato tivesse sido antes de 2004, em pânico, o assassino teria removido todos os jornais.

Mas e agora?

Logicamente, só deveria haver três lugares no Japão com uma coleção completa desse pequeno jornal regional: a biblioteca local da vila, a biblioteca central da província de Nagano e a biblioteca central de Tóquio.

A da vila e a de Tóquio tiveram os jornais removidos. Tóquio fica mais longe da vila do que a biblioteca da província de Nagano. Como a de Tóquio estava vazia, era bem provável que a de Nagano também tivesse sido atingida.

Ayaka sentou-se ao meu lado. Ela tinha uma pilha de mangás consigo. Olhou para mim.

— Aconteceu alguma coisa?

Contei que os jornais que eu estava procurando tinham sido removidos.

Ela colocou a pilha de mangás ao meu lado e sentou.

— Talvez você possa usar outros jornais para o seu trabalho de pesquisa?

…

Ayaka

Fico me perguntando o que o Satoshi quer pesquisar em jornais antigos. Mandei mensagem para ele hoje de manhã sem esperar resposta, porque imaginei que ainda estaria dormindo, mas ele respondeu na hora. Li na internet que, se um garoto gosta de você, ele sempre responde rápido às mensagens no LINE.

Mas eu sei que o Satoshi é diferente.

No primeiro dia, quando me colocaram sentada ao lado dele, ele chamou minha atenção. Havia uma certa distância no olhar dele, uma profundidade pensativa. Como se o mundo ao redor não importasse, porque havia algo na vida dele muito mais importante.

Quando ele falava, sorria só um pouco. Não ficava nervoso. Era quase como se ele não me visse de verdade. Nem olhava quando os outros garotos vinham falar comigo. Talvez seja por isso que me senti atraída por ele. Sua calma, seu ar de maturidade. Mas ele sempre parece estar pensando em outra coisa:

Em outra pessoa...

Percebi isso quando ele ficou encarando o quimono branco. Aquilo lembrou ele de alguém. Alguém importante. Talvez alguém que ele amava.

Mas eu estou aqui agora. Seja lá quem for a garota do quimono branco, ela é do passado.

No momento, estou sentada ao lado do Satoshi, lendo mangá num sábado de manhã. Ele parece abatido.

Acho que posso fazer algo para animá-lo. Vou dizer que não tenho nada planejado pro resto do dia. Talvez a gente possa passar o dia juntos. Vai ser como um encontro. E então…

Fim da leitura

Capítulo 32 concluído

VOLUME ÚNICO – Capítulo 32