Vejo Você Quando a Neve CairVOLUME ÚNICO – Capítulo 45
Capítulo 45Voltei para o Hana no Sato. Tia Reiko estava atrás do balcão.
— Seus amigos foram embora?
— É.
— Eles pareciam bastante entediados ontem à noite. Aquelas duas garotas ricas não se impressionaram com nada do que viram.
Tia Reiko parecia um pouco irritada.
— Foi ideia minha vir para cá. Acabei forçando eles a virem comigo.
— Por que você não voltou com eles?
Senti o olhar de tia Reiko me perfurando, tentando descobrir a verdade. Eu não podia contar que pretendia procurar edições perdidas de um pequeno jornal regional porque queria investigar a morte de um fantasma que conheci no inverno passado.
Então respondi:
— Queria visitar Sakusa antes de voltar.
Ela me olhou, e eu soube que ela sabia que eu não estava contando toda a verdade.
— Sakusa, hmmm…
Ela decidiu não insistir. Soltei um suspiro silencioso de alívio.
Ela pegou uma cópia do horário dos trens locais.
— Vamos ver… só tem dois trens para Sakusa parando na estação local nesta época do ano. Um de manhã e outro no final da tarde.
— Acho que vou pegar o da tarde.
— É melhor você ir amanhã de manhã. Onde você vai dormir em Sakusa?
— Ainda não tinha pensado nisso…
— Certo, então vá amanhã de manhã… ah, o trem passa pela cidade onde a Haruka mora.
— Onde a Miyazono mora?
Ela me mostrou o mapa.
— Um lugar chamado Odori. A parada é logo antes de Sakusa. Você vai visitá-la?
— Provavelmente não. Preciso chegar em Sakusa.
Passei o resto do dia caminhando pela vila, fazendo pequenas trilhas na floresta, mas sem me aprofundar muito. De acordo com tia Reiko, se eu não tivesse cuidado, poderia acabar pegando o caminho errado. Não haveria nada além de floresta até a vila seguinte, que ficava a uma hora de caminhada.
O tempo todo fiquei procurando pegadas, uma wagasa vermelha, um quimono branco, mesmo sabendo que Yuki não apareceria. Ela era uma com a neve. Eu teria que esperar até o inverno para vê-la novamente.
Voltei para o Hana no Sato e jantei com tia Reiko. Não havia outros funcionários nem hóspedes, então comemos juntos. Parecia que até os funcionários regulares iam embora no verão para fazer outros trabalhos. Só restava ela. De vez em quando algum trilheiro reservava um quarto, mas fora isso, não havia outros hóspedes.
Era a primeira vez que comíamos sozinhos. No começo ficou um pouco estranho, mas as coisas melhoraram quando comecei a contar sobre minha vida em Tóquio. Ela parecia estranhamente interessada.
Ela me perguntou sobre Ayaka e, mesmo com perguntas curtas, senti que queria saber mais sobre ela.
Na manhã seguinte, arrumei rapidamente minha mochila e fui para a estação. Quando estava saindo, tia Reiko me deu uma cópia do horário dos trens.
— Haruka mora em Odori. — disse ela.
Entrei num trem de apenas dois vagões, praticamente vazio. Parecia ainda mais antigo que o trem que Ayaka e os outros pegaram. Parecia algo da era Showa.
O trem começou a se mover, devagar, mas constante. As montanhas foram ficando para trás e o terreno ficou mais plano. Levariam duas horas para chegar em Sakusa. O sono me dominava, mas lutei contra a vontade de dormir. Sakusa não era a estação final e não tinha ninguém para me acordar. Se eu perdesse a parada, poderia acabar no meio do nada.
Depois de uma hora e quarenta minutos, o trem parou em Odori. O condutor anunciou que haveria uma espera de cinco minutos.
Fiquei sentado, olhando para a porta aberta e para a estação do lado de fora. Havia uma grande placa com “Odori” escrito.
As portas se fecharam.
O trem partiu sem mim. Fiquei parado na plataforma da estação.
— Certo…
De repente me dei conta de que não fazia a menor ideia de onde encontrar Miyazono em Odori.
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