Alya às Vezes Esconde seus Sentimentos em Russo — Capítulo 132: Spinoff – Capítulo 1 – Capítulo 1: Então Isto É Magia...

Alya às Vezes Esconde seus Sentimentos em Russo
Cap. 132
0%
Alya às Vezes Esconde seus Sentimentos em Russo

Spinoff – Capítulo 1 – Capítulo 1: Então Isto É Magia...

Capítulo 132

7.991 palavras~35 min de leitura

— ENTÃO, EXATAMENTE quando é que eu vou acordar deste sonho?

Depois de descer à cidade ao redor do castelo, Masachika murmurou cansadamente ao contemplar mais uma paisagem urbana estereotipada de estilo medieval.

Os três — Masachika, Alisa e Maria — foram apressadamente escoltados para fora da sala de audiência para evitar que acabassem envolvidos no acesso de loucura da rainha. Recebendo apenas o mínimo indispensável de explicações e preparativos, foram prontamente retirados dos terrenos do castelo — ou talvez "expulsos" fosse o termo mais apropriado.

Mesmo agora, estrondos de destruição ecoavam além dos portões do castelo atrás deles.

— Ainda assim... eu sei que é clichê apontar o óbvio, mas sério? Eles invocam civis comuns de outro mundo, não dão treinamento de combate, nem guia, entregam algum dinheiro e equipamento e depois dizem: "Pronto, boa sorte."

— Isso vai além da falta de consideração... sinceramente, é completamente absurdo.

— Ara, ara... Pelo menos eles garantiram que não fôssemos pegos pela fúria da Chisaki-chan. Ou seria apenas Chisaki? Enfim... Sua Majestade, não é?

Com um sorriso constrangido, Maria tentou acalmar a irritada Alisa. No entanto, Alisa continuava pouco convencida enquanto olhava para trás, na direção do castelo — de onde os sons de destruição continuavam ressoando sem parar.

— Mais importante ainda... se a rainha é tão forte assim, nunca houve necessidade de nos invocar em primeiro lugar.

— Hum...

Nem mesmo Maria conseguiu formular uma resposta e apenas sorriu sem graça. Masachika soltou um suspiro antes de falar.

— Bem, eu também não estou exatamente satisfeito. Mas, pensando bem, existem várias histórias em que os deuses não podem interferir diretamente porque isso bagunçaria a ordem natural do mundo, então enviam apóstolos ou heróis escolhidos em seu lugar. É um clichê bastante comum.

Ele fez uma pausa.

— Embora eu nunca tenha ouvido falar de uma rainha entrando em fúria e destruindo o mundo.

— Eles chamaram aquilo de Aura, não foi? O que isso deveria significar? A Sarashina-senpai é algum tipo de Rainha Suprema?

(N/SLAG: Haki (覇気) "ambição", "espírito", "energia vital" ou "força de vontade" Mantive como Aura (obviamente pela a resenha, que se foda) É um nome próprio e provavelmente faz referência ao conceito japonês popularizado em animes/mangás. / Shisuii: Claramente é uma referência a OP e tu não notou… / SLAG: Eu lá leio One pinto.)

— Um Rei Demônio contra uma Rainha Suprema... isso parece o confronto definitivo, não parece?

Enquanto conversavam, as roupas dos três já não tinham nada a ver com os uniformes escolares que usavam momentos antes.

Alisa usava uma armadura prateada sobre roupas brancas e azuis e carregava uma espada ocidental nas costas.

Maria vestia trajes sacerdotais completamente brancos e segurava um cajado shakujo nas mãos.

(N/SLAG: O Shakujou (錫杖; literalmente significa: "Cajado do Monge")

Como as roupas sugeriam, a Classe de Alisa era Heroína, enquanto a de Maria era Santa.

É... provavelmente eu também não deveria questionar isso, mas, pensando com calma, essas roupas são ridículas...

A roupa de Maria ainda era aceitável. Se alguém dissesse que eram roupas cerimoniais projetadas para amplificar poder divino ou algo do tipo, ele conseguiria aceitar.

Mesmo assim, para roupas destinadas a simbolizar santidade, elas destacavam sua silhueta de forma bastante evidente e pareciam surpreendentemente sensuais. A pele aparecia através de fendas claramente desnecessárias, tornando tudo altamente impróprio. Parecia menos um traje sagrado e mais um teste para verificar se homens de vontade fraca conseguiriam manter o autocontrole.

Ainda assim, se alguém insistisse que era simplesmente assim que funcionavam as vestes sacerdotais naquele mundo, ele conseguiria aceitar, ainda que com dificuldade.

Como Santa, ela provavelmente era uma classe de suporte na retaguarda, então o fato de suas roupas aparentemente oferecerem quase nenhuma defesa não era tão surpreendente.

O verdadeiro problema era Alisa.

Sério, a cabeça dela está completamente exposta.

Masachika reclamou mentalmente enquanto observava o equipamento usado pela garota cuja beleza sobrenatural permanecia totalmente visível. Naquele ponto, aquilo parecia mais moda do que armadura. Ela usava placas metálicas em certas partes do corpo, mas não o suficiente para proteger adequadamente sequer os órgãos vitais. O abdômen tinha uma proteção razoável, mas, por algum motivo, a região muito mais importante do peito era coberta apenas por tecido.

Protejam o coração, pelo amor de Deus.

Espera... talvez eles simplesmente não tenham encontrado uma armadura do tamanho dela?

Seu olhar desviou brevemente para a impressionante "armadura peitoral" natural de Alisa antes que ele rapidamente olhasse para outro lado e limpasse a garganta.

É.

Vamos simplesmente assumir que não havia armaduras adequadas disponíveis.

Se o uso de armaduras fosse geralmente considerado uma profissão masculina naquele mundo, não seria totalmente impossível. Mas isso ainda não explicava por que sua cabeça — possivelmente ainda mais importante de proteger do que o peito — estava adornada apenas com algum ornamento em forma de asas que podia ser uma coroa ou um acessório de cabelo, mas definitivamente não era um capacete.

E, por algum motivo, ela usava uma minissaia. Suas coxas, por onde passavam grandes vasos sanguíneos, estavam completamente expostas. Se ela lutasse com aquela roupa, um acidente mostrando a calcinha parecia menos uma possibilidade e mais uma inevitabilidade.

Como é que eu sou a pessoa menos reveladora daqui?

Quanto ao próprio Masachika, ele vestia um manto preto com capuz e carregava um livro incomumente pesado, reforçado com peças metálicas em cada canto. Sua Classe era Sábio, e o livro aparentemente era um grimório, tornando seu equipamento comparativamente mais convencional.

— Menu.

Seguindo as instruções dadas pelos funcionários do castelo, ele pronunciou o comando em voz alta.

Uma janela azulada e semitransparente surgiu diante dele. A interface estava dividida em seções esquerda e direita. O lado esquerdo exibia informações de perfil, como nome e idade, além de habilidades e diversos atributos. O lado direito mostrava um modelo tridimensional detalhado de si mesmo.

Em termos de videogame, o lado esquerdo era uma janela de status, enquanto o direito funcionava como um visualizador de equipamento. Ao tocar partes do modelo, pequenas janelas surgiam exibindo informações detalhadas sobre cada item equipado.

Seu dinheiro atual aparecia em um dos cantos, e abas próximas ao topo permitiam alternar para as telas de status de membros do grupo, como Alisa e Maria.

Era, em todos os sentidos, um menu de videogame.

Infelizmente, não havia nenhum botão para sair do jogo.

(N/SLAG: EU entendi a referência! Ou será que fui EU quem fiz a referência?)

— Ahh.

Masachika suspirou.

— O que eu deveria fazer com isso? Sério, nós realmente precisamos derrotar o Rei Demônio para poder voltar ao mundo real?

Talvez ele devesse estar mais desesperado. Talvez devesse sentir uma sensação maior de crise e lamentar ter sido jogado em um mundo de fantasia repleto de monstros e demônios.

Mas, de alguma forma, não conseguia. A ambientação, descaradamente parecida com a de um videogame… Os habitantes estranhamente genéricos. E, acima de tudo, as pessoas familiares que, de alguma forma, haviam se tornado os protagonistas daquele mundo.

Tudo isso roubava da situação qualquer sensação real de realidade.

— E esse cara obviamente é o Presidente do Conselho Estudantil também...

Observando o retrato que haviam lhe entregado da pessoa que deveriam resgatar, Masachika murmurou. O garoto de aparência desajeitada retratado ali era, sem dúvida, Touya como ele havia sido quando entrou no ensino médio — uma fotografia que o próprio Touya já lhe mostrara certa vez.

— A Sarashina-senpai é a rainha, e o Presidente do Conselho Estudantil está fazendo o papel da princesa...? Nesse ritmo, talvez Yuki e Ayano apareçam por aí também.

— Hahaha, isso pode mesmo acontecer~.

— Se aqueles dois representam o lado da humanidade...

Alisa interrompeu a frase no meio. Mas Masachika conseguiu imaginar facilmente o restante.

— Então talvez a Yuki seja o Rei Demônio. E a Ayano, a braço direito dela?

Masachika expressou casualmente o pensamento que Alisa havia deliberadamente deixado de lado. Alisa lançou-lhe um olhar levemente repreensivo. Depois de suspirar diante do sorriso despreocupado dele, falou:

— Se for esse o caso, talvez consigamos resolver tudo através do diálogo — então continuou: — Enfim, ficar parado aqui não vai nos levar a lugar nenhum. Vamos andando.

— É. Além disso, os olhares já estão começando a ficar… — ele parou. — Na verdade, ninguém está olhando. Mas este lugar continua estranho.

Apesar de suas roupas chamativas, nenhum dos habitantes da cidade lhes dava a menor atenção. Como NPCs seguindo rotinas programadas, simplesmente se moviam mecanicamente pelas ruas.

Ver aquilo pessoalmente era estranhamente perturbador. Masachika estremeceu levemente. Então, pelo que parecia ser a centésima vez, mordeu com força o interior da bochecha em vez de se beliscar.

É... não dói. A sensação é estranha, como se algo estivesse me puxando ou pressionando, mas não há dor.

O que apenas reforçava sua conclusão. Aquilo tinha de ser um sonho. Um sonho no qual o sonhador tinha consciência de que estava sonhando. Um sonho lúcido. Ainda assim, permanecia uma possibilidade remota: alguma tecnologia hiperavançada poderia ter transferido sua consciência para um mundo de jogo e suprimido sua percepção de dor para um jogo mortal.

(N/SLAG: DE NOVO? Não fui eu, eu juro!)

Com essa possibilidade em mente, ele impediu que as duas garotas começassem a andar.

— Ah, esperem um segundo. Antes de irmos, tem uma habilidade que eu quero testar.

— Hã...? Que habilidade?

— Está aqui, «Invocação de Fada».

Apontando para a entrada correspondente em sua tela de status, ele fez com que Alisa e Maria abrissem seus próprios menus para examinarem seus atributos. Ao lado de habilidades típicas de um Sábio, como Magia de Fogo e Magia de Água, havia duas habilidades únicas listadas.

Uma era a «Invocação de Fada» que acabara de mencionar. A outra era...

«Ganho de Experiência ×10» (Esportes com Bola Excluídos).

Eles estão realmente tirando sarro de mim nesse nível?

(N/SLAG: Para quem não se lembra, o Masachika é supostamente talentoso em aprender muitas coisas, exceto esportes que envolvem bolas.)

Masachika estreitou os olhos. Era uma referência a algo com que sua irmã mais nova, Yuki, ocasionalmente zombava dele na vida real. Interpretada literalmente, era uma habilidade absurdamente poderosa. Ao mesmo tempo, era impossível não perceber o senso de humor de quem a havia criado.

Deixando isso de lado, a habilidade que realmente chamava sua atenção era a Invocação de Fada.

— O que ela tem de especial?

— Invocação de Fada... não é tipo invocar Salamandras, Ondinas e coisas assim? Você chama elas e elas fazem "boom"?

— Bem, essa é uma possibilidade... mas acho que habilidades desse tipo normalmente se enquadrariam em Magia Espiritual ou Magia de Invocação.

A imagem descrita por Maria era a clássica invocação de espíritos elementais dos jogos. Não estava totalmente errada. Mas, em histórias de isekai, «Invocação de Fada» frequentemente se referia a algo completamente diferente.

— É um conceito bem comum em histórias de invocação ou reencarnação em outro mundo. Acho que isso aqui deve ser uma daquelas fadas assistentes.

— Fada assistente?

— Pensando em termos de videogame, imagine uma fada que explica os controles durante o tutorial. Um mascote que guia você pelo outro mundo — uma espécie de sistema de navegação e ajuda.

(N/SLAG: Shisuii, eu real estou suspeitando de algo aqui….)

Ele apontou para a descrição da habilidade.

— Vejam. Diferente da magia comum, ela não consome PM. É uma habilidade de uso único.

Aparentemente, a magia naquele mundo consumia PM (Pontos de Magia), enquanto técnicas de combate utilizavam SP (Pontos de Vigor).

Aquela habilidade não consumia nenhum dos dois. Em vez disso, após ser ativada, a própria habilidade desapareceria permanentemente, tornando impossível utilizá-la novamente. Quando ele tocou no nome da habilidade e leu em voz alta a explicação exibida, Alisa e Maria inclinaram a cabeça com expressões incertas.

— Hmm...

Nenhuma das duas parecia compreender completamente onde ele queria chegar. Ainda assim, ambas sabiam que Masachika geralmente entendia mais daquele tipo de assunto, então, após alguns instantes, simplesmente assentiram.

— Bem, por que não? Se você quer tentar.

— É, acho que não tem problema~. Ah, será que deveríamos nos afastar um pouco, por precaução? — perguntou Maria.

— Ah... é, boa ideia. Só por segurança...

Se aquilo acabasse sendo uma habilidade absurda capaz de invocar uma entidade transcendental do nível de um Grande Espírito ou até mesmo de um Rei dos Espíritos, as consequências da invocação poderiam danificar a área ao redor. Mantendo essa possibilidade em mente, ele fez as duas garotas se afastarem alguns metros.

— Certo, então...

Respirando fundo, declarou:

— Habilidade: «Invocação de Fada», ativar.

Embora se sentisse um pouco envergonhado por dizer aquilo em voz alta, mesmo assim o fez. Um gigantesco círculo mágico se desdobrando diante dele...

...não aconteceu.

Em vez disso, com um discreto plop e uma pequena nuvem de fumaça, Yuki apareceu diante dele — vestida como uma pequena súcubo.

Imagem

— Fuuh. Foi você quem me invocou, mestre?

— Que diabos você está fazendo aqui?

Masachika encarou sem expressão a antiga habitante de sua imaginação, agora materializada diante dele. Olhando para a Yuki do tamanho da palma da mão, que exibia um sorriso travesso impossível de descrever de outra forma, ele perdeu completamente o ânimo e se agachou.

— Ei, ei, por que essa cara tão desanimada, meu querido mestre? Uma fadinha adorável como eu se deu ao trabalho de aparecer. Você deveria estar feliz.

— Quem você está chamando de fada? Você parece exatamente um demônio.

Masachika lançou-lhe um olhar indiferente enquanto observava a minúscula garota, cujas asas de morcego batiam atrás dela, enquanto um par de chifres e uma cauda completavam a imagem. Nesse momento, Alisa e Maria, que observavam à distância, retornaram.

— Hum, Kuze-kun? Já acabou?

— Ummm... nós não estamos vendo nada.

— Hã?

Ao ouvir aquilo, Masachika voltou-se para Yuki. Ela estufou o peito com orgulho.

— Heh-heh-heh. Eu sou uma existência conveniente que só pode ser vista pelo meu invocador. Elas também não conseguem ouvir minha voz. Melhor ainda: podemos nos comunicar apenas através dos pensamentos. Sou verdadeiramente a forma de vida mais conveniente para o roteiro possível!

— Bem, originalmente você já era apenas uma voz na minha cabeça. E pare de se chamar de "existência conveniente para o roteiro".

— Hehehe. E justamente porque sou uma existência conveniente para o roteiro… — o sorriso de Yuki se ampliou. — Eu consigo fazer coisas como isto.

Ela flutuou suavemente pelo ar e—

Sem a menor vergonha, espiou por baixo da saia de Alisa.

— Ei, sua pestinha...!

— Oh? Branco. Branco, é...? Hmm.

— Pare com isso, sua idiota!

Ao testemunhar aquele assédio descarado acontecendo bem diante de seus olhos, Masachika instintivamente tentou agarrar Yuki. Sua mão atravessou o corpo dela.

Em vez disso, seus dedos acabaram tocando a coxa exposta de Alisa. Instantaneamente, a pele clara de Alisa ficou vermelha como um tomate.

— ! O que você pensa que está fazendo?!

— Ai!

Com um golpe seco, ela o acertou em cheio na canela. Masachika gritou e pulou para trás. Como antes, ele não sentiu dor de verdade, mas pôde ver a barra de HP no canto de sua visão perder uma parcela considerável após o ataque de uma combatente de linha de frente.

— Você é o pior!

— A-Ah, violência não resolve nada, Alya-chan! Hum... magia de cura, magia de cura...

Pegando o livro de feitiços para iniciantes que os funcionários do castelo haviam lhes dado, Maria ergueu o cajado de forma desajeitada e recitou o encantamento:

— Малое исцеление

(Cura Inferior)

No instante em que terminou, uma luz cintilante irrompeu do cajado e envolveu Masachika. Sua barra de HP, que havia diminuído, subiu rapidamente.

— Obrigado, Masha-san.

— De nada~.

Ao agradecê-la, Masachika se pegou pensando:

Mesmo assim...

Como se estivesse dando continuidade ao pensamento dele em voz alta, Maria comentou:

— Então os feitiços realmente estão em russo~.

Exatamente!!

Concordando silenciosamente com todas as fibras do seu ser, Masachika se lembrou das explicações apressadas que haviam recebido no castelo.

⋆⋅☆⋅⋆

Mais cedo, no castelo.

— Estas serão suas armas, Heróis. Respectivamente, a Espada Sagrada, o Cajado Sagrado e o Grimório.

Em uma sala onde tremores periódicos e sons de destruição ainda ecoavam através das paredes, o trio recebeu aquilo que supostamente eram armas lendárias.

— Cada uma delas carrega as bênçãos da Permanência e do Crescimento. Jamais se quebrarão ou perderão seu brilho, e aumentarão de poder junto de seus proprietários.

Em outras palavras, sempre que o usuário subisse de nível, a arma também subiria. A Espada Sagrada ficaria mais afiada e ganharia novas habilidades. O Cajado Sagrado fortaleceria a magia e ampliaria sua área de efeito. Já o Grimório adicionaria feitiços completamente novos às suas páginas.

Depois de ouvir tudo isso, Masachika ergueu a mão.

— Esperem um momento. Nós nunca usamos magia antes. Como exatamente devemos lançar feitiços?

— Para isso, basta ler o grimório e seguir as instruções escritas nele.

— Seguir as instruções...?

Fazendo o que lhe foi dito, ele abriu o livro e olhou para o texto. Então, com uma expressão completamente séria, perguntou:

— Por que diabos isso está em russo?

As páginas não estavam escritas em japonês. Nem em inglês. Estavam escritas em russo, sem a menor dúvida.

Na verdade, ele já desconfiava. Quando haviam sido invocados pela primeira vez, o círculo mágico brilhante sob seus pés não estava coberto de runas, mas de caracteres cirílicos.

Ainda assim, suspeitar era diferente de aceitar.

Por quê?! Quando se trata de magia em fantasia, o padrão é inglês! Fireball! Wind Cutter! Stone Wall! É assim que deveria funcionar!

Se os feitiços estivessem escritos em inglês, ele provavelmente conseguiria entendê-los. Infelizmente, seu domínio do russo havia sido desenvolvido através da conversação prática.

Sua compreensão auditiva era excelente. Sua leitura? Nem tanto. Em resumo, algumas partes do grimório eram genuinamente difíceis para ele.

Mal consigo decifrar a pronúncia necessária para conjurar os feitiços. E mesmo que isto seja um sonho, usar russo na frente da Alya é...

— Ah, e mais uma coisa. Tenham extremo cuidado com a pronúncia. Se um encantamento for pronunciado incorretamente, o feitiço pode sair errado. Todos os anos, um número considerável de pessoas perde a vida em acidentes mágicos.

— Isso é literalmente o modo impossível.

O aviso aterrorizante foi dado de forma tão casual que Masachika não conseguiu evitar responder. Então outra dúvida lhe ocorreu.

— Espera. Nesse caso, como os magos comuns praticam seus feitiços?

— Eles simplesmente suprimem sua mana para impedir que o feitiço seja ativado. Sábio-sama possui Controle de Mana, não possui? Na verdade, o nível da habilidade já está no máximo... certamente consegue suprimir sua mana?

— Não consigo — ele fez uma pausa. — E, antes de mais nada, o que exatamente é mana?

Apesar das diversas explicações que recebeu em seguida, Masachika nunca conseguiu sequer perceber a existência de mana. No fim, chegou a uma conclusão. Graças à natureza absurdamente apelona da classe Sábio, bastava recitar um feitiço para que ele fosse lançado automaticamente.

O problema?

Uma vez que começasse a entoar o encantamento, a magia seria ativada por conta própria — completamente fora de seu controle.

— Estou ferrado.

E assim nasceu: O Mago que Não Conseguia Usar Magia.

⋆⋅☆⋅⋆

Presente.

Eu estava meio que esperando que essa habilidade de «Invocação de Fada» ajudasse de alguma forma com meu problema de magia...

Observando Yuki gargalhar dele depois de ter levado um chute de Alisa, Masachika lançou-lhe um olhar ressentido. Aparentemente percebendo sua expressão, Alisa suavizou um pouco o olhar e perguntou:

— Tem mesmo uma fada aí?

— Tem… — ele suspirou. — Uma fada extremamente travessa.

Após uma breve hesitação, acrescentou:

— Na verdade, ela se parece exatamente com uma Yuki em miniatura.

— O quê?

— Ora, ora~ Yuki-chan? Você consegue nos ver~?

— Masha-san, é você quem não consegue vê-la.

Masachika não conseguiu evitar uma resposta seca enquanto Maria acenava animadamente para o vazio. Enquanto isso, Yuki flutuou até ficar bem diante do rosto de Maria e acenou com sua pequena mão.

— Ooooh, eu consigo ver você perfeitamente daqui~. Você consegue me ver daí~? Não? Imaginei.

Assentindo para si mesma, ela desceu lentamente. Então, sem a menor hesitação, acomodou-se confortavelmente entre os seios fartos de Maria. Um sorriso de profunda satisfação surgiu em seu rosto.

— Hehehe. Quando se tem um corpo minúsculo, existem certas coisas que simplesmente precisam ser feitas.

— Sua pestinha...

Masachika quase gritou antes de se lembrar de algo que Yuki havia dito anteriormente. Em vez disso, falou através da ligação mental entre os dois.

"Sério? Além disso, você está atravessando ela como um bug de videogame. Você realmente consegue sentir alguma coisa?"

"Não. Nem um pouco. É mais pela atmosfera. Mas uau... são enormes. Não, realmente uma visão magnífica."

…...

Enquanto a pequena diabinha continuava fazendo o que bem entendia, Masachika começou a considerar seriamente se existia alguma forma de desfazer a invocação. Então a voz gelada de Alisa cortou o ar.

— Ei… — Os olhos dela se estreitaram. — Exatamente para onde você está olhando?

— Hã?

— Hmmm, quando você fica me encarando desse jeito, eu fico até sem graça...

Ao acrescentar isso com um sorriso constrangido e mudar ligeiramente de posição, Maria fez Masachika perceber de repente como a situação devia parecer do ponto de vista das garotas.

Para elas, parecia que ele estava encarando descaradamente o peito de Maria.

— N-Não é isso...! Eu estava olhando para a Yuki...!

— Mesmo….?

— Estou falando sério! Eu não sou o tipo de cara que fica encarando o peito das garotas sem disfarçar!

— Você diz isso depois de tocar na minha coxa há um minuto. Não é muito convincente.

— Não, aquilo também foi...

— Então me responda uma coisa. O que exatamente a Yuki-san está fazendo?

— B-Bem...

Não havia como responder: "Ela espiou por baixo da saia da Alya e agora está se divertindo entre os peitos da Masha-san."

Como resultado, ele hesitou. E essa hesitação apenas fez o olhar de Alisa ficar ainda mais frio. Masachika lançou um olhar mortal para Yuki. A pequena diabinha flutuou até parar bem diante dele e exibiu um sorriso irritantemente presunçoso.

"Hmm? O que foi? Está com ciúmes? Está com ciúmes?"

"Sua pestinha...!"

Ele tentou agarrar seu corpinho para lhe dar uma lição. Como sempre, sua mão atravessou o vazio. Para qualquer observador externo, provavelmente parecia que ele estava lutando contra um inimigo invisível.

Alisa suspirou e deu de ombros.

— Tudo bem. Tanto faz. Então? O que essa fada realmente faz?

— Ei. Elas estão perguntando. O que você faz?

Yuki, que passara os últimos minutos provocando-o sem parar, recostou-se casualmente no ar e apoiou o rosto em uma das mãos.

— Hmm? Deixe-me pensar...

Ela fingiu refletir por um instante. Então piscou para Masachika de forma brincalhona.

— Eu forneço fofura e entretenimento durante toda a jornada do Mestre.☆

………..

— Eu forneço fofura e entretenimento durante toda a jornada do Mes—

— Não precisa repetir.

Pressionando uma das mãos contra a testa, Masachika perguntou novamente:

— Sério? Você não deveria ser uma dessas fadas assistentes? Daquelas que dão conselhos durante a aventura? Explicam onde ficam as lojas, como funcionam os mecanismos das dungeons, esse tipo de coisa?

— Ah, qual é, Mestre. Eu sou uma habitante de outra dimensão, lembra? Por que eu saberia mais sobre este lugar do que você?

— ENTÃO VOLTE PRA LÁ AGORA!!

Longe de ser útil, a pequena diabinha parecia existir apenas para causar problemas. Masachika não conseguiu evitar gritar. Yuki simplesmente abriu os braços e deu de ombros.

— O engraçado é que eu não faço a menor ideia de como voltar.

— O quê?

— Ora, a Habilidade Única «Invocação de Fada» é de uso único. Não existe exatamente uma função "Dispensar Fada". E como eu nem tenho um corpo físico, também não possuo HP. Não é como se alguém pudesse me derrotar e me mandar de volta.

Masachika abriu o menu e conferiu. Com certeza, a habilidade «Invocação de Fada», que antes ocupava um espaço na lista de Habilidades Únicas, havia desaparecido completamente. Qualquer pista sobre como controlar ou remover Yuki desaparecera junto com ela.

— Então, enfim...

Yuki pousou suavemente em seu ombro direito e piscou mais uma vez.

— Vamos nos dar bem, Mestre~☆.

Masachika olhou para ela com olhos mortos. Yuki respondeu colocando as duas mãos sob o queixo, estufando os lábios e piscando exageradamente.

— Hmm? O que foi? Você ficou encantado pelo charme irresistivelmente adorável da Yuki-chan Montadora de Ombros?

— Eu estava pensando que é impressionante como você é ágil mesmo sem ter um corpo físico.

— Aparentemente, eu consigo fixar minha posição relativa aos objetos sem precisar tocá-los.

Ela explicou aquele fenômeno absurdo com a mesma naturalidade de quem comenta sobre o clima. Decidindo que nem queria tentar entender aquela explicação, Masachika voltou sua atenção para as irmãs Kujou, que o observavam com diferentes níveis de confusão.

— Então... no fim das contas, essa fada parece não passar de um alívio cômico. Desculpem criar expectativas, mas ela não parece particularmente útil.

Ignorando os protestos indignados de Yuki — "Como assim não sou útil?!" — ecoando diretamente dentro de sua cabeça, ele continuou:

— Só eu consigo vê-la. Só eu consigo ouvi-la. E também não parece que ela consegue usar magia ou algo assim, então...

Então um pensamento lhe ocorreu de repente.

— Espera. Se ninguém consegue detectá-la e ela pode se comunicar diretamente com a minha mente, ela não seria extremamente útil para reconhecimento?

— Acho que não consigo me afastar muito do Mestre.

— Você é realmente inútil.

Ignorando as reclamações indignadas de Yuki novamente, Masachika voltou-se para as outras duas.

— Então é isso. Ela basicamente serve como alívio cômico. Vamos parar de nos preocupar com ela e seguir em frente.

— E-Entendo...

— Hmm... é estranho saber que a Yuki-chan está aí mesmo sem conseguirmos vê-la~.

Deixando as irmãs ainda confusas para trás, Masachika dirigiu-se a uma loja de mercadorias gerais que possuía uma enorme placa voltada para a rua principal. Lá, comprou três conjuntos de algo chamado Kit Inicial de Aventureiro, que continha itens de cura, rações de emergência e diversas necessidades de viagem.

— Isto parece o sistema de pagamento sem contato definitivo.

Nenhuma troca física de dinheiro ou mercadorias aconteceu. Em vez disso, o saldo exibido em seu menu diminuiu, e uma nova entrada chamada Kit Inicial de Aventureiro apareceu em seu inventário. Quando ele a tocou, uma bolsa de couro marrom se materializou diante dele.

— Então esta garrafa verde é uma Poção de HP. A azul é uma Poção de MP. A amarela é uma Poção de Cura para condições anormais...

Ele examinou as descrições.

— Hã. Dá para beber ou derramar sobre alguém. Provavelmente deveríamos manter alguns itens de cura facilmente acessíveis em vez de guardar tudo.

— Faz sentido. Qualquer coisa volumosa pode ficar armazenada... Hmm? O que é isto? Água Benta? Por que ela é branca? — perguntou Alisa.

— Ora, você tem razão~. Eu sempre imaginei que água benta fosse transparente — concordou Masha.

Ao ouvir a confusão das garotas, o lojista resolveu explicar:

— Água benta transparente é um produto de alta qualidade. Quanto maior a qualidade dos itens medicinais, mais claros e brilhantes eles se tornam.

— Ah, entendi... agora que você mencionou, as outras poções parecem meio turvas — Observou Masachika.

— Verdade... sinceramente, não tenho muita vontade de beber isso — Alisa pegou outro item. — Espera, esta é a barraca dobrável?

— Realmente parece uma ferramenta mágica~. Há todo tipo de coisa fascinante aqui — comentou Maria, impressionada.

Depois de examinarem animadamente tudo, desde dispositivos mágicos de iluminação até acendedores mágicos de fogo, o trio finalmente seguiu em direção ao enorme portão que levava para fora da cidade. Enquanto caminhavam, Masachika revisou as telas de status de todos e comentou pensativamente:

— Olhando para esses atributos... acho que a formação pretendida é Alya na linha de frente, Masha-san no meio e eu na retaguarda lançando magia.

As habilidades de Masachika consistiam principalmente nos cinco atributos elementais da magia:

Fogo, Água, Vento, Relâmpago e Terra.

Além disso, ele possuía várias habilidades consideradas essenciais para usuários de magia. O que ele não possuía era sequer uma única habilidade de combate corpo a corpo.

O conjunto de habilidades de Maria era quase idêntico, exceto pelo fato de que os cinco atributos elementais eram substituídos por Magia de Luz.

Segundo as descrições, a Magia de Luz especializava-se em três categorias: Bênçãos, Cura e Purificação. As Bênçãos fortaleciam aliados ou criavam barreiras defensivas. A Cura era exatamente o que o nome sugeria. Já a Purificação removia venenos e maldições, além de causar dano a determinados tipos de monstros, como mortos-vivos e demônios.

Demônios, é...?

Masachika lançou um olhar para Yuki, que naquele momento flutuava por perto em sua forma de pequena diabinha, apesar de insistir que era uma fada.

Yuki inclinou a cabeça.

— ?

Por um breve instante, um pensamento perigoso atravessou sua mente.

O que será que aconteceria se alguém lançasse Purificação nela...?

Ele rapidamente balançou a cabeça.

Ainda assim, acho que realmente existem mortos-vivos neste mundo... Se começarem a aparecer zumbis realistas, eu definitivamente vou vomitar. Nesse caso, teremos que contar com a Masha-san.

Ele se viu genuinamente apreciando o valor de ter uma especialista da classe sacerdotisa capaz de lidar com mortos-vivos. Por outro lado, essa era praticamente a única situação em que Maria poderia contribuir ofensivamente.

Ela não possuía nenhuma outra habilidade voltada para ataque. Suas duas Habilidades Únicas eram: «Milagre da Madonna» — uma habilidade misteriosa que fazia com que ela se perdesse com grande frequência, mas garantia que eventualmente chegaria ao seu destino.

E: «Misericórdia da Santa» — uma habilidade de ressurreição limitada a apenas três usos.

Nenhuma das duas fornecia qualquer poder ofensivo. Em termos de atributos, ela se parecia bastante com Masachika. Seus atributos físicos, como Força e Resistência, eram baixos, enquanto Ataque Mágico e Resistência Mágica eram extremamente elevados. A diferença era que Maria era ainda mais especializada em defesa.

Comparada a Masachika, ela possuía maior durabilidade e resistência mágica, mas menor capacidade ofensiva.

Em outras palavras, ela é ainda menos adequada para atacar do que eu...

Ele começou a considerar as possibilidades.

Talvez ela pudesse erguer uma barreira e sair atropelando as pessoas? Embora quem sabe até que ponto uma barreira defensiva possa ser usada ofensivamente. Melhor não criar muitas expectativas.

Nesse caso, Maria naturalmente assumiria a posição de suporte na linha intermediária, protegendo tanto a si mesma quanto o mago da retaguarda, além de fornecer fortalecimento e cura para quem estivesse na linha de frente.

O problema era...

— Você está esquecendo uma coisa — Alisa olhou diretamente para Masachika. — Você não consegue usar magia.

— É... esse é o problema.

O suposto mago essencial da retaguarda, Masachika, era completamente inútil como usuário de magia. Uma Santa que não conseguia atacar. Um Sábio que não conseguia usar magia. A realidade era que Alisa era a única fonte de dano do grupo.

— Dê o seu melhor, Heroína-san!

— Você pode parar de agir como se isso não tivesse nada a ver com você?! Você também faz parte do grupo!

— Bem, sim, mas...

Masachika interrompeu a frase enquanto examinava a tela de status de Alisa.

Habilidades como «Esgrima» e «Artes Marciais». Todos os seis atributos — Fogo, Água, Vento, Relâmpago, Terra e Luz. E, além disso, uma habilidade exclusiva de Herói chamada «Magia da Luz Sagrada», aparentemente extremamente eficaz contra demônios. Ela podia usar tanto técnicas marciais quanto magia, tornando-se uma personagem excepcionalmente equilibrada.

— Honestamente, acho que a Alya consegue zerar este jogo sozinha.

— Alya-chan... até para uma Heroína, isso parece um pouco exagerado.

— Por que vocês estão me dizendo isso...?

Embora ainda ficasse um pouco abaixo dos verdadeiros especialistas em suas respectivas áreas, Alisa era capaz de desempenhar praticamente todas as funções sozinha: combate corpo a corpo, ataques à distância, suporte e cura.

Como se isso não bastasse, uma de suas Habilidades Únicas era «Golpe do Herói» — uma carta na manga que consumia todo o MP e SP quando seu HP caía abaixo de determinado limite, desencadeando um golpe final absurdamente poderoso.

Era praticamente um letreiro piscando: "PROTAGONISTA".

Assim como Masachika e Maria, ela também possuía uma segunda Habilidade Única. O problema era...

— Sério, que tipo de habilidade é essa? — Alisa franziu a testa. — «Princesa Solitária»: "Todos os atributos aumentam quando não há membros do grupo presentes." Que habilidade é essa?

A habilidade claramente derivava de seu apelido na escola — um título do qual ela pessoalmente não gostava.

"Uma habilidade para jogadores solitários, feita exclusivamente para pessoas sem amigos. Isso é hilário."

"Pare de atingir pontos tão sensíveis."

Respondendo silenciosamente ao comentário de Yuki, Masachika forçou um sorriso sem graça.

— Honestamente, é difícil imaginar uma situação em que isso seria útil. Claro, tecnicamente podemos lutar juntos sem estarmos no mesmo grupo, mas aí a experiência não é compartilhada. Também deixamos de ver o MP e o SP dos aliados, o que dificulta muito o suporte.

Ele continuou:

— E, mais importante, você também deixa de receber as curas e os fortalecimentos em área da Masha-san.

— É verdade~ — Maria assentiu pensativamente. — A única situação em que consigo imaginar isso sendo útil é se nos separarmos dentro de uma dungeon. Mas, se isso acontecer e eu nem conseguir mais ver o HP de vocês, eu ficaria preocupada.

— Na verdade, pelo sistema, parece que as magias que afetam o grupo inteiro funcionam a distâncias relativamente grandes. Se acontecer algo assim, seria justamente quando mais quereríamos continuar no mesmo grupo.

— Então realmente não tem utilidade prática — Alisa deu de ombros. — Tanto faz. Eu não pretendia usar uma habilidade com esse nome de qualquer forma — aparentemente, ela detestava tanto o título que rejeitava a habilidade por princípio. — Bem, como ninguém mais consegue realmente lutar, eu assumo a linha de frente.

Ela olhou para Maria.

— Masha, vou deixar a magia de suporte com você.

— Entendido~.

— Ooh, então eu acho que vou… — as duas irmãs voltaram seus olhares para ele, cheias de expectativa. Masachika refletiu por um instante. Então ergueu um polegar para cima. — Torcer por vocês. E jogar itens se a situação ficar perigosa.

— Uhum. Apoio moral é importante.

— Kuze-kun, você não é péssimo em arremessar coisas?

— Só bolas. Se não for uma bola, eu fico bem!

— Que tipo de confiança é essa? — Alisa suspirou. — Além disso, aquelas bombas de fumaça do kit inicial não eram literalmente esféricas?

— Então eu vou jogar poções!

— Você percebe que já temos a Masha como curandeira, certo? E, além disso, se você jogar uma garrafa de vidro em alguém, não vai acabar machucando a pessoa?

— Desculpe, Alya. Parece que torcer é tudo o que posso oferecer.

— Não fique desanimado~. Torcer também é importante~ — Maria deu alguns tapinhas em seu ombro de forma solidária.

"Mgyah."

Yuki, que estava sentada justamente naquele ombro, soltou um som que lembrava um gato sendo esmagado de surpresa. Nem Alisa nem Maria conseguiram ouvi-la. Masachika também a ignorou.

— Bem, então...

A essa altura, já haviam chegado ao portão da cidade. Após trocarem olhares, Alisa foi a primeira a atravessar os muros.

— Uau… — Masachika ficou observando os vastos campos que se estendiam até o horizonte. — Isso sim é uma planície enorme.

Não era apenas ele — as irmãs Kujou também olhavam ao redor com admiração. Então Alisa franziu a testa.

— Mas monstros aparecem por aqui, certo?

— É... aparecem.

Agora que ela havia mencionado, Masachika observou com mais atenção. Dos dois lados da estrada, que tinha aproximadamente dez metros de largura e seguia infinitamente adiante, crescia capim alto e denso. Algo poderia facilmente estar escondido ali sem ser percebido.

— Droga — Masachika estalou a língua. — Deveríamos ter coletado informações sobre os monstros locais antes de sair da cidade.

No momento em que começou a considerar voltar… Rustle. A vegetação cerca de cinco metros à frente, do lado esquerdo da estrada, balançou de repente. Algo saltou para o caminho.

!!

— F-Foi um inimigo?!

Alisa e Maria imediatamente assumiram postura de combate. Maria permaneceu perfeitamente imóvel. Então olharam para o que havia surgido.

— Um Coelho Cornudo! É um Coelho Cornudo!

— SIM! O clássico monstro de início de jogo que nunca aparece em jogos de verdade, mas que por algum motivo existe em toda fantasia isekai já criada: um Coelho Cornudo!

Um coelho branco com um único chifre saindo da testa estava diante deles. Por algum motivo, tanto Yuki quanto Masachika ficaram absurdamente animados. No entanto...

— A qualidade gráfica não parece meio baixa? — Alisa expressou perfeitamente aquilo que ambos estavam pensando. Masachika e Yuki assentiram em silêncio. Não apenas os gráficos eram rudimentares, como a criatura era extremamente estilizada.

O pelo carecia de detalhes. Sua musculatura e estrutura óssea mal eram perceptíveis. Mais do que um animal vivo, parecia um boneco de pelúcia. A barra verde de HP flutuando sobre sua cabeça apenas tornava tudo ainda mais surreal.

— Enfim, vamos lutar contra ele! — Alisa desembainhou a espada. — É isso que devemos fazer, certo?

— É... sim… — Masachika hesitou. — Tem certeza de que vai ficar bem?

Apesar do chifre e da aparência agressiva, aquilo ainda era essencialmente um pequeno animal. A barreira psicológica de abatê-lo com uma espada parecia bastante alta para uma estudante comum do ensino médio. Mas...

— Eu vou fazer isso — a voz de Alisa soou firme. — Eu preciso fazer — ela apertou o cabo da espada com mais força. — Não posso parar logo no começo.

Masachika prendeu a respiração. Então, como se estivesse respondendo à sua determinação, o Coelho Cornudo abaixou o corpo e acumulou força nas patas traseiras. No instante seguinte, disparou para frente. Diretamente contra Alisa. Seu chifre apontava para o corpo dela.

Mas Alisa ainda era uma iniciante quando se tratava de combate real. Ela não conseguiu reagir imediatamente.

— Ah...

Atacar? Defender? Desviar? Incapaz de decidir, ficou imóvel com a Espada Sagrada erguida diante de si.

— Alya!

Masachika correu para ajudá-la—

Mas o coelho chegou primeiro. E prontamente bateu a cabeça contra a espada que ela estava segurando.

— Hã?

Um efeito de corte brilhou sobre a cabeça do coelho, como algo saído diretamente de um videogame. Sua barra de HP despencou. O verde virou amarelo. O amarelo virou vermelho. Então...

— Kyuuiii~.

Com um pequeno gemido agonizante, seu corpo se dissolveu em partículas de luz.

……...

….....

……….....

Um silêncio constrangedor se instalou. No canto da visão de Masachika, surgiu uma notificação.

Experiência obtida.

Subiu de Nível.

Subiu de Nível.

Ele havia alcançado instantaneamente o Nível 3.

Dois níveis por um único monstro iniciante?

Masachika piscou.

Então esse é o poder de «Ganho de Experiência ×10».

Sua Habilidade Única era ainda mais absurda do que imaginava.

— Cof cof...

Ele voltou-se para Alisa.

— Parabéns pela sua primeira vitória.

— Não sinto exatamente que lutei contra alguma coisa.

— Bem… — Masachika coçou a bochecha. — Talvez fosse na verdade um javali disfarçado de coelho — então observou atentamente seu rosto. — Mais importante... você está bem?

— Você quer dizer por eu ter matado um animal? — Alisa refletiu por um instante. — Honestamente... acho que sim.

Ela olhou para o local onde o coelho havia desaparecido.

— Não parece muito real.

— É.

Masachika concordou. O inimigo parecia mais um brinquedo de pelúcia do que uma criatura viva. Não havia sangue. Nenhum cadáver permanecera. Ao verificar o inventário, descobriram que vários materiais de monstro haviam sido obtidos, então tecnicamente aquilo era um ser vivo.

Ainda assim, todo o processo parecia um videogame. Quase irreal. Na verdade, tudo parecia tão artificial que ele começava a se perguntar se aquilo não era realmente algum tipo de jogo de realidade virtual.

— Seja lá como esse sistema funciona… — ele deu de ombros. — Se eles estão mantendo o nível de violência baixo, eu não vou reclamar.

— Concordo.

Então voltou-se para Maria.

— Masha-san, você também está bem?

— Sim. Obrigada por perguntar~.

Aliviado ao ver que ela parecia bem, Masachika sugeriu que voltassem temporariamente à cidade para reunir mais informações. Alisa e Maria concordaram. “Os três foram até a guilda, que também comprava materiais de monstros, e perguntaram sobre as criaturas da região.

— Então os principais monstros por aqui são Coelhos Cornudos, Lobos Cornudos e Goblins...

"Por que existem lobos vivendo em planícies abertas?"

"Mais importante: por que lobos e coelhos vivem na mesma área?"

"Exatamente. Os coelhos já deveriam ter sido devorados."

Depois de compartilhar essa reclamação perfeitamente sincronizada com Yuki, eles partiram novamente. Pelo caminho, Coelhos Cornudos e Lobos Cornudos apareciam ocasionalmente para atacá-los.

Alisa lidava com todos sem dificuldade.

— Haaah!

Tendo finalmente superado sua hesitação, ela desferiu um golpe decisivo com a Espada Sagrada contra um Lobo Cornudo — que também parecia suspeitosamente semelhante a um brinquedo de pelúcia.

Graças às habilidades do sistema ou não, seus movimentos já não lembravam os de uma iniciante. A espada cortava o ar com impressionante precisão.

— Gyan!

Como esperado de uma Heroína, um golpe direto da Espada Sagrada era suficiente para eliminar instantaneamente monstros daquele nível. O lobo dissolveu-se em luz. Mas antes que as partículas desaparecessem completamente—

Outro chifre avançou em disparada.

— Alya!

— Tch!

Alertada pelo grito de Masachika, Alisa percebeu um Coelho Cornudo investindo contra ela no último instante. Ela soltou a espada com a mão direita e, por puro reflexo, desferiu um golpe com o dorso da mão.

A habilidade «Artes Marciais» aparentemente foi ativada. Seu contra-ataque desesperado acertou em cheio o chifre do coelho.

Crack. O chifre quebrou-se perfeitamente ao meio.

— Kyuuiii!

O coelho foi lançado para trás e caiu no chão. Embora logo tenha se levantado novamente, cambaleava de forma instável.

— Hã...? — Masachika estreitou os olhos. — Isso é atordoamento?

— Atordoamento? — Maria inclinou a cabeça.

— Quer dizer que ele ficou inconsciente? — perguntou Alisa.

— Não exatamente. Algo mais parecido com... uma concussão?

Enquanto respondia, uma teoria lhe ocorreu.

Talvez porque ela quebrou o chifre?

Se o chifre estiver conectado diretamente ao crânio, o impacto pode ter sido transmitido direto para o cérebro. Se fosse esse o caso, aqueles monstros estavam literalmente usando seu próprio ponto fraco como arma.

O que parecia uma falha de design bastante séria para um organismo vivo.

Por outro lado, existem animais reais cujas presas crescem demais e acabam os matando... Babirusas, se não me engano.

E isto basicamente é um mundo de jogo, de qualquer forma.

Enquanto refletia sobre isso, Alisa avançou até ficar diante do coelho cambaleante.

— Haaah!

Talvez porque o inimigo estivesse completamente indefeso, ela gritou para reforçar sua determinação. Então ergueu a Espada Sagrada bem acima da cabeça e desferiu o golpe.

Seu pé direito avançou. A lâmina cortou o ar. Uma rajada de vento explodiu ao redor.

A minissaia de Alisa esvoaçou exatamente como Masachika havia temido — ou talvez secretamente esperado.

"CENSURADO!"

A visão de Masachika foi abruptamente bloqueada por Yuki, que de alguma forma havia produzido uma pequena placa do nada e a segurava diretamente diante de seu rosto.

.........

— Ufa... mais um excelente trabalho concluído.

— É, claro.

Masachika lançou um olhar vazio para Yuki enquanto ela fingia enxugar o suor da testa com o pequeno punho. Então, percebendo o olhar desconfiado de Maria sobre ele, passou a se comunicar apenas por pensamentos.

"A propósito, de onde surgiu aquela placa?"

"Heh. Ora, Mestre. Eu sou sua fiel fada assistente, lembra? Proteger a classificação indicativa deste mundo faz parte dos meus deveres sagrados."

"Uma calcinha aparecendo não tornaria isso para maiores de dezoito anos. E pelo jeito que você está falando... isto realmente é um mundo de jogo, não é?"

"Quem sabe~?"

Yuki girou graciosamente no ar. A placa desapareceu tão misteriosamente quanto havia surgido, e ela voltou a pousar no ombro de Masachika. Ele suspirou. Sua irmãzinha continuava tão inútil quanto sempre nos momentos realmente importantes.

— Kuze-kun?

— Hã?

Maria o observava com curiosidade.

— Ah, não é nada. Eu só estava pensando... não há mais ninguém por perto.

Ele rapidamente olhou ao redor para sustentar sua desculpa. Alisa, que acabara de retornar, concordou com um aceno.

— Agora que você mencionou, é verdade — ela olhou para a estrada. — Esta é basicamente a principal estrada que leva à Capital Real, não é? Normalmente deveria haver comerciantes e viajantes por toda parte.

Ela tinha razão. E, ainda assim, não havia uma única pessoa à vista. As únicas criaturas vagando pela região eram monstros com chifres.

— Bem, se NPCs aleatórios estivessem passeando pela zona de combate de um jogo, só atrapalhariam. Talvez seja apenas isso.

— Então você ainda acha que isto é um jogo? — perguntou Maria.

— Ou isso, ou um sonho. Ou algum tipo de alucinação coletiva.

Enquanto conversavam, arbustos próximos balançaram. Os três imediatamente voltaram a atenção para o som. Mas, desta vez, o que surgiu não foi mais uma das conhecidas feras cornudas.

— Aquilo é um Goblin?!

Dois novos inimigos apareceram ao mesmo tempo. A expressão de Alisa ficou imediatamente séria.

— Então esse é um goblin… — Masachika os analisou atentamente. — Eles também parecem meio que brinquedos.

As criaturas tinham cerca de um metro de altura, pele verde e vestiam trapos grosseiros. Normalmente, a palavra goblin evocava imagens de criaturas imundas e repugnantes.

Mas aqueles eram estranhamente limpos. Sem lama. Sem sangue. Sem sujeira. E, mais importante...

— Assim como os coelhos e os lobos… — Masachika estreitou os olhos. — Eles literalmente estão usando o mesmo modelo.

Os dois goblins lado a lado eram absolutamente idênticos. Os rasgos nas roupas. Os amassados nos porretes. Tudo era exatamente igual, como se alguém tivesse copiado e colado a mesma criatura.

— Cara, este mundo realmente não parece real — ele deu de ombros. — Bem... suponho que seja um sonho mesmo.

Ainda assim, chamou Alisa antes que ela avançasse.

— Vai ficar bem? Quer que eu cuide de um deles?

— Não precisa — ela sequer olhou para trás. — O mago da retaguarda que não consegue usar magia deve continuar na retaguarda.

— Ai — Masachika deixou os ombros caírem. — Justo, mas mesmo assim...

Enquanto isso, Alisa partiu para o ataque.

— Haaah!

Ela golpeou o goblin da esquerda. O monstro ergueu o porrete numa tentativa de bloquear.

Não adiantou. Alisa tinha mais tamanho, melhor arma, mais força e a própria gravidade ao seu favor. Seu golpe vertical esmagou a defesa do inimigo sem qualquer dificuldade.

— Gyaaah!

Um efeito de dano espalhafatoso atravessou a parte superior do corpo do goblin. Ele soltou um grito barato, quase cartunesco, antes de se dissolver em luz. Mas então algo inesperado aconteceu.

— Gya-gya!

— Ah!

Em vez de atacar Alisa, o goblin restante a ignorou completamente e correu em direção à retaguarda. Alisa já havia iniciado o movimento de recuperação para um segundo golpe.

A mudança repentina a pegou de surpresa. E também pegou Masachika desprevenido.

— Oh?!

Como ele praticamente não havia participado de nenhum combate até então, sua tensão diminuíra inconscientemente. O breve instante necessário para recuperar o foco—

Menos de um segundo. Nesse momento, o goblin já estava quase sobre eles.

Droga. Preciso proteger a Masha-san!

Masachika rapidamente se colocou à frente dela.

Magia está fora de questão. Combate corpo a corpo? Talvez um chute—não, espera, eu deveria ser um conjurador. Mas não é hora para isso. Karatê? Estou com as mãos ocupadas—

Naquele breve instante, decidiu atacar com os punhos. Então percebeu que sua mão direita estava ocupada. Pelo grimório. E, antes que pudesse pensar mais—

O goblin ergueu o porrete.

— Hmph!

Masachika simplesmente balançou o livro contra a cara dele.

THUD.

O impacto produziu um som deliciosamente sólido. Um enorme efeito de dano explodiu sobre o rosto do goblin. Sua barra de HP desapareceu instantaneamente. E o goblin sumiu.

……...

………...

Então Maria inclinou a cabeça.

— Nossa, Kuze-kun. Você parecia exatamente um professor agora~.

— Que tipo de imagem você tem dos professores, Masha-san?

Masachika não conseguiu evitar responder. Então olhou para Alisa. Ela permanecia parada no meio da corrida, prestes a vir ajudá-lo. Masachika exibiu um sorriso cheio de confiança.

— Descobri a verdadeira essência da magia.

— E qual seria?

— Magia é bater nas pessoas com livros.

— Isso definitivamente não é magia.

Alisa estava inegavelmente correta. O problema era que… tinha funcionado. E o principal motivo era sua Habilidade Única: «Ganho de Experiência ×10» (Esportes com Bola Excluídos).

Aparentemente, os pontos de experiência daquele mundo eram divididos igualmente entre todos os membros do grupo, independentemente da participação em combate. A habilidade de Masachika multiplicava apenas a parte dele por dez.

Como resultado: Mesmo ficando a maior parte do tempo parado na retaguarda sem fazer nada, seu nível havia disparado e ultrapassado o de seus companheiros. Apesar de pertencer a uma classe de retaguarda, seus atributos de Força, Agilidade e Resistência já haviam superado os de Alisa, que era a verdadeira combatente da linha de frente.

Some-se a isso anos de experiência em artes marciais e um grimório indestrutível que funcionava suspeitosamente bem como arma de impacto—

E, naquele momento, Masachika era provavelmente mais forte que Alisa em combate corpo a corpo.

— O que significa… — Masachika assentiu decisivamente. — Eu vou ser o combatente da linha de frente.

E assim...

O "Mago que Não Conseguia Usar Magia" evoluiu para o "Mago de combate corpo a corpo.".

📖✨ Este capítulo foi traduzido por Slag e revisado por Shisui

💬 Quer acompanhar os próximos lançamentos, dar sugestões e trocar ideia com a gente?

Entre no nosso servidor do Discord e faça parte da comunidade! 🚀

Fim da leitura

Capítulo 132 concluído

Spinoff – Capítulo 1 – Capítulo 1: Então Isto É Magia...