Alya às Vezes Esconde seus Sentimentos em Russo — Capítulo 133: Spinoff – Capítulo 2 – Capítulo 2: Baús de Tesouro São Cheios de Sonhos

Alya às Vezes Esconde seus Sentimentos em Russo
Cap. 133
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Alya às Vezes Esconde seus Sentimentos em Russo

Spinoff – Capítulo 2 – Capítulo 2: Baús de Tesouro São Cheios de Sonhos

Capítulo 133

9.052 palavras~39 min de leitura

— Hmpf! Hmpf!

………...

— Kuze-kuuun, continue assim!

O Sábio golpeava sem hesitação, usando seu grimório contra os monstros que saltavam à frente deles. Atrás dele, vinham a Heroína e a Santa.

Pelo bom senso de Masachika, se estavam preocupados com emboscadas, Alisa, por pertencer a uma classe resistente de linha de frente, deveria estar na vanguarda. Ou, mais precisamente, eles deveriam ter contratado um aventureiro do tipo batedor para seguir à frente e confirmar se o caminho era seguro... mas não estavam fazendo nada disso. Na verdade, já haviam percebido que não havia necessidade.

Por algum motivo, naquele mundo, os monstros jamais lançavam ataques surpresa. Fosse um coelho cornudo, um lobo cornudo ou um goblin, eles sempre saltavam primeiro diante do grupo. Nunca atacavam pelos lados nem atiravam pedras dos arbustos. Sempre davam um passo à frente e, com uma cortesia suspeita, soltavam algum grito e faziam uma pose que podia ser intimidação, ou talvez uma animação de encontro, antes de entrar em modo de batalha.

— Ah, mais inimigos...

Nesse instante, três goblins saltaram para fora, alinharam-se lado a lado, gritaram "Gyagya!" e ergueram seus porretes em perfeita sincronia. Seus movimentos eram tão bem coordenados — coordenados até demais — que fazia alguém se perguntar se até os monstros mais fracos daquele mundo haviam sido profundamente imbuídos de um espírito cavalheiresco que respeitava duelos acima de tudo.

Dito isso...

— Sim, sim, bom trabalho.

O grupo da Heroína não pertencia àquele mundo e não tinha obrigação alguma de respeitar esse espírito. Masachika e os outros lançavam ataques surpresa livremente, sem qualquer escrúpulo em atacar primeiro enquanto os oponentes ainda tentavam intimidá-los.

Masachika ignorou tranquilamente a exibição ameaçadora do goblin e cravou seu grimório, que mais parecia um instrumento contundente, na testa dele. Graças à sua habilidade única, «Ganho de Experiência ×10» (Esportes com Bola Excluídos), o nível e os atributos de Masachika já estavam muito acima do adequado para aquela área. O pobre goblin, atingido por aquele golpe, dissolveu-se imediatamente em partículas de luz.

— Uau! Como esperado do senhor, Mestre! Essa sua impiedade me dá arrepios! Estou maravilhada!

Ignorando os aplausos da Yuki, a pequena diabinha, Masachika ergueu o livro novamente. E, ainda assim, mesmo com o companheiro deles tendo acabado de ser disperso por um ataque impiedoso, mesmo com o próximo golpe prestes a cair sobre eles, os goblins restantes não perderam a cabeça nem gritaram: — Ainda estávamos no meio da nossa rotina de intimidação!

Em vez disso, concluíram devidamente toda a sequência de sua exibição ameaçadora e só então se prepararam para entrar em modo de batalha—

Antes que pudessem, o grimório esmagou suas têmporas com dois baques pesados.

— Gyahhh!

Soltando gritos que soavam quase como leituras sem emoção, os goblins se dispersaram em luz. Sem sequer olhar para eles, e fingindo não notar os olhares de "tenho algo a dizer" lançados contra suas costas, Masachika verificou mecanicamente a experiência e o dinheiro exibidos no canto de sua visão.

— Muito bem, vamos continuar?

E assim, enquanto repetiam surras unilaterais que mal podiam ser chamadas de batalhas, desferidas por um Sábio de cérebro musculoso, o grupo da Heroína continuou avançando.

— Gyagya!

— Tá, tá, tá!

— Gyahhh!

— Gyahhh!

— Gyahhh!

— Estou começando a sentir que estou jogando um jogo de ritmo.

Quando Masachika começava a sentir o peso da monotonia causada pelas batalhas repetitivas e entediantes—

— Ahhh!

A voz alta de Maria ecoou da retaguarda do grupo, e Masachika deu um pulo de surpresa antes de se virar. Ele viu Maria se enfiando nos arbustos e correu de volta junto com Alisa.

— E-Espera, Masha!

— Masha-san!? Agir sem cuidado é—

Quando retornaram ao ponto onde Maria estivera parada, perceberam ali um caminho lateral estreito, quase como uma trilha de animal, difícil de notar à primeira vista.

— Uma rota escondida...?

Eles murmuraram ao mesmo tempo e olharam um para o outro. Então, ao verem as costas de Maria prestes a desaparecer além dos arbustos, correram atrás dela.

— Masha-san! Sair andando sozinha é—

Perigoso. Antes que Masachika pudesse dizer a palavra, Maria felizmente parou. Ao mesmo tempo, Alisa e Masachika notaram o que estava escondido atrás dela.

— Olhem, olhem! Um baú de tesouro!

Maria virou-se para eles com uma expressão animada, apontando para trás de si com as duas mãos. No meio de um capim alto que parecia chegar facilmente a dois metros, havia uma clareira circular onde a vegetação havia sido cortada. Bem no centro, repousava imponente um baú de tesouro vermelho-vivo com detalhes dourados.

De fato, era o tipo clássico de baú de tesouro que toda criança provavelmente já admirou ao menos uma vez. Até mesmo Masachika teve sua curiosidade infantil despertada e, inevitavelmente, sentiu-se empolgado... mas—

— Não, por que existe um baú de tesouro tão chamativo bem ao lado de uma estrada como esta...?

Antes de qualquer coisa, aquela estranheza o incomodava demais.

Bem, isso acontece bastante no começo dos jogos…..

Masachika fechou os olhos e balançou a cabeça.

— Hm... bom, de qualquer forma, em jogos, baús de tesouro como esse podem ser armadilhas ou mímicos, então—

— Oba! É um cajado novo!

— Espera, você já abriu!?

Antes que ele pudesse dizer "Vamos abrir com cuidado", a voz alegre de Maria ecoou, e Masachika ergueu o olhar em alarme. Maria puxou de dentro do baú um longo cajado vermelho-escuro. A ponta dele era estranhamente volumosa, fazendo-o parecer, à primeira vista, quase uma maça.

— Hmmm! É tão pesado!

Embora Maria se esforçasse um pouco por causa do peso do cajado em suas mãos, ela soltou uma voz feliz, como uma criança que acabara de ganhar um brinquedo novo. No instante seguinte—

— Hã?

Algo parecido com uma névoa negra irrompeu do cajado e envolveu o corpo de Maria.

— Masha!?

— Masha-san!?

Com um grito de surpresa, Alisa começou a correr em direção a Maria. Masachika agarrou a mão dela por reflexo e a deteve.

— O que você está—

— Você também pode acabar sendo atingida!

Masachika insistiu que precisavam evitar sofrer dano secundário em uma reação em cadeia. Alisa engoliu as palavras e observou Maria atentamente.

Enquanto os dois olhavam tensos, Maria balançou o cajado como se tentasse afastar a névoa. Então, parecendo notar algo, balançou-o de novo e soltou um choramingo lamentável.

— Nããão! Ele não sai!

— Como é que é?

— Hm? ...Ah, o cajado não sai da sua mão?

— Uhum... olha.

— Mesmo que você me diga para olhar...

Maria estendeu as duas mãos, ainda segurando firmemente o cajado. Enquanto Masachika tentava pensar em como reagir, Yuki, que flutuava perto do ombro dele, inclinou a cabeça e falou:

— Se você não consegue desequipá-lo, isso não faz dele um item amaldiçoado?

(N/SLAG: MALDIÇÃO DO LIGAMENTO!)

— Ah, entendi.

Agora que ela mencionava aquilo, a névoa negra de antes certamente tinha parecido algo do tipo. Masachika bateu as mãos sem pensar e, como isso simplificava as coisas, disse a Maria o que fazer.

— Masha-san, vamos tentar remover a maldição primeiro. Havia uma magia de atributo luz para isso, certo?

— Hã? Uma maldição?

— E-Eu estou amaldiçoada? Nããão!

Maria se inclinou para trás, tentando manter o cajado preso às suas mãos o mais longe possível do próprio corpo. Então, desesperada, recitou uma magia.

— «Незначительное очищение от проклятия».

(Purificação Menor de Maldição)

No entanto... nada aconteceu. O cajado não apenas continuou preso às mãos dela, como também não surgiu o efeito habitual que acompanhava a ativação de uma magia.

— Oh...? — murmurou Maria, piscando em confusão.

Alisa estreitou os olhos para a irmã.

— Masha... você realmente lançou a magia direito?

— Hã? Claro que lancei — respondeu Maria, ainda tentando se livrar do cajado.

Masachika observou a cena com um olhar desconfiado.

— Será que isso é efeito do item?

Yuki, que acompanhava tudo com calma, apontou para o menu.

— Por enquanto, verifica o menu.

— Ah, verdade — lembrou Masachika.

Enquanto observava a troca entre as irmãs, Masachika seguiu o conselho de Yuki e abriu o menu. Em seguida, tocou na aba de Maria e verificou a tela de equipamentos. Os detalhes do cajado equipado nas mãos dela apareceram.

Nome do Item: "Cajado de Tortura Herética"

Efeito: "Amaldiçoa o usuário sempre que é equipado. Converte todo o ataque mágico do usuário em força."

— Que tipo de equipamento de brutamontes é esse...?

— Mais do que isso, pelo nome, isso não é basicamente uma arma contundente que um inquisidor usaria para tortura?

Os irmãos fizeram caretas sem querer e verificaram os atributos de Maria. Como esperado, o ataque mágico dela, que deveria ser seu segundo atributo mais alto depois da resistência mágica, havia caído para zero. Em troca, sua força subira a um nível impensável para uma classe de retaguarda. Na verdade, naquele momento, ela superava facilmente o atributo de força de Alisa.

Dito isso, se alguém perguntasse se agora ela poderia brilhar em combate corpo a corpo... sua velocidade e resistência ainda estavam no nível de uma retaguarda, e a completa falta de habilidades de combate corpo a corpo provavelmente seria um grande obstáculo.

— O efeito é poderoso, mas é um equipamento amaldiçoado difícil de encontrar uma utilidade... Embora, se você montasse uma build especificamente em torno dele, sinto que poderia ficar bem absurdo.

— Algo como uma sacerdotisa de culto maligno ou uma cavaleira sombria, talvez? Parece o tipo de arma que realmente brilharia nas mãos de uma classe clerical de atributo sombrio.

— É, com certeza.

— Kuze-kuuun, não chegue a um entendimento sozinho. Me explica tambémm.

— Ah, desculpa, Masha-san.

Maria não conseguia abrir o menu porque ambas as mãos estavam ocupadas, e Alisa estava ao lado dela, parecendo confusa. Masachika explicou o que acabara de ler.

— Então, em outras palavras, como o ataque mágico dela virou zero, mesmo que a magia seja ativada, ela acaba falhando... é isso?

— Provavelmente.

Quando Masachika assentiu diante do resumo de Alisa, Maria fez uma expressão patética e disse:

— Ehhh, então eu tenho que ficar assim?

— Ah, não. Alya também consegue usar magia de atributo luz, então...

Quando ele olhou para Alisa, ela entendeu sua intenção, ergueu a mão direita em direção a Maria e recitou a magia.

— «Незначительное очищение от проклятия».

(Purificação Menor de Maldição)

Desta vez, em sincronia com sua voz, uma luz suave envolveu o corpo de Maria... e então se desfez com um estalo.

— Hã?

— Hm?

— Oh?

Enquanto Alisa, Masachika e Yuki inclinavam a cabeça ao mesmo tempo, Maria franziu a testa e fez força nas mãos.

— Mm, mmm! Mmmmmmm! Ainda não sai!

— Ah... Será que é uma daquelas maldições que não podem ser removidas a menos que se use uma magia de nível superior?

— Ehhhhhh?

Enquanto Maria soltava um grito ainda mais lamentável, Alisa deu de ombros, parecendo um pouco incomodada.

— Bem, acho que a lição é que você não deve tocar em baús de tesouro sem cuidado.

— Tudo bem, Masha-san. Pensando nisso como um jogo, não acho que isso nos deixaria presos sem saída... Provavelmente deve haver alguma medida de socorro na próxima cidade ou algo assim. Provavelmente.

— Sério? Você realmente acha isso?

Diante de sua senpai de rosto infantil olhando para ele com os olhos marejados, Masachika foi atingido em cheio pela força daquela expressão e se inclinou ligeiramente para trás com um pequeno "ugh", mas ainda assim assentiu.

— Provavelmente em uma igreja ou algo assim? Acho que eles conseguem remover maldições lá... pelo menos, é assim que funciona nos jogos.

— Entendi. Certo. Se você diz isso, Kuze-kun, então eu acredito em você!

Maria sorriu e, parecendo recuperar o ânimo, levantou-se de um salto. No entanto—

— Uá, ah, aaaaah!?

Ao erguer as duas mãos com energia, como se estivesse se espreguiçando, o peso do cajado a fez perder o equilíbrio. Maria cambaleou para trás—

— Ih!

Seu pé prendeu na borda do baú de tesouro que ela acabara de abrir. Ela caiu sentada e, de forma inacreditável, encaixou-se perfeitamente dentro do baú vazio.

— H-Hããã!? O que é isso!?

— Pffft.

— Alya-chan! Não ria, miajuda!

— Kh... ahaha, ahahahahaha!

Com as duas mãos presas ao cajado, a irmã mais velha não conseguia fazer nada além de balançar as pernas enquanto permanecia presa dentro do baú de tesouro. Aparentemente, aquela visão havia acertado em cheio o senso de humor da irmã mais nova, pois ela segurou a barriga e explodiu em uma risada grosseira.

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— Nossa, ela cabe direitinho... A Masha-san tem uma bunda tão grande que ficou presa aí perfeitamente. (Yuki)

— Este não é o momento para ficar impressionada. (Masachika)

— Se vai dizer isso, então ajude ela. (Yuki)

— Bem, sobre isso...

Masachika deixou a frase morrer de modo constrangido e olhou na direção de Maria.

Para começo de conversa, o equipamento de Maria era estranhamente sensual e, em especial, havia uma abertura bem grande na região das coxas. E agora Maria estava balançando as pernas vestida daquele jeito. Em outras palavras, o que ele queria dizer era...

Isso está certo? Visto de cima, não dá para acabar vendo a calcinha dela?

Esse era o problema.

— Ah, então é isso que você quer dizer. Não se preocupe. Quando chegar a hora, eu vou proteger a visão direitinho!

Talvez tendo deduzido pela expressão de Masachika o que ele queria dizer, Yuki tirou de algum lugar a já familiar placa de "CENSURADO" e sorriu com orgulho enquanto a segurava.

— Então... é, vou deixar com você. Na verdade, poderia ir verificar primeiro?

— Entendido~.

Pelo canto do olho, Masachika viu Alisa, que enfim havia rido tanto que acabara caindo de joelhos. Enquanto isso, Yuki flutuou até Maria e espiou de cima para dentro do baú de tesouro.

— Ah, está tudo bem. Surpreendentemente, as coxas dela bloqueiam a visão. Ainda assim, nossa, as coxas da Masha-san são realmente grossas.

Fingindo não ter ouvido a segunda metade daquele comentário, Masachika foi até Maria com um pouco de cautela.

Ainda havia a possibilidade de Yuki estar mentindo, mas... de fato, surpreendentemente pouca coisa estava realmente visível. Dito isso, os vislumbres das coxas de Maria sob sua roupa revirada, e a forma como suas pernas dobradas pressionavam contra o peito, ainda eram bastante perigosos para os olhos.

— Masha-san, vou puxar você para fora, certo?

— P-Por favooor...

Sem deixar que nenhum de seus pensamentos internos transparecesse no rosto, Masachika segurou os dois braços de Maria, que ainda agarravam firmemente o cajado, e puxou com força.

Mas—

— Ngh, kh—!

Ela não saía. Ou melhor, o cajado estava atrapalhando, tornando difícil puxá-la direito.

— Uou, espera, o cajado vai bater no meu rosto. Pode virá-lo de lado? Não na vertical, de lado.

— Hã? A-Assim?

— Isso, assim mesmo. Certo, agora—!?

Depois de confirmar que Maria havia virado o cajado de lado, Masachika puxou os braços dela novamente. Maria também tentou erguer os quadris em sincronia com ele, mas...

— Kh, nnngh...

— Mmmmmmmm!

Ela continuou sem se soltar. O problema era que o baú de tesouro era bem fundo e, pior ainda, estava firmemente fixado ao chão, sem se mover. Naquele ritmo, a menos que conseguissem puxá-la diretamente para cima de alguma forma, ela não sairia dali.

— Ah~~~! Hah... Desculpa, Masha-san. Vamos parar um segundo.

— Ah, tudo bem...

Masachika soltou os braços de Maria e pensou em uma estratégia.

— Ei, Alya. Corta essa zueira e vem nos ajudar.

— C-Certo. Desculpa.

Quando ele chamou por ela atrás de si, Alisa se aproximou enquanto cobria a boca com uma das mãos. Então, depois de olhar mais uma vez para Maria, virou imediatamente o rosto para o lado.

~~~~~~~!

— Até quando você vai ficar presa nessa risada...?

— Alya-chan, que maldade...

— Eu não entendo o senso de humor da Alya...

Diante do olhar exasperado de Masachika e da voz repreensiva de sua irmã, Alisa ficou ao lado dele enquanto ainda tentava segurar o riso.

— Então, o que vamos fazer?

— Por enquanto, eu vou dar a volta por trás dela e puxar seus braços, então você segura as pernas... Espera, a tampa está atrapalhando.

Masachika começava a se perguntar se deveriam simplesmente subir na borda do baú e puxá-la diretamente para cima, quando Alisa, aparentemente perdendo a paciência, falou.

— Ah, pelo amor de Deus. Masha, levante os braços.

— Hã? Tudo bem.

Assim que Maria ergueu os dois braços, Alisa inclinou a parte superior do corpo entre as pernas dela, enfiou os braços à força pelos dois lados e a segurou por baixo, como se fosse levantá-la.

— Certo, lá vamos nós.

— Ih! Aaaah, Alya-chan, você não pode agarrar sua irmã mais velha aí!

— Esta não é hora de dizer esse tipo de coisa!

Ignorando o protesto envergonhado de Maria, Alisa jogou o próprio peso para trás e puxou a irmã para fora com um estalo. O impulso levou as duas para trás, e elas caíram, terminando com Maria esparramada em cima de Alisa.

— Isso não pode aparecer!

— Uou.

Na confusão, talvez tenha ou talvez não tenha ocorrido um relance acidental de ambas as irmãs, mas a dignidade delas foi protegida por uma fada altamente competente — ou algo próximo disso. Durante esse tempo, Alisa empurrou Maria para o lado e se levantou.

— Hah... Na verdade, acabei de pensar em uma coisa. Será que água benta não resolveria isso? — perguntou Masha.

— Hã...? Ah, bem, não sei. Se a magia da Alya não funcionou, duvido que uma água benta barata resolva... e eu nem sei se água benta remove maldições em primeiro lugar.

— Vale a pena tentar. Vamos, Masha, abra a boca.

— Hã?

Mal terminou de dizer isso, Alisa operou o menu, tirou água benta — ou melhor, o misterioso líquido branco e turvo que atendia por esse nome — e avançou sobre a irmã. Maria, em resposta, recuou com um sorriso tenso.

— E-Espera um pouco, Alya-chan. Eu talvez esteja um pouquinho relutante em beber isso...

— Não é como se fosse te dar dor de barriga. Vamos, rápido.

— E-Espera, não—

Alisa pressionou a boca da garrafa de vidro contra os lábios da irmã enquanto as mãos de Maria estavam ocupadas e tentou fazê-la beber. No entanto, talvez por ter inclinado a garrafa rápido demais, ou porque Maria resistiu a beber, a água benta saiu com força demais. Maria engasgou, e o líquido espirrou para todos os lados.

— Eca, isso é suj—

— Cof, cof... Uweeeh, caiu no meu rosto...

— Ah, d-desculpa...

— Urgh... é salgado.

— É salgado!? Mesmo sendo água benta!?

Com o líquido turvo escorrendo por todo o rosto, da boca até perto dos olhos, Maria fez uma careta como se estivesse suportando a sensação.

— —! Print! Cadê o botão de print!? (Yuki)

— O que exatamente você está imaginando?

— Kh... Como esperado da rainha sexy do Conselho Estudantil... Ela nunca perde a chance de criar um momento memorável. (Yuki)

— Quem você está chamando de—espera, hm? Conselho Estudantil?

— Hm?

— Não, bem... deixa pra lá.

Por causa do cajado amaldiçoado, Maria não conseguia limpar o rosto com as mãos. E talvez porque limpar aquilo na roupa parecesse errado, ela simplesmente manteve os olhos fechados, o rosto voltado para cima e os lábios apertados. Yuki parecia estranhamente animada com a visão, enquanto Masachika a encarava com um olhar vazio.

Infelizmente, ele não tinha nada como um lenço ou papel, então não havia nada que pudesse fazer. Alisa também parecia sem saber como ajudar e pairava ansiosa ao redor.

Felizmente, talvez porque o sistema tivesse registrado que "água benta havia sido aplicada", a água benta no rosto de Maria logo desapareceu com um som suave de efervescência.

— Ah, desapareceu...

— Desapareceu mesmo... Hum, como está? Masha-san?

— Hã...? Mmm, não, ainda não sai.

— Ah, imaginei...

— Desculpa...

— Ah, tudo bem, Alya-chan. Você estava tentando ajudar do seu jeito.

Depois que Maria tranquilizou Alisa, que parecia arrependida, Masachika pigarreou de leve para reorganizar o clima.

— Bem, então... até chegarmos à próxima cidade, vamos nos concentrar em proteger a Masha-san. Eu fico na frente, e Alya cobre a retaguarda.

— Parece o melhor a fazer.

— Ugh, desculpem, pessoal. Aprendi minha lição.

Vendo os ombros de Maria caírem tristemente, Masachika sorriu de leve e tentou consolá-la.

— Bem, você pode pensar nisso como se tivéssemos aprendido cedo o quanto baús de tesouro podem ser perigosos... Aliás, Masha-san, onde foi parar o seu cajado original?

— Hã...? Ah, agora que você mencionou...

— Ele não está aqui, está?

Os três olharam ao redor e inclinaram a cabeça. Então Yuki falou a partir do ombro de Masachika.

— Ele desapareceu no momento em que Masha-san equipou aquele cajado, então provavelmente voltou automaticamente para o inventário dela.

— Hã, sério?

Quando Masachika verificou o menu, de fato, o nome do cajado sagrado de Maria estava listado no inventário de itens dela.

— Hã. Que conveniente. Não entendo muito bem a mecânica exata, mas, no mínimo, isso significa que equipamentos amaldiçoados não obrigam você a abandonar seu equipamento original na hora.

Satisfeito, Masachika se virou para voltar à estrada principal e pisou na trilha estreita de animais—

— ! Kuze-kun!

Alisa de repente estremeceu e gritou. Logo em seguida, goblins surgiram todos de uma vez do capim ao redor deles.

— Gyagya!

— O qu—

No instante em que se viram cercados por inimigos, o fenômeno diante de seus olhos e o conhecimento dentro da cabeça de Masachika se conectaram como um relâmpago.

— Uma Armadilha de Baú!?

Era um tipo comum de armadilha em jogos. Humanos atraídos por um baú de tesouro seriam cercados e aniquilados e, dependendo dos monstros que aparecessem, aquilo poderia até levar à derrota total do grupo.

Por que agora...? Não, será que é porque fica ainda mais perigoso depois de forçar alguém a desequipar seu equipamento normal com um item amaldiçoado?

Mesmo analisando isso em sua mente, o corpo de Masachika já havia escolhido a ação ideal para tirá-los daquela situação.

— Hmpf!

Ele avançou novamente em direção à trilha de animais e desceu seu grimório sobre o goblin que bloqueava o caminho.

— Gyahhh!

Sem sequer olhar para o goblin enquanto ele desaparecia com o grito de sempre, Masachika se virou e chamou Maria.

— Masha-san! Vá em frente e—

"Mestre!"

Com a voz de Yuki ecoando dentro de sua cabeça, Masachika instintivamente se virou para a frente outra vez. Então, ao ver goblins surgindo um após o outro pela trilha estreita, foi tomado por uma intensa sensação de perigo.

Isto é ruim! Não vamos conseguir tirar a Masha-san daqui!

Masachika golpeou com o grimório os goblins que atacavam sem pausa. No momento em que surgiu uma brecha na onda de inimigos, ele lançou um chute com toda a força.

— Hah!

— Gyah!

O goblin recebeu o chute no estômago, foi lançado para trás e se chocou contra os goblins atrás dele, derrubando-os. Captando aquilo pelo canto do olho, Masachika girou rapidamente o corpo.

— Masha-sa—

No entanto, o que entrou no campo de visão de Masachika quando ele se virou foi a cena de goblins avançando de todas as direções contra as irmãs, que estavam posicionadas de costas uma para a outra.

Não vou chegar a tempo—

— Nããão! Fiquem longe de mimmm!

Com um pesado zunido, Maria brandiu o cajado. Uma rápida sequência de efeitos de dano irrompeu em uma barragem estrondosa de impactos. Logo em seguida, vieram gritos sobrepostos de goblins e efeitos de desaparecimento de monstros.

…………

— Não! Nããão!

De olhos fechados, Maria balançava o cajado descontroladamente. Como se fosse algum tipo de piada, grupos de goblins eram arremessados para longe e apagados. Uma enorme brecha se abriu nas camadas duplas e triplas do cerco.

— Ei, ei... Ela não está limpando os inimigos mais rápido que a Alya-san? (Yuki)

Masachika observava a cena atônito quando um forte impacto atingiu suas costas. Ele se virou e encontrou mais goblins surgindo pela trilha de animais.

………. ...

Sem dizer uma palavra, Masachika desceu o grimório sobre a testa deles, um após o outro. Em um piscar de olhos, o número de goblins diminuiu.

— Como foi que acabamos com duas classes de retaguarda virando guerreiras de arma contundente?

(N/SLAG: arma contundente=qualquer objeto sólido sem gume ou ponta afiada que causa dano por impacto.)

Por conta da Armadilha de Baú, que de alguma forma havia se transformado em um campo de execução de goblins, Yuki murmurou aquilo com exasperação.

⋆⋅☆⋅⋆

E assim, agora com dois especialistas em pancadaria no grupo, eles avançaram pela planície vasta e aberta ceifando todos os inimigos no caminho... e, pouco depois, chegaram à cidade seguinte.

— Espera, isso não é estranho?

— Não tem como termos andado tanto.

Virando-se para olhar a vasta planície atrás deles, Masachika e Alisa apontaram calmamente a inconsistência.

A capital real que eles haviam deixado cerca de uma hora antes, segundo a própria percepção deles, já estava escondida além do horizonte. Sim, uma hora incluindo o tempo gasto em combate. Supostamente, eles estavam atravessando uma planície sem fim a pé e, no entanto, antes que percebessem, já haviam cruzado tudo. A paisagem havia avançado tanto que parecia que eles tinham sido teleportados em algum momento.

Ou talvez...

— Mudamos de área. (Yuki)

— Imaginei. (Masachika)

— ? O que quer dizer? (Alya)

— Bem, mudança de área... Quero dizer, talvez o jogo tenha julgado que limpamos a área da planície e nos movido para a próxima área — ou melhor, para a cidade. Pensando assim, aquele grupo de goblins e lobos cornudo de antes... será que foi tratado como boss?

Masachika acrescentou uma explicação, mas Alisa, que aparentemente tinha pouca experiência com esse tipo de jogo, apenas franziu a testa e inclinou a cabeça. Então Maria ergueu o dedo indicador, como se tivesse tido uma ideia.

— Sabe como, em peças de teatro, o cenário muda de repente e a cena troca toda de uma vez? Talvez seja algo assim.

— Não, acho que é um pouco diferente...

— Ah, acho que entendi... talvez.

— Entendeu?

Por algum motivo, Alisa pareceu satisfeita com a comparação peculiar de Maria. Enquanto Masachika a observava com uma expressão que sugeria não estar totalmente convencido, Yuki cruzou os braços e assentiu.

— Ritmo acelerado de peça teatral. Maravilhoso.

— Acelerado até demais... Bem, acho que em jogos você consegue chegar bem rápido à próxima cidade no começo e, dependendo do título, dá até para zerar a história principal em umas dez horas... Mas, pensando com calma, isso também é bem estranho.

Eles deveriam estar se aventurando por um mundo vasto, e ainda assim a jornada podia terminar em questão de horas. Claramente, o tempo de viagem estava sendo cortado em vários pontos, mas...

— Agora que estou vivenciando isso assim... o mundo dos jogos é mesmo um enorme amontoado de conveniências forçadas e esquisitices, hein?

— Hmm. As pessoas do castelo disseram que teríamos que passar por sete cidades antes de chegar ao castelo do Rei Demônio, certo? Nesse ritmo, talvez cheguemos lá em menos de um dia.

— Bem, como esta é a primeira área, talvez ela só tenha sido configurada para ser especialmente fácil... E, quando anoitecer, com certeza teremos que ficar em uma hospedaria, então não acho que vamos realmente chegar lá em um dia...

Depois de dizer isso, Masachika acrescentou:

— Embora, mesmo que fiquemos em uma hospedaria, eu tenha que me perguntar se vamos conseguir dormir, para começo de conversa.

A propósito, para ser preciso, apenas os quatro primeiros assentamentos poderiam realmente ser chamados de cidades. Depois disso, aparentemente assumiriam a forma de bases e fortalezas. A quarta cidade fazia fronteira com os limites do reino, e além dela ficava o território dos monstros, onde o domínio humano já não alcançava. Em outras palavras, era ali que começava o campo de batalha contra a raça demoníaca.

— Bem, por enquanto, vamos avançar o máximo que pudermos antes do pôr do sol.

— Certo.

— Okaaay.

Justamente quando conversavam e estavam prestes a entrar na cidade, um guarda parado ao lado do grande portão de repente chamou por eles.

— Ei, vocês aí... Não me digam que isso é um item amaldiçoado?

— Oh—?

Assim como estavam planejando procurar uma forma de remover a maldição naquela cidade, um evento — ou algo parecido com um — que parecia capaz de lhes dar uma pista foi acionado, e Masachika e os outros pararam.

— Itens amaldiçoados impedem que você use outros equipamentos enquanto não remover a maldição, sabe. Se quiserem purificá-lo nesta cidade, devem ir ao Santuário da Purificação.

— O Santuário da Purificação... Onde fica?

— Ah, é só seguir reto por essa rua. Quando virem a loja de armas à direita, virem à direita na esquina logo antes dela. Ah, mas a entrada de mulheres é proibida no Santuário da Purificação.

— Proibida para mulheres...? Bem, vamos dar uma olhada. Obrigado.

— Obrigada.

— Obrigada, senhor soldado.

Os três se curvaram para o guarda, que gentilmente explicara tudo, e atravessaram o portão.

— Hmm, então que tal irmos direto para esse Santuário da Purificação?

— Hã? Mas a entrada não é proibida para mulheres?

— Eles não vão se recusar a remover a maldição se formos até lá...?

Enquanto as irmãs inclinavam a cabeça, Masachika ergueu um dedo, como se dissesse "excelente pergunta".

— Não, isso provavelmente é o que se chamaria de missão de recados.

— Missão de recados?

— Em jogos, muitas vezes você resolve problemas ou pedidos dos moradores da cidade e, então, consegue os itens necessários para avançar na história... algo assim. Mesmo que mulheres sejam proibidas de entrar no começo, tenho certeza de que seremos autorizados assim que cumprirmos algum tipo de condição.

— Hmm? Bem, seria estranho se a medida de socorro não pudesse ser usada só porque a pessoa é mulher...

— Se é assim, vamos dar uma olhada primeiro.

E assim, seguindo a rota indicada pelo guarda do portão, os três avançaram pela rua até que um templo magnífico, ladeado por enormes pilares, surgiu à frente.

— Ohh, parece bem impressionante...

— Que lugar lindo.

— Hum, será que podemos entrar...?

Alisa olhou ao redor, mas não havia placas proibindo a entrada de mulheres, nem parecia haver alguém vigiando.

— Hm? Será que o próprio sistema impede mulheres de entrar...? Tipo uma parede invisível que só bloqueia personagens femininas?

— Espera, e eu?

— Ah, verdade.

Masachika olhou para Yuki, que não podia ser vista pelas outras pessoas e nem era humana, mas tecnicamente era mulher, e um ponto de interrogação pareceu surgir sobre sua cabeça.

Aliás, essa coisa sequer pode entrar em um templo, para começo de conversa?

Enquanto inclinava a cabeça diante de Yuki, que parecia exatamente uma demônia, Masachika chamou as duas atrás dele.

— Bem, vamos tentar entrar por enquanto.

— Certo. Vale a tentativa.

— Uhum. Se ficarem bravos, é só pedir desculpas, não é?

Assentindo uns para os outros, os três entraram no templo.

— Entramos.

— Entramos.

— Hmm, entramos mesmo.

Sem serem bloqueados por nenhuma parede invisível, e sem serem parados por guardas ou qualquer outra pessoa, os três — junto da Yuki — entraram com facilidade.

— Uau, é tão bonito...

Maria ergueu os olhos para os vitrais acima e soltou uma voz de admiração. Levado pela reação dela, Masachika também levantou o olhar e admirou os vitrais de uma ponta à outra.

E então, mais adiante—

Seus olhos se encontraram com os de um garoto em vestes sacerdotais, parado diante do altar bem à frente, e seus pés pararam bruscamente.

— Hikaru? O que você está fazendo aqui?

O belo garoto diante dele tinha uma aparência andrógina que Masachika conhecia bem demais. Diante de Hikaru Kiyomiya, os pensamentos de Masachika pararam por um momento.

— Kiyomiya-kun...?

Ao som da voz de Alisa ao seu lado, Masachika voltou a si e, ao mesmo tempo, várias coisas de repente se encaixaram.

— Hm? Ah, então é isso que significa "Santuário da Purificação"? Kiyomiya? Ah, cala a boca! E, mais importante! Não me diga que este lugar é proibido para mulheres só porque você odeia garotas!

(N/SLAG: Kiyome no miya (清めの宮). A piada é que soa parecido com Kiyomiya, sobrenome de Hikaru; por isso Masachika reage com irritação ao perceber o trocadilho.)

— Hum, as mulheres poderiam, por favor, não entrar? Este lugar é proibido para mulheres.

— Então esse é mesmo o único motivo!?

(N/SLAG: Nǚrén jìnzhì (女人禁制), uma expressão tradicional para locais onde mulheres não podem entrar.)

Diante de seu amigo — ou algo parecido com isso —, que havia virado o rosto para o lado com os lábios torcidos em desgosto, Masachika retrucou com toda a força.

Então, depois de respirar fundo uma vez para se acalmar, ele declarou novamente o motivo de sua visita, como se aquele fosse o primeiro encontro deles.

— Hum, com licença. Ouvimos dizer que é possível remover maldições aqui.

— Ah, não, eu já removi, então vocês poderiam ir embora agora?

— Hã?

Quando ele se virou ao ouvir aquelas palavras, o cajado que Maria segurava estava envolto por uma luz tênue. No instante seguinte, ele desapareceu com um suave "whoosh".

— Ah, desapareceu.

— Não, pelo jeito que desapareceu, ele não foi parar no seu inventário?

— Hã...? Ah, você tem razão.

— Ah, não tire ele de lá. Pelo visto, ele amaldiçoa você toda vez que é equipado.

— Ah, é mesmo.

— Então, agora que já resolveram o que vieram fazer, poderiam, por favor, ir embora...

Masachika se virou para seu amigo — ou algo parecido com isso —, que havia chamado timidamente por trás, e coçou a cabeça enquanto falava.

— Hum, Hikaru... certo?

— Hã? Ah, sim. Meu nome é Hikaru, mas...

Depois de Chisaki, ali estava outro conhecido do mundo original deles que parecia ter se adaptado completamente àquele. Masachika escolheu cuidadosamente as palavras e perguntou:

— Isto é repentino, mas... você se juntaria ao nosso grupo e viajaria conosco?

Com Chisaki, aquilo havia parecido impossível, mas talvez Hikaru estivesse disposto. Com esse pensamento, Masachika tentou recrutá-lo.

— Eu não lido bem com garotas.

— Ah. Certo.

Tendo sido recusado exatamente como esperado, Masachika não teve escolha senão recuar sem dizer mais nada.

⋆⋅☆⋅⋆

Depois disso, sob a política de avançar o máximo possível, os três apenas trocaram seus itens de drop por dinheiro, compraram consumíveis e melhoraram suas armaduras antes de deixar prontamente a cidade e mirar a próxima.

A partir dali... passaram-se cerca de sete horas, segundo a percepção deles.

Sem grandes problemas, atravessaram tranquilamente a segunda e a terceira cidade, personificando a violência de atributos superiores por meio de um grimório. Então, justamente quando a quarta cidade apareceu no campo de visão...

O avanço rápido de Masachika e dos outros chegou a uma parada.

— Uoooooh!?

Uma enorme clava de ferro desceu de cima. Masachika não teve tempo de dar um passo lateral e a evitou com uma corrida desesperada.

A clava, com cerca de três metros de comprimento e cinquenta centímetros de espessura, coberta de espinhos rústicos por toda a superfície, fez o chão tremer com um impacto surdo. A força daquilo enviou um arrepio pela espinha de Masachika. Um golpe direto não apenas o achataria — parecia que o despedaçaria por completo.

— Não, não, não, isso é assustador demais! Isso é literalmente um ogro com clava de ferro! A dificuldade acabou de disparar do nada!?

Na saída de um vale seco, com penhascos íngremes se erguendo dos dois lados, estava um ciclope de pele vermelho-escura, facilmente com cinco metros de altura. Diante dele, Masachika não conseguiu evitar gritar. Talvez reagindo à sua voz alta, o ciclope ergueu lentamente a clava de ferro, e seu enorme olho único rolou na direção de Masachika com um olhar ameaçador.

— Ih, ferrou.

— Gaaaaaaah!

— Ih!?

A clava de ferro desceu em diagonal de cima, e Masachika soltou um grito patético enquanto se jogava no chão para desviar.

Um pesado zunido passou sobre sua cabeça, o som de uma massa enorme cortando o ar. Sentindo a pressão do vento atingir suas costas, Masachika quase congelou de medo enquanto rolava para longe do ciclope, criando distância entre eles.

Quando julgou estar suficientemente fora do alcance dele, saltou de pé e verificou o ciclope—

Apenas para sentir um mau pressentimento ao ver o monstro tirar uma das mãos da clava de ferro e apontar a mão esquerda aberta em sua direção.

— Não me diga...

Como se confirmasse aquela premonição, o ciclope abriu a enorme boca, da qual presas maciças se projetavam.

— «Fireball».

Sua voz sombria e rouca soava como se ecoasse do fundo de um bueiro. Como se perseguisse aquela voz, o ar explodiu com um profundo "whoomph" — e, nesse momento, Masachika já havia começado a correr.

— Ele também usa magia!? E por que está em inglês!?

— Talvez a magia dos demônios seja diferente da magia humana? Sei lá.

— Deve ser bom ser tão despreocupada!

Gritando isso para Yuki, que parecia completamente alheia à situação, Masachika puxou o capuz de sua túnica bem sobre a cabeça para protegê-la e correu com todas as suas forças. Atrás dele, a bola de fogo explodiu, e uma onda de calor chamuscou as costas de sua túnica.

— Uou!?

Embora sentisse um leve calor se espalhando por suas costas, a barra de HP flutuando no canto direito de sua visão não mudou. Muito provavelmente, a túnica e a barreira que Maria havia lançado sobre ele estavam impedindo o dano de calor.

— Haaaaah!

Quando olhou na direção do grito que ecoou naquele momento, viu Alisa golpeando com a espada o ciclope que acabara de disparar magia. No entanto, quando Alisa tentou cortar a região da canela dele, o ciclope puxou rapidamente a perna para trás e evitou o ataque com facilidade.

— Ah, opa?

Alisa literalmente cortou o ar vazio e cambaleou ao perder o equilíbrio. O ciclope ergueu casualmente a clava de ferro sobre ela.

— «Я крутой».

(Barreira Menor!)

A voz aguda de Maria ecoou atrás deles. Logo em seguida, uma parede de luz apareceu entre Alisa e o ciclope, repelindo lindamente o golpe do monstro. O ricochete fez o ciclope cambalear vários passos para trás.

Era claramente uma abertura para atacar. No entanto, ao ver aqueles pés gigantescos pisarem no chão com baques pesados, nem Alisa nem Masachika conseguiram avançar descuidadamente. Se se aproximassem de forma imprudente, poderiam ser esmagados sob aqueles pés. Como resultado, surgiu um impasse que durou vários segundos.

— Não... esta luta foi absolutamente projetada pressupondo que a retaguarda esteja funcionando direito.

Era natural que Masachika murmurasse aquilo. Aquele ciclope estava em uma liga completamente diferente de todos os inimigos que haviam enfrentado até então.

Primeiro, havia seu corpo enorme. O maior inimigo que haviam enfrentado até agora fora o tigre gigante que servira como boss da área anterior. Aquela coisa também tinha mais de quatro metros de comprimento, mas, no fim, ainda era uma fera quadrúpede. Quando atacava mordendo, seu ponto fraco — a cabeça — vinha direto para a frente deles, então ainda era relativamente fácil de enfrentar.

O ciclope, por outro lado, era completamente bípede. Seus joelhos ficavam mais ou menos na altura da cabeça de Masachika, de modo que as armas deles não conseguiam alcançar sua cabeça, nem mesmo seu coração. Além disso, ele tinha uma arma e ainda conseguia usar magia.

Com esse tipo de inimigo, o padrão clássico é o olho ser o ponto fraco... mas eu não consigo alcançá-lo. Não importa como eu pense nisso, esta é o tipo de luta em que um tank de armadura pesada o mantém parado enquanto a retaguarda mira no olho com ataques à distância... Espera. Ataques à distância?

Ao perceber isso, Masachika olhou reflexivamente para Alisa. Naquele exato momento, o ciclope recuperou a postura, ergueu os dois braços e rugiu. Sentindo que o olhar dele havia se voltado para a retaguarda — para Maria, cuja magia havia repelido seu ataque —, Masachika tomou uma decisão instantânea.

— Alya! Proteja a Masha-san e mire no olho dessa coisa com magia! Eu vou chamar a atenção dele!

— Hã...

— Você é a única aqui com ataques à distância! Por favor!

Mal terminou de dizer isso, Masachika saltou para a frente do ciclope sem esperar a resposta de Alisa.

— Vamos, então... Eu sou seu oponente!

Enquanto o ciclope erguia a clava de ferro e vinha investindo contra ele com passos que faziam a terra tremer, Masachika cerrou os dentes e reprimiu desesperadamente o medo.

Está tudo bem. Calma... Eu tenho «Ganho de Experiência ×10» Meu nível e meus atributos atuais devem estar muito acima dos valores adequados para desafiar essa coisa! Além disso, ele não é um tipo guerreiro puro.

Como usa magia, sua capacidade de combate corpo a corpo deve ser menor do que a de um inimigo de linha de frente de verdade! Em outras palavras, não importa o quanto a diferença de tamanho seja grande, não importa o quão aterrorizantes os ataques dele pareçam...

Numericamente falando, eu deveria conseguir trocar golpes com ele de frente!

Provavelmente!

Quase se hipnotizando para se encorajar, Masachika abaixou os quadris e agarrou firmemente seu grimório.

Então—

— Gaaaaaaah!

— Uooooooooh!

Ele golpeou com toda a força seu grimório contra a clava de ferro que o ciclope desceu sobre ele.

A clava de ferro veio em um movimento lateral, como se tentasse afastar um obstáculo irritante. Conforme aquela massa cruel de metal se aproximava, Masachika brandiu o grimório com força bruta, girando-o de lado como um arremessador de beisebol.

O impacto gerado no ponto de contato, se aquilo fosse a realidade, teria facilmente deixado o braço direito de Masachika com uma fratura exposta.

No entanto, naquele mundo, o cálculo de dano era realizado por uma fórmula simples, quase como em um jogo de cartas. Em outras palavras, quando ataque colidia com ataque, o lado que produzisse o maior valor de dano causava apenas a diferença excedente ao outro lado. A quantidade final de dano dependia da defesa do oponente e do local atingido, mas o ponto importante ali era que, quando ataques físicos puros colidiam, apenas um lado sofria dano.

No limite, fosse alguém atingido por uma gigantesca clava de ferro ou por um meteoro enorme, se conseguisse contra-atacar com poder ainda maior, não sofreria dano algum.

E, de fato—

— Sai voandooooo!

Quando Masachika completou o movimento com o grimório, a clava de ferro do ciclope foi repelida violentamente, e a barra de HP inferior entre as duas exibidas acima da cabeça dele foi reduzida levemente. A barra de HP de Masachika, por sua vez, permaneceu cheia.

— Fuh—haaaahahaha! O que acha do poder de um cheat de pontos de experiência!? O ataque é a melhor defesa! Quem precisa de um tanque de escudo!? Este Sábio da pancadaria vai mostrar do que um tanque pancadaria é capaz!

(N/SLAG: 殴り = bater, golpear, atacar fisicamente. タンク = tank, o personagem resistente que aguenta dano e protege o grupo em RPGs/jogos. Então 殴りタンク = tanque de pancadaria. Mas ele também é um mago sábio?)

Masachika fez o máximo que pôde para bancar o ousado, como se quisesse esconder o quanto estivera apavorado por dentro. O fato de sua voz ter falhado um pouco fazia parte de seu charme.

— Sua voz falhou. Nihihi.

— Cala a boca.

Resmungando de volta para sua irmã, que obviamente não deixaria aquilo passar, Masachika preparou o grimório. O ciclope também mudou seu alvo de Maria para Masachika, surpreso pelo contra-ataque inesperado de um oponente que pretendia simplesmente afastar com um golpe.

E, naquele instante—

— «Большая каменная стрела»!

(Flecha de Rocha Maior!)

Junto com o encantamento em russo de Alisa, uma rocha em formato de ponta de flecha disparou de trás de Masachika.

— Ohh, incrível. Parece uma bala de canhão.

Enquanto Yuki erguia os olhos em admiração, a rocha voou em uma velocidade lenta que não tinha nada de semelhante a uma bala de canhão. O ciclope reagiu imediatamente e desviou dela apenas inclinando levemente a cabeça.

— Ah, errei—

— Não, continue! Eu disse para mirar no olho antes, mas uma área mais ampla já serve! Toda vez que eu acertar um golpe, dispare na região da cabeça dele!

— Entendido!

— Masha-san, se parecer que ele vai na sua direção, pode pará-lo com uma barreira? E cuidado com a magia dele também!

— Ah, certo!

Mesmo enquanto dava instruções às duas, Masachika observava cuidadosamente o ciclope. Felizmente, seu único olho se voltou para ele. Em parte, provavelmente porque a magia de Alisa havia errado, mas isso também significava que, por enquanto, Masachika ainda mantinha mais aggro na mente do ciclope.

(N/SLAG: abreviação de aggravation: refere-se ao nível de atenção ou agressividade que um inimigo tem em relação a um jogador.)

Se eu pensar nisso como um jogo... as ações que geram aggro dos monstros são causar dano e curar, talvez? Se eu tivesse algum tipo de habilidade de provocação, poderia acumular aggro rapidamente, mas...

Infelizmente, Masachika não era uma classe de escudo, então não possuía esse tipo de habilidade. Isso tornava o gerenciamento de aggro muito mais difícil.

— Bem, vou usar itens de recuperação também... e dar um jeito de fazer isso funcionar!

Declarando aquilo em voz alta, Masachika encarou de volta o único olho do ciclope. Então, enquanto a pressão absurda da clava de ferro se aproximando lhe causava calafrios, ele a repeliu à força com o grimório.

A partir dali, a troca de ataques e defesas se estabilizou em certo padrão.

Por causa da diferença de alcance, Masachika não conseguia lançar ataques próprios, então se concentrou inteiramente em interceptar os golpes do ciclope.

Toda vez que os dois colidiam, Alisa disparava magia contra a cabeça do ciclope.

Toda vez que o ciclope usava magia, Maria defendia contra ela.

Nenhum dos lados tinha um golpe decisivo e, justamente quando Masachika se preparava para uma batalha longa, algo inesperado aconteceu.

— Gyuaaaaaah!!

— Hã—

Foi uma magia de atributo água disparada por Alisa. A magia simplesmente arremessava uma grande massa de água contra o alvo, e sua força bruta não era especialmente alta. Alisa provavelmente a havia lançado em desespero, tentando romper de alguma forma aquele impasse.

Mas, no momento em que a água tocou a pele do ciclope, vapor subiu com um chiado alto.

— O q-quê...?

— É isso! A fraqueza elemental dele! Essa coisa é fraca contra água!

Pensando bem, considerando sua magia de fogo e sua pele vermelho-escura, aquele deveria ter sido o padrão óbvio. Rangendo os dentes pela própria negligência em não perceber isso antes, Masachika avançou às pressas e cravou seu grimório com toda a força na canela direita do ciclope enquanto ele se contorcia de dor. Em seguida, recuou rapidamente para criar distância e chamou Alisa atrás de si.

— Ótimo! De agora em diante, ataque com magia de atributo água! Se exagerar, o aggro vai se voltar para você, então mantenha a moderação!

— Entendido!

Daquele ponto em diante, o rumo da batalha mudou de uma só vez.

Aparentemente, quando a pele do ciclope entrava em contato com água, ele não apenas sofria dano, como também perdia resistência. Isso significava que até mesmo os ataques corpo a corpo de Masachika agora conseguiam reduzir seu HP rapidamente. Além disso, toda vez que era atingido por água, ele entrava em uma animação de hesitação; naquele ponto, basicamente havia sido preso em um stun-lock.

(N/SLAG: stun-lock=repetidamente atordoado, paralisado ou empurrado por ataques sucessivos)

Alisa atacava com magia de água, Masachika golpeava o ciclope com o grimório enquanto ele hesitava e, no momento em que a animação de hesitação terminava, Alisa o atingia com outra magia.

O ciclo se repetia.

— Quando você coloca isso em um padrão, esse troço é basicamente um boss lixo, hein?

Embora sentisse uma leve pontada de culpa ao ver que aquilo começava a parecer bullying, Masachika desferiu mais um golpe — ele já havia perdido a conta de quantos — na canela vacilante do ciclope.

Clang.

E, pela sensação em suas mãos, ele percebeu algo estranho.

— Hm? Parece meio duro—

— Kuze-kun!

— Afaste-se! Alguma coisa está—

Os avisos das irmãs vieram de trás dele. Masachika entendeu imediatamente o motivo. A perna vermelho-escura que se erguia diante dele de repente ficou azul, e os pelos do corpo se arrepiaram.

Ah, droga—

No instante em que percebeu a mudança, ele puxou o grimório de volta e saltou para longe por instinto.

Mas foi um passo tarde demais.

— Gaaaaaaaaah!!

Um rugido ensurdecedor sacudiu seus ouvidos. Quando ergueu os olhos na direção da voz, viu faíscas sinistras crepitando ao redor do chifre na testa do ciclope, cujo corpo inteiro havia se tornado azul-enegrecido.

Antes mesmo que pudesse pensar "não pode ser", um raio disparou do chifre e caiu em todas as direções ao redor do ciclope. Masachika acabou sendo pego por pouco dentro do alcance.

— Gah!

Algum tipo de choque atravessou o centro de seu corpo em rápidas rajadas. Ao mesmo tempo, a sensação em todo o seu corpo começou a desaparecer depressa.

Isso é ruim... Para... lisia...!

Incapaz até mesmo de aterrissar de pé, ele caiu de costas, ainda levado pelo impulso do salto. No processo, viu a barra de HP do ciclope. A barra inferior havia sido completamente apagada, e a superior já estava pela metade.

Droga, eu vacilei... Quando o HP restante chega a um quarto, ele muda de atributo!

Aquele ataque elétrico em todas as direções provavelmente era uma ação garantida da transição de fase. Um ataque especial feito para paralisar classes corpo a corpo que estivessem coladas no boss — um clássico golpe mata-novato.

— Незначи—

(Purifica—)

Diante da primeira alteração de status do grupo, Maria começou a entoar o feitiço com vários segundos de atraso. Mas, quase ao mesmo tempo, o ciclope apontou suavemente o dedo indicador direito para ela.

Então, ao ver a enorme boca dele se abrindo devagar, Maria cometeu um erro fatal.

— Малы—

(Barrei—)

Percebendo que um ataque mágico estava vindo, Maria instintivamente trocou o encantamento.

"Tenham extremo cuidado com a pronúncia. Se um encantamento for pronunciado incorretamente, o feitiço pode sair errado. Todos os anos, um número considerável de pessoas perde a vida em acidentes mágicos."

Ela havia se esquecido completamente do aviso que tinham recebido no castelo real.

Como resultado—

— Ah!?

Uma faísca de luz estalou na ponta de seu cajado sagrado, e os dois feitiços interrompidos se dissiparam. Enquanto Maria ficava paralisada pelo rebote, a magia do ciclope foi ativada.

Blitz.

Com um som como se o próprio ar tivesse explodido, um raio irrompeu do dedo grosso do ciclope e avançou contra Maria. Alisa entrou na frente dela para bloquear.

Mas aquilo também foi um erro fatal.

— Ah!

Um choque percorreu todo o corpo de Alisa. No entanto, talvez como esperado da Heroína, ela não desabou e, em vez disso, firmou bem os pés. Só que—

— Ah!

O relâmpago mágico atravessou Alisa em linha reta e atingiu Maria, que estava atrás dela. Seja por falta de resistência a alterações de status, seja por puro azar, Maria, assim como Masachika, foi paralisada e caiu no chão.

Isso é ruim...!

Masachika testemunhou a cena enquanto estava deitado de costas, e uma onda de perigo percorreu todo o seu corpo.

Dois dos três membros do grupo estavam paralisados. A única restante também havia ficado brevemente atordoada.

Se Alisa estivesse ilesa, poderia ter usado um item para curar Maria, e então a magia de Maria poderia ter curado Masachika.

Mas, como Alisa não havia percebido que magia de atributo elétrico tinha efeito perfurante e se jogou na trajetória do ataque, essa possibilidade desapareceu.

Agora não havia como impedir o próximo ataque do ciclope.

— «ENCHANT: THUNDER».

Então veio um encantamento sinistro, que alimentou ainda mais a sensação de perigo de Masachika. Ao erguer os olhos, ele viu a clava de ferro na mão do ciclope crepitando violentamente com eletricidade.

—!

Era uma magia que imbuía uma arma com um atributo, causando dano elemental adicional ao mesmo tempo que o ataque. Com aquilo, mesmo que Masachika tentasse interceptar o golpe com o grimório, como fizera antes, provavelmente receberia dano elétrico e ficaria paralisado de novo.

Por favor... pelo menos venha atrás de mim...!

Mas a oração de Masachika foi em vão. O ciclope voltou o olhar para Alisa e Maria. Então, com um rugido, iniciou uma investida feroz.

"Levante! A paralisia já passou!"

—!!

Ao mesmo tempo, o grito de Yuki ecoou dentro de sua cabeça, e Masachika saltou de pé.

Alguns instantes atrasado, ele começou a correr, tentando de alguma forma se colocar entre Alisa e o ciclope.

Mas—

— Droga! Não vou chegar a tempo!

Em termos de atributos de velocidade, Masachika provavelmente era superior, mas o comprimento das passadas era diferente demais. Não havia tempo suficiente para dar a volta e se colocar diante dele. Na melhor das hipóteses, ele poderia ultrapassá-lo pela lateral e acertar um único golpe ao passar.

E, mesmo assim, não fazia ideia de quão eficaz aquilo seria contra a dura superfície do corpo do monstro.

O que eu faço? Tem alguma coisa? Qualquer coisa? Algum ataque eficaz que possa parar as pernas dele...!

Enquanto Masachika pensava desesperadamente, a voz de Yuki ecoou em sua mente outra vez.

"Acalme-se, Mestre. Você aprendeu isso lutando contra coelhos cornudos e goblins, não foi? Os monstros deste mundo ainda têm pontos fracos biológicos. Acerte um chifre, e você pode causar uma concussão. Acerte a garganta, e eles começarão a tossir. Em outras palavras—"

—!

Naquele instante, Masachika teve uma inspiração. Correndo como se fosse ultrapassar o ciclope pelo lado esquerdo, ele concentrou cada nervo do corpo e aguardou o momento certo.

O enorme pé esquerdo tocou o chão primeiro com o calcanhar. Pressionou o solo com firmeza, ergueu-se até a ponta dos dedos e chutou para trás.

Agora... agora...

O pé erguido desacelerou, parou e então avançou com força.

— Agora!

No exato instante em que o pé esquerdo balançou para a frente, rente ao chão, Masachika golpeou com o grimório, usando toda a sua força, a ponta do dedo mindinho.

— Toma essa! Ataque Cuidado com a Quina da Cômodaaaa!!

Um estalo surdo ecoou pelo vale, e o ciclope cambaleou a vários metros de Alisa.

Um golpe brutal no dedo mindinho.

Havia apenas uma coisa que qualquer pessoa, em qualquer lugar do mundo e em qualquer momento da história, faria depois de receber um ataque desses.

Ou seja—

— Guaaaaah!?

Levaria a mão ao dedo mindinho recém-atingido.

E, de fato, depois de dar vários passinhos desajeitados e miúdos, o ciclope se agachou e envolveu o pé esquerdo com a mão.

Mas isso o colocou exatamente dentro do alcance de Alisa.

— Haaaaah!

Diante do gigantesco globo ocular que havia descido bem à sua frente, Alisa segurou a espada sagrada baixa, junto à cintura. Então, enquanto gritava o nome da técnica, empurrou a espada para a frente com toda a força.

— «Перфоратор»!

(Perfurador de Rochas!)

Uma luz tênue — aparentemente chamada de aura de batalha — envolveu a espada sagrada, indicando a ativação de uma técnica de arma. Com o impulso da estocada, a lâmina atravessou em linha reta o olho do ciclope e saiu pela parte de trás de sua cabeça.

A barra de HP flutuando acima dele instantaneamente ficou vermelha e foi destruída sem resistência.

— Goaaaaaaah!!

Com um grito de morte digno de boss, o ciclope torceu o corpo e desabou sem forças em direção ao chão—

Apenas para se transformar em luz e desaparecer no meio da queda.

Logo depois, no canto da visão de Masachika, surgiu uma mensagem exibindo os pontos de experiência obtidos e informando que seu nível havia subido quatro de uma vez.

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📖✨ Este capítulo foi traduzido por Slag e revisado por Shisui

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Fim da leitura

Capítulo 133 concluído

Spinoff – Capítulo 2 – Capítulo 2: Baús de Tesouro São Cheios de Sonhos