Alya às Vezes Esconde seus Sentimentos em RussoSpinoff – Capítulo 3 – Capítulo 3: Uniformes de Empregada e Montarias
Capítulo 134— UFAA... Essa foi por muito pouco...
Depois de verificar a mensagem exibida no canto de sua visão, Masachika soltou um suspiro de alívio e caiu de joelhos onde estava. Olhando apenas para o resultado, os três haviam saído da batalha praticamente sem sofrer danos. O HP de todos permaneceu acima de oitenta por cento durante toda a luta, então era justo chamá-la de uma vitória perfeita.
Mas tinha sido perigoso.
No fim, não seria exagero dizer que a formação deles havia se desfeito completamente. Se a batalha tivesse se prolongado por mais alguns instantes, alguém poderia facilmente ter sido derrotado antes de conseguir se recuperar.
— Aaaah... Foi tão assustador~~~. Desculpem... Eu errei uma das minhas magias.
— Não, eu também fui descuidado...
Diante do lamento de Maria, Masachika também reconheceu seu próprio erro.
— Eu também agi por impulso e entrei na frente do raio... Eu deveria ter empurrado a Masha para fora do caminho.
Alisa, por sua vez, lamentou ter se lançado na frente do raio.
— Você não pode se culpar por não conseguir tomar essa decisão em uma fração de segundo. Além disso, no fim das contas, você ainda conseguiu derrotá-lo.
Masachika lembrou que era impossível fazer tudo perfeitamente em uma situação daquelas. No final, Alisa havia conseguido derrotar o inimigo.
— Isso mesmo, isso mesmo! Eu estava assistindo lá de trás, e a Alya-chan estava tããão incrível!
— Obrigada... Você também fez um ótimo trabalho, Masachika-kun... Embora eu ainda tenha minhas dúvidas sobre o nome daquela habilidade.
— E-Ei, não toca nesse assunto. Além disso, se estamos falando de nomes de habilidades constrangedores, você não tem moral para reclamar.
— Nem me lembra... Não é como se eu tivesse escolha. São as habilidades.
— Pelo visto, quando você se acostuma, consegue ativar as habilidades sem precisar dizer o nome delas em voz alta... Mas, se os nomes das habilidades fossem em japonês, acho que eu também conseguiria usá-las. Por que será que eu não recebo nenhuma habilidade de combate corpo a corpo?
— Eu também não tenho nenhuma assim~. Talvez as habilidades que você pode aprender dependam da sua classe? — Maria acabou entrando na conversa.
— Isso parece bem provável... Ah, é mesmo! Então por que as magias demoníacas estão em inglês!? Se estão em inglês, eu também deveria conseguir usá-las! — Masachika se empolgou com a possibilidade de finalmente poder usar magia.
— Você realmente consegue pronunciar inglês como um nativo?
A animação de Masachika foi imediatamente cortada por Alisa.
— Agora que você falou... Não tenho tanta confiança assim.
(N/SLAG: Tá faltando um Mago Arena aí, hein.)
Enquanto continuavam conversando, deixaram o Vale Ressequido para trás e seguiram em direção à nova cidade que havia surgido ao longe.
— E... já chegamos.
— Foi uma bela de uma viagem instantânea.
— Haha... Ainda parece meio estranho~.
Quando perceberam, um enorme portão já estava bem diante deles. Os três trocaram sorrisos constrangidos. Ainda assim, não adiantava mais se preocupar com aquilo. No momento em que estavam prestes a atravessar o portão, um dos guardas de repente os chamou.
— Vocês vão atravessar a fronteira? Então é melhor passarem no Estábulo de Montarias e comprarem uma montaria.
— Uma metralhadora?
(N/SLAG: Alya confunde kijou (騎獣), que significa montaria ou fera de montaria, com kijou (機銃), que significa metralhadora. As duas palavras têm exatamente a mesma pronúncia em japonês)
"Uma metralhadora? Num mundo de fantasia? Isso é hilário."
Yuki não conseguiu evitar se divertir com aquilo.
— Alya... Acho que você entendeu errado. Ele quis dizer uma montaria, um animal para cavalgar. Este é um mundo de fantasia, então provavelmente existem montarias além de cavalos.
— A-Ah... É mesmo...
Ao ver Alisa encolher os ombros, envergonhada, Masachika voltou sua atenção para o guarda.
— Estamos indo para a fortaleza além daqui... Fica tão longe assim?
— Hm? Nem tanto... Mas aquelas estradas na montanha são complicadas se forem percorridas a pé. Além disso, ter uma montaria torna a viagem muito mais fácil!
— Entendo.
Ao que tudo indicava, neste mundo, monstros com aparência de animais, como Coelhos Cornudo e Lobos Cornudos, eram chamados de bestas mágicas, enquanto monstros humanoides, como goblins e orcs, eram conhecidos como demônios.
O segundo não podia ser domesticado, mas o primeiro podia. Isso significava que um Estábulo de Montarias provavelmente era uma loja que vendia bestas mágicas domesticadas.
— A propósito... onde fica exatamente esse Estábulo de Montarias?
— Ah, isso é fácil...
Depois de receber as instruções do simpático guarda, eles seguiram em direção ao local.
— Então é aqui que desbloqueamos o transporte, hein... Faz sentido. Parece que estamos entrando na segunda metade do jogo, e conseguir uma montaria para aumentar a mobilidade é praticamente obrigatório.
Enquanto Masachika murmurava para si mesmo, Maria — que parecia muito mais familiarizada com cenários de fantasia do que Alisa — sorriu, encantada.
— Ah! Eu conheço isso! Você monta em pássaros gigantes ou naqueles bichinhos que parecem dinossauros, né~?
— Dinossauros? Hum... eles são mesmo seguros? Não vão morder a gente?
— Acho que não... Mas, agora que você falou... se isso fosse de verdade, acho que sempre existiria a possibilidade de uma fera domesticado atacar o próprio dono...
Ao ouvir uma pergunta tão inocente de alguém que não conhecia muito o gênero, Masachika pensou:
Eu nunca nem tinha considerado isso.
— Mas tenho certeza de que existe algum tipo de medida de segurança. Talvez alguma magia impeça que eles machuquem seus donos.
— De certo modo... isso também parece bem complicado.
— É. Pensando bem, isso seria praticamente controle mental... Nesse caso, talvez seja melhor escolher alguma coisa que pareça inofensiva. Não é como se estivéssemos esperando que nossas montarias lutassem.
— Isso mesmo! Se possível, eu queria uma bem fofinha. Talvez um gatão enorme!
— Isso parece incrivelmente difícil de montar... Além disso, agora que parei para pensar... nem sei se conseguiria montar num cavalo.
— Pensando bem... nem eu nem a Alya-chan sabemos montar.
— Anham... E, mesmo que soubéssemos, duvido que conseguíssemos atravessar trilhas de montanha montados.
Ao perceberem esse problema fundamental, os três pararam e se entreolharam. Ainda assim, depois de o jogo praticamente esfregar aquilo na cara deles, ignorar o Estábulo de Montarias nem parecia uma opção.
— Bom, vamos primeiro ver o que eles têm. Vai que existe algum tipo de sela mágica que impede os iniciantes de cair.
— Você tem razão.
— Será que eles têm um gatão gigante~?
— Pensando com calma, Masha-san... você não está basicamente descrevendo um leão?
Continuando a conversa, eles caminharam pela cidade até que o Estábulo de Montarias surgiu à vista. O guarda havia dado apenas instruções gerais, mas era impossível não encontrá-lo. O motivo era simples. Enquanto todos os outros prédios pareciam estranhamente vagos, quase como do cenário de fundo, apenas aquele possuía contornos nítidos e bem definidos. Ele se destacava tanto que praticamente gritava: local importante.
— Achei a mesma coisa da loja de armas e do Santuário da Purificação... É meio estranho que só os lugares importantes para a história tenham gráficos visivelmente melhores.
— A essa altura, acho melhor simplesmente pararmos de questionar isso.
Com expressões um tanto incertas, o grupo entrou no prédio e se aproximou do comerciante barbudo, cujo modelo — ao contrário dos inúmeros NPCs genéricos que haviam encontrado até então — era claramente muito mais detalhado.
Ele os conduziu até a saída dos fundos. Ao atravessarem a porta, deram de cara com um enorme estábulo de madeira.
— As montarias estão aí dentro. Algumas têm um temperamento bem ruim, então não saiam estendendo a mão sem pensar, entenderam?
— C-Certo.
Masachika respondeu enquanto olhava ao redor, inclinando a cabeça.
….Agora que parei para pensar, por que um lugar desses fica bem no meio da cidade? Não existe espaço para essas bestas mágicas correrem e se manterem saudáveis. E se alguma escapar?
Ah... é verdade~. Normalmente um lugar desses ficaria no interior, com um rancho enorme ou algo assim.
...Vamos simplesmente... parar de questionar essas coisas.
Masachika, Maria e Alisa, cada um compartilhando silenciosamente a mesma sensação de estranheza, entraram no estábulo. No instante em que cruzaram a entrada, porém, todas aquelas pequenas dúvidas desapareceram.
— Uau... Isso é incrível!
— D-Dinossauros!? Tem mesmo criaturas que parecem dinossauros!
— Uaaau! A gente pode montar neles de verdade~? Isso é incrível!
Dentro do estábulo havia todo tipo de montaria imaginável: desde bestas mágicas semelhantes a cavalos até enormes aves parecidas com avestruzes, além de criaturas muito parecidas com pequenos dinossauros carnívoros.
— Será que é realmente seguro manter todos eles juntos?
Decidindo não se prender a mais um mistério, os três passearam pelo estábulo como turistas visitando um lugar pela primeira vez.
— Em termos de resistência, nada supera os do tipo cavalo — explicou o comerciante. — Para terrenos acidentados, os tipos ave ou as cabras-da-montanha são a melhor escolha. Já os tipos raptor são úteis em combate, mas dão trabalho para alimentar e fazem um barulho dos infernos.
Enquanto ouvia a explicação distraidamente, Masachika estendeu a mão para uma besta mágica semelhante a um cavalo que bebia água em um cocho.
— Vendo de perto, os do tipo cavalo realmente parecem os mais confiáveis... Mesmo que esse tenha um chifre.
A besta apenas virou a cabeça para o outro lado e soltou um bufido de desdém, ignorando sua mão.
Observando atentamente a cena, Yuki comentou:
"...Isso não é simplesmente um unicórnio? Ele até é branco."
— Hã?... Agora que você falou...
Talvez ele já estivesse dessensibilizado depois de ver coelhos com chifres e lobos com chifres. Mas um cavalo branco com um único chifre… Pelos padrões do mundo de onde ele veio, aquilo era, sem dúvida, um unicórnio.
— Uau... Ele é lindo~.
— Nunca vi um cavalo tão branco assim...
Maria e Alisa o admiravam, maravilhadas. Ao contrário do que aconteceu com Masachika, o cavalo branco de chifre esfregou carinhosamente o rosto nas duas.
.......... ....
"Olha só a diferença de tratamento... Então ele realmente é um unicórnio, né?... Espera... Isso quer dizer que as duas são... Hã? Mas a Masha já não tem namorado?"
— Para de tirar conclusões nojentas! É só um cavalo com um chifre! Só isso!
Mesmo sabendo que não adiantaria de nada, Masachika instintivamente deu um cascudo em Yuki. Enquanto isso, Alisa se afastou do unicórnio, observando-o com certa insegurança.
— Hum... Mesmo assim, ele é um pouco intimidador por ser tão grande. Acho que eu me sentiria mais confortável montando em algo do tamanho daquelas cabras-da-montanha.
— Eu também acho~. Hum... Será que eles têm algum gatão gigante~?
Mesmo naquele momento, Maria continuava procurando um felino enorme no seu próprio ritmo, arrancando um sorriso torto de Masachika.
— Pelo que estou vendo... acho que eles não têm gatos.
— Hum... Então um cachorrão bem grandão também serve~.
— Isso não seria o que normalmente chamam de lobo?
Enquanto respondia o óbvio, Masachika lançou um olhar casual para uma das baias——
E lá estava… Um cachorrinho. Ou melhor… Uma humana com orelhas e cauda de cachorro.
Sentada em silêncio dentro de uma caixa de papelão, sobre uma cama de palha — uma visão que destruía completamente a atmosfera de fantasia —, estava uma garota beastkin.
(N/SLAG: Beastkin são seres que misturam traços de humanos e animais, como orelhas, caudas ou a habilidade de mudar de forma.)
Pendurado em seu pescoço havia um pequeno quadro branco, igualmente deslocado daquele cenário. Nele, em japonês, estava escrito: "Por favor, me leve para casa."
Ou melhor… Não importava por qual ângulo ele olhasse...
"Essa é a Ayano."
Yuki estava absolutamente certa. Era a Ayano. Ela estava até usando seu uniforme de empregada. Só que, por algum motivo, essa versão era muito mais reveladora, deixando sua barriga à mostra sem nenhuma explicação.
— O que exatamente você está fazendo?
A cena tinha toda a aparência de tráfico humano… Exceto pelo fato de que não havia a menor sensação de tensão. Se havia algum sentimento predominante, era apenas o absurdo. As pernas de Masachika quase cederam enquanto ele encarava a garota.
Sem dizer uma única palavra ou mudar sua expressão, Ayano apenas ergueu e abaixou insistentemente o quadro branco.
"Por favor, me leve para casa."
— Na verdade, isso não deveria dizer "Por favor, me compre"...?
— Hm? Ah, não. Ela não está à venda.
— Hã?
Quando se virou, Masachika encontrou o comerciante ao seu lado, acariciando a barba com uma expressão preocupada.
— Encontrei essa garota ontem à noite, quando fui limpar uma das baias vazias. Ela já tinha se instalado por conta própria. Como não parecia perigosa, deixei ela aí.
— Por que simplesmente deixou ela aí? Espera... É porque os beastkins são tratados como animais neste mun... Quer dizer, neste país?
— Hã? Nada disso. Eles são tratados igualzinho aos humanos.
— Então por que deixou ela aí?
— Bom... Ontem, quando encontrei ela, a placa dizia...
Ele apontou para o quadro branco.
"NÃO PERTURBE — Por favor, não me acorde."
— Isso aqui é um hotel por acaso?
Masachika se virou imediatamente para Ayano e disparou a pergunta. Ela permaneceu completamente inexpressiva. A única resposta foi balançar delicadamente o quadro branco mais uma vez.
...E, olhando com mais atenção… Sua cauda de cachorro também estava abanando.
Ela saía pela lateral da caixa de papelão e balançava animadamente de um lado para o outro, como se estivesse cheia de expectativa.
— Ei, garoto... Se você se interessou por ela, por que não a leva? Pelo jeito, é exatamente isso que ela está esperando.
— Bom... Eu não me importaria, mas... deixa eu perguntar para o resto do grupo primeiro.
Depois de chamar Alisa e Maria, as duas ficaram tão surpresas quanto ele ao encontrar Ayano fazendo propaganda de si mesma para adoção, como um filhotinho abandonado daqueles comerciais antigos de televisão.
Ainda assim, rapidamente concordaram em deixá-la entrar para o grupo. No fim das contas, o impacto de encontrar Ayano foi tão grande que acabou ofuscando completamente o verdadeiro motivo da visita.
Eles simplesmente esqueceram de escolher as montarias. Saindo do estábulo com Ayano a tiracolo, os três trocaram olhares confusos.
...Afinal, que merda tá acontecendo aqui?
Observando a caixa de papelão continuar acompanhando Ayano para onde quer que ela fosse, Masachika não conseguiu deixar de se perguntar como aquilo funcionava. Enquanto isso, Alisa, ainda segurando a mão de Ayano após terminar de adicioná-la ao grupo, falou com uma expressão intrigada.
— Adicionei ela ao grupo... e realmente aparece como Kimishima-san. Pelo menos o nome bate... Embora a raça esteja registrada como Povo-Cão.
— Bom, a Yuki acabou virando uma fada ou coisa parecida, não foi? Acho que não vale a pena ficar pensando nisso.
— A classe dela é Empregada... Isso realmente combina~. Mas... empregadas conseguem lutar?
— Quem sabe? Ela tem um monte de habilidades relacionadas à furtividade, então provavelmente luta como uma assassina...
Além disso, ela possuía até uma habilidade única.
Habilidade: «Uma Empregada de Verdade Deve Ser Como o Ar»
Efeito: Ao concentrar a mente, a usuária pode se tornar "como o ar".
……...
Masachika ficou em silêncio, encarando o nome absurdamente enfático da habilidade e sua descrição desesperadoramente vaga. Foi então que Alisa voltou a falar.
— Mesmo assim, sem uma arma ela não vai conseguir fazer muita coisa. Não deveríamos comprar uma para ela?
Masachika estava prestes a concordar quando alguém puxou delicadamente a manga de seu manto. Ao se virar, encontrou Ayano olhando silenciosamente para ele. Sem qualquer aviso, ela ergueu a barra da saia de empregada.
Presos por tiras de couro, perfeitamente alinhados sobre sua coxa exposta… havia uma fileira inteira de lapiseiras.
Ela fechou os olhos e ergueu levemente o queixo, com uma expressão de orgulho. Não chegou a estufar o peito nem fazer uma pose triunfante… Mas, de alguma forma, transmitia exatamente essa sensação.
As irmãs Kujou, que haviam congelado diante da cena repentina, inclinaram a cabeça, confusas.
— Hum... essas são as armas dela?
— Deixa eu conferir. Elas realmente aparecem no menu de equipamento como arma… — Alisa fez uma breve pausa.
Arma: «Algo Parecido com uma Lapiseira.»
— Espera... mas isso não são simplesmente lapiseiras?
— Mais importante... por que ela não disse uma única palavra desde que a encontramos? — Masachika olhou para Ayano, esperando alguma reação. Ela apenas inclinou a cabeça.
Pensando que talvez ela estivesse sob algum tipo de efeito negativo, ele abriu seu menu de status. Não havia nada.
— Hum... Tudo bem, deixa pra lá. No mínimo, ela precisa de uma armadura.
Seu olhar desceu para o uniforme de empregada exageradamente revelador de Ayano. Provavelmente ele havia sido desenhado daquele jeito para acomodar a cauda de cachorro…
O uniforme era dividido em duas peças, deixando completamente exposta a região entre a cintura e logo abaixo do peito. A parte de cima, sem mangas, fazia a roupa parecer mais um traje de banho do que um uniforme de empregada. Para piorar, as costas eram presas apenas por cordões cruzados, deixando praticamente toda aquela região descoberta.
Ela estava completamente indefesa contra ataques vindos por trás.
"Hoho... Exibir as costas com tanta ousadia... Ela claramente entende onde está seu maior charme."
'Você é literalmente a única pessoa obcecada pelas costas da Ayano."
Ignorando o comentário absurdo de Yuki, Masachika voltou-se para Alisa e Maria.
— De qualquer forma... acho melhor providenciarmos algo mais resistente para ela vestir.
— Concordo.
— Uhum~. Mas essa roupa é uma gracinha.
—!
No instante em que Maria disse isso, a cauda de Ayano eriçou. Seu corpo inteiro começou a balançar energicamente de um lado para o outro.
— O-O que deu nela?
Ao baixar os olhos, Masachika viu Ayano projetar o corpo para a frente e virar o quadro branco pendurado em seu pescoço.
No verso estava escrito: "NÃO PRECISO."
— Mesmo que você diga isso, não podemos levá-la para uma batalha usando algo que praticamente não oferece nenhuma proteção.
Masachika respondeu calmamente, embora instintivamente tivesse recuado um passo. Em resposta, Ayano começou a balançar o corpo com ainda mais força antes de virar novamente o quadro.
"ESTE É O MEU UNIFORME DE COMBATE!"
— Falando sério... como é que esse negócio funciona?
Cada vez que ela virava o quadro, uma mensagem completamente diferente aparecia. Sem conseguir mais se conter, Masachika finalmente deixou escapar a pergunta.
Ayano apenas inclinou a cabeça, confusa. Suspirando, Masachika abriu o menu e selecionou o quadro branco listado entre os equipamentos dela.
Item: «Algo Parecido com um Quadro Branco.»
— Ah, vai se ferrar.
Nem o nome do item, nem sua descrição explicavam absolutamente nada. Já que estava ali, Masachika também selecionou a caixa de papelão que, de alguma forma, vinha seguindo Ayano desde que a conheceram.
Item: «Algo Parecido com uma Caixa de Papelão.»
………..
Sem dizer uma palavra, Masachika apenas fechou o menu com um movimento da mão.
— Bom... ela claramente não quer, mas vamos fazê-la usar uma armadura de qualquer jeito. Do contrário, é perigoso demais.
— Concordo.
— Eu também voto que sim~.
—!!
Concluindo, mais uma vez, que existiam mistérios simplesmente impossíveis de compreender, o grupo seguiu em direção à loja de armaduras.
⋆⋅☆⋅⋆
Quarenta minutos depois...
…….
Parada do lado de fora da loja de armas e armaduras estava Ayano.
No fim das contas, ela havia se recusado terminantemente a tirar o uniforme de empregada e rejeitado todas as peças de armadura metálica usando o corpo inteiro para demonstrar sua oposição. Depois de muita negociação, conseguiram convencê-la apenas a vestir um manto por cima do uniforme.
Mesmo assim… Ayano continuava claramente insatisfeita. Ela não parava de se remexer.
...Ela parece um cachorro obrigado a usar uma roupa que odeia.
O manto inclusive possuía uma abertura feita especialmente para que sua cauda pudesse passar. E essa mesma cauda continuava balançando de um lado para o outro sem parar. Quem observava a cena com um sorriso completamente derretido era Maria.
— Aaaah A Ayano-chan é tão fofinha♡.
— Tá, tá. Já chega de babar por ela e vamos logo.
Masachika, cansado de esperar, chamou o grupo.
Alisa sorriu, impotente: — Vamos, Kimishima-san... Ah, espera... será que as pessoas deste mundo sequer usam sobrenomes? Hum... Ayano-san, você também.
Ayano abaixou levemente a cabeça. Mesmo assim… Continuou se remexendo sem parar.
— Ayano-san?
…...?
— O que você está fazendo?
Olhando com mais atenção, os três perceberam que suas mãos se moviam agitadamente por baixo do manto. Então, sem dizer uma única palavra...
Ayano abriu completamente a parte da frente do manto. O mistério foi esclarecido na mesma hora.
Costurados cuidadosamente no forro interno do manto havia inúmeros bolsos cilíndricos. Cada um deles continha… Mais uma lapiseira. Ou melhor… «Algo Parecido com uma Lapiseira.»
…....
….…...
…………...
Os três apenas ficaram encarando. De alguma forma, Ayano transmitia perfeitamente a sensação de estar dizendo, com orgulho: "Humph."
Mesmo sem ter emitido qualquer som.
...Como ela costurou todos esses bolsos...? E, mais importante... por que agora existem ainda mais lapiseiras?
Masachika decidiu que simplesmente não existia uma resposta capaz de satisfazê-lo. Então apenas balançou a cabeça e resolveu seguir em frente.
— Certo! Próxima parada: a loja de itens. Quem sabe eles tenham mercadorias novas... ou pelo menos coisas que não vendiam na cidade anterior.
— Tudo bem... mas nada de desperdiçar dinheiro desta vez.
— Desperdiçar dinheiro é um pouco pesado, não acha?
— Se você compra itens que absolutamente ninguém faz ideia de como usar, como mais eu deveria chamar isso?
— Só porque a gente ainda não sabe para que eles servem não significa que vão continuar inúteis para sempre. Se deixarmos de comprar e eles se tornarem importantes mais tarde, aí já vai ser tarde demais.
Aproveitando ao máximo o inventário praticamente ilimitado, Masachika seguia a clássica filosofia dos RPGs: "Compre um de cada. Nunca se sabe quando vai precisar."
— Uhum, uhum~. Acho que comprar pelo menos um de cada coisa é uma boa ideia.
Já Masha simplesmente adorava fazer compras. Diante daqueles dois, Alisa — que acreditava firmemente que dinheiro só deveria ser gasto com o necessário — soltou o que já devia ser seu quinto suspiro do dia.
Ainda assim, tirando os suprimentos de uso coletivo, como poções, cada um pagava pelas próprias compras, então ela não tinha muito espaço para reclamar.
Derrotada mais uma vez pela decisão da maioria, Alisa acabou cedendo, ainda que de má vontade.
Masachika começou a caminhar em direção à loja de itens… Mas alguém puxou de leve a manga de seu manto. Ayano ergueu seu quadro branco.
"Não vamos à Loja de Magia?"
Masachika trocou um olhar confuso com Alisa e Maria antes de responder.
— Loja de Magia? Bem... Nunca tive um motivo para ir. Além disso, eu nem consigo usar magia.
...?
— Eu não consigo recitar encantamentos. Então não posso lançar feitiços.
Ele respondeu em tom de brincadeira. Ayano inclinou lentamente a cabeça para o lado oposto antes de virar o quadro.
"Pergaminhos de magia não precisam de encantamentos."
— O quê……..?
Ela virou o quadro novamente.
"Eles são ativados apenas ao serem abertos."
— Sério!?
A revelação deixou não apenas Masachika, mas também as irmãs Kujou completamente surpresos.
— Sério~? Então o Kuze-kun finalmente vai poder usar magia também!
— Exatamente! Parece que finalmente chegou a hora da classe Sábio mostrar seu valor!
— Obrigado por nos contar... Ayano-san.
— Certo! Então vamos para a Loja de Magia! Nos guie, Ayano!
Cheios de empolgação, os quatro seguiram às pressas para a loja.
⋆⋅☆⋅⋆
Dez minutos depois...
— Não era isso que eu estava esperando.
"...É mais ou menos assim que pergaminhos funcionam em qualquer RPG."
— Se você sabia disso, podia ter falado antes!
Masachika lançou um olhar ressentido para Yuki. Para ser justo, pela explicação da Ayano ele já havia imaginado que os pergaminhos não eram itens que ensinavam feitiços permanentemente.
Como eram ativados apenas ao serem abertos, ele supôs que fossem consumíveis capazes de lançar uma magia sem gastar MP.
Até aí, tudo bem. O que ele não esperava… era o quão inconvenientes os pergaminhos eram naquele mundo.
Antes de mais nada… só era possível ativar pergaminhos contendo magias que o usuário já tivesse aprendido. Felizmente, isso não era um grande problema para Masachika, já que sua classe era Sábio. O verdadeiro problema… era que o dano causado pelos pergaminhos ignorava completamente o atributo de Ataque Mágico do usuário.
Cada pergaminho possuía um poder fixo. Não importava se quem o utilizasse fosse Masachika ou Alisa: o resultado seria exatamente o mesmo. Além disso, as lojas vendiam apenas pergaminhos com magias de nível intermediário.
Apesar do desempenho apenas mediano… eles custavam uma fortuna. No fim das contas, os pergaminhos eram tratados como um último recurso para magos que haviam esgotado completamente seu MP e aceitavam o prejuízo financeiro apenas para conseguirem sobreviver.
Ayano virou discretamente o quadro branco.
"Peço desculpas por criar expectativas."
— Não, não. Você não tem nada pelo que se desculpar. Eu é que não sabia o suficiente.
Ao ver as orelhas de cachorro de Ayano caírem, demonstrando arrependimento, Masachika tratou de tranquilizá-la.
Do outro lado do balcão, a dona da loja — uma mulher que parecia saída da imagem clássica de uma bruxa, com um longo cachimbo preso entre os dentes — observava o grupo por cima de uma pilha de pergaminhos.
— Então? Vão comprar alguma coisa?
— Hmm... Vamos ver... Vamos levar pergaminhos de ataque intermediário dos cinco elementos… — ele fez uma pausa. — Talvez alguns de defesa também?
— É uma boa ideia. Melhor tê-los para emergências.
— Hum~. Mas eu também consigo usar magias defensivas, então talvez seja melhor priorizar magias ofensivas que eu não possa lançar.
— Faz sentido. Acho melhor focarmos nas magias que a Masha-san ainda não sabe usar.
Diante dos preços absurdos, até Masachika discutiu cuidadosamente cada compra com o grupo.
No final, decidiram comprar:
Dois pergaminhos defensivos para cada um dos três membros do grupo capazes de usar magia (exceto Ayano). Sete pergaminhos ofensivos destinados ao uso exclusivo de Masachika.
— Só nove pergaminhos e já perdi metade das minhas economias...
— Quer que eu ajude a pagar? — Alisa olhou para ele com toda a seriedade. — Fortalecer você é bom para todo mundo.
— Não precisa. Não conseguir usar magia direito é um problema meu.
— Não diga isso. Somos companheiros de equipe. Devemos ajudar uns aos outros.
— Eu agradeço de verdade, mas...
Os dois passaram quase três minutos discutindo de um lado para o outro. Infelizmente para Masachika… Enfrentar as duas irmãs Kujou ao mesmo tempo era uma batalha perdida.
No fim, Alisa e Maria acabaram pagando, cada uma, por dois dos pergaminhos ofensivos de Masachika.
— Estou me sentindo meio culpado.
— Não precisa — Alisa sorriu gentilmente. — Além disso... em vez de pedir desculpas, o certo agora é dizer "obrigado".
— É. — Masachika coçou a bochecha, sem jeito. — Obrigado, Masha-san. Alya.
— Uhum~.
— De nada.
Vendo Maria assentir alegremente enquanto Alisa tentava manter uma expressão serena, Masachika acabou sorrindo.
— Perfeito! Agora posso comprar ainda mais coisas!
— Pois é~! Tem um monte de coisas que a gente nunca viu antes~♪
— Então devolvam o dinheiro!
Ignorando completamente o protesto de Alisa, Masachika e Maria imediatamente começaram a examinar as incontáveis bugigangas suspeitas espalhadas pelas prateleiras. Afinal... Era uma Loja de Magia.
— Oho! Eles têm uma garrafa de licor com uma mandrágora inteira mergulhada dentro!
— Que nojo! E nós nem vamos comprar bebida alcoólica!
— Ah, olha só~! Tem um bichinho de pelúcia aqui… — Maria piscou. — Hã? Por que tem alguma coisa se mexendo lá dentro?
— Larga isso! Coloca de volta na prateleira agora mesmo!
— Ei, essa "Boneca Enforcada" parece realmente útil. Diz que bloqueia uma magia do elemento Trevas lançada por demônios.
— Recusado! Ela é assustadora demais!
— Não, estou falando sério! Isso aqui é realmente útil! Tudo bem que você provavelmente já tem resistência ao elemento Trevas por causa do equipamento de Heroína, Alya, mas...
— Para de segurar ela pela corda!! Só de olhar já estou ficando sem ar!!
Foi assim que começou… O Grande Festival de Intervenção da Alisa.
Enquanto Masachika e Maria — naturalmente acompanhados por Yuki — ficavam cada vez mais empolgados com a coleção de itens mágicos mais estranhos possível, Alisa cumpria diligentemente seu papel de voz da razão do grupo, barrando uma compra absurda atrás da outra.
Quanto à Ayano...
Ela permaneceu, literalmente, como o ar.
"Oh? Esse aqui talvez seja realmente útil. Estou falando sério."
— Hm?
Seguindo a direção apontada por Yuki, Masachika pegou um bracelete roxo e chamou Alisa.
— Ei, Alya. Acho que esse aqui realmente vale a pena comprar.
— Então você admite que os anteriores não valiam?
Alisa o encarou com os olhos semicerrados de puro cansaço. Até Masachika se sentiu um pouquinho culpado. Ele ergueu o bracelete.
— Esse aqui se chama «Bracelete da Troca.» Se duas pessoas usando braceletes pareados os ativarem ao mesmo tempo, elas trocam de lugar instantaneamente.
Ele deu uma rápida olhada na descrição do item.
— É descartável e, pelo visto, também tem um alcance máximo.
— É caro demais para um item de uso único — Alisa cruzou os braços. — Em que situação você usaria isso? Trocar dois combatentes da linha de frente não parece muito útil, e substituir alguém da frente por alguém da retaguarda provavelmente só criaria outro problema.
Sua expressão praticamente dizia: "Você está querendo desperdiçar dinheiro de novo, não é?"
Masachika explicou casualmente a primeira estratégia que lhe veio à cabeça.
— Não, acho que ele seria extremamente útil até entre dois combatentes da linha de frente — ele continuou: — Digamos que eu me machuque. Você assume minha posição na linha de frente enquanto a Masha-san me cura na retaguarda. Quando eu estiver pronto para voltar… — ele ergueu o bracelete — é só ativar isto. Num instante, a Alya é puxada em segurança para trás, enquanto eu apareço bem na frente do inimigo. Também serve como um ataque surpresa.
……...
A expressão de Alisa mudou imediatamente. Ela piscou lentamente. Depois desviou o olhar em silêncio. Seus dedos começaram, distraidamente, a enrolar uma mecha do próprio cabelo.
— Entendi. Bem, acho que tudo bem, não?
— É? Ah... então está tudo bem?
— Bom, se for por esse motivo... então eu também vou comprar um.
— Ah, sim... fico feliz que tenha entendido.
A mudança repentina de atitude deixou Masachika um pouco confuso. Mesmo assim, ele se virou para os outros.
— Masha-san, Ayano... isso parece bem útil. Vamos comprar um para cada um.
Naquele instante, os dedos de Alisa, que estavam mexendo no cabelo, pararam completamente. Seus olhos azuis se voltaram para Masachika, encarando-o com um olhar afiado.
………....
Ela o encarava.
— O-O que foi?
A intenção assassina gelada lançada contra ele a poucos metros de distância fez Masachika recuar por instinto. Mas, quando voltou a olhar… Alisa já havia desviado o rosto com um bufido irritado.
— идиот….
(Idiota…)
O murmúrio quase inaudível escapou em russo. Masachika sentiu um peso invisível cair sobre seus ombros.
De algum jeito, fui xingado... Espera, o quê? Será que... ela esperava que fosse algo de casal? Que a gente usasse itens combinando? ...Não, impossível, né?
Com certeza ela não mudaria completamente de atitude por causa de uma coisa dessas. Descartando imediatamente a hipótese, Masachika começou a procurar outra explicação.
Flutuando preguiçosamente por perto, Yuki apenas balançou a cabeça.
"Nossa... Meu mestre é um caso perdido quando o assunto é entender o coração de uma garota."
ENTRE NO DISCORD PARA FICAR POR DENTRO DOS PRÓXIMOS CAPÍTULOS!
📖✨ Este capítulo foi traduzido por Slag e revisado por Shisui
💬 Quer acompanhar os próximos lançamentos, dar sugestões e trocar ideia com a gente?
Entre no nosso servidor do Discord e faça parte da comunidade! 🚀
Comentários do capítulo 134
Converse sobre este capítulo. Marque spoilers para proteger outros leitores.