Alya às Vezes Esconde seus Sentimentos em Russo — Capítulo 135: Spinoff – Capítulo 4 – Capítulo 4: Parece que Começou um Jogo Completamente Diferente...

Alya às Vezes Esconde seus Sentimentos em Russo
Cap. 135
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Alya às Vezes Esconde seus Sentimentos em Russo

Spinoff – Capítulo 4 – Capítulo 4: Parece que Começou um Jogo Completamente Diferente...

Capítulo 135

4.284 palavras~19 min de leitura

— BEM, O SOL JÁ ESTÁ QUASE se pondo... Que tal passarmos a noite na cidade?

Depois de terminarem suas compras na loja de magia e na loja de itens, Masachika fez a sugestão. Alisa e Maria trocaram um olhar antes de concordarem com um aceno.

— Acho uma boa ideia. Viajar depois que escurece seria perigoso — disse Alisa.

— E também não vai ter mais nenhuma cidade daqui para frente, né? Eu prefiro muito mais dormir numa estalagem de verdade do que acampar ou passar a noite numa fortaleza. Sou totalmente a favor~. Ah! Já que estamos aqui, por que não ficamos na melhor estalagem da cidade!? — sugeriu Maria.

— Nós acabamos de gastar uma fortuna… — disse Alisa.

— Uma coisa não tem nada a ver com a outra~. Ainda temos bastante dinheiro, e dormir bem também é importante, não é? — Perguntou Maria.

— Tá bom. Fazer o quê? — Concordou Alisa por fim.

Com isso resolvido, Masachika e o restante do grupo voltaram em direção ao portão da cidade para perguntar ao simpático guarda — o mesmo que lhes havia contado sobre o Estábulo de Montarias — qual estalagem ele recomendava. Enquanto caminhavam pela rua principal, já quase chegando ao portão, alguém os chamou de repente.

— Ei, vocês aí! Que tal jogar beisebol?

— Hã?

Com uma expressão confusa, Masachika se virou.

A palavra "beisebol" soava completamente deslocada naquele mundo de fantasia. Mais do que isso, a voz parecia estranhamente familiar. Parado ali estava ninguém menos que Takeshi Maruyama.

Tendo uma cidade medieval como cenário ao fundo, ele vestia o uniforme do clube de beisebol da Academia Seirei, carregava um taco apoiado no ombro e uma luva pendurada nele.

Por vários segundos, a mente de Masachika simplesmente parou de funcionar.

— Maruyama? Hã? O que você está fazendo aqui? — perguntou Alisa.

— Hã!? Será que ele também foi invocado para este mundo!? — Ao ver alguém além deles vestido exatamente como no mundo original, Maria exclamou cheia de empolgação.

Por um breve instante, Masachika compartilhou da mesma esperança. Mas...

— Ei, vocês aí! Que tal jogar beisebol? — Maruyama repetiu exatamente a mesma frase, desta vez olhando para Alisa e Maria.

Aquela atitude típica de um NPC destruiu imediatamente as expectativas de Masachika.

— Beisebol? Aquele beisebol?

— Isso mesmo! Eu sou Takeshi, o Garoto Errante do Beisebol. Quer aprender a habilidade «Beisebol» comigo?

— "Garoto Errante do Beisebol"... E que diabos é essa habilidade «Beisebol»...?

O nome absurdamente ridículo da habilidade destruiu por completo a atmosfera de fantasia, arrancando de Masachika um comentário exasperado. Inflando o peito de orgulho, Takeshi explicou:

— A habilidade «Beisebol» é uma habilidade composta que combina a habilidade de combate corpo a corpo «Arte do Taco» com a habilidade de ataque à distância «Arremesso». Com ela, você consegue lutar tanto de perto quanto de longe usando uma única habilidade. Incrível, não é?

— U-Uau... É muito mais séria do que eu imaginava... — disse Masachika.

— É... realmente parece ser. Mas... «Arte do Taco»? — perguntou Alisa.

— Será que aquela loja de armas vendia tacos de beisebol~? Hmm... Pensando bem, usar um taco como arma parece coisa de delinquente... — comentou Maria.

— Talvez tenha algum, se procurar direito. Quem sabe até um taco cheio de pregos? — sugeriu Masachika.

"Parece que seria muito eficaz contra zumbis."

Yuki deixou escapar o comentário, imaginando que uma arma daquelas seria perfeita para enfrentar zumbis.

Enquanto conversavam entre si, Takeshi continuou a explicação.

— Na verdade, «Arte do Taco» é uma habilidade derivada de «Arte do Bastão». Ela não possui tantas técnicas quanto a «Arte do Bastão», mas é muito mais fácil para iniciantes aprenderem.

A observação casual, acompanhada de um confiante sinal de positivo, chamou imediatamente a atenção de Masachika.

— Mais fácil para iniciantes? Isso quer dizer que até alguém de uma classe de retaguarda pode aprendê-la?

— Pode! Desde que consiga sobreviver ao meu treinamento!

Uma oportunidade inesperada de aprender uma habilidade de combate corpo a corpo havia surgido. O Mago de combate corpo a corpo, que nunca havia conseguido aprender sequer uma única habilidade de combate físico apesar de subir incontáveis níveis, não conseguiu conter um sorriso.

— Estou dentro. Vamos jogar beisebol juntos, Takeshi.

— Era exatamente isso que eu queria ouvir!

E assim começou o evento completamente inesperado para adquirir a habilidade «Beisebol».

...Que desmoronou quase imediatamente.

— Você tem um talento assustadoramente ruim.

— EU SEI!!

A primeira tarefa dada por Takeshi era simples: completar dez trocas de bola consecutivas sem cometer nenhum erro.

Infelizmente, a maldição que perseguia Masachika desde criança — como se todas as bolas do mundo guardassem algum rancor pessoal contra ele — aparentemente também havia sido transportada para aquele mundo.

— Como é que você consegue arremessar desse jeito e ainda fazer a bola ir parar lá...? — perguntou Alisa.

— Kuze-kun~, que tal tentar lançar por baixo só uma vez~? — sugeriu Maria.

Enquanto Alisa, Maria e Ayano — que já haviam completado suas dez trocas havia muito tempo — observavam, Masachika ficou tão constrangido que sentiu o rosto pegar fogo.

"Então aquele «Ganho de Experiência ×10» (Esportes com Bola Excluídos) realmente era uma pista desde o começo..."

Yuki pensou, enfim, entendendo o motivo daquela condição estranhamente específica.

— Pois é... Pelo visto era mesmo — murmurou Masachika, com uma expressão amarga.

Ele jamais imaginou que chegaria o dia em que habilidade real com bolas faria diferença. Com uma expressão completamente abatida, Masachika foi buscar mais uma bola que havia voado para uma direção completamente aleatória antes de retornar à sua posição.

Hooo... Concentre-se. Esqueça o orgulho. Eu consigo. Eu consigo.

Respirando lenta e profundamente, ele acalmou a mente. Sentindo cuidadosamente cada movimento do próprio corpo, Masachika iniciou o movimento de arremesso.

…….....!

Sua postura era tão perfeita que até Takeshi prendeu a respiração sem perceber. Ela demonstrava perfeitamente o talento atlético natural de Masachika e sua extraordinária capacidade de aprendizado.

A força fluía suavemente das pernas… para os quadris… dos quadris para os ombros… dos ombros para o braço… e, por fim, era transmitida com perfeição para a bola em sua mão.

— Há!

A bola disparou com uma força explosiva. Naturalmente… Ela passou longe de onde ele pretendia acertar. Em vez disso, bateu diretamente no chão à sua frente e saiu quicando de forma lamentável.

— Você é a primeira pessoa que conheço que não consegue nem brincar de jogar bola. Até os goblins arremessam melhor que isso.

— Então minhas habilidades com bola são piores que as de um goblin. Espera aí... Por que você estava jogando beisebol com goblins, afinal?

— Porque eu sou o Garoto Errante do Beisebol!

— Isso não responde à pergunta.

— Falando sério... Você não acha que já está na hora de desistir?

— Guh... Eu estou mesmo levando sermão de um cara que fala umas coisas tão absurdas assim...!

Receber, ainda que indiretamente, um "você não tem salvação" de alguém que jogava beisebol com goblins feriu um pouco o orgulho de Masachika.

"Sinceramente, acho melhor desistir. Até eu sei o quanto você é péssimo em esportes com bola, Mestre."

— Ngh...!

Até sua irmãzinha concordou calmamente, fazendo Masachika cerrar os dentes de frustração.

— Faça o seu melhor, Kuze-kun~! — O incentivo animado de Maria chegou aos seus ouvidos, fazendo-o erguer a cabeça. Ela acenava vigorosamente com os dois braços. Ao lado dela, os lábios de Alisa se moveram discretamente.

— сделай всё возможное.

(Faça o seu melhor.)

Sua voz mal passava de um sussurro — tão baixa que quase não chegou até ele. Ainda assim, naquele exato instante, Masachika sentiu uma força brotar do fundo do peito.

...! É isso. Vocês têm razão. Como homem, pelo menos uma vez eu preciso mostrar um lado legal meu!

Com a motivação renovada, Masachika não pôde deixar de pensar no quanto era simples de manipular. Mesmo assim, bateu o punho contra a luva com força.

Pá!

— Certo! Mais uma vez!

Observando-o, Takeshi esfregou a parte de baixo do nariz com um dedo.

— Heh... Então é isso que chamam de orgulho de homem... Tenho inveja.

— Hã? Ah... Tá bom.

— Muito bem! Se acha que consegue pegar meu arremesso... então pegue!

— Em que momento isso deixou de ser apenas um jogo de pega-pega?

Sentindo que as palavras de Takeshi carregavam a amargura de um solteirão inveterado, Masachika inclinou a cabeça, confuso. Mas, quando Takeshi assumiu uma postura séria de arremesso, ele voltou a se concentrar imediatamente.

Tudo bem. Os arremessos dele nem são tão rápidos assim. Basta manter a calma e acompanhar a trajetória da bola...

— RAAAAAH!!

— O quê!? Ei!!

Com um grito de guerra exagerado demais para uma simples brincadeira de jogar bola, Takeshi lançou uma bola rápida em chamas na direção de Masachika.

Às pressas, Masachika baixou a luva, que estava posicionada na altura do ombro… Mas a bola, que vinha na direção de seu abdômen, raspou na ponta da luva… e desviou violentamente para baixo.

— GYAAAH!?

Ela acertou exatamente o único lugar onde homem nenhum jamais gostaria de ser atingido. Ao mesmo tempo, todas as lembranças das pancadas que já havia levado naquele ponto passaram diante de seus olhos.

Segurando a virilha, Masachika caiu de joelhos no chão.

— A-Ah... D-Desculpa...

— Uwah...

— I-Isso deve ter doído...

Enquanto Takeshi se desculpava sem jeito, as irmãs Kujo soltavam gemidos de compaixão.

"O taco do Mestre... quebrou."

— Cala a boca………………

Respondendo com muito esforço à piada de duplo sentido da irmã, Masachika percebeu alguém parado ao seu lado. Ao erguer o olhar, viu os sapatos de Ayano... e seu quadro branco.

"Você está bem? Consegue ficar de pé?"

"Consegue ficar de pé? ...A verdadeira questão é se ele vai conseguir se levantar de novo."

Será que dá para você parar...?

Sua irmã insistia nas piadas de duplo sentido, e Masachika a amaldiçoava mentalmente. Enquanto isso, Ayano — sua amiga de infância, que o observava com sincera preocupação — apenas piorava a situação.

Toda a determinação que ele havia reunido desapareceu completamente.

...Quero morrer.

Ele queria mostrar às garotas um lado legal de si. Em vez disso, acabou exibindo talvez a cena menos digna possível para um homem. Seu HP emocional havia oficialmente chegado a zero.

— Takeshi.

— S-Sim?

— Eu desisto de aprender «Beisebol».

— Entendo. É... eu compreendo.

Mantendo a cabeça baixa, Masachika se levantou lentamente. Como homem, Takeshi apenas assentiu em silêncio.

"Então não foi o taco dele que quebrou... foi o espírito."

Sua irmã deu de ombros enquanto fazia a piada mais óbvia possível. Mesmo sabendo que não adiantaria de nada, Masachika a esmagou mentalmente.

⋆⋅☆⋅⋆

Depois disso, Alisa, Maria e Ayano, que haviam concluído com sucesso o desafio de jogar bola, receberam uma nova prova: Acertar a bola com o taco com força suficiente para lançá-la por cima da muralha externa da cidade.

Para surpresa de todos, Maria demonstrou um talento impressionante, concluindo o desafio na quarta tentativa. Alisa conseguiu na sétima. Já Ayano, por mais que tentasse, não conseguia fazer a bola ganhar altura e, após dez tentativas fracassadas, desistiu por vontade própria.

— Muito bem! Isso significa que vocês duas conquistaram a habilidade «Beisebol»! Hehe... Fico feliz por ter mais companheiras de beisebol!

— Companheiras de beisebol...? Ah... certo... — respondeu Alisa, sem saber muito bem como reagir.

— Muito obrigada por dedicar seu tempo para nos ensinar~. Como sou de uma classe de retaguarda, nem sei o quanto isso vai ser útil para mim… — ao ouvir Maria agradecer com um sorriso tímido, Takeshi coçou a nuca, um pouco envergonhado, antes de responder apressadamente:

— N-Não, tenho certeza de que vai ser útil! As montanhas logo à frente são habitadas por monstros chamados Macacos Lentos. Eles atiram frutas silvestres nas pessoas e, se essas frutas acertarem seu corpo, podem causar vários efeitos negativos. Então, em vez de simplesmente receber o golpe, é muito mais eficaz devolver as frutas com um arremesso ou rebatê-las com um taco.

— Você acabou de soltar uma informação incrivelmente útil como se fosse a coisa mais normal do mundo.

A conversa havia mudado repentinamente para uma explicação sobre os monstros da próxima área. Mantendo a expressão séria, Masachika não deixou de comentar enquanto pedia mais detalhes.

...Ah, então era por isso que ele estava esperando perto do portão da cidade. Ele é praticamente um NPC que ensina aos aventureiros como lidar com os monstros que encontrarão na próxima região.

Enquanto refletia sobre isso e continuava conversando com Takeshi, Masachika fez uma última pergunta.

— A propósito... Takeshi.

— O quê?

— Você... aceitaria entrar para o nosso grupo?

Como Ayano havia se juntado a eles, Masachika imaginou que talvez ainda houvesse uma chance. Em vez disso, Takeshi abriu um sorriso cansado enquanto contemplava o pôr do sol.

— Eu sou o Garoto Errante do Beisebol, sabe... Meu sonho é formar times de beisebol em cidades do mundo inteiro e fazê-los competir entre si. Até realizar esse sonho, não pretendo entrar para o time de ninguém.

— Entendo. Embora, para falar a verdade, eu estivesse me referindo ao nosso grupo de aventureiros, não a um time de beisebol...

— Além disso... vocês todos brilham demais. Eu não consigo acompanhar.

— Então esse era o verdadeiro motivo.

Ao ouvir Takeshi murmurar seus verdadeiros sentimentos em voz baixa — num tom que as garotas atrás deles não podiam escutar — Masachika lançou-lhe um olhar de pálpebras semicerradas e decidiu não insistir no assunto.

— Ah, é mesmo. Mais uma coisa. Onde fica a estalagem mais cara da cidade?

— Hã? Uma estalagem? Fica…

⋆⋅☆⋅⋆

Depois de concluírem aquele evento paralelo completamente inesperado, Masachika e as outras seguiram para a estalagem mais luxuosa da cidade, conforme as instruções de Takeshi.

O resultado...

Assim que o prédio entrou em seu campo de visão, todos pararam diante do portão.

— A consistência desse mundo acabou de morrer — declarou Masachika.

— Entre o uniforme do Maruyama-kun e isso aqui... Eu já nem sei mais o que pensar — disse Alisa.

— Uau~! Que jardim lindo~!

………

Enquanto Maria admirava a paisagem com um sorriso radiante, despertando ao mesmo tempo admiração e resignação nos demais, Yuki, sentada sobre o ombro de Masachika, apontou para a placa pendurada acima do portão.

"Ei, Mestre. Olha para cima."

— Para cima?

Seguindo a direção do dedo dela, Masachika ergueu o olhar e encontrou uma grande placa de madeira com belos caracteres escritos em caligrafia: 異街荘. Provavelmente significava algo como "hospedaria de estilo diferente do restante da cidade".

Mas...

"Tá escrito 'você parece surpreso'. Ei, tá falando de você, hein? Hahaha."

— Dá para calar a boca?

(N/SLAG: 異街荘 (Igaiso), nome da hospedaria, é um trocadilho com 意外そう(igaiso), expressão que significa "parecer surpreso" ou "estar com cara de surpresa". Os kanji de 異街荘 sugerem algo como "hospedaria de estilo diferente do restante da cidade".)

Fingindo dar um peteleco na testa da irmã, Masachika atravessou o portão. Lá dentro, uma atendente vestida de quimono… Não. A própria dona da estalagem… os recebeu. A essa altura, Masachika já havia desistido completamente de questionar qualquer coisa.

Como obviamente não seria apropriado homens e mulheres dividirem o mesmo quarto, reservaram um quarto individual para Masachika e outro, para três pessoas, para as garotas.

— O maior orgulho da nossa estalagem é a fonte termal. Sintam-se à vontade para utilizá-la quantas vezes quiserem e recuperar as energias da viagem.

— U-Uma... fonte termal...? Ah, muito obrigado — agradeceu Masachika, pego de surpresa.

— Então realmente existe uma fonte termal... — comentou Alisa.

— Eba! Uma fonte termal~♪ — comemorou Maria, tão animada quanto sempre.

….....

"É mista!? É um banho misto!?"

Masachika deu mais um peteleco imaginário na testa da irmã enquanto eram conduzidos até os quartos.

— Senhor, seu quarto é por aqui. Senhoritas, o de vocês fica logo ali.

— Obrigada... Então, até mais tarde — Alisa se despediu de Masachika.

— Sim.

— Até daqui a pouco~ — declarou Maria.

⋆⋅☆⋅⋆

— Com licença.

Depois de se despedirem das garotas diante dos quartos, Masachika entrou no seu.

O interior… naturalmente… era um autêntico quarto japonês com piso de tatame. Sentindo uma fortíssima sensação de déjà vu em pleno mundo de fantasia, ele simplesmente se jogou de costas sobre o tatame.

— Aaaah... Estou exausto... Bem, não fisicamente. Mentalmente.

Seu corpo ainda parecia estranhamente dormente, a ponto de ele nem conseguir dizer se estava realmente cansado fisicamente.

Ainda assim, considerando que estava acordado havia mais de dezesseis horas seguidas, contando desde antes de chegar àquele mundo, sua cabeça parecia um pouco pesada.

Ou talvez fosse apenas impressão.

"Está se sentindo acabado, Mestre?"

— Estou…..

Enquanto observava Yuki saltitando alegremente à sua frente, Masachika pensou em silêncio:

Você é responsável por pelo menos metade disso.

Yuki pousou de repente sobre sua bochecha e começou a dar leves tapinhas em seu nariz.

"Então vamos! Hora de ir para a fonte termal!"

— Eeeh? Você nem pode entrar.

"Isso não importa! Precisamos descobrir se é um banho misto!"

— Então esse era o seu verdadeiro objetivo.

"Vamos logo~! Você também está curioso, não está?"

— Se isso fosse a vida real... talvez eu ficasse.

Respondeu num tom completamente desanimado.

Mesmo assim, como não tinha mais nada para fazer — e se sentia estranhamente desconfortável permanecendo num quarto em estilo japonês ainda vestido com sua túnica — Masachika pegou um dos yukatas guardados no armário e saiu.

Quase no mesmo instante, as garotas também deixaram o quarto delas, mais adiante no corredor.

— Ah... Vocês três também vão para a fonte termal?

— Sim — respondeu Alisa.

"Oho... Parece que acabamos de ativar uma flag de banho misto..."

Ignorando completamente mais uma das bobagens de sua irmã, Masachika percebeu algo.

— Hã? Cadê os yukatas de vocês?

— Hum? Estão aqui~.

— Hã?

Seguindo a direção apontada por Maria, ele viu que a caixa de papelão flutuando atrás de Ayano carregava três yukatas cuidadosamente dobrados.

Quando Ayano se virou para ele, a caixa deslizou silenciosamente para trás dela outra vez, ainda transportando os três yukatas.

— Então... é assim que você usa essa coisa...

— É bem prático, não é~? Ela carrega automaticamente toda a nossa bagagem — declarou Maria.

— Será que a gente realmente devia aceitar isso só porque é "prático"?

Decidindo que não fazia sentido continuar questionando a misteriosa caixa de papelão mágica, Masachika seguiu para a fonte termal junto das três garotas.

Eles caminharam pelo corredor...

Desceram uma escada...

E seguiram por outro corredor. Por fim, duas cortinas apareceram à frente. Uma azul. Outra vermelha.

Cada uma trazia um único caractere:

Homens.

Mulheres.

"Tsc."

Ignorando o estalo de língua de Yuki, Masachika atravessou a cortina azul como se nada tivesse acontecido...

Então lançou um olhar para a pequena garota sentada em seu ombro.

— Espera. Você vai entrar no banho masculino?

"Hã? Vou. Eu não posso ficar muito longe de você, lembra?"

— Mesmo assim... este é o banho masculino.

"Ah, qual é! Eu preferia mil vezes estar olhando o corpão da Alya-san e da Masha-san! Quem liga para a sua banana? Eu queria era ver os melões da Alya-san e as melancias da Masha-san!"

— Não chama isso de banana.

"Ah? Vai dizer o quê? Que é uma abobrinha? Não acha que isso já é se achar demais?"

— Pelo menos peça desculpas a todos os agricultores do mundo.

Lançando-lhe um olhar cansado, Masachika percebeu que não adiantava continuar discutindo. Ele tirou rapidamente a roupa e a colocou em um cesto. Por um mínimo de consideração pela irmã, enrolou uma toalha na cintura.

De repente, Yuki começou a dar tapinhas repetidas em sua bochecha. (Ele obviamente não conseguia sentir nada.)

— O que foi?

Quando se virou para ela, viu Yuki de braços cruzados, assentindo várias vezes com um ar de admiração.

"Eu admito, Mestre... Você realmente é uma abobrinha."

— Dá para calar a boca de uma vez!?

Empurrando a porta da área dos banhos com força, Masachika entrou.

— Hã. Também não tem ninguém aqui.

Ele observou o amplo banho, aparentemente reservado exclusivamente para ele.

"Bem, seria estranho se houvesse NPCs aqui dentro mesmo."

— NPCs...? Mais importante, quando foi que você trocou de roupa?

Só então ele percebeu que Yuki, de alguma forma, agora usava um maiô escolar.

"Hmph. Como você está claramente decepcionado por não ser um banho misto, resolvi me sacrificar por você."

— Ah, é? Então hoje você acordou ousada.

"Dedada no olho."

Aproveitando sua capacidade de atravessar objetos, Yuki esticou a mão diretamente em direção ao olho direito dele.

— Para com isso.

Masachika desviou a cabeça por um triz antes de caminhar até a área de lavagem e se sentar em um pequeno banquinho de madeira. Em seguida, estendeu a mão para o chuveiro.

— Espera, tem mesmo um chuveiro?!

Só depois de segurar o chuveirinho percebeu o quão absurda era aquela situação. Não havia xampu nem condicionador.

Mas havia sabonete. Havia torneiras. Havia um chuveiro funcionando perfeitamente. Até o espelho estava impecável, sem o menor sinal de desgaste ou distorção.

— A ambientação deste mundo realmente não faz o menor sentido...

Sentindo-se estranhamente esgotado, Masachika se lavou antes de entrar na água da fonte termal.

— Hmm... A sensação é meio estranha.

Ele conseguia sentir o calor agradável envolvendo seu corpo. Mas quase não percebia a água em si, nem a pressão dela contra sua pele.

— Bem... afinal, isto é um sonho...

Murmurando para si mesmo, ficou olhando distraidamente para o teto. Então, quase por reflexo, abriu a tela de menu.

— Pffft!!

Quase cuspiu a água. A tela havia mudado completamente.

— Por que eu estou pelado!?

Gritou por instinto, mas logo percebeu… Na verdade, o modelo do personagem exibido no lado direito da tela fazia todo o sentido. Como ele refletia o equipamento que Masachika estava usando no momento e ele estava sem roupa...

Naturalmente, o modelo 3D também aparecia nu. Essa parte era compreensível. Mas… Por que as informações da janela de status também tinham mudado?

Ao olhar por cima do ombro, viu Yuki sorrindo maliciosamente.

"Número de experiências: Zero, hein? Hehe. Que patético. Naturalmente, o seu número de vezes também é zero... Deixa eu ver... Taxa de desenvolvimento..."

— Isso aqui virou um eroge!?

(N/SLAG: エロゲ=também conhecido como H-game)

Masachika passou a mão pela tela do menu, fechando-a imediatamente. No instante seguinte, percebeu...

...Droga.

Talvez aquela resposta não tivesse sido a mais inteligente.

"Mestre."

— Não. Não diga uma palavra.

Sem sequer olhar para ela, Masachika respondeu num tom incomumente rígido. Yuki o ignorou completamente.

"Vamos ver a tela de status da Alya-san e da Masha-san também!!"

— Você é a pior!

Ele se virou bruscamente para encará-la. Yuki apenas balançou os dedinhos com um sorriso indecente.

"Ah, vamos~. Você também está curioso, não está~? Vai que, com sorte, até aparecem as medidas delas~."

………...

Por um instante, Masachika ficou sem palavras. Então se levantou abruptamente.

— Estou indo embora.

"Espera! Pelo menos deixa eu ver a taxa de desenvolvimento da Ayano! Eu só quero saber o quanto os peitos dela cresceram!"

— Eu não vou olhar isso!! E o que você faria com essa informação!? ...Aliás, deixa pra lá! Nem responde!

Para qualquer outra pessoa, pareceria apenas que ele estava discutindo sozinho enquanto saía furioso da área dos banhos e voltava para seu quarto.

Infelizmente, quando chegou lá… Não havia absolutamente nada para fazer. Por um momento, pensou em verificar os itens guardados no inventário. Mas, como as garotas provavelmente ainda estavam na fonte termal, até abrir o menu parecia constrangedor.

— Hmm… e agora...?

Enquanto olhava ao redor do quarto, algo sobre a mesa baixa chamou sua atenção.

— Nossa. Faz tempo que eu não via um desses.

Era um quebra-cabeça de madeira composto por várias peças geométricas encaixadas dentro de uma moldura quadrada.

— Até isso eles têm? Lembro que dava para montar barcos... animais... um monte de figuras diferentes.

"Ah, sim... Aquele jogo em que ninguém toca, exceto nas excursões da escola, quando celulares e televisão são proibidos."

— Bom, isso é verdade.

Lembrando-se da época em que ele, Takeshi e Hikaru passavam um tempão tentando reproduzir todos os tipos de figuras com aquele quebra-cabeça, Masachika estendeu a mão para as peças de madeira...

— U... Hã!?

Naquele exato instante… sua visão mudou de repente.

⋆⋅☆⋅⋆

— Ora, ora~? Pensando bem agora, Ayano-chan é meio cachorrinha, não é? Existe alguma comida que você não possa comer? Cebolinha, por exemplo?

"Não, nada em especial."

— Ah, é mesmo~? Ainda bem.

— Mesmo que existisse, tenho certeza de que o pessoal da estalagem nos avisaria.

— Acho que você tem razão... Ah, falando nisso. Alya-chan, você está bem? Você lutou sem parar o dia inteiro...

— Resolvi encarar tudo isso como se fosse uma atração de parque de diversões... Mas, vou repetir mais uma vez: isso ainda é um sonho, certo? Meus sentidos continuam meio amortecidos.

— Hmm~... Será~?

— Não adianta ficar pensando nisso — enquanto olhava para o teto, Alisa murmurou: — Ele está demorando...

— O Kuze-kun.

— Hum... Ele disse para jantarmos sem esperar por ele~...

— Mesmo assim, não está demorando demais?

Depois de aproveitarem a fonte termal e descansarem um pouco no quarto, as garotas foram convidadas pela dona da estalagem para jantar. Enquanto aguardavam Masachika, passaram o tempo conversando.

Na hora de descer, chegaram a chamá-lo, mas a única resposta que receberam através da porta foi uma resposta distraída, completamente desligada. Agora, mesmo passados trinta minutos, ele ainda não havia aparecido.

— Bem, não adianta esperar para sempre. Vamos começar a comer.

— Hmm~~, é... Parecia que ele estava ocupado com alguma coisa... Ah, com licença! Poderia servir a comida agora?

Assim, finalmente deram início ao jantar.

Quando já haviam terminado cerca de noventa por cento do luxuoso banquete digno de uma estalagem de alto nível...

Masachika finalmente apareceu.

— Ah, finalmente… Espera.

— ? Kuze-kun, aconteceu alguma coisa? Você parece exausto.

…...?

Apesar de supostamente ter acabado de sair da fonte termal, Masachika parecia completamente acabado. Ao ver sua expressão cansada, Maria perguntou, preocupada. Masachika respondeu apenas com um sorriso fatigado.

— Bem… Sem querer, eu acabei iniciando um minijogo...

— Um minijogo??

— As recompensas por completar eram boas demais para ignorar... Então eu meio que... continuei jogando até chegar ao nível 99.

…..?

As três garotas apenas ficaram olhando para ele, completamente confusas. Enquanto isso, Masachika havia aprendido uma lição extremamente importante. Nunca. Em hipótese alguma. Toque em puzzles aleatórios em um mundo como este.

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📖✨ Este capítulo foi traduzido por Slag e revisado por Shisui

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Fim da leitura

Capítulo 135 concluído

Spinoff – Capítulo 4 – Capítulo 4: Parece que Começou um Jogo Completamente Diferente...