Alya às Vezes Esconde seus Sentimentos em RussoSpinoff – Capítulo 5 – Capítulo 5: Então este é um daqueles eventos de derrota garantida
Capítulo 136NO DIA SEGUINTE, DEPOIS DE reunirem mais algumas informações na estalagem e pela cidade, Masachika e as outras não perderam tempo e partiram rumo à próxima área.
Pensando bem, o Takeshi não estava aqui hoje... Será que ele simplesmente para de aparecer depois que você conclui o evento dele?
Masachika olhou para trás, na direção do lugar onde Takeshi estivera no dia anterior. Sentiu uma leve pontada de solidão, mas logo afastou o pensamento e seguiu em frente.
No fim, eles haviam decidido não comprar uma montaria. Apegar-se desnecessariamente a uma só tornaria as coisas mais difíceis e, mais importante, agora que Ayano havia entrado para o grupo, Masachika imaginava que já tinham ativado a flag de evento relacionada ao estábulo de monstros.
Além disso—
"Vou trabalhar como um cavalo de carga."
— Mas você é um cachorro…
Nota — A expressão japonesa significa "trabalhar extremamente duro" e, literalmente, faz referência a trabalhar como um cavalo de carga. A piada está no fato da Ayano ser canina, o que provoca a resposta de Masachika.
Ao que tudo indicava, ela própria estava se oferecendo para assumir o trabalho. É claro que isso não significava que Ayano pudesse realmente servir de montaria.
De qualquer forma, os atributos dela são bem baixos em quase tudo quando comparados aos nossos...
Mas isso não podia ser evitado. Masachika e as outras duas provavelmente recebiam todo tipo de bônus por possuírem classes especiais. Na verdade, considerando que "Maid" era obviamente uma classe voltada para atividades fora de combate, os atributos da Ayano eram surpreendentemente altos.
Ele ainda ficaria um pouco apreensivo em mandá-la sozinha na frente como batedora, mas ela parecia perfeitamente capaz de participar das batalhas como uma combatente de ataques rápidos.
— Uau, já apareceram inimigos — disse Masachika.
Assim que chegaram a uma trilha nas montanhas, quatro inimigos semelhantes a macacos, cobertos por pelos avermelhados, saltaram das árvores de uma só vez.
Masachika avançou imediatamente. Alisa veio meio passo atrás dele, investindo contra os macacos enquanto eles balançavam o corpo de um lado para o outro, numa espécie de animação de encontro, soltando gritos estridentes.
Masachika desceu seu grimório sobre o macaco da extrema direita praticamente no mesmo instante em que Alisa golpeou com a espada o da extrema esquerda.
Mas—
No último instante possível, os macacos interromperam sua animação de intimidação e saltaram simultaneamente para trás, esquivando-se rapidamente dos ataques.
Depois que os quatro abriram distância, enfiaram as mãos nas pequenas bolsas penduradas em suas cinturas e tiraram alguma coisa de dentro.
— Eu cuido daquele!
Masachika gritou ao ver uma aura envolvendo a mão do segundo macaco da direita, reconhecendo o ataque pelas informações que Takeshi havia lhe dado. Um instante depois, os quatro macacos arremessaram o que seguravam—
Nozes.
Hup!
Entre elas, uma noz negra envolta em aura disparou em sua direção a uma velocidade tremenda. Masachika usou o grimório como escudo para bloqueá-la. Logo depois veio uma noz vermelha, um pouco mais lenta que a primeira—
E ele a agarrou com a mão esquerda!
— De volta pra você!
Masachika imediatamente a arremessou de volta. A noz cruzou o ar em linha reta na direção do macaco… e desapareceu gloriosamente no meio da floresta sem acertar absolutamente nada.
— Bem, eu joguei com a mão esquerda.
"É porque você é péssimo em esportes com bola."
— Acho que só o fato de eu ter conseguido pegar já merece algum crédito. Talvez aquele treinamento com o Takeshi tenha servido para alguma coisa.
"Cara, a sua nota de corte é bem baixa, hein."
Nota — Literalmente, Yuki diz que "a linha para conseguir uma nota de aprovação é muito baixa", uma expressão japonesa comum para dizer que alguém estabeleceu um padrão extremamente baixo para considerar algo um sucesso.
Enquanto os dois discutiam, Alisa desviou habilmente de uma das nozes, agarrou a outra e a arremessou imediatamente de volta contra o macaco. Talvez graças à correção concedida pela habilidade «Beisebol», seu arremesso de retorno acertou em cheio o macaco da extrema esquerda.
Gyaah!
O macaco gritou quando a noz atingiu sua testa. A noz verde se despedaçou com um som molhado, espalhando líquido para todos os lados. No instante em que o líquido cobriu o macaco, um desagradável ssssssss ecoou, e uma fumaça começou a subir de seu corpo.
GYAAAAAH!
— Uau! Ácido? Será que reduz a durabilidade das armas e armaduras ou algo assim? — disse Masachika fazendo uma careta diante daquela cena um tanto grotesca.
Essa era a principal característica dos Macacos Lentos, exatamente como Takeshi havia explicado no dia anterior. Os monstros carregavam diversos tipos de nozes nas bolsas presas à cintura. Quando utilizavam uma técnica de combate da habilidade «Arremesso», lançavam nozes extremamente duras.
Quando não usavam a técnica, porém, arremessavam nozes frágeis, que se partiam com o impacto e provocavam diversos efeitos especiais. As primeiras podiam simplesmente ser evitadas ou bloqueadas. As outras eram diferentes. Mesmo que uma delas fosse bloqueada, seu suco ou qualquer outra substância contida no interior poderia espirrar sobre o alvo e causar uma alteração de status. Por isso, esquivar-se era a resposta correta.
Porém… se fosse possível devolvê-las como Alisa acabara de fazer, dava para criar uma abertura instantaneamente.
— Haaaaah!
Alisa rapidamente encurtou a distância até o macaco que se contorcia de dor por causa do líquido e desferiu um golpe. Desta vez, ele não conseguiu se esquivar. Um intenso efeito de dano brilhou sobre o corpo do macaco. Alisa imediatamente continuou com um combo, e a barra de HP do macaco da extrema esquerda desapareceu num piscar de olhos.
— Boa!
Masachika gritou enquanto avançava contra os três restantes, apenas para vê-los saltarem para trás mais uma vez.
— Tsc! Esse passo para trás é rápido demais!
Como diabos eu não consigo alcançar esses caras com atributos como os meus!?
Rangendo os dentes, Masachika se preparou enquanto os macacos assumiam novamente suas posições de arremesso—
— Uou!? — exclamou Masachika.
Naquele exato instante, Ayano apareceu quase de maneira sobrenatural atrás dos três macacos. Então, com o objeto semelhante a uma lapiseira que segurava na mão, começou a perfurar repetidamente os pescoços desprotegidos deles.
Espeta. Espeta. Espeta.
Os três macacos se contorceram violentamente.
Um deles desabou no chão, estremecendo em convulsões.
Outro caiu inconsciente, com espuma saindo pela boca.
O último simplesmente tombou onde estava e começou a roncar baixinho.
— Isso é assustador.
Masachika encarou Ayano, boquiaberto. Ela havia neutralizado os três inimigos em questão de segundos. Ele conferiu os ícones que haviam aparecido ao lado das barras de HP deles. Ao que parecia, os três macacos estavam sofrendo de paralisia, veneno e sono, respectivamente.
O que o incomodava era o fato de os três efeitos terem sido causados pela mesma arma(?).
— Uma arma que causa aleatoriamente algum tipo de alteração de status? Isso não é OP demais...?
Enquanto Masachika murmurava consigo mesmo e rapidamente acabava com os inimigos, Ayano virou o quadro branco pendurado em seu pescoço.
"Não é garantido."
— Tá, tudo bem. Se os efeitos de status fossem garantidos, não seria só apelão, seria praticamente um bug. Mas essa taxa de sucesso ainda não é alta demais?
"A probabilidade aumenta se eu perfurar um vaso sanguíneo importante."
— Por que você ficou medicamente realista do nada!?
Masachika estremeceu levemente.
"Então existem vasos sanguíneos mesmo que ninguém sangre de verdade, hein?"
Então era por isso que ela continuava mirando no pescoço. De qualquer modo, agora eles haviam confirmado que Ayano era capaz de contribuir bastante nas batalhas.
Depois disso, as coisas avançaram rapidamente. A capacidade dela de infligir alterações de status era muito mais poderosa do que haviam imaginado.
As irmãs Kujou, que possuíam a habilidade «Beisebol», ficavam principalmente encarregadas dos primeiros arremessos de nozes dos inimigos.
Enquanto Alisa e Masachika mantinham a atenção dos adversários voltada para si mesmos, Ayano dava a volta por trás deles e lançava um ataque surpresa. Assim que Ayano incapacitava os movimentos dos inimigos, o dano corpo a corpo quase exagerado de Alisa e Masachika conseguia eliminá-los em questão de segundos.
Por coincidência, eles também não encontraram nenhum monstro cujo corpo fosse resistente demais para a arma de Ayano penetrar.
Utilizando essa combinação, os quatro aniquilaram com segurança tudo o que apareceu em seu caminho, atravessaram o topo da montanha e chegaram ao ponto em que, teoricamente, só precisavam começar a descida.
Ou pelo menos era o que pensavam.
— Espera. A gente entrou num softlock?
Nota — "Softlock" é um termo usado em jogos para uma situação em que se torna praticamente impossível continuar avançando sem recarregar o jogo, voltar pelo caminho ou utilizar alguma coisa que o jogador deixou passar.
Masachika e os outros haviam se deparado com um obstáculo completamente inesperado. Diante deles se erguia uma encosta íngreme, coberta por pedras irregulares de todos os tamanhos. A inclinação certamente passava dos cinquenta graus, e a encosta provavelmente tinha mais de vinte metros de altura.
Tecnicamente, não era um penhasco completamente vertical… Mas, para o grupo de Masachika, na prática não havia muita diferença. Numa encosta tão íngreme, eles teriam de subir praticamente de quatro, mantendo as duas mãos livres.
O que deveriam fazer se inimigos aparecessem no meio da subida?
Não poderiam segurar suas armas, e uma única perda de equilíbrio poderia fazê-los rolar encosta abaixo, sofrendo uma quantidade enorme de dano.
Seria impossível lutar direito daquela forma.
Mesmo supondo que nenhum inimigo aparecesse, Masachika nem sequer tinha certeza de que Maria conseguiria escalar aquilo. Só a roupa dela já representava um problema.
E, usando seus próprios mantos, Masachika provavelmente também não teria liberdade de movimento suficiente para ajudar outra pessoa.
— Então foi por isso que precisávamos das montarias… — percebeu Alisa.
— Parece que aquele guarda do portão estava certo, afinal~ — comentou Maria.
Ao que tudo indicava, Alisa e Maria haviam chegado à mesma conclusão. As duas deixaram os ombros cair, visivelmente frustradas.
— Finalmente chegou a hora desta corda com gancho brilhar... ou pelo menos era o que eu queria dizer.
Masachika retirou um item que havia comprado na loja de itens da terceira cidade.
Era uma corda equipada com um gancho, feita para se prender a galhos de árvores, saliências em paredes e superfícies semelhantes, ajudando alguém a alcançar lugares mais altos.
Infelizmente, ela não parecia nem de longe comprida o bastante para alcançar o topo de uma encosta daquela altura.
— Talvez desse certo se prendêssemos o gancho em pontos diferentes várias vezes durante a subida... Não, ainda assim ficaríamos com as duas mãos ocupadas — ponderou Masachika.
— É. Lutar com uma mão enquanto segura a corda com a outra... Não seria impossível, mas seria bem complicado — comentou Alisa.
— E, se a corda começar a balançar, também pode acabar colocando em perigo quem estiver mais embaixo~ — acrescentou Maria.
Depois de discutirem a situação, os três estavam prestes a concluir que seria mais seguro voltar do que se arriscar daquele jeito—
— Hm? — Alguma coisa puxou levemente a manga de Masachika.
Ele olhou para baixo e encontrou Ayano apontando para a caixa de papelão que flutuava atrás dela. No quadro branco preso ao peito dela estava escrito:
"Por aqui, por favor."
— Por aqui...? Você quer dizer... dentro da caixa de papelão? — perguntou Maschika.
Ayano assentiu. Aquilo fez Masachika se lembrar de algo que havia visto na estalagem, e ele de repente entendeu o que ela queria dizer.
— Espera... Você vai me carregar usando isso?
Ayano assentiu novamente. Ele entendeu a ideia. Se pudesse viajar dentro de uma caixa de papelão flutuante, aquela encosta íngreme não seria um grande problema.
Porém—
— Tenho quase certeza de que a estabilidade vai ser um problema.
O fundo da caixa de papelão mal era grande o bastante para uma pessoa se sentar lá dentro com os joelhos junto ao peito. As laterais não chegavam nem perto de ser altas o bastante para servirem como grades de proteção.
Como plataforma para transportar pessoas, aquilo era mais do que um pouco inquietante. Mesmo assim, Ayano empurrou insistentemente o quadro branco na direção dele, pressionando-o em silêncio para entrar.
— Tá, tá. Já entendi.
Cedendo à pressão daquela insistência silenciosa, Masachika se posicionou atrás de Ayano e, com cautela, colocou um dos pés dentro da caixa de papelão.
Testou o peso aos poucos. Parecia firme.
Então colocou o outro pé dentro—
— Uou!? — sem qualquer aviso, a caixa de papelão aumentou de tamanho de uma só vez. Tanto a altura quanto a área da base mais do que dobraram, tornando-a drasticamente mais estável. — Tá, mas como diabos isso funciona?
— Uaaau~ Incrível~.
Maria arregalou os olhos, impressionada.
"A Ayano consegue mesmo fazer de tudo, hein...?" comentou Yuki, observando a cena.
— Talvez... o motivo de a Ayano só ter uma habilidade única seja porque, em compensação, ela recebeu um monte de itens apelões? — ponderou Masachika.
— Aaah. Pensando por esse lado, até que faz sentido — concordou Alisa.
Os quatro ficaram encarando a caixa, com expressões que oscilavam entre admiração e exasperação. Ayano então fez um gesto, indicando que Alisa e Maria também deveriam entrar.
Depois de verem o que havia acontecido com Masachika, as duas pareceram muito menos hesitantes e subiram com relativa facilidade. A caixa de papelão se expandiu novamente.
Agora, cada lado tinha quase dois metros de comprimento. Àquela altura, parecia menos uma plataforma de carga e mais um elevador minúsculo.
— Sério, como essa coisa funciona...? — Masachika murmurou enquanto olhava para o céu—
Justamente quando a tampa da caixa de papelão começou a se erguer sozinha.
— Ei, espera—
Antes que pudesse terminar, a tampa se fechou de uma vez.
— VOCÊ VAI FECHAR!?
O protesto de Masachika ecoou pelo interior completamente escuro da caixa gigantesca. Logo em seguida, a caixa inteira deu uma guinada violenta para o lado. Masachika cambaleou.
Ele tentou desesperadamente se agarrar a alguma coisa, mas só encontrou paredes lisas de papelão por todos os lados. De algum jeito, firmou as pernas e tentou recuperar o equilíbrio.
Então o chão—
Não. A caixa de papelão inteira disparou subitamente para cima em diagonal.
Masachika foi projetado para a frente. Conseguiu evitar a queda apenas para alguém se chocar contra ele.
— Ai!
— Ah, desculpa. Você está bem?
As acelerações repentinas e as curvas fechadíssimas não paravam. Não havia como manterem o equilíbrio indefinidamente dentro de uma caixa completamente escura. Pouco depois, Masachika e as outras desabaram num emaranhado de braços e pernas.
"Três adolescentes — um menino e duas meninas —, sozinhos juntos em um espaço escuro e fechado. Não tem como nada acontecer..."
— Cala a boca!
— Espera! De quem é esta mão!? Não é sua, é, Masachika-kun!?
— Qual mão!? E eu tenho quase certeza de que alguém não para de me dar joelhadas!
— Ah, espera. Eu vou me levantar—
— Não, Masha, se levantar numa situação dessas é—
— Aii!
— Guh! Tá vendo!?
— Masha, para de se mexer! E esta mão é sua mesmo, Masachika-kun!
— Qual delas!? Esta aqui?
— Aii! Onde você está tocando!?
— É justamente isso que eu queria saber!
"Uuuuh~♪ Três pessoas se contorcendo e se embolando juntas no escuro~ Que indecência~♪"
— Eu tô falando sério—CALA A BOCA!
Depois de os três — além de uma quarta pessoa dedicada exclusivamente a provocá-los — continuarem fazendo uma barulheira tremenda, a caixa parou de repente. A parte de cima se abriu.
— Finalmente... Chegamos… — semicerrando os olhos por causa da claridade do céu, Masachika baixou o olhar para verificar a situação—
BGH!
Um punho de ferro preencheu todo o seu campo de visão e fez sua cabeça ser violentamente lançada para cima outra vez.
— Извращенец...
(Seu pervertido…)
O insulto em russo fez os ombros de Masachika despencarem. Mas quanto a exatamente onde a mão de Masachika estivera tocando Alisa… A verdade desapareceu na escurid—
"Você estava literalmente agarrando a bunda e a coxa dela."
Ou melhor, não conseguiu desaparecer na escuridão.
Masachika se sentou formalmente sobre os joelhos.
⋆⋅☆⋅⋆
Silêncio. Silêncio
— Vamos, Alya-chan. Você sabe que o Kuze-kun não fez aquilo de propósito, não sabe? E você, Kuze-kun, para de ficar com essa cara de condenado~.
Depois de saírem da caixa de papelão, Maria falou com Masachika e Alisa, que caminhavam à frente mergulhados num silêncio constrangedor. Quando nenhum dos dois demonstrou a menor intenção de olhar para o outro, Maria inflou as bochechas e colocou as mãos na cintura.
— Francamente! Isto ainda é uma área perigosa, e vocês dois formam a nossa linha de frente. Se recomponham~!
Nem Masachika nem Alisa tinham como rebater uma repreensão tão perfeitamente razoável. Parecendo um pouco envergonhados, eles olharam um para o outro e abaixaram a cabeça ao mesmo tempo.
— Hum... desculpa.
— Eu também peço desculpas...
Os dois trocaram sorrisos discretos e constrangidos. E, com isso, o assunto parecia encerrado———
Até Maria voltar a falar.
— Francamente... Além disso, o Kuze-kun também tocou na minha bunda. A Alya-chan não foi a única.
Masachika se virou instantaneamente para Maria.
— O quê!?
Os olhos de Alisa se transformaram instantaneamente em tundra.
Nota — Descreve literalmente os olhos de Alya como "virando tundra", transmitindo a ideia de um olhar intensamente gélido. A expressão também combina naturalmente com sua origem russa.
No exato momento em que Alisa abriu a boca—
"Algo está vindo!"
Ayano saltou entre Alisa e Masachika, erguendo o quadro branco onde aquelas palavras estavam escritas. O estado de alerta dos três voltou instantaneamente. Todos percorreram a região com os olhos. Estavam numa área aberta e rochosa, sem nenhuma árvore bloqueando a visão. Ao mesmo tempo, não havia sinal algum de inimigos.
…...?
Masachika começou a se perguntar se Ayano não tinha se enganado. Então voltou a olhar para ela e percebeu suas orelhas caninas se mexendo repetidamente.
— !
Ele se concentrou em ouvir. Um fraco bater de asas vinha de muito longe. Ele e Ayano ergueram o olhar quase exatamente ao mesmo tempo. Alguma coisa havia recolhido as asas junto ao corpo e mergulhava diretamente na direção deles.
— DESVIEM!
No instante em que gritou, Masachika passou os braços pelas cinturas de Alisa e Maria e saltou com toda a força que seus atributos eram capazes de fornecer.
Graças à sua habilidade única, os valores de Força e Agilidade de Masachika haviam subido para níveis completamente inadequados para uma classe de retaguarda. Mesmo carregando duas garotas, ele se lançou pelo ar a uma velocidade absurda.
Ayano os acompanhou com movimentos igualmente ágeis.
Atrás deles—
BOOOOOOOOOOOM!!
Uma sombra gigantesca atingiu o chão com um impacto ensurdecedor. Olhando por cima do ombro de Masachika, as irmãs Kujou arregalaram os olhos ao encarar a criatura.
— D-Dra...!?
— Um dragão!?
Era exatamente isso. Não uma imitação barata que parecia uma fantasia. Parecia muito mais um modelo 3D absurdamente realista e em altíssima resolução. Um pescoço longo e uma cauda comprida. Garras e presas afiadas como navalhas. Asas enormes. Membros poderosos. Um dragão gigantesco, coberto da cabeça aos pés por escamas carmesim, encarava os quatro com olhos dourados—————
E rugiu.
GRAAAAAAAAAAAAAAAAH!!
Só a onda de choque do rugido fez os quatro perderem o equilíbrio no ar. Eles atingiram o chão praticamente como se tivessem sofrido uma queda. Masachika foi o primeiro a se levantar.
Porém, diante de um inimigo tão enorme que o Ciclope — boss da área anterior — parecia insignificante em comparação, Masachika ficou paralisado por alguns instantes.
Ele simplesmente não fazia ideia do que deveria fazer.
Não...
Se fosse ser sincero consigo mesmo, ele havia sido paralisado pelo medo.
O que rompeu aquela paralisia foi a voz afiada de Alisa, que se levantou um instante depois.
— «Udar Groma»!
(Golpe Relâmpago)
Um relâmpago azul-claro rasgou seu medo e atravessou o céu. A descarga atingiu o dragão em cheio na cabeça e arrancou pouco menos de dez por cento da barra de HP flutuando acima dele.
Infelizmente… Havia outras quatro barras de HP completamente intactas empilhadas acima daquela.
— Tá de sacanagem...
— Todo mundo, de pé! Masha, cuide do suporte e da defesa! Ayano, procure brechas e cause alterações de status! Masachika-kun, você fica na linha de frente comigo!
A voz de Alisa arrancou Masachika de seu silêncio atônito. Então, exatamente como havia declarado, a Heroína avançou. Masachika não teve escolha a não ser correr atrás dela. O dragão puxou o braço direito para trás enquanto as duas criaturas minúsculas se aproximavam.
Sem hesitar, varreu o braço horizontalmente, passando rente ao chão.
— UOU!?
Ele simplesmente havia balançado um dos braços. Mas sua massa e sua força bruta superavam completamente o porrete de ferro do Ciclope.
Não, não, não! Nem pensar! Eu não consigo defender isso!
Masachika concluiu instantaneamente que interceptar o ataque era impossível e saltou para se esquivar. Alisa fez o mesmo—
Só para o braço esquerdo do dragão vir varrendo na direção dos dois.
— Ah!?
Eles não podiam se esquivar enquanto estavam no ar. Por um instante, pareceu que os dois seriam abatidos como insetos—
— «Krepostnaya Stena»!
(Muralha da Fortaleza)
A voz de Maria ecoou. Uma parede de luz surgiu acima de Masachika e Alisa. O braço esquerdo do dragão atingiu a parede, foi bloqueado e ricocheteou para longe.
— ! Valeu, Masha!
Depois de gritar seu agradecimento para Maria, que estava atrás dele, Masachika pousou em segurança e voltou a avançar. Mas então o dragão abriu suas duas asas enormes — FUUUUSH! — e bateu-as.
Só aquilo desencadeou uma ventania tão violenta que faria um tufão comum parecer insignificante.
Alisa e Masachika se abaixaram, protegendo o rosto com os braços enquanto lutavam apenas para não serem arremessados para longe. Até Maria, na retaguarda, caiu sobre um dos joelhos e não pôde fazer nada além de resistir ao vento.
E nenhum inimigo deixaria passar uma abertura tão óbvia.
— !?
O braço direito do dragão veio varrendo na direção deles novamente, desta vez pelo lado oposto. Os três já estavam usando tudo o que tinham apenas para suportar a ventania. Não havia a menor possibilidade de reagirem a tempo.
— Aaah!
— Gah!
O braço gigantesco varreu Alisa e Masachika para longe. Os dois foram lançados pelo ar e caíram descontroladamente contra o solo rochoso. O maior impacto que Masachika havia sofrido desde que chegara àquele mundo atravessou seu corpo inteiro.
Ah, isso é ruim...!
Talvez por ser, em essência, uma classe frágil de retaguarda, o golpe somado ao dano da queda apagou trinta por cento do HP de Masachika num instante.
Mas—
Alisa, cujo nível era inferior ao dele, havia perdido praticamente a mesma quantidade. Aquilo não era um problema com a resistência de Masachika. O dragão simplesmente era forte o bastante para espantar como um inseto até mesmo uma classe de linha de frente com o nível adequado para aquela área.
Mas que merda é essa!? Quem foi que balanceou este jogo!?
Praguejando mentalmente, Masachika se obrigou a ficar de pé e lançou um olhar furioso para o dragão—
Então empalideceu. O longo pescoço da criatura se curvou para trás. Seu peito enorme se expandiu. Seus membros se tensionaram de maneira anormal.
— ATRÁS DAS PEDRAS! AGORA!!
Masachika gritou a plenos pulmões enquanto examinava a área. Avistou a maior rocha nas proximidades e se jogou para trás dela. Então, no instante em que ergueu a cabeça para verificar se Alisa e Maria também haviam encontrado abrigo—
WHOOOM.
O próprio ar explodiu. Uma torrente de fogo varreu a área diretamente à sua frente. Masachika apertou os olhos contra o calor irradiado, puxou o capuz até cobrir bem a cabeça e se encolheu atrás da pedra.
Mesmo protegido, conseguia ver seu HP diminuindo pouco a pouco por causa do dano residual. O ataque durou apenas alguns segundos. Mas pareceu assustadoramente longo. No instante em que terminou, Masachika abriu os olhos e conferiu as barras de HP do grupo na extremidade de seu campo de visão.
Todos tinham sofrido algum dano, mas ainda estavam vivos.
Ele soltou o ar, aliviado, e espiou cautelosamente por trás da pedra.
— Ugh...
Uma vasta extensão do terreno rochoso havia sido completamente carbonizada. Aqui e ali, algumas pedras brilhavam num vermelho sinistro por causa do calor.
Sopro de Dragão.
Diante do poder destrutivo aterrorizante do ataque mais icônico de um dragão, Masachika ficou sem palavras.
Isso é impossível...
A parte racional de sua mente já havia chegado a essa conclusão. Ele não conseguia enxergar absolutamente nenhum caminho para a vitória. É claro que, considerando como os bosses anteriores funcionavam, provavelmente não era literalmente impossível vencer.
Talvez o dragão possuísse aquele clássico ponto fraco dos dragões uma escama invertida em algum lugar do corpo e acertá-la pudesse causar dano fatal.
Nota — A "escama invertida" (gekirin) vem do folclore dos dragões do Leste Asiático. Diz-se que um dragão possui uma única escama que cresce na direção oposta às demais e que tocá-la provoca sua fúria. Obras de fantasia e jogos frequentemente reinterpretam essa escama como um ponto fraco do dragão.
Ou talvez existisse alguma mecânica no cenário que pudesse causar uma quantidade gigantesca de dano ou imobilizá-lo. Mas eles tinham informações de menos. E já não podiam se dar ao luxo de voltar para reunir mais.
"Parece que... deixamos passar alguma flag em algum lugar."
Yuki colocou a cabeça para fora do capuz de Masachika enquanto falava.
Nota — Na terminologia japonesa de jogos, uma "flag" é uma condição oculta que ativa determinado evento ou rota de progressão — basicamente, uma flag de evento.
Ela provavelmente estava certa. Se tivessem explorado mais cuidadosamente, talvez encontrassem em algum lugar informações explicando como derrotar aquele boss absurdamente poderoso.
Talvez até tivesse existido algum evento que os recompensasse com uma arma capaz de matar dragões ou algum outro item específico contra eles. Naquela altura, porém, tudo não passava de especulação.
Agora não é hora de ficar se arrependendo!
Masachika deu um tapa mental em si mesmo para recuperar a concentração e espiou cautelosamente por trás da pedra.
— Hrrrrrrrrr... Grrrrrrr...
Talvez ainda estivesse sofrendo com o delay da habilidade, pois o dragão havia erguido a cabeça para o céu e soltava fumaça pela boca. Era a oportunidade perfeita para atacar. Mesmo assim, Masachika não conseguiu simplesmente avançar de maneira imprudente. Em vez disso, examinou cuidadosamente o corpo inteiro do dragão.
O clichê seria ter uma escama invertida em algum ponto perto do pescoço... mas não estou vendo nada óbvio. Também não há nenhuma cicatriz antiga. Então talvez a solução não seja um ponto fraco. Será alguma mecânica do cenário?
Ele examinou o terreno ao redor. Nada além de solo rochoso comum se estendia em todas as direções. Havia pelo menos uma faixa relativamente plana, semelhante a uma estrada, por onde tinham vindo, que seguia até o sopé da montanha.
Fora isso — pedras. Provavelmente, aquelas rochas grandes serviam para protegê-los de ataques como o sopro do dragão.
Mas só se esconder não vai matar essa coisa. Talvez um desmoronamento? Derrubar uma pedra gigante em cima dele? Só que ele consegue voar... Então primeiro teríamos que inutilizar as asas, atraí-lo até algum lugar e depois...
Ele olhou em volta novamente.
...Só que não tem lugar nenhum que pareça feito para isso.
Não havia nenhuma pedra gigantesca e suspeita equilibrada no topo de um penhasco, praticamente implorando para o jogador derrubá-la. Aliás, nem sequer havia um penhasco.
Aaagh, droga! Eu não entendo! Como é que a gente deveria derrotar essa coisa!? Podiam pelo menos deixar a estratégia mais óbvia!
Enquanto Masachika praguejava mentalmente, o dragão aparentemente terminou de se recuperar da técnica anterior e baixou lentamente a cabeça. Seus olhos dourados se fixaram em Masachika, escondido atrás da pedra.
Os ombros de Masachika deram um pulo e, quase no mesmo instante, o próprio dragão se contraiu. A criatura virou o longo pescoço e olhou para as próprias costas. Então começou a rugir e se debater violentamente no mesmo lugar.
— O-O que diabos...?
Masachika encarou aquele comportamento estranho. Então o dragão virou as costas para ele e Masachika viu o motivo.
— Ayano...!?
Ayano. Masachika não fazia ideia de quando ela havia conseguido subir ali, mas Ayano estava agarrada às costas do dragão, entre suas asas, espetando repetidamente sua arma semelhante a uma lapiseira.
O dragão tentou mordê-la e derrubá-la usando a cauda, mas aparentemente ela havia se posicionado justamente no único ponto que nem suas mandíbulas nem sua cauda conseguiam alcançar direito.
Em outras palavras, ela havia entrado completamente no ponto cego do alcance dos ataques dele.
Aquilo...!? Esse é o ponto fraco!? O ponto cego dentro do alcance dos ataques!?
Infelizmente, a própria Ayano não estava causando nenhum dano significativo. Sua arma provavelmente era curta demais para penetrar abaixo das escamas. Em termos de jogo, seu Ataque simplesmente não era alto o bastante para superar a Defesa do dragão.
Apesar de todas aquelas perfurações, nenhuma das cinco barras de HP da criatura sequer havia se mexido. Então o dragão irritado abriu subitamente as asas.
— Isso é ruim...!
Ele pretendia levantar voo e se livrar de Ayano no ar. Como a garota fera canina que era, Ayano cravou desesperadamente as garras para continuar agarrada. Mas não havia como permanecer ali se o dragão começasse a girar de cabeça para baixo em pleno voo.
— Ayano! Desce daí ago—
— «Uragan»!
(Vendaval)
Nota — Uragan vem do russo ураган, que significa "furacão".
Alisa gritou. Uma lâmina transparente de vento voou em direção à asa do dragão. Provavelmente pretendia impedi-lo de decolar. Porém, o vento gerado pelas próprias asas do dragão reduziu drasticamente a força do feitiço de Alisa. O ataque deixou apenas um corte superficial na membrana da asa. O dragão mal pareceu notar e continuou se preparando para decolar.
— Não!
— Ayano! Pule daí agora!
Maria e Alisa gritaram desesperadamente. Masachika, por outro lado, ficou imóvel quando uma ideia surgiu em sua mente.
Será que funciona...? Não. É nossa única opção!
Ele tomou a decisão na mesma hora e olhou para Yuki. Yuki pareceu entender imediatamente e devolveu o olhar.
— Desculpa. Se prepara.
"Siiim. Não se preocupe comigo. Vai lá mostrar do que um homem é capaz."
Sua irmãzinha abriu um sorriso cúmplice. Masachika respondeu com seu próprio sorriso torto e, com uma única respiração, firmou sua determinação.
— AYANOOOOOOOO!!
Ele gritou o nome dela a plenos pulmões. Ainda agarrada às costas do dragão, Ayano se virou em sua direção. Masachika ergueu bem alto o braço direito. Aparentemente, só aquilo já bastou para que Ayano entendesse sua intenção.
Ela assentiu. Masachika confirmou e retirou dois itens do inventário. Um era a corda com gancho que havia tentado — e fracassado — em utilizar mais cedo. O outro… era um frasco de vidro cheio de um líquido dourado.
A metade direita do recipiente possuía um design suave e elegante. A metade esquerda era coberta por espinhos e adornos agressivos e ameaçadores. Era a recompensa que haviam recebido por completar perfeitamente o jogo de quebra-cabeça da estalagem no dia anterior.
Seu nome era: O «Elixir do Sábio» — ou a Poção Mortal do Tolo.
Nota — O nome contrapõe deliberadamente um milagroso "elixir do sábio" a uma perigosa "poção do tolo". O mesmo item pode ser um benefício muito bom ou uma escolha absurdamente ruim, dependendo de como é utilizado.
Considerando que havia sido concedido como recompensa pela façanha completamente ridícula de concluir perfeitamente o minigame no Nível 99, seu efeito era apropriadamente absurdo.
Durante trinta segundos após o uso:
Ataque Mágico ×5.
Velocidade de regeneração de MP ×10.
Completamente quebrado.
Se uma classe mágica utilizasse aquilo, poderia disparar feitiços extremamente poderosos um após o outro com MP praticamente inesgotável, transformando-se numa arma de aniquilação total.
Ouvindo apenas essa parte, o nome «Elixir do Sábio» fazia todo o sentido.
Naturalmente...
Se a história terminasse aí, ele também não seria chamado de Poção Mortal do Tolo. Quanto maior o benefício, mais cruéis eram os efeitos colaterais.
Impossibilidade de usar itens medicinais durante uma hora.
Força, Agilidade e Resistência reduzidas pela metade durante dez minutos.
E, pior que tudo: cinco minutos de Veneno incurável e Fúria de Mana.
Ao que parecia, Fúria de Mana era uma alteração de status que fazia o poder do feitiço, o consumo de MP e o erro de mira variarem descontroladamente para cima sempre que magia fosse utilizada.
Em outras palavras: esqueça "arma de aniquilação total". Você se transformava numa arma indiscriminada de destruição em massa.
Nota — A piada japonesa literalmente "renomeia" o usuário de uma arma de aniquilação para uma arma de destruição indiscriminada depois que os efeitos colaterais entram na equação.
Mas...
Se seus aliados estivessem em segurança fora da área de perigo — e o inimigo estivesse no céu — o risco de fogo amigo diminuiria drasticamente.
— Todo mundo atrás das pedras e fiquem lá! Masha, se alguma coisa der errado, conto com você!
No instante em que terminou de gritar, Masachika engoliu todo o líquido dourado de uma só vez.
Imediatamente—
TUM.
Seu coração bateu violentamente. Uma sensação de ardência explodiu das profundezas de seu abdômen. As bordas de sua visão começaram lentamente a ficar vermelhas. Uma inexplicável sensação de euforia inundou seu corpo inteiro.
Naquele exato instante, o dragão finalmente chutou o chão com força e se lançou ao céu.
Masachika gritou.
— AGORA!
Ele agarrou com a mão esquerda a pulseira em seu pulso direito e apertou com toda a força. A pulseira se despedaçou facilmente.
Ela se transformou em partículas de luz e, no instante seguinte, as enormes costas do dragão preencheram todo o campo de visão de Masachika.
Ao mesmo tempo, uma sensação de ausência de peso tomou conta de seu corpo.
— Toma essa...!
No instante em que percebeu que a Pulseira de Troca havia sido ativada, Masachika olhou para cima. Arremessou a corda com gancho na direção da base da asa do dragão, que começava a subir para longe dele.
Masachika não tinha absolutamente nenhuma experiência utilizando um laço. Talvez o próprio item fornecesse algum tipo de correção, pois a corda voou exatamente para onde ele pretendia.
Ela se enrolou várias vezes ao redor da base da asa do dragão.
Finalmente—
CLANG!
O gancho se prendeu com firmeza e travou no lugar. Masachika não teve tempo de admirar seu sucesso.
Afinal, naquele exato momento, o dragão o arrastava para cima a uma velocidade absurda.
— WHOOOOAAAAA!?
A força G fazia até a montanha-russa mais insana parecer uma piada. Sua mão esquerda quase escorregou da corda.
Masachika cerrou os dentes e continuou segurando. Quando já estavam a uma altura suficiente do chão, ele abriu um sorriso feroz.
— Muito bem… Está pronto pra isso?
Só então o dragão pareceu perceber que aquilo que estava pendurado em suas costas já não era a jovem garota fera.
Seu olho dourado se voltou para Masachika.
Masachika sustentou aquele olhar com um sorriso destemido.
— Este é o primeiro feitiço que eu vou lançar na vida. É melhor saborear bem!
Então conjurou.
— «Vyzov Groma»!!
(Invocar Trovão)
Era o feitiço mais poderoso atualmente disponível para Masachika.
Ao menos ele havia perguntado a Maria de antemão como deveria pronunciá-lo. Fiel ao próprio nome, tratava-se de um feitiço de relâmpago do mais alto nível que invocava nuvens de tempestade e fazia cair raios de verdade.
Exceto que…
Ao que parecia, sua pronúncia em russo continuava péssima.
O feitiço falhou espetacularmente. E, além disso, havia o enorme aumento do erro de mira causado pela Fúria de Mana.
O resultado—
Em vez de surgirem acima deles… as nuvens de tempestade se formaram diretamente ao redor de Masachika e do dragão.
— VOCÊ SÓ PODE ESTAR DE BRINCADEIRA COMIGO!?
"Bom, já aconteceu. Fazer o quê?"
Nem sequer houve tempo de terminar aquela conversa. A eletricidade se acumulou dentro das nuvens de tempestade e então convergiu sobre eles de todas as direções.
Masachika não tinha como saber, mas, naquele exato instante, havia conseguido a maior flutuação positiva possível da Fúria de Mana: Poder do feitiço dobrado.
Então a falha na conjuração acrescentou mais vinte por cento. Combinado ao multiplicador de cinco vezes no Ataque Mágico — o resultado final foi doze vezes o poder normal.
Nem mesmo a enorme Resistência Mágica do dragão conseguiu oferecer muito mais que uma proteção simbólica contra relâmpagos de poder tão absurdo.
Suas barras de HP despencaram a uma velocidade aterrorizante.
Exatamente ao mesmo tempo a barra de HP do próprio Masachika desapareceu.
⋆⋅☆⋅⋆
— Masachika-kun...!
Uma gigantesca nuvem negra havia surgido repentinamente ao redor de Masachika e do dragão, engolindo os dois. Relâmpagos explodiam repetidamente em seu interior.
Na extremidade do campo de visão de Alisa, o HP de Masachika despencava rapidamente.
Verde. Amarelo. Vermelho.
E então, com uma facilidade assustadora… o último fragmento desapareceu.
— Não...!
No instante em que Alisa gritou, uma figura humana caiu das nuvens negras acima deles.
— «Zashchita»!
(Proteção)
Pouco antes de a figura em queda atingir o chão, uma membrana de luz a envolveu e protegeu do impacto.
— Kuze-kun!
Maria saiu correndo de trás das pedras ao mesmo tempo que Alisa, disparando na direção de Masachika, que permanecia completamente imóvel no chão. Só então Alisa entendeu o significado do que Masachika havia gritado antes.
"Masha, se alguma coisa der errado, conto com você!"
Era aquilo que ele queria dizer. Ele já havia previsto esse desfecho. Aquilo tinha sido um pedido para Maria usar sua habilidade única, «Misericórdia da Santa» e ressuscitá-lo.
Ele planejou isso desde o começo...!
Uma emoção que Alisa mal conseguia conter a impulsionou na direção de Masachika. Não havia nada que ela pudesse fazer por ele indo até lá.
Ela sabia disso. Mesmo assim, não conseguiu se impedir. Então a habilidade «Sentido de Perigo» da Heroína foi ativada. Ela a alertava sobre algo acima.
— !!
Num instante, a imagem da emboscada aérea do dragão pouco antes passou pela mente de Alisa. Ela se jogou para o lado.
Uma fração de segundo depois, o corpo gigantesco que despencava do céu se chocou contra o chão.
Uma nuvem de poeira explodiu em todas as direções. O solo tremeu.
— Ugh...!
Embora Alisa tivesse conseguido saltar para fora do caminho por muito pouco, o impacto ainda a arremessou para trás, fazendo-a rolar sobre as pedras. Tossindo, ela olhou para o enorme corpo que havia caído.
O dragão estava ali. Suas escamas vermelhas estavam carbonizadas em inúmeros pontos. Ele havia desabado completamente sem forças. Quatro das cinco barras de HP que flutuavam acima dele estavam totalmente vazias.
A última continuava caindo rapidamente. Em poucos segundos, passou da metade.
Amarela.
Depois vermelha.
E então parou.
— Hã?
Os olhos do dragão se abriram de repente. Uma luz ameaçadora brilhou dentro deles.
— GRAAAAAAAAAAAAAAAAAH!!
O dragão se obrigou a ficar de pé e rugiu. Padrões negros surgiram por todo o seu corpo. O calor emanado dele se tornou tão intenso que o próprio ar começou a distorcer.
E, pior ainda, a barra de HP que já havia ficado vermelha começou lentamente a se recuperar.
Alisa se lembrou do boss da área anterior, o Ciclope. Perto do fim daquela batalha, suas propriedades elementais haviam mudado. Depois, Masachika lhe explicara uma coisa. Nos jogos, bosses encurralados muitas vezes entravam num estado de fúria ou passavam para uma segunda fase.
Isso é... aquilo!?
No instante em que percebeu, Alisa ergueu uma das mãos na direção do dragão.
— «Udar Groma»! «Uragan»!
(Golpe Relâmpago, Vendaval)
Ela lançou os feitiços um após o outro, tentando acabar com o dragão antes que ele pudesse se recuperar ainda mais. Mas, no instante em que as magias tocaram o corpo dele—
CRACK!
Ambos os feitiços foram repelidos. Eles se desfizeram no ar.
— Não me diga que... ele ficou imune a magia!?
Alisa puxou o ar com força. Ignorando-a, o dragão curvou o pescoço e se virou na direção de Masachika que ainda estava sendo ressuscitado por Maria.
No instante em que Alisa percebeu o que ele pretendia fazer, sua cabeça ficou em branco. Ela disparou para a frente antes mesmo de decidir conscientemente se mover.
— OLHA PRA MIMMMMMMM!!
Transformando seu pânico e sua fúria num grito, ela avançou com a espada sagrada em mãos. Talvez percebendo a ameaça, o dragão se virou para Alisa.
Suas mandíbulas se abriram completamente. Faíscas cintilaram nas profundezas de sua garganta.
Lento demais! Minha espada vai alcançar você antes de conseguir cuspir fogo!
Mas, no instante em que pensou isso—
WHOOOM.
O Sopro de Dragão foi disparado praticamente sem qualquer preparação.
— !? Ngh...!
Não houve nem tempo para lançar uma magia defensiva. As chamas envolveram completamente o corpo de Alisa. Seu HP, que havia sido totalmente restaurado com uma poção, começou a despencar numa velocidade aterrorizante.
E ainda assim, Alisa continuou correndo.
O ataque desesperado de Masachika.
O risco que ele havia assumido.
Depois de ver aquilo, a ideia de proteger a si mesma nem sequer passou por sua cabeça.
Eu vou matar essa coisa...!!
Com nada além daquela determinação no coração, ela continuou avançando.
Mas, impiedosamente, sua barra de HP mudou de cor.
Verde.
Amarelo.
E, finalmente, vermelho.
Os olhos do dragão se estreitaram numa expressão que parecia quase satisfeita, como se já tivesse vencido, quando um objeto semelhante a uma lapiseira se cravou diretamente em sua pupila.
O corpo inteiro do dragão se enrijeceu. Seu sopro foi interrompido instantaneamente.
Os ataques de Ayano, capazes de infligir alterações de status, haviam se acumulado aos poucos durante todos aqueles golpes contra as costas do dragão. Aquele último ataque fez o acúmulo ultrapassar o limite necessário. Contra a enorme resistência do dragão, a paralisia resultante duraria menos de quatro segundos.
Uma janela ridiculamente curta. Mas, para Alisa, quatro segundos eram mais do que suficientes. Ela fincou um dos pés com força no chão. Então saltou. Subiu diretamente diante do rosto do dragão.
As duas mãos apertaram com força o cabo da espada sagrada, erguida bem acima de sua cabeça.
— «GOLPE DA HEROÍNA»!!
Uma aura prateada e ofuscante irrompeu da espada sagrada erguida em direção aos céus. Então Alisa a desceu em linha reta como se o próprio corpo do dragão não oferecesse resistência alguma.
Era a habilidade suprema da Heroína. Uma técnica que só podia ser usada quando o HP restante da Heroína caía abaixo de dez por cento. Ela consumia todo o MP e SP restantes. Em troca, produzia um golpe absoluto de corte que ignorava defesa mágica, destruía equipamentos e desconsiderava completamente a Resistência do alvo.
E aquilo não era tudo. Seu já gigantesco dano físico aumentava de forma inversamente proporcional ao HP restante da Heroína. Além disso, havia dano adicional do elemento Luz proporcional à quantidade de MP consumida e dano adicional do elemento Sagrado proporcional à quantidade de SP consumida.
……..
O corpo do dragão, que estava prestes a se libertar da paralisia, congelou abruptamente com um estalo seco. Uma linha de corte prateada, perfeitamente reta, havia sido aberta desde a mandíbula superior até a inferior.
Uma luz intensa explodiu da ferida e, um instante depois, o corpo inteiro do dragão explodiu.
— Eu... consegui...
Depois de confirmar a cena com os próprios olhos, Alisa sorriu e desabou no chão.
⋆⋅☆⋅⋆
Masachika perdeu a consciência em meio aos relâmpagos que convergiam sobre ele de todas as direções. Quando finalmente recobrou os sentidos, a primeira coisa que viu foi uma montanha enorme erguendo-se acima dele.
"Fuaaaah... Agora sim, isso é um pico magnífico."
— Só fico feliz que você esteja bem.
"Hm? Você também parece bem animado, Mestre. E olha, tem outra montanha bem aqui do lado—"
Nota — "Montanha" e "pico magnífico" são piadas eufemísticas sobre os peitos da Maria, que estão diretamente acima de Masachika porque a cabeça dele repousa em seu colo.
— NÃO TEM!
— Kuze-kun! Você acordou~!
Uma voz desceu do outro lado da montanha.
Na verdade a montanha! A montanha estava se aproximando!
— Ah, então foi você quem me ressuscitou, Masha. Valeu. Aliás, o que está acontecendo agor—
Uma explosão de luz gigantesca invadiu sua visão pelo lado, forçando Masachika a semicerrar os olhos. Quando o brilho diminuiu o bastante para que pudesse enxergar naquela direção, ele viu os restos de um enorme efeito de dissolução de monstro e Alisa caída no chão, esparramada.
— Entendi... A Alya terminou com ele.
Mensagens do sistema começaram a passar pelo canto de seu campo de visão, informando que ele havia recebido uma quantidade enorme de experiência e subido doze níveis de uma só vez.
Masachika finalmente relaxou, deixando toda a tensão abandonar seu corpo. Então—
— Alya-chan!
— Guh!
— Ah! Desculpa, desculpa~!
Por coincidência, Maria se levantou exatamente no instante em que Masachika relaxou. Como a cabeça dele estava apoiada em seu colo, a parte de trás de seu crânio bateu imediatamente contra o chão.
Maria juntou as palmas das mãos em pedido de desculpas e então foi correndo apressadamente até Alisa.
— Bom, acho que não tenho como competir com a irmãzinha dela. Embora eu mesmo ainda esteja praticamente à beira da morte.
Ao que parecia, a habilidade de ressurreição de Maria não trazia alguém de volta com o HP totalmente restaurado. A barra de HP de Masachika ainda estava no vermelho profundo.
Mas, pensando bem, a de Alisa também. Então Masachika obedientemente estendeu a mão para pegar uma poção ou pelo menos tentou.
Seu corpo a rejeitou.
— ? Hã!?
"Ora, Mestre. Já esqueceu dos efeitos colaterais daquele item que usou?"
— Ah, verdade. Não posso usar itens medicinais por uma hora... Então morrer uma vez não remove esse efeito, hein? Pelo menos o status de Veneno sumiu...
Sem outra opção, Masachika mordiscou uma fruta que restaurava uma quantidade minúscula de HP e se levantou. Ele examinou os arredores, confirmou que não havia mais inimigos e começou a caminhar na direção de Alisa.
Ayano simplesmente se materializou ao lado dele, como se tivesse surgido do nada.
"É um alívio vê-lo ileso."
— Ah, Ayano... É. Digo o mesmo de você. Só encontramos uma abertura por sua causa. Valeu.
"Seu elogio é muito mais do que mereço."
Mesmo enquanto respondia humildemente, a parte de trás do manto de Ayano, na altura do quadril, balançava energicamente de um lado para o outro. Masachika não conseguiu evitar achar aquilo bastante adorável.
Por um instante, ficou curioso para saber o que aconteceria se bagunçasse o cabelo dela do mesmo jeito que alguém afagaria entusiasticamente um cachorro.
Mas entendia suficientemente bem de TPO para se conter.
Nota — TPO é uma abreviação japonesa bastante comum para Time, Place, Occasion — "Tempo, Lugar e Ocasião" — usada no sentido de agir de maneira apropriada de acordo com as circunstâncias.
— Ei, Alya. Bom trabalho. Parece que foi você quem deu o golpe final.
Alisa já havia conseguido se sentar enquanto Maria a curava. Masachika falou com ela casualmente e recebeu em troca um olhar absolutamente mortal.
— Masachika-kun, eu fico feliz que você esteja vivo, mas... que ataque suicida foi aquele!? Você não pode simplesmente fazer algo tão imprudente por conta própria!
— B-Bem, sim, tá. Desculpa por ter agido sem consultar ninguém. Mas eu realmente não consegui enxergar outra forma de—
— Kuze-kun? — Maria sorriu. — Quanto a isso, eu também estou extremamente zangada com você.
— M-Masha?
"Eu também."
— Ayano, você também...?
As três o encaravam com uma acusação inabalável. Até Masachika fraquejou diante daquela pressão.
"Francamente. Desista, meu Mestre. Você não vai ganhar uma discussão contra mulheres quando elas ficam assim usando lógica."
— Então o que eu deveria fazer?
"Pedir desculpas até elas ficarem satisfeitas."
— Que conselho maravilhosamente útil.
E, exatamente como Yuki aconselhou, Masachika passou mais de trinta minutos fazendo nada além de pedir desculpas. Por algum motivo inexplicável, aquela área específica tinha uma estrada excepcionalmente longa antes da próxima base.
Como resultado, Masachika passou toda a longa descida da montanha levando sermão das três mulheres.
Por que justo agora tinha que aparecer uma estrada infinita e vazia na montanha...? Nem inimigos estão aparecendo. Quer dizer, sim, se estamos literalmente andando do meio da montanha até o sopé, é claro que deveria levar esse tempo todo. Mas eu não preciso de realismo agora! Anda logo e ativa a troca de área!
Nota — Erichen, abreviação de "area change", uma gíria comum em jogos no Japão para a transição entre uma área/mapa e outra.
— Masachika-kun! Você está mesmo me ouvindo!?
— Sim! Desculpa!
E assim os pedidos de desculpas continuaram. Por fim, a trilha da montanha chegou ao fim, apenas para uma floresta densa e sombria surgir diante deles.
— Hm? A gente não deveria ter chegado à próxima cidade a esta altura...? Ou melhor, não era uma fortaleza?
— Foi o que eu pensei...
— Hmmm...? Ah! Estou vendo algo que parece um prédio mais para dentro da floresta. Não seria aquilo?
— É, você tem razão... Então acho que estamos indo pelo caminho certo mesmo.
— Só mais um pouco, então. Aah, quando chegarmos à base, preciso mandar consertar meu equipamento...
— Meu manto também ficou bem danificado. Vou ter que mandar arrumar... Mas, agora que conseguimos materiais de dragão, talvez seja melhor simplesmente trocar tudo.
— Verdade~. Espero que tenham algumas roupas fofinhas.
— Roupas fofinhas...?
A configuração era um pouco diferente das áreas anteriores, o que os fez se perguntar o que estava acontecendo. Mesmo assim, enxergar ao longe a próxima base permitiu que os quatro relaxassem um pouco.
Masachika percebeu que o clima de sermão finalmente havia desaparecido. Sem querer desperdiçar a oportunidade, adotou um tom um pouco mais sério.
— Então... o que vamos fazer daqui para frente?
— Como assim?
— Quero dizer, vamos mesmo continuar avançando?
Alisa e Maria piscaram, confusas. Masachika observou o rosto das duas por um momento antes de continuar.
— Pessoalmente, acho que voltar agora pode ser uma opção.
— O quê...? Você quer dizer...
— Tudo além daqui fica fora do território humano. É uma zona de guerra entre a humanidade e os demônios. Não fazemos ideia do que pode acontecer. Se vamos voltar, esta provavelmente é nossa última boa oportunidade.
Na verdade, até o próprio Masachika havia encarado tudo aquilo, até então, mais ou menos como se fosse um jogo. Graças à sua habilidade única absurdamente apelona, ele nunca havia sentido de verdade que sua vida estivesse em perigo.
Na realidade, ele vinha até se divertindo naquele mundo, um lugar semelhante àqueles jogos de realidade virtual de imersão total que antes só havia encontrado na ficção.
Mas… A batalha contra o dragão o obrigara a atravessar a linha entre vida e a morte. Foi como levar um balde de água fria na cabeça.
— Ainda não temos a menor ideia do que este mundo realmente é. Um sonho, algum tipo de alucinação coletiva... Continuo achando que algo assim é a explicação mais provável. Mas, no pior dos casos, não podemos descartar completamente a possibilidade de isto realmente ser uma invocação para outro mundo.
Ele fez uma pausa.
— E, se a gente sofrer um game over do grupo inteiro aqui, não fazemos a menor ideia do que acontece com nossos corpos no mundo original. Então, em vez de correr riscos desnecessários, não faria sentido voltar para a cidade e começar a procurar uma forma de sair deste mundo?
As irmãs Kujou olharam uma para a outra. Então ambas baixaram a cabeça e permaneceram algum tempo pensando em silêncio. Alisa foi a primeira a erguer o rosto.
— Acho que devemos continuar.
— Por quê?
— Porque, se pararmos agora, acho que nunca mais vamos conseguir começar a avançar de novo.
Alisa olhou diretamente nos olhos de Masachika enquanto explicava.
— É mais uma sensação do que algo lógico... mas acho que temos embalo agora. Viemos avançando com a convicção de que seguir em frente era nossa única opção.
Sua voz permaneceu firme.
— Se quebrarmos essa convicção aqui e dermos meia-volta... acho que vamos acabar sem conseguir sair da cidade outra vez. "Talvez ainda haja alguma coisa que não investigamos." "Talvez tenha existido algo importante na cidade anterior." Ficaríamos inventando desculpas desse tipo... até que, no fim, já não conseguíssemos reunir vontade suficiente para avançar outra vez.
Ela hesitou um pouco no final.
— Pelo menos, é o que eu acho.
Maria assentiu algumas vezes antes de falar.
— Mmm~. Acho que a Alya-chan tem razão. Claro, o que você está dizendo também faz todo sentido, Kuze-kun — ela lhe deu um sorriso gentil. — Você queria que a gente parasse e pensasse de verdade no que está fazendo, em vez de simplesmente se deixar levar e continuar avançando automaticamente, não é?
— Bem... sim.
Sem perder aquele sorriso suave, Maria havia enxergado perfeitamente sua verdadeira intenção. Então continuou.
— Mas, neste momento, humanos e demônios estão em guerra neste mundo, não estão?
— Sim.
— Nesse caso, se nós, o grupo da Heroína, recuarmos da linha de frente, isso não poderia facilitar o avanço dos demônios?
A expressão de Masachika mudou.
— As cidades pelas quais já passamos podem estar seguras agora, mas não existe garantia de que continuarão seguras para sempre, existe?
— Isso... é verdade.
— É...
Num jogo normal, seria extremamente raro que uma área segura usada como base se transformasse num campo de batalha simplesmente porque o tempo passou. Mas era completamente desconhecido se as mesmas regras se aplicavam àquele mundo. Masachika e Alisa olharam para Maria, surpresos com a perspicácia daquela observação.
Maria devolveu aos dois um olhar gentil.
— Além disso, ainda precisamos resgatar o presidente do conselho estudantil do castelo do Rei Demônio.
— Ah. Verdade.
Masachika percebeu algo de repente.
— Na verdade, existe a possibilidade de o presidente estar na mesma situação que nós e ainda se lembrar do mundo original.
— Agora que você falou... — disse Alisa. — Assim como nós aparecemos de repente dentro daquele castelo, talvez o presidente tenha acordado subitamente dentro de uma masmorra no castelo do Rei Demônio.
Imagine subitamente se encontrar preso, completamente sozinho, sem entender nada do que estava acontecendo cercado por monstros grotescos por todos os lados.
Uma pessoa comum provavelmente não conseguiria manter a estabilidade mental por mais do que alguns dias numa situação dessas. Até então, Masachika havia inconscientemente tratado a situação como se estivessem apenas resgatando algum NPC de princesa sequestrada.
Mas, olhando dessa forma… eles precisavam resgatar o presidente o mais rápido possível.
— Levando tudo isso em consideração... — disse Alisa. — Ainda acho que nossa única opção é seguir em frente.
Seu tom era firme. Seu olhar, decidido. Masachika não viu qualquer hesitação ali.
Então assentiu.
— É. Certo, então. Vamos continuar.
— Sim — assentiu Alisa.
— Mhm. Vai dar tudo certo. Nós quatro... Ah, não — Maria sorriu. — Nós cinco vamos dar um jeito.
"Ah, eu também conto? Masha-san, você é tão gentil~"
"Devotarei todo o meu corpo e minha alma a ajudá-los."
E assim, os quatro—
Não.
Os cinco começaram a avançar mais uma vez. Porém, acima da fortaleza para a qual seguiam, nuvens negras e pesadas se acumulavam quase como se anunciassem as batalhas brutais que os aguardavam.
Ainda assim... se as coisas já estão tão ruins na quinta área, que diabos vai acontecer mais para frente...?
Masachika guardou aquele pensamento para si. Não tinha intenção de abalar a determinação de suas companheiras. Mas se recusar a seguir em frente já não era mais uma opção. E, se era assim, então, não importava o que acontecesse, ele protegeria elas.
Alisa e Maria podiam ficar tão zangadas com ele quanto quisessem. Se a vida de todos fosse colocada em perigo novamente… ele arriscaria a própria vida quantas vezes fossem necessárias.
Masachika fortaleceu sua determinação. Mas, naquele momento, ele jamais poderia ter imaginado.
O maior e mais problemático inimigo que o grupo da Heroína enfrentaria até então — o adversário que os encurralaria mais do que qualquer outro antes dele — não os aguardava na área seguinte.
Ele já estava à espreita dentro da própria fortaleza para a qual estavam se dirigindo.
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📖✨ Este capítulo foi traduzido por Slag e revisado por Shisui
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