Alya às Vezes Esconde seus Sentimentos em Russo — Capítulo 137: Spinoff – Capítulo 6 – Capítulo 6: Mesmo em Outro Mundo, Eles Estão por Toda Parte

Alya às Vezes Esconde seus Sentimentos em Russo
Cap. 137
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Alya às Vezes Esconde seus Sentimentos em Russo

Spinoff – Capítulo 6 – Capítulo 6: Mesmo em Outro Mundo, Eles Estão por Toda Parte

Capítulo 137

10.411 palavras~45 min de leitura

— CERTO, ENTÃO... Depois de topar com um inimigo absurdo daqueles, acho que está mais do que na hora de melhorarmos nossos equipamentos, não acha? O meu também perdeu bastante durabilidade.

Quando o portão da fortaleza surgiu diante deles, Masachika puxou o manto enegrecido pela fuligem, que havia sofrido bastante com os relâmpagos.

Eles tinham aprimorado seus equipamentos várias vezes nas cidades anteriores, então seu valor defensivo em si não era ruim.

Ainda assim, havia um limite para quanto tempo poderiam continuar dependendo dos equipamentos iniciais. Até então, o HP de Masachika nunca havia caído a níveis realmente perigosos, então ele não sentira muita necessidade de substituí-los.

Mas depois da batalha contra o dragão… já não podia mais se dar ao luxo de ser tão despreocupado.

— Você tem razão. Na última cidade, só compramos um manto novo para a Ayano... Talvez esteja na hora de todos nós comprarmos armaduras novas também — disse Alisa.

— Eu topo~! Espero que tenham alguma coisa fofinha — concordou Maria.

— Masha... Eu já estava pensando nisso antes, mas tenho quase certeza de que "fofinho" não deveria ser o seu principal critério na hora de comprar uma armadura...

"Qualquer coisa serve, desde que seja uma roupa de maid."

Talvez tivesse ouvido a conversa deles, pois o guarda no portão da fortaleza chamou o grupo.

— Vocês estão procurando uma loja de armas e armaduras? Então deram sorte. Esta cidade tem uma loja de armas shugee. É melhor irem lá!

— Uma loja de armas incrível? Oba! Alya-chan, ele disse que tem uma loja de armas incrível!

— Tá, tá. Para de agarrar meu braço toda vez que fica empolgada...

— Espera, ele disse mesmo sugee…? Tenho a impressão de que soou um pouco diferente...

Masachika murmurou, incerto, enquanto Maria praticamente saltitava de empolgação. Ainda assim, pensando melhor, talvez o guarda realmente tivesse dito "incrível".

Ele decidiu não pensar muito nisso e simplesmente perguntou onde ficava a loja. Em seguida, atravessaram imediatamente a fortaleza em direção àquela suposta loja de armas incrível(?).

— Ah. É aquela?

Masachika avistou um prédio de pedra que parecia promissor em um dos cantos da fortaleza. Abriu a porta e espiou cautelosamente para dentro.

— Com licen—

— Bem-vindos~.

No instante em que viu o rosto da mulher que parecia ser a atendente, fechou a porta novamente.

— O que você está fazendo? — perguntou Alisa.

— Nada.

— O quê, o quê? Aconteceu alguma coisa? — perguntou Maria.

— Não, é só que... estou com um pressentimento ruim — Masachika massageou a região entre os olhos.

Ele jurava que a mulher que o havia recebido parecia estranhamente familiar. Então reconsiderou o que o guarda do portão havia dito.

Sugee...? Não. Tenho quase certeza de que ele disse shugee...

Loja de armas shugee...?

Shugee bu...?

O CLUBE DE ARTESANATO!?

Nota— 手芸部 (shugeibu) significa "Clube de Artesanato". A "loja de armas shugee" mencionada pelo guarda era um trocadilho fonético que apontava para shugeibu. A implicação é que essa loja está sendo administrada — ou pelo menos modelada — com base no Clube de Artesanato.

— Bem-vindooooos~.

No exato instante em que Masachika chegou à verdade, a porta se abriu pelo outro lado. Uma mulher de longos cabelos negros, presos em um único rabo de cavalo baixo na nuca, colocou a cabeça para fora. Seus olhos eram naturalmente estreitos, quase como se estivesse sorrindo o tempo todo.

— Entrem, entrem. Por favor, deem uma olhada nos nossos produtos.

— Ah... bem, então… — disse Alisa.

— Com licença~.

— Esperem, calma aí—

As irmãs entraram sem demonstrar o menor sinal de cautela. Masachika estendeu a mão para detê-las e então coçou vigorosamente a cabeça.

Por fim, resignou-se ao próprio destino e entrou atrás delas. No instante em que viu as incontáveis fileiras de equipamentos expostos, percebeu que seu mau pressentimento estava completamente justificado.

Ele cobriu a testa com uma das mãos.

"KKKK. Só tem armadura safada pra cacete."

Nota — Yuki usa a expressão coloquial バカエロ (baka-ero). Ela pode significar algo como "absurdamente/extremamente sexy".

Era uma maneira absurdamente vulgar de descrever a situação. Infelizmente… Yuki estava completamente certa. E, quando dizia "armaduras safadas pra cacete", ela não queria dizer apenas: "Armaduras tão inacreditavelmente sexy que chegam a ser ridículas."

O que queria dizer era: "Armaduras tão sexy que qualquer pessoa que aparecesse vestindo uma dessas num campo de batalha de verdade faria todo mundo se perguntar se ela era uma completa idiota."

Mesmo numa olhada rápida, praticamente todos os conjuntos deixavam tanta pele à mostra que os equipamentos atualmente usados pelas mulheres pareciam extremamente modestos em comparação.

— E-Espera, o que é tudo isso!? — Gritou Alisa.

— Fuaaaah~... A-A gente pode mesmo entrar numa loja dessas~? — As bochechas de Maria ficaram vermelhas enquanto seu olhar vagava inquietamente pela loja.

Masachika sentia exatamente a mesma coisa. Algumas daquelas roupas eram reveladoras demais até mesmo para serem descartadas como simples cosplay. Algumas pareciam o tipo de traje que faria alguém ser expulso de um evento público comum.

Mas o que é isso...? Esta loja inteira tem uma aura gigantesca de conteúdo +18…

De algum modo, o clima era ainda mais constrangedor do que entrar numa loja de lingerie acompanhado por mulheres. Masachika se dirigiu à atendente que parecia estar eternamente sorrindo.

— Hum... Existe algum outro lugar por aqui que venda armaduras?

— Somos a única loja da fortaleza~.

— Você só pode estar brincando...

Aquilo era constrangedor demais. Talvez realmente devessem considerar voltar à cidade anterior. Por enquanto, no mínimo, sair daquela loja parecia ser a decisão correta.

— Ei, vocês três—

Masachika se virou para chamar Alisa, Maria e Ayano—

— Uau... Isso é incrível......... incrível...

— Fuaaaah~... Essa é fofinha, mas... uaaah...

......

— VOCÊS ESTÃO INTERESSADAS, NÃO É!?

As irmãs Kujou vagavam pela loja com as bochechas coradas, emanando a inconfundível aura de pessoas que estavam morrendo de vergonha, mas eram incapazes de resistir à vontade de olhar para algo escandaloso.

Ayano, completamente inexpressiva, encarava intensamente algo que parecia estar a meio caminho entre um uniforme de maid e um maiô.

"Você também está interessado, não está? Não precisa se esforçar tanto para fingir que não..." provocou Yuki mentalmente.

"Quer dizer, como otaku, claro. Se aquelas roupas de batalha ridículas que aparecem em gacha realmente existissem na vida real, é óbvio que eu ficaria curioso..." respondeu Masachika mentalmente.

"Sim, sim. Pura curiosidade acadêmica de otaku. Vamos dizer que é isso." retrucou Yuki.

Masachika desviou o olhar da irmã. Ainda assim, se nenhuma das mulheres pretendia sair… achou que pelo menos poderia dar uma olhada. Ele se aventurou mais para dentro da loja.

"Caaaaramba. Olha isso. Isso é mesmo uma armadura?" comentou Masachika, impressionado.

"Parece só roupa íntima... Eles estão mesmo chamando isso de roupa de usar por cima?" perguntou Yuki, observando uma das peças.

"Ei, tem umas roupas de bondage ali. E, obviamente, a arma que você deveria combinar com elas é um chicote," apontou Masachika.

"Isso já é material +18 sem disfarce nenhum..." — comentou Yuki.

"Ah! Armadura de biquíni! É óbvio que a Alya tem que usar essa!" exclamou Yuki, animada.

"Nem fodendo! ...Embora, olhando os atributos, essa coisa realmente tenha uma Defesa bem alta. Sério?" retrucou Masachika.

"Esta seção deve ser de equipamentos para sacerdotisas como a Masha, né? Ah! Tem uma roupa de freira indecente" disse Yuki, passando os olhos pelas opções.

"Era para ela ser uma freira, então por que a roupa é transparente? Por que a parte de baixo dos seios fica completamente exposta? Por que as coxas ficam completamente expostas? Os designers são idiotas?" — reclamou Masachika.

"Também têm roupas de sacerdotisa xintoísta. Esta aqui parece bem normal, não acha?" comentou Yuki.

"Olha direito. As laterais são completamente abertas. Dá para ver as axilas e a lateral dos seios" rebateu Masachika.

"O que tem aqui...? Equipamento para classe de batedor?" perguntou Yuki, aproximando-se da seção seguinte.

"E todos, sem exceção, são macacões colados ao corpo. Muito obrigado", comentou Masachika, em falsa formalidade.

Nota — "Muito obrigado" aqui é usado como uma expressão cômica de falsa formalidade, no sentido de: "Sim, claro que é. Exatamente o que eu esperava."

"Uau, eles têm até equipamento com aparência de ficção científica. Isso não entra em conflito com a ambientação?" perguntou Yuki.

"Ah, sim. O clássico traje de combate safado pra cacete. E este aqui basicamente é outro macacão colado de corpo inteiro" respondeu Masachika.

Depois de toda aquela troca mental, Masachika percebeu algo de repente e se virou para Yuki.

"Espera aí. O que aconteceu com a sua restrição de 'CENSURADO!'"? — perguntou ele.

"Hm? Isso é equipamento. Não é roupa íntima" respondeu Yuki com naturalidade.

"....Entendi" murmurou Masachika.

"Ah! Também têm armaduras em forma de vestido. Uau, esse decote é insano" exclamou Yuki.

Ela voava de um lado para o outro pela loja com um sorriso lascivo estampado no rosto.

......

Masachika, por outro lado, finalmente havia atingido seu limite de ficar encarando armaduras absurdamente reveladoras. Abandonou Yuki onde estava e seguiu até as fileiras de armas expostas na parede.

— Ooh... Agora sim temos alguma coisa que vale a pena olhar.

Espadas e lâminas dos mais variados formatos e tamanhos estavam penduradas em fileiras organizadas pela parede. Aquilo estimulava seu otaku interior de uma maneira completamente diferente.

Ele abriu um sorriso enquanto admirava todas aquelas armas de fantasia estilosas que, na prática, nem podia equipar. Então uma sombra se aproximou silenciosamente por trás dele.

— Alguma coisa chamou sua atenção~?

— Uou...! Hum, eu sou da retaguarda, então...

Embora eu praticamente nem use magia de verdade…

Guardando aquela observação para si mesmo, Masachika deu um sorriso sem jeito para a atendente.

Talvez eu devesse simplesmente aceitar a realidade, pegar uma arma e lutar na linha de frente...

Só que eu não tenho uma única habilidade de combate corpo a corpo.

Ele zombou de si mesmo mentalmente e então parou de repente.

Hm?

Espera... Isso já não é verdade?

Pensando bem, ele já estava espancando inimigos com seu grimório. E não era como se tivesse alguma habilidade de combate corpo a corpo específica para fazer aquilo. Na verdade, ele duvidava seriamente que sequer existisse uma habilidade dedicada especificamente a usar livros como armas de combate corpo a corpo.

A principal vantagem do grimório é a durabilidade infinita, então ele não pode quebrar... Mas, para começo de conversa, nunca foi feito para ser usado como arma.

Se eu não tenho nenhuma habilidade específica para armas de qualquer jeito, talvez carregar uma arma de verdade ainda seja melhor...?

Reconsiderando suas suposições, Masachika se virou para a atendente.

— Hum, quanto a armas como espadas... É necessário ter a habilidade correspondente para usá-las? Algo como «Esgrima»?

— Não? De forma alguma. Você pode equipar uma espada mesmo sem possuir a habilidade «Esgrima». Naturalmente, sem ela você não receberá nenhum bônus relacionado à habilidade e também não poderá usar suas técnicas de combate.

A atendente respondeu imediatamente e então continuou:

— Você é um aventureiro de classe mágica, correto? Nesse caso, a habilidade de combate corpo a corpo que teria mais chances de possuir seria algo como «Técnicas de Cajado». Se possuir «Técnicas de Cajado», também poderá receber benefícios ao utilizar armas pertencentes à mesma categoria de «Técnicas de Haste».

— Eu também não tenho «Técnicas de Cajado»... Espera, «Técnicas de Cajado» deriva de «Técnicas de Haste»?

Masachika ficou impressionado ao descobrir uma mecânica do sistema que nunca havia entendido direito. Então alguma coisa lhe ocorreu.

Espera...

O Takeshi não disse que «Técnicas de Bastão» também derivava de «Técnicas de Haste»?

Então, se eu tivesse conseguido aprender a habilidade «Beisebol», lutar com um cajado teria se tornado uma opção para mim?

Ele se lembrou do único evento até então que havia lhe oferecido a oportunidade de adquirir uma habilidade de combate corpo a corpo. Sentiu uma breve pontada de arrependimento. Mas não adiantava ficar remoendo aquilo, então rapidamente deixou o assunto de lado.

— Vocês têm alguma arma contundente decente que possa ser usada com uma mão?

— Armas contundentes de uma mão? Certamente. Por aqui.

A atendente o conduziu até uma seção repleta de martelos de metal, martelos de unha, marretas de madeira, clavas e armas semelhantes. Mas o que mais chamou a atenção de Masachika foi—

— Por que tem um chinelo aqui?

Um chinelo verde de banheiro estava casualmente colocado entre as armas de verdade.

— Espera, o que é isso? Vocês estão de propósito esperando que eu faça um tsukkomi? Porque já vou avisando que me recuso completamente. E, mesmo você usando uma saia com uma fenda descaradamente sugestiva dessas, eu definitivamente não vou fazer tsukkomi em nada.

Nota — ツッコミ (tsukkomi) é a réplica do "homem sério" na comédia japonesa: apontar ou reagir ao absurdo cometido pelo boke. Porém, o verbo 突っ込む (tsukkomu) também pode significar "enfiar", "introduzir" ou "meter algo dentro de alguma coisa", criando aqui um duplo sentido sexual proposital quando Masachika menciona a saia extremamente aberta da atendente.

Por algum motivo inexplicável, apesar de trabalhar numa loja de armas e armaduras, a atendente usava uma saia com uma enorme fenda subindo pela lateral. Ela inclinou a cabeça.

— Não tenho certeza do que você quer dizer, mas isso é um chinelo, uma variante do harisen.

— Um chinelo é uma variante de harisen!? Espera, harisen também existem como armas de verdade!?

Nota — Harisen é um grande leque dobrado de papel tradicionalmente usado como acessório de comédia pastelão. Na comédia japonesa, o responsável pelo tsukkomi pode bater com ele no boke — a pessoa que está fazendo ou dizendo algo absurdo.

— Eles possuem um poder de ataque extremamente baixo, mas, quando você acerta um golpe crítico, há uma chance de infligir a alteração de status "Fricção Reduzida: Escorregão".

— Você acerta alguém com uma réplica de comédia e faz a pessoa escorregar!? Que tipo de arma cruel é essa!?

Nota — 滑る (suberu, "escorregar") também é usado para dizer que uma piada fracassou ou "não teve graça". Como o harisen está associado a corrigir piadas ruins, a arma literalmente faz o alvo "escorregar", transformando uma expressão da comédia em uma alteração de status física.

— A variante de chinelo também possui um poder muito baixo, mas, quando acerta um golpe crítico, há uma chance de infligir "Silêncio".

— Então depois a sala inteira fica naquele silêncio constrangedor!? Isso é ainda mais cruel!

Nota — シーン (shiin) é uma onomatopeia japonesa usada para representar silêncio absoluto e constrangedor, especialmente depois que uma piada fracassa. O efeito "Silêncio" do chinelo continua a piada: a vítima leva uma chinelada, a piada morre e todo mundo fica em silêncio.

Masachika conferiu os atributos do chinelo de banheiro. De fato, o item possuía exatamente os efeitos que ela havia descrito. Seu valor de Ataque, porém, era um completo lixo.

Seria engraçado como arma de piada... mas não. Nem pensar.

Eu literalmente causaria mais dano simplesmente batendo nas pessoas com o meu grimório.

Masachika fez mais algumas perguntas e, por fim, escolheu uma arma.

— Certo. Vou levar esta.

— Certamente. Um Chinelo de WC. Muito obrigada~.

O QUÊ!?

De algum modo, antes mesmo de perceber o que havia acontecido ele estava segurando o chinelo. Não entendia por quê. Mas, por algum motivo inexplicável, sentira que simplesmente precisava comprá-lo.

Bem, sabe como é... como arma de piada.

Não é que as outras armas fossem ruins nem nada. Elas só... não tinham alguma coisa decisiva, eu acho?

Dando desculpas para absolutamente ninguém, Masachika enfiou às pressas o chinelo de banheiro recém-comprado em seu inventário antes que qualquer outra pessoa pudesse vê-lo. Então seus olhos recaíram sobre os materiais de monstros armazenados ao lado dele.

Uma ideia lhe ocorreu.

— Hum, vocês conseguem fabricar equipamentos aqui se eu mesmo fornecer os materiais?

— Claro~.

— Então... daria para fazer alguma coisa com estes?

Masachika retirou os materiais que haviam obtido do dragão. Pela primeira vez, os olhos estreitos da atendente, que pareciam estar sempre sorrindo, se abriram completamente.

⋆⋅☆⋅⋆

Mais tarde, depois de receber a permissão de seus companheiros, Masachika acertou os detalhes com a atendente. Entregou vários materiais, principalmente os do dragão, e então foi se reunir com as outras.

"Ah, terminou de conversar?" Perguntou Yuki.

— Mais ou menos. Parece que talvez saia uma arma bem interessante disso.

"Legal. Aliás, eu vi você olhando as armas mais cedo. Comprou alguma coisa?"

— Mais ou menos.

Ele deu uma resposta propositalmente vaga a Yuki, que havia flutuado até ele. Antes que ela pudesse investigar melhor, mudou imediatamente de assunto.

— Onde estão a Alya e as outras?

"Ainda olhando as armaduras~. Elas estão levando isso bem a sério."

— Ah.

"Você também não vai comprar uma armadura nova, Mestre?"

— Quer dizer, eu pretendo trocar a minha...

"Ah! Então tinha um cinto sexy ali. Você deveria usar aquele!"

— Eu já consigo imaginar que tipo de equipamento você está falando e, não, eu não vou comprar.

Enquanto conversavam, Masachika ouviu vozes vindas de trás de um expositor próximo. Ao que parecia, a mesma atendente havia, de algum modo, se deslocado até lá e agora conversava com Alisa.

— Este equipamento chamou sua atenção, senhorita? — perguntou a Atendente.

— Hã? Bem... talvez um pouco...

Masachika seguiu na direção das vozes. Encontrou Alisa parada diante de um conjunto específico de armadura, encarando-o com uma expressão profundamente dividida.

A peça inteira era decorada em branco e dourado, tendo penas como seu principal motivo visual. Era uma armadura em forma de vestido que lembrava vagamente um anjo ou uma Valquíria, exceto pelo fato de que havia tecido de menos cobrindo quem a vestisse.

A impressão geral era basicamente: "Vocês ficaram malucos?"

— Essa armadura não apenas aumenta sua resistência a alterações de status — explicou a atendente. — Ela também aumenta em vinte por cento tanto o dano de Luz quanto o dano Sagrado. É extremamente popular entre Paladinos~. Na verdade, houve até uma época em que uma Ordem Sagrada inteira a adotou como uniforme oficial.

— Espera... isso era o uniforme oficial delas? Deus abençoe este mundo.

Masachika não conseguiu impedir que o comentário escapasse em voz baixa. Ele havia imaginado instantaneamente uma formação organizada de belas mulheres loiras usando versões idênticas daquela roupa.

Felizmente, Alisa não pareceu ouvi-lo.

— Os atributos são bons, mas... o design é… — Alisa apontou hesitante para o maior problema.

A atendente assentiu repetidamente com uma expressão compreensiva.

— Claro. Eu entendo perfeitamente.

— V-Você entende...?

— É impossível saber se vai gostar sem experimentar!

— Como é?

— Não se preocupe! — A atendente bateu as mãos com força. — Pessoal!

Mais de dez funcionárias surgiram subitamente do nada e se alinharam ao redor das garotas. Em questão de segundos, Alisa, Maria e Ayano estavam completamente cercadas.

— Levem nossas clientes aos provadores!

— Espera, O QUÊ!?

— Eeeeh~!?

......

As três garotas foram cercadas num instante e empurradas para os fundos da loja.

— E-Esperem! Um momento!?

— Ora, ora~! Não tem problema nenhum~! Problema nenhum~ — disse a Atendente.

Nota — よいではないか~ (yoi de wa nai ka~) é uma fala clichê associada a nobres tarados em paródias de dramas históricos japoneses, normalmente dita enquanto tentam despir uma mulher puxando a faixa de seu quimono. A implicação cômica é algo como: "Ora, não resista~!"

Alisa parecia estar resistindo, mas desapareceu dentro do provador quase instantaneamente. Até mesmo o braço que estendeu na direção de Masachika num silencioso pedido de socorro desapareceu quando a cortina se fechou.

— Espera! Eu nunca disse que ia experimentar—

— Tira! Tira! Tira! Tiraaaaa!

Nota — 剥ぎ取り (hagitori) significa literalmente retirar ou arrancar algo, mas também é um termo comum em jogos para "extrair" ou "coletar" materiais de monstros derrotados. Aqui, as funcionárias soam como se estivessem usando alguma habilidade de saque para remover as roupas da Alya.

— Espera, não—AAAAAH!?

Um grito semelhante veio do provador para o qual Maria havia sido arrastada. Masachika se virou bruscamente para a única atendente que havia permanecido do lado de fora.

— Ei! Elas estão usando algum tipo de habilidade de roubo para arrancar os equipamentos delas!?

"Eu quero saber que habilidade é essa, então, por favor, abra a cortina!"

— VOCÊ cala a boca!

Masachika retrucou para Yuki e, quase como se alguém tivesse atendido ao pedido dela, as três cortinas dos provadores se abriram simultaneamente.

Lá dentro estavam — resumindo — uma freira escandalosamente sexy, uma Valquíria absurdamente reveladora, e uma kunoichi descaradamente provocante.

A roupa original de Maria já parecia algo criado especificamente para testar os desejos mundanos dos fiéis. Agora, porém, aquilo havia ultrapassado em muito qualquer coisa que ainda pudesse ser chamada de "teste".

A enorme quantidade da parte inferior dos seios à mostra parecia capaz de fazer até mesmo um monge iluminado abandonar o nirvana e retornar às tentações carnais.

E havia uma quantidade impressionante de coxas à mostra.

Quanto à Heroína Alisa, ela agora era uma "heroína" num sentido completamente diferente da palavra. Lutar usando uma armadura em que um único movimento errado parecia capaz de fazer seus seios escaparem completamente? Só uma verdadeira heroína teria coragem para algo assim. E havia uma quantidade impressionante de coxas à mostra.

A roupa de Ayano, na verdade, expunha menos pele do que as outras duas quando comparada ao seu uniforme original de maid. Porém, a abertura estranhamente ampla na frente de seu quimono revelava por baixo uma pele envolta em tecido de rede, o que, de alguma forma, tornava o conjunto ainda mais provocante.

E, naturalmente — havia coxas.

— Magnífico.

A atendente assentiu com profunda satisfação e começou a aplaudir. As outras funcionárias imediatamente fizeram o mesmo, aplaudindo e cobrindo as três garotas de elogios.

"UOOOOOOOU!" Yuki juntou as duas mãos e os dois pés numa imitação bizarra de uma posição de mergulho — e então disparou pelo ar na direção das três. "CARAAAAALHO! UOOOOHOOHOOO! Essas pernas são LONGAS DEMAIS! Essa cintura é MINÚSCULA! Esses PEITOS SÃO ENORMES! Olha essa bunda empinada e essas COXAS! Sangue do Leste Europeu é outro nível! Elas são construídas diferente até no esqueleto!"

Ela voava ao redor das irmãs Kujou mais rápido do que Masachika jamais a vira se mover, gritando empolgadamente o tempo inteiro. As mulheres de verdade, por outro lado—

— N-Não olha!

Alisa tentava desesperadamente cobrir o corpo com os dois braços.

— I-Isso é... sinceramente um pouco constrangedor demais… — A voz de Maria havia ficado quase inaudível de tanta vergonha.

......

Ayano continuava olhando ansiosamente para trás, aparentemente preocupada com onde exatamente sua cauda deveria passar pela roupa.

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Yuki encarava atentamente a região próxima à base da cauda de Ayano, claramente fascinada pela mesma questão.

— NÃO TEM A MENOR CHANCE DE ESTA ARMADURA SER ACEITÁVEL!

O grito de Alisa finalmente trouxe Masachika de volta à realidade. Reunindo uma força de vontade de aço, ele arrancou o olhar das três garotas e voltou a confrontar a atendente.

A mulher colocou uma mão tranquilizadora sobre o ombro dele.

— Ora, ora. Acalme-se, Kuze-shi.

— Ei, não começa a me chamar de Kuze-shi assim do nada.

— Apenas imagine… — a atendente exibiu uma expressão incomumente gentil. — Imagine aquelas garotas no campo de batalha vestindo essas roupas.

— Hã?

Guiado por aquela voz estranhamente tranquilizadora, Masachika imaginou.

⋆⋅☆⋅⋆

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Era o grande salão do castelo do Rei Demônio — um lugar que eles ainda não haviam visto. Diante deles estava o aterrorizante Rei Demônio, uma figura monstruosa semelhante a um demônio gigantesco.

— Rei Demônio! Eu vou derrotá-lo e voltar para o meu mundo original! — Alisa empunhou sua espada sagrada e proferiu sua declaração heroica.

Infelizmente sua armadura era tão absurdamente reveladora que Masachika não conseguia processar uma única palavra do que ela estava dizendo.

— Deixem a defesa e a cura comigo! Eu juro que vou proteger cada um de vocês!

Atrás de Alisa, Maria ergueu o cajado e declarou aquelas palavras tranquilizadoras. Infelizmente, a parte inferior de seus seios que escapava da roupa balançava a cada movimento.

......

Ayano preparou silenciosamente sua arma oculta e aguardou uma brecha na defesa do Rei Demônio.

Embora, pensando bem, a coisa com mais brechas ali fosse a própria roupa dela.

Será que aquelas garotas tinham vindo derrotar o Rei Demônio na base do puro apelo sexual?

⋆⋅☆⋅⋆

......

— E então? Não acha magnífico?

— Achei ridículo.

Masachika respondeu com total compostura. Então, por acaso, notou uma placa afixada na parede atrás da atendente.

SÍNTESE DE ARMADURAS DISPONÍVEL

— Síntese de armaduras...?

A atendente reagiu ao murmúrio dele e olhou para a placa.

— Ah, síntese de armaduras significa combinar duas peças de armadura por meio de alquimia. Todo mundo quer manter os atributos sem sacrificar o visual, não quer? A síntese de armaduras torna esse sonho realidade! Você fica com o melhor das duas: o desempenho de uma peça e a aparência da outra!

Ela colocou dramaticamente a mão direita sobre o peito e ergueu a esquerda para o céu, como uma atriz de teatro, proclamando orgulhosamente as virtudes do serviço.

— Então, basicamente, dá para manter os atributos da armadura original e trocar apenas a aparência pela de outro conjunto?

— Colocando de forma simples, sim.

A atendente assentiu. Sem a menor hesitação, Masachika apontou para Alisa e as outras.

— Então vamos comprar aqueles conjuntos ali. Dá para mudar a aparência deles de volta para as armaduras que elas estavam usando antes?

— Hã............?

⋆⋅☆⋅⋆

— Cara, ela realmente resistiu até o fim.

— Sem dúvida.

Depois disso, a atendente havia feito algo que só podia ser descrito como um ataque infantil completo, debatendo braços e pernas enquanto repetia aos gritos que se recusava.

As outras funcionárias começaram a chorar de forma tão dramática que Masachika teve vontade de perguntar se alguém da família delas tinha morrido. Depois de, de algum jeito, conseguirem convencer todas elas, Masachika e as outras finalmente concluíram aquilo que tinham vindo fazer desde o começo.

Quando os quatro saíram da loja, suas roupas pareciam exatamente as mesmas de antes. O desempenho por baixo delas, porém, havia melhorado drasticamente. Mesmo considerando apenas a Defesa, todos provavelmente haviam ganhado algo em torno de quarenta por cento.

Quanto a Masachika — ele havia comprado um manto completamente comum, sem absolutamente nada de interessante.

Yuki havia recomendado agressivamente aquele equipamento de "cinto sexy", mas ele a ignorou.

— Equipamento de linha de frente realmente está em outro nível comparado a equipamento inicial aprimorado — disse Masachika.

— Com certeza. E fico feliz de não precisarmos mudar nossa aparência.

Alisa olhou para a armadura familiar que já estava acostumada a usar e girou levemente os braços para testar seus movimentos. Ao lado dela, Masachika se lembrou do que a atendente havia dito pouco antes de saírem.

— Hum... Eu acrescentei uma função extra. Agora vocês podem restaurar a aparência original das armaduras pelo menu quando quiserem...

— O quê?

— É cortesia da casa, claro. Não há custo adicional. Usem quando chegar a hora certa.

— Eu não vou usar.

Essa havia sido sua resposta imediata.

Mas agora...

Se, bem no meio da batalha final super séria, todo mundo de repente trocasse para aquelas armaduras com bunda e peito escapando...

Nota — プリケツ (puriketsu) é uma gíria para uma bunda especialmente bem formada ou arredondada. はみ乳 (hamichichi / hami-chichi) se refere aos seios visivelmente escapando da roupa.

Só de imaginar aquela cena completamente surreal, o canto da boca de Masachika se contraiu.

Não que eu realmente fosse fazer isso, claro. Aquelas roupas mostram tanta pele que eu ficaria genuinamente preocupado com o valor defensivo delas...

— O quê? O que foi?

Alisa percebeu que ele estava contendo o riso atrás de uma das mãos.

— Nada.

Masachika imediatamente recompôs o rosto numa expressão séria. Então os olhos de Alisa se arregalaram de repente, como se tivesse percebido alguma coisa. Ela o encarou com força.

— Não me diga que você estava lembrando de como a gente ficou lá dentro e rindo disso...

— Eeh? Kuze-kun, você estava mesmo? — perguntou Maria.

— Não, não é isso—

Masachika negou imediatamente.

Infelizmente, como a acusação não era completamente falsa, sua resposta saiu com bem menos confiança do que ele gostaria.

As bochechas de Alisa ficaram ainda mais vermelhas. Suas sobrancelhas se ergueram. Então, aparentemente atingida por uma ideia, ela abriu um sorriso ameaçador.

— Sabe... pensando bem, parece um pouco injusto que só nós tenhamos sido forçadas a usar roupas constrangedoras.

— Mmm~. Pensando assim, é verdade mesmo~ — concordou Maria.

— Ih...

Masachika sentiu um pressentimento terrível e deu lentamente um passo para trás. Alisa falou de forma deliberada.

— Agora que penso nisso, aquela loja também tinha alguns equipamentos masculinos extremamente constrangedores, não tinha...?

Masachika girou sobre os calcanhares e saiu correndo na mesma hora.

— «Zashchitnaya Stena»!

(Muralha Defensiva)

— Gah!

Uma parede de luz surgiu diretamente diante dele ao som da voz de Maria. Ele foi capturado em cerca de dois segundos.

— Com licença, atendente~! Você ainda está aí~?

— Sim~? Em que posso ajudar?

— Este homem disse que gostaria de experimentar aquele equipamento em forma de cinto de mais cedo~!

— Claro! Pessoal!

— Com prazer!

Um enxame de funcionárias saiu correndo da loja e cercou Masachika em poucos segundos.

— M-Me soltemmmmm! EU SOU UM MAGO!

Seu grito desesperado não surtiu efeito algum. As mulheres o empurraram para dentro do provador nos fundos da loja e, pelo bem de sua dignidade, o que aconteceu depois permanecerá em segredo.

⋆⋅☆⋅⋆

— Certoooo... Vamos entrar na próxima área agora...?

— KKKK, sua empolgação morreu completamente.

Depois de melhorarem armas e armaduras, reabastecerem seus itens e reunirem informações, o grupo se posicionou diante da próxima área — um vasto mar de árvores enormes e densamente agrupadas. Eles faziam os últimos preparativos.

— Vamos... Eu já disse que sinto muito. Não dá para deixar isso para trás?

— Belo discurso vindo da pessoa que riu ainda mais de mim do que quando a Masha ficou presa naquele baú do tesouro.

Masachika lançou um olhar sem emoção para Alisa. Ao se lembrar do incidente, as bochechas de Alisa se contraíram como se ela estivesse tentando segurar outra risada, e ela virou o rosto.

— Francamente, Alya-chan... Desculpa, Kuze-kun~. Eu devia ter parado elas também.

— Não, tudo bem... É.

Depois que Maria se desculpou, Masachika se lembrou de que não havia sido o único humilhado naquele dia. Isso o ajudou a recuperar o ânimo.

— Haaah... Certo. Mais uma vez: todo mundo pronto?

— Sim.

— Sim. Completamente pronta.

"Não há problemas."

Masachika olhou ao redor para seus companheiros enquanto todos assentiam com firmeza.

— Talvez haja inimigos pela frente tão fortes quanto aquele dragão... Então vamos priorizar continuar vivos e avançar com cuidado.

Então ele se virou para Alisa.

— Certo, Heroína Alya. Faça um último grito de guerra para nós.

— Hã? Ah, hum...

Ela pareceu levemente pega de surpresa. Mas, com todos olhando para ela, Alisa rapidamente se recompôs e cerrou um dos punhos.

— Nós vamos voltar todos vivos. Juntos. Hip, hip—hurra!

Nota — えい、えい、おー! (ei, ei, ō!) é um grito tradicional de incentivo em grupo, semelhante a "Hip, hip, hurra!" ou uma equipe gritando "Vamos!" em conjunto.

O grito de incentivo dela saiu um pouco desajeitado. Masachika trocou um breve sorriso com Maria e então ergueu o punho para o alto.

— Hurra!

"Hurra."

E assim, com a determinação renovada, os quatro entraram na floresta.

………..

Exceto que—

— Isso está sendo anticlimático num nível quase inacreditável.

— Hmm~? O quê~?

— Quero dizer... a gente não está avançando com facilidade demais?

Nas profundezas da sétima área, Masachika expressou sua preocupação para Maria. Contrariando toda a ansiedade que haviam sentido depois da batalha contra o dragão na quinta área, a sexta área — a vasta floresta — havia sido surpreendentemente fácil de concluir.

Isso incluía o boss da área: um Treant gigantesco.

Bem...

Sem dúvida, ele havia sido forte.

Como monstro do tipo planta, não possuía pontos fracos óbvios como coração ou cérebro. Controlava dezenas de galhos enormes em todas as direções, combinando um poder de ataque físico absurdo com ataques surpresa de raízes espalhadas por todo o campo de batalha.

Também podia liberar pólen que causava alterações de status. E disparar incontáveis folhas afiadas como navalhas na forma de projéteis mágicos. Pior ainda, possuía uma capacidade regenerativa aparentemente inesgotável, absorvendo nutrientes pelas raízes para se curar continuamente.

E mesmo assim… eles haviam praticamente vencido na força bruta. Porque, depois da batalha contra o dragão, Masachika havia descoberto uma nova filosofia: "Se o feitiço sair de controle, mas ainda acertar o inimigo, então está tudo certo, não é?"

Maria, claro, havia lançado corretamente magia defensiva nele antes. Mas sua nova estratégia de bombardear indiscriminadamente com magia, aceitando completamente os erros de conjuração, acabou sendo absurdamente eficaz contra um Treant cujos galhos e raízes ocupavam uma área enorme.

O momento decisivo aconteceu quando um dos feitiços de Terra de Masachika, que havia saído errado, ergueu um pedaço inteiro do solo — raízes do Treant e tudo — e o arremessou para longe.

Para o azar do Treant, aquilo aconteceu diretamente atrás da parte do tronco onde havia uma cavidade semelhante a um rosto. O impacto fez o monstro cair de cara. E, em mais um golpe de azar terrível — o lugar onde ele caiu por acaso continha uma enorme poça de água criada por um dos feitiços de Água de Masachika.

Que, naturalmente, também havia saído errado. Sem conseguir enxergar. Sem conseguir falar. Mal conseguindo se regenerar pelas raízes. O Treant simplesmente foi espancado impiedosamente até morrer.

Nota — 袋叩き (fukuro-dataki) significa um grupo se juntar para espancar um único alvo por todos os lados — basicamente, "levar uma surra coletiva".

Ainda assim, aquela havia sido apenas uma situação de sorte em que, por acidente, tinham deixado o boss praticamente preso em stunlock, como se estivessem explorando um bug. Masachika presumira que a sétima área — as cavernas — faria o grupo voltar a ter dificuldades normais.

E mesmo assim… nada particularmente difícil havia acontecido até então.

— Quero dizer, se pensarmos racionalmente, tenho quase certeza de que jogadores normais não conseguiriam atravessar essas áreas com tanta facilidade — disse Masachika.

— Verdade… — Alisa assentiu, parecendo igualmente dividida.

A floresta da sexta área era cheia de árvores densamente agrupadas e neblina pesada frequente, o que tornava extremamente fácil perder completamente o senso de direção. E a sétima área era um gigantesco labirinto natural formado por incontáveis cavernas de tamanhos variados que se cruzavam tridimensionalmente.

As duas áreas deveriam ser absurdamente difíceis de atravessar sem se perder. Se você enfrentasse inimigos repetidamente pelo caminho, quase certamente acabaria perdendo a noção da rota. Com o tempo, já não saberia onde ficavam nem a entrada nem a saída. Ficaria vagando sem rumo, consumindo resistência física, força mental e suprimentos — até finalmente desabar.

Provavelmente, era assim que aquelas áreas haviam sido projetadas.

— Só que, graças à Masha, a gente não se perde de jeito nenhum... Bem, tecnicamente acho que a gente está se perdendo — acrescentou Masachika.

— Ehe~. Não é nada demais~.

— Não foi exatamente um elogio…..

Exatamente. Eles tinham a habilidade única de Maria.

«Milagre da Madona».

Uma habilidade misteriosa cujo efeito era: "O usuário tem uma grande probabilidade de se perder, mas sempre acabará chegando ao destino desejado."

Nota — 聖母 (seibo) significa literalmente "Santa Mãe" e é frequentemente usado para se referir à Virgem Maria; "Madona" também remete à Virgem Maria. O nome da habilidade combina propositalmente essa imagem religiosa com a palavra inglesa "Miracle".

A habilidade havia destruído completamente a dificuldade que aquelas duas áreas deveriam ter. Maria parecia escolher os caminhos quase totalmente ao acaso — e, ainda assim, de algum modo, eles continuavam avançando perfeitamente.

Se o responsável pelo design daquelas áreas pudesse vê-los naquele momento, provavelmente estaria chorando.

— Bem, deixando isso de lado... Pensando dessa forma, aquele dragão da Área Cinco realmente era anormalmente forte — comentou Masachika.

— Mmm~~.

— Com certeza era.

Os três exibiam expressões igualmente inquietas. Mas não adiantava se preocupar com uma pergunta que não podiam responder, então continuaram avançando pelas cavernas.

Seguiram os instintos de Maria.

Em frente. Em frente. Em frente.

Justamente quando Masachika começou a pensar que o boss provavelmente apareceria em breve — eles subitamente emergiram em uma câmara ampla e aberta. E, ainda mais surpreendente — a luz do sol entrava por cima.

— Uau...

— Que bonito~.

Ao contrário das cavernas apertadas e úmidas pelas quais vinham passando, aquela era uma câmara circular com o teto aberto. Talvez porque a luz do sol alcançasse o chão, plantas verdes cresciam ao redor da região central.

Depois de passarem tanto tempo dentro das cavernas sombrias, era o tipo de lugar que fazia qualquer pessoa sentir vontade de se espreguiçar instintivamente.

Porém—

— Não baixem a guarda — avisou Alisa.

— É. Eu sei... Isto aqui obviamente é uma sala de boss — concordou Masachika.

— Certo... E não sabemos de onde ele vai aparecer.

Ao ouvir o aviso de Alisa, Maria examinou cuidadosamente os arredores enquanto aplicava magias defensivas e de suporte em todos.

Eles concluíram todos os preparativos.

E mesmo assim — nada apareceu.

Em cima?

À esquerda ou à direita?

Embaixo?

Talvez o boss fosse invisível e já estivesse parado bem diante deles. Eles verificaram todas as direções com o máximo de cautela. Ainda assim — nada.

— Talvez ele só apareça quando chegarmos perto do centro?

— É possível — Alisa assentiu diante da sugestão de Masachika.

Os quatro começaram a avançar lentamente.

Permaneceram extremamente alertas enquanto davam um passo de cada vez. Alisa, que liderava o grupo, pisou na grama. Avançou mais alguns passos — quando Yuki, que flutuava despreocupadamente ali perto, falou.

"Aah... Mestre? Acho que talvez a gente tenha feito besteira."

— O quê? Como assim?

Masachika franziu a testa e olhou para ela. Yuki encarava o chão enquanto fazia sinal para que ele se aproximasse. Masachika avisou rapidamente as outras e foi até lá. Caída no chão — havia uma conhecida escama vermelha.

— Hm? Isto não é...?

Ele ergueu o olhar para Yuki, interrogativamente. Yuki assentiu. Então examinou lentamente toda a câmara.

"É só um palpite... mas será que o boss que deveria aparecer aqui não era aquele dragão que matamos antes?"

......

Masachika permaneceu em silêncio por vários segundos. Então várias informações subitamente se conectaram dentro de sua cabeça. As montarias que haviam sido incentivados a comprar na cidade anterior à Área Cinco. O dragão que tinha sido absurdamente poderoso para um boss da Área Cinco — e que havia concedido uma quantidade enorme de experiência. A estrada estranhamente longa e completamente linear depois que o mataram. E a floresta esperando no final.

"Será que a Área Cinco não deveria terminar com vocês montando nas montarias e fugindo até a floresta?"

— ENTÃO ERA ISSOOOOOOOOOOOO!!

Tudo se encaixou. Não era à toa que o dragão havia sido absurdamente forte. Não era à toa que as Áreas Seis e Sete tinham parecido tão fáceis. É claro que pareciam. Porque, excluindo o Rei Demônio — que provavelmente era o boss final — eles já haviam derrotado o que provavelmente era um dos Bosses mais fortes de todo o jogo.

O Boss da Área Sete

E tinham matado a criatura na metade da aventura. Yuki quase certamente estava certa. Um boss absurdamente poderoso da Área Sete apareceria de repente na Área Cinco. O grupo fugiria desesperadamente, escapando por muito pouco com vida. Ele os perseguiria sem descanso, traumatizando-os e se estabelecendo como um inimigo recorrente.

Então, ali — eles finalmente o enfrentariam novamente.

Provavelmente aquele era o roteiro originalmente planejado.

Talvez, se estivessem montados quando o dragão aparecesse, as montarias entrassem automaticamente em pânico e disparassem — ativando um evento de fuga com rolagem forçada.

Nota — Um evento de "rolagem forçada" é uma sequência de jogo em que o jogador precisa continuar se movendo porque a tela, a câmera, o terreno ou o inimigo perseguidor avançam automaticamente.

"Você não deveria ter derrotado um boss que foi feito para você perder!"

— Eu diria que o verdadeiro problema foi terem programado o bicho de um jeito que ainda dava para derrotar.

Mesmo dizendo aquilo, Masachika entendia perfeitamente que aquele inimigo jamais havia sido projetado para ser realisticamente derrotado naquele ponto do jogo. Eles só tinham vencido por causa de sua habilidade apelona de aumento de experiência — e da recompensa absurdamente quebrada por concluírem perfeitamente o minigame.

Mesmo assim, Masachika sozinho apenas conseguira realizar um ataque suicida que empurrara o dragão para sua fase de fúria.

Sem a habilidade única de Maria, Masachika teria continuado morto. Sem a habilidade única de Alisa e a misteriosa arma de Ayano, provavelmente jamais teriam conseguido dar o golpe final.

Aquela vitória foi carregada completamente pelos cheats…

Nenhum grupo normal conseguiria derrotar aquela coisa ali.

Enquanto Masachika chegava a essa conclusão, as outras três, que haviam se assustado com o grito repentino dele, aproximaram-se cautelosamente.

— Hum, Masachika-kun? O que exatamente você descobriu?

— Descobriu qual é o boss~?

— Ah, bem...

Masachika mostrou a elas a escama vermelha caída no chão. Então explicou sua teoria.

— Entendiii~. Então foi isso que aconteceu~.

— Agora que você explica desse jeito... muita coisa de repente começa a fazer sentido.

"Estou convencida."

As três assentiram repetidamente. Masachika lhes deu um sorriso exausto.

— Então... é. Sendo assim... acho que provavelmente já concluímos esta área.

— Isso é meio anticlimático.

— Bem, acho que não tem muito o que fazer~. Nós já matamos o boss antes da hora...

Depois de estarem tão tensos poucos instantes antes, nenhum deles conseguia se livrar completamente daquela estranha sensação de insatisfação. Ainda assim, os quatro continuaram avançando pela câmara.

Chegaram à caverna do lado oposto sem qualquer incidente. Depois de caminharem por mais algum tempo, finalmente encontraram uma porta metálica no fim da passagem.

Porém, a porta não estava instalada em uma parede. Ela ficava no teto da caverna, cerca de três metros acima deles. Era apenas grande o suficiente para uma pessoa passar espremida.

Maria bateu várias vezes na porta com seu cajado sagrado. Depois de um breve intervalo, uma voz veio do outro lado.

— Quem é?

— Somos o grupo da Heroína. Viemos derrotar o Rei Demônio.

Alisa respondeu simplesmente.

A porta se abriu.

Um homem vestido inteiramente de preto, parecido com algum tipo de agente secreto, colocou a cabeça para fora. Aparentemente reconhecendo os equipamentos deles como os do grupo da Heroína, ele baixou uma escada de corda.

— Estávamos esperando por vocês. Esta é a base secreta da Unidade de Inteligência do Castelo do Rei Demônio.

Depois que todos subiram pela escada, o homem fez uma reverência. Aquela era a última área de apoio antes do castelo do Rei Demônio — o lugar sobre o qual tinham ouvido falar na fortaleza antes de entrarem na Área Sete.

Ao que parecia, tratava-se de uma instalação subterrânea construída na lateral do complexo do castelo do Rei Demônio, de onde agentes humanos de inteligência monitoravam o exército inimigo.

— Nossas instalações e suprimentos são limitados, mas ajudaremos vocês de todas as maneiras que pudermos.

— Obrigada. Agradecemos.

Naturalmente, uma base secreta daquele tipo provavelmente não teria uma forja. Pensando bem, também dificilmente haveria muitos especialistas de classes de produção ali. Eles já haviam sido avisados sobre isso na fortaleza da área anterior, então não era um problema.

Ou melhor — o fato de terem evitado a batalha contra o dragão ali fizera com que aquilo deixasse de ser um problema.

Se tivessem enfrentado o dragão na Área Sete, como originalmente deveriam, seus equipamentos e consumíveis poderiam ter sido severamente desgastados — obrigando-os a entrar no castelo do Rei Demônio em péssimas condições.

Pensando dessa forma, matar o dragão lá na Área Cinco talvez tenha sido uma jogada genial a longo prazo.

Também nos deu tempo suficiente para fabricar equipamentos com os materiais dele...

Enquanto Masachika pensava, o homem que servia como guia apontou para cima.

— Gostariam de vê-lo?

— Ver o quê?

— O castelo do Rei Demônio.

— Espera, dá simplesmente para olhar daqui?

— Claro.

Todos assentiram.

Seguiram o homem e finalmente chegaram a uma área elevada que lembrava um mezanino.

— Podem subir. Olhem por aquele tubo. Conseguirão ver o castelo.

Masachika subiu pela escada conforme instruído e encostou o olho em algo semelhante a um periscópio que se estendia pelo teto.

E, de fato — a visão que entrou em seu campo visual só podia ser descrita como: O Castelo do Rei Demônio.

Uma fortaleza sinistra repleta de torres negras cobertas por pontas agressivas. Nuvens negras e antinaturais giravam acima dela. Aquelas nuvens ameaçadoras bloqueavam completamente a luz do sol. Apenas o brilho vermelho de tochas — e uma luz roxa e sinistra emanada de objetos semelhantes a caveiras espalhados pelo terreno — iluminavam o castelo.

Esse é O CASTELO do Rei Demônio.

Masachika saiu do lugar para permitir que os outros também olhassem. Depois que todos examinaram o castelo, realizaram uma reunião estratégica.

Decidiram descansar bastante — e então se infiltrar no castelo do Rei Demônio logo cedo na manhã seguinte.

Quando informaram o plano ao guia, ele assentiu.

— Parece sensato. A vigilância do exército do Rei Demônio deve ser menos intensa de manhã cedo. E, como eles desconhecem esta base secreta, iniciar o ataque daqui deve permitir que vocês os peguem de surpresa.

— Ah... certo...

Masachika imediatamente teve um pensamento.

Isso não é o que chamam de zika?

A vontade de fazer a réplica óbvia passou pela cabeça dele. Mas dizer aquilo em voz alta parecia que só tornaria a zika ainda mais forte — então engoliu o comentário.

— Além disso, os mortos-vivos costumam ficar menos ativos no começo da manhã.

O guia falou casualmente. Porém, uma palavra específica era importante demais para ser ignorada. Depois de um instante, três vozes se sobrepuseram.

— Hm?

— Espera.

— Mortos-vivos?

Os três trocaram olhares. Masachika falou cautelosamente em nome deles.

— Tem mortos-vivos aqui?

— Sim, naturalmente.

— Naturalmente...?

— Muitos humanos e demônios morreram ao redor do castelo do Rei Demônio, e a região está saturada pelo poder mágico de demônios de alto escalão. No instante em que uma pessoa viva pisa lá fora, eles começam a sair do chão por toda parte.

— Por toda parte...

Dentro da mente dos três surgiu a mesma imagem — hordas de zumbis e esqueletos correndo atrás deles. E os três chegaram simultaneamente à mesma conclusão: NEM FODENDO!!

A maioria dos monstros havia sido tolerável porque, com algumas exceções, seus gráficos eram relativamente simplórios. Mas mortos-vivos

Não.

De jeito nenhum.

Porque os humanos daquele mundo pareciam humanos de verdade. Masachika não tinha motivo algum para acreditar que, ao se transformarem em mortos-vivos, subitamente virariam monstrinhos fofos e estilizados ou algo parecido com uma fantasia barata.

E, mesmo que virassem — ser perseguido por esqueletos ambulantes ainda seria aterrorizante.

Extremamente aterrorizante.

— O exército do Rei Demônio também parece concentrar a maior parte da vigilância no céu, deixando boa parte do monitoramento ao nível do solo para os mortos-vivos... Portanto, evitá-los completamente provavelmente seria impossível. Nossa unidade consegue enganá-los até certo ponto porque possuímos habilidades do tipo furtividade, mas—

— Hm?

Para Masachika — não. Para os três — aquelas palavras soaram como salvação.

— Furtividade funciona? — Masachika se inclinou para a frente. — Contra mortos-vivos?

— Sim. Dizem que os mortos-vivos permanecem debaixo da terra durante o dia e detectam criaturas vivas por meio de sons e vibrações no solo. Portanto, se conseguirem reduzir essas coisas ao mínimo absoluto...

Masachika e as irmãs Kujou se viraram simultaneamente para Ayano. Ao se tornar repentinamente o centro da atenção de todos — as orelhas caninas de Ayano se ergueram completamente.

⋆⋅☆⋅⋆

......

Na manhã seguinte — Masachika e as irmãs Kujou estavam novamente sendo sacudidos dentro de uma caixa de papelão. Tendo aprendido com a experiência anterior, dessa vez começaram deitados de costas contra o fundo.

Cada um apoiava os braços e as pernas contra as paredes para evitar que fossem arremessados uns contra os outros num emaranhado.

Mesmo assim, cada mudança de direção fazia seus corpos deslizarem levemente de um lado para o outro, ocasionalmente esbarrando uns nos outros. Mas nenhum deles emitia som algum.

Porque, se fizessem — o apocalipse zumbi começaria. Os três entendiam isso perfeitamente. Então, não importava o que acontecesse — recusavam-se a fazer qualquer barulho.

Naquele exato momento, Ayano os transportava diretamente através do terreno devastado ao redor do castelo do Rei Demônio. Com suas habilidades de furtividade de alto nível, Ayano deveria ser capaz de atravessar a rede de detecção dos mortos-vivos.

O objeto flutuante semelhante a uma caixa de papelão a seguia automaticamente sem tocar o chão, o que significava que a própria Ayano podia se movimentar como quisesse sem produzir ruído com a caixa.

Desde que os humanos dentro dela não fizessem nenhum som — os mortos-vivos não deveriam detectá-los.

...Provavelmente.

Seguindo essa teoria, os três passaram cerca de vinte minutos suportando a viagem lado a lado numa situação que só podia ser descrita como três barras de pressão humanas.

Nota — Uma 突っ張り棒 (tsuppari-bō) é uma barra ajustável mantida no lugar pela pressão contra duas superfícies opostas. A piada é que Masachika, Alisa e Maria estão apoiando braços e pernas contra as paredes da caixa exatamente da mesma maneira.

Para qualquer observador externo, a cena teria sido incrivelmente ridícula. Então, de repente — depois de uma viagem inteira composta apenas por movimentos horizontais — a caixa começou a sacudir violentamente para cima e para baixo.

—!

Logo em seguida veio a sensação de ausência de peso. Era exatamente como uma atração radical entrando numa queda repentina — aquela sensação horrível de os órgãos internos parecerem flutuar por um instante.

Isso aconteceu várias vezes. Então — a tampa se abriu. As paredes de papelão desceram lentamente. O mundo exterior apareceu diante deles.

"Obrigada por viajarem conosco."

— Isso não é um ônibus…..

Masachika sussurrou instintivamente a réplica.

Ele olhou ao redor. Atrás deles — a muralha do castelo. Dos dois lados — cercas-vivas.

E diretamente à frente — o castelo do Rei Demônio.

Visto de tão perto, sua presença opressiva era ainda mais esmagadora.

— Você fez um trabalho incrível, Ayano. Sério mesmo — agradeceu Masachika.

— Obrigada. Graças a você, evitamos ser cercados por mortos-vivos — disse Alisa.

— Incrível~. Você realmente salvou a gente.

Ayano segurava a corda com gancho que Masachika havia lhe emprestado — a mesma corda que, de algum modo, sobrevivera intacta à batalha contra o dragão.

Os três a elogiaram sinceramente. De algum modo — Ayano havia escalado a muralha do castelo do Rei Demônio sem passar pelo portão principal e infiltrado com sucesso no terreno interno.

Ela havia contornado toda a área infestada de mortos-vivos. E, provavelmente — também os guardas posicionados no portão da frente.

"É assim mesmo que o grupo de uma Heroína deveria lutar?"

"Cala a boca."

Masachika respondeu mentalmente ao comentário desnecessário de Yuki. Então olhou para Alisa e Maria antes de voltar sua atenção para Ayano.

— Certo. Está pronta?

"Deixe comigo."

— Ótimo. Então contamos com você — acrescentou Masachika.

— Tenha cuidado — alertou Alisa.

— Se cuida, está bem? Continuar viva vem em primeiro lugar — disse Maria.

"Entendido."

Ayano fez uma reverência. Então — quase como se fosse o próprio ar — sua presença desapareceu. Ela começou a avançar junto à muralha do castelo em direção à estrutura principal.

...Essa é a habilidade única dela?

Eu ainda não entendo direito como nenhuma das habilidades dela funciona...

Masachika inclinou mentalmente a cabeça enquanto observava Ayano desaparecer como névoa. Ainda assim — tudo aquilo fazia parte do plano decidido de antemão. Daquele ponto em diante, Ayano operaria separadamente.

O nome da operação:

Operação: Vamos Resgatar Primeiro o Presidente-Princesa!

O plano era fazer Ayano garantir a segurança de Touya antes do confronto contra o Rei Demônio, caso este tentasse usá-lo como refém. Masachika, sinceramente, não achava que as chances de sucesso fossem particularmente altas. Mas, se Ayano conseguisse resgatar Touya antecipadamente — então, no pior dos casos, talvez pudessem recuar sem sequer derrotar o Rei Demônio.

Havia outro motivo também. Mesmo que fracassassem em derrotar o Rei Demônio, levar Touya de volta talvez acalmasse aquela rainha ensandecida o suficiente para fazê-la cooperar com a subjugação do Rei Demônio sem destruir o mundo inteiro no processo.

Pelo menos — essa era a esperança.

"É assim mesmo que o grupo de uma Heroína deveria lutar?"

"Eu já mandei você calar a boca."

Masachika respondeu novamente a Yuki dentro da própria cabeça.

Então se virou para Alisa e Maria.

— Prontas?

— Sim.

— Espera só mais um pouquinho............ Pronto. Estou pronta — Alisa havia retirado temporariamente sua armadura metálica porque ela fazia barulho demais.

Agora terminava de colocar todo o equipamento novamente. Masachika confirmou que ela estava pronta e assentiu.

— Ótimo. Então seguimos o plano.

— Siiim~ — respondeu Maria.

— Hum... A gente vai mesmo fazer isso? — perguntou Alisa.

— Precisamos de uma distração grande e chamativa para ninguém prestar atenção na Ayano, certo? — lembrou Masachika.

— Eu sei, mas...

Ignorando a hesitação de Alisa, Maria começou a lançar magias defensivas e de suporte sobre eles. Porém, apesar de estarem escondidos dentro das cercas-vivas, aparentemente era impossível ocultar feitiços que emitiam luz visível.

— QUEM ESTÁ AÍ!?

Uma voz áspera ecoou de algum lugar próximo. Eles se viraram e encontraram um demônio bípede semelhante a um besouro — aparentemente um soldado em patrulha — encarando-os na direção do castelo.

— Bem, descobriram a gente. Vamos, agora é tarde demais para recuar!

— Ah, que seja! Depois não põe a culpa em mim!

Masachika abriu um pergaminho na direção do demônio enquanto Alisa erguia uma das mãos.

— Toma essa!

— «Vzryv»!

(Explosão)

Um projétil de pedra e uma explosão atingiram o demônio-besouro simultaneamente — arremessando-o para longe junto com uma grande parte da muralha externa do castelo atrás dele.

Boa! Como eu imaginava, as paredes do castelo são destrutíveis!

Exatamente como a Sarashina-senpai fez!

Masachika fez um pequeno gesto de vitória e imediatamente disparou em direção ao enorme buraco que haviam aberto na parede.

— MUITO BEM, SEUS DESGRAÇADOS! A GENTE VEIO INVADIR ESTA PORRA!!

Nota — カチコミ (kachikomi) é uma gíria do submundo/yakuza para invadir violentamente o território de um grupo rival. Masachika está falando deliberadamente como um gangster, e não como o protagonista heroico de uma fantasia.

— Para de falar desse jeito!

— A LEI CHEGOU~!

Nota — 御用だ、御用だ! (goyō da, goyō da!) é um grito estereotipado associado a agentes da lei perseguindo criminosos em dramas históricos japoneses — algo próximo de "Você está preso!". Maria entra com entusiasmo na energia absurda de drama histórico/gangster de Masachika.

— Masha, você também não! O QUE VOCÊ ESTÁ FALANDO!?

Um Sábio gritando como um bandido enquanto espancava o inimigo mais próximo com um grimório como se fosse uma arma contundente.

Uma Santa brandindo entusiasticamente seu cajado como uma clava.

E uma Heroína desesperadamente fazendo correções aos dois enquanto balançava sua espada sagrada com uma atitude cada vez maior de "ah, quer saber? Foda-se".

"Isso é mesmo o grupo de uma Heroína?"

Yuki olhou para os três de cima e murmurou, incrédula.

⋆⋅☆⋅⋆

Quinze minutos depois de o grupo de Masachika iniciar seu espetacular ataque surpresa, os corredores do castelo do Rei Demônio haviam mergulhado em completo caos. Demônios vinham dos dois lados do corredor, pretendendo esmagar os três invasores insolentes apenas pela superioridade numérica.

Magias voavam. Lanças avançavam. Espadas, martelos e garras desciam com violência — apenas para atingir paredes de luz e ricochetear sem causar dano algum.

E qualquer um que bloqueasse o caminho pela frente recebia em troca a espada sagrada de Alisa (La ele).

Quem os perseguia por trás recebia o grimório de Masachika diretamente na cara.

Mesmo assim, a diferença numérica era esmagadora. Os invasores vinham abrindo caminho à força bruta, mas, eventualmente, seu avanço começou a desacelerar. Pouco a pouco — começaram a ser empurrados para trás.

Aparentemente enxergando uma oportunidade, um demônio particularmente grande abriu caminho pela multidão, empurrando os demônios menores para os lados enquanto avançava.

— GAH-HAH-HAH! EU SOU UM DOS ORGULHOSOS CINCO GENERAIS DA ESPADA DO EXÉRCITO DO REI DEMÔNIO! EU SOU NORUBE, A LÂMINA INFERNAL DE———

— «Utrennyaya Zarya».

(Luz da Alvorada)

Alisa interrompeu a apresentação daquilo que parecia suspeitosamente ser um monstro com nome próprio.

A luz explodiu. Era como observar o sol surgir por trás de uma montanha e iluminar o mundo inteiro em um único instante. Uma violenta explosão de radiância irrompeu do centro da horda de demônios.

Os corredores escuros do castelo do Rei Demônio ficaram completamente brancos num piscar de olhos. A luz era tão avassaladora que nem mesmo às sombras foi permitido existir.

Tudo foi engolido.

— ESPERA, SUA DESGRA—

O importante Lorde-Lâmina-Infernal-Sei-Lá-O-Quê não foi exceção. Vários segundos depois, a luz desapareceu. O enorme exército demoníaco que preenchia o corredor — simplesmente havia sumido.

— Certo... Magia de Luz Sagrada é genuinamente roubada.

Masachika murmurou, incrédulo, enquanto aproveitava um instante para virar algumas poções.

— Então ela realmente é extremamente eficaz contra demônios~.

A magia de Luz Sagrada exclusiva da Heroína era incomum porque consumia SP além de MP. Até então, porém, havia relativamente poucos feitiços poderosos nessa categoria, e sua eficácia contra qualquer coisa que não fosse demônio era baixa.

Por isso, Alisa quase nunca a havia usado. Mas, depois que o nível da habilidade aumentou e desbloqueou magias avançadas — incluindo poderosos feitiços de grande área — a Luz Sagrada subitamente se tornara devastadora dentro de um castelo absolutamente abarrotado de demônios.

— Mesmo assim... acho que nossos níveis finalmente estão começando a chegar ao limite. Acabamos com aquele grupo inteiro e eu não subi de nível.

— É... Mas, depois de matar tantos, provavelmente já compensamos toda a experiência que deixamos para trás ao evitar a área dos mortos-vivos e os guardas do portão.

Era exatamente isso. Aquela carnificina não era apenas uma distração para desviar a atenção de Ayano. Também tinha o objetivo de recuperar a experiência que haviam perdido ao pular a primeira metade da Área Oito.

Antes da batalha final contra o Rei Demônio, queriam eliminar inimigos comuns suficientes para ganhar todos os níveis que razoavelmente conseguissem.

É verdade que vários inimigos misturados àqueles grupos não se encaixavam exatamente na definição de "comuns".

Ninguém estava prestando atenção nisso. Ou melhor — eles estavam deliberadamente tentando não pensar demais em cada inimigo individualmente. Porque, se começassem a pensar coisas como—

Espera... esses caras provavelmente também têm nomes.

Provavelmente têm vidas próprias...

A situação se tornaria emocionalmente complicada sem necessidade alguma. Aquelas coisas eram apenas pontos de experiência ambulantes.

Pontos de experiência.

Entendeu?

— Então... acho que já está na hora de interrompermos a perseguição. Todo mundo de acordo? — perguntou Masachika.

— Sim.

— Siiim~.

— Ótimo. Então... preparem-se.

Depois de avisá-las, Masachika encarou a próxima massa de demônios que avançava em enxame na direção deles. Então olhou para o chão sob seus pés e conjurou—

— «Obval».

(Desmoronamento)

Naquele instante — Masachika sentiu algo completamente novo. Sempre que algum de seus feitiços falhava no passado, Masachika sentia algo parecido com faíscas explodindo no fundo da mente.

Desta vez, a sensação foi completamente diferente. Em vez disso — parecia que alguma coisa se encaixava suavemente dentro de seu peito. E exatamente no ponto para o qual havia mirado — o corredor desabou. Os demônios que os perseguiam desapareceram junto com o piso abaixo deles.

— Funcionou?

— Mhm, mhm! Sua pronúncia foi muito boa dessa vez~! Perfeita! — comemorou Maria.

— Na verdade... — disse Alisa, estreitando ligeiramente os olhos. — Seu russo não está ficando bem bom, Masachika-kun?

O coração de Masachika deu um salto diante daquele olhar desconfiado. Ele imediatamente assumiu a expressão mais convencida que conseguiu.

— Bem, houve uma época em que eu era conhecido como um prodígio.

— Sei, sei.

Masachika jogou a franja para trás num gesto exageradamente narcisista e totalmente desnecessário. Alisa perdeu o interesse na mesma hora e voltou a olhar para a frente com uma expressão indiferente.

Masachika soltou discretamente um suspiro de alívio. Então percebeu que Maria o encarava com olhos estranhamente gentis. Ele lançou um olhar interrogativo para ela. Maria apenas balançou levemente a cabeça, sem dizer nada.

— Bem, então. Vamos continuar? — perguntou Masachika.

— Sim. Vamos abrir caminho direto.

— Certo. A magia defensiva da Masha deve nos manter seguros, mas fiquem atentas a emboscadas vindas de cima ou pelos lados.

Masachika, que vinha protegendo a retaguarda, avançou até ficar ao lado de Alisa. Então os três começaram a correr ao mesmo tempo.

— SAIAM DA FRENTEEEEE! A PRÓPRIA HEROÍNA ESTÁ PASSAAAAANDO!!

— PARA DE FALAR ASSIM!!

⋆⋅☆⋅⋆

Eles dispersaram todos os inimigos que bloquearam seu caminho. Aniquilaram grupos inteiros com magias de área. Às vezes, derrubavam corredores inteiros. Outras vezes, Masachika errava o feitiço e destruía paredes no lugar. Eles avançaram rapidamente de andar em andar — até finalmente chegarem ao quinto.

Ali — uma enorme e pesada porta de metal se erguia diante deles. De cada lado da majestosa entrada havia estátuas demoníacas gigantescas e sinistras — como versões demoníacas das estátuas guardiãs de templos.

Nota — Compara as figuras a estátuas 仁王像 (Niō), os ferozes guardiões tradicionalmente posicionados dos dois lados dos portões de templos budistas.

— Essas coisas vão começar a se mexer com toda certeza no instante em que alguém tocar naquela porta.

"Exatamente."

Nota — それな (sore na) Yuki usa uma gíria casual japonesa que significa algo como "Exatamente", "Pois é" ou "É isso que eu estou falando".

Depois de avisar Alisa e Maria em voz alta, Masachika se virou para a escadaria pela qual tinham acabado de subir.

— «Obval».

(Desmoronamento)

Desta vez, o feitiço funcionou perfeitamente. O teto desabou, soterrando a escada e impedindo que os inimigos dos andares inferiores os seguissem.

— Mas falando sério... esse feitiço é quebrado demais. Em jogos, construções normalmente não são indestrutíveis?

"Bem, sim. Se os jogadores pudessem remodelar o terreno como quisessem, criariam bugs o tempo todo."

— Exatamente. Num jogo de verdade, uma magia de destruição de terreno assim seria corrigida imediatamente.

Ele fez uma pausa.

— Na verdade, provavelmente nem colocariam isso no jogo para começo de conversa.

"Bem, Mestre, você também é praticamente a única pessoa capaz de ficar lançando casualmente um feitiço com um custo de MP absurdamente alto desses."

— Verdade———

Masachika parou. Alguma coisa acabara de lhe ocorrer. Aquele feitiço do elemento Terra destruía e fazia desabar estruturas compostas de terra ou metal. Até então, Masachika o havia usado exatamente como o nome sugeria — para destruir paredes, pisos e tetos.

Mas...

......

— Masachika-kun? O que foi?

— Ah, nada... Só fiquem atentas por um instante, certo?

Masachika encarou a gigantesca porta de metal. Depois — as estátuas demoníacas posicionadas de cada lado. As estátuas extremamente suspeitas que pareciam prestes a começar a se mexer a qualquer momento.

Assim que o tempo de recarga do feitiço terminou — Masachika apontou casualmente para a estátua da direita.

— «Obval».

(Desmoronamento)

O feitiço foi ativado com sucesso. A estátua demoníaca desabou.

CRASH—CLANG—RUMBLE!

Num instante, a enorme estátua se transformou em nada além de uma pilha de escombros. Os destroços tremeram fracamente por alguns instantes… e então pararam.

Masachika recebeu pontos de experiência.

…....

— O que você acabou de fazer?

Masachika confirmou que a estátua da esquerda ainda não havia se mexido. Então, no instante em que o tempo de recarga terminou—

— «Obval».

(Desmoronamento)

A segunda estátua demoníaca desabou.

Pontos de experiência apareceram.

— Ótimo. Agora não precisamos nos preocupar com alguma coisa atacando nossas costas.

— Tenho a impressão de que acabamos de fazer algo incrivelmente cruel...

— É coisa da sua cabeça.

Masachika descartou a preocupação casualmente e começou a se preparar para a batalha decisiva.

Restaurou seu HP e MP ao máximo com poções. Consertou a durabilidade de seus equipamentos usando medicamentos alquímicos. Reorganizou seu inventário, colocando tudo que pudesse precisar durante a batalha em locais de fácil acesso.

— Todo mundo pronto?

À pergunta de Alisa, Masachika e Maria assentiram. Eles revisaram alguns detalhes sobre o que fariam imediatamente depois de entrar. Então, como toque final — Maria lançou magias defensivas e de suporte em todos.

— Certo — Alisa se virou para as portas. — Vamos!

— Sim!

— Ooh~!

Encorajada pelas respostas de seus companheiros, Alisa colocou a mão contra a porta. As enormes portas metálicas se abriram automaticamente para dentro.

GRRRRRRRRRR...

E então um clarão verde-escuro cintilou.

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📖✨ Este capítulo foi traduzido por Slag e revisado por Shisui

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Fim da leitura

Capítulo 137 concluído

Spinoff – Capítulo 6 – Capítulo 6: Mesmo em Outro Mundo, Eles Estão por Toda Parte